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MiltonLourençodentroÉ inegável que a Lei 8.630, a chamada Lei de Modernização dos Portos, em vigor há exatos 20 anos, representou um avanço considerável nas atividades do Porto de Santos. Como se sabe, essa Lei passou a admitir a participação da iniciativa privada numa série de atividades que antes eram exclusivas da empresa estatal responsável pela gestão e operação do porto.

Isso se deu, porém, não em razão de uma estratégia clara do governo ou por razões ideológicas, mas porque, diante do crescimento da participação do País no comércio exterior e dos volumes movimentados, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), sucessora da antiga Companhia Docas de Santos (CDS), mostrava-se incapaz de responder à demanda.

Não fosse por isso, com certeza, o modelo antigo continuaria a vigorar por mais anos a fio, com a empresa funcionando como moeda de troca no jogo partidário e cabide de empregos para apaniguados de políticos de alto escalão. Muitos trabalhadores hoje aposentados lembram-se bem do tempo em que para conseguir uma vaga nas Docas era preciso exibir um bilhetinho assinado por um deputado federal.

Ainda bem que a classe política teve de se curvar às exigências da modernidade e da sociedade. O resultado é que, em 20 anos, os operadores privados mudaram radicalmente o panorama no Porto. Isso fica claramente expresso nos números oficiais dos índices de eficiência, ou seja, produtividade, tempo de espera das embarcações na barra e custo de operação por contêiner.

Segundo dados da Santos Brasil, o custo de operação de um contêiner para embarque/desembarque passou de US$ 737 em 1995 para US$ 290 em 2012, ou seja, houve uma redução de 60% desde a implantação da Lei 8.630. No mesmo período, o tempo de espera para atracação caiu de 22 horas para 6 horas. Já os índices de produtividade subiram de 15 movimentações por hora (mph) para até 155 mph em determinadas embarcações. Mas, em média, o Terminal de Contêineres (Tecon), operado pela Santos Brasil, tem alcançado a marca de 80 mph, o que se assemelha aos padrões dos terminais europeus.

A produtividade da Libra Terminais não tem ficado muito atrás. Em 2011, a média de operações da empresa foi de 37 mph, mas em 2012 há houve um ganho significativo, com o índice passando para 50 mph. Para 2013, a expectativa da empresa é chegar a 70 mph, o que igualmente pode ser considerado um padrão europeu.

Obviamente, isso não significa que se vive o melhor dos mundos e não haja necessidade de novos avanços, mas a conclusão que fica é que, ao abrir espaço para a participação privada nas operações portuárias, o País escapou do pior.

 Não foi à toa que o governo, novamente pressionado pela realidade adversa, tratou de editar a Medida Provisória 595 que permite que terminais privados sejam instalados fora da área do porto organizado, enquanto dentro do porto organizado as áreas serão sempre licitadas obedecendo à diretriz da maior movimentação de cargas e menor preço oferecido.

Agora o governo corre para leiloar 158 terminais portuários até o final do ano. Se haverá de consegui-lo, não se sabe, já que a morosidade estatal é sobejamente conhecida: afinal, nos últimos cinco anos, apenas oito ou nove terminais foram licitados. Seja como for, se arrendar pelo menos 50% desse número em 2013, já terá dado um passo gigantesco.

* por Milton Lourenço, presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)


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PetroleirodentroOs municípios brasileiros que recebem royalties sobre os valores arrecadados com a produção de petróleo não realizam uma gestão eficiente dos recursos, como aponta pesquisa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. A análise do economista e professor da FEA, Fernando Antonio Slaibe Postali, conclui que o maior volume financeiro disponível leva as prefeituras beneficiadas a aumentarem excessivamente os gastos com a máquina administrativa.

Postali se baseou em informações do banco de dados Finanças do Brasil (Finbra), realizado pela Secretaria do Tesouro Nacional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para analisar a situação fiscal das cidades que recebem participação nos royalties do petróleo. “O valor é recebido por 1.031 dos 5.600 municípios brasileiros”, afirma. “Eles são divididos em confrontantes, que abrigam áreas de produção em seus territórios, como as cidades do litoral dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Norte, ou afetados, que possuem instalações de embarque, desembarque e transporte de petróleo, oleodutos por exemplo.”

De acordo com a lei 9.478, de 1997, conhecida como “Lei do Petróleo”, 10% de todo o valor arrecadado com a produção é retido pelo Tesouro Nacional a título de royalties, quantia que atingiu R$ 12 bilhões em 2011. Dessa porcentagem, 36,25% é repassada aos municípios, de acordo com seu volume de produção. “Esse valor não tem relação com o tamanho dos municípios e de seu orçamento”, observa o economista. “A cidade de São Paulo, que é afetada e possui 11.253.503 habitantes, de acordo com o censo do IBGE de 2010, recebeu R$161 mil em 2011, enquanto Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, uma cidade confrontante, com população de 463.751 habitantes, obteve R$ 559 milhões no mesmo ano.”

De acordo com o economista, o maior volume de recursos disponíveis leva os municípios a gastarem mais com o custeio da máquina administrativa. “Os valores não são direcionados para investimentos consistentes e são alocados principalmente para a folha de pagamentos”, alerta. “Não há um esforço para fazer uma gestão mais racional do dinheiro e melhorar a eficiência da administração.”

Esforço fiscal
A pesquisa também mostra que a presença do dinheiro dos royalties não reduz o esforço fiscal dos municípios. “As prefeituras precisam de recursos oriundos da arrecadação de tributos, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), para financiarem seus investimentos”, explica Postali.

De acordo com o economista, outros estudos apontam que cidades beneficiadas com recursos do Fundo de Participação dos Municípios, por exemplo, não buscam outras formas de arrecadação. “No caso dos royalties, as cidades não perdem o estímulo de arrecadarem tributos próprios”, afirma.

O controle dos gastos dos municípios é de responsabilidade dos Tribunais de Contas dos Estados. “No Rio de Janeiro, por exemplo, o Tribunal proibiu a utilização dos recursos na folha de pagamentos”, conta o economista. “É preciso que haja um controle mais efetivo da utilização do dinheiro pelas administrações municipais.”

Segundo o professor, não é possível avaliar se a gestão dos recursos sofrerá mudanças caso seja alterada a fórmula de distribuição dos royalties. “Ao mesmo tempo, não haverá necessariamente mudanças com a descoberta e exploração de novas jazidas na região do pré-sal, ao longo do litoral, que só aumentará o volume de recursos disponíveis.” A pesquisa está descrita na tese de livre-docência de Postali, defendida em julho de 2012.
 

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Informação da Agência USP de Notícias




Antoninho Marmo TrevisanA informação que o IBGE acaba de divulgar, de que a taxa média de desemprego no Brasil em 2012 atingiu o menor patamar histórico, referenda a tese que venho defendendo, sobre o imenso potencial de crescimento sustentado do Brasil, reprimido, em grande parte, pela persistência de obstáculos estruturais. Pois bem, paralelamente aos impostos elevados, burocracia excessiva e insegurança jurídica, assistimos ao recrudescimento de outro problema grave: a criminalidade e a violência.

