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O programa de televisão Jornal do Engenheiro, que foi ao ar nesta semana a partir do dia 22 último, traz entrevista especial com o secretário municipal de Inovação e Tecnologia da cidade de São Paulo, Daniel Annenberg. A pasta foi criada, no início deste ano, na atual administração municipal. Segundo o titular, o objetivo é mostrar como é fundamental pensar, discutir e elaborar soluções a partir das novas tecnologias. Para tanto, informou o secretário, já estão sendo delineados projetos que visam ajudar o cidadão em diversos setores. Um desses, avisou, é o projeto “Empresa fácil", que visa facilitar a abertura de empresa, que, de acordo com Annenberg, hoje leva mais de 100 dias. 

O JE na TV apresenta uma importante e didática reportagem sobre os processos seletivos a distância, usando o mundo digital para isso. A nossa produção conversou com especialistas na área que ensinam dicas de como tirar o melhor proveito dessas ferramentas online

Já o presidente do SEESP, Murilo Pinheiro, no seu quadro semanal “No Ponto”, aborda a importância do movimento Engenharia Unida em apresentar propostas factíveis à saída da crise econômica, à retomada do desenvolvimento e, principalmente, à valorização dos profissionais da área. Nesse sentido, como destacou em sua participação, é importante o trabalho da Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento, presidida pelo deputado federal Ronaldo Lessa (PSB-AL), que, entre outros temas, se debruça em agilizar a tramitação do Projeto de Lei 13/2013 no Congresso Nacional. A matéria cria a carreira pública de Estado para engenheiros, agrônomos e arquitetos. 

Confira essas notícias importantes para o mundo da engenharia e do desenvolvimento assistindo ao JE na TV toda semana. O programa é exibido às segundas-feiras, na capital paulista, pela TV Aberta SP, às 19h30, nos canais 9 (NET), 8 (Fibra 8) e 186 (Vivo TV). Ou pela internet no mesmo dia e horário neste link. O JE é transmitido também para 50 cidades de todo o Estado em dias e horários diversos. Confira a grade aqui.

 

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP

 

 

 

 

A Fundacentro, órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Previdência Social, realiza em diversos Estados brasileiros cerca de 160 cursos, envolvendo aproximadamente 5.000 participantes, entre profissionais d a área de Segurança e Saúde do Trabalhador de órgãos públicos, empresas e sindicatos. Essas atividades educativas têm o papel de difundir os resultados de estudos e pesquisas desenvolvidas na área nos últimos anos, atualizando os técnicos que atuam nesse campo.

E a fundação já inicia 2017 com boas discussões ao promover o curso sobre os impactos das novas tecnologias na precarização do trabalho. Será no dia 23 de janeiro próximo, das 8h às 17h, no Centro Técnico Nacional da instituição, que fica na Rua Capote Valente, 710, no bairro Pinheiro, em São Paulo (SP). Carga total de oito horas.

O objetivo é apresentar e discutir os impactos das novas tecnologias, entre as quais se inserem as nanotecnologias. A coordenação técnica estará a cargo de Paulo Martins, Luis Renato Balbão Andrade e Arline Sydneia Abel Arcuri.

Interessados devem enviar e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..


Comunicação SEESP
Informação da Fundacentro








 

Alunos de classes populares ainda não veem a presença de aparelhos tecnológicos em sala de aula como parte do processo de aprendizagem. Principalmente em escolas públicas, estudantes manuseiam aparelhos celulares sem a orientação ou intervenção de seus professores, apesar da proibição de sua utilização por lei. É o que mostra pesquisa de mestrado de André Toreli Salatino, na Faculdade da Educação (FE) da USP. O pesquisador acompanhou regularmente dezenas de estudantes de uma escola pública. A ideia do trabalho foi compreender as tensões que conformam a experiência escolar contemporânea, a forma como os jovens vivenciam mundos culturais e tecnológicos distantes entre si.

