GRCS

Entrevista

 

O povo brasileiro aguarda, com a respiração suspensa, a entrega à presidência da República do relatório da CNV.

Instituída em maio de 2012 teve até agora o tempo de prepará-lo, com audiências, entrevistas, depoimentos e investigações cobrindo o período de 1946 a 1988, mas concentrando-se em apurar as violações dos direitos humanos com a anuência do Estado durante a ditadura: assassinatos, sequestros, torturas, ocultamento de cadáveres, intervenções em sindicatos e outros terrores.

Além de produzir o relatório, os trabalhos da CNV deram força a uma série de iniciativas de comissões estaduais, comissões setoriais e ensejaram na grande mídia esclarecedoras coberturas sobre os crimes da ditadura.

No âmbito da CNV foram criados inúmeros grupos de trabalho.

Em cerimônia realizada segunda-feira, 8 de dezembro, na sede do sindicato dos Engenheiros, o grupo de trabalho “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical” entregou à comissária Rosa Cardoso suas recomendações à CNV. Das 43 recomendações apresentadas pelo GT, a CNV incorporou em seu relatório final, 18, o que demonstra, seja a seriedade do trabalho da CNV, seja a efetiva contribuição do GT.

Estimuladas pela regência da doutora Rosa, que como uma maestrina afinou os instrumentos das centrais sindicais e conseguiu executar a unidade de ação das dez centrais sindicais participantes (pela ordem em que assinam o folheto: CGTB, CSB, CSP, CTB, CUT, FS, Intersindical I, Intersindical II, NCST e UGT) inúmeras entidades apresentaram trabalhos sobre a memória da repressão; cito os do Centro de Memória Sindical, os do sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e os do sindicato dos Bancários de Santos.

A parte emocionante do evento correu por conta dos depoimentos de Mello Bastos (em filme), Clodesmidt Riani e Raphael Martinelle, dirigentes do Comando Geral dos Trabalhadores.

A luta continua.

 

* por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical do SEESP e da FNE

 

 

 

 

 

 

 

 

O Ministério Público Federal denunciou nesta segunda-feira (22/9), três militares pela morte do jornalista e militante político Luiz Eduardo da Rocha Merlino em julho de 1971. Ele era integrante do Partido Operário Comunista (POC) e foi morto após intensas sessões de tortura nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do II Exército (DOI) em São Paulo. O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, o delegado Dirceu Gravina e o servidor aposentado Aparecido Laertes Calandra são acusados por homicídio doloso qualificado. O médico legista Abeylard de Queiroz Orsini, que assinou laudos sobre o óbito de Merlino, também foi denunciado e responderá por falsidade ideológica.

Merlino foi preso em Santos em 15 de julho de 1971 e levado à sede do DOI. Lá, o então major Ustra, que comandava a unidade, e seus subordinados à época (Gravina e Calandra) submeteram o jornalista a práticas ininterruptas de tortura durante 24 horas. Eles queriam extrair da vítima informações sobre outros integrantes do partido, principalmente a companheira do militante, Angela Mendes de Almeida. Após as agressões, Merlino tinha ferimentos por todo o corpo e não conseguia sequer se erguer. Apesar do quadro grave, ele não recebeu atendimento médico e só foi encaminhado ao Hospital Militar do Exército quando já estava inconsciente.

Consultado sobre a necessidade de amputação de uma das pernas do paciente, Ustra determinou que os servidores do hospital deixassem-no morrer, para evitar que sinais da tortura fossem evidenciados. Merlino faleceu em 19 de julho, em decorrência das graves lesões que as sessões de tortura provocaram. O chefe do DOI ordenou ainda a limpeza da cela onde o militante foi mantido e criou uma versão falaciosa para ocultar as causas da morte.

ATROPELAMENTO. Segundo a versão criada por Ustra, Merlino teria se atirado sob um carro durante uma tentativa de fuga. Ele estaria sob escolta a caminho de Porto Alegre para identificar outros militantes, quando um descuido dos policiais teria permitido a evasão do jornalista, que então teria se jogado embaixo de um veículo na BR-116, altura de Jacupiranga. Para tornar a história verossímil, Ustra mandou que um caminhão a serviço das forças de repressão passasse por cima do corpo de Merlino e deixasse marcas de pneus.

