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Desde o dia 1º de março estão valendo as novas regras da Resolução Normativa nº 482/2012, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estabelece condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuída aos sistemas de distribuição de energia elétrica, com sistema de compensação de energia elétrica. Com isso, a partir de agora o consumidor está permitido a instalar pequenos geradores (tais como painéis solares fotovoltaicos e microturbinas eólicas, entre outras fontes renováveis) em sua casa ou outro local, denominado como unidade consumidora, para trocar energia com a distribuidora local com objetivo de reduzir o valor da sua fatura de energia elétrica.

Foto: Divulgação Renew Energia
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As adesões ao modelo de geração distribuída têm crescido expressivamente desde as primeiras instalações, em 2012. Entre 2014 e 2016 os registros quadruplicaram passando de 424 conexões para 1930 conexões. Com a revisão da norma, que simplifica procedimentos de registro, a estimativa é que até 2024 mais 1,2 milhão de consumidores passem a produzir sua própria energia, o equivalente a 4,5 gigawatts (GW) de potência instalada.

A resolução autoriza o uso de qualquer fonte renovável, além da cogeração qualificada, denominando-se microgeração distribuída a central geradora com potência instalada até 75 quilowatts (KW) e minigeração distribuída aquela com potência acima de 75 kW e menor ou igual a 5 MW (sendo 3 MW para a fonte hídrica), conectadas na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras.
 
Quando a quantidade de energia gerada em determinado mês for superior à energia consumida naquele período, o consumidor fica com créditos que podem ser utilizados para diminuir a fatura dos meses seguintes. O prazo de validade dos créditos passou de 36 para 60 meses, e podem ser usados também para abater o consumo de unidades consumidoras do mesmo titular situadas em outro local, desde que na área de atendimento de uma mesma distribuidora. Esse tipo de utilização dos créditos é chamado de “autoconsumo remoto”.

Outra inovação da norma diz respeito à possibilidade de instalação de geração distribuída em condomínios (empreendimentos de múltiplas unidades consumidoras). Nessa configuração, a energia gerada pode ser repartida entre os condôminos em porcentagens definidas pelos próprios consumidores.

A Aneel criou ainda a figura da “geração compartilhada”, o que possibilita que diversos interessados se unam em um consórcio ou em uma cooperativa, instalem uma micro ou minigeração distribuída e utilizem a energia gerada para redução das faturas dos consorciados ou cooperados.

Com relação aos procedimentos necessários para se conectar a micro ou minigeração distribuída à rede da distribuidora, a Aneel estabeleceu regras que simplificam o processo: foram instituídos formulários padrão para realização da solicitação de acesso pelo consumidor. O prazo total para a distribuidora conectar usinas de até 75 kW, que era de 82 dias, foi reduzido para 34 dias.
 
Adicionalmente, a partir de janeiro de 2017, os consumidores poderão fazer a solicitação e acompanhar o andamento de seu pedido junto à distribuidora pela internet.
 
A geração de energia perto do local de consumo traz uma série de vantagens, tais como redução dos gastos dos consumidores, economia dos investimentos em transmissão, redução das perdas nas redes e melhoria da qualidade do serviço de energia elétrica. A expansão da geração distribuída beneficia o consumidor-gerador, a economia do país e os demais consumidores, pois esses benefícios se estendem a todo o sistema elétrico.

Fonte: Aneel




A expansão das linhas de transmissão pode interromper o crescimento do setor de energia eólica no Brasil se não for solucionada, em pouco tempo, o problema dos pontos de conexão, disse o engenheiro de aeronáutica e autor do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, Odilon Camargo. "Os pontos de conexão vão ser o gargalo para a expansão da eólica. Se não tiverem as linhas adequadamente conectando o Nordeste com o Sudeste, vai atrasar o desenvolvimento da eólica", disse em entrevista à Agência Brasil.


