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Desenvolvimento - Jovens discutem soluções às inundações no Itaim Paulista

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Rosângela Ribeiro Gil

O Núcleo Jovem Engenheiro do SEESP promoveu, em 4 de junho último, mesa-redonda com especialistas para discutir problemas relacionados às inundações a partir de visita técnica realizada ao bairro do Itaim Paulista. Situado na zona leste de São Paulo, o local sofre com o fenômeno regularmente, após precipitação pluviométrica. A coordenadora do núcleo, Marcellie Dessimoni, ressaltou que o projeto “Cresce Brasil – Itaim Paulista” – como parte do “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), que neste ano se debruça sobre o tema “Cidades”  – já integra os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
“Precisamos aproximar a nossa área cada vez mais das pessoas, aliar a engenharia ao protagonismo humano, além de buscarmos nossa segurança profissional”, defende.
A professora Melissa Cristina Pereira Graciosa, da Universidade Federal do ABC (UFABC), elogiou a iniciativa: “Vem ao encontro do que acredito deva ser a engenharia e a universidade.” Ela trouxe a seguinte questão: “Por que a cidade está sempre embaixo d´água?”. E ensinou: “Estamos falando, no caso dos fenômenos naturais, das chuvas, das ressacas marinhas etc.. Já no caso antrópico (tudo aquilo que resulta da intervenção humana), temos as ocupações das várzeas, a impermeabilização de áreas e canalização e tamponamento dos rios urbanos.” Graciosa acrescentou: “O rio, em seu estado natural, não aguenta a urbanização.”
Para trabalhar essas situações, a engenharia, observa a professora da UFABC, dispõe da moderna drenagem urbana que aborda de forma integrada a bacia hidrográfica, com quatro objetivos: controle da quantidade e da qualidade, restauração dos rios urbanos e recarga dos aquíferos com o restabelecimento da parcela de infiltração. “A ferramenta que temos à disposição hoje é o plano diretor de macrodrenagem”, salientou.
Na concepção de Pedro Bonano, delegado sindical do SEESP na Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), é fundamental que a engenharia saiba se comunicar com todos os segmentos da sociedade e com os profissionais de outras áreas. Ao mesmo tempo, defendeu que o lucro de quem quer que seja não pode se sobrepor à qualidade e aos procedimentos vitais da engenharia. Bonano observou que para cada dólar investido em saneamento se economizam cinco em saúde curativa, citando dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). “O saneamento está ligado diretamente à redução da mortalidade infantil.”
Já Claudia Bittencourt, professora das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e engenheira na Sabesp atuando na regulação do setor, destacou a importância de se entender o que é recurso hídrico para se saber as soluções necessárias nas cidades, assim como construir uma educação para a civilização, que está em pequenos gestos, como não jogar lixo no chão.

Sustentabilidade
Bittencourt mostrou a evolução em prol do meio ambiente, citando o Relatório Brundtland , também conhecido como “Nosso futuro comum”. No início da década de 1980, a ONU retomou o debate das questões ambientais e indicou a primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, para chefiar a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. O documento final foi apresentado em 1987 e propôs atuar pelo desenvolvimento sustentável.
Fechando as atividades, a coordenadora do Programa Várzeas do Tietê do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), Marta Maria Alcione Pereira, apresentou o Parque Várzeas do Tietê (PVT). Com 75km de extensão e 107km2 de área, informou ser o maior parque linear do mundo. Implantado ao longo do Rio Tietê, unindo o Parque Ecológico do Tietê (localizado na Penha) e o Parque Nascentes do Tietê (em Salesópolis), o projeto foi apresentado pelo Daee em 20 de julho de 2010 e teve início em 2011.
O empreendimento, destacou Pereira, beneficiará diretamente 3 milhões de pessoas da zona leste da Capital e indiretamente toda a população da Região Metropolitana de São Paulo. O investimento previsto é de R$ 1,7 bilhão até 2022, sendo que a programação de trabalho está dividida em três fases. A primeira, entre 2011 a 2016, implantada num trecho de 25km entre o Parque Ecológico do Tietê até a divisa de Itaquaquecetuba. A segunda etapa terá 11,3km e abrangerá a várzea do rio em Itaquaquecetuba, Poá e Suzano, com previsão de término em 2018. E a terceira, de 38,7km, se estenderá de Suzano até a nascente do Tietê, em Salesópolis, e deverá ser concluída em 2022.
A mesa-redonda contou também com a participação de Fernando Palmezan, coordenador do “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. Na sua ótica, a iniciativa do núcleo do SEESP agrega ainda mais valor e maturidade ao projeto lançado há dez anos pela FNE. “Desde 2006, discutimos grandes temas nacionais, e agora, no debate das cidades, temos essa ação que se debruça sobre um problema que aflige uma comunidade.” Estiveram presentes também os diretores do sindicato Celso Renato de Souza (São José dos Campos) e José Carlos Bento (Marília). Os trabalhos técnicos no Itaim Paulista do Núcleo Jovem Engenheiro contam com a assessoria do professor do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), Marcelo de Melo Barroso.

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