No Instituto Médico Legal, o médico legista Abeylard de Queiroz Orsini endossou a versão de Ustra ao assinar o laudo sobre a morte, em conjunto com outro servidor do IML, Isaac Abramovitch, já falecido. Apesar de saberem as circunstâncias em que Merlino foi morto, ambos omitiram as agressões no documento e atestaram o atropelamento como causa do óbito. Na década de 1990, peritos revelaram uma série de inconsistências nos laudos sobre Merlino e outros militantes políticos mortos na época, todos subscritos por Orsini.

PEDIDOS. Além da condenação por homicídio doloso e falsidade ideológica, o MPF quer que Ustra, Gravina, Calandra e Orsini tenham a pena aumentada devido a vários agravantes, como motivo torpe para a morte, emprego de tortura, abuso de poder e prática de um crime para a ocultação e a impunidade de outro. Os procuradores querem também que a Justiça Federal determine a perda do cargo público que os denunciados ocupam atualmente e o cancelamento de aposentadoria concedida ou qualquer outra forma de provento que recebam. Por fim, requerem que, enquanto tramitar o processo, Gravina seja afastado cautelarmente do cargo de Delegado de Polícia Civil, bem como que seja vedado a Orsini o exercício da medicina.

Os procuradores destacam que não se pode falar em prescrição ou anistia nos crimes relatados. “Os delitos foram cometidos em contexto de ataque sistemático e generalizado à população, em razão da ditadura militar brasileira, com pleno conhecimento desse ataque, o que os qualifica como crimes contra a humanidade – e, portanto, imprescritíveis e impassíveis de anistia”, diz trecho da denúncia.

Os membros do MPF citam uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, proferida em novembro de 2010, que determina que o Brasil não pode criar obstáculos à punição de crimes contra a humanidade. Além disso, mencionam um recente parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, segundo o qual deve ser afastada qualquer interpretação que afirme estarem os delitos contra a humanidade cobertos por anistia ou prescrição.

O número para acompanhamento processual é 0012647-98.2014.4.03.6181. Para consultar o andamento, acesse http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/.

 

 

 

Fonte: Assessoria do Ministério Público Federal

 

 

 

 

 

 

 

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. A frase do publicitário de Hitler, Joseph Goebbels, se encaixa nas narrativas de matérias jornalísticas divulgadas nesta semana sobre os 50 anos do Golpe Militar no Brasil, ocorrido no dia 1º de abril de 1964. A ideia de que João Goulart caiu após ter sido descoberto seus planos para um golpe comunista é repetida desde aquela época pela chamada grande mídia para justificar o injustificável. No entanto, pesquisas do Ibope feitas na ocasião (e não divulgadas) mostram que uma das principais plataformas de Jango tinha sim um forte apoio popular: a reforma agrária. A política econômica do presidente derrubado também tinha apoio da maioria.
 

Foto: Lúcia Rodrigues
homenagem doi codi
Multidão comparece na homenagem aos mortos e desaparecidos políticos durante o regime militar


No Brasil da década de 1960, presidente e vice-presidente eram escolhidos em eleições simultâneas, mas separadas. Foi o que possibilitou a eleição de uma chapa que apontava em direções distintas: Jânio Quadros como presidente (pela coalizão PTN-PDC-UDN-PR-PL) e João Goulart como vice. Quadros renunciou e Goulart, eleito pela coalizão liderada pelo PTB, sob forte oposição dos militares, só assumiu com a aprovação do parlamentarismo, costurado num acordo feito por Tancredo Neves (do PSD). Mais tarde, a população apoiou em plebiscito a volta do presidencialismo, numa clara demonstração de apoio ao projeto trabalhista de Jango.

