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Comunicação SEESP*

O Brasil alcançou a marca de 1 gigawatt (GW) de potência instalada em usinas de fonte solar fotovoltaica conectadas à matriz elétrica nacional. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), responsável pelo levantamento, a potência é suficiente para abastecer 500 mil residências e atender o consumo de 2 milhões de brasileiros. O resultado também coloca o Brasil entre os 30 países do mundo, de 195, que possuem mais de 1 GW de fonte solar.


Foto: Renew Energia
energia solar fotovoltaica foto Renew EnergiaImagem aérea feita por drone.



O presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, reconhece que houve avanço, mas destaca que o País ainda está abaixo do seu potencial. “O Brasil está mais de 15 anos atrasado no uso da energia solar fotovoltaica. Temos condições de ficar entre os principais países do mundo nesse mercado, assim como já somos em energia hidrelétrica, biomassa e eólica. Para isso, precisamos de um programa nacional estruturado para acelerar o desenvolvimento da energia solar fotovoltaica”, disse por meio de nota.

Ele também explicou que O desempenho positivo se deve ao crescimento dos mercados de geração centralizada, com a inauguração de grandes usinas solares fotovoltaicas contratadas pelo governo federal em leilões de energia elétrica realizados em 2014 e 2015. Neste caso, as usinas em funcionamento estão localizadas principalmente na Bahia, Piauí, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Pernambuco e representam uma potência total de 0,935 GW.

Também houve aumento da chamada geração distribuída, quando as placas solares estão em residências, prédios comerciais ou públicos, também foi registrado crescimento no uso pela população, empresas e governos, bem como nas zonas rurais das diversas regiões brasileiras. A potência total, neste caso, é de 0,164 GW.

Somando, os dois segmentos atingem praticamente 1,1 GW operacionais em todo o País desde o início de 2018.

Incentivo
Por pressão do mercado, alguns governos têm isentado a cobrança do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a energia injetada na rede e compensada na geração distribuída. Atualmente, 23 estados brasileiros mais o DF aderiram ao Convênio ICMS nº 16/2015. Ainda faltam aderir Amazonas, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina.

Em São Paulo, o governo do estado publicou recentemente, no Diário Oficial, o Decreto 63.695 que altera o Regulamento do ICMS e isenta equipamentos e componentes para geração de energia elétrica solar fotovoltaica destinada ao atendimento do consumo de prédios próprios públicos estaduais. Ainda no primeiro trimestre deste ano a Universidade Estadual Paulista (Unesp) apresentará um edital público para fornecimento de energia solar para seus prédios.

O benefício impacta as partes, peças, estruturas de suporte, transformador, cabos elétricos, disjuntor, inversor CC/CA ou conversor, string box ou quadro de comando e rastreador solar (tracker). A norma foi divulgada ainda no final de dezembro e atende a uma demanda do setor fotovoltaico ao validar o convênio ICMS 114/2017 celebrado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária.

O levantamento do potencial solar paulista mostra que São Paulo pode gerar até 12 TWh/ano. O mapeamento dos níveis e faixas de irradiação apontam a viabilidade técnica e econômica para a geração de energia fotovoltaica entre as faixas de radiação anual de 5,61 e 5,70 kWh/m² ao dia, considerando a melhor faixa de aproveitamento, correspondente a 0,3% do território paulista.


* Com Agência Brasil e Canal Energia



A Itaipu Binacional bateu um novo recorde de geração diária de energia elétrica no primeiro trimestre de 2017, com registro de 284.496 Megawatts-hora (MWh). No mesmo período, em 2016, a usina havia atingido a média de 281.664 MWh diários, segundo melhor resultado desde que a empresa entrou em operação, em maio de 1984. Com isso, voltou a ser a maior geradora de energia limpa e renovável do planeta. Antes disso, a usina hidrelétrica chinesa Três Gargantas era a consierada a maior.

Mesmo com um dia a menos no calendário em relação a 2016, que foi um ano bissexto, e em condições hidrológicas menos favoráveis, a produção acumulada nos três primeiros meses de 2017 permaneceu praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. Foram registrados 25.604.769 MWh, apenas 0,1% inferior em relação ao recorde trimestral de 2016, que foi de 25.631.082 MWh.

Em janeiro deste ano, a Usina Hidrelétrica de Itaipu teve a maior produção de energia para o mês já registrada desde a sua fundação. Foram produzidos 8,74 milhões de megawatts-hora (MWh), enquanto em 2016, no memo período, foram 8,5 milhões de MWh. Segundo a binacional, essa produção seria suficiente para atender o estado de São Paulo por 23 dias e o Paraná por três meses e meio.


“A Itaipu tem uma presença importante e muito marcante no território paranaense. Agora, mais uma vez um paranaense dirige esta grandiosa hidrelétrica, líder na produção de energia mundial e responsável por 17% do abastecimento de energia do Brasil” destacou o governador do estado do Paraná, Beto Richa.