Segundo o estudo, é do professor a responsabilidade de tentar criar situações de aprendizagem que incluam a utilização dos diversos aparelhos tecnológicos, já que as tecnologias não fazem nada por si mesmas. Esses jovens não mobilizam as novas tecnologias para construírem relações com os saberes escolares, em grande parte utilizam seus celulares para se ausentarem daquele mundo. O uso das tecnologias, entretanto, não poderá se tornar a finalidade de nenhuma instituição escolar, e seu uso deve ser pensado nos valores que são reforçados por meio de sua prática. Com foco no processo de aprendizagem, cabe ao professor avaliar, em sua realidade concreta, se a implementação dos aparelhos tecnológicos contribuem para que os alunos criem uma relação com o conteúdo de sua disciplina.

Durante um ano letivo, Salatino observou três turmas do ensino médio de um colégio da periferia da cidade de São Paulo, na zona leste. O acompanhamento não se deu apenas em sala de aula, mas também em outros espaços escolares, como o pátio em horário de intervalo entre as aulas e períodos de entrada e saída. Esses espaços se mostraram interessantes por também participarem do mundo de exibição produzido com esses aparelhos tecnológicos, em meio à experiência escolar desses jovens.

Metodologia
A metodologia do trabalho teve inspiração da etnografia, método utilizado pela antropologia na coleta de dados. O pesquisador tentou compreender essa cultura escolar específica a partir do significado construído pelos jovens em sua relação com celulares e aparelhos eletrônicos em geral e com a escola dos dias atuais. Essa análise se deu por intermédio de um trabalho de campo prolongado com jovens de classes populares.

Foram aplicados questionários fechados a todos os alunos presentes nas turmas, cujas respostas foram comparadas com dados estatísticos publicados por diferentes institutos internacionais que tinham por objeto a relação dos jovens com a tecnologia. Para amenizar a distância entre “aquilo que somos” e “aquilo que dizemos que somos”, buscou-se refletir sobre o que as ações desses alunos têm a dizer sobre a sociedade em que estão inseridos.

Resultado
Por mais que a cooperação entre docente e tecnologia para auxiliar no progresso do ensino seja importante, não se pode deixar iludir. Em determinadas situações, será difícil introduzir recursos tecnológicos, mesmo porque a cultura brasileira não tem a aprendizagem como valor. Grande parte dos estudantes de classes populares não compreende o ensino em instituições escolares como meio de ascensão social. Muitos, aliás, observam a promessa da escola como ilusão, pela própria experiência com pessoas que concluíram o ensino médio e mesmo assim não galgaram condições financeiras melhores.

De acordo com Salatino, não significa, porém, que a proibição de telefones celulares em sala de aula seja o suficiente. Durante o percurso escolar esses alunos distraem-se com ou sem a presença de recursos tecnológicos, embora os aparelhos tecnológicos levem essa dispersão para outra escala. “Temos que considerar que a proibição não retirou os aparelhos da escola”, lembra o pesquisador, “pois a dinâmica de leis no Brasil é abstrata, constituída de cima para baixo e despreocupada com sua implementação prática”.

O pesquisador ainda vê eventos de distúrbio, como músicas tocadas em sala de aula para provocar os professores, como obstáculo à convivência de ensino e tecnologia. “Os jovens devem crescer em dois mundos: o juvenil e o escolar. Tudo se passa como se esses jovens não tivessem crescido no mundo escolar, não vendo perspectivas em seus estudos. Dessa maneira, a maioria dos jovens mostra uma forma de socialização paralela à escola, investindo sua criatividade, inteligência e seu tempo na utilização de aparelhos tecnológicos e em algo que se mostrou central nessa experiência: a produção e manutenção de redes de sociabilidade via formas rápidas de comunicação, que cadenciavam o decorrer de todas as aulas observadas”, afirma Salatino.


 

Fonte: Agência USP de Notícias








A velocidade das mudanças tecnológicas tem exigido atenção redobrada na decisão de compras da Companhia do Metrô de São Paulo, que elaborou algumas premissas a serem cumpridas, entre elas: direcionar as aquisições visando as operações futuras para evitar que sejam sucateadas no início de uso, que assegurem o funcionamento e que já seja aprovada em outra empresa e que as soluções tecnológicas tenham custos justos, ou seja, que a escolha da tecnologia tenha custos apropriados ao orçamento.

