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ENERGIA - Atraso em obras deixa parte da Capital no escuro

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Soraya Misleh

       Com vários bairros atingidos por um blecaute, em 8 de fevereiro último, São Paulo ficou cerca de 30 minutos às escuras. Segundo informações da Agência Brasil, o apagão afetou mais de 2 milhões de cidadãos, sobretudo do centro, zonas sul e oeste.

       Em nota divulgada no dia 9, a Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) esclareceu que os transformadores da Subestação Bandeirantes, “dado o intenso calor e o alto consumo na sua região de influência, têm operado próximo a sua capacidade nominal”.

       Ainda de acordo com o informe, a primeira queda de energia, às 15h11, foi gerada pela atuação preventiva de proteção de sobretemperatura em um dos três transformadores de 345/88kV. “Como consequência, os outros dois também se desligaram pelo sistema de proteção devido à sobrecarga”, continua. Carlos Augusto Ramos Kirchner, diretor do SEESP, explica que não se trata de falha técnica, mas de um funcionamento adequado para evitar a queima dos equipamentos, porém em um sistema subdimensionado. O que houve foi que não havia nada que suprisse essa queda.

 

Morosidade
       Isso porque obras para a interligação do sistema de transmissão com o de distribuição estão atrasadas. “Em final de 2007 e começo de 2008, foram detectadas como necessárias 14. Uma delas é a da Subestação Piratininga, que está a cargo da Cteep. Se tivesse sido feita, não teria havido esse problema.” A empresa, na nota oficial, reconhece: “O alívio de carregamento dos transformadores da Subestação Bandeirantes por meio de remanejamento para outras é hoje limitado.” E atesta que com a entrada em operação da Subestação Piratininga 2, prevista para fevereiro de 2012 e que terá o mesmo porte da Bandeirantes (1.200MVA), essa questão será equacionada.

       Então por que a demora na entrega do empreendimento? A companhia, observa o diretor do SEESP, justifica-a em função da morosidade no processo de licenciamento ambiental. Somente em janeiro último foi emitida a última autorização necessária para início das obras, cujo prazo previsto seria de 18 meses, conforme contrato com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), mas a ideia, conforme anúncio da Cteep, é que entre em operação em um ano. Para Kirchner, de fato, após as privatizações, pelo modelo vigente, a transmissora não faz nada enquanto não recebe o endosso do órgão regulador, mesmo que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) identifique a necessidade. Se o fizer, paradoxalmente é multada. Faltou, portanto, gestão adequada em todo esse processo. “Não se pode trabalhar sem folga no caso de obras.” Até porque, como observa ele, em seu Plano Decenal de Expansão de Energia 2007/2016, a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e o Ministério de Minas e Energia já apontavam que 2011 seria um ano bastante crítico.

       Enquanto São Paulo espera pela conclusão da Subestação Piratininga 2, o Governo do Estado apresenta outras alternativas. Entre elas, a operação de térmicas e o incentivo a que os grandes consumidores gerem sua própria energia. Mas, como alerta Kirchner, tudo tem um custo. “Está se desotimizando o setor elétrico”, lamenta. O único caminho é investir e correr atrás do prejuízo.

 

Ainda sem solução
       Passo importante para evitar a repetição de problemas como os havidos em fevereiro na Capital é compreender as causas de ocorrências anteriores, as quais afetam os consumidores, inclusive onerando posteriormente suas contas de luz, dado o funcionamento emergencial de térmicas. Uma delas é a relativa ao apagão de 10 de novembro de 2009, que atingiu dezenas de estados brasileiros, entre eles São Paulo, dada queda pela primeira vez no Sistema Itaipu. Ainda sem conclusão definitiva, Carlos Augusto Ramos Kirchner, diretor do SEESP – que participa de grupo de trabalho do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo) que investiga o fato e deveria apresentar seu relatório em 1º de março –, pondera que “pode ter havido falta de manutenção”. Ele detalha: “Tudo indica que já havia um problema que não foi sanado a tempo.” Entre as certezas, a de que o blecaute não se deu por excesso de chuvas ou descarga atmosférica. Assim como à época do racionamento em 2001, não foi culpa de São Pedro.

 

 

 

 

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