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Cresce Brasil - Engenharia unida para o País avançar

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Soraya Misleh

Sob o mote “Valorização profissional e desenvolvimento”, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) realizou entre 5 e 7 de outubro, em Campo Grande (MS), seu IX Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse). Mobilidade urbana, desafios e oportunidades ao agronegócio e à indústria, educação, água e energia estiveram entre os temas abordados. No ensejo, foi ainda lançada a publicação “Perfil ocupacional dos profissionais da engenharia no Brasil”, elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a pedido da FNE.

Reunindo cerca de mil profissionais da categoria de diversos estados brasileiros, entre eles representantes do SEESP, o evento culminou na aprovação da “Carta de Campo Grande” , que destacou a importância da engenharia unida para o País superar a atual crise rumo à retomada do desenvolvimento sustentável com inclusão social – como propugna o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado pela entidade nacional em 2006 e atualizado desde então. Ao final, foi eleita a diretoria da federação para o triênio 2016-2019. Murilo Celso de Campos Pinheiro – que também está à frente do sindicato paulista – foi reconduzido ao cargo de presidente.

À abertura, ocorrida na Câmara Municipal de Campo Grande, o vereador Edson Shimabukuro, presidente do Senge-MS e anfitrião do evento, observou que o País precisa aumentar o número de engenheiros. Hoje, declarou, são seis profissionais para cada mil habitantes, enquanto em destinos como Estados Unidos e Japão, essa proporção é de 25 por mil. “O progresso de uma nação se faz com o trabalho do engenheiro, maximizando a produção para criar mais conforto, riqueza e emprego.” O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, realçou que o Brasil é atualmente um dos maiores produtores de grão e proteína vegetal, graças, em grande parte, ao trabalho dos profissionais da categoria. Ao mesmo tempo, observou que a engenharia ajudou a tornar as obras mais eficientes, reduzindo custos, e contribuirá também na superação da crise atual.

Murilo Pinheiro aproveitou o ensejo para conclamar a unidade da engenharia para auxiliar o País a voltar a trilhar os caminhos do crescimento com sustentabilidade e justiça social. “Não devemos discutir a recessão, precisamos enxergar as saídas para os problemas.” Nesse sentido, acredita que a categoria tem muito a contribuir e sempre com propostas factíveis. Ele lembrou ainda que nos últimos três anos de trabalho, a FNE esteve envolvida em várias ações visando a valorização profissional – sendo carro-chefe o respeito ao piso salarial da categoria (Lei 4.950-A/66), mas incluindo também a luta pela implantação da carreira de Estado nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal). Sobre educação voltada à inovação, Pinheiro falou sobre o pioneirismo de São Paulo, que conta com total apoio da FNE, de criar o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec).

Prestigiaram a solenidade de abertura, ainda, o presidente da Câmara local, vereador Flávio César Mendes de Oliveira; o secretário de Governo do município, Paulo Pedra; a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho – 2ª Região de São Paulo, Ivani Contini Bramante; o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul, Hiram Sebastião Meneghelli Filho; e os presidentes dos conselhos Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), José Tadeu da Silva, e Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS), Dirson Artur Freitag; do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), José Roberto Bernasconi; e da Mútua Nacional, Paulo Guimarães.

Desafios e oportunidades
Setores estratégicos ao desenvolvimento nacional, o agronegócio e a indústria foram tema do painel que abriu os trabalhos no Conse, os quais foram sediados no Crea-MS. As exposições foram precedidas de apresentação cultural do grupo Ryukyu Koku Matsuri Daiko, que trouxe músicas tradicionais de Okinawa, Japão, e ritmos contemporâneos locais. 

