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Recuperação exigirá Estado eficaz e protagonismo da engenharia

 

PalavraMurilo0505A economia brasileira, que já enfrentava sérias dificuldades, certamente sofrerá impacto significativo da situação gerada pela pandemia do novo coronavírus e das medidas necessárias para desacelerar a contaminação e proteger a todos. Há estimativas de que o encolhimento do Produto Interno Bruto (PIB) em virtude da pandemia pode variar de 5% a 8%, com graves reflexos nas taxas de desemprego e subutilização da força de trabalho, conforme aponta artigo do Observatório da Economia do Le Monde Diplomatique Brasil.


Também é extremamente preocupante a situação da indústria que, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas divulgado na segunda-feira (4/5), está operando em apenas 57,5% de sua capacidade. Tal queda se deu em dois meses, como também aponta o levantamento, posto que em fevereiro esse índice era de 76,2%.


Se já padecíamos com a desindustrialização precoce que afeta o Brasil, agora vivemos grave inutilização do nosso parque fabril, o que significa menos desenvolvimento e inovação e mais eliminação de postos de trabalho de qualidade.


Grave ainda é o quadro na construção que, no final do ano passado, esperava retomada de até 3% nas estimativas mais otimistas, depois de longo período de retração. No entanto, a situação que se coloca desde março já alterou as previsões. “Todas as análises mostram um profundo impacto sobre a demanda e oferta da economia, invertendo assim todos os sinais que antes indicavam crescimento”, informa boletim do SindusCon SP de 28 de abril.

Ou seja, não há ilusões em relação às dificuldades pela frente. Por isso mesmo, é preciso desde já planejar a recuperação. O desafio, sabe-se, exigirá papel forte e eficaz do Estado e não poderá prescindir de participação central da engenharia.


Entre as principais medidas a serem tomadas com esse objetivo e orientação está a retomada das obras públicas paralisadas. Existem milhares delas em todo o País e sua reativação teria impacto imediato na atividade econômica, gerando emprego e renda rapidamente. Além disso, finalizar esses empreendimentos significa entregar equipamentos públicos necessários à população e infraestrutura essencial à produção do Brasil.


Em 22 de abril, o governo federal havia anunciado, sem muitos detalhes, investimentos da ordem de R$ 30 bilhões para concluir cerca de 70 obras de infraestrutura, começando o trabalho em outubro. A estimativa divulgada é que, ao longo do tempo, essas inversões gerem até 1 milhão de empregos.


Apesar de tímido, tendo em vista as necessidades do País, o “Pró-Brasil”, como foi batizado o programa, traz a virtude de apontar para um rumo de ação e avanço, com o Estado assumindo a responsabilidade que lhe cabe: induzir o desenvolvimento. A partir dele, outras iniciativas podem ser desenhadas e efetivadas.


Espera-se, portanto, que as notícias que já circulam nos veículos de comunicação de cancelamento do projeto pelo Ministério da Economia não se confirmem. É preciso que haja compreensão por parte do Executivo e do Congresso da necessidade imperativa de investimentos públicos. Sem esses, não há hipótese de a crise amplificada pelo coronavírus se resolver por vontade do mercado.


A engenharia nacional está a postos para contribuir com a retomada da economia e espera que o poder público cumpra seu papel pelo bem-estar da sociedade brasileira.

Eng. Murilo Pinheiro
Presidente do SEESP

Fonte: Unicamp

O futuro da indústria brasileira frente ao avanço tecnológico acaba de ser delineado por estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Campinhas (Unicamp) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL). A iniciativa, denominada Projeto Indústria 2027, avaliou os impactos de oito tecnologias disruptivas em dez sistemas produtivos, no horizonte de cinco e dez anos. Além de descortinar esse horizonte, o documento traz recomendações às empresas para ampliarem a sua competitividade a partir das vantagens proporcionadas pela inovação. “Esse projeto é um bom exemplo de como a aproximação entre a academia e o setor produtivo pode gerar resultados que contribuam para o desenvolvimento do país”, avalia o professor Mariano Laplane, titular da Diretoria Executiva de Relações Internacionais (Deri) e coordenador do estudo no âmbito da Unicamp.