A imprensa brasileira tinha uma postura ainda menos nacionalista. Em meio à diversidade de jornais, Jango só contava com a Última Hora, de Samuel Wainer, e a TV Excelsior, do empresário Mário Wallace Simonsen. Em São Paulo tanto a Folha de S. Paulo quanto O Estado de São Paulo faziam fortes críticas ao governo. Os empresários Octávio Frias e os irmãos Mesquita se ligaram ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), uma espécie de Instituto Millenium anabolizado, determinado a combater “o avanço do comunismo soviético no ocidente”. O IPES aglutinou, organizou, propagandeou e financiou, ainda que indiretamente, a derrubada de Jango. Na Guanabara, o mesmo papel era feito pelos jornais O Globo, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Tribuna da Imprensa.

Como Jango ocupava o Palácio do Planalto, havia dúvidas se poderia se candidatar em seguida (não havia, à época, o instituto da reeleição). Na ausência dele, os candidatos mais fortes seriam o ex-presidente Juscelino Kubistchek (PSD) e o direitista Carlos Lacerda. Porém, as pesquisas demonstram que o candidato puro sangue da direita tinha poucas possibilidades de bater o centrista JK.

Este preâmbulo é necessário para apresentar as pesquisas que Luiz Antonio Dias, chefe do Departamento de História da PUC de São Paulo, resgatou dos arquivos. Professor do programa de pós graduação de História da PUC-SP e de Ciências Humanas da Unisa, ele analisa algumas dessas pesquisas, feitas em 1963, em um capítulo do livro “O jornalismo e o golpe de 1964: 50 anos depois”, que será lançado em abril no evento Mídia e memórias do autoritarismo, que acontecerá na Escola de Comunicação da UFRJ. Nas pesquisas, o apoio a Jango é identificado nas camadas sociais mais pobres e era esmagador no Nordeste, onde o projeto da reforma agrária tinha grande ressonância.

pesquisa reforma agraria no gov jango 

pesquisa reforma agraria no gov jango 2

 


"Jango durante muito tempo foi criticado pela esquerda e a direita. Os conservadores diziam que ele era um 'comunista' propenso a transformar o Brasil “numa nova Cuba”. Besteira grossa, sem fundamento. Jango era um líder trabalhista, queria reformas – mas dentro da ordem democrática", avalia o jornalista Altamiro Borges, coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em um artigo recente publicado sobre o tema. Ao contrário do que se alardeia em editoriais e matérias da mídia conservadora, o golpe não era inevitável. Jango foi derrubado pela direita conservadora que apoiava Carlos Lacerda, seu opositor, com apoio de amplos setores da Igreja Católica, dos Estados Unidos e da "mídia velhaca" como chama Altamiro no mesmo artigo, publicado em seu blog.

Homenagem no DOI-Codi

Um dos mais emblemáticos centros de repressão no período da ditadura foi o palco escolhido para a “descomemoração” dos 50 anos do golpe civil-militar. Durante toda a manhã de segunda-feira (31), mais de mil pessoas ocuparam o pátio externo do atual 36º Distrito Policial, entre os bairros da Vila Mariana e do Paraíso, zona sul de São Paulo, próximo da sede do II Exército. Era parentes, ex-presos políticos, representantes de organizações ou simplesmente pessoas solidárias às vítimas do regime militar. Ali funcionava o DOI-Codi, por onde passaram até 8 mil presos políticos e morreram mais de 50, segundo os cálculos de entidades de direitos humanos. Alguns voltaram ao local hoje, em ato também interpretado como uma revisão histórica no cinquentenário do golpe.


Uma lona foi erguida no pátio, um palco foi montado e um telão instalado na área símbolo da ditadura. Para a advogada Rosa Cardoso, integrante da Comissão Nacional da Verdade (CNV), a escolha do local ajuda a transmitir a “ideia de que sofremos, fomos desfigurados, fomos traumatizados, mas sobrevivemos”. Segundo ela, ali funcionava um “centro de referência de extermínio”, onde se desenvolveu a “tecnologia da repressão”.

Censura

Não existe mais censura, afirma Audálio Dantas, ex-deputado e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, entidade que dirigia quando foi morto o então diretor de Jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog, em 1975. No entanto, faz uma ressalva sobre os grandes veículos de comunicação, que continuam a praticá-la por conta própria. Para ele, falta uma democracia “que seja de fato um instrumento ao alcance de todos”. A tortura segue sendo praticada em delegacias. “E temos uma polícia que é contra o povo, em vez de defender o povo, principalmente o mais humilde.”


