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Sindical - Jovens na construção da engenharia unida

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Rosângela Ribeiro Gil

Por intermédio de seu Núcleo Jovem Engenheiro, o SEESP reuniu, em 7 de novembro, estudantes e recém-formados na área no primeiro seminário que discutiu os desafios profissionais e o protagonismo do jovem engenheiro. Realizada na sede do sindicato, na Capital, a atividade atraiu mais de 100 pessoas. À abertura, o vice-presidente dessa entidade, João Carlos Gonçalves Bibbo, considerou o evento como um marco na história do SEESP, ao projetar um novo olhar sobre os movimentos social, sindical e político do País.

“Estamos aqui para compartilhar conhecimento e experiências”, conclamou. Ressaltando a importância da criação do Núcleo Jovem Engenheiro pela entidade em julho último, seu presidente, Murilo Celso de Campos Pinheiro, reforçou o convite para que os jovens da área se envolvam na construção da engenharia unida. “Vocês podem ajudar a fazer um sindicalismo moderno e ainda mais atuante.”

No ensejo, Antonio Florentino de Souza Filho, presidente do Sindicato dos Engenheiros do Piauí (Senge-PI) e diretor da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), parabenizou o SEESP pela iniciativa que servirá de base a outros sindicatos da categoria fazerem o mesmo – ao encontro do que ficou definido durante o IX Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse), em que se decidiu construir o FNE Jovem (leia no JE 484). “O movimento sindical precisa ser renovado com essa geração para buscar novos rumos à engenharia”, realçou.

O Núcleo Jovem Engenheiro e a área de Oportunidades e Desenvolvimento do SEESP viabilizaram o evento ao visitarem, entre agosto e outubro último, várias universidades paulistas de engenharia, o que possibilitou o contato com mais de mil estudantes. Marcellie Dessimoni, coordenadora do núcleo, classificou o seminário como um “pontapé” inicial do movimento do jovem engenheiro. “Estamos num momento de construção, por isso precisamos da participação ativa do estudante e do recém-formado. Queremos e precisamos fazer a diferença”, enfatizou.

Papel civilizatório e humano
No painel “A participação dos jovens engenheiros na construção de uma nova etapa do sindicalismo brasileiro em defesa de sua profissão”, o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto falou sobre a formação da classe trabalhadora brasileira, nos anos 1900, integrada por negros recém-libertados da escravidão, completamente desorganizados, e mão de obra estrangeira, vinda principalmente de Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha. “Naquela época, o Brasil era uma imensa fazenda ainda. Estávamos iniciando as nossas indústrias.” Foram os estrangeiros que criaram os primeiros sindicatos do País.

Vargas Netto mostrou que o movimento sindical, ao longo da história, em todo o mundo, sempre desempenhou papel civilizatório e humano. Para ele, a partir da década de 1970, o capitalismo se propôs a destruir as formas de convívio da sociedade, colocando em xeque as organizações. Como resultado, tem-se hoje um estranhamento entre o movimento sindical e as aspirações da juventude. Júnia Dark, diretora do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais e da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), relatou que ficou encantada ao se aproximar do movimento. “Cresceu em mim a semente da indignação.” E frisou: “Não existe categoria forte com sindicato fraco.”

Presidente da Delegacia Sindical do SEESP na Baixada Santista, Newton Guenaga Filho, salientou que essa é a organização que defenderá os direitos dos engenheiros. Já os conselhos têm a atribuição de fiscalizar o exercício da profissão regulamentada e as associações desenvolvem sobretudo ações sociais. Nesse escopo, a advogada do SEESP, Karen Blanco, salientou que são as contribuições, em quatro modalidades (sindical, assistencial, confederativa e associativa), que garantem estrutura adequada à busca de direitos e conquistas à categoria.

Mercado de trabalho
Os desafios e oportunidades ao jovem iniciar sua carreira também foram abordados durante o seminário. Entre eles, atender às exigências das empresas, como experiência e fluência em línguas estrangeiras, principalmente o idioma inglês, como destacou a coordenadora da área de Oportunidades e Desenvolvimento do SEESP, Mariles Carvalho. “Muitas vezes o jovem que sai da faculdade não atende a todas as exigências do mercado, isso causa uma grande frustração e confusão no recém-formado.” Para ela, é preciso enfrentar as pressões e não desanimar.

