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Deborah Moreira
Comunicação SEESP

Não é preciso ir muito longe para constatar a poluição visual causada por fios e cabos aéreos na cidade de São Paulo. Basta alguns passos. No entanto, para checar o prejuízo causado por um deles é preciso planejamento, cronograma e ação dos entes envolvidos, que precisam atuar em parceria – governo, empresas e população, que pode informar onde estão os cabos que apresentam perigo. Essa foi uma das tônicas apresentadas nas duas mesas ministradas por representantes do SEESP, no Workshop Procedimentos para Projetos, Obras e Fiscalização de Infraestrutura de Telecomunicações Urbana, voltado para a administração pública da cidade de São Paulo.  O objetivo é contribuir para a melhoria das redes aéreas da capital paulista.


Fotos: Beatriz Arruda/Comunicação SEESP
workshop PMSP
Carlos Kirchner durante o Workshop deixou mensagem positiva sobre ações conjuntas entre empresas e governos.


O evento foi realizado pela Secretaria Municipal de Serviços e Obras, por meio do Departamento de Controle de Uso de Vias Públicas (Convias), com apoio do SEESP, da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), do Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL) e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQQD).

A Prefeitura de São Paulo firmou, na atual administração, um acordo com a Eletropaulo e as empresas de telecomunicação para o enterramento de fios em 117 ruas na região central, sendo 13 na Vila Olímpia e outras 36 no entorno de Mercado Municipal, na praça Ragueb Chohfi, nos viadutos General Couto de Magalhães e Engenheiro Romero Zander, além do Parque Dom Pedro. Segundo a Secretaria de Obras, durante as três fases do programa serão retirados 3.014 postes, totalizando 65,2 quilômetros de fios enterrados. Todos os trabalhos estão sendo feito sem custo para o município.

Logo após a abertura do evento, que ocorreu durante toda a terça-feira (27/2), no audotório da PMSP, na galeria Olido, feita pelo diretor da Convias, Marcos Romano, o coordenador do Grupo de Trabalho de Infraestrutura de Rede, vinculado ao Conselho Tecnológico do sindicato, Marcius Vitale, iniciou sua explanação sobre “Redes Caóticas – Situação da Infraestrutura de Redes de Telecomunicações no Brasil” dando um panorama geral da atual situação.

“Além das vias aéreas estarem abarrotadas de fios e cabos, o subsolo está congestionado e falta integração entre atores envolvidos. Por exemplo, em São Paulo, tem cadastrado cerca de 40. Agora, na Eletropaulo o número de cadastrados é de 70. Ou seja, existe um gap que é preciso ajustar. E, além disso, existe os clandestinos que atuam. Hoje no Brasil existe mais de 6 mil provedores de internet. A Anatel está liberando muitas outorgas”, comentou Vitale.

Em seguida, mostrou fotos de flagrantes sobre os emaranhados de fios e cabos e gambiarras, os chamados gatos, nos postes de iluminação em todo o País, resultado do serviço que vem sendo realizado pelas prestadoras de serviço de telecomunicações que são, em sua maioria, terceirizadas e, portanto, agem sem controle e fiscalização devidos.

 

workshop PMSP 3Marcius Vitale aponta problemas e soluções para as redes aéreas em São Paulo e demais cidades.


Vitale apontou alternativas possíveis para “minimizar o problema”. Além de recordar as normas regulamentadoras como NR 10 e NR 33, sobre segurança no trabalho e especificações técnicas como o número máximo de cabos nos postes, mostrou imagens com as soluções que vêm sendo adotadas isoladamente e ressaltou a importância da capacitação técnica e treinamento especializado, principalmente nas chamadas obras limpas – como uso de máquinas e equipamentos para o aterramento de cabos.

“Antes da privatização, a gente fazia o projeto e levava ele para ser autorizado pela concessionária. E só podíamos lançar um cabo aéreo de até duzentos pares, tínhamos que fazer remanejamento nos postes para melhorar a infraestrutura. Depois das privatizações, os postes são os mesmos, mas passou-se a aceitar até cinco pontos e mesmo assim a norma não é seguida”, lamentou.

Comissões nos municípios
O diretor do SEESP, Carlos Kirchner, concedeu a palestra “O Município e a Infraestrutura de Telecomunicações” que fez um breve apanhado sobre o que vem sendo feito em sua região de atuação, o município de Bauru, por meio da Delegacia Sindical do SEESP. A prefeitura regulamentou a Comissão de Infraestrutura Aérea Urbana, que tem como meta combater a desordem de fios e cabos em postes nas vias públicas da cidade e dar mais agilidade à expansão do serviço de telecomunicações. Ele lembrou que a ideia partiu do SEESP e contou com o apoio da Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag).