A declaração do governador ocorreu no final de março, durante a posse do novo diretor-geral da usina, Luiz Fernando Leone Vianna, cuja cerimônia foi no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Vianna é engenheiro eletricista e ex-presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Durante o evento, o novo diretor ressaltou que o principal desafio da sua gestão será a revisão do anexo C do Tratado de Itaipu, que está prevista para 2023: “Ele é muito importante, pois trata de toda a área comercial e de suprimento de energia elétrica dos dois países” afirmou ele.


Com informações da Agência de Noticias do Paraná e Portal Brasil
(publicado por Deborah Moerira)



No dia 15 de fevereiro último, uma reunião na Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo teve como pauta central a discussão de energias renováveis no Estado. Participaram do encontro o reitor e pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O secretário João Carlos de Souza Meirelles salientou a importância da pesquisa no setor energético vinculada à universidade e o retorno desse conhecimento à sociedade e ao meio ambiente. Observou que a presença da Unesp em todo o estado permite uma visão de realidades e possibilidades de desenvolvimento.

O governo paulista apontou a necessidade estratégica de o Estado diversificar a sua matriz energética, já que o potencial hidroelétrico paulista e mesmo nacional dá sinais de esgotamento. Foi discutida, nesse sentido, a possibilidade de transferência da Usina Fotovoltaica de Porto Primavera, iniciativa da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) com órgãos federais, à Unesp. Num primeiro momento, foi observado que o curso de Engenharia de Energia da instituição, instalado em Rosana, pela afinidade da área de estudos e pela proximidade geográfica, teria as condições ideais para continuar estudos já em andamento no local.

Foto: Divulgação
Reunião na secretaria discutiu esforços do Estado para diversificar sua matriz energética.

Ao final do encontro ficou acordado que a Unesp apresentaria projetos de cooperação nas diferentes problemáticas, associadas às diferentes formas de energia, juntamente com uma espécie de portfólio de competências, envolvendo aspectos de inovação e formação de mão de obra, para serem discutidos com a Secretaria.

Os pesquisadores da universidade já articulam três frentes de trabalho: biomassa, energia de fontes renováveis e questões de reuso. Serão discutidas, nos próximos meses, ações conjuntas para observar novas possibilidades de congregar pesquisas e pesquisadores da Unesp, Institutos e outras entidades que estejam vislumbrando o tema energias renováveis e processos efetivos e de sustentabilidade necessários à produção, geração e consumo de energia.

 

Comunicação SEESP
Com informações da Unesp Agência de Notícias

 

 

 

 

 

O Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (CIBiogás) e o Centro Internacional de Hidroinformática (CIH) iniciam o ano com a formação de novas turmas para dois cursos na área de energias renováveis, setor que está em ampla expansão no Brasil e no mundo. Até o dia 20 de janeiro próximo estão abertas as inscrições para os cursos de "Atualização em Energias do Biogás" e "Operacionalização de Biodigestores". As aulas terão início no dia 23 deste mês e no dia 6 fevereiro, respectivamente.


Foto: Divulgação Guascor
biogas foto guascor



O curso de Atualização em Energias do Biogás está disponível em português ou espanhol. Já o curso de Operacionalização é ofertado em língua portuguesa. Os dois foram elaborados por especialistas, contam com o acompanhamento de tutores e têm como base as experiências práticas construídas pelo Centro, que monitora 11 unidades de produção de biogás gerando energia elétrica, térmica e biocombustível.

O objetivo é atualizar profissionais e estudantes interessados no tema e compartilhar os trabalhos sobre energias renováveis desenvolvidos pela instituição.

As qualificações são ofertadas no momento em que as energias renováveis estão no foco do mercado mundial. De acordo com a Agência Internacional de Energias Renováveis, o Brasil é o segundo país em oferta de vagas na área de energia limpa. O país que mais emprega é a China, que investirá mais US$ 360 bilhões no setor até 2020 gerando 13 milhões de empregos.


Inscrições
Para inscrever-se, basta acessar www.cibiogas.org > Cursos > Atualização do biogás ou Operacionalização de Biodigestores. Mais informações podem ser obtidas em Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou (45) 3576-7022.


Fonte: Imprensa Cibiogas





O número de consumidores que geram sua própria energia a partir de fontes renováveis e injetam na rede elétrica central do País dobrou nos últimos meses. De 2.737 unidades em março, saltou para 6.017 em outubro. Desse total, 5.929 são formadas por painéis fotovoltaicos que captam energia solar.

Apesar de ainda ser uma quantidade inexpressiva, diante das 80 milhões de unidades consumidoras existentes, especialistas ouvidos afirmam que o mercado está aquecido, há novas linhas de financiamento e, com isso, novos empreendedores devem surgir. Conforme estimativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as chamadas micro e minigeração de energia distribuída devem chegar a 1,2 milhão de unidades consumidoras no Brasil até 2024.

O crescimento coincide com o período em que entrou em vigor a Resolução Normativa (REN) 687, publicada em novembro de 2015 pela Aneel, e que passou a valer em 1º de março último. A REN, resultado de consulta pública realizada entre maio e junho do ano passado, é uma revisão da REN nº 482 de 2012, que criou e regulamentou a geração desse tipo de energia. A iniciativa reduz o valor da conta de luz. Outro fator positivo é a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) em quase todo o País, para quem gerar energia dessa forma. Somente Amapá, Amazonas, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina ainda não aderiram.

