GRCS

Da Agência Sindical

Funcionários dos Correios entraram em greve, a partir da manhã de segunda-feira (12/03), em protesto contra o desmonte da empresa, que está na mira da privatização. A paralisação, por tempo indeterminado, afeta 21 Estados mais o Distrito Federal. Não aderiram à greve apenas o Amapá, Amazonas, Roraima e Sergipe.

O objetivo do movimento é pressionar o governo a realizar concurso público e repor mais de 20 mil vagas deficitárias em todo País. A Federação Interestadual de Sindicatos dos Correios (Findect) denúncia que nos últimos meses, a ECT induz os brasileiros a acreditarem que a empresa passa por uma crise, enquanto patrocina intervenções políticas na estatal e deixa os trabalhadores no prejuízo, com retiradas de direitos e desvalorização.

Foto: Agência Sindical
Nas unidades de São Paulo, a greve começou forte na manhã desta segunda.

“A gestão que atualmente administra a empresa, sob a coordenação do ministro das Comunicações Gilberto Kassab e de Guilherme Campos, presidente da ECT, intensificou o desmonte dos Correios com o objetivo de entregar a empresa à iniciativa privada”, diz Elias Cesário, vice-presidente Findect e presidente do Sindicato dos Correios de São Paulo.

Os sindicatos denunciam que o desmonte da empresa resulta em falta de funcionários. Nos últimos quatro anos foram demitidos mais de 20 mil e, desde 2011, a empresa não realiza concurso. Há fechamento de agências em todo o País. “Os Correios têm mais de 20 mil vagas em aberto e o atual governo quer agravar ainda mais a crise do desemprego não contratando mais funcionários”, afirma Cesário.

Plano de saúde
Um dos principais ataques da ECT é voltado ao plano de saúde da categoria, que recebe, em média, o pior salário entre empresas públicas e estatais (R$ 1,6 mil). Os trabalhadores reivindicam que a empresa volte atrás nas mudanças que pretende. Hoje, os funcionários pagam um percentual das despesas do plano apenas quando o usam. Os Correios querem descontar dos salários um percentual fixo.

 

Clemente Ganz Lúcio*

O debate em torno das privatizações, por vezes, apresenta-se de forma dual: o setor público é eficiente ou ineficiente na prestação dos serviços; as empresas dão lucro ou prejuízo ao Estado; a venda de ativos públicos resolve ou não um problema de déficit nas contas públicas.

Há muito de ideologia no debate acerca de uma suposta superioridade do desempenho do setor privado sobre o público e dos recorrentes prejuízos causados por empresas controladas pelo Estado. Além disso, é preciso olhar além: as empresas estatais desempenham papel importante no desenvolvimento de uma sociedade e são, ao mesmo tempo, instrumentos significativos de política econômica e, também, de política externa, podendo desempenhar relevante papel na geopolítica internacional.

São muitas as razões: as empresas estatais são importantes para promover grandes investimentos de longo prazo; uma vez que muitos setores de atividade econômica, por suas características intrínsecas, necessitam de investimentos vultosos e de longo prazo de maturação, que podem durar décadas, tais como estradas e ferrovias.

Há, também os serviços essenciais à vida – como captação, tratamento e distribuição da água e geração, transmissão e distribuição de energia elétrica – que, sob pena de colocar em risco a economia do País e a sobrevivência da população, não podem ser tratados como mercadoria.

No Brasil, a Constituição define o provimento de uma série de bens e serviços como propriedade/competência do Estado – União, Estados e Municípios. Dentre eles estão as jazidas e demais recursos minerais; potenciais de energia elétrica; tratamento e distribuição de água e coleta de esgoto; gestão dos recursos hídricos; infraestrutura aeroportuária; serviços e instalações nucleares; serviços de transporte; e serviços postais.

Empresas e centros de pesquisa estatais desempenham importante papel nas economias modernas, para redução da dependência tecnológica de outros países, a partir dos investimentos que realizam em projetos de ciência, tecnologia e inovação, pouco atrativos à iniciativa privada.

Ademais, bens escassos e que são insumos essenciais para o conjunto da estrutura produtiva, em especial petróleo, gás e seus derivados, são estratégicos para o desenvolvimento econômico e social, e os poucos países que detêm grandes reservas e competência para explorá-las procuram protegê-las e utilizá-las da melhor maneira possível.