O diretor do sindicato e professor da Universidade de São Paulo (USP), Balmes Vega Garcia, falando sobre em­preendedorismo, estimulou os estudantes a irem atrás de fontes importantes de conhecimento, citando que é próprio da engenharia a criatividade e a busca por resolver problemas. Fator ligado a esse universo é a inovação, já invocada em 1942 pelo economista austríaco Joseph Alois Schumpeter em “Capitalismo, socialismo e democracia” como fator decisivo na concorrência entre as companhias. “Sem inovação, a empresa perece. Ou seja, o profissional da engenharia está num ponto-chave.”

Mídia antissindical
A discussão sobre a democratização da mídia no Brasil e comunicação sindical encerrou o evento. Altamiro Borges, o Miro, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, explicou que há um consenso no mundo sobre a forte influência da mídia na vida das pessoas e dos países e de que ela está nas mãos de poucos grupos econômicos. No Brasil, por exemplo, informou, são sete famílias controlando 80% do que se produz em termos de informação e comunicação em todo o território brasileiro. “É um grande poder que mexe com a subjetividade humana”, advertiu.

Ele criticou a mídia brasileira que, diferentemente de outros países, não tem um projeto nacional. “É totalmente colonizada e antissindical, sem espírito democrático, e não vacila em apelar ao autoritarismo, como fez em 1964, ao preparar e apoiar o golpe civil-militar.” Diante disso, prosseguiu, a sociedade tem o grande desafio de lutar pela democratização da comunicação. Com esse objetivo, Miro citou o projeto de lei de iniciativa popular com 33 artigos, que precisa ter mais de um milhão de assinaturas para ser apreciado pelo Congresso Nacional.

Já João Franzin, da Agência Sindical, atuando há 30 anos na mídia sindical, enalteceu a engenharia por ter propiciado avanços tecnológicos que ajudaram a comunicação operária, que hoje tem mais facilidade e rapidez em elaborar jornais e boletins informativos. Ele observou que o trabalhador, para a mídia comercial, é clandestino e invisível. Daí a importância da imprensa sindical, “militante, engajada e que tem lado, cuja credibilidade se garante ao falar a verdade”.
Ratificando essa visão, Rita Casaro, gerente do Departamento de Comunicação do SEESP, apresentou a área que coordena no sindicato, a qual produz conteúdos para seu jornal impresso, sites, redes sociais, programa de televisão, boletins e outras publicações. Ela chamou os estudantes, assim como os profissionais, a acessarem esses veículos, que “são feitos para vocês”.

Confira cobertura completa

Uma explosão de conhecimento
O auditório do SEESP, na Capital, no dia 7 de novembro, foi ocupado, em sua maioria, por jovens com menos de 25 anos de idade. Todos sedentos de informação e satisfeitos com o contato com o sindicato. Seguem as impressões
de alguns dos participantes sobre o seminário:

July Nicoli Barbosa Bitencourt
Segundo semestre de Engenharia de Inovação no Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec)
Esse contato com o sindicato faz com que o jovem entenda o que está estudando e saiba quais são os seus direitos e deveres. O seminário foi bem interativo e dinâmico. Acredito que o SEESP, com esse evento, plantou a semente da participação no jovem. Foi bem legal.

Robson dos Santos
Quinto semestre de Engenharia Civil nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU)
Senti falta apenas de uma mesa para enfocar a questão do negro na engenharia. Acho que em outras atividades o sindicato deveria mostrar que o negro tem capacidade de ocupar qualquer função e cargo na sociedade. Mas estar aqui hoje é uma grande realização para mim.

Carlos Henrique Santos Alves
Quinto semestre de Engenharia Civil na Universidade Nove de Julho (Uninove)
O seminário foi bem desenvolvido, abordando vários assuntos que não conhecíamos profundamente, e a experiência que os engenheiros trouxeram nos faz ver qual é o mundo que nos espera. Ao mesmo tempo, mostrou outro lado da profissão, o da responsabilidade.

Robinson Luiz Quirino Muniz
Terceiro ano de Engenharia Ambiental na Associação de Ensino e Cultura de Mato Grosso do Sul (Aems)
Viemos prestigiar o evento para buscar informações para o nosso estado. Vamos copiar as boas práticas. Tivemos uma verdadeira explosão em nossa mente.

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