Mário Fioratti Jr, diretor operacional do Metrô, citou como exemplo de acerto nas escolhas tecnológicas as linhas 15 e 17 do monotrilho. "É o sistema mais moderno, com a tecnologia mais atualizada e custos inferiores a outras soluções para o atendimento de médias demandas”, reforçou.

O painel sobre "Os Desafios para Domínio das Novas Tecnologias nos Sistemas Metroferroviários”, realizado no dia 12 último, da 19ª. Semana de Tecnologia Metroferroviária, relizada pela da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (Aeamesp) trouxe, além das regras do Metrô de São Paulo, a experiência da Vale na manutenção do sistema eletroeletrônico da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM).

Com 905 km, ligando Belo Horizonte (MG) a Vitória (ES) e operando no transporte de minérios e de passageiros, a EFVM é uma das mais antigas linhas em operação no Brasil. Seu pleno e regular funcionamento, segundo Ued Andril, gerente da área se deve ao programa de manutenção preventiva e preditiva da sinalização, do sistema de fornecimento de energia, das telecomunicações, automatização e dos equipamentos onde trabalham 220 pessoas.

Andril ressaltou a importância do trabalho da equipe, treinada e reciclada na própria empresa e do atendimento aos requisitos de atualização dos equipamentos, o que também exige uma equipe atenta às novas tecnologias.

Plínio Assmann (presidente da primeira linha da Companhia do Metrô de São Paulo em 1974), ressaltou o caráter inovador desse meio de transporte até então inédito no país e que mudou a paisagem da cidade.  "Essa característica tem sido mantida nas linhas construídas posteriormente e nas obras em andamento, o que exige atenção redobrada”, disse.

Assmann destaca entre as inovações a não contratação de uma empresa internacional de assistência técnica, que era comum nos metrôs de cidades como Munique, Hong Kong e Montreal, preferindo desenvolver seu próprio pessoal. "O metrô foi a primeira empresa do Brasil a ter um Departamento de Recursos Humanos, enquanto as demais empresas tinham de recrutamento e seleção”, exemplificou.

Para o futuro, Assmann aconselha que o Metrô ong Kong e Montrealestabeleça um programa de governança com a Prefeitura de São Paulo e com a Secretaria de Transportes Metropolitanos, dada a sua importância para a cidade e para a região metropolitana. Sugere que cada linha tenha um gerente e cada estação um arquiteto, para melhor administração e criar uma identidade para a estação, que estão, segundo ele, ficando muito parecidas. Ele elogiou o edital de concessão da futura linha 6, que terá uma tarifa contratual, para assegurar a remuneração do concessionário, e outra para os passageiros.

 

Imprensa – SEESP
Informação da assessoria da Aeamesp




“O rápido crescimento econômico nos Brics [Brasil, Rússia, Índia e China] faz com que o mundo tenha que produzir cada vez mais energia. Estima-se que a demanda de energia primária total em 2035 será 50% maior do que a atual”, disse Shuji Aihara, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade de Tóquio.

“O transporte em massa entre os países também tem se tornado mais importante para manter as atividades econômicas mundiais. Por conta de fatores como esses, um dos principais desafios atuais da engenharia está no aumento da produção de petróleo e gás e no transporte dessas fontes de energia com segurança”, disse Aihara.

De acordo com Aihara, uma grande variedade de estruturas, como dutos de transporte, navios e estruturas em alto-mar, tem sido desenvolvida e construída nos últimos anos para dar conta dessa demanda. O grupo de pesquisa que o cientista coordena investiga tecnologias e formas de fazer com que essas estruturas sejam mais seguras, tanto para o homem como para o meio ambiente.

O objetivo é diminuir as chances de que ocorram desastres em petroleiros, como no Exxon Valdez, que naufragou em 1989 na costa do Alasca derramando mais de 40 milhões de litros de petróleo que se espalharam por mais de 20 mil quilômetros quadrados. Ou acidentes em plataformas, como a explosão na Deepwater Horizon da BP, no Golfo do México, que lançou ao mar mais de 700 milhões de litros de óleo. Ocorrências como essas provocam danos enormes ao meio ambiente.

