GRCS

Mostrando itens por marcador: educação

Comunicação SEESP*

O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan, afirma ser impossível aplicar um projeto como o Escola sem Partido na instituição. Em entrevista ao Portal Terra, ele lembra que mesmo que a lei seja aprovada existe a autonomia universitária, garantida pela Constituição, que permite o amplo debate sobre discussões políticas, de gênero e sexualidade nas universidades em todo o País.

Na terça-feira (13/11), a Comissão Especial que discute o projeto Escola sem Partido, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), foi encerrada após obstrução e pressão dos movimentos sociais, o que acabou adiando uma possível aprovação do relatório na comissão. Desde a semana passada, a Câmara está restringindo a entrada do público à Casa.

O reitor da USP ressalta que a universidade é um local de debate. Mesmo no auge da ditadura, os debates eram intensos: "A universidade é um locus de debate. Você não pode impedir. O debate é importante porque estamos formando cidadãos, nós formamos profissionais, mas o grande objetivo da USP é formar excelentes cidadãos e excelentes líderes. Não consigo imaginar um professor fazendo proselitismo para os alunos, mesmo quando o professor da um curso de Marxismo, mostra as críticas, faz parte da formação".

Vahan Agopyan, que é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica (Poli), mestre em Engenharia Urbana e de Construções Civis pela mesma instituição e Ph.D. pela Universidade de Londres King’s College, diz que sua maior preocupação é que "a sociedade não entende" a importância de uma universidade de pesquisa, como a USP. "Políticos dos dois lados afirmam coisas muito similares. De um lado, ensino é caro, então privatiza. De outro, o ensino superior é caro e precisamos fortalecer o básico. São dois discursos diferentes, mas o que querem dizer é que a universidade está cara e não precisamos dela."

Em relação à sugestão do governo eleito de Jair Bolsonaro, de cobrar mensalidade em universidade pública, ele ressalta o caráter público das instituições como a USP, que contribui para o desenvolvimento do País e quem lucra com isso é a sociedade. Ou seja, não faz sentido a cobrança de mensalidades. "O grosso dos nossos alunos é classe média baixa. Não vai poder cobrar U$ 75 mil dólares como Yale, nem os ricos brasileiros têm. A última vez que fizemos umas contas, para cobrar em proporção com que o aluno tem, as mensalidades não davam nem 8% do orçamento da USP."


Questionado sobre o risco de peda da autonomia, o reitor da USP, que recebeu, em 2008, o prêmio Personalidade da Tecnologia, conferido, tradicionalmente, pelo SEESP, reconhece que o risco sempre existe, por ser uma decisão política. No entanto, frisou que em 30 anos de autonomia, foi comprovado que essa decisão só melhorou o desempenho da instituição, como o aumento da produção científica, gerando mais contribuição para o desenvolvimento do País e do mundo. "Aumentamos o número de alunos e a diversidade. Melhoramos a nossa transferência de tecnologia. Todo indicador que vc pegar, as três universidades paulistas dispararam", diz.

Ao ser indagado, ainda, sobre o clima de denuncismo, ele responde: "Denunciar para quem? Eu não vou criar um mecanismo de controle ideológico dentro da unviersidade".

 

Com informações do Portal Terra

Comunicação SEESP*

Família que estuda junto permanece unida. Foi mais ou menos com essa intenção que pai e filha começaram a estudar juntos em 2012, numa escola pública de Caucaia, região metropolitana de Fortaleza, no Ceará. Mais especificamente na comunidade indígena dos Tapeba, no bairro de Capua. O faxineiro João Monte Rodrigues, 52 anos, e a filha Ester Ferreira Rodrigues, 17, concluíram o Ensino Médio juntos e foram aprovados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para estudarem na Universidade Federal do Ceará (UFC). Ela em Engenharia Ambiental e ele, que diz que nem pensava chegar tão longe, ingressou em Engenharia de Petróleo.


Foto: Arquivo pessoal
ester e joao arquivo pessoal home
Ester e João Rodrigues estudaram Ensino Médio juntos e entram na mesma faculdade, no Ceará.


Fora da sala desde 1979, João Monte precisou deixar a escola para trabalhar na roça e confessou que faculdade era um "desejo, mas quase impossível". Voltou à sala de aula para obter a qualificação para procurar emprego "porque é o que as empresas pedem”.


A coordenadora pedagógica da Escola de Ensino Médio José Alexandre, Eunice dos Santos, onde João Monte estudou, acompanhou a dedicação dele aos estudos. “Normalmente, os alunos dessa faixa etária trabalham o dia todo e o aprendizado se torna mais complicado. Mas não foi o caso de João, que tinha interesse e assiduidade até maior que a de jovens”, conta.

Após a aprovação no Sistema de Selação Unificada (Sisu), a matrícula foi feita no começo de fevereiro, mas ainda não sabe se poderá cursar. Tudo depende se conseguir a assistência estudantil e obtiver a Bolsa Permanência (auxílio financeiro para indígenas e quilombolas). O curso de Engenharia de Petróleo tem grade curricular integral, com aulas durante o dia, onde cumpre expediente numa repartição pública. Felizmente, João integra uma parcela da população que tem direito a ações afirmativas para a população indígena e estudantes de escolas públicas. Agora, é torcer para que essa história termine bem. Ou melhor, continue com João engenheiro.


Com informações do jornal O Povo




agenda