Combater a desindustrialização precoce em curso no País foi o tema desenvolvido por Antonio Corrêa de Lacerda, coordenador de Estudos Pós-graduados em Economia Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Segundo ele, o processo é de ordem conjuntural e estrutural, resultado da “ausência de estratégia voltada ao desenvolvimento industrial e de erros básicos na definição de macropreços, sobretudo na política cambial”. Na sua análise, esse quadro deve permanecer em 2016. Lacerda foi categórico: “O grande desafio é transformar as debilidades brasileiras em logística e infraestrutura em oportunidades e aproveitar o potencial brasileiro. É necessário fazer, para tanto, alianças estratégicas, articular políticas macroeconômicas com setoriais e de desenvolvimento, em contraponto ao rentismo.” Em outras palavras, “reindustrializar utilizando as novas tecnologias e retomar o desenvolvimento com base nesse processo, incentivando a produção”.

Sob esse mote, é crucial garantir sustentabilidade ao agronegócio, sobretudo porque o País terá contribuição fundamental para assegurar segurança alimentar ao mundo. Foi o que demonstrou o diretor executivo de Transferência de Tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Waldyr Stumpf Junior. Segundo ele, a expectativa é de que em 2050 o planeta chegue a 9 bilhões de habitantes – hoje são 7 bilhões. “A projeção é de crescimento da demanda de alimentos de 62%. É um desafio e uma oportunidade fantástica ao Brasil, que tem grandes vantagens competitivas. Temos área total de 850 milhões de hectares e capacidade de expansão em torno de 100 milhões.” Ele apontou a importância da pesquisa e tecnologia na obtenção de ganhos de produtividade sem necessidade de “abrir novas áreas”. Stumpf, contudo, reiterou a premência de solucionar a questão da logística. Renato Roscoe, presidente da Associação de Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso do Sul, apontou ainda, entre outras, as demandas por reduzir as barreiras burocráticas, aproximar academia e setor produtivo e “desamarrar” o processo de financiamento à ciência, tecnologia e inovação (C, T & I). Representando Arnaldo Jardim, secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Delson José Amador destacou a importância dos engenheiros brasileiros nesse processo. Nessa direção, Bernasconi, do Sinaenco, enfatizou a urgência de se valorizar o planejamento e projeto e, portanto, o profissional da categoria.

Os desafios a serem enfrentados em água e energia também tiveram lugar no Conse. O vice-presidente da Sociedade Brasileira dos Engenheiros Florestais (Sbef), Geraldo José dos Santos, defendeu que “a gestão de recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do poder público, dos usuários e das comunidades”. Para Santos, o funcionamento do sistema está de mal a muito mal. Assim, na sua ótica, colocar a culpa em São Pedro pela crise da água, por exemplo, é muita ousadia. Na visão do secretário adjunto de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso do Sul, Ricardo José Senna, os problemas nas áreas de água e energia não serão resolvidos, assim como tantos outros, sem a definição de um modelo de desenvolvimento.

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Luís Sauer defendeu total controle do País sobre as reservas do pré-sal, o qual “pode ser uma grande fonte de recursos para mudar o País a favor da sociedade brasileira”. Na ótica do secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, fontes renováveis competitivas e com tecnologias nacionais devem ser prioridade. O consumo de petróleo deve cair 2% – e o mundo precisa vencer a dependência em relação a essa fonte. “Para o decênio 2013-2023, o total de investimentos necessários é da ordem de R$ 1,2 trilhão, sendo R$ 301 bilhões calculados para o setor de energia elétrica.”

Protagonismo
O papel fundamental da categoria para planejar e garantir soluções também à mobilidade urbana foi destacado tanto por Jurandir Fernandes, ex-secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, quanto por Dario Rais, secretário nacional de Transporte e Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades. Esse último sinalizou a possibilidade de convênio com o Isitec, mantido pelo SEESP, para auxiliar a capacitação aos pequenos municípios para que possam cumprir com seus planos de mobilidade, conforme determina a Lei 12.587/2012.

Destacando o protagonismo dos engenheiros para “fazer acontecer”, Fernandes colocou como central investir pesadamente em infraestrutura e desenvolvimento tecnológico nacional. Na sua concepção, é crucial haver planejamento integrado e a participação da categoria não só na realização de projetos e obras, mas na definição de políticas para o setor.

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