Foto: Divulgação Unicamp

linha de montagem honda em Sumare SP foto unicampLinha de montagem Honda, em Sumaré (SP)

 

 

Os detalhes do Projeto Indústria 2027, que foi desenvolvido ao longo de 14 meses e contou com a coordenação-geral do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e professor colaborador aposentado do Instituto de Economia (IE) da Unicamp, Luciano Coutinho, foram divulgados na quinta-feira (24/5) pela CNI. Em linhas gerais, o documento, construído pelo esforço de 75 pesquisadores, considera que o setor industrial enfrentará importantes desafios pela frente, mas também terá boas oportunidades para crescer no período analisado. “O Brasil pode e deve pensar em construir o futuro da indústria com ambição, além de ter visão de longo prazo”, entende Luciano Coutinho. “Investir na capacitação de pessoas e de empresas, além de ações por meio de programas e instrumentos coordenados, monitorados e sintonizados às empresas são alguns dos direcionamentos para avançarmos”, acrescenta.

A diretora de Inovação da CNI e superintendente nacional do IEL, Gianna Sagazio, elogia o trabalho realizado por Unicamp e UFRJ e destaca a importância do estudo para orientar o planejamento estratégico das empresas. “O Projeto Indústria 2027 desenhou um cenário até então desconhecido para a indústria brasileira. A disrupção está em curso, mudando modelos de negócio, a forma de produzir, os produtos produzidos. É um novo peso, de influência crescente, na competitividade das empresas e, consequentemente, dos países. Por isso, essa iniciativa da CNI e do IEL é tão importante. É uma contribuição valorosa ao desenho de estratégias nacionais e corporativas para nos direcionarmos rumo ao desenvolvimento”.

Ainda segundo a executiva, construir essa perspectiva e avaliar a capacidade de resposta do Brasil “somente foi possível porque contamos com duas das melhores universidades do país - a UFRJ e a Unicamp - no projeto, além do engajamento das lideranças empresariais da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). O projeto buscou, e conseguiu, aproximar indústria e academia para entender a transformação digital pela qual passamos”.


Mariano Laplane explica que o estudo reuniu dois grupos de pesquisadores das duas universidades: um especializado em pesquisa e inovação e outro nos setores industriais. Os primeiros analisaram quais tecnologias trarão impactos significativos para a indústria ao longo da próxima década. Os segundos fizeram uma avaliação do atual estágio da produção e qual a capacidade dos segmentos de incorporar tecnologias disruptivas. “Depois, fizemos o cruzamento das avaliações. Para chegarmos às conclusões contidas no estudo, nós também promovemos várias rodadas de discussão, entrevistamos centenas de empresários e consultamos especialistas do exterior, por meio de parcerias com a Universidade de Cambridge e com a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] em Paris”, detalha.


De acordo com o coordenador do Projeto Indústria 2027 na Unicamp, a mensagem que emergiu desse esforço de investigação foi que tanto no plano doméstico quanto no internacional as novas tecnologias trarão grande impacto para o desenvolvimento industrial. “Entretanto, segundo os especialistas, a incorporação da inovação por parte das empresas não ocorrerá naturalmente. Há uma série de obstáculos a serem superados, tanto dentro quanto fora das corporações.  No âmbito das empresas, há a questão, por exemplo, da adaptação da produção às novas tecnologias. No âmbito da sociedade, há questões fundamentais a serem discutidas, como a segurança cibernética e a privacidade dos cidadãos no mundo digital”, pondera.

O cenário desenhado pelo estudo, reafirma Mariano Laplane, abre inúmeras oportunidades para a indústria brasileira, mas é preciso saber aproveitá-las. “Temos que estar preparados, pois essas oportunidades serão rapidamente capturadas. Do contrário, teremos que pagar royalties pelo uso de determinadas tecnologias. Nunca é demais lembrar que o Brasil possui atributos muito positivos, como biodiversidade, clima, população ainda jovem e um enorme mercado interno. Temos condições de sermos originais, de sermos criativos. Não temos capacidade de liderar esse processo, visto que enfrentamos um momento importante de fragilidade política e econômica, mas podemos participar do jogo”, pontua o docente.

Uma boa maneira de se empregar as novas tecnologias, afirma Mariano Laplane, é aplicá-las na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros, por meio da qualificação de setores como educação, saúde, segurança e transporte. “Obviamente, a sociedade terá que participar desse processo e manifestar o seu desejo. O governo, por seu turno, terá que agir e incluir essas questões na sua agenda. Nunca é demais lembrar que o mundo passou por três revoluções industriais. Estas não somente transformaram os modos de produção, mas também mudaram comportamentos e modos de vida”, finaliza.