O Decreto municipal 13.559/2017 regulamentou as leis Federal 13.116/2015, sobre o compartilhamento de infraestrutura, e Municipal 6.679/2016, que dispõe sobre a obrigatoriedade de a concessionária de serviço público de distribuição de energia elétrica, no caso a CPFL Paulista, regularizar o setor bem como notificar as operadoras responsáveis pelos cabos. Segundo ele, além de Bauru, existem cerca de 50 municípios que já possuem legislação própria.

“Durante a primeira reunião da Coinfra, que é a Comissão de Infraestrutura Aérea de Bauru, aprovamos uma faxina de cabos móveis. Ao invés da prefeitura ter que ir lá e ficar notificando as empresas, nós vamos fazer na prática. A ideia é fazer isso em seis meses, a partir de 1º de abril. Tem mil problemas, mas precisamos começar com algo”, disse.

Segundo o diretor do sindicato, estão sendo firmados acordos com as empresas locais até 15 de março e, depois, será realizado um novo encontro para formalizar os termos de compromisso. "Queremos criar um divisor de águas do setor”, completou.

A comissão também está tratando outros dois pontos: as antenas de telecomunicações e os cabos que estão interferindo ou podem interferir no trânsito. Outro avanço relatado por Kirchner foi conquistado na segunda reunião da comissão, que contou com a participação dos ministérios públicos federal e estadual e das operadoras, que fizeram apresentações sobre como são realizadas as manutenções periódicas: “As operadoras têm se mostrado bastante receptivas. Queremos deixar uma mensagem otimista de ter em mente que é possível reverter a situação do desordenamento de cabos, envolvendo as empresas. O que estamos presenciando no grupo é que acaba surgindo muitos pontos que são de interesse das próprias operadoras para melhorar o serviço”.

Outras atividades
No período da tarde Marcius Vitale também proferiu a palestra "Normas e Procedimentos de Segurança na Construção e Manutenção de Redes de Telecomunicações: NR 10, NR 33, NR 35”. Ao final, ocorreu uma mesa composta pelos palestrantes para discussão e análise dos temas apresentados.

Na capital
Segundo informações da administração municipal, as empresas de telecomunicações enterraram 30 quilômetros de cabos de transmissão de dados e removeram 101 postes, em 14 ruas, na região da Rua José Paulino, centro da capital, onde a AES Eletropaulo também enterrou sua fiação. Neste momento, as empresas realizam a restauração das calçadas e do pavimento nos trechos onde foram executadas obras.

Na Vila Olímpia, está em andamento o enterramento das redes de energia da Rua Funchal, desde a Avenida dos Bandeirantes até a confluência com a Rua Pequetita. Os trabalhos nas duas regiões da cidade estão previstos para serem concluídos em julho.

(matéria atualizada às 15h56 em 6/3/18)


Com o intuito de colaborar com a melhoria da infraestrutura de redes de telecomunicações no País, que encontra em estado deplorável, o SEESP - Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, no âmbito do Conselho Assessor de Comunicação e Telecomunicações do seu Conselho Tecnológico, criou o Grupo de Trabalho de Infraestrutura de Redes cujo foco principal é estabelecer procedimentos e normas a serem seguidos pelas diversas empresas que operam no setor.

Poste e fios 850


O trabalho do grupo, que pretende levar as propostas e soluções para todo o território nacional, conta com o apoio e incentivo do engenheiro Murilo Pinheiro, presidente do SEESP e da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), bem como dos engenheiros José Roberto Cardoso e Marcelo Knörich Zuffo, coordenadores, respectivamente, do Conselho Tecnológico e do Conselho Assessor de Comunicação e Telecomunicações do sindicato.

No Brasil, cerca de seis mil provedores de internet utilizam os postes das concessionárias para lançarem cabos de fibras ópticas. Na maioria das vezes por problemas de super lotação de cabos nas estruturas, os projetos de compartilhamento não são aprovados pelas elétricas, mas são implantados mesmo assim.

“Não é possível convivermos mais com esta situação caótica da nossa infraestrutura”, afirma o engenheiro e consultor Marcius Vitale, coordenador do Grupo de Trabalho de Infraestrutura de Rede do SEESP.

“Fica evidente que com o aumento da demanda por banda larga, observamos uma queda acentuada na qualidade dos serviços ofertados aos usuários, situação esta que tende a piorar se ações contundentes não forem praticadas pelos diversos atores envolvidos no processo”, continua Vitale.

Com objetivos convergentes, a Agência Reguladora de Saneamento e Energia no Estado de São Paulo (Arsesp), por meio do Conselho de Orientação de Energia (COE), em conjunto com as distribuidoras de energia elétrica com atuação no estado de São Paulo, produziram um diagnóstico do problema, que foi complementado pelo sindicato, que elaborou um “Laudo Técnico de Engenharia”, que foi remetido às agências reguladoras Aneel (de energia) e Anatel (e de telecomunicações), bem como para alguns órgãos públicos, com responsabilidade regulatória desse assunto.