Para Thereza Neumann dos Santos Freitas, diretora da FNE, entidades do setor têm tido papel preponderante nas discussões e busca de mudanças de paradigmas. “As isenções de impostos, financiamentos, capacitação de profissionais e empresas, certificação de cursos e mão de obra são temas em plena evolução e de iniciativa das entidades”, afirma a engenheira.

Novos modelos
A revisão da norma criou novos mecanismos de compensação de energia: geração condominial, que abrange as residências e a área coletiva do condomínio; autoconsumo remoto, em que um mesmo titular pode utilizar a energia gerada excedente em outro endereço, desde que esteja na mesma área de concessão.

No entanto, a novidade que mais está chamando a atenção é a geração compartilhada, em que um conjunto de consumidores (pessoas físicas ou jurídicas) se reúne em um consórcio ou cooperativa. “É uma revolução. Ao invés de cada um investir na aquisição de sistemas individuais, com preço mais elevado, eles investem juntos em um grande sistema e ganham em escala. Cada um se torna proprietário de uma fração e quando a energia é gerada, ela é distribuída proporcionalmente”, explica Rodrigo Sauaia, presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Fotovoltaica (Absolar).

Ele conta ainda que a geração compartilhada pode seguir diversos modelos, nos quais os clientes podem alugar ou adquirir um lote e pagá-lo em um contrato de longo prazo, com parcelas que caibam em seus custos. Ou pode ser um único cliente, com diversos endereços consumidores, que tenha contratado uma empresa especializada. É o caso da rede de farmácias Pague Menos, no Ceará, que contratou a empresa Enel para erguer e manter o primeiro condomínio solar do País em geração distribuída, na cidade de Tabuleiro do Norte. São 3.420 placas fotovoltaicas, instaladas em uma área de 35 mil metros quadrados, com potência total para abastecer cerca de 900 residências diariamente. O valor total do investimento foi de R$ 7 milhões para atender 40 lojas da rede. A empresa geradora estima que serão entregues 1.750 megawatts/hora (MWh) por ano, representando uma economia de 8% por mês na conta.

Segundo Jurandir Picanço, consultor de energia na Federação das Indústrias do Ceará e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis daquele estado, diante do panorama atual com tarifas em alta, diversos empresários estão planejando entrar nesse segmento. “Quanto mais alta a tarifa da concessionária, melhor para as empresas que vendem geração distribuída, porque a possibilidade de retorno é muito maior. Vemos isso em Minas Gerais, onde a tarifa é mais alta, e é justamente onde ocorre um avanço maior”, conta.

Outras melhorias importantes foram o aumento da potência permitida, de três para cinco megawatts; a instituição de formulários padrão para solicitação de acesso pelo consumidor; redução do prazo total, de 82 dias para 34, para a distribuidora conectar usinas de até 75kW; e ampliação do prazo para utilizar o crédito excedente, de 36 para 60 meses.

Recursos para investir
Para ampliar a oferta de financiamento, um dos gargalos para a expansão desses modelos de negócio, a Absolar, em cooperação com a atual Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, e a Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica) lançaram, no final de 2015, uma linha, via Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf), para pequenos produtores rurais e assentados da reforma agrária. O financiamento pode ser obtido por pessoa física, cadastrada no Pronaf. As taxas variam de 2,5% a 5,5% ao ano.

Outra linha lançada em maio deste ano é o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o FNE Sol do Banco do Nordeste, para pessoa jurídica, disponível também no norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo, com prazo de 12 anos, até um ano de carência e taxas que variam entre 6,5% e 12,95%, ao ano.   “Esse financiamento foi muito celebrado pelo setor, porque indica um caminho que pode ser seguido em outras regiões do País”, diz Sauaia, que reconhece que os bancos públicos ainda deixam a desejar no fomento de investimentos para pessoa física. Alguns bancos privados já se arriscam, como o Santander, com taxas que variam de 2,95% a 2,39% ao mês. (Por Deborah Moreira)

 

* Matéria publicada, originalmente, no jornal Engenheiro, da FNE, Edição 175 de dezembro de 2016

 

 

 

 

 

 

As energias renováveis, como a solar, a eólica, a hidrelétrica e a proveniente de biomassa, como o etanol e outros biocombustíveis, representam uma oportunidade de integração energética dos países latino-americanos em razão da complementaridade de suas matrizes, hoje fortemente baseadas na produção de energia hidrelétrica.

Para atingir esse objetivo, contudo, será preciso superar barreiras para a produção de energia proveniente de recursos naturais em países da região, como a Argentina.

A avaliação foi feita por Carina Guzowski, professora do Departamento de Economia da Universidad Nacional del Sur da Argentina durante palestra na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) Week Montevideo.

Organizado pela Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM), a Universidad de la República (Udelar) e a fundação paulista, o simpósio, que ocorreu entre os dias 17 e 18 de novembro no campus da Udelar, em Montevidéu, teve como objetivo fortalecer as colaborações atuais e estabelecer novas parcerias entre pesquisadores da América do Sul nas diversas áreas do conhecimento. Participaram do encontro pesquisadores e dirigentes de instituições do Uruguai, Brasil, Argentina, Chile e Paraguai.

