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Uma das constantes do movimento sindical unido é a luta pela baixa dos juros Selic.

Criado em 1980, o Sistema Especial de Liquidação e Custódia, sob responsabilidade do Banco Central (Copom) e da Associação Nacional das Instituições dos Mercados Abertos (Andima), é um grande sistema computadorizado ao qual têm acesso apenas as instituições credenciadas do mercado financeiro e através dele os negócios com títulos públicos têm liquidação imediata; daí a taxa Selic.

A elevação da taxa de juros Selic é utilizada pelo BC para combater a inflação, mas tem funcionado como um tiro de canhão para matar tico-tico.

Isso porque, em uma situação de paralisia econômica, de desemprego, de flutuação cambial abrupta, de desequilíbrio fiscal e de sobrevivência de vários preços administrados e indexados, a elevação da taxa Selic perde seu papel antagonista da inflação, mas agrava a recessão.

Embora seja uma heresia do ponto de vista dos rentistas, esta posição tem sido defendida publicamente até por economistas ortodoxos e “analistas do mercado” que defendem os interesses da bancolândia, mas estão atentos ao travamento geral dos negócios e aos interesses mais amplos dos capitalistas.

A elevação da taxa Selic produz o aumento das despesas do Estado. Cálculos variados dizem que um ponto percentual a mais na taxa acrescenta 13 bilhões de reais (Márcio Pochmann), 14 bilhões (Clemens Nunes) ou até 15 bilhões (José Serra) na dívida interna.

Por estas e outras é que o movimento sindical tem persistido em combater a alta.

E, como testemunho de justiça, devo destacar o papel da Força Sindical nesta luta, desde as sardinhadas malcheirosas de Brasília até os atos multicoloridos na sede paulista do Banco Central quando o COPOM se reúne.

A luta pela queda da taxa Selic soma-se hoje à luta contra o desemprego e a recessão e pela retomada do desenvolvimento.

 

 

* por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A “financeirização” da vida cotidiana, por meio do acesso ao crédito, tornou-se um dos componentes mais dinâmicos do capitalismo contemporâneo. E fator de reconfiguração das periferias de metrópoles de países emergentes. Este foi o fio condutor da pesquisa Urbanização e fenômeno financeiro em Buenos Aires e São Paulo no período da globalização, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no âmbito de acordo de cooperação com o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de la República Argentina (Conicet) .

O estudo foi conduzido pelos professores Fabio Betioli Contel, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), e María Laura Silveira, do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de la República Argentina (Conicet). E contou com a participação de Marina Regitz Montenegro, orientanda de Contel em pós-doutorado também apoiado pela Fapesp.

“O projeto contribuiu para a aproximação e o intercâmbio de pesquisadores entre a USP e diversas universidades argentinas, mas principalmente com a Universidade de Buenos Aires (UBA)”, disse Contel à Agência Fapesp.

Mencionando por enquanto apenas os dados levantados no Brasil, e ressalvando que tal levantamento se encerrou antes que a crise conjuntural atualmente vislumbrada pudesse aparecer nas estatísticas, o pesquisador afirmou que o valor das operações de crédito contratadas por pessoas físicas cresceu quase cem vezes entre 1995 e 2013, passando de R$ 12,9 bilhões a R$ 1,251 trilhão (dados não deflacionados). Desse total, 58% foram movimentados por famílias com renda per capita entre R$ 320 e R$ 1.120.

“Por meio de mecanismos como o cartão de crédito, o crediário nas grandes redes de comércio varejista, o financiamento para aquisição de imóveis, automóveis e outros, a ‘financeirização’ passou a fazer parte da vida cotidiana da população mais pobre. E a forte expansão do consumo que ocorreu durante o período estudado só pôde se viabilizar por causa dela. O número de cartões de crédito cresceu 590% entre 2000 e 2012, aumentando principalmente entre a população de menor renda.”

Coerção da compra
Um fenômeno importante investigado pelos pesquisadores foi que o protagonismo no processo de “financeirização” deixou de se limitar à ação dos bancos e instituições especificamente financeiras e passou a ser exercido também por grandes redes de comércio varejista. “Essas empresas obtêm, muitas vezes, maior lucratividade com a venda de produtos financeiros, como o crédito ao consumidor, do que com a venda das mercadorias que fabricam ou comercializam. Os juros incorporados às prestações excedem significativamente o valor real dos eletrodomésticos ou eletroeletrônicos vendidos”, destacou Contel.

A facilidade do crédito proporciona ao consumidor acesso imediato a um bem que sua renda não permitiria ter. Trata-se, como disse o pesquisador, daquilo que na sociologia foi denominado “coerção da compra”, no contexto da “sociedade do consumo”. “Essa ‘imediaticidade’ é a grande sedução do crédito. Se a pessoa economizasse durante alguns meses, poderia, no final do período, comprar o produto pelo preço à vista. O crédito lhe permite obter o produto imediatamente. Mas ao preço de pagar, muitas vezes, o dobro do valor.”

É preciso considerar que o impulso da compra atende, em vários casos, a uma demanda legítima, reprimida durante anos. O comprador pode ter necessidade real de determinado produto ou ser motivado pelo valor simbólico que atribui à posse dele. Se o seu padrão de renda aumenta, há uma tendência muito forte de responder a essa demanda.

“Um dos problemas é que o consumidor com menor grau de instrução raramente faz o cálculo de quanto terá pago pelo produto após quitar todas as parcelas. Sua preocupação é saber se o valor de cada prestação cabe no orçamento mensal..” As consequências disso podem ser o endividamento, a inadimplência e até mesmo a insolvência. No segmento das famílias com renda familiar até 10 salários mínimos, 63,9% estavam endividadas e 23% inadimplentes em 2013”, informou o pesquisador.