Considerando que equacionar esse grave problema técnico-regulatório se insere de forma complementar no projeto que vem sendo desenvolvido pela Prefeitura do Município de São Paulo, que objetiva o estabelecimento de uma política pública de enterramento dos fios e cabos de energia elétrica e de comunicações, o Grupo de Trabalho julgou oportuno estabelecer um posicionamento convergente do COE/Arsesp e do SEESP, com as ações que estão sendo realizadas pela prefeitura, e enviá-lo para o Secretário Municipal de Serviços e Obras de São Paulo, Marcos Penido.

A documentação preparada pelo Grupo de Trabalho poderá servir de base para a execução de projetos e obras de remanejamento das redes aéreas para o subterrâneo nas cidades brasileiras dentro das boas práticas de engenharia.

Pela longa experiência e competência dos integrantes do Grupo de Trabalho de Infraestrutura de Rede, em breve um padrão de projeto será disponibilizado, com o estabelecimento de novas diretrizes técnicas e de procedimentos operacionais e de fiscalização, para propiciar a regularização progressiva sobre o compartilhamento da infraestrutura de postes, fios e cabos na via pública.

Cada entidade do setor está sendo convidada para propor e opinar sobre o conteúdo técnico a ser inserido no documento, ainda em fase de elaboração, cujo resultado deverá facilitar a implantação de novas redes, assim como, a correção do que foi implantado de forma desordenada.


Comunicação SEESP
(publicado por Deborah Moreira)




), bem como dos engenheiros José Roberto Cardoso e Marcelo Knörich Zuffo, coordenadores, respectivamente, do Conselho Tecnológico e do Conselho Assessor de Comunicação e Telecomunicações do sindicato.

A Coordenação-Geral de Tecnologias Setoriais (CGTS), pertencente à Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Setec/MCTI), divulgou o documento final sobre Redes Elétricas Inteligentes (REIs) - dentro do projeto Diálogos Setoriais, uma ação de parceria entre o Brasil e a União Europeia realizada no ano de 2014.

Conhecidas também como smart grids, essas redes têm como objetivo a melhoria operacional, a otimização e a gestão mais eficiente de toda a cadeia produtiva de energia elétrica, integrando ações de todos os usuários conectados a ela. A ideia é produzir fontes econômicas e seguras de energia com eficiência sustentável.

O mapeamento das atividades de pesquisa que envolvem as smart grids foi contemplado na sétima convocatório do projeto Diálogos Setoriais. O documento final traz os estudos realizados por consultores brasileiros e portugueses. A publicação aborda os principais projetos do País e da Europa na área, bem como as instituições de pesquisa, empresas do ramo, as nações com mais atuação no tema e os valores investidos nos últimos anos. O objetivo é mobilizar outros atores governamentais, bem como empresariais e acadêmicos no esforço de acelerar o desenvolvimento das chamadas smart grids no Brasil.

As REIs empregam produtos e serviços inovadores em conjunto com monitoramento inteligente, controle, comunicação e tecnologias com a finalidade de melhorar e facilitar a conexão e a operação de geradores. Segundo o relatório, a aplicação de recursos de pesquisa e desenvolvimento em projetos demonstrativos ou pilotos no Brasil tem se dado no segmento de distribuição.

De acordo com o tecnologista da área de energia da Setec Dante Hollanda, o relatório final – somado às ações da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial da Agência Nacional de Energia Elétrica – subsidiará as decisões do governo brasileiro para as políticas industrial, energética e de ciência e tecnologia. "O documento dá uma noção geral dentro do tema de redes elétricas inteligentes e permite visualizar os projetos que estão em evidência no Brasil", avalia Hollanda.

Investimento
Das iniciativas em andamento no Brasil, onze merecem destaque e são citadas no relatório. Do lado europeu, são em torno de 460 projetos. "Na Europa os projetos são muito maiores. França, Reino Unido, Espanha e Alemanha são os que mais possuem investimento na área e a parceria entre universidades e empresas é muito intensa nestes países", compara o tecnologista da Setec.

No Brasil, os investimentos em pesquisa em smart grids somaram R$ 1,6 bilhão, nos últimos anos, com recursos originários especialmente do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel e do Inova Energia, uma ação do Plano Inova Empresa, lançado pelo governo federal para estimular a produtividade e a competitividade em vários setores da economia.

Somente a Finep, agência de fomento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), destinou R$ 637 milhões – em subvenção econômica, crédito e recursos não reembolsáveis – a iniciativas de empresas e de instituições de ciência e tecnologia. Por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), em 2013, foi lançada uma chamada pública no valor de R$ 8 milhões para apoiar projetos de pesquisa científica e de inovação em REI, contemplando 13 projetos em diversas regiões do País.


 

 

Fonte: MCTI








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