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EDITORIAL - A mensagem dos trabalhadores brasileiros a Obama

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         Durante sua passagem pelo País, nos dias 18 e 19 de março, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, teve a oportunidade de conhecer as preocupações dos trabalhadores brasileiros. Em carta assinada pelas centrais sindicais, foram apresentados a ele os pontos essenciais pertinentes às relações socioeconômicas entre as duas nações e ainda à política externa de modo geral do país norte-americano.

         O primeiro tema abordado foi o desequilíbrio da balança comercial entre Estados Unidos e Brasil, crescentemente desfavorável a esse último, que em 2010 acumulou déficit de US$ 7,7 bilhões, significando aumento de 75% em relação a 2009. O documento aponta como responsáveis por essa situação a depreciação forçada do dólar e as barreiras aos produtos nacionais, especialmente etanol, itens siderúrgicos, tabaco e suco de laranja, áreas nas quais o Brasil é altamente competitivo. Assim, reivindica a Obama o fim do protecionismo nas economias centrais, além de implementação efetiva de cláusulas sociais e o estabelecimento de padrões trabalhistas mínimos, baseados no respeito às regras da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

         O texto expressa também a solidariedade aos servidores públicos de Wisconsin e de outros estados norte-americanos, nos quais existem medidas de restrição das atividades sindicais e das negociações coletivas aprovadas por parlamentos locais. “Causa-nos estranheza, e por isso deixamos aqui nossos protestos, que, sob a alegação de ‘razões orçamentárias’, alguns governos (...) venham a atingir e, inclusive, extinguir direitos básicos conquistados pelos funcionários, fato grave que, por estar ocorrendo na maior economia do mundo, pode servir como ‘efeito demonstração’ a outros países”, afirma a carta.

         A Obama foi apresentado o apoio às negociações diplomáticas entre os governos do Brasil e dos EUA para o estabelecimento de um acordo que possibilite a contagem do tempo de serviço dos trabalhadores brasileiros que contribuam com a previdência social nos EUA e vice-versa. Indo mais além, defende que o espírito de tal acordo estenda-se “ao tema da imigração, da necessidade de se legalizar a permanência e o direito ao trabalho dos milhares de brasileiros que atualmente residem nos EUA”.

      Faz ainda um apelo por uma política internacional de paz, de direitos humanos, de desarmamento, de não intervenção, de autodeterminação e de soberania dos países e dos povos. O documento assevera serem tais elementos “essenciais para a conquista de um ambiente político internacional calcado na liberdade e na democracia, princípios fundantes da grande nação norte-americana”. Por fim, reivindica o fim do bloqueio econômico imposto a Cuba há mais de quatro décadas, o que tem causado sofrimentos e privações ao povo da ilha caribenha.

        Adotando um tom diferente dos protestos de rua no Rio de Janeiro, que tentaram mostrar ao presidente norte-americano os graves erros cometidos pelos Estados Unidos no que diz respeito à sua inserção no cenário internacional, o sindicalismo brasileiro empenhou-se no mesmo sentido. Resta esperar que as palavras tenham força para sensibilizar Barack Obama.

 

 

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