“As energias renováveis representam uma oportunidade para a integração energética dos países latino-americanos porque podemos aproveitar as complementaridades dos nossos sistemas energéticos e importar regionalmente e exportar energia proveniente de fontes intermitentes”, avaliou Guzowski. E prosseguiu: “Mas, para isso, será preciso que países como a Argentina consigam se livrar de bloqueios tecnológicos que impossibilitam que tenham um desempenho comparável ao do Brasil e do Uruguai, por exemplo, em matéria de produção de energia renovável.”

De acordo com a pesquisadora, a matriz energética da maioria dos países latino-americanos está baseada em hidreletricidade e no uso de energias fósseis, principalmente gás. Os países da região com maior participação das energias renováveis na geração de eletricidade, segundo dados apresentados por ela, são o México, seguido do Brasil e Uruguai. Já a Argentina está muito longe de atingir esse objetivo, comparou Guzowski. “A Argentina está muito abaixo da média de participação das energias renováveis na geração de eletricidade na América Latina e muito aquém do Brasil e do Uruguai”, afirmou.

Energia fóssil
A matriz energética do país é eminentemente fóssil e composta por gás natural (com 51% de participação) e 33% por gás que, como não produzem, precisam importar de outros países. As energias renováveis têm uma participação de menos de 1% na potência instalada (a capacidade de geração de energia elétrica) do país, enquanto que o Brasil e o Uruguai, por exemplo, têm uma matriz energética muito mais diversificada, com expressiva participação de energia hidrelétrica, eólica e proveniente de biomassa. “A Argentina depende quase que 80% de energia proveniente de fontes fósseis. Isso é resultado de bloqueios tecnológico e cultural de dependência de petróleo e gás para o abastecimento energético que precisam ser superados para conseguirmos promover a integração energética de países da América Latina”, avaliou.

Na opinião da pesquisadora, algumas das vantagens da integração energética dos países latino-americanos por meio das energias renováveis seriam a geração de economia de escala (vantagens em temos de custos obtidos pela expansão) para atrair investimentos, além do aproveitamento das complementaridades entre os recursos renováveis dos países da região.

A forte queda dos custos de geração elétrica por meio de tecnologias de produção de energias renováveis representa uma oportunidade para os países da região que, ao estimular a produção desse tipo de energia, poderiam diminuir sua dependência energética externa, assegurar o abastecimento energético e diversificar seu mix de geração de energia, hoje fortemente baseado em hidrelétricas, que são vulneráveis a fenômenos climáticos, ressaltou. “Dispor de fontes de energia intermitentes que ajudem e complementem a geração de energia hidrelétrica e térmica é uma opção muito importante para os países latino-americanos”, argumentou.

 

 


Comunicação SEESP
Notícia reproduzida da Agência Fapesp
Foto da home: Unica 

 

 

 

 

 

 

Uma revisão do potencial eólicoonshore (“em terra”) do Brasil, realizada em resposta ao aumento da altura das torres de geração energética, aponta que o País pode ter uma capacidade seis vezes maior de produzir energia a partir dos ventos do que o estimado no último grande levantamento nacional, o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, lançado em 2001.

A conclusão é de um estudo do subprojeto Energias Renováveis do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-Clima), apoiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e foi apresentada durante a Conferência Internacional do instituto, realizada em São Paulo entre os dias 28 e 30 de setembro.

“O Atlas do Potencial Eólico Brasileiro foi feito com a estimativa do uso de torres de 50 metros de altura. Hoje, temos torres acima de 100 metros, que ampliam o potencial tecnicamente viável de exploração de 143 gigawatt para 880 gigawatt”, disse o coordenador da pesquisa, Ênio Bueno Pereira, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Além disso, consideramos uma expansão das áreas que se tornam economicamente viáveis para a instalação das torres.”

Embora no Brasil a produção de energia eólica ainda seja restrita, Pereira aponta que o país é o quarto no mundo em termos de expansão da capacidade eólica instalada, perdendo apenas para China, Estados Unidos e Alemanha.

“É um movimento importante, em um momento em que se busca a diminuição da emissão de gases de efeito estufa, menor dependência de combustíveis fósseis e garantia de segurança energética”, disse.

No campo da energia eólica, o subprojeto Energias Renováveis também estuda o potencial offshore (“em mar”), buscando avaliar a zona costeira brasileira, particularmente na região Nordeste; a viabilidade de exploração em áreas de reservatórios hidrelétricos; a previsão da capacidade de geração, visando aprimorar as estimativas calculadas em dias e horas de antecedência; e a densidade de potência estimada até o final do século.

Sobre esse último tema, modelos revelam tendência de aumento dos ventos em determinadas porções do norte da região Nordeste. “Embora pareça uma notícia interessante, ventos intensos e rajadas nem sempre são bons para o sistema de geração de energia eólica, que pode sofrer danos estruturais”, disse Pereira.