Quando se verifica o crescimento expressivo de execuções, latrocínios e assaltos em São Paulo, principal motor da economia nacional, é inevitável alertar sobre o impacto negativo na competitividade do País, como se já não bastassem as consequências humanas e sociais da violência. Para não ficarmos apenas na teoria sobre a questão, recorro a estudos abalizados sobre o tema, de respeitados organismos multilaterais. Tais relatórios mostram, em épocas diferentes, como a criminalidade acaba interferindo de modo direto no desempenho da economia, pois cria insegurança, exige a adoção de uma série de medidas onerosas de proteção da vida de colaboradores e do patrimônio das empresas, intimida investimentos e gera custos fixos para as operações, encarecendo produtos e serviços.

Segundo o Banco Mundial, a perda provocada pela criminalidade pode ser calculada em até 8% do PIB dos países nos quais se observam anos seguidos de crimes violentos. O trabalho, elaborado no final da década passada, observa: “As taxas decrescimento da economia, juntamente com a receita e os investimentos privados, seriam mais altas se não fosse a insegurança generalizada causada pela criminalidade. Em vez de simplesmente fabricar seus produtos, as empresas sentem-se obrigadas a gastar recursos na prevenção da violência e na proteção de seus colaboradores e de sua propriedade”.

Outro estudo, este realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mostra que se o índice de homicídios do Brasil, no início dos anos de 1990, tivesse sido tão baixo como o da Costa Rica, a renda per capita de nosso país seria duzentos dólares mais alta e o PIB, de 3,2% a 8,4% maior no fim da década. À época, o custo econômico da criminalidade na América Latina foi estimado pelo relatório em cerca de 14% do PIB da região. A violência também reduz a produtividade, os índices de graduação no Ensino Médio e o desenvolvimento da mão de obra, além de intimidar os investimentos produtivos nacionais e estrangeiros.

Resgatar esses estudos, neste momento em que a criminalidade volta a assustar muito os brasileiros, especialmente em São Paulo, é muito importante para mostrar que, além do flagelo da violência e das perdas irreparáveis da vida humana, podemos ter, em médio prazo, consequências bastante negativas para a economia. Esse é mais um problema não solucionado no País que contribui para mitigar seu crescimento. Em meio às medidas acertadas de resistência à crise mundial, estamos perdendo concreta oportunidade de ir muito além no nosso desenvolvimento. Literalmente, um inaceitável crime contra a competitividade nacional.

* por Antoninho Marmo Trevisan é presidente da Trevisan Escola de Negócios, membro do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República


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joao guilhermeQuando se diz que a conjuntura brasileira é favorável à luta dos trabalhadores e ao movimento sindical não se quer dizer que não há problemas a serem enfrentados; a boa conjuntura (apesar da crise mundial) garante as melhores condições para a luta.

O retrato mais perfeito da vantajosa conjuntura para os interesses dos trabalhadores foi dado na página inteira de economia em O Globo do dia 1º de fevereiro, assinada por Henrique Gomes Batista, com a colaboração de Fabiana Ribeiro.

Basta citar a linha fina, a manchete e o lead: Apesar do pibinho – Recordes no Trabalho – Desemprego de 5,5% em 2012 é o menor em dez anos. Renda subiu 4,1%, maior alta na década.

Todas as matérias da página, que merecem ser lidas, confirmam o aparente paradoxo do baixo crescimento econômico e vantagens para os trabalhadores.

É que estamos aqui no Brasil na contramão do que acontece no capitalismo avançado onde os ajustes são feitos contra os trabalhadores. O grande esforço que tem sido feito aqui é o de crescer a economia com distribuição de renda, mais emprego, mais salário e garantia de direitos.

Estas são, exatamente, as âncoras da conjuntura sob a ótica dos trabalhadores e do movimento sindical.

Com a responsabilidade que o seu protagonismo social exige e buscando o reconhecimento pleno de seu ativo papel desenvolvimentista, o movimento sindical deve perseverar na linha unitária que vem seguindo, hierarquizando seu apoio às medidas positivas que contemplem seus interesses, suas exigências de novos avanços e da eliminação dos erros que, às vezes, as arbitragens sucessivas podem cometer.

Amadurece na sociedade e no meio sindical – com reflexos nas mais altas esferas de governo – a necessidade de diálogo permanente, formal, criativo e respeitoso, maduro, que reforce a luta decisiva do País contra o rentismo e a agiotagem.

* por João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores


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farmacia comprimidosdentroEm 2003, a prestigiosa organização filantrópica Médicos Sem Fronteira (MSF) denunciou à comissão que gerenciava o Tratado de Livre Comércio da América Central (Cafta) uma distorção no preço de remédios. A ONG dizia pagar entre 75% e 99% a menos que o governo da Guatemala pelas mesmas drogas medicinais.

Isso significava que a margem (diferença entre preço de venda e custos de produção no setor) estaria entre 300% e 10 mil%.

Os acusadores davam um exemplo concreto: o preço do ARV 4T (40 miligramas) do Bristol-Myers Squibb para um ano de tratamento na Guatemala era de US$ 5.271 por pessoa, enquanto a MSF pagava US$ 53 pelo correspondente genérico. (É bom deixar claro que esse preço reduzido nunca aconteceria com os pseudogenéricos brasileiros).

Embora a maior das consequências perniciosas dessa obscena margem seja o conjunto de perdas econômicas para governos e sociedade, há outros prejuízos mais sutis, mas não menos deletérios. É apenas natural que esse desmesurado ganho proporcione e exija formas de persuasão, para não dizer corrupção, para manter-se vivo e até mesmo para estender seu campo de atuação.

É preciso, inicialmente, reconhecer a peculiaridade do setor: quem usa o remédio não é quem escolhe e, muitas vezes, não é quem paga. Essa condição dilui responsabilidades e compromissos. O exemplo a seguir vai tornar clara a condição.

A Secretaria estadual da Saúde de São Paulo durante o governo Fleury (1991-1994) emitiu por três meses uma série de pedidos de aquisição de até 20 medicamentos. As drogas eram condicionadas a direitos proprietários. Ou seja, eram medicamentos patenteados. Acontece, porém, que, àquela época, menos de 5% dos medicamentos em uso no Brasil eram produtos patenteados. Os demais tinham o registro de propriedade vencido e eram, portanto, mais baratos. Se o Estado tivesse se restringido à compra de apenas um medicamento patenteado, tudo bem. Mas foram 27 e constituíram a totalidade de compras naquele ano.

Para evitar problemas com as exigências legais de licitação, uma associação de produtores multinacionais de medicamentos atestava que tais produtos não tinham similar nacional e eram, cada um deles, produzidos exclusivamente por certa empresa farmacêutica.

Em seguida, essas empresas vendedoras de medicamentos declaravam que sua representante diante do governo do Estado de São Paulo era uma certa intermediária, sempre a mesma para todas as produtoras. Essa empresa intermediária era propriedade de um indivíduo que, aliás, foi condenado logo depois, no caso dos sanguessugas.