Por todos estes fatores, em nome do interesse e da soberania nacionais, diversos países têm adotado medidas de restrição ao investimento estrangeiro em setores estratégicos, principalmente aqueles na forma de fusões e aquisições.

Na contramão dos países desenvolvidos, o governo atual vem se desfazendo de suas estatais a um preço baixo. Com certeza, o custo futuro para toda a sociedade brasileira será alto, podendo afetar o desenvolvimento e a soberania nacional.


* Sociólogo e diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Atualização às 19h do dia 16 de janeiro de 2018

O Governo do Estado de São Paulo tem 72 horas para apresentar mais informações que expliquem melhor o processo licitatório, em andamento, da concessão das linhas 5-Lilás e 17-Ouro do metrô paulista. Esta é a determinação da juíza Carolina Martins Clemência Duprati Cardoso, da 11ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, em despacho à ação civil pública proposta, em 12 de janeiro último, pela Frente Nacional Pela Volta das Ferrovias (Ferrofrente). A tutela cautelar antecedente foi concedida nesta segunda-feira (15). Assim que o governo estadual for citado o prazo começa a correr, sendo que na próxima sexta-feira (19) está programado leilão na Bolsa de Valores de São Paulo. Às 14h desta quarta-feira (17) será realizada entrevista coletiva na sede do SEESP (Rua Genebra, 25, Bela Vista, capital paulista) com os engenheiros, a Ferrofrente e o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que apontarão as diversas incongruências do certame.

O processo ajuizado pela Ferrofrente questiona o fato de que não houve um estudo indicando ser mais vantajoso à sociedade a concessão na forma proposta. A entidade social, nos fundamentos da ação, salienta que o Estado tem uma empresa própria para operar o modal metroviário [a Companhia do Metropolitano de São Paulo, Metrô], apesar disso “decide terceirizar a operação das linhas para empresas privadas, em vez de utilizar sua estrutura própria”. Outro ponto considerado danoso é que “a licitação está sendo oferecida ao valor de uma outorga irrisória, perto da grande lucratividade”. Isso significa, prossegue a Ferrofrente, que “as empresas poderão vencer a licitação pagando ao Estado cerca de 200 milhões [de reais], com o benefício de lucros bilionários”.

"Temos uma engenharia que pode criar projetos integradores
na área de mobilidade urbana", defende presidente da Ferrofrente


O presidente da Ferrofrente, o engenheiro José Manoel Ferreira Gonçalves, defende uma maior transparência em todo o processo, o que significa, para ele, “a sociedade ter acesso a todas as informações que envolvem a licitação”. O dirigente lamenta a “implantação de uma política neoliberal devastadora dos deveres e regulação do Estado”, deixando a sociedade totalmente à mercê dos interesses do mercado e do lucro. “Defendemos um Estado presente e cumpridor de suas responsabilidades sociais.”

Nesse sentido, ele cobra, de uma maneira geral, que a engenharia brasileira passe a ser mais respeitada, criando condições para que ela faça planejamentos e projetos executivos que levem em conta apenas o interesse da sociedade. “Precisamos parar de fazer “puxadinhos” ou improvisações. Temos uma engenharia que pode criar projetos integradores na área de mobilidade urbana”, exorta. E completa: “Estamos combatendo essa concepção de só pensar no lucro e não no interesse público. É absurdo mandarmos a população morar lá longe e depois a transportamos de qualquer jeito, sem dignidade. Quem pode mudar isso é a engenharia, enfrentando a realidade e até contrariando interesses, pois em primeiro lugar precisamos respeitar o direito coletivo.”

Gonçalves [foto ao lado] faz questão de esclarecer que a Ferrofrente é uma entidade social sem fins lucrativos e “que tem como objetivo defender o usuário de transporte de passageiros e de cargas”.

 

 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP

Engenheiros, arquitetos e metroviários cerraram fileiras, em importante unidade, contra a privatização das linhas 5 – Lilás e 17 – Ouro da rede metroviária de São Paulo. Em entrevista coletiva na manhã de quarta-feira (27/09), na sede dos arquitetos, na Capital, dirigentes das três entidades sindicais explicaram que a unificação se deve ao objetivo comum de garantir um sistema metroferroviário que atenda à população. No dia 20 último, os sindicatos peticionaram ação civil pública pedindo o cancelamento do processo de concessão do Governo do Estado de São Paulo. E, nesta semana, a abertura dos envelopes da licitação, que seria realizada nesta quinta (28), foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que solicitou ao governo paulista informações sobre diversos itens do certame.