Aihara e equipe pesquisam a resistência e durabilidade de estruturas usadas atualmente para a exploração e o transporte de petróleo e gás, e, no futuro, de hidrogênio e outras fontes de energia. “A pressão e a distância de dutos têm aumentado constantemente de modo a satisfazer a demanda energética. Na ‘sociedade do hidrogênio’ [que o cientista considera o combustível do futuro], o transporte de gás continuará sendo necessário.”

Outro tipo de transporte que, de acordo com Aihara, será importante no futuro é o de dióxido de carbono. “Sistemas de transporte em massa de CO2 serão necessários para o sequestro e o armazenamento de carbono de fontes antropogênicas para locais como reservatórios subterrâneos. Por isso, dutos de longa distância continuarão em uso e novos tipos serão necessários”, afirmou.

Os pesquisadores japoneses desenvolveram um modelo computacional para simular o comportamento dessas fissuras em dutos e observaram que os dutos para transporte de hidrogênio se mostraram mais seguros do que no caso do transporte de petróleo e gás.

 

Fonte: Agência Fapesp




TecnologiasEnsinodentroVárias pesquisas e relatórios de projetos educacionais têm apontado que uma das possibilidades para melhorar a qualidade do ensino é inovar as metodologias e variar as formas de apresentar os conteúdos para os alunos. Essas inovações em grande parte estão associadas ao uso das novas tecnologias no processo de ensino.

Um projeto de pesquisa conduzido na Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, pretende ampliar o uso dos chamados objetos de aprendizagem e envolver um maior número de alunos.

A pesquisa tem apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo) por meio do Programa de Melhoria do Ensino Público e origem em estudos já conduzidos no Núcleo de Ensino da Unesp.

“Durante dois anos, uma equipe de professores e bolsistas do Núcleo de Ensino da Unesp desenvolveu atividades com objetos de aprendizagem em uma escola pública estadual. Os resultados não deixaram dúvidas. Nos conteúdos trabalhados com os objetos, os alunos em média tiveram um resultado 32% superior aos conteúdos trabalhados de maneira tradicional”, disse Sílvio Henrique Fiscarelli, coordenador do projeto.

Nas oito classes de ensino médio analisadas, com um total de quase 400 alunos, o desempenho dos alunos se mostrou superior quando foram utilizados objetos de aprendizagem para abordar os conteúdos de Física e Matemática.

Comparando estatisticamente os desempenhos dos alunos nas atividades realizadas em sala de aula com as atividades nas quais foram utilizados os objetos de aprendizagem, observou-se que os estudantes obtiveram um desempenho melhor e mais homogêneo com o uso desse tipo de recurso.

Foi constatado também que os alunos que obtinham média 5 ou abaixo deste valor nas atividades em sala de aula melhoraram 51% seu desempenho, enquanto os alunos com média superior a 5 obtiveram um ganho médio menor, de apenas 13%. Ou seja, os alunos que têm maior dificuldade de aprendizagem são os mais beneficiados pelo uso dessa tecnologia.

Com apoio da Fapesp, foram adquiridos 35 computadores que serão utilizados em sala de aula, evitando que os alunos precisem se deslocar para o laboratório de informática para utilizar os objetos de aprendizagem.

O projeto envolve sete professores que recebem Bolsa da Fapesp para se dedicar às atividades e cinco disciplinas (Português, Matemática, Física, Química e Filosofia).

 

Imprensa – SEESP
Com informação da Agência Fapesp e Unesp
Imagem: blogorama.com.br




 

Os megaeventos programados para ocorrer no Brasil em 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Jogos Olímpicos) servirão para dar novo impulso à engenharia brasileira, principalmente no incremento de novas tecnologias aos canteiros de obras e aos processos de industrialização do concreto. A opinião é do professor titular da Poli-USP (Universidade de São Paulo), Fernando Rebouças Stucchi, que no 6º Concrete Show South America, realizado de 29 a 31 de agosto de 2012, em São Paulo, participou do seminário da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto).