Imagem: Wikipedia
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Segundo o engenheiro, a energia eólica produzida no Nordeste é a mais barata do país. Ele citou, como exemplo, o Texas, nos Estados Unidos, onde foi identificada uma área com potencial  de expansão  da energia renovável competitiva e, de acordo com Camargo, foi montada uma linha de transmissão para conectar os parques eólicos. “Então linha de transmissão será o grande incentivador. Mas, pode ser o gargalo se não existir. Mas, havendo as linhas, vai baratear a energia para nós consumidores", explicou.

O especialista informou que o atraso das linhas tem acontecido em outros países como a Índia e a China, mas, no Brasil, fica mais evidente diante da rapidez de montagem de um projeto de energia eólica, porque o ritmo de desenvolvimento de um projeto de transmissão é bem mais lento.

Odilon Camargo disse ainda que o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro mostrou uma situação privilegiada de qualidade e quantidade de ventos no interior do país e, a partir dos leilões de energia, os projetos começaram a ser desenvolvidos nessa região, ao contrário dos iniciais que se localizavam no litoral. "Os principais desenvolvimentos têm se dado no interior, onde tem terra mais barata, muito mais terra disponível, menos problemas ambientais, não tem maresia e mais perto da conexão [com linhas de transmissão]. Todas essas vantagens".

Um estudo feito pelo engenheiro indica que no espaço de 30 anos a energia afluente nos reservatórios tem variado muito por causa da quantidade de chuva, e essa situação não se repete com os ventos. "Nós estamos passado por três anos muito ruins de chuva e de energia afluente nos reservatórios. A energia eólica não muda ou vai variar no máximo 10%, dependendo do local. Ao passo que na hidráulica varia  80%", disse.

Camargo elaborou ainda atlas eólicos para os estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, da Bahia, de Alagoas, do Rio Grande do Norte e Ceará, para levantar o potencial dos ventos. Segundo ele, o desenvolvimento dos projetos de eólica no Nordeste, além de reduzir o preço da energia, melhorou a qualidade de vida da população que passou a contar com mais emprego e renda. "Regiões que não tinham nada, especialmente no meio da Caatinga, a produtividade da terra muito baixa, os parques eólicos trouxeram um salto [econômico]".

O governador da Bahia, Rui Costa, disse que este cenário vem ocorrendo no estado, que tem atualmente 40% da geração nacional e é líder no Brasil. Por isso, junto com a energia solar, a eólica é um projeto prioritário para o estado. Segundo ele, com outros governadores da região, está buscando financiamento no Banco do Nordeste (BNB). Costa informou que o pedido já foi encaminhado à presidente Dilma Rousseff.

O engenheiro Odilon Camargo e o governador Rui Costa participaram do Brazil Windpower 2015, encontro que reuniu investidores e especialistas do setor de energia eólica, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) habilitou 371 projetos para o Leilão de Energia Elétrica A-3 (com entrega a partir de 2018) marcado para o dia 21. Desse total, 338 projetos são referentes a empreendimentos da fonte de energia eólica, que totalizou oferta de 8.328 megawatts (MW).


Fonte: Agência Brasil





A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). em parceria com a norte-americana ContourGlobal, começaram a produzir, no domingo (21/6), no Parque Eólico Chapada do Piauí I, energia eólica no total de 210 megawatts, suficientes para abastecer um terço da população piauiense de 3,2 milhões de habitantes.


Foto: Paulo Barros
parque eolico piaui foto Paulo Barros
Parque Eólico Chapada do Piauí I

 



O engenheiro Airton Freitas Feitosa, gerente regional de Operação Oeste da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, disse que às 14h55 do dia 16 de junho foi energizada, em vazio, sob à Subestação Picos, localizada no município de Picos, a Linha de Transmissão de 230 KV, de Codificação Operacional 04P1, que interligará o Parque Eólico Chapada do Piauí I, localizado no entorno das áreas dos Municípios de Marcolândia, Caldeirão Grande, Simões e Padre Marcos, permitindo o escoamento da energia elétrica gerada no mesmo para o Sistema Interligado Nacional.

A linha de transmissão tem 85 quilômetros de extensão e em 20 de junho teve início ao processo de energização da barra de 34,5 KV, em fase de teste, que coletará a energia gerada naquele Parque Eólico.