Outro aspecto ressaltado pelo pesquisador foi o potencial de geração de energia elétrica a partir da irradiação solar. “O pior nível de irradiação no Brasil – na região litorânea de Santa Catarina e do Paraná – é comparável aos melhores níveis de irradiação que se tem na Alemanha, o país que mais explora a energia fotovoltaica [na qual células solares convertem luz diretamente em eletricidade] no mundo.”

A Rede Sonda, financiada parcialmente pelo INCT-Clima, coleta dados de irradiação no território nacional. Uma edição atualizada do Atlas Brasileiro de Energia Solar, com informações obtidas pela Rede nos últimos 15 anos, deve ser lançada ainda neste ano.

“São necessários mais estudos sobre a variabilidade solar, mas já sabemos que, se fossem usadas áreas como aquelas que são alagadas por hidrelétricas ou as que estão em estado avançado de desertificação, teríamos uma grande geração de energia fotovoltaica no Brasil”, disse Pereira.

Segundo o pesquisador, em temos de potencial teórico, fontes eólicas e solares seriam capazes de suprir toda a demanda energética nacional. Contudo, ainda é necessário ultrapassar obstáculos financeiros e de conhecimento.

“O problema do custo vem sendo superado pela evolução tecnológica, tanto que esses dois tipos renováveis já são competitivos com a energia termelétrica. Já a barreira do conhecimento é aquela que ainda impede investidores de ter mais interesse na geração eólica e solar. É o que o nosso projeto tenta enfrentar, investigando e disseminando dados científicos sobre os verdadeiros potenciais dessas energias”, disse.

Na manhã do dia 29 de setembro, a Conferência Internacional do INCT-Clima também teve apresentações de Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que tratou sobre os atuais desafios da política energética no Brasil e no mundo, e de Christovam Barcellos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que falou sobre a relação mudanças climáticas e impactos na saúde humana. 

 

 

Comunicação SEESP
Da Agência Fapesp/Noêmia Lopes
Leia a reportagem completa aqui

 

 

 

 

 

 

 

O Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo SEESP, está com inscrições abertas para o curso de extensão que abordará energia heliotérmica e outras fontes renováveis. A proposta é preparar os profissionais para os novos desafios desse setor, já que por questões econômicas, ambientais e de segurança empresarial, a diversificação da matriz energética brasileira está na ordem do dia. As aulas começam no dia 22 de outubro próximo e serão quinzenais sempre aos sábados, na sede da instituição, na Capital paulista (Rua Martiniano de Carvalho, 170, Bela Vista). 

A tecnologia de ponta no aproveitamento de energia solar será a tônica do curso que terá carga total de 64 horas e professores altamente experientes. Haverá duas disciplinas: Tópicos de termodinâmica e máquinas térmicas, 40 horas; e Usinas CSP (Concentrating Solar Power), 24 horas. 

Brasil e Alemanha
Para esse curso, o Isitec conta com a parceria da Agência Alemã para Cooperação Internacional (GIZ). O conteúdo foi adaptado às condições brasileiras, apesar de ter sido desenvolvido na Alemanha pelo engenheiro e professor Olaf Goebel – especialista em energias renováveis. O docente tem também ampla experiência em desenvolvimento de projetos com uso de recursos solar (fotovoltaica e heliotérmica) e eólico em vários países, como Estados Unidos, Indonésia, Holanda, Espanha, Itália, Egito, entre outros.

 Mais informações sobre o curso pelo telefone (11) 3254-6850 ou e-mails Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O valor do curso é de R$ 4.000,00 (10% de desconto para pagamento à vista ou em até cinco vezes sem juros). Esse e outros cursos do Instituto estão disponíveis em www.isitec.edu.br.

 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Com informações do Isitec

 

 

 

 

 

 

 

 

Começa amanhã (23/8) e vai até quinta (23) a Intersolar South America, uma feira do setor de energia solar, que congrega profissionais e empresas do mundo inteiro no esforço de aumentar a participação desse tipo de fonte energética, na geração e fornecimento de energia elétrica. De acordo com os organizadores, há um aumento de 100% no espaço de exposição desde a última edição, em 2015.


Foto: Solar Promotion International GmbH
Intersolar South America 2015 600 largOs visitantes receberão informações sobre as áreas de energia fotovoltáica e tecnologias termossolares.



Para Edgard Laureano da Cunha Jr, diretor executivo da Aranda Eventos, que promove o evento, o aumento do número de expositores é um termômetro sobre o setor, que vem crescendo no País: “É um sucesso esmagador. Dá pra sentir que os investidores globais e as empresas nacionais têm confiança no mercado brasileiro”.

A feira oferecerá uma grande variedade de expositores, incluindo fabricantes de células e módulos fotovoltáicos (FV), empresas de inversores, fornecedoras de componentes FV, de tecnologia de monitoração e controle, de sistemas de rastreamento, de sistemas de montagem, de tecnologia termo-solar, de sistemas de armazenamento de energia, além de distribuidoras de aplicativos FV.