Foto: Beatriz Arruda/SEESP
Da esq. para a dir.: Emiliano Stanislau Affonso Neto (SEESP), Maurílio Ribeiro Chiaretti (Sasp) e Alex Fernandes (metroviários).

 

Conforme explicitou o diretor do SEESP e funcionário do Metrô há 30 anos, Emiliano Stanislau Affonso Neto, o que “nos move é o nosso compromisso voltado ao desenvolvimento e o respeito à sociedade”. Para o presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (Sasp), Maurílio Ribeiro Chiaretti, é importante esclarecer a população que a privatização não significa a melhora do serviço, como argumenta o governo. “A única coisa que é privatizada nesse caso é o lucro, o resto é tudo feito com o dinheiro público do próprio Governo do Estado e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A iniciativa privada não tem qualquer risco nesse tipo de modelo de concessão”, advertiu. Ele foi taxativo: “O metrô é um direito, não um negócio.”

Alex Fernandes, diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, informou que em duas consultas realizadas pela entidade em estações do Metrô, em 2016 e recentemente, os usuários se posicionaram contra a privatização do sistema. “Infelizmente, o que acontece é que as nossas vozes não são ouvidas pelo governo, pelos deputados nem pela mídia tradicional. Querem passar a ideia de que o povo aceita tudo”, criticou.

Todos os três dirigentes destacaram que a malha metroferroviária da cidade precisa se expandir e atualizar, e que tal necessidade não está contemplada no modelo de concessão apresentado pelo governo estadual. “O que vemos é que as linhas são restritas e não atendem quem mais interessa, ou seja, a população das periferias. É uma lógica que cria mais desigualdade na nossa cidade”, ponderou Chiaretti.

Fernandes observou que o discurso “vendido” à população é de que o serviço privatizado é melhor em relação ao público. “Isso não é verdade. A Linha 4, da concessionária ViaQuatro, não é melhor que as outras linhas operadas pelo Metrô. De modo geral, ela tem mais falhas operacionais, fecha mais estações por problemas ou manutenção. E isso tudo é ocultado.”

Affonso Neto ressaltou que o SEESP não poderia ficar de fora dessa ação, "porque verificamos que no caso das linhas 5 e 17 existe um investimento acumulado de mais de R$ 20 bilhões, e o parceiro privado iria participar com uma outorga mínima de R$ 180 milhões”. “Ou seja, por mais eficiente que seja essa concessão, não vamos receber mais do que 5% dos recursos que são necessários para implantar essas duas linhas”, explicou.

Outra coisa que chama a atenção no modelo de concessão proposto pelo governo, ainda conforme o diretor dos engenheiros, é que essa outorga não vai acrescentar um metro a mais de linha de metrô ou de monotrilho. Para ele, é um contrassenso o governo querer abrir mão da operação dessas linhas, sendo que a companhia é reconhecida internacionalmente: “Ela tem o terceiro menor intervalo de trem do mundo, ela tem um dos menores índices de falhas nos trens, e nunca tivemos colisões com vítimas fatais. O Metrô trabalha com nível de eficiência excepcional.” E indaga: “Por que, então, estão querendo tirar essa operação do Metrô e passar para uma empresa privada que não vai fazer nada mais?”

Ele esclareceu, ainda, que a linha 4 – Amarela pode ter até uma eficiência boa, e tem, mas “todas aquelas melhorias, como vagão contínuo e outras, foram desenvolvidas pelos engenheiros do Metrô de São Paulo”.

Affonso Neto descreveu o sistema de metrô de São Paulo, o mais carregado do mundo, segundo ele. “São 80km de linhas que carregam quase a mesma coisa que os 500km do sistema de Nova York (Estados Unidos).” Para se ter uma ideia do nível acima dos usuários, o diretor do SEESP disse que só a linha 3 - Vermelha, chega a transportar de 80 mil a 90 mil passageiros por horas, quando é um sistema para transportar 60 mil. O que é que falta? Mais linhas e um sistema melhor. Se eu pegar a linha 4 ela não transporta nem 40 mil. Precisamos aumentar o nosso setor, e essa privatização não vai fazer isso.