Fase de teste
Desde ontem, foi iniciada a fase de teste dos 115 aerogeradores do Parque Eólico Chapada do Piauí para que possam ser disponibilizados para entrarem em operação comercial já a partir do dia 1º de julho, com geração total de 210 megawatts, o suficiente para atender a uma demanda populacional da ordem de 400 mil pessoas.

A usina de Boa Esperança, em Guadalupe, inaugurada em abril de 1970, produz 273,7 megawatts, quase a mesma quantidade produzida pelo Parque Eólico Chapada do Piauí. As duas empresas que já produzem na Pedra do Sal, em Parnaíba (345 km de Teresina), geram 88 megawatts. Há registros de que a maior demanda de energia do Piauí foi registrada no dia 21 de outubro de 2013, que foi de 783 megawatts.

Os investimentos necessários para viabilizar este empreendimento foram da ordem de R$ 840 milhões feitos pela Chesf (49%) e ContourGlobal (51%).

O Piauí, que teve o seu efetivo início de desenvolvimento em 7 de abril de 1970, com o advento da Usina Boa Esperança, agora através da Chesf e ContourGlobal passa a ter papel de destaque na geração eólica do País.

Com agências




Mudanças na política energética e na política do setor elétrico brasileiros podem criar para o País uma matriz energética com grande participação de fontes renováveis, limpas e com custos mais baixos do que os atuais. Esta é uma das conclusões da pesquisa “Desafios do setor de energia eólica no Brasil: uma abordagem sistêmica”, desenvolvida por Naya Jayme Ringer, dentro do programa de pós-graduação em Administração de organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP. A fonte, que já responde por 4,6% da matriz energética brasileira, necessita de linhas de financiamento de longo prazo, melhorias na infraestrutura e fortalecimento da indústria nacional.

Segundo o estudo, as mudanças nas políticas governamentais incluem, por exemplo, priorizar fontes limpas e de custo mais baixo nos leilões de energia promovidos pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Segundo dados de junho de 2014 da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) a fonte corresponde a 4,6% da matriz energética brasileira, cerca de 4,6 GigaWatts. A expectativa da associação, entretanto, é que até o final de 2018 haverá 13,8 GigaWatts instalados em território brasileiro.

O estudo apresenta uma analise ampla do setor, reunindo grande quantidade de informações que interagem entre si. Para isso, foi utilizada uma abordagem sistêmica. “Esse tipo de abordagem e a utilização da Soft System Methodology permitiu que uma situação difusa e complexa fosse analisada, organizada e traduzida em ações reais”, afirma Naya Ringer.

Sugestões

Além de organizar as informações disponíveis no Brasil, o estudo também sugere algumas melhorias, que podem contribuir de forma prática para o crescimento da participação da energia eólica na matriz energética nacional. A pesquisadora lembra que, enquanto um setor em consolidação no Brasil, ainda são necessários incentivos e políticas relacionadas à indústria eólica.

Estes incentivos incluem a ampliação de linhas de financiamento de longo prazo e melhorias em infraestrutura como ampliação da rede de distribuição e no acesso aos parques eólicos. “É importante que o país altere a forma de ampliação da rede elétrica e organize o ambiente institucional do setor elétrico”, afirma a pesquisadora.

Como um dos fatores que poderia contribuir para a redução dos investimentos iniciais dos projetos, um dos principais desafios do setor, o estudo aponta para o fortalecimento da indústria nacional e, em um primeiro momento, promover competição e competitividade por meio da importação e equipamentos.

“É importante que seja dado um prazo adequado para que a indústria brasileira se nacionalize de forma fortalecida, se prepare para transferência de tecnologia e para, em uma segunda etapa, competir em um mercado internacional”, completa a pesquisadora. A dissertação “Desafios do setor de energia eólica no Brasil: uma abordagem sistêmica”, desenvolvida na FEARP teve orientação da professora Lara Bartocci Liboni Amui.


 

Fonte: Agência USP de Notícias









A Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado analisa em decisão terminativa, na quarta-feira (12/06), projeto de lei que eleva de 50% para 100% o desconto nas tarifas de uso de redes de transmissão e distribuição para as usinas eólicas de geração de eletricidade (PLS 379/2008).

