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Tecnologia - Internet das Coisas traz conforto, mas exige cuidado

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Deborah Moreira

Cada vez mais, o mundo físico e o digital parecem ser um só. A chamada Internet das Coisas (IOT, na sigla em inglês para Internet of Things) pode conectar à rede mundial de computadores desde itens triviais, como portões eletrônicos, eletrodomésticos, roupas, relógios, acessórios, carros, maçanetas, até sistemas mais sofisticados de infraestrutura, como a rede elétrica. Alguns exemplos consolidados, além dos já citados, são os denominados aparelhos vestíveis, como Google Glass e Smartwatch2, da Sony, que se conectam a outros equipamentos. Contudo, especialistas recomendam cautela. O problema é que, ao ligar um dispositivo à internet, ele estará sujeito a riscos como invasão de privacidade, vigilância e roubo de informações.
Apesar de somente agora estar se popularizando, o conceito de Internet das Coisas deriva da computação ubíqua (quando homens e máquinas convivem pacificamente), surgida no final da década de 1980, quando o cientista da computação norte-americano Mark Weiser, tido como pai da computação ubíqua, cunhou a frase: “As tecnologias mais importantes são aquelas que desaparecem, integram-se à vida do dia a dia, ao nosso cotidiano, até se tornarem indistinguíveis.” Na década de 1990, desenvolveu-se a forma de conectar objetos e, em 1999, o pesquisador britânico Kevin Ashton, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), sugeriu o termo “Internet das Coisas” em um artigo intitulado “A coisa da internet das coisas” para o RFID Journal.
Hoje, empresas do setor estimam que o mercado global deve sair de US$ 655,8 bilhões em 2014 para US$ 1,7 trilhão em 2020, numa previsão de quase 30 milhões de dispositivos conectados. “Cada vez mais, você tem equipamentos com eletrônica embarcada. A grande maioria tem um processador, memória e algum tipo de capacidade de processamento nativo. Se você juntar a isso a comunicação via bluetooth ou sem fio, tem-se um uso inteligente dos equipamentos para facilitar a vida, com mobilidade”, explica o engenheiro Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil.
Ele lembra que já é possível fazer várias comunicações desse tipo, usando um roteador ou simplesmente o telefone celular. No entanto, um experimento em julho último, realizado por dois hackers e um jornalista, demonstrou a fragilidade dos sistemas de veículos conectados à internet. Em um vídeo divulgado pela revista norte-americana Wired, eles mostram como invadiram e controlaram um Jeep Cherokee 2014, que era dirigido pelo jornalista, em uma rodovia a quilômetros de distância do local onde os hackers estavam.
“Isso demonstra que estamos entrando num território que é vendido como conforto, mas traz embutidos riscos complexos, tanto de segurança quanto de privacidade. Outras pessoas podem ter acesso a seus costumes, a que horas você entra e sai de casa ou vai buscar seus filhos”, diz Getschko. Para ele, quanto mais houver equipamentos que não dependem de nenhuma interação física, maior deve ser a preocupação com a segurança. “Vários equipamentos têm backdoor (porta dos fundos), que é um recurso utilizado por fabricantes para garantir acesso remoto ao sistema para eventuais testes e checagens de qualidade. Mas essas portas podem ser descobertas e acessadas por pessoas mal intencionadas”, alerta.

Dicas e regulamentação
Uma pesquisa realizada em 2014 pela HP Security Research constatou que 70% dos aparelhos ligados à Internet das Coisas têm falhas graves de segurança e estão sujeitos a ataques de hackers. Como precaução, o engenheiro sugere desde o uso de senhas inteligentes até criptografia computadorizada.
Outra dica é nunca dar dados além do necessário para as operações. Uma vez inserida determinada informação sobre o usuário, dificilmente ela será removida. O professor Marcelo Hashimoto, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), também concorda que a segurança precisa estar no foco dos debates. “E quanto mais dispositivos uma pessoa tem conectados na internet, mais esses estão compartilhando dados, o que pode implicar invasão de privacidade”, lembra, referindo-se ao mercado de Big Data – criado a partir da coleta e cruzamento de informações pessoais. Para ele, “parte da solução não é necessariamente tecnológica, mas passa pela responsabilidade social e ética das empresas desenvolvedoras”, que devem respeitar as leis de privacidade, como o Marco Civil da Internet.
Hashimoto é um entusiasta do movimento Maker, que estimula o “faça você mesmo”. Segundo destaca, a tendência está crescendo por conta das novas tecnologias. “Hoje já é possível construir protótipos ou produtos finais a um custo bem menor utilizando arduíno (plataforma para esse fim) e impressoras 3D. E muitos desses inventos estão surgindo dentro da Internet das Coisas”, explica.
Uma tentativa de regulamentar o setor está sendo desenvolvida por um grupo interministerial que elabora o Plano Nacional de Comunicação M2M – máquina a máquina – e Internet das Coisas. O objetivo é padronizar sistemas de IOT, criar uma legislação para lidar com questões como privacidade, segurança e direitos do consumidor nesses serviços e lançar programas de financiamento da Internet das Coisas. O anúncio foi feito em junho deste ano, com previsão de lançá-lo até o final de 2015. Contudo, os ministérios da Comunicação e da Ciência e Tecnologia não retornaram à reportagem do JE para confirmar a informação.

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