GRCS

Mostrando itens por marcador: meio rural

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada em 1973, tem em seu quadro 2.109 engenheiros. Desses, 1.535 são da área de agronomia e 574 de outras modalidades, como ambiental, civil, alimentos, eletrônica, metalúrgica etc., segundo informação da Secretaria de Comunicação dessa instituição pública. “O meio rural no País requer atualmente muitos profissionais do Sistema Confea/Crea”, atesta o coordenador de Inteligência Estratégica da Emprapa (Agropensa), Édson Luis Bolfe. Formado em Engenharia Florestal em 1999, mestre em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, e doutor em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o pesquisador, hoje com 43 anos de idade, ingressou na empresa aos 26, no concurso público de 2001.

Ele reforça que há espaço no campo para todas as profissões vinculadas à engenharia, com perspectiva de crescimento em função da grande tecnificação e inovação para os próximos anos. “Falo não apenas em termos de pesquisa na Embrapa, mas das grandes, médias e pequenas propriedades, assim como de startups focadas no meio rural”, observa. Bolfe pontua que o setor agrícola e agroindustrial é responsável por um terço dos empregos no País e por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Por ser um dos segmentos mais dinâmicos da economia brasileira no momento e para fazer frente à demanda por alimentos no mercado interno e no mundo, atendendo diferentes tipos de consumidores, ele ressalta que o profissional da pesquisa agropecuária precisa ter “um perfil inovador, que vê o processo produtivo como um todo”. Significa, como prossegue, pensar não apenas no manejo de uma cultura agrícola, mas em sistemas mais integrados e diversificados: “Na produção animal, garantir o conforto e o bem-estar. Desenvolver equipamentos, maquinários, sensores, dentro da perspectiva de uso sustentável dos recursos naturais.”

Como instituição pública, Bolfe diz que a Embrapa tem a missão de desenvolver pesquisas e inovações com foco na sustentabilidade econômica, social e ambiental do campo. “Aí envolvemos ações de todas as modalidades das engenharias. Trabalhamos com conceitos que envolvem questões como mudanças climáticas, agricultura de baixo carbono, nanotecnologias, biotecnologias, geotecnologias, análise dos recursos naturais, como clima, solo, água.” 

Embrapa

A empresa, segundo descreve ele, atua em vários setores da cadeia produtiva, desde a pesquisa para melhorar a produção de grãos (como soja, trigo, milho, feijão, arroz) até a produção de carnes, leite, ovos e florestal (celulose e fibras). “Desenvolvemos pesquisas em mais de 100 produtos agrícolas e inúmeros sistemas.” Bolfe salienta que o meio rural brasileiro, nos anos 2000, é bem diferente do campo dos últimos 45 anos. “Se nas décadas de 1960 e 1970 éramos grandes importadores de alimentos – com exceção de algumas commodities, como café e açúcar –, hoje somos grandes exportadores de produtos agrícolas, carnes e derivados, graças ao trabalho das várias modalidades da engenharia que atuam na Embrapa e também em outros institutos de pesquisas e das universidades.”

O campo, para Bolfe, é promissor para os profissionais da categoria, lembrando que o Brasil precisa se desenvolver mais em termos de agregação de valor aos produtos agrícolas e derivados. Além disso, arremata ele, o mundo digital chegou com grande poder de transformação, e mais de 50% das propriedades rurais já têm acesso à internet. “Como exemplo, uma área de grande crescimento é a da geotecnologia, que envolve os vants (veículos aéreos não tripulados), agricultura de precisão. Tudo isso é muito inovador e tem apoiado os processos de pesquisa e desenvolvimento rural.” 

 

QualificAção

Engenheiro empreendedor

O SEESP mantém o programa “Engenheiro empreendedor”, atualizado regularmente, com oferta de diversos cursos de qualificação e aperfeiçoamento para seus associados e dependentes a preços especiais. A seguir, alguns desses cursos: 

Desafio da liderança por resultados

10 de agosto, 19h às 22h

Objetivos: Orientar a desenvolver competências humanas, a liderança e a forma de agir em determinadas situações; atitudes e comportamentos do líder; impactar e influenciar empregados para atingirem as metas.