Stucchi palestrou sobre o tema “Arena multiuso para a Copa 2014 no Brasil e a importância da industrialização em concreto para a engenharia estrutural”. Para ele, a construção de novos estádios no país está permitindo que sejam abertas janelas para a inovação, retirando a engenharia brasileira de uma inércia de três décadas. “Há trinta anos, o Brasil detinha mais conceitos inovadores e estava mais próximo da engenharia praticada nos Estados Unidos e na Europa do que agora. A crise causada pela hiperinflação (anos 1980 e 1990) fez com que o país não investisse nada em construção e ocorresse um atraso”, lamenta.

O professor da USP cita que as construtoras deixaram de adquirir equipamentos de ponta, causando déficit tecnológico na engenharia nacional. “Hoje faltam guindastes pesados, Shield para fazer túnel de metrô, hidrofresa para escavação de parede diafragma, enfim, vários equipamentos. Da mesma forma, o Brasil deixou de trabalhar com concretos mais evoluídos, como os de alta resistência e os que contêm fibras, que só agora começam a ser utilizados em obras nacionais. Então, diria que a Copa não vai fazer milagres, mas está permitindo abrir janelas para a engenharia brasileira”, assegurou.

A tecnologia do pré-moldado é a que tende a se beneficiar mais das obras para receber o mundial da Fifa, em 2014. Há inovações sendo agregadas às construções dos estádios que provavelmente irão se disseminar para outros tipos de empreendimentos. As arenas de Cuiabá, do Grêmio de Porto Alegre, de Recife, de Salvador e de São Paulo agregaram muitas inovações. Mas a que está na frente, segundo Stucchi, é a de São Paulo. “Há técnicas maravilhosas de acabamento. Uma delas é uma empena enorme no setor leste do estádio. O pessoal simplesmente deu uma lixada nas juntas e parece que está estucada. Além disso, a obra tem balanços pré-moldados de seis metros que foram fixados com parafuso e uma grande quantidade de peças pesadas que nunca foram usadas antes em obras como esta”, afirma o especialista.

No entanto, ao mesmo tempo em que serve de alavanca para a inovação, a Copa também expõe a carência da área do pré-moldado em algumas regiões do país. “Em Recife, as peças estão sendo moldadas in loco. Por quê? A única fábrica capaz de atender projetos desta envergadura no Nordeste já estava comprometida com a arena Salvador e Recife, então, não usufruiu do pré-moldado. Isso mostra que o Brasil ainda não tem a quantidade de fábricas de pré-moldados que deveria ter”, ressalta Stucchi, destacando ainda que outro empecilho está na formação de profissionais. “Para formar bons engenheiros que saibam construir com pré-moldado é preciso, no mínimo, uns dez anos. Já para formar técnico de nível médio, talvez uns cinco anos. Precisamos recuperar esse terreno perdido”, finaliza.

 

Imprensa – SEESP
Informação do site Massa Cinzenta – por Altair Santos



A afirmação é de Eloy Casagrande Jr., doutor em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente, pela University of Nottingham, e pós-doutor em Inovação Tecnológica e Sustentabilidade, pelo Instituto Superior Técnico (IST), de Lisboa. Atualmente é professor na UTFP (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). Ele falou sobre o assunto em entrevista ao IHU (Instituto Humanitas Unisinos), do Rio Grande do Sul. Reproduzimos, a seguir, trechos da entrevista.

IHU On-Line - O Ministério de Minas e Energia divulgou que 15% dos domicílios brasileiros já dispõem de energia solar. O que esse percentual significa em termos de investimento em energia renovável?
Eloy Casagrande Jr. -
Significa muito à medida que o governo começa a reconhecer as energias renováveis como a solar, a eólica e a biomassa. Representa que, de algum modo, o país está saindo desse paradigma da energia hidrelétrica e termoelétrica. O investimento nas energias renováveis contribui para a redução de emissões, para uma maior eficiência energética, gerando menos gastos à sociedade. Então, o governo poderia aumentar, como fizeram em outros países, a linha de apoio por meio de isenções fiscais, linhas de financiamento especiais, porque, com esse tipo de apoio, se consegue que novas tecnologias entrem no mercado com mais força, possibilitando o acesso dos consumidores.