Nenhuma dessas ações, em si, constituiria uma ilegalidade, pois os preços dos medicamentos comprados pela secretaria eram idênticos aos vigentes, aprovados pelo governo federal. A questão era a escolha dos patenteados, em detrimento de versões similares mais baratas.

O conjunto de compras somou cerca de US$ 300 milhões. Os documentos foram todos assinados por bagrinhos. Se prevalecesse, então, a doutrina atual dita domínio do fato do Supremo Tribunal Federal, haveria tubarões na rede.

O esquema só foi e ainda é possível graças à absurda margem de lucro que caracteriza o setor, pois o intermediário poderia ficar com, digamos, 50% ou mais e ainda restaria aos produtores de medicamentos um assombroso lucro.

De acordo com relatórios das próprias empresas que desenvolvem novas drogas e de suas associações, elas despendem até 15% de seu faturamento com pesquisas. Não há, portanto, como justificar essa margem exorbitante praticada pela indústria de medicamentos, principalmente porque se torna uma forma imoral de exploração da doença e do sofrimento humano.

* por ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, 81, físico, é professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e do Conselho Editorial da Folha

 

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Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo – 01/FEV/2013




DesempregodentroA taxa de desemprego do País ficou em 4,6% em dezembro e fechou o ano de 2012 em 5,5%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30/01) e mostram que o índice anual é o mais baixo da série história iniciada em março de 2002. Antes disso, a taxa de 2011 havia sido a menor da série, ao ficar em 6%.

O resultado de dezembro do ano passado também é o menor da série histórica. O recorde anterior havia sido registrado em dezembro de 2011 (4,7%). Em novembro de 2012, o índice ficou em 4,9%.

O IBGE iniciou a série histórica da pesquisa em março de 2002, por isso não há dado consolidado para aquele ano.

Em dezembro de 2012, o Brasil tinha 1,1 milhão de desocupados, 6% a menos do que em novembro, ou menos 72 mil pessoas. Em 2012, os desocupados somaram, em média, cerca de 1,3 milhão de pessoas, 6,1% a menos que em 2011 (1,4 milhão). Na comparação com 2003 (2,6 milhões de desempregados), o contingente de desocupados caiu 48,7%.

A população ocupada, que somou 23,4 milhões em dezembro, ficou estável em relação a novembro e representou aumento de 3,1% em relação a dezembro de 2011.

Já o rendimento médio real do trabalhador caiu 0,9% em dezembro na comparação com novembro e ficou em R$ 1.805. Em relação a dezembro de 2011, no entanto, o rendimento real cresceu 3,2%.

 

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Informação da Agência Brasil




sao-jose-dos-camposdentroAs indústrias de São José dos Campos estão recuperando o nível de exportações e ampliando a cada ano as vendas ao exterior. É o que demonstra o Balanço Comercial dos Municípios pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior). Com exportações no valor de US$ 6,3 bilhões, São José se destaca como o quinto maior exportador no ranking de municípios do ministério.

O resultado revela ainda que a cidade está recuperando o crescimento que vinha registrando antes da crise de 2009. Nos últimos quatro anos, o município recuperou 29% no volume das exportações e atingiu o patamar que vinha desenvolvendo nos anos de 2006 e 2007, acima dos US$ 6 bilhões. Os dados foram anunciados oficialmente nesta segunda-feira (28).

De acordo com o levantamento, as exportações registradas no município em dezembro passado somaram US$ 744.444.136 – esse total é 8,8% a mais que o apurado em novembro e o mais expressivo de todo o ano. A balança comercial também foi positiva, com saldo final da ordem de US$ 506 milhões – no ano, o saldo foi de US$ 2,68 bilhões.

Aviões, peças e equipamentos aeronáuticos, automóveis e eletrônicos foram os produtos com maior expressão no total das exportações de São José dos Campos. No ranking dos maiores exportadores, o município foi superado somente por São Paulo e Rio de Janeiro e pelas regiões portuárias de Angra dos Reis (RJ) e Parauapebas (PA).


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Notícia da Prefeitura de São José dos Campos




Cristina Kirchner 1-350x250A presidente da Argentina, Cristina Kirchner (foto ao lado), anunciou nesta segunda-feira (28/01) que irá aumentar o limite do imposto de renda. Deixarão de pagar o tributo trabalhadores solteiros que recebem menos de 8.360 pesos mensais – algo como R$ 3.352, conforme cotação do Banco Central desta terça-feira (29) e os casados (dependendo do número de filhos), com renda de até US$ 11.563 (R$ 4.636).

Segundo o site do jornal Clarín, a medida começa a valer a partir de 1º de março, fazendo com que apenas 17% dos trabalhadores do país paguem o tributo.

Além disso, a presidente argentina afirmou também que vai elevar em 15,2% o valor do mínimo para as aposentadorias, sendo assim a quantia passará de 1.879 pesos (R$ 753) para 2.165 pesos mensais (R$ 868).

 

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Notícia do Infomoney




IRnaPLRdentroEstudo do Sindifisco Nacional (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) tenta mostrar que a correção aplicada pelo governo para o IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física) está pesando no bolso do trabalhador com menor renda. Isto porque, pelos cálculos do sindicato, a defasagem na tabela está em 66,4% - no acumulado entre 1996 e 2012.

A pesquisa foi feita com base em informações da Receita Federal e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). E considera o IPCA, índice que mede a inflação oficial, que fechou 2012 em 5,84%.

No estudo do sindicato, o percentual de 66,4% foi obtido confrontando-se o IPCA dos últimos 16 anos (que equivale a 189,54%) com a correção na tabela no mesmo período (73,95%). Aplicando-se uma série de cálculos, se obteve a perda em quase duas décadas. De 2002 a 2012, essa defasagem chegou a 14,25%.

O reajuste da tabela do IRPF para este ano é de 4,5% - conforme a Lei 14.469, que estabeleceu o índice para os anos-base de 2011 a 2014. Desta forma, a faixa de isenção para o recolhimento pula de R$ 1.637,11 no ano passado, para R$ 1.710,78 em 2013. Porém, o sindicato avalia que se a tabela não estivesse sendo corrigida, desde 1996, sempre abaixo da inflação oficial, a faixa de isenção estaria em R$ 2.784,81. "Estes números mostram claramente que o contribuinte vem perdendo, e muito, com a política adotada para a correção da tabela do IR aquém da inflação oficial no ano", avalia o estudo.

O diretor de Estudos Técnicos do Sindifisco Nacional, Luiz Antônio Benedito, comenta que com o IPCA em 5,84% e reajustes salariais que ultrapassam os 8%, muitos contribuintes passam a descontar IRPF - ou mudam de faixa de alíquota, e com isso pagam mais - pelo simples fato de terem melhorado seus ganhos nas datas-base.

