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A Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e o Governo do Estado de São Paulo realizam, conjuntamente, o seminário "Inovação, segurança alimentar e logística", no dia 4 de agosto próximo, a partir das 9h, na sede do SEESP, na capital paulista (Rua Genebra, 25, Bela Vista). Informações e inscrições pelos telefones (11) 3113-2641 e (61) 3225-2288 ou pelos e-mails Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Confira a programação do evento:

9h – Sessão de abertura

10h30 Mesa-redonda “Produção e cadeia de valor”
Participantes
Paulo E. Cruvinel – Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA)
Luiz Antonio Pinazza – Consultor e consultor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)
Coordenador:
Daniel Antônio Salati Marcondes – Vice-presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e
professor aposentado da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

12h15 Intervalo para almoço

14h Mesa-redonda “Tecnologia na produção de alimentos”
Participantes
Luís Fernando Ceribelli Madi – Diretor técnico de Departamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital)
Thiago Guilherme Péra – coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão Agroindustrial de Logística da Escola
Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq/USP)
Coordenador:
Orlando Melode Castro – Coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta)

16h30 Encerramento

 

Comunicação SEESP

 

 

 

 

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em estudos divulgados no ano de 2015, cerca de 800 milhões de pessoas sofrem com a fome no mundo. Uma em cada nove pessoas. No Brasil, são aproximadamente 7,2 milhões de afetados pelo problema. Mas, será que realmente não há alimentos disponíveis para toda a população brasileira e mundial? Intrigado por essa questão, Danilo Rolim Dias de Aguiar, pesquisador do Departamento de Economia (DEco) no Centro de Ciências em Gestão e Tecnologia (CCGT) do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), decidiu analisar a produção de alimentos no País – tanto aquela voltada ao consumo interno quanto as exportações – e investigou se seus resultados não seriam mesmo suficientes para alimentar toda a população brasileira.

Brasil FomeDurante a pesquisa, Aguiar levantou os números da produção nacional de arroz, feijão, trigo, ovos, leite, milho, soja, banana, açúcar e mandioca, além dos da produção das carnes de frango, porco e bovina e transformou os volumes produzidos anualmente em quantidade total de calorias e proteínas, dois dos macronutrientes fundamentais em uma dieta balanceada. “Então, considerando o quanto uma pessoa necessita desses nutrientes na alimentação diária para manter uma vida saudável, pudemos constatar que sim, a produção nacional desses alimentos é suficiente para alimentar todos os mais de 204 milhões de brasileiros”, afirma o pesquisador da UFSCar.

E porque ainda há tanta gente sofrendo com a fome no Brasil? De acordo com Aguiar, a resposta a essa pergunta passa por, pelo menos, dois fenômenos principais: desperdício e acesso. Segundo pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o desperdício de alimentos no País chega a 40 mil toneladas por dia; além disso, a desigualdade social e de renda faz com que as pessoas tenham níveis desproporcionais de acesso aos diferentes tipos de alimentos. “Percebemos, portanto, que a fome não tem a ver com déficit na produção, mas com os elevados níveis de desperdício e com a baixa renda de grande parte da população que dificulta o acesso a uma alimentação equilibrada”, diz o professor.

A desigualdade social explica, portanto, o fato de o Brasil ser o quinto país no ranking mundial da obesidade e conviver ao mesmo tempo com mais de 7 milhões de famintos e mais de 30 milhões de subnutridos. “Temos um problema evidente de má distribuição de renda que gera, consequentemente, níveis muito diferentes de acesso e consumo dos alimentos mais nutritivos que são sempre mais caros”, destaca Aguiar.