IHU On-Line - Por que o investimento em energia solar ainda é baixo, visto que o país possui os recursos necessários? Como entender a falta de incentivo para a produção de energia alternativa no Brasil, como a energia solar, por exemplo?
Eloy Casagrande Jr. -
O Brasil tem um potencial de energia solar e eólica ainda inexplorado. De fato, há uma baixa geração comparada ao potencial brasileiro. Nesse sentido, ainda há um caminho longo para percorrer em termos de desenvolvimento, tecnologia, know-how, criação de mais empregos, etc. Quando um país começa a sair do paradigma de uma energia poluente, como a energia baseada no combustível fóssil, e passa a investir em uma energia como a renovável, tem que investir em informação, educação, inovação, e precisa criar condições para que essa energia possa ser consolidada no mercado. Vejo que em todos os países isso acontece por meio de ações do governo. Não se pode deixar o mercado atuar sem nenhum tipo de apoio. Há de ter aí a "mão forte" do governo para isso acontecer.

IHU On-Line - A proposta para a ampliação da energia solar consiste em investir em um modelo de energia descentralizado ou num modelo centralizado?
Eloy Casagrande Jr. -
Os investimentos apontam para a energia descentralizada. A última resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sinaliza para que os consumidores, a partir de 2013, possam instalar uma regulamentação para energia fotovoltaica, energia eólica e energia de biomassa, ou seja, para que possam instalar minigeradores, microgeradores nas suas casas, nos escritórios, no hospital, numa escola, e a partir disso estar conectados à rede. Vamos nos tornar todos distribuidores de energia. Este é um modelo que já existe fora do Brasil há muitos anos. Ao investir nesse modelo, se tem a possibilidade de reduzir os custos da instalação, por exemplo, de painéis fotovoltaicos, que ainda necessitam das baterias. Além disso, ao produzir essa energia que não será consumida, será possível trocá-la por crédito de energia da rede, para utilizar a energia em momentos em que não há Sol, como à noite. Nesse sentido, percebe-se que há uma tendência clara para descentralizar a energia. Evidentemente, não se trata de grandes geradores, mas já é um avanço.

IHU On-Line - Quais os desafios em relação à energia solar no país? É possível garantir a eficiência energética investindo somente em energias renováveis?
Eloy Casagrande Jr. -
Temos que olhar a energia do ponto de vista sistêmico. Qualquer geração de energia do futuro vai ter que ser composta de diversas fontes. Não se pode, por exemplo, depender somente da energia oriunda de hidrelétricas, pois basta não chover por um período e ficaremos sem energia. Então, a matriz energética tem de oferecer um conjunto de ofertas de energia, que possam suprir as deficiências de cada uma.

Quando se discute a matriz energética, não se trata de dizer que a melhor energia é a hidrelétrica, a solar ou a eólica. O conjunto delas, associado a um bom programa de eficiência energética, o qual o Brasil precisa assumir, traria resultados. Ainda há muito o que fazer em relação às perdas de distribuição, em relação à melhoria dos equipamentos e dos produtos que utilizam energia elétrica, como os eletrodomésticos. As próprias construções também podem ser um alvo de estudo em posição de maior eficiência energética. Na Universidade Federal do Paraná, por exemplo, realizamos o projeto do "escritório verde", que aponta um conjunto de soluções para maior eficiência energética e uso racional da energia. Entre as propostas, estuda-se o isolamento térmico de futuras casas, com vidros e paredes duplas, com iluminação natural, com energia solar e com lâmpadas leves. Então, é esse conjunto de tecnologias e equipamentos que vai determinar o quanto de energia será possível dispor no futuro, trazendo economia.

IHU On-Line - É possível vislumbrar a geração de energia descentralizada e autossuficiente no futuro?
Eloy Casagrande Jr. -
Não sei se vamos ver um modelo energético autossuficiente no futuro, mas podemos encaminhar para não sermos tão dependentes de um modelo centralizado. Claro que isso mexe com grandes negócios, mexe com grandes lobbies, que estão envolvidos com a energia elétrica, desde que ela se tornou uma commodity que capta, concentra e vende a energia. Essas empresas de energia elétrica têm ações na bolsa de valores. Energia virou um produto que precisa render. Essa visão também já nos traz uma visão mercantilista da energia.