Para uma das empresas participantes, a Schletter, fornecedora de sistemas de montagem, o Brasil será um mercado central no futuro da América do Sul. A empresa já possui um destacado projeto de referência no Brasil – um parque solar ao sul de Florianópolis que é um dos maiores projetos FV do país. “A Intersolar South America é o principal ponto de encontro do setor solar no continente. É perfeito para fazer contatos e negócios, e para nos atualizarmos sobre os mais recentes avanços. O mercado brasileiro oferece um futuro promissor para a tecnologia solar,” declara Silke Kaufmann, da empresa.

Paralelamente à feira, ocorrerá o Congresso da Intersolar South America , e este ano com mais sessões e oficinas. O número de congressistas esperados ultrapassará os 800 do ano passado. O congresso trará informações em primeira mão sobre o desenvolvimento futuro do setor solar brasileiro. Analisando os desafios dos sistemas de compensação de energia, tributação, procedimentos de conexão à rede, disseminação e financiamento, o congresso também examinará o segmento bastante promissor da energia FV distribuída. Outro ramo emergente enfocado no congresso será o da geração centralizada, especialmente em vista dos exitosos leilões nacionais de energia FV, conduzidos pelo Governo Federal nos últimos 3 anos. Outro leilão está previsto para dezembro de 2016.

As múltiplas facetas do congresso se completam com eventos paralelos especiais tais como a apresentação do relatório da Greenpeace, “A Alvorada da Revolução Energética”, além de um jantar exclusivo de entrosamento.

Tal como nas edições anteriores, haverá oficinas especiais para técnicos em instalação, como, por exemplo, “Como instalar sistemas de aquecimento solar em casas existentes”, para engenheiros e, juntamente com o “Programa Intersolar de Estudos”, também para estudantes de mestrado em engenharia e economia.

As fontes renováveis oferecem um ampla variedade de novas oportunidades de carreira. Pela primeira vez, a feira incluirá um fórum de empregos e carreiras, que oferecerá uma plataforma de informações sobre opções de treinamento e formação.

A entrada à feira é gratuita, aberta das 12h às 20h. É preciso pré-cadastrar-se aqui. Mais informações em www.intersolar.net.br





Fonte: Intersolar





Um novo sistema para armazenar eletricidade, sob a forma de ar comprimido, está em estudo dentro de um cubículo escavado nos Alpes suíços. Esse projeto é único no mundo e poderá dar um impulso decisivo às fontes de renováveis de energia. E confirmar o papel da Suíça como bateria da Europa.

 

sistema de bateria de ar

 

A estocagem do excesso de energia produzida pelas centrais solar e eólica é um dos principais desafios das fontes renováveis. Sol e vento produzem eletricidade de forma irregular. Por isso, a disponibilidade de muita corrente elétrica nem sempre coincide com o período de alta demanda. Como aproveitar esse excedente e evitar o desperdício?

A resposta de Giw Zanganeh, jovem engenheiro formado pelo Politécnico Federal de Zurique, baseia-se no ar comprimido. Mais precisamente, na estocagem do ar nos túneis e cavernas escavados na montanha.

O princípio é simples, explica o responsável de Alacaes, um projeto apoiado pelo Ministério da Energia. “Com a energia excedentária é possível acionar um compressor que joga o ar num cubículo. Nos momentos de demanda o fluxo é invertido e o ar em alta pressão circula numa turbina que o converte em eletricidade”.

Ambiente submarino na caverna
O projeto-piloto de Alacaes custou 4 milhões de francos suíços e foi instalado num túnel abandonado perto de Biasca, no cantão do Ticino, sul da Suíça. Até pouco tempo atrás, ele servia para o transporte de material da escavação do túnel ferroviário de base do São Gotardo, inaugurado recentemente.

“O cubículo está como o encontramos”, nos diz Giw Zanganeh, enquanto nos acompanha pelo interior do túnel. Dentro de seu carro avançamos 700 metros no escuro absoluto, antes de nos depararmos com dois aparelhos enormes. São os compressores usados para preencher a caverna de ar. “São compressores especiais. É uma nova tecnologia”, diz o engenheiro, de origem iraniana. Um pouco mais adiante chegamos na sala de estocagem do ar, depois de ultrapassar uma porta de aço.

Num espaço longo de cem metros, o ar é comprimido a 33 bar, o equivalente à pressão da água a 300 metros de profundidade. Esse trabalho, em condição extrema, é uma das maiores dificuldades, explica Giw Zanganeh. Para monitorar o complexo foram instaladas câmeras especiais usadas em serviços submarinos.

O objetivo dessa fase inicial de testes é o estudo da reação da rocha submetida a pressões elevadas. A pesquisa concentra-se nas qualidades de impermeabilização e na ocorrência de eventuais vibrações. O engenheiro observa que, ao contrário das instalações geotérmicas, o risco de provocar terremotos não existe a rocha não é perfurada.
Calor nas pedras

Os armazéns de estocagem da energia através do ar comprimido (tecnologia CAES, Compressed Air Energy Storage) não são uma novidade. O primeiro foi construído na Alemanha, em 1978. O segundo entrou em funcionamento nos Estados Unidos, no começo dos anos 1990. Ambos foram realizados em minas de sal. Já o projeto piloto de Biasca tem um rendimento maior, afirma Giw Zanganeh e “a razão está na recuperação do calor “.