Em outro exemplo, o sindicato explica um caso de um contribuinte que no ano-calendário de 2012 foi isento, já que seus rendimentos (tributáveis líquidos) somaram R$ 19.644. Mas se no mesmo ano seus rendimentos tivessem sido reajustados em 5,84%, ele passaria a receber R$ 20.791,21. E na tabela vigente no ano-calendário de 2012 (reajustada em 4,5%, conforme a Lei 12.469 de 2011), essa parcela excede o limite de isenção e seria tributada à alíquota de 7,5%. Mas se a tabela do IR fosse também corrigida em 5,84%, ele estaria isento. "Essa simulação mostra que o governo está se valendo do processo inflacionário para aumentar a tributação das pessoas físicas."

"Desta forma, o estudo é uma forma de dar uma opção ao cidadão, para que pressione seus representantes e cobre deles uma alteração na política de tributação", entende Benedito.

O analista da Tendências Consultoria, Felipe Salto, aponta que é uma decisão do governo escolher o modelo de atualização. "Há várias regras que o governo pode seguir. Pode corrigir pelo IPCA, pode corrigir pela meta. O importante é que a tabela guarde relação com as mudanças que acontecem na atividade macroeconômica", comentou.

De acordo com ele, "no mínimo", a atualização deveria seguir a evolução dos preços médios da economia, de preferência os salários. "Se os cálculos do Sindifisco estiverem corretos, esse percentual de 66% é considerável. Mas com o ajuste com base na meta da inflação, a defasagem não seria tão grande", opina o analista.

 

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Notícia do jornal DCI – 24/01/2013



Centraissindicaisdentro1Reunidas em São Paulo nesta quarta-feira (23/01), representantes das centrais sindicais brasileiras definiram a data de 6 de março para a realização de uma grande marcha a Brasília. A manifestação retoma a agenda política aprovada pela Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora). A Marcha pela Cidadania, Desenvolvimento e Valorização do trabalho, organizada pela CTB, CUT, CGTB, Força Sindical, NCST e UFT vai cobrar redução da jornada, fim do fator previdenciário, retomada do investimento público e contrapartidas sociais.

A intenção dos sindicalistas é entregar essa pauta diretamente à presidenta Dilma Rousseff. Os representantes das centrais entendem que a data é pertinente, pelo fato de coincidir com as semanas iniciais dos trabalhos da Câmara Federal em 2013. Além disso, entre os dias 4 e 8 de março a cidade de Brasília também abrigará o 11º Congresso da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), entidade que poderá contribuir de maneira determinante para o sucesso da marcha.

Os dirigentes das seis centrais reiteraram a importância do sindicalismo brasileiro estar unificado para que retome o seu protagonismo e exerça pressão sobre o governo e o Congresso pela retomada do investimento público e em defesa da indústria nacional, fortalecendo o mercado interno e garantindo contrapartidas sociais.

"As centrais sindicais irão demonstrar mais uma vez sua capacidade de articulação, ao reeditar as grandes marchas realizadas durante o governo Lula, que garantiram, entre outros avanços, a política de valorização do salário mínimo. “Temos totais condições de reunir dezenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras em Brasília no dia 6 de março. É hora de mostrarmos ao governo que é preciso avançar mais, no sentido de adotar políticas mais ousadas para garantir o desenvolvimento do país”, afirmou o presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Wagner Gomes.

Pauta Social
“Fizemos uma análise econômica do momento e isso nos levou a uma pauta que aponta para a retomada do crescimento, com mais e melhores salários e empregos, garantindo e ampliando direitos”, explicou o secretário geral da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Sérgio Nobre, que coordenou a reunião realizada na sede entidade, em São Paulo.

“É uma pauta social, com bandeiras amplas, que soma trabalhadores da cidade e do campo, estudantes e idosos pelo desenvolvimento com valorização do trabalho. Desde agora nós vamos mobilizar nossa militância para encher a Esplanada, para entupir o Planalto”, destacou Nobre.

Para o secretário geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), “esta retomada da unidade de ação, com reivindicações unitárias, amplia a pressão pelo atendimento da nossa pauta, que cobra mais atenção à produção, que quer mais investimento em políticas públicas”. De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, um dos problemas a serem resolvidos é o da desoneração, que acaba repercutindo negativamente na Previdência. “O fato é que quem mais demitiu foi, infelizmente, o mais beneficiado pela política de desoneração”, criticou.

O presidente da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Ubiraci Dantas de Oliveira, lembrou da recente reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), onde foi debatido o baixo crescimento econômico do país e a necessidade de acabar com o superávit primário, “recursos que são drenados do Orçamento para a especulação”. “A queda do PIB se deve à paralisia do investimento público, dos cortes nos recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), da queda dos investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O Brasil não pode seguir neste rumo”, alertou Bira.

Para o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, a Marcha será fundamental para imprimir mudanças importantes, pautas comprometidas com o desenvolvimento, mas que não foram cumpridas. “Precisamos dar visibilidade às reivindicações dos trabalhadores. Queremos um Brasil de inclusão, com trabalho decente, com mais investimento em saúde e educação”, nomeou.

Na avaliação do presidente da NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), José Calixto Ramos, o fundamental é convocar a sociedade para que participe da Marcha. “Nossas bandeiras são as da Conclat, que defendem o desenvolvimento do país com valorização do trabalho e distribuição de renda. Só não interessam aos que estão ganhando com a crise”, frisou.

Reivindicações
Diante da definição de que a Agenda da Conclat, elaborada pelas centrais em 2010, servirá como base às reivindicações que serão entregues à presidente Dilma, os sindicalistas definiram oito pontos fundamentais para a marcha:

- Fim do fator previdenciário

- Redução da jornada de trabalho para 40h semanais, sem redução de salários

- Educação: 10% do PIB para o setor

- Saúde: 10% do PIB para o setor

- Reforma agrária

- Valorização das aposentadorias

- Ratificação das convenções 151 e 158 da OIT

- Mudanças na política macroeconômica

 

Imprensa – SEESP
Notícia do site da Fenafar
Foto: do site da CUT 



MundodentroNeste ano, cerca de 2.500 líderes globais de empresas, governos e ONGs se reunirão em Davos para mais uma edição do Fórum Econômico Mundial (FEM). Entre as pautas, assuntos costumeiros como segurança internacional e recessão econômica. No entanto, outro tema de igual importância parece estar finalmente recebendo a atenção merecida: as mudanças climáticas.

Cerca de 30 reuniões, ou 15% do programa do FEM, tratarão sobre as mudanças climáticas e assuntos relacionados, como resiliência ambiental, segurança alimentar e manejo de recursos naturais.

Não é para menos. Com os recentes acontecimentos de eventos climáticos extremos, como as secas e o furacão Sandy nos UEA, as secas e altas temperaturas na Austrália, e o derretimento recorde no Ártico e seus impactos na economia mundial, fica cada vez mais difícil negar as mudanças climáticas e seus efeitos não apenas no meio ambiente, mas também na vida do ser humano.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação, um relatório lançado pelo fórum há duas semanas, baseado em uma pesquisa de mais de 1.000 especialistas da indústria, analisou 50 riscos globais em termos de impactos, probabilidade e interconexões, e classificou o aumento das emissões de gases do efeito estufa como o 3º maior risco global enfrentado atualmente.