O trabalho também avaliou o potencial da produção nacional de alimentos que é voltada para a exportação. Igualmente, o volume de alimentos exportado foi transformado em número de calorias e proteínas e as conclusões dão conta que, considerando as quantidades de proteína produzida e necessária em uma dieta balanceada, as exportações poderiam alimentar duas vezes a população brasileira; e considerando apenas as calorias, os alimentos que o Brasil exporta seriam suficientes para a alimentação de quase 700 milhões de pessoas. “É importante observarmos que os resultados das análises do potencial alimentar tanto da produção para consumo interno como daquela exportada podem ser considerados subestimados já que há outros alimentos produzidos no Brasil e que não foram considerados no estudo”, lembra Aguiar.

Simulações
A problemática da produção de alimentos versus a realidade da fome encontrada ao redor do mundo se depara também com outros dois agravantes: a chamada concorrência entre alimento, ração animal e biocombustível; e a crise ambiental. No que se refere à concorrência enfrentada pela produção de alimentos, ela diz respeito ao fato de, por exemplo, a criação de gado competir em espaço e insumos. “Além das enormes áreas destinadas às pastagens e que poderiam servir à lavoura, o gado muitas vezes é alimentado com soja e milho, proteínas e carboidratos que poderiam estar servindo à alimentação humana. Em última análise, é possível afirmar que os seres humanos, sobretudo os de baixa renda, estão competindo por alimentos com os animais que, diga-se, são criados e tratados para se tornarem a alimentação dos mais ricos”, avalia o pesquisador. O que também compete com a produção de alimentos é a cultura da cana-de açúcar destinada à fabricação de biocombustíveis no Brasil.

Além disso, o aquecimento global é uma preocupação central para as sociedades modernas e a produção de alimentos tem que passar a ser considerada a partir de critérios de sustentabilidade. As estimativas da ONU indicam que, em 2050, a população mundial ultrapasse os nove bilhões de indivíduos, e manter o padrão de alimentação atual é ambientalmente inexequível. “A produção de carne bovina, por exemplo, é responsável por 10% das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera, sendo o principal emissor do agronegócio. É completamente inviável para a vida no planeta imaginar o crescimento da criação de gado para mantermos o consumo de carne nos níveis atuais”, afirma Aguiar. O professor defende que será necessário, além de uma mudança cultural no que se refere à alimentação, o desenvolvimento de sistemas produtivos menos poluentes.

A partir desse cenário de competição e de crise ambiental, Aguiar traçou três situações hipotéticas para a produção de alimentos no Brasil: e se o País deixasse de produzir alimentos de origem animal e ocupasse metade das áreas de pastagens existentes hoje em território nacional apenas com o cultivo de alimentos de origem vegetal? Essa primeira hipótese levou à conclusão de que o Brasil poderia nutrir com calorias uma população 8,7 vezes maior que a sua atual; e garantir proteínas para uma população 3,4 vezes maior. A segunda hipótese da pesquisa sugeriu, para fins de simulação, que o Brasil ocupasse com a produção de alimentos toda a área atualmente ocupada com o plantio de cana-de-açúcar destinada aos biocombustíveis. “Essa simulação revelou que poderíamos garantir calorias para uma população 1,38 maior e proteínas para uma população 1,53 maior. Concluímos, assim, que a fabricação de etanol não é um concorrente forte à produção de alimentos e permanece como alternativa importante aos combustíveis fósseis, que são muito mais poluentes”, afirma Aguiar. O terceiro cenário assumiu as duas hipóteses dos cenários anteriores, e o que se viu foi um aproveitamento muito próximo ao do primeiro cenário, porém menos sustentável, já que se perderiam os benefícios de redução de emissões de gases do efeito estufa decorrentes da utilização de etanol.

“Apesar das simulações radicais, fato é que será cada vez mais necessário repensarmos a ocupação dos espaços produtivos, criarmos sistemas de produção mais eficientes e ambientalmente sustentáveis e revermos hábitos de consumo se quisermos preservar a vida no Planeta. Entendo que são necessárias tanto ações de conscientização como também políticas públicas que incentivem a transformação dos processos de produção atuais”, defende o pesquisador.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), os resultados da pesquisa foram apresentados no primeiro semestre deste ano em evento científico na Inglaterra. A intenção do pesquisador da UFSCar é aprofundar as análises sobre os três cenários simulados, descrevendo as contribuições ambientais de cada um deles; outra frente de trabalho pretende entender a produção de alimentos, as emissões de gases do efeito estufa e os hábitos de consumo por região do Brasil, para que no futuro sejam possíveis proposições de transformação localizadas e mais eficientes.