O deputado estadual Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo, que leva justamente o nome de Rubens Paiva, recorda o momento de sua prisão, naquele mesmo local, em 1973. "Cheguei aqui neste pátio. O major veio me pegar aqui, neste pedacinho... Estavam lavando a cela-forte, tinham acabado de matar o Alexandre (Vannuchi). Ele falou: 'Acabei de matar aquele filho da puta, mandei ele para a Vanguarda Popular Celestial. Vou te mandar pra lá também'", recorda.

A sigla era referência à VPR, Vanguarda Popular Revolucionária, onde militava o então estudante da USP. "Se eu disser que que estou aqui à vontade, que estou tranquilo, que perdi totalmente o medo, o trauma... Tem noites que eu passo mal, que estou agitado", afirma o deputado, que passou 90 dias na solitária. "Fiquei quase louco."

Escracho


Foto: Levante Popular da Juventude
escracho ustraCartazes, faixas e pichações foram feitas na casa onde mora Ustra


Também ocorreu na segunda, véspera do dia em que o Golpe Civil-Militar completa 50 anos, um escracho organizado por movimentos Levante Popular da Juventude, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em frente à casa do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. O ato de  repúdio foi realizado no local para lembrar que Ustra foi o responsável por mais de 500 sessões de tortura em pessoas que lutavam contra a ditadura militar no Brasil. Hoje com 81 anos, ele foi o único torturador da história do Brasil a receber uma condenação da Justiça, porém continua solto.

 

Imprensa - SEESP
Com informações da Rede Brasil Atual, Blog do Miro e VioMundo









O golpe de 1964, que está completando 50 anos, deu início a duas décadas de autoritarismo, que até hoje têm reflexos sobre a vida brasileira. O Jornal Unesp lança luzes sobre esse período, com uma reportagem de capa sobre um importante recurso de comunicação usado pela oposição ao regime militar: os cartazes. No Brasil e no exterior, eles foram veículos para denunciar os abusos cometidos, divulgar a campanha pela anistia a presos políticos e exilados e organizar diversos setores da sociedade, como trabalhadores, mulheres e estudantes. A matéria recorre às imagens contidas no livro Os cartazes desta história, que utilizou principalmente o acervo do Centro de Documentação e Memória da Unesp.

O Caderno Fórum também se volta para esse momento histórico. Por meio de análises e, em alguns casos, pelo relato de experiências pessoais, os especialistas abordam a ascensão, o auge e o declínio dos governos militares e seus desdobramentos na história recente.

A dinâmica do setor rural do país é mais um assunto da edição. Uma reportagem apresenta artigo de pesquisadores brasileiros publicado na revista Nature Climate Change ? que tem como principal autor David Lapola, do Câmpus da Unesp de Rio Claro. O texto acompanha as mudanças da agropecuária brasileira nas últimas décadas, constatando avanços como a melhora da produtividade e a redução de emissões de gases que causam o efeito estufa. Ao mesmo tempo, aponta uma preocupante tendência à concentração de terras, que, associada à mecanização agrícola e outras transformações tecnológicas, leva à migração de milhões de pessoas para as grandes cidades.

A produção agrária com melhor aproveitamento energético e menos danos ao ambiente é o tema de outra notícia. Um projeto premiado desenvolvido em Jaboticabal utiliza os dejetos da criação de frangos para gerar biogás destinado à produção de energia para as próprias granjas, além de biofertilizante e adubo orgânico para atividades agrícolas.

O Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap), do Câmpus de Botucatu, será a primeira instituição do país a ter um banco de venenos que será acessível a pesquisadores. A Coleção de Venenos Animais foi aprovada no final do ano passado pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. O jornal publica a boa-nova, enfatizado que agora será necessário vencer obstáculos como garantir o espaço adequado para esse acervo.

Na área de ensino, um dos destaques é a mais recente edição do programa Redefor Educação Especial e Inclusiva, que está oferecendo sete cursos de especialização semipresenciais para professores e gestores da rede pública estadual de ensino. A novidade é a disciplina Introdução à Educação a Distância, que oferece conhecimentos para que os cursistas utilizem com facilidade as ferramentas do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) da Unesp.