Mobilidade boa
Affonso Neto ressaltou que a população brasileira cada vez mais se concentra nas áreas urbanas, em torno de 80% atualmente, “para se ter, nesse cenário, desenvolvimento e crescimento, precisamos de cidades com infraestrutura boa, e isso passa por mobilidade boa que, por sua vez, passa por sistemas eficientes metroferroviários”.

Decisão
A participação do SEESP na ação civil pública, juntamente com os arquitetos e metroviários, foi aprovada em assembleia realizada no dia 26 último. 

 

Do site Brasil 247

Representantes da Frente Parlamentar em Defesa da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) pediram, no dia 1º de setembro último, mais diálogo com a sociedade sobre a privatização da companhia. O presidente da Frente, deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE), afirmou que pretende protocolar, nesta segunda-feira (4), um pedido de suspensão da venda da companhia por 120 dias para discussão com a sociedade, a exemplo do anunciado pelo Ministério de Minas e Energia para a Reserva Nacional do Cobre e seus Associados (Renca).

"A própria presidência [da Chesf] colocou que tem muitas dúvidas ainda sobre o processo [de privatização]. Se a própria presidência ainda não tem informações necessárias, a sociedade precisa ter também essas informações, fazer um debate mais aprofundado. Se o governo suspendeu o decreto de abertura da revisão da Renca, que faça para a Chesf também", disse o deputado.

Em agosto, o Ministério de Minas e Energia anunciou a privatização da Eletrobras, controladora da Chesf. A empresa passaria à iniciativa privada, mas a União permaneceria como acionista, embora com participação menor. O governo federal justifica a mudança alegando que a Eletrobras acumula um impacto negativo de R$ 250 bilhões nos últimos 15 anos.

Para Danilo Cabral, a privatização da Chesf, responsável pela geração e transmissão de energia de todos os estados do Nordeste - à exceção do Maranhão -, é uma questão de soberania nacional. "A condução da política energética em qualquer nação soberana é da responsabilidade do próprio país. Nos Estados Unidos, Alemanha, França, é o governo que toma conta. Isso é uma questão de soberania e de segurança", defendeu.

Ele também argumenta que há interesse público nas atividades da Companhia, a exemplo do uso da água do Rio São Francisco, onde estão as hidrelétricas da Chesf. "No Nordeste, a privatização vai ter uma consequência muito danosa, à medida que a gente vai entregar a gestão da água do São Francisco, que é uma água de uso múltiplo. Ela serve não só para a geração de energia como para abastecimento humano". O Velho Chico acumula 70% da disponibilidade hídrica do Nordeste do país e do norte de Minas Gerais, de acordo com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF).

O presidente da Chesf, Sinval Zaidan Gama, não falou com a imprensa.

Ato com os trabalhadores
Essa foi a primeira atividade da Frente Parlamentar, que conseguiu 220 assinaturas de deputados federais e senadores. Depois da reunião, os parlamentares presentes - além de Danilo Cabral, Luciana Santos (PCdoB-PE) e o Tadeu Alencar (PSB-PE) - participaram de ato promovido por trabalhadores da estatal e sindicatos.

Um dossiê feito pelo Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco (Sindurb-PE) e pela Federação Regional dos Urbanitários do Nordeste (Frune) foi entregue à Frente. Os trabalhadores apontam que a Chesf teve um lucro de R$ 3,9 bilhões em 2016 e de R$ 370 milhões no primeiro semestre deste ano. Eles ainda argumentam que a empresa, por ser pública, não tem o único objetivo de gerar lucro.

"Ela deve ser reconhecida pelo que presta de serviço à sociedade. Ela atende aos consumidores do Nordeste na quase totalidade, com exceção do Maranhão. Está presente em mais de 80% dos municípios do Nordeste. Todos os grandes empreendimentos que se instalam aqui vêm por causa da Chesf. Ela tem os melhores indicadores de desempenho operacional do país", defende o diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Pernambuco (Senge-PE), Mailson da Silva Neto.