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Da Agência Sindical

A Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (Fitmetal), filiada à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), realiza em conjunto com outras entidades a primeira mesa de um Ciclo de Debates sobre a necessidade de reindustrializar o Brasil. O evento começou nesta terça-feira (15/08), na sede do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na Rua Aurora, 957, 1º andar, Centro de São Paulo.

Com o tema “Indústria e Desenvolvimento”, a mesa inicial de debates tinha como convidados o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro e professor da Fundação Getúlio Vargas; do sociólogo Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese; e da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho do Instituto de Economia, da Universidade Estadual de Campinas (Cesit/IE-Unicamp).


A Agência Sindical entrevistou o presidente da Fitmetal, Marcelino da Rocha, que falou sobre o evento. "Há uma ansiedade dos participantes pelo tema”, conta, lembrando que a perspectiva é que 2017 feche com “o pior e menor índice de participação da indústria no Produto Interno Bruto”.

“É praticamente unânime entre os economistas que o desenvolvimento é uma falácia em qualquer país no mundo, com mais de 25 milhões de habitantes, que não tem investimento na indústria", ressaltou Rocha.

O sindicalista defende a organização e a unidade sindical na construção de um novo projeto nacional, com base no fortalecimento da indústria. “É impressionante como estão jogando o Brasil na lata do lixo. Estão criando um País que não produz, que não investe em infraestrutura, onde não há intervenção do Estado nas relações de mercado, que não gera emprego, não gera renda”, denunciou.

 

Comunicação SEESP

 

 

 

 

Toda semana a Agência Sindical produz um vídeo colocando em debate as pautas do mundo do trabalho. O entrevistado dessa semana é o presidente do SEESP, Murilo Pinheiro, falando sobre as lutas dos engenheiros. “A indústria traz emprego, oportunidade, crescimento e desenvolvimento para o País (...) Pensar na indústria é importante”, diz Murilo ao jornalista João Franzin sobre uma das principais bandeiras da engenharia, a luta em defesa da indústria nacional.

O setor industrial representa hoje apenas 13% do Produto Interno Bruto (PIB), conta Murilo, e isso se dá por falta de uma política de reindustrialização. A liderança dos engenheiros ressalta que, para reverter esse quadro e apostar no crescimento e desenvolvimento do Brasil, frente às crises enfrentadas, é necessário levantar a bandeira da educação. “Para a indústria crescer é preciso ter bons profissionais”, diz. Nesse aspecto, Murilo classifica a iniciativa da primeira faculdade custeada por um sindicato, o Instituto Superior de Tecnologia e Inovação (Isitec), como a “contribuição do SEESP à sociedade”.

O presidente do SEESP ainda falou da medida do governo que reduziu a participação do conteúdo local na exploração de petróleo e gás. “É fundamental que (a medida) seja revista, para que se dê oportunidade as nossas indústrias (...)  Sem isso perdemos o trabalho dos engenheiros brasileiros que têm o conhecimento, o know-how”, afirma.

A Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento – presidida pelo deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL) – e o movimento Engenharia Unida também estiveram em pauta. Sobre as constantes propostas da União que ferem os direitos dos trabalhadores, Murilo ensina: “Temos que ter o pessimismo na análise, mas temos que manter o otimismo na busca do resultado, de melhorias, no debate.”

Assista:

 

https://www.youtube.com/watch?v=6ZdzJoeLP4M

 

 

 

Jéssica Silva
Comunicação SEESP
Com informações da Agência Sindical

 

 

 

 

Murilo Pinheiro*

Interrompendo o debate que vinha acontecendo com representantes da engenharia e do setor produtivo, o governo definiu em 22 de fevereiro último as regras para conteúdo local mínimo exigido para as empresas que participarem dos próximos leilões para exploração de gás e petróleo. Estabelecendo uma redução média de 50% nos diversos itens, na prática, o comitê interministerial responsável pela medida pode ter excluído a indústria nacional dos futuros empreendimentos. Isso principalmente porque, ao fixar padrão global de 25% para meios flutuantes (plataformas e navios de apoio), permite às petroleiras cumprirem a norma sem comprar qualquer máquina ou equipamento nacional, lançando mão apenas de serviços com baixo valor agregado e sem tecnologia.

Tal decisão prejudica o País no curto prazo, pois deve provocar dezenas de milhares de demissões no setor industrial, que se verá sem a importante demanda da área de petróleo. Nossa estimativa é que nessa dizimação da área técnica, percam-se cerca de 5 mil engenheiros dos mais qualificados. Ou seja, agrava-se o desemprego num momento em que esse já atinge 13 milhões de trabalhadores no Brasil.