Apresentado pelo ex-senador Renato Casagrande, o projeto determina que o incentivo perdurará o tempo necessário para a amortização, parcial ou integral, dos investimentos realizados pelo empreendedor.

O projeto prevê ainda que, ao término da amortização, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fixará um novo percentual de redução compatível com a manutenção da competitividade do empreendimento.

Em seu relatório favorável à aprovação, o senador Walter Pinheiro (PT-BA) defende a concessão do incentivo, mesmo tendo os custos de produção de energia eólica se equiparado, nos últimos anos, aos das fontes tradicionais.

Na avaliação do parlamentar, a concessão do desconto pelo uso das redes de transmissão e distribuição se justifica pela necessidade de aumentar a participação da energia eólica na matriz energética brasileira, que representa hoje apenas 2% da produção total.

“Para elevar mais rapidamente a participação da energia eólica na nossa matriz, é de todo recomendável que se aumente para 100% o desconto nas tarifas de transmissão e distribuição. Se essa fonte energética pôde prosperar tanto com o desconto de 50% já concedido, certamente apresentará desempenho ainda melhor com o desconto de 100%”, diz Walter Pinheiro em seu relatório.


Fonte: Agência Senado




ParqueElicodentroO calvário dos parques eólicos que entram em operação, mas não possuem linhas de transmissão para fornecer energia ao sistema, deve aumentar em 2013. De acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), 50 projetos do tipo estão previstos para entrar em operação ao longo do ano, mas os respectivos sistemas de transmissão possuem atrasos de seis a 17 meses, dependendo do caso. Essas usinas respondem por 1,4 mil MW, ou 69%, dos 2,1 mil MW de capacidade instalada adicional de eólicas prevista para 2013.

Os 1,4 mil MW relativos a esses projetos, cuja transmissão está comprometida, correspondem a 15% dos 9 mil MW de capacidade instalada prevista para entrar em operação neste ano, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Para a presidente da Abeeólica, Elbia Melo, porém, alguns parques poderão ter o cronograma adiado, reduzindo o impacto do atraso pela transmissão.

As 50 usinas serão conectadas a cinco estações coletoras - como são chamados esses sistemas de transmissão, que recebem a energia dos parques e enviam para o restante do país. As cinco instalações pertencem à Chesf, subsidiária da Eletrobras no Nordeste, e estão localizadas na Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte.

Parte dos atrasos, segundo a estatal, é causada pelo acúmulo de obras sob responsabilidade da empresa e pela demora na emissão das licenças pelos órgãos ambientais estaduais e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Já os parques pertencem a diversos grupos nacionais e estrangeiros. Entre as companhias brasileiras, estão CPFL Renováveis, Renova Energia (braço da Light e Cemig no setor eólico), a mineira Energisa e a Neoenergia. Entre as empresas internacionais, estão a argentina Impsa, a espanhola Iberdrola e a italiana Enel.

Apesar de não fornecerem energia ao sistema, as geradoras são remuneradas normalmente, por lei, logo após a conclusão dos parques eólicos. "Embora não estejamos registrando prejuízo, gostaríamos de ver esses parques operando", disse a presidente da associação, salientando que a indústria eólica brasileira ainda está em fase de amadurecimento.

Hoje, existem 26 parques (622 MW) prontos, na Bahia e no Rio Grande do Norte, mas que não fornecem um megawatt sequer para o sistema, por falta de linhas de transmissão, também de responsabilidade da Chesf. Se as usinas estivessem operando, seria possível evitar R$ 150 milhões por mês de gastos com o acionamento das termelétricas de reserva. A capacidade instalada desses parques também se assemelha à potência instalada da termelétrica AES Uruguaiana, a gás natural, na fronteira com a Argentina, que o governo tenta, urgentemente, acionar.

O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, minimiza o problema. Segundo ele, esses 622 MW representariam aumento de apenas 1 ponto percentual no nível médio de armazenamento dos reservatórios hidrelétricos. "Não tem muito o que fazer agora. Existe um tempo natural de se fazer as coisas. É como uma fornada de pães, agora tem que esperar assar", explicou Elbia, ressaltando que é preciso aguardar as obras dos sistemas de transmissão serem concluídas.