O documento afirma que os eventos climáticos extremos, aliados às difíceis condições financeiras, representam uma combinação “cada vez mais perigosa” para a economia mundial.

“Na frente econômica, a resiliência global está sendo testada por políticas fiscais austeras. Na frente ambiental, a resiliência da Terra está sendo testada pelo aumento das temperaturas globais e eventos climáticos extremos que provavelmente se tornarão mais frequentes e severos. Um colapso grande e repentino em uma frente certamente prejudica a chance da outra de desenvolver uma solução efetiva e em longo prazo”, diz o texto.

Para lidar com esse impasse, John Drzik, diretor executivo do FEM, pediu que os criadores de políticas tomem medidas urgentes para combater os riscos ambientais e econômicos e sua relação.

“Duas tempestades – ambiental e econômica – estão a caminho de uma colisão. Se não alocarmos os recursos necessários para mitigar o crescente risco de eventos climáticos severos, a prosperidade global para futuras gerações pode ser ameaçada. Líderes políticos, líderes empresariais e cientistas precisam se unir para administrar esses riscos complexos”, comentou Drzik.

Nesse sentido, outro relatório, divulgado nesta segunda-feira (21) em Davos, declara que os US$ 5 trilhões anuais investidos em infraestrutura devem se tornar mais sustentáveis, a fim de estimular um desenvolvimento econômico ‘verde’.

De acordo com o documento, tornar a infraestrutura mais sustentável é incentivar, por exemplo, outras formas de geração de energia, como a solar e a eólica, e promover a eficiência energética em setores como a construção, a geração de energia, a indústria e os transportes. Isso, além de contribuir para um meio ambiente mais limpo, contribuiria também para um crescimento econômico maior e mais igualitário.

O texto indica que há alguns sinais positivos de mudanças, como o fato de que o investimento mundial em energias renováveis bateu um novo recorde em 2011, chegando a US$ 257 bilhões – uma alta de 17% em relação a 2010 – e que o investimento na mitigação e adaptação das mudanças climáticas chegou a US$ 268 bilhões no setor privado e US$ 96 bilhões no setor público em 2011, uma alta de 93% com relação a 2007.

No entanto, o relatório sugere que o que está sendo feito é pouco, e que ainda há muito investimento sendo feito em tecnologias e projetos poluentes e ineficientes. “Ainda há dinheiro do setor privado indo para a destruição climática”, lamentou Jake Schmidt, diretor internacional de políticas climáticas do Conselho Nacional de Defesa dos Recursos de Washington.

O documento mostra que, se uma pequena parcela dos investimentos vier do setor público, isso estimulará o setor privado a investir uma quantia muito maior. “Há muitos casos de sucesso no qual os governos orientam estrategicamente seus fundos públicos para mobilizar somas significativas de investimento privado para infraestrutura verde. É hora de ampliar essas soluções”, observou Thomas Kerr, diretor de Iniciativas de Mudanças Climáticas do FEM.

Por exemplo, o texto aponta que, se os atuais US$ 90 bilhões em gastos públicos globais contra as mudanças climáticas fossem aumentados em US$ 36 bilhões, chegando a US$ 126 bilhões, eles poderiam levar a um investimento privado de até US$ 570 bilhões anuais.

Além dos relatórios apresentados pelo FEM, documentos anteriores lançados por outros órgãos também estão sendo discutidos, como um texto do PNUMA que afirma que o planeta está a caminho de um aquecimento de 4ºC até 2100.

Outros assuntos, como a resposta do setor de seguros às mudanças climáticas, a segurança alimentar, e a necessidade de se investir em energias limpas para controlar o aquecimento global, também estão sendo abordados.

 

Imprensa – SEESP
Notícia do site Instituto Carbono Brasil



MercadodetrabalhodentroCom dificuldades para encontrar mão de obra qualificada, empresas têm recontratado ex-funcionários experientes. Em áreas como engenharia, administração e vendas, 36% deles receberam convite. Para os mais novos, porém, o emprego não está fácil. Mesmo com 1,2 mil vagas disponíveis no DF na construção civil, no turismo e em outros segmentos, 42,5% das pessoas entre 16 e 24 anos não conseguem emprego.

Profissionais aposentados estão a cada dia mais cobiçados. Pelos menos 36% deles receberam convite para retornar à ativa nos últimos três meses. Os dados são da Vagas Tecnologia, empresa especializada em consultoria e informatização da gestão de processos seletivos. "Esse é um fenômeno novo no país. A população da terceira idade continua sendo muito requisitada por sua experiência e qualificação. Com a escassez de profissionais, tem se tornado mais frequente a busca por um trabalhador com esse perfil", explicou a gerente de relacionamento, Fernanda Diez.

A pesquisa da Vagas Tecnologia demonstra que os aposentados requisitados são principalmente das áreas de engenharia civil, mecânica, eletrotécnica, administração de empresas e vendas. Têm em média 68 anos, curso superior e pertencem à classe média; apenas 5% não querem voltar a trabalhar, 47% continuam em atividade e 48% pretendem voltar ao mercado.

Para o professor José Márcio Camargo, especialista na análise do mercado de trabalho, isso ocorre porque os salários elevados fazem com que os aposentados percebam que têm uma chance que não podem desperdiçar. "Além do mais, em média, os brasileiros se aposentam muito cedo, com idade em torno de 55 anos, ou seja, em plena capacidade laborativa", observou.

Muitos dos que continuam na ativa nem chegaram, de fato, a parar. É o caso do mestre de obras Pedro Delfino da Silva, 69 anos. Aposentado desde 1997, ele conta que nunca deixou de trabalhar. Imediatamente após o pedido de aposentadoria, recebeu a proposta do diretor da construtora para continuar ocupando a mesma função que exerceu pela vida inteira. "Eles estavam precisando de mestres de obra na época, me ofereceram para ficar e eu aceitei porque é isso que sei fazer, é a essência da minha vida", afirmou.

Pai de 6 filhos, Pedro diz que a principal motivação para continuar é o gosto pela função que ocupa, mas ele não deixa de mencionar que a parte financeira também pesou na hora da decisão. "A renda sempre faz falta, mas esse é um fator que vai perdendo a importância; completo 70 em novembro e talvez esteja chegando mais perto da hora de parar", explicou.

Ajudar os filhos a construir a independência financeira e a carreira profissional também é um dos fatores que motiva esta geração a se manter na ativa. Com dois filhos adultos, um de 37 e outra de 24, a professora Marildes Esmeralda Álvares, 58, se aposentou há 11, mas nunca deixou a escola. Por 6 anos continuou em sala de aula e há 5 trabalha na biblioteca. "Da minha parte estou com uma situação financeira estável. Consegui construir uma casa, que está alugada, e moro em um apartamento no plano piloto, perto do meu local de trabalho, mas a minha renda ainda é importante para apoiar meus filhos, que já são independentes, mas sempre precisam de uma ajudinha aqui e outra ali", afirma a professora.