No futuro até podemos discutir essa visão, mas hoje é o modelo que temos: existem grandes interesses econômicos ao redor de tudo isso, e se formos fazer uma retrospectiva histórica da construção das hidrelétricas no Brasil, veremos que são as mesmas construtoras que constroem as hidrelétricas de hoje.

 

Imprensa – SEESP
* Informação do IHU-Online



No Comunicado do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) nº 153, “Desafios e oportunidades para uma indústria espacial emergente: o caso do Brasil”. Segundo Flávia de Holanda Schmidt, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, não percebemos como a atividade espacial é imbricada em nosso dia a dia. “55 anos após o seu início, a exploração espacial não é mais um campo para uma guerra entre duas potências, é um setor que tem impactos importantes no desenvolvimento econômico e social dos países”, frisou Flávia.

A técnica destacou que, de acordo com a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a indústria espacial é um setor de alta intensidade tecnológica, que é pautado pela convergência de tecnologias divergentes, e que se desenvolve necessariamente por meio do investimento em pesquisa e em novas tecnologias.

Uma grande vantagem dessa indústria é que ela está na ponta da escala de valor agregado: um quilograma de satélite vale atualmente US$ 50 mil. Esse valor fica entre US$ 2 mil e US$ 8 mil para aviões militares, US$ 2 mil no caso de mísseis, e US$ 1 mil para aviões comerciais, por exemplo.

O Brasil
Segundo o Índice Futron de Competitividade Espacial de 2009, que calcula a atuação na área espacial, o Brasil está em último lugar em todos os componentes do relatório, mas o setor indústria está em pior situação.

“Somos um dos poucos países que detêm tecnologia para atuar na indústria espacial, mas nosso programa espacial tem 50 anos de existência e países que iniciaram seus trabalhos muito depois ocupam hoje posições muito melhores que o Brasil”, alertou a pesquisadora.

A questão, para ela, além de se melhorar a aplicação dos satélites no Brasil, é enraizar a atividade no país. “China e Índia vêm alcançando progressos importantes, já no Brasil essas demandas precisam ser mais bem articuladas”, sugeriu. Vários outros setores podem ser dinamizados com a maior atuação do setor espacial brasileiro, como planejamento e uso da terra, saúde, educação, construção civil, agronegócio e geração de energia.

Perfis
Para analisar a indústria espacial brasileira, foi feito na pesquisa a associação de várias fontes de dados e se chegou ao total de 177 empresas. Mas apenas 153 puderam ter o perfil mais detalhadamente analisado, por estarem na base de dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A maior parte das empresas é de pequeno porte, empregam poucas pessoas. Ao longo do tempo (o estudo recolhe dados da RAIS de 2000 a 2010), houve um maior engajamento das empresas de maior porte, que passaram a fornecer mais peças e subsistemas para a indústria espacial. De 153, apenas 25 empresas empregaram 250 pessoas ou mais.

Quase 78% delas (119 empresas) estão no Estado de São Paulo, principalmente no município de São José dos Campos, onde está o Instituto Tecnológico Aeroespacial (ITA), que constitui uma forte base técnico-científica por instituições governamentais, unidades de ensino e de pesquisa de excelência.

Em média, as empresas do setor têm acima de 18 anos de existência, remunera os seus trabalhadores com valores acima de R$ 2.500, em média, e tem corpo de trabalho com tempo médio de estudo de 11,6 anos. Essas firmas também têm grande percentual de envolvimento com comercio exterior: 25% são exportadoras e 49% importadoras. “A importação é maior porque ainda existem alguns gargalos tecnológicos que o Brasil não conseguiu superar”, afirmou Flávia.

Leia a íntegra do Comunicado 153 - Desafios e oportunidades para uma indústria espacial emergente: o caso do Brasil

 

Imprensa – SEESP
* Informação do Ipea



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