Porém, ainda pior é o potencial que essa determinação, tomada sem levar em conta os alertas feitos pela engenharia brasileira, tem de prejudicar os nossos anseios de desenvolvimento nacional. Afortunado por possuir reservas importantes de petróleo, o Brasil teve a competência também de desenvolver tecnologia de ponta para explorar essa riqueza. Mas não podemos ser simplesmente exportadores de óleo bruto para que outros países usufruam a riqueza que o setor pode gerar. Devemos aproveitar essa oportunidade para o nosso desenvolvimento tecnológico e industrial, para gerar empregos de qualidade e boas condições de vida a nossa população.

Ou seja, mais que lamentar tal encaminhamento por parte do governo brasileiro, precisamos nos mobilizar para reverter essa decisão. A Engenharia Unida, mobilização dos profissionais da área tecnológica e das inúmeras entidades que os representam, nasceu como alternativa para contribuir na busca de saídas à crise que assola o Brasil. No momento, um foco dessa ação é certamente a defesa da indústria nacional e do papel que pode ter no importantíssimo setor de petróleo e gás.

Ainda, é preciso preservar a Petrobras como fundamental empresa brasileira com capacidade de fazer e induzir investimentos de relevância para criar movimentos positivos na economia. E, por fim, é necessário que as grandes empresas nacionais voltem a atuar e a empregar. É preciso que a punição por crimes cometidos recaia sobre os responsáveis, não sobre o conjunto da sociedade brasileira.

 


Murilo Pinheiro é presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e do SEESP

 

 

 

 

 

A revogação da participação obrigatória da Petrobras na exploração do pré-sal, aprovada ontem (24) pelo Senado, tirando da estatal a obrigatoriedade de explorar no mínimo 30% dos campos licitados, vai provocar estragos na indústria brasileira que atua com o fornecimento de equipamentos para a exploração, como as plataformas e sondas, segundo afirmou hoje (25) à RBA o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli.

“O grande efeito de não ter um operador só é que com isso você perde escala. E ao perder escala fica muito mais difícil implementar uma política de conteúdo nacional que estimule o crescimento da indústria brasileira de fornecedores, porque você dificilmente vai consolidar plantas para produzir poucas unidades, que cada operador vai buscar no mercado. Então, você vai ter na verdade um estímulo à importação de plataformas, sondas, equipamentos submersos, portanto, vai dificultar ainda mais o crescimento da indústria brasileira de fornecimento para a Petrobras”, afirmou.

Além disso, Gabrielli é crítico à forma de atuação do governo, compondo com o PMDB e a oposição para aprovar o substitutivo do senador Romero Jucá (PMDB-RR) que retira a obrigatoriedade, mas mantém a preferência da empresa.

“Eu fiquei muito decepcionado com o governo, é um equívoco político incomensurável. A avaliação que os senadores tinham é que com um pouco de pressão sobre o governo você teria condições de aprovar a rejeição ao projeto de lei. Portanto, o acordo feito, para mim, é um acordo espúrio e que tem uma falsidade, porque tentar dizer que deixar de ser operadora única para ser operadora preferencial é melhor. É uma falsidade porque o problema não está em ser preferencial ou não, mas está em ter uma política de Estado que no longo prazo viabilize que toda a grande acumulação de conhecimento será apropriada nacionalmente. E que você tenha escala suficiente para viabilizar a construção de uma indústria nascente, que vai ter de crescer para ter condições competitivas internacionais, fornecendo bens e serviços para a indústria de petróleo.”


Foto: Agência Brasil
Gabrielli 
Gabrielli: "Esse projeto deve ser derrubado. Vou tentar participar de toda a campanha junto aos deputados"

 

Como o sr. vê a aprovação pelo Senado da Lei de Partilha do pré-sal, tirando da Petrobras a obrigatoriedade de operação nos campos do pré-sal?
Eu acho muito ruim a aprovação que foi feita. É uma grande falácia dos que defendem a mudança do projeto de lei de partilha. Não há necessidade de mudança desse projeto de lei no momento. Os preços do petróleo estão baixos, apesar da expectativa de eles subirem mais adiante. Portanto, não há necessidade de acelerar os leilões agora.

A segunda razão é que o país não precisa acrescentar novas reservas, pois nós temos mais de 14 anos de reservas garantidas com o petróleo já descoberto. Nós estamos com as áreas já concedidas e seremos o segundo país que mais cresce em produção de petróleo no mundo até 2020, segundo relatório da Agência Internacional de Energia, de anteontem.