Peculiaridades
De acordo com o professor José Márcio Camargo, o cenário brasileiro tem outra peculiaridade. O aposentado que volta ao mercado de trabalho ou nele permanece não perde nem um centavo do benefício. "A aposentadoria, no Brasil, é muitas vezes usada como complemento de renda, uma vez que o profissional permanece em atividade. Em outros países, geralmente o aposentado perde uma parcela da aposentadoria se volta a trabalhar".

Foi o que fez o engenheiro civil Lauro de Oliveira, 72. Há dois anos, próximo de se aposentar compulsoriamente, ele fez um acordo com o diretor do órgão público em que é funcionário para continuar no quadro sem perder os benefícios específicos dos servidores da ativa. "Quando estava me aproximando dos 70, conversei com o diretor do departamento sobre a possibilidade de me manter no órgão. Ele acatou meu pedido, até porque na época havia uma necessidade de profissionais na área, e eu me mantive com o benefício da paridade em relação ao pessoal da ativa. Nesse caso, tenho direito a todos os reajustes e vantagens deles", afirmou Lauro.

O fenômeno de voltar ao mercado de trabalho após a aposentadoria é mais forte no Brasil também porque em outros países, notadamente os europeus, a idade de aposentadoria é mais elevada, em torno de 65 anos para o homem. Segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de aposentados que continuam trabalhando saltou de 3,3 milhões no ano 2000 para 5,4 milhões em 2011, elevação de mais de 60%.

Para os técnicos do IBGE, um dos fatores que explica essa situação é o aumento da vida útil profissional. Ao completar 35 anos de trabalho e ainda na meia idade, os trabalhadores sabem que têm 10 a 15 anos pela frente, tanto do ponto de vista físico como mental.

Outro fator é a queda brusca de renda que a aposentadoria pode trazer quando o profissional não possui seguro privado. Se ele depender apenas do benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cujo teto é de pouco mais de R$ 4 mil, e sua renda com o trabalho for muito superior, pode se ver, de uma hora para outra, numa situação difícil. Por todos esses motivos o IBGE estima que, em 2020, o número de aposentados na ativa pode alcançar 10 milhões.

Ajuda aos filhos
Na escola em que Marildes Álvares trabalha é comum as professoras se manterem na função depois da aposentadoria. Atualmente, 10 funcionários de sala de aula continuam na ativa, todos na faixa etária entre 50 e 73 anos. A maioria tem as mesmas motivações: construir algo para os filhos e manter a condição financeira.

 

Imprensa – SEESP
Notícia do Correio Braziliense – 23/01/2013
Imagem desta página do site NotíciaMais
Foto da home do blog Aposentados do INSS 



economia-brasileiradentroAs mudanças recentes no cenário econômico global – com a adoção de políticas mais favoráveis à circulação do capital internacional – beneficiaram tanto a entrada de investimentos de empresas estrangeiras no Brasil como a saída de corporações brasileiras para o exterior. O país, no entanto, não soube tirar proveito do aumento do fluxo de capital para melhorar ou aumentar sua capacidade produtiva.

A análise foi feita por Roberto Alexandre Zanchetta Borghi, doutorando no Centro de Estudos para o Desenvolvimento da Universidade de Cambridge (Inglaterra), durante o The Fourth Latin American Advanced Programme on Rethinking Macro and Development Economics (Laporde), realizado entre os dias 7 e 11 de janeiro na FGV (Fundação Getúlio Vargas), em São Paulo.

“O Brasil não usou esses movimentos de capital para fortalecer encadeamentos produtivos domésticos, nos quais se juntariam os investimentos das empresas estrangeiras com os das brasileiras, a fim de conferir maior dinamismo à economia”, afirmou Borghi em entrevista à Agência Fapesp.

Borghi e outros dois estudantes de pós-graduação brasileiros foram selecionados para apresentar os resultados de suas pesquisas durante o evento. De acordo com o pesquisador, que realizou iniciação científica e mestrado com Bolsa da FAPESP, os dois grandes ciclos de entrada de capital estrangeiro no Brasil no período recente de globalização ocorreram na segunda metade da década de 1990 e em meados da década seguinte. Ambos tiveram efeitos aquém dos desejados na capacidade produtiva do país.

Na década de 1990, a injeção de recursos privados estrangeiros no país esteve mais ligada ao processo de privatização e de fusão e aquisição de companhias nacionais por multinacionais do que à realização de novos investimentos, como a construção e ampliação de fábricas.

Já nos anos 2000, com a implementação de políticas econômicas voltadas ao crescimento do mercado doméstico, a entrada de capital estrangeiro na economia brasileira foi, de fato, segundo o pesquisador, mais voltada a novos investimentos – como a ampliação da capacidade produtiva das empresas para atender o aumento do consumo.

O período de retomada do crescimento da economia brasileira iniciado em 2004, porém, durou pouco e foi parcialmente interrompido pela crise financeira mundial em 2008, que causou a diminuição dos fluxos de investimentos externos. Mesmo a rápida recuperação do Brasil não levou, por exemplo, as subsidiárias brasileiras das montadoras de veículos retomarem seus investimentos no país.

“Logo depois da crise, após a implementação de algumas medidas econômicas no Brasil, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a demanda por automóveis no mercado interno recuperou-se fortemente; o ritmo da produção e de investimento da indústria automobilística no país nesse período, no entanto, deixou a desejar”, afirmou Borghi.

“Havia um mercado em expansão que daria a possibilidade de as montadoras investirem no país, sobretudo com elevado nível de utilização da capacidade instalada no setor. Mas o que se viu foi um movimento de remessa de lucros e dividendos dessas corporações para cobrir os prejuízos que tiveram nas economias centrais, mais fortemente impactadas pela crise”, disse.
 

Imprensa – SEESP
Informação da Agência Fapesp



EconomiaBrasildentroO Brasil é considerado, pelo Banco Mundial, um país com renda por habitante de nível médio para alto. Esse status foi confirmado em 1987 e ameaçado pela última vez em 2002. Estamos na faixa de renda por habitante entre US$ 4 mil e US$ 12.500 por ano. Por esse critério, parecemos bem próximos dos cerca de 30 países ricos da mesma classificação. Mas há um obstáculo no caminho. A maioria das nações empaca nesse estágio do enriquecimento - elas ficam presas numa "armadilha de média renda", com crescimento insuficiente para dar o salto seguinte. O brasileiro Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial para combate à pobreza, vem estudando o tema. É natural que economias maiores e mais maduras cresçam menos, mas Canuto concluiu que o problema é outro. Para ele, a estratégia que serviu ao Brasil (e à maioria dos países da turma remediada) para escapar da pobreza simplesmente não funciona para escapar do nível de renda atual. O problema foi detalhado num artigo publicado em setembro, escrito em coautoria com Pierre Richard Agénor, professor da Universidade de Manchester, no Reino Unido. O estudo dá ênfase à importância da educação e das telecomunicações, ajuda a entender por que o Brasil cresce menos do que precisa e como lidar com esse problema.