O presidente do Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco (Sindurb/PE), José Barbosa, recorda ainda a participação da empresa no programa Luz Para Todos, "que fez chegar energia na casa de cada cidadão nordestino".

Barbosa avalia que é importante a gestão pública da água do São Francisco em meio à maior seca já registrada na bacia hidrográfica. "A Chesf está priorizando não a geração de energia, mas o consumo humano [de água], por ela ser uma empresa estatal. Se tivesse na mão de grupo privado, ia priorizar a produção de energia", avalia.

 

 

 

Saulo Krichanã*

Nas últimas semanas, várias notícias sobre a realização de investimentos em Concessões, foram divulgadas: a concessão de terminais urbanos, pela Prefeitura de São Paulo e a dos Terminais Metropolitanos do Governo do Estado de São Paulo; e, no âmbito federal, a oferta de 21 projetos de concessão e de 01 projeto de PPP, noticiados pelo Governo Federal, nos setores de aviação civil, energia (geração e distribuição), petróleo e gás, abastecimento, aeronáutica (a única concessão sob PPP), loteria instantânea e até a privatização da Casa da Moeda.

Para não falar da concessão para a exploração mineral e florestal, de uma vasta reserva natural e ambiental, incrustrada entre os Estados do Pará e do Amapá.

Infelizmente, mais um conjunto de factoides horrorosos, sob o ponto de vista dos fundamentos e da funcionalidade de que se deveriam revestir as propostas de projeto a serem realizadas sob o instituto das concessões e das concessões sob PPP.

No âmbito paulista – e corroborando um viés, de há muito já prevalecente – é doloroso verificar mais uma rara oportunidade de se integrar as visões de planejamento (?) e funcionalidade (?), quando se trata de falar de concessionar ativos que no seu todo fazem parte do complexo problema da Mobilidade Urbana, a partir de pedaços cuja soma funcional das suas componentes sempre estará distante da igualdade.

Ou seja, os projetos de concessão são tratados de forma fragmentada, isolada – como meros contratos de fornecimento de serviços desconectados – como não fizessem parte de uma mesma questão (no caso, a Mobilidade Urbana).

O maior desafio neste contexto está na vertente do transporte urbano de massa, mercê dos pesados subsídios que a gestão municipal e estadual tem que prover.

Antes que a questão da sucessão presidencial passasse a pontuar, as gestões da cidade e do estado poderiam se unir e multiplexar soluções e integrar projetos – da bilhetagem ao uso de Centros de Controle Operacional comuns, passando pela oferta compartilhada e, portanto, maximizada de áreas de terminais e a concessões de mobiliário urbano, até chegar à construção de corredores e outras funcionalidades comuns à questão maior e indivisível da mobilidade –, ai incluindo a operação final das operações de transporte realizadas no mesmo espaço funcional e espacial, pelos operadores do transporte de ônibus, metrô e trens urbanos entre outros atores.

Ou seja, se as concessões fossem de fato planejadas e articuladas em sua estruturação por parte do Poder Concedente – diretamente ou sob o chamamento isolado ou compartilhado com o setor privado —, o montante final das outorgas envolvidas poderia (senão zerar) pagar boa parcela dos subsídios pactuados com a sociedade civil no caso das gratuidades oferecidas à população.

No âmbito federal, o circo de horrores conceituais consegue ser maior: o que se relevou no anúncio – e é a tônica preponderante para levar os principais atores do governo a um périplo à China para apresentar esse show de horrores para atrair (?) investidores externos –, é a possibilidade de se acrescer cerca de R$ 40 bilhões, aos esforços do governo para financiar a sua mutante metamorfose ambulante, que é o seu desequilíbrio fiscal!

E ninguém – nem do mundinho institucional privado das concessões – se deu conta de pedir (ou mesmo exigir) que o governo declarasse o montante dos investimentos envolvidos e o que espera de contrapartidas de recursos para estes projetos de Concessão dos Parceiros Privados (do país e do exterior).

Ora, a se admitir que as outorgas somadas se refiram a 10% do total de investimentos a serem gerados, está se falando de cerca de R$ 400 bilhões de investimentos: o Parceiro Privado, entrará, por certo (?) , com pelo menos 80% deste valor (ou R$ 320 bilhões).

É isto mesmo?