Além disso, a Petrobras está em uma crise financeira de curto prazo da qual ela sairá com certeza, pela sua capacidade, pelo seu tamanho e pelo seu portfólio, em dois ou três anos. Portanto, não é uma coisa permanente que vai inviabilizar a Petrobras, pois ela tem capacidade financeira de investir, e por fim só interessa essa mudança às empresas internacionais que só podem entrar no pré-sal com a Petrobras sendo a operadora.

Para mim, esse projeto deve ser derrubado. Eu vou tentar participar de toda a campanha junto aos deputados. O projeto deve ser rejeitado na Câmara dos Deputados e se não for rejeitado, deveria ser vetado pela presidenta Dilma Rousseff. É um projeto de lesa-pátria, que só faz abrir a possibilidade de a Petrobras perder a posição que ela pode ter no desenvolvimento da riqueza brasileira.

Mas e o desenvolvimento tecnológico para exploração do pré-sal?
O desenvolvimento tecnológico já consolidado na exploração do pré-sal não fica perdido por conta desse projeto. Mas, na indústria de petróleo, a empresa operadora é aquela que desenvolve mais tecnologia e aprende mais com o processo. A indústria do petróleo tem um desenvolvimento tecnológico que tem muito da operação dos campos, porque combina engenharia com geologia e, neste caso, a geologia é específica.

Consequentemente, o desenvolvimento tecnológico vem da experiência da operação. E se você deixar de ser operador único, você deixa de acumular novas experiências. Isso é um problema para o futuro, não quer dizer que as tecnologias já desenvolvidas serão perdidas. De jeito nenhum. Mas o desenvolvimento de novas tecnologias vai ficar limitado.

Qual o impacto do projeto do Senado?
O grande efeito de não ter um operador é que com isso você perde escala. E ao perder escala fica muito mais difícil implementar uma política de conteúdo nacional que estimule o crescimento da indústria brasileira de fornecedores, porque você dificilmente vai consolidar plantas para produzir poucas unidades, que cada operador vai buscar no mercado. Então, você vai ter na verdade um estímulo à importação de plataformas, sondas, equipamentos submersos. Portanto, você vai dificultar ainda mais o crescimento da indústria brasileira de fornecimento para a Petrobras.

As críticas dos movimentos sociais quanto à soberania do país têm fundamento?
Em minha opinião, a gente vai perder a capacidade de ter benefícios na sociedade brasileira pela criação de um setor produtor de bens e de serviços para a indústria de petróleo. Entre os operadores, cada um vai buscar seu fornecimento internacional provavelmente.

E os royalties para a educação previstos na Lei de Partilha?
Eu acho que é uma ilusão, se você acelerar os leilões do pré-sal você não terá resposta, em termos de royalties, nos próximos cinco anos por uma questão de tempo necessário à maturação dos projetos. Não há como fazer um leilão agora em 2016 e ter produção antes de 2021. É difícil acelerar os leilões, utilizando o fato de que a Petrobras não pode participar agora, portanto, faz o leilão e as empresas internacionais participam. Isso não quer dizer que vai aumentar a produção nos próximos cinco anos e não haverá aumento dos royalties.

Como aumentar os royalties seria outra questão. Isso seria mais fácil se você conseguisse acelerar os investimentos da Petrobras e das outras empresas nos campos já concedidos. Porque aí você tem potencial de aumentar a produção. Na verdade, existem hoje recursos e hidrocarbonetos que permitem a você mais do que dobrar a produção em 2020 desde que acelere os investimentos. O grande problema que nós temos para aumentar royalties é basicamente acelerar ou não os investimentos da Petrobras.

Os royalties sobre a produção em si não estão ameaçados?
Eu acredito que essa é a primeira parte de uma luta para destruir toda a lei, provavelmente isso também vai ser mudado adiante. Uma vez derrotada a função da Petrobras como operadora única, a campanha contra a partilha de produção e contra os recursos para o fundo social vai vir também, é um processo natural, a meu ver, do desmantelamento do projeto de lei de 2010.