Segundo a executiva, o problema ocorre por um descasamento entre os cronogramas de geração e transmissão, problema já apontado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em outras ocasiões. Normalmente, os leilões dos sistemas de transmissão ocorrem cerca de um ano após a licitação dos parques eólicos.

Ao contrário do que ocorre com as hidrelétricas, em que o governo já sabe onde precisa construir a transmissão, com base na localização dos rios, hoje a EPE espera a definição dos projetos eólicos vencedores dos leilões para determinar os empreendimentos de transmissão.

A expectativa inicial era que os sistemas de transmissão levassem 24 meses para ficarem prontos, desde a licitação do projeto até a conclusão. Mas, na prática, esse prazo chega a ser de 36 meses, em média.

A EPE sinalizou aos empreendedores que estuda modificações no planejamento. A ideia é que exista uma previsão do sistema de transmissão antes do leilão dos parques eólicos. Esse modelo pode ser implementado já nos leilões de energia deste ano. Outra medida em estudo pelo governo é a eliminação de futuras estações coletoras. Nesse caso, os investidores eólicos serão responsáveis pela conexão dos parques com as subestações.

 

Imprensa – SEESP
Notícia do jornal Valor Econômico – 17/01/2013
Foto: Revista IstoéDinheiro 



Desde que as pipas começaram a ser testadas para ajudar a impulsionar navios, algumas combinações bem estranhas passaram a ser vistas com mais naturalidade pelos engenheiros. A última ideia é combinar pipas e trens para criar uma nova forma de aproveitar a energia eólica. O princípio é o mesmo dos esportes aquáticos, em que o surfista usa uma espécie de paraquedas para impulsionar sua prancha.

No gerador a pipa, a energia cinética da pipa será convertida em eletricidade por um gerador móvel, girando continuamente em um circuito fechado de trilhos.

Gerador
O conceito está sendo testado em um projeto-piloto no Instituto de Engenharia Industrial e Automação, em Stuttgart, na Alemanha. Segundo ele, um gerador sobre trilhos, acionado por uma pipa, tem duas vantagens importantes em relação às atuais turbinas eólicas. A primeira é que o sistema é mais barato, mais simples de construir e instalar, e mais fácil de manter. Mas a principal é que as pipas podem aproveitar os ventos de altitude, muito mais fortes do que os ventos superficiais que impulsionam as turbinas eólicas.

A uma altitude de 10 metros, a probabilidade de que os ventos alcancem 5 metros por segundo (m/s) é de 35%. A 500 metros, a altitude em que as pipas deverão voar, chance sobre para 70%. Mas o ganho em energia é muito maior.

Circuito fechado
O piloto do sistema usa uma linha linear de trilhos de 400 metros, mas o projeto final prevê um circuito em loop, onde o gerador possa funcionar continuamente, controlado por computador - o piloto usa um sistema de controle remoto.

Um sistema de sensores horizontais e verticais e um sensor de força, localizados em cada cabo de ancoragem das pipas, garante um controle preciso das pipas conforme elas seguem um voo em formato de oito ou de onda senoidal.

Esse padrão de voo gera um empuxo de até 10 kilonewtons por pipa, o que significa que uma pipa de 20 metros quadrados tem a capacidade para puxar 1 tonelada.

O projeto já conseguiu a parceria de investidores privados, que financiarão a construção do primeiro sistema completo, já com os trilhos em circuito fechado e o controle automatizado.

 

Imprensa – SEESP
Notícia do site Inovação Tecnológica



Há ventos suficientes na Terra para produzir quase toda a energia necessária para a humanidade nos patamares de consumo previstos para o ano de 2030. Esta é a conclusão de um estudo que alcançou uma resolução sem precedentes na modelagem da energia eólica em escala global, e baseando-se apenas na tecnologia atual dos aerogeradores. Se toda a energia consumida pelo ser humano for convertida para energia limpa, estima-se que o mundo precisará de 11,5 terawatts (TW) em 2030.