ÉPOCA- O Brasil corre hoje o risco de ficar preso numa armadilha de baixo crescimento?
Otaviano Canuto -
Acho que ele é baixo hoje, mas o Brasil corre esse risco se não avançar no ritmo necessário para a educação de qualidade. O país tem de fazer a transição para um sistema que premie o desempenho dos professores e em que os estudantes tenham melhores resultados em exames como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, organizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Além disso, precisa recuperar a capacidade de investir em infraestrutura, a tradicional - transportes, energia - e a avançada, de telecomunicações. Esse atraso, aliás, pode ser visto como problema e oportunidade. Se as deficiências de infraestrutura forem enfrentadas, o efeito em aumento de produtividade e redução dos gargalos será tamanho que abrirá oportunidade de o país continuar crescendo substancialmente. No caso da infraestrutura, quanto mais o Brasil perseguir a criação de campeões nacionais nessas áreas, maior é o risco de deixar para trás o usufruto e o potencial produtivo do acesso às novas tecnologias para todos os outros. Vimos isso na época da reserva de informática. O país pagou um preço. Ela não gerou os campeões nacionais e deixou os usuários atrasados. O custo para os usuários tem de ser levado em conta o tempo todo.

ÉPOCA- Mas o país foi bem-sucedido ao passar de economia de baixa renda para média renda. Por que o processo não continuaria?
Canuto -
Aí é que está: isso não é um processo contínuo. É o que se conclui da observação dos países na história recente que fizeram a transição para a renda alta. Não são muitos. Pelas definições do Banco Mundial, quando você olha de 1960 para cá, apenas 13 territórios, entre 101 considerados com renda média naquela época, conseguiram passar para o patamar mais alto. Entre esses, há sete casos que servem mesmo como referência: Japão, Coréia do Sul, Cingapura, Israel e Ilhas Maurício, além de Hong Kong e Taiwan, que no Banco Mundial tratamos como parte da China.

ÉPOCA - Por que os outros seis casos não servem de exemplo?
Canuto -
Não são casos ilustrativos. Um é o da Guiné Equatorial - um país na África, pequeno, com menos de 1 milhão de habitantes, extremamente bem-dotado de recursos naturais, renda muito elevada e muito mal distribuída. Outros cinco casos são muito peculiares: Porto Rico, parte dos Estados Unidos, e Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda, que se integraram ao espaço econômico europeu.

ÉPOCA - Como foi o primeiro salto dos países que passaram do nível de baixa renda para o de média renda?
Canuto -
Podemos supor que nem a metade dos 101 países de renda média em 1960 estava nessa condição 50 anos antes. Há uma história em comum entre essas economias, a América Latina e outras partes do mundo em que aconteceu, no passado, a transição de baixa renda para média renda: durante um processo de urbanização, houve um crescimento elevado por um longo período. Isso refletiu a transferência da atividade dos setores de subsistência, de baixa produtividade, de baixo valor de mercado, em geral na área rural, para atividades mais modernas, com mais capital e tecnologia. Mas isso ocorreu sem grandes novos requisitos educacionais. Não é um processo automático, mas ele aconteceu e acontece com relativo êxito. Em geral, essa mudança vem acontecendo no mundo sem necessidade de grandes saltos educacionais e na capacitação técnica do país.

ÉPOCA - Para essa transição, basta um treinamento básico?
Canuto -
É isso. São trabalhos que envolvem tecnologias já disponíveis, não tão sofisticadas. É a história do Brasil nos anos 1950, 1960, 1970, da Coréia do Sul nos anos 1970 e 1980, do Japão antes disso. Não há nenhum caso que eu conheça, dessa mudança de baixa renda para média renda, que não possa ser razoavelmente descrito por essa história. Como todo estereótipo, exige ajustes aqui e acolá. Na América Latina, o processo ocorreu no pós-guerra e a partir do mercado doméstico. Na Ásia, foi num momento mais recente, e usou o mercado externo como alavanca para aumentar a velocidade do processo. E lá houve muito mais ênfase na educação do que em nosso continente. A transição para a média renda foi muito mais sólida no caso da Ásia do que no da América Latina.


ÉPOCA - Como funciona o segundo salto, da média renda para a alta renda?
Canuto -
O que caracteriza aqueles sete casos que mencionei que servem de exemplo? Em todos eles, a partir de certo momento, foi esgotado o filão da simples transferência de gente (entre setores e do campo para a cidade). Esses países foram para outro estágio, em que a mão de obra precisa ser muito educada. Mas não basta fazer o esforço educacional se não houver um escoadouro da mão de obra para atividades de maior conteúdo tecnológico. Houve a criação local de capacidade de gestão, de organização de processos de produção, em setores com alto valor de mercado na economia mundial. A transição da média renda para a renda alta acontece quando uma parcela crescente da população é ocupada com atividades no alto da escala de sofisticação tecnológica. Elas exigem manejo de tecnologia, a adaptação, a inovação em processos e produtos. No Brasil, você tem altas capacidades tecnológicas e gerenciais, como a que você encontra na Embraer, na Petrobras, na agricultura. Mas a proporção dessas atividades não é alta o suficiente para puxar para cima a renda média do país.

ÉPOCA - Como uma boa infraestrutura ajuda a alavancar um país para o grupo dos países de renda alta?
Canuto -
A experiência dos asiáticos, de Israel e das Ilhas Maurício revela também que a infraestrutura adequada e no lugar certo é uma condição necessária para o sucesso. Refiro-me à infraestrutura básica, de transportes, energia, e a mais sofisticada, de telecomunicações, banda larga. Esse é um pilar necessário para a circulação de ideias e inovações. Em todos os países que deram o segundo salto também houve o fortalecimento dos direitos de propriedade e de auferir retornos com a introdução de inovações em produtos e processos. Esse é um ponto em que países como a China terão de adaptar seus sistemas se quiserem dar o salto no futuro. Nos casos em que houve o salto, há a percepção, por parte do investidor, de que quem introduzir inovações pode se apropriar do retorno obtido. Algumas sobrancelhas no Brasil vão se erguer com o que vou dizer, mas outro ponto que ajudou foi certa flexibilidade do mercado de trabalho. A contratação, num sistema rico em inovações, tem de ser mais flexível do que num sistema de produção em massa, porque os resultados são muito mais incertos. O fôlego da transição dependerá de haver uma estrutura física e institucional que a sustente e um ambiente amigável para a tomada de riscos.

ÉPOCA - Essa lógica inclui setores não tecnológicos, como entretenimento, moda e outros serviços sofisticados?
Canuto -
Sim. Essas atividades têm valor extremamente alto, com conteúdo "tecnológico", num sentido mais amplo, muito alto, desenvolvido localmente.

 

ÉPOCA - Por seu estudo, dar esse segundo salto é mais difícil. Que países parecem presos hoje na armadilha do baixo crescimento?
Canuto -
A Argentina é um. A base educacional da população já foi muito elevada, talvez sem a proporção de ciência e engenharia que seria interessante, e o país chegou a desenvolver capacidade tecnológica em algumas áreas. Mas está patinando há décadas. A armadilha da média renda é caracterizada, normalmente, por baixo crescimento da produtividade e uma parcela relativamente baixa de profissionais de alta qualificação em atividades criativas.