Outra notícia é o prêmio Employer's Award 2013, que a Unesp recebeu da Associação Internacional para o Intercâmbio de Estudantes de Áreas Técnicas (Iaeste), que promove estágios técnicos em mais de 80 países. A Universidade, que hoje oferece 200 vagas de estágio remunerado para alunos de todos os continentes, é considerada pela Iaeste sua principal parceira em todo o mundo.

A edição traz ainda os 20 anos de Companhia Éxciton, da Unesp de Rio Claro, comemorados em janeiro com apresentações em São Paulo. Formado por alunos de graduação e pós-graduação, o grupo produz trabalhos de dança, arte e expressão a partir da síntese das experiências de seus membros nos campos das artes, esportes, luta e ginástica.

Leia a edição complete aqui.

Fonte: Unesp Agência de Notícias

 

 

 

 

 

 

 

Um grupo de brasileiros presos e torturados no Chile em 1973, após o golpe militar que derrubou o então presidente Salvador Allende, será convidado a participar de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). O objetivo é esclarecer a participação e as ações ilegais efetuadas por representantes da polícia política brasileira naquele país, em cooperação com a repressão chilena, conforme requerimento aprovado nesta quarta-feira (26/02).

A proposta foi formulada pelo senador João Capiberibe (PSB-AP), que preside a Subcomissão da Memória, Justiça e Verdade da CDH. O autor esclarece que uma das finalidades é a de identificar os policiais que clandestinamente foram deslocados até o Chile, para realizar interrogatórios no Estádio Nacional, transformado à época em campo de concentração de prisioneiros políticos chilenos e estrangeiros. “Logo depois do golpe houve verdadeira caça aos estrangeiros. A maioria buscou refúgio em embaixadas ou se abrigou em campo de refugiados das Nações Unidas, mas muitos foram presos pela repressão chilena e conduzidos ao Estádio Nacional.”

De acordo com o senador, a cooperação entre as polícias políticas naquele episódio antecipou a Operação Condor, esquema de repressão que reuniu ainda a participação do Uruguai e da Argentina, para a colaboração em prisões, assassinatos e sequestros de perseguidos políticos oriundos de cada um desses países.

Serão convidados para a audiência, a ser ainda agendada, os então prisioneiros Edson Campos, Otto Brockes e Vitório Sortiuk, além de outros dois que atualmente residem em Brasília: Nielson de Paula Pires, professor da Universidade de Brasília, e Tomás Togni Tarquínio, assistente parlamentar no Senado.


 

Fonte: Agência Senado







A Central do Trabalhador e da Trabalhadora do Brasil (CTB) e as demais centrais que integram o Coletivo Sindical de apoio ao Grupo de Trabalho “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical” promoverão, no dia 1º de fevereiro, às 13h, ato unitário em São Bernardo do Campo, no Teatro Cacilda Becker (Praça Samuel Sabattini, nº 50). Sob o tema “Unidos, Jamais Vencidos” a atividade, que faz parte das ações que buscam resgatar a memória e a verdade dos fatos ocorridos durante a ditadura militar no país, irá homenagear os trabalhadores e sindicalistas.

A região do ABC, Grande São Paulo, foi um dos principais focos de resistência ao golpe militar, o local é historicamente conhecido como polo da indústria automobilística no país, com a presença de diversas multinacionais.

Dentre as mobilizações populares que aconteceram contra as intervenções e perseguições que eram realizadas nos sindicatos, uma das mais marcantes foi a de 1979, quando os metalúrgicos do ABC deflagraram uma greve geral, este foi o primeiro movimento de massas da classe operária depois de 1964.

De acordo com o secretário de Políticas Sociais da CTB, Rogério Nunes, este ato é de extrema importância para lembrar a resistência e o papel de destaque que os sindicalistas da região tiveram no enfretamento ao golpe.

No dia, os trabalhadores ou seus familiares receberão um diploma de reconhecimento por sua luta, o documento terá a assinatura de todas as centrais sindicais. Segundo os organizadores a atividade pretende, também, recordar os 50 anos do golpe militar instaurado em 31 de março.