A temperatura aumenta quando o ar é comprimido. Esse é um fenômeno físico. Durante o processo de compressão, ele pode alcançar 550 graus centígrados. Esse valor é alto demais para levá-lo ao subsolo sem perigo. Na Alemanha e nos Estados Unidos, o calor acaba dissipado. Giw Zanganeh – e aqui está uma das inovações do projeto Alacaes- criou um sistema de conservação da energia e um processo para usá-la durante a fase de conversão do ar em eletricidade.

Graças à gestão do calor, o projeto de Biasca tem um rendimento de 72%, contra 45-50% nas centrais existentes, observa

Giw Zanganeh. “Nos aproximamos do eficiente sistema de bombeamento-turbinagem das usinas hidrelétricas. Custamos menos e somos mais sustentáveis do ponto de vista ambiental. Não precisa intervir no território para construir diques e represas”.

Sistema promissor, mas deve ser aperfeiçoado
“Além do baixo impacto ecológico, o recurso ao ar comprimido poderia garantir o abastecimento de grandes quantidades de energia, por um período longo. Uma exigência que se tornará sempre maior no futuro”, afirma Maurizio Barbato, professor no Instituto CIM de apoio à inovação sustentável na Escola Universitária Profissional da Suíça italiana.

Todavia, a tecnologia e, mais precisamente, aquela do armazenamento térmico, ainda não está pronta, sinaliza Maurizio Barbato. Ele acompanha de perto o experimento de Biasca no contexto de um programa do fundo nacional de pesquisa (PNR70). O uso da rocha, explica, não garante a manutenção do ar a uma temperatura constante na saída. E essa é uma condição indispensável para o funcionamento correto das turbinas. Por isso avançam as pesquisas de aplicação de ligas metálicas. O aperfeiçoamento do sistema prossegue com os estudos no Politécnico Federal de Zurique e no de Lausanne. (EPFL).

A tecnologia de Alacaes é muito interessante, concorda Sophie Haussener, pesquisadora do laboratório da ciência e engenharia de energia renovável da EPFL. “O limite talvez seja a densidade energética relativamente baixa: a quantidade de energia que pode ser armazenada por uma unidade de volume é 5 a 10 vezes menor se comparada à capacidade uma bateria recarregável”.


O consumo de Lugano num cubo
Na Europa, principalmente no norte, que produz cada vez mais eletricidade com o vento, uma central a ar comprimido poderia ter um grande potencial. Idealmente, comenta Maurizio Barbato, essa super bateria deveria ser localizada ao redor dos parques eólicos. ” Mas para aqueles de planície, como no norte da Alemanha, é complicado. Teria que colocá-la dentro de centenas de metros de profundidade ou construir caros e herméticos depósitos na superfície”. Um país de montanhas, cavernas e túneis, como a Suíça, pode assumir um papel relevante neste campo, acrescenta ele.

No entanto, nos túneis e velhos “bunkers” militares escavados nos Alpes, Giw Zanganeh acredita pouco.  Os “bunkers” são, em geral, muito pequenos e a forma alongada de um túnel não é a mais indicada para minimizar as perdas. O melhor é um cubo ou uma esfera. Essas figuras geométricas possuem uma relação superfície/volume menor. O engenheiro fez um cálculo: “Um cubo de 48 metros de lado permitiria o armazenamento de 500 MWh de energia. Esse é o consumo da cidade de Lugano, de 70 mil habitantes, por um período de 12 horas”.

Se os testes de Alacaes darão bons resultados, observa, a Suíça poderá reafirmar o seu papel de bateria da Europa. E contribuir para a estabilização da rede europeia ao compensar as flutuações das energias eólica e solar do continente.


Fonte: Swiss Info





Estão abertas as inscrições para treinamentos gratuitos sobre Energias Renováveis pela Internet promovido pela Equipe de Treinamentos do Centro de Energias Renováveis da Faculdade de Engenharia da Unesp, de Guaratinguetá. Há 25 vagas disponíveis para atividade a ser realizada dia 24 de setembro.

Os mesmos treinamentos serão também oferecidos na segunda quinzena nos meses de outubro e novembro de 2013. Os interessados devem mandar e-mails para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. com algumas informações, confira aqui.

 

Fonte: Agência Unesp de Notícias




A afirmação é de Eloy Casagrande Jr., doutor em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente, pela University of Nottingham, e pós-doutor em Inovação Tecnológica e Sustentabilidade, pelo Instituto Superior Técnico (IST), de Lisboa. Atualmente é professor na UTFP (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). Ele falou sobre o assunto em entrevista ao IHU (Instituto Humanitas Unisinos), do Rio Grande do Sul. Reproduzimos, a seguir, trechos da entrevista.