Como o sr. viu a atuação do governo na votação de ontem?
Eu fiquei muito decepcionado com o governo, é um equívoco político incomensurável. A avaliação que os senadores tinham é que com um pouco de pressão sobre o governo você teria condições de aprovar a rejeição ao projeto de lei. Portanto, o acordo feito, para mim, é um acordo espúrio e que tem uma falsidade porque tentar dizer que deixar de ser operadora única para ser operadora preferencial é melhor. É uma falsidade porque o problema não está em ser preferencial ou não, mas está em ter uma política de Estado que no longo prazo viabilize que toda a grande acumulação de conhecimento será apropriada nacionalmente. E que você tenha escala suficiente para viabilizar a construção de uma indústria nascente, que vai ter de crescer para ter condições competitivas internacionais, fornecendo bens e serviços para a indústria de petróleo. Essas duas coisas não são possíveis com essa preferência da Petrobras.

Como o sr. vê esse cenário internacional de preços reduzidos do petróleo?
Há um componente, digamos, de disputa de market share na redução desses preços do petróleo. Há um excesso de oferta hoje no mundo, e esse excesso decorre de uma decisão da Arábia Saudita, principalmente, de não ser mais um produtor de ajuste do mercado. Porque a Arábia Saudita fazia o papel de ajuste: toda vez que havia um aumento na produção dos outros, ela diminuía sua própria produção, e o mercado se mantinha relativamente equilibrado. A partir de novembro de 2014, a Arábia Saudita decidiu não fazer mais esse papel, porque viu que os Estados Unidos estavam crescendo muito sua produção de gás de xisto e óleo de petróleo, e ela decidiu aumentar a produção para baixar os preços e ao fazer isso tirar do mercado os produtores de maior custo.

É evidente que está demorando mais do que eles esperavam (para aumentar os preços), mas já se começa a evidenciar que a produção americana tende a diminuir. Por outro lado, o crescimento da posição do acordo que os Estados Unidos fizeram com o Irã para a questão nuclear deu ao Irã uma vontade de aumentar sua participação no mercado internacional de petróleo. O Irã tende a tentar aumentar a produção, substituindo parte de produção da Arábia Saudita. Pode existir a tendência de o preço do petróleo permanecer baixo por muito tempo. Mas tem um outro lado: essas questões de petróleo para esses países representam a maior parte de sua receita fiscal. Manter o preço do petróleo muito baixo vai aumentar o déficit fiscal desses países, vai criar problemas para suas políticas de Estado.

Portanto, mais cedo mais tarde terão de dar uma controlada na sua posição para viabilizar que o preço suba. Já tem uma primeira tentativa agora, que é Arábia Saudita, Catar, Venezuela e Rússia, que se comprometeram – e a Rússia não é da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) – a congelar a produção de janeiro de 2016, e com isso você não tem mais pressão para o preço cair. Eu acredito que em 2016 nós vamos ter preços relativamente estáveis nessa faixa dos US$ 30 ou US$ 35 o barril, mas de 2017 em diante teremos certa recuperação por conta das necessidades fiscais dos grandes produtores. A Rússia está com a economia muito afetada pela indústria do petróleo; a Arábia Saudita já começou a sentir grande problema no déficit do governo; a Venezuela tem graves problemas nessa questão. Portanto, vai haver algum ajuste da produção.

 

 

Fonte: Rede Brasil Atual

 

 

 

 

 

 

Entre as novas medidas para recuperar a competitividade do setor, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) defende a redução do custo de energia elétrica, a extensão a mais setores da desoneração da folha de pagamento, a dinamização dos investimentos em aeroportos e a concessão à iniciativa privada das administrações dos portos. “Estamos esperando para agosto um novo pacote de medidas. É preciso dar incentivos para a indústria crescer”, afirma o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade.

O dirigente diz que as medidas do Plano Brasil Maior, somadas à redução dos juros e à liberação de recursos para investimentos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), devem ajudar a economia brasileira a se recuperar apenas em 2013.

“Não acreditamos em uma retomada no segundo semestre [deste ano] porque a indústria ainda está com estoques muito elevados, mas a tendência é que melhore. Para 2013,  prevemos um crescimento da economia em torno de 3% ou 4%. Todas essas medidas levam um tempo para surtir efeito, mas um bom resultado é que elas já estão aumentando o otimismo e revertendo a expectativa negativa dos empresários”, declarou Andrade.

As questões e as propostas de ampliação do Plano Brasil Maior foram discutidas na reunião do Fórum Nacional da Indústria, na última semana, e serão encaminhadas por Andrade ao governo federal na reunião do CNDI (Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial) marcada para o próximo dia 2 de agosto. O CNDI é o organismo responsável pela gestão do Plano Brasil Maior.

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa – SEESP
* Com informações da CNI



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