 

Fonte: CTB 







Sob chuva de papel picado e com vivas à democracia, o Congresso Nacional aprovou, na madrugada desta quinta-feira (21/11), o Projeto de Resolução 4/2013, que anula a sessão de 1964 na qual foi declarada vaga a Presidência da República, então ocupada por João Goulart (1919-1976). A sessão anulada, protagonizada pelo então presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, ocorreu na madrugada de 1° para 2 de abril, quando Jango se encontrava no Rio Grande do Sul, e abriu caminho para a instalação do regime militar, que durou até 1985.

Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), autores do projeto, argumentaram que a declaração de vacância da Presidência foi inconstitucional, porque a perda do cargo só se daria em caso de viagem internacional sem autorização do Congresso, e o presidente João Goulart se encontrava em local conhecido e dentro do país. “Eu estava com ele, em Porto Alegre”, disse, emocionado, Pedro Simon, ao relatar os acontecimentos dramáticos relacionados à deposição de Jango.

Simon exaltou a coragem e a responsabilidade de Jango ante a possibilidade de uma guerra civil e até de uma intervenção norte-americana. “O momento é histórico. Este Congresso restabeleceu a verdade histórica. Viva o presidente João Goulart! - disse o senador, que classificou a sessão de 1964 de “estúpida”, “ridícula” e “imoral”. Ele sublinhou que aprovação da proposta reconstitui a verdade para o povo brasileiro e permite que a história seja ensinada de maneira diferente nas escolas e universidades.”

Após o início do golpe de Estado, em 31 de março de 1964, o presidente João Goulart decidiu ir a Porto Alegre a fim de encontrar aliados políticos e estudar como poderia resistir ao golpe de Estado. Foi nesse período que o então presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República.

"Em poucos minutos, sem discussão, Jango foi usurpado do cargo de presidente da República, num ato unilateral do então presidente do Congresso Nacional, Senador Auro de Moura Andrade", argumentam no texto Pedro Simon e Randolfe Rodrigues.

Randolfe Rodrigues lembrou que vários parlamentares, como o então deputado Tancredo Neves (1910-1985), se manifestaram à época contra a decisão, por meio de questões de ordem. Randolfe afirmou que o país precisa reparar as “manchas no passado” para engrandecer a democracia.

A aprovação do projeto, segundo os senadores, mostra que o Congresso, passados 49 anos do Golpe de 1964, não se mantém curvado às circunstâncias que levaram ao regime militar e repudia a contribuição ao golpe dada pela Casa no passado. Para eles, trata-se de um “resgate da história e da verdade”, uma correção, ainda que tardia, de “uma vergonha histórica para o Poder Legislativo brasileiro”.

Isolado
O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi o único a se manifestar contrariamente à proposta. Ele tentou derrubar a votação, com questões de ordem, destacou que a destituição de João Goulart teve apoio, não só das Forças Armadas, mas de amplos setores da sociedade, e ainda da Igreja Católica, da Organização dos Advogados do Brasil (OAB), da imprensa e afirmou que a tentativa de apagar o passado é um ato “infantil” e “stalinista”.

A votação da proposta estava prevista para a noite de terça-feira (19), mas foi adiada devido ao pedido de verificação de quórum feito pelo próprio deputado Jair Bolsonaro. Na sessão desta quarta (20), o deputado voltou a pedir a verificação, mas teve o pedido negado pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros.

Exumação
A anulação da sessão que tirou Jango da Presidência ocorre no momento em que peritos da Polícia Federal examinam os restos mortais do ex-presidente, na tentativa de descobrir se ele foi ou não assassinado. A suspeita surgiu depois de declarações de um ex-agente da repressão da ditadura uruguaia, segundo o qual Jango teria sido envenenado. A exumação, feita a pedido da família, ocorreu na última quarta-feira (13) e os restos mortais chegaram a Brasília na quinta-feira (14), onde foram recebidos com honras de Estado.