A imprensa especializada e o aparato institucional privado que orbita em torno dos interesses dos projetos de concessão – eis que não se pode infelizmente esperar a mesma posição da classe política – deveria exigir que em todo anúncio desta natureza ficasse claro o montante de investimentos a serem mobilizados e como se fará a cobertura desses “anseios e desejos de concessão”.

Primeiro porque não pode ser que o Governo não tenha a mínima ideia de quanto valem os ativos que deseja concessionar, concessionar sob PPP, ou mesmo alienar para a venda final!

Se foram calculados os ganhos de outorga, é porque se possuía algum referencial!

Pois bem: qual é o valor de referência dessas contas? Por que não são divulgados – ou pior – reclamados pelos eventuais interessados?

Ou é uma conta de chegar? A ser aferida ou consistida pelas MIP ou pelas futuras PMI?

Em segundo lugar, qual é o modelo de concessão?

É o mesmo rame-rame das concessões anteriores, onde se estabeleciam regras burras para a definição do Capex, do Opex e do financiamento, já que eram apenas os megaplayers que dela participavam? E que por isso, os órgãos de controle exigiam altíssimos coeficientes de liquidez, baixo endividamento e elevadíssimo montante patrimonial, para que se pudesse ousar (sic) “bidar” nos certames licitatórios?

De que valem esses indicadores depois de uma situação de “estresse de risco” como a que está sendo vivida hoje: onde, os grandes players estão em recuperação judicial ou quase lá; e, de outro, o Poder Concedente também está em “default fiscal”, seja por sua inépcia de gestão econômica, criando situações potencias de reequilíbrio pela via de projeções magnificadas, seja pela conjuntura proibitiva que catapultou custos e despesas para patamares que conspiram contra a boa e saudável condução dos negócios de concessão?

As formas e os modos de concessão têm que ser revistos: eles ainda estão a depender dos empreiteiros (ou de alguém do tamanho relativo deles) para serem as pontas de lança das concessões. Seria imutável isso?

Não é: mesmo!!

Por exemplo, em Concessões de Parques Públicos —desde que o Modelo de Negócio seja viável – nada impede que empresas do Terceiro Setor sejam as empresas -líder da Concessão.

Mas como? Elas não tem Patrimônio Líquido (PL) adequado, ou mesmo – diz a lenda – não sabem cobrar ou fazer Capex…

As NPO (Non Profit Organization) do Central Park são empresas (sic) capexistas? Ou pertencem a Fundos de Investimento?

Não: elas definem o Capex necessário aos seus Modelos de Negócio e, entre outras alternativas, arrendam – via a locação comercial ou mesmo via o leasing operacional – o que for necessário. Da mesma forma que pagam pelos serviços de facilities e utilities necessários nas funcionalidades de Opex, sem que precisem – como já se está gestando aqui – dos barões das facilities de estacionamentos, segurança, limpeza e quejandos…

O que importa é que se gerem recebíveis securitizáveis (certificados por bons Modelos de Negócio) que podem ser negociados fora do mercado de dívidas, para não onerar ou aleijar com juros reais elevados, a geração interna de caixa das operações nascentes…

Se não for por essas vias de discussão das Concessões vira aquilo que já virou desde a semana passada: se voltou aos primórdios das discussões sobre funções de estado e da iniciativa privada. E, ao mesmo tempo, às velhas cantilenas ideológicas de estatistas saudosistas e de privatistas mais empedernidos que qualquer liberal anglo saxônico.

Ou seja, um montaréu de viúvas, viúvos, vampiros, e outras criaturas das trevas que enviesam o debate em função de suas taras ideológicas e sublimam a discussão da funcionalidade do que se está querendo na verdade discutir.

E, mais uma vez, usam-se concessões ou concessões sob PPP como panaceia; ou as demonizam junto à opinião pública, que só está querendo saber é quando os serviços em nome dos quais se reduz a sua renda disponível serão finalmente prestados pelos responsáveis de plantão: e aí, pouco importa se é por amantes do liberalismo, por entusiastas do estatismo ou se tenham sotaque estrangeiro ou interplanetário!

Importa quando estarão disponíveis e em quanto impactarão seus orçamentos: será preciso desenhar isso aos gestores do circo de horrores que nos assombra?



* Diretor geral do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec)



 

 

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