Vários estudos têm sido feitos para calcular qual é a potência máxima que a energia eólica pode atingir em termos globais, sobretudo porque cada turbina adicionada retira uma parte da energia dos ventos. Os resultados têm sido conflitantes, mas a conclusão persistente é que os modelos computacionais usados nos cálculos ainda são muito frágeis.

Modelo eólico
Mark Jacobson (Universidade de Stanford) e Cristina Archer (Universidade de Delaware) criaram agora o melhor modelo já feito para prever o potencial eólico em escala global. Eles segmentaram o vento na atmosfera em pequenos cubos no espaço, ao longo de toda a Terra. Isto permitiu expor cada turbina individual aos ventos de vários cubos ao mesmo tempo, alcançando um grau de resolução que superou muito todos os modelos anteriores.

Com isto foi possível não apenas analisar as diferenças locais de vento - em termos de altitude e, sobretudo, na terra versus mar - como também verificar o impacto de cada turbina sobre o vento que sobrará para as outras.

Saturação eólica
A conclusão é que há centenas de terawatts disponíveis para a geração eólica, superando largamente a demanda prevista. Em um determinado ponto, contudo, a adição de novas turbinas não aumenta a geração total de energia porque cada turbina reduz a quantidade de energia eólica disponível para as outras. O ponto de saturação global é de 250 terawatts.

Mas este dado é apenas teórico, sem efeitos práticos, porque se baseia na colocação de turbinas de 100 metros de altura em toda a porção terrestre do globo. Em uma versão mais realista, limitando a colocação de turbinas eólicas a 0,5% da área terrestre e à parte costeira dos mares, a produção global de energia eólica seria equivalente a pouco mais da metade da necessidade global de energia em 2030 - 5,75 TW. Para isso seriam necessárias 4 milhões de turbinas de 5 megawatts cada uma - para comparação, a maior turbina eólica do mundo hoje produzirá 6 MW.

Esta não seria ainda a palavra final sobre o potencial eólico da Terra, que conta também com os ventos de grandes altitudes, para os quais ainda não há tecnologia disponível para exploração.

 

Imprensa – SEESP
Informação do site Inovação Tecnológica



A afirmação é de Eloy Casagrande Jr., doutor em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente, pela University of Nottingham, e pós-doutor em Inovação Tecnológica e Sustentabilidade, pelo Instituto Superior Técnico (IST), de Lisboa. Atualmente é professor na UTFP (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). Ele falou sobre o assunto em entrevista ao IHU (Instituto Humanitas Unisinos), do Rio Grande do Sul. Reproduzimos, a seguir, trechos da entrevista.

IHU On-Line - O Ministério de Minas e Energia divulgou que 15% dos domicílios brasileiros já dispõem de energia solar. O que esse percentual significa em termos de investimento em energia renovável?
Eloy Casagrande Jr. -
Significa muito à medida que o governo começa a reconhecer as energias renováveis como a solar, a eólica e a biomassa. Representa que, de algum modo, o país está saindo desse paradigma da energia hidrelétrica e termoelétrica. O investimento nas energias renováveis contribui para a redução de emissões, para uma maior eficiência energética, gerando menos gastos à sociedade. Então, o governo poderia aumentar, como fizeram em outros países, a linha de apoio por meio de isenções fiscais, linhas de financiamento especiais, porque, com esse tipo de apoio, se consegue que novas tecnologias entrem no mercado com mais força, possibilitando o acesso dos consumidores.

IHU On-Line - Por que o investimento em energia solar ainda é baixo, visto que o país possui os recursos necessários? Como entender a falta de incentivo para a produção de energia alternativa no Brasil, como a energia solar, por exemplo?
Eloy Casagrande Jr. -
O Brasil tem um potencial de energia solar e eólica ainda inexplorado. De fato, há uma baixa geração comparada ao potencial brasileiro. Nesse sentido, ainda há um caminho longo para percorrer em termos de desenvolvimento, tecnologia, know-how, criação de mais empregos, etc. Quando um país começa a sair do paradigma de uma energia poluente, como a energia baseada no combustível fóssil, e passa a investir em uma energia como a renovável, tem que investir em informação, educação, inovação, e precisa criar condições para que essa energia possa ser consolidada no mercado. Vejo que em todos os países isso acontece por meio de ações do governo. Não se pode deixar o mercado atuar sem nenhum tipo de apoio. Há de ter aí a "mão forte" do governo para isso acontecer.