 

Fonte: Com informação da Agência Senado





A frase foi dita, com entusiasmo, pelo ex-sindicalista Clodismidt Riani, de 94 anos de idade, em seu depoimento no Ato Sindical Unitário "O Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e o enfrentamento ao golpe de 64 – Homenagem aos Lutadores", realizado no dia 1º último, na sede do SEESP, na Capital paulista. O evento, organizado pelo coletivo de apoio ao Grupo de Trabalho Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical da Comissão Nacional da Verdade (CNV), reuniu gerações diferentes de sindicalistas. À abertura, o presidente do SEESP, Murilo Celso de Campos Pinheiro, falou da honra dos engenheiros em abrigar ato de tal envergadura para a história não só do movimento sindical, mas do País. “Um debate onde o Brasil busca a transparência, a verdade e a democracia, acima de tudo”, destacou.

* Todas as fotos do ato aqui

O mineiro Riani – eletricista e presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Energia Hidroelétrica de Juiz de Fora já em 1953 – foi cassado, preso e torturado pelo golpe militar de 1964. Em sua fala, destacou o momento de grandes perspectivas e avanços dos trabalhadores antes da ofensiva militar contra o governo do presidente João Goulart. Com muita lucidez, o líder sindical reafirmou sua posição em defesa dos direitos dos trabalhadores, finalizando o seu depoimento com a palavra de ordem: “Viva o Brasil! Viva a classe operária brasileira!”. Assista aqui o vídeo com o depoimento de Riani.


RianiRiani: "Viva a classe operária brasileira!" 


Na mesma linha de resgate histórico, o ex-ferroviário Raphael Martinelli, de 89 anos, também preso e torturado pelos militares, lembrou que se construía, à época, uma relação importante entre os operários e os camponeses, “uma beleza de unidade”, emocionou-se. Outro ponto destacado por Martinelli foi o caráter das greves que se faziam, “parávamos em função dos trabalhadores que estavam sendo prejudicados. Era a solidariedade de classe na prática”. Martinelli observou que as bandeiras de luta atuais dos trabalhadores são praticamente as mesmas que se agitavam há 49 anos, como reforma agrária e melhores condições de vida e de trabalho, por exemplo. Para ele, é importante a criação de centenas de comissões da verdade no país para que um período da nossa história seja passado a limpo. Assista aqui o vídeo com o depoimento de Martinelli.
 

MartinelliMartinelli: havia muita solidariedade entre os operários na década de 1960


Durante a atividade, foram exibidos alguns vídeos com depoimentos de sindicalistas, como o do ex-presidente da Federação de Condutores de Veículos Rodoviários do Estado de São Paulo, Alcídio Boano, de 86 anos, que, até hoje, tem sequelas físicas das torturas que sofreu nos porões da ditadura militar.

O ato contou com a presença da coordenadora da CNV, Rosa Cardoso, que explicou que a comissão não quer apenas contar uma história, “vamos investigar também. Ouvir vítimas, violadores, testemunhas, examinar e refazer perícias”. Rosa denunciou que o número de assassinatos e torturas é maior do que se sabe até hoje, principalmente no campo. Ela ressaltou que se quer descobrir tudo, inclusive o conluio empresarial com o aparato de repressão, que, segundo ela, continua funcionando, principalmente nas empresas estatais, “aterrorizando os trabalhadores e liquidando o direito de manifestação da sociedade”. Rosa defende que o papel da CNV não é o de apenas reconstruir o passado, mas o de fazer recomendações para o presente e o futuro.
 

AlcidioBoano tem sequelas físicas até hoje das torturas que sofreu em 1964


Participaram da mesa Carlos Rogério, da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Adi dos Santos Lima, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), João Carlos Gonçalves “Juruna”, da Força Sindical, Ricardo Patah, da UGT (União Geral dos Trabalhadores), José Calixto Ramos, da NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), Álvaro Egea, da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), Oswaldo Lourenço, da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) e Luis Carlos Prates, do Central Sindical e Popular Conlutas.

Homenagens
Ao final do ato foram homenageados os seguintes sindicalistas: Adílio Roque (“Gaúcho”), Alcídio Boano, Ana Martins, Djalma Bom, Geraldo José Sardinha, José Apolinário, Maria Sallas, Manoel Dias do Nascimento, Oswaldo Lourenço, Paulo Cseh, Ricardo Segundo Guerra, Sebastião Silva de Souza e Sinfrônio de Souza Nunes.

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa – SEESP 




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