 

Programa de eficiência energética

12 e 19 de agosto, 9h30h às 13h

Objetivo: Identificar, planejar e executar ações referentes à redução de custos de energia e ao uso sustentável da água nos mais diferentes tipos de empreendimento comercial ou de serviços.

 

Gestão de projetos

21, 24 e 25 de agosto, 18h30 às 22h30

Objetivo: Oferecer conhecimentos aos profissionais envolvidos com a gestão, controle e análise de projetos de engenharia, visando a otimização de resultados quanto à qualidade dos projetos civis e industriais, custos e prazos.

A importância e a representatividade da cadeia do agronegócio na economia brasileira e o aproveitamento do seu potencial a partir da engenharia estarão em debate no seminário “Inovação, segurança alimentar e logística”, que será realizado no dia 4 de agosto próximo, no auditório do SEESP, na capital paulista (Rua Genebra, 25, Bela Vista). O evento é uma realização da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), juntamente com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com o apoio do sindicato, do Instituto de Inovação e Tecnologia (Isitec) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais (CNTU).

A economia brasileira cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano frente ao quarto trimestre de 2016 graças à expansão de 13,4% do agronegócio, conforme dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, o setor industrial teve ligeira alta de 0,9%, enquanto o setor serviço não registrou expansão.

O seminário abordará o universo tecnológico mobilizado pela cadeia produtiva de alimentos no Brasil e dará evidência à expansão do agronegócio e seu peso nos negócios. Também colocará em discussão as formas de se empregar a engenharia para tornar as atividades do agronegócio ainda mais competitivas.

Entre os temas a serem analisados estão infraestrutura para as atividades da agropecuária, logística de distribuição de alimentos e processamento e industrialização de alimentos para diferentes mercados. Os debates serão feitos a partir da análise dos temas “produção e cadeia de valor” e “ tecnologia na produção de alimentos”. Simultaneamente, os debatedores vão avaliar como as atividades que tornam o agronegócio bem-sucedido podem ser multiplicadas gerando oportunidades de novos negócios e trabalho.

Confira abaixo a programação do seminário e os especialistas que participam dos debates.

9h - Sessão de abertura

10h30 - Mesa-redonda "Produção e cadeia de valor"
Participantes
Paulo E. Cruvinel - Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA)
Luiz Antonio Pinazza - Consultor e consultor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)
Coordenador:
Daniel Antônio Salati Marcondes - Vice-presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e professor aposentado da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

12h15 - Intervalo para o almoço

14h - Mesa-redonda "Tecnologia na produção de alimentos"
Participantes
Luís Fernando Ceribelli Madi - Diretor técnico de Departamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital)
Thiago Guilherme Péra - Coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão Agroindustrial de Logística da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP)
Coordenador:
Orlando Melode Castro - Coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta)

16h30 - Encerramento

 

Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

Um dos maiores problemas relacionados à agroindústria é a abundante quantidade de resíduos gerados durante o processamento da matéria-prima. Na maioria dos casos, essas sobras não são tratadas e reaproveitadas, apresentando uma disposição ambientalmente inadequada, com potenciais riscos de contaminação dos solos e da água.

Diante desse contexto, o professor Severino Matias de Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, pesquisa alternativas para os principais resíduos gerados na agroindústria alimentícia. Ele coordena o projeto Prospecção e identificação de compostos bioativos de resíduos agroindustriais para aplicação em alimentos e bebidas.

Foto: Priscilla Melo
Resíduos agroindustriais da uva: o cultivo das vinhas e a fabricação de vinho geram subprodutos, como o bagaço (casca e sementes),
que podem representar até 30% da quantidade total de uvas vinificadas.


A proposta é mapear suas potenciais formas de reaproveitamento, no intuito de fornecer informações para a elaboração de planos de gestão adequados ao setor. O trabalho ocorre em conjunto com alunos de iniciação científica do curso de Ciências dos Alimentos da Esalq, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos, além de contar com o professor Pedro Luiz Rosalen e sua respectiva equipe de pós-graduandos e pós-doutorandos da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A vitivinicultura (atividade que envolve o cultivo das vinhas e a fabricação de vinho) gera subprodutos, como o bagaço (composto de casca e sementes), que podem representar até 30% da quantidade total de uvas vinificadas. A estimativa de produção de uvas no Brasil para 2017 é de 1,3 milhão de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Supondo que a produção total de uvas seja processada, cerca de 390 mil toneladas de resíduos serão geradas somente no Brasil e a maioria descartada sem qualquer tipo de tratamento, um grande impacto ambiental seria causado. “Estudos já mostraram que esses subprodutos podem ser fontes de antioxidantes naturais, especialmente porque contêm compostos fenólicos. Esses materiais podem ser reutilizados como substitutos de aditivos ou novos ingredientes nas indústrias alimentícias e farmacêuticas”, avalia Alencar.