 

 

Fonte: UFSCar

 

 

 

 

 

 

Alunos ICMC 150Alunos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC/USP) participam de iniciativa que está concorrendo a 10 mil euros com outros 44 projetos de várias partes do mundo com um sistema eficiente e inteligente de irrigação para pequenos produtores: um sensor conectado a uma válvula de água e um software. Desenvolvido por uma equipe de empreendedores de São Carlos, a iniciativa ganhou o mundo: está entre 45 projetos selecionados para participar de um concurso mundial de melhores práticas relacionadas à economia de água na produção de alimentos: o Best Climate Practices.

Participam da iniciativa três estudantes e um ex-aluno do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Chamado Cultive, o sistema é capaz de determinar quando e quanto regar uma planta. Um sensor detecta se o solo está seco e aciona a válvula de água, que irriga a planta por um curto período de tempo. Depois de três horas, o sensor detecta novamente a umidade para verificar se é preciso uma nova irrigação. Conectado à internet e aos serviços de previsão do tempo, a irrigação é interrompida caso vá chover.

“Não é um sensor eletrônico, ele é feito de plástico e funciona com um simples conceito da física: a tangente do ângulo formado entre as partes do sensor é capaz de medir a tensão superficial da água no solo”, explica Fabiana Avellar, fundadora do projeto. Ela relata que os sistemas tradicionais de irrigação disponíveis no mercado não consideram as condições climáticas nem a situação do solo logo abaixo da superfície, o que leva a um consumo de água maior do que o realmente necessário. Outra vantagem do Cultive é que a comunicação entre o sensor e a válvula é feita pode meio de uma rede própria, não requer internet e funciona com energia solar.

“Os pequenos produtores são responsáveis por 70% de todos os alimentos produzidos no Brasil. Eles não têm acesso a ferramentas tecnológicas nem automação. Nosso sistema é construído com uma tecnologia simples e funciona automaticamente, não demandando que o produtor precise interagir com uma interface complicada”, ressalta Fabiana.

O projeto são-carlense foi selecionado entre outras 44 iniciativas de todo mundo. Nesse pequeno universo, há apenas mais dois projetos brasileiros, um de São Paulo e um do Paraná. Até a próxima sexta-feira, 18 de setembro, está acontecendo a segunda fase de seleção do concurso e os internautas podem votar nos projetos que julgarem mais relevantes. Para votar, basta acessar o site do Best Climate Practices. O vencedor do concurso ganhará 10 mil euros para terminar o desenvolvimento do projeto e colocar o produto no mercado.

O grupo estima que sejam necessários 30 mil euros para colocar a primeira versão do produto no mercado, considerando-se a necessidade de realizar mais testes e refinar o design do produto e dos materiais utilizados. Mas para produzi-lo e distribui-lo em larga escala, a estimativa é de sejam necessários 150 mil euros. Se obtiverem os 10 mil do prêmio, o grupo pretende lançar a primeira versão e buscar mais fundos via investimento ou crowdfunding.

Os três alunos do ICMC que participam do projeto são Augusto Lázaro, Bruno de Lemos e Caio Flores, todos cursando Sistemas de Informação. Há também o ex-aluno Pedro Euko, que se formou em Ciências de Computação. Em março, a equipe de empreendedores apresentou seu projeto durante o Arduino Day, realizado no ICMC. A planta trazida pela equipe, com seu aparato tecnológico, chamou a atenção do público do evento, já que o protótipo desenvolvido utiliza uma placa Arduino Mega.


 

Imprensa SEESP
Fonte: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP








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