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A Delegacia Sindical do SEESP, no Grande ABC, destaca notícia veiculada na imprensa local de que a Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo pretende utilizar o transporte sobre as águas para levar passageiros da região da Billings. O sistema vai utilizar um barco chamado de catamarã. De acordo com a prefeitura, uma empresa foi contratada para realizar o projeto funcional do sistema.

A ideia é integrar o transporte por catamarã com os corredores de ônibus que a prefeitura vai construir, diminuindo o tempo de viagem de moradores que estão em bairros como Santa Cruz e Tatetos e precisam chegar ao Centro.

"O objetivo do catamarã é fazer a integração dos bairros no entorno da Billings. Vamos estudar quais os bairros que poderia, ao invés de você botar a linha de ônibus, colocar o transporte fluvial", afirma o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho. A estimativa da Prefeitura é que o transporte hidroviário beneficie cerca de 15 mil pessoas.

Inspiração
O principal exemplo de transporte fluvial que inspirou o projeto de São Bernardo está em Porto Alegre. Desde 2011 está em funcionamento uma linha operada por catamarã, que liga a capital gaúcha à cidade de Guaíba.

São disponibilizados 14 horários, com intervalos de 60 minutos entre eles, durante a semana. A viagem possui, em média, duração de 20 minutos. O preço da tarifa cobrada por trecho é de R$ 7,35.

Em São Bernardo, os passageiros vão seguir de catamarã pela Billings até o Corredor Alvarenga. A Secretaria de Transportes e Vias Públicas estima que o trajeto será feito em cerca de 40 minutos. Hoje, os moradores que precisam chegar à região central precisam pegar um ônibus no Riacho Grande.


 

Fonte: Repórter Diário









A Usina Hidrelétrica de Itatinga, em Bertioga, foi construída pela Companhia Docas de Santos (Codesp), iniciada em 1906 e inaugurada em 1910, para fornecer energia ao Porto de Santos. Por muitos anos, alimentou todo o complexo portuário e vendia o seu excedente às cidades vizinhas. Passados mais de 100 anos, as mesmas máquinas permanecem operando, gerando os mesmos 15 megawatts, suficientes para 70% do porto de hoje.

Todos os equipamentos do complexo hidrogerador, incluindo cinco turbinas de quatro toneladas e cinco geradores de oito toneladas, o pesado material da construção do prédio, das linhas de tubos, cabos e torres da linha de transmissão de 30 km de extensão, tudo isso foi transportado por embarcações navegando no canal de Bertioga. Por quase 100 anos esse caminho fez parte da logística da Usina de Itatinga.

Hoje, o transporte entre o porto e a Usina de Itatinga é feito pela Rio Santos (BR 101) e no canal de Bertioga navegam muitos barcos de recreio. Por falta de estratégia e planejamento, não utilizar essa via para transporte de carga promove retardo no progresso regional.

Histórica e logisticamente, o Porto de Santos sempre manteve uma relação estratégica pouco expressiva com o desenvolvimento da Baixada Santista. Léa Goldenstein (1972) em sua tese de doutorado põe luz sobre essa questão: ”Santos manteve-se até a década de 50 como porto de exportação e importação de produtos primários. Manteve-se quase como porto do Planalto e sua participação direta no processo de industrialização que já se iniciara no país era quase nula.” É nessa década que começa a lenta e fértil mudança de perfil de Cubatão, que substituirá a economia da banana pelo polo industrial petroquímico.

Todavia, o Porto de Santos fez do Estado de São Paulo o mais desenvolvido do Brasil e levou progresso para muitas outras regiões, como o Centro-Oeste. Mas, é preciso entender que o crescimento do complexo portuário não é um fim em si, ele deve ser meio de progresso, com prioridade para a sua região da Baixada Santista. Por isso, ele deve ser estendido a todos os nove municípios que a compõem.

Para mostrar as possibilidades de globalizar a nossa economia regional por meio do porto, apresentamos, na Codesp, uma ideia para construção de uma Rede Hidroviária da Baixada Santista. Ela seria formada pelos rios Branco, Mariana, Piaçabuçu e o canal de Bertioga.

Ao mesmo tempo, é viável pensar a construção de um porto industrial em Bertioga, utilizando o seu canal de navegação como infraestrutura de ligação com o maior porto do Hemisfério Sul. Essa transfusão econômica fantástica vai possibilitar a instalação de plantas industriais também na área continental de Santos e de Guarujá, não poluentes e com logística muito competitiva.

As águas calmas para mover as pás do porto indústria fluem pelo seu canal, onde anualmente ocorre a tradicional Maratona de Natação 14 Bis. Igual a percorrer a raia de 42 km de natação, colocar barcaças navegando como logística deste porto vai representar muitas oportunidades de vitória.

 

* por José Antonio Marques Almeida, diretor adjunto do SEESP e funcionário da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp)









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