ÉPOCA - Há países no rumo correto para continuar crescendo sem cair na armadilha?
Canuto -
O Chile é um excelente caso e está numa trajetória dessa natureza. O desafio dele será ter uma parcela crescente da população ocupada em atividades superiores em sofisticação na cadeia de matérias-primas. O México também vai bem. Mas ainda precisa de um regime de direito à propriedade mais condizente com a inovação, precisa quebrar a rigidez em áreas como petróleo e telecomunicações.

Imprensa – SEESP
Entrevista publicada na revista Época



BeluzzodentroA expansão dos investimentos das empresas de países centrais para periféricos nos últimos 30 anos provocou uma polarização sem precedentes na economia global em que, de um lado, há hoje um conjunto de nações, como as do Leste Asiático, que se beneficiaram desse fluxo de capital e se tornaram industrializadas. No outro extremo restou outro grupo, formado por países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os da União Europeia, além de emergentes, a exemplo do Brasil, que passam atualmente por um processo de desindustrialização.

Para sobreviver a essas mudanças na dinâmica da economia global, os países da América Latina precisam se integrar economicamente. E esse processo pode – e deve – ser liderado pelo Brasil.

A avaliação foi feita por Luiz Gonzaga Belluzzo (foto), professor do Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Faculdade de Campinas (Facamp), durante o The Fourth Latin American Advanced Programme on Rethinking Macro and Development Economics (Laporde), realizado nos dias 7 a 11 de janeiro na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

De acordo com Belluzzo, a reconfiguração da economia global observada hoje - na qual alguns países, como a China, conseguiram obter saltos econômicos e passaram a concentrar a produção manufatureira mundial - não tem paralelo na História.

Isso porque, diferentemente do que ocorreu no século 19, quando países como por exemplo os Estados Unidos e a Alemanha emergiram como potências industriais de forma isolada e mudaram os rumos da economia mundial, o que se assiste atualmente na Ásia é à formação inédita de uma economia regional com alto grau de integração na produção manufatureira.

“A economia asiática se transformou em um polo manufatureiro de grande produtividade e integração em que alguns países, como a China, produzem peças e componentes de bens de consumo, e outros, como o Japão, são fornecedores de bens de capital - o que é espantoso e não tem precedentes históricos. Ainda há 2,6 bilhões de pessoas na região que estão disponíveis para serem incorporados [como mão de obra] a esse sistema produtivo”, ressaltou Belluzzo, que é membro do Conselho Superior da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A China já exporta mais bens de consumo, como vestuário, para os Estados Unidos, Canadá e México do que os 27 países que formam a União Europeia. E, além de produzir e exportar produtos de menor valor agregado, o país asiático avança para áreas de tecnologia mais avançada, como maquinários elétricos e componentes e equipamentos de informática.

Por meio de mecanismos de absorção de tecnologias, a China também já atraiu boa parte dos sistemas de pesquisa e desenvolvimento que estavam ligados a grandes empresas europeias e norte-americanas.

“Se esse movimento de graduação tecnológica e integração regional continuar no atual ritmo na Ásia, provavelmente haverá uma tremenda polarização da produção manufatureira global pelos países da região, que é insuportável do ponto de vista do desenvolvimento de outras nações, inclusive das desenvolvidas”, afirmou Belluzzo.

Para enfrentar o avanço da economia regional asiática, que começa a desenvolver instituições monetárias e financeiras próprias, segundo Belluzzo, os países da América Latina devem se integrar economicamente.

Isso porque, de acordo com ele, os países da região não têm escala de produção para sobreviver isoladamente como uma economia industrial moderna.

“O único país na América Latina que reúne os requisitos para enfrentar o avanço dos asiáticos com aumento de escala de produção é o Brasil. Mas o Brasil também não irá sobreviver sem avançar na integração com os outros países da América Latina. Em função disso e por ser a economia que tem mais condições na região, terá que liderar esse processo”, disse Belluzzo.

Segundo o professor, com o Mercosul foi possível avançar na questão da integração comercial dos países da América do Sul. Mas, a fim de ampliar esse projeto para a América Latina, é preciso se pensar na criação de instituições financeiras, como um banco, para apoiar projetos de investimento nos países da região e auxiliá-los a caminhar na direção de um espaço econômico único, a exemplo do que se constrói na Ásia.

“A integração econômica da América Latina é inevitável para os países da região sobreviverem ao surgimento do espaço econômico que surgiu na Ásia a partir de um novo movimento competitivo”, afirmou Belluzzo.

“Hoje, não há mais competitividade entre os países. São sistemas empresariais e produtivos que competem. Por isso, os países têm que adotar políticas de defesa de suas economias nacionais, que são muito diferentes daquelas que prevaleciam no passado”, destacou Bellluzzo, que foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1985 a 1987) e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (1988 a 1990).

Origens do fenômeno
De acordo com Beluzzo, essa nova forma de funcionamento da economia global, com o deslocamento dos investimentos produtivos dos países centrais para os periféricos, foi iniciada na década de 1980 e se acentuou na seguinte. O movimento coincide com mudanças que ocorreram nas políticas econômicas dos países desenvolvidos.

A partir da década de 1990, em função de mudanças no regime de política econômica dos Estados Unidos, a conta de capital americana (que registra as transações de fundos, empréstimos e transferências do país) começou a se tornar superavitária (positiva).

Em contrapartida, sua conta corrente – que registra as entradas e saídas relacionadas ao comércio de bens e serviços e pagamentos de transferências, como o financiamento das empresas para realização de investimento externo – passou a ser sistematicamente deficitária (negativa).

Já a conta corrente chinesa, que até o início dos anos de 1990 oscilava entre pequenos déficits e pequenos superávits, a partir de dessa época começou a ficar claramente superavitária.

“Isso bate exatamente com o movimento de capitais americanos para o exterior. Nessa época, houve um grande deslocamento de empresas americanas para a China”, explicou Belluzzo.

Desde então, segundo o economista, intensificou-se o investimento de empresas tanto norte-americanas como europeias na Ásia – sobretudo na China. Como consequência desse fenômeno, a economia dos países de origem desses investimentos e dos que concorrem com a China, como o Brasil, passam hoje por um processo de desindustrialização.

“Claramente, assim como a economia americana, a europeia e a brasileira estão se desindustrializando. O Brasil está perdendo elos importantes da cadeia industrial, como o setor de bens de capital, que está encolhendo”, disse Belluzzo.

Entretanto, na opinião do economista, o país não está condenado a sofrer uma desindustrialização devastadora. “O Brasil tem uma possibilidade muito grande de desenvolver certos setores que estão ligados, por exemplo, à exploração do pré-sal, e exercer o protagonismo na integração da América Latina”, destacou.

 

Imprensa – SEESP
Por Elton Alisson da Agência Fapesp



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