IHU On-Line - O Ministério de Minas e Energia divulgou que 15% dos domicílios brasileiros já dispõem de energia solar. O que esse percentual significa em termos de investimento em energia renovável?
Eloy Casagrande Jr. -
Significa muito à medida que o governo começa a reconhecer as energias renováveis como a solar, a eólica e a biomassa. Representa que, de algum modo, o país está saindo desse paradigma da energia hidrelétrica e termoelétrica. O investimento nas energias renováveis contribui para a redução de emissões, para uma maior eficiência energética, gerando menos gastos à sociedade. Então, o governo poderia aumentar, como fizeram em outros países, a linha de apoio por meio de isenções fiscais, linhas de financiamento especiais, porque, com esse tipo de apoio, se consegue que novas tecnologias entrem no mercado com mais força, possibilitando o acesso dos consumidores.

IHU On-Line - Por que o investimento em energia solar ainda é baixo, visto que o país possui os recursos necessários? Como entender a falta de incentivo para a produção de energia alternativa no Brasil, como a energia solar, por exemplo?
Eloy Casagrande Jr. -
O Brasil tem um potencial de energia solar e eólica ainda inexplorado. De fato, há uma baixa geração comparada ao potencial brasileiro. Nesse sentido, ainda há um caminho longo para percorrer em termos de desenvolvimento, tecnologia, know-how, criação de mais empregos, etc. Quando um país começa a sair do paradigma de uma energia poluente, como a energia baseada no combustível fóssil, e passa a investir em uma energia como a renovável, tem que investir em informação, educação, inovação, e precisa criar condições para que essa energia possa ser consolidada no mercado. Vejo que em todos os países isso acontece por meio de ações do governo. Não se pode deixar o mercado atuar sem nenhum tipo de apoio. Há de ter aí a "mão forte" do governo para isso acontecer.

IHU On-Line - A proposta para a ampliação da energia solar consiste em investir em um modelo de energia descentralizado ou num modelo centralizado?
Eloy Casagrande Jr. -
Os investimentos apontam para a energia descentralizada. A última resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sinaliza para que os consumidores, a partir de 2013, possam instalar uma regulamentação para energia fotovoltaica, energia eólica e energia de biomassa, ou seja, para que possam instalar minigeradores, microgeradores nas suas casas, nos escritórios, no hospital, numa escola, e a partir disso estar conectados à rede. Vamos nos tornar todos distribuidores de energia. Este é um modelo que já existe fora do Brasil há muitos anos. Ao investir nesse modelo, se tem a possibilidade de reduzir os custos da instalação, por exemplo, de painéis fotovoltaicos, que ainda necessitam das baterias. Além disso, ao produzir essa energia que não será consumida, será possível trocá-la por crédito de energia da rede, para utilizar a energia em momentos em que não há Sol, como à noite. Nesse sentido, percebe-se que há uma tendência clara para descentralizar a energia. Evidentemente, não se trata de grandes geradores, mas já é um avanço.

IHU On-Line - Quais os desafios em relação à energia solar no país? É possível garantir a eficiência energética investindo somente em energias renováveis?
Eloy Casagrande Jr. -
Temos que olhar a energia do ponto de vista sistêmico. Qualquer geração de energia do futuro vai ter que ser composta de diversas fontes. Não se pode, por exemplo, depender somente da energia oriunda de hidrelétricas, pois basta não chover por um período e ficaremos sem energia. Então, a matriz energética tem de oferecer um conjunto de ofertas de energia, que possam suprir as deficiências de cada uma.

Quando se discute a matriz energética, não se trata de dizer que a melhor energia é a hidrelétrica, a solar ou a eólica. O conjunto delas, associado a um bom programa de eficiência energética, o qual o Brasil precisa assumir, traria resultados. Ainda há muito o que fazer em relação às perdas de distribuição, em relação à melhoria dos equipamentos e dos produtos que utilizam energia elétrica, como os eletrodomésticos. As próprias construções também podem ser um alvo de estudo em posição de maior eficiência energética. Na Universidade Federal do Paraná, por exemplo, realizamos o projeto do "escritório verde", que aponta um conjunto de soluções para maior eficiência energética e uso racional da energia. Entre as propostas, estuda-se o isolamento térmico de futuras casas, com vidros e paredes duplas, com iluminação natural, com energia solar e com lâmpadas leves. Então, é esse conjunto de tecnologias e equipamentos que vai determinar o quanto de energia será possível dispor no futuro, trazendo economia.

IHU On-Line - É possível vislumbrar a geração de energia descentralizada e autossuficiente no futuro?
Eloy Casagrande Jr. -
Não sei se vamos ver um modelo energético autossuficiente no futuro, mas podemos encaminhar para não sermos tão dependentes de um modelo centralizado. Claro que isso mexe com grandes negócios, mexe com grandes lobbies, que estão envolvidos com a energia elétrica, desde que ela se tornou uma commodity que capta, concentra e vende a energia. Essas empresas de energia elétrica têm ações na bolsa de valores. Energia virou um produto que precisa render. Essa visão também já nos traz uma visão mercantilista da energia.

No futuro até podemos discutir essa visão, mas hoje é o modelo que temos: existem grandes interesses econômicos ao redor de tudo isso, e se formos fazer uma retrospectiva histórica da construção das hidrelétricas no Brasil, veremos que são as mesmas construtoras que constroem as hidrelétricas de hoje.

 

Imprensa – SEESP
* Informação do IHU-Online



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