IHU On-Line - A proposta para a ampliação da energia solar consiste em investir em um modelo de energia descentralizado ou num modelo centralizado?
Eloy Casagrande Jr. -
Os investimentos apontam para a energia descentralizada. A última resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sinaliza para que os consumidores, a partir de 2013, possam instalar uma regulamentação para energia fotovoltaica, energia eólica e energia de biomassa, ou seja, para que possam instalar minigeradores, microgeradores nas suas casas, nos escritórios, no hospital, numa escola, e a partir disso estar conectados à rede. Vamos nos tornar todos distribuidores de energia. Este é um modelo que já existe fora do Brasil há muitos anos. Ao investir nesse modelo, se tem a possibilidade de reduzir os custos da instalação, por exemplo, de painéis fotovoltaicos, que ainda necessitam das baterias. Além disso, ao produzir essa energia que não será consumida, será possível trocá-la por crédito de energia da rede, para utilizar a energia em momentos em que não há Sol, como à noite. Nesse sentido, percebe-se que há uma tendência clara para descentralizar a energia. Evidentemente, não se trata de grandes geradores, mas já é um avanço.

IHU On-Line - Quais os desafios em relação à energia solar no país? É possível garantir a eficiência energética investindo somente em energias renováveis?
Eloy Casagrande Jr. -
Temos que olhar a energia do ponto de vista sistêmico. Qualquer geração de energia do futuro vai ter que ser composta de diversas fontes. Não se pode, por exemplo, depender somente da energia oriunda de hidrelétricas, pois basta não chover por um período e ficaremos sem energia. Então, a matriz energética tem de oferecer um conjunto de ofertas de energia, que possam suprir as deficiências de cada uma.

Quando se discute a matriz energética, não se trata de dizer que a melhor energia é a hidrelétrica, a solar ou a eólica. O conjunto delas, associado a um bom programa de eficiência energética, o qual o Brasil precisa assumir, traria resultados. Ainda há muito o que fazer em relação às perdas de distribuição, em relação à melhoria dos equipamentos e dos produtos que utilizam energia elétrica, como os eletrodomésticos. As próprias construções também podem ser um alvo de estudo em posição de maior eficiência energética. Na Universidade Federal do Paraná, por exemplo, realizamos o projeto do "escritório verde", que aponta um conjunto de soluções para maior eficiência energética e uso racional da energia. Entre as propostas, estuda-se o isolamento térmico de futuras casas, com vidros e paredes duplas, com iluminação natural, com energia solar e com lâmpadas leves. Então, é esse conjunto de tecnologias e equipamentos que vai determinar o quanto de energia será possível dispor no futuro, trazendo economia.

IHU On-Line - É possível vislumbrar a geração de energia descentralizada e autossuficiente no futuro?
Eloy Casagrande Jr. -
Não sei se vamos ver um modelo energético autossuficiente no futuro, mas podemos encaminhar para não sermos tão dependentes de um modelo centralizado. Claro que isso mexe com grandes negócios, mexe com grandes lobbies, que estão envolvidos com a energia elétrica, desde que ela se tornou uma commodity que capta, concentra e vende a energia. Essas empresas de energia elétrica têm ações na bolsa de valores. Energia virou um produto que precisa render. Essa visão também já nos traz uma visão mercantilista da energia.

No futuro até podemos discutir essa visão, mas hoje é o modelo que temos: existem grandes interesses econômicos ao redor de tudo isso, e se formos fazer uma retrospectiva histórica da construção das hidrelétricas no Brasil, veremos que são as mesmas construtoras que constroem as hidrelétricas de hoje.

 

Imprensa – SEESP
* Informação do IHU-Online



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