Ação antioxidante
Em um estudo conduzido pela pesquisadora Priscilla Melo, doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Esalq, foram analisadas as castas francesas Chenin Blanc, Petit Verdot e Syrah. Essas variedades de uva foram cultivadas e vinificadas em uma importante região de vitivinicultura no Brasil, no município de Petrolina, no Vale do Rio São Francisco.

O estudo avaliou o potencial antioxidante de extratos de subprodutos vinícolas, o qual foi determinado com base na capacidade de desativação de radicais livres sintéticos e espécies reativas de oxigênio (ROS). Segundo os professores, dentro do universo conhecido, esta é a primeira vez que o potencial antioxidante dos subprodutos dessas três variedades de uvas europeias, aclimatadas a uma região semiárida, é avaliado.

Os resultados obtidos mostraram que os resíduos possuem elevada atividade antioxidante, além de serem fontes de moléculas bioativas naturais, tais como catequina, procianidina B1, epicatequina e ácido gálico. A pesquisa foi publicada na revista Food Chemistry.

Ação anti-inflamatória
Atualmente, a uva francesa Petit Verdot é cultivada no Vale do Rio São Francisco, em Pernambuco, para produzir vinhos finos envelhecidos devido ao potencial fenólico elevado. Adaptada pela primeira vez em uma extensão tropical, essa variedade tornou-se alvo de diversas pesquisas para verificar sua composição química e suas propriedades biológicas.

Um estudo preliminar no modelo de edema de pata de ratos, conduzido por Carina Denny, pós-doutoranda em Farmacologia, Terapêutica e Anestesiologia pela Unicamp, selecionou o extrato etanólico do bagaço Petit Verdot, devido a efeitos anti-inflamatórios e alto teor de conteúdo fenólico.

O estudo avaliou a atividade anti-inflamatória do extrato do bagaço de uva e suas frações de hexano, clorofórmio e acetato de etila, além de identificar o potencial das frações ou dos compostos ativos. Foi observada uma redução significativa do edema de origem inflamatória. Os resultados foram publicados no Journal of Functional Foods.

Investimento e sustentabilidade
Para os professores, é imprescindível a continuidade de pesquisas nesta área, fomentada por órgãos de pesquisa, buscando soluções ambientais, sociais e economicamente corretas, antes mesmo da intensificação destes problemas nos próximos anos.

O professor Rosalen, da Unicamp, destaca a necessidade de o governo investir mais nas universidades e o papel dos educadores. “Nós precisamos que o governo fomente mais e que tenha uma política de ciência e tecnologia nessa área de pesquisa, que, além de colaborar com a sustentabilidade da produção agrícola, pode agregar significativamente valor ao setor agroindustrial. Nós formamos alunos de alto nível, publicamos as pesquisas e temos patente, ou seja, a Universidade está cumprindo a sua função.”

Pensando na sustentabilidade, o professor Alencar destaca o que vai acontecer futuramente se nós não reaproveitarmos melhor os resíduos agroindustriais, assim como já é feito na Europa e nos Estados Unidos. “Se não nos preocuparmos com a relação meio ambiente x resíduos, ao passo em que crescermos e aumentarmos nossa produção aumentará também a poluição causada pelo descarte inadequado desses materiais. Isso pode representar também uma forma de perdermos competitividade no mercado, já que algumas indústrias e setores de mercados externos olham como nós produzimos e se nós desmatamos. Portanto, isso tudo é importante para que o mercado internacional, no futuro, não crie barreiras advindas da grande geração de resíduos agroindustriais e da falta de destino adequado a eles”, finaliza.

 

Da Divisão de Comunicação da Esalq, com edição do Jornal da USP
Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

 

agenda