A principal forma de endividamento detectada pela pesquisa foi o uso do cartão de crédito, correspondente a 75,2% dos casos. Um mecanismo conhecido, confirmado pelo estudo, é o fato de o cartão ser, muitas vezes, usado para rolar dívida. “É claro que o acesso ao consumo gerou um aumento do conforto na vida das pessoas. Seria um contrassenso negar ou subestimar esse fato. Mas o que uma análise aprofundada evidencia é que esse fenômeno mais cria consumidores do que cidadãos”, argumentou Contel.

Financeirização do território
A pesquisa demonstra ainda que, concomitantemente à “financeirização” da economia, ocorre também a “financeirização” do território. E este foi um fenômeno bastante enfatizado pelo estudo, que se desenvolveu, afinal, no âmbito da geografia.

“Constatamos a crescente presença, nas periferias de São Paulo, de agências bancárias, instituições financeiras de crédito pessoal, filiais das grandes redes de varejo e serviços (dedicadas à venda de vestuário, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, fast food ou entretenimento), supermercados, hipermercados e shopping centers. Áreas que, na década de 1990, não eram sequer atendidas por serviços de entrega em domicílio passaram a dispor desses fixos geográficos. E, devido à concentração de estabelecimentos, muitas localidades das periferias tornaram-se pontos de referência para o consumo de moradores de outras áreas”, discorreu o pesquisador.

“Do ponto de vista do fluxo da renda, essa difusão e capilarização dos bancos, instituições financeiras e redes de comércio varejista nas periferias, acentua, por meio do custo dos produtos financeiros, a transferência de recursos dos segmentos de menor renda para o circuito superior da economia urbana, constituído pelos grandes grupos empresariais. Do ponto de vista das economias locais, promove a reconfiguração do espaço, contrapondo aos estabelecimentos dedicados aos pequenos negócios – o chamado circuito inferior da economia urbana – uma concorrência altamente capitalizada, favorecida pela publicidade, pelo status simbólico das marcas e pela oferta de crédito a prazo”, prosseguiu.

Como explicou o pesquisador, a “financeirização” é um dado estrutural do capitalismo contemporâneo. Os nexos financeiros comandam todas as atividades econômicas, incluindo a indústria, o comércio e os serviços. E, ou bem a empresa é diretamente controlada por um banco, ou bem acaba desenvolvendo um braço financeiro, que eventualmente suplanta em importância sua própria atividade-fim (industrial, comercial ou de serviços). A novidade, se é possível denominá-la assim, foi a extrema intensificação do processo graças ao recente aumento do poder dos atores financeiros, dado sua maior capilaridade no território e sua onipresença nos circuitos da economia urbana.

“Um aspecto muito relevante da ‘financeirização’ é a ‘ bancarização’. Antes, a interface dos bancos com os correntistas eram as agências bancárias. Hoje, além das agências, a nova topologia bancária permite a prestação de serviços por meio dos caixas eletrônicos, dos correspondentes bancários (que são postos disponibilizados, principalmente, em agências do correio e casas lotéricas), de terminais de cartão de crédito e débito e de computadores e smartphones. Até camelôs de rua utilizam atualmente terminais de cartão de crédito e débito para facilitar a venda de seus produtos. Trata-se de um processo de desmaterialização da moeda em escala planetária. Existe, e se desenvolve cada vez mais, uma nova base técnica que coloca os bancos, literalmente, em todos os lugares”, concluiu Contel. 

 

 

Fonte: Agência Fapesp/Por José Tadeu Arantes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio cogita de elevar a tarifa de importação de aço como forma de proteger os produtores locais e evitar o aumento das importações, especialmente as oriundas da China.
Não deixa de ser um contrassenso falar em proteção às importações quando, finalmente, se conta com uma taxa de câmbio considerada adequada para a produção local, bem ao contrário do cenário observado no último decênio, anterior a 2015, em que a valorização artificial da moeda provocava um incentivo às importações.

É certo que estruturalmente não houve alteração substancial na competitividade sistêmica, ou seja, todos os fatores, como custo do capital (juros), de logística e infraestrutura e burocracia, continuam maiores que a média dos nossos países competidores. O sistema tributário complexo e desequilibrado continua igualmente sendo desfavorável a quem produz no Brasil.

Especificamente para a indústria siderúrgica, há um problema adicional: o excedente da produção mundial, especialmente depois da crise nos países centrais e da desaceleração do crescimento chinês. A consequência é uma capacidade ociosa de produção, um excedente de oferta potencial estimado em 700 milhões de toneladas.

Para a indústria siderúrgica brasileira, cuja produção é da ordem de 33 milhões de toneladas ao ano, a situação de sobreoferta internacional representa um enorme desafio. Primeiro, porque não usufruímos de economia de escala, em razão da baixa participação no mercado global; segundo, porque ela padece dos mesmos problemas advindos do ambiente de negócios pouco competitivo no Brasil e que, consequentemente, afetam todos os segmentos industriais.

É nesse contexto que surgiu recentemente a proposta de elevação das tarifas de importação de aço, como uma forma de proteger a indústria siderúrgica local relativamente aos seus competidores internacionais. O excedente de oferta mundial também tem aberto espaço para práticas desleais de comércio por parte de competidores internacionais, inclusive o dumping, o que deve ser combatido com os instrumentos adequados de defesa comercial.

A proposta de elevar a tarifa de importação de aço, embora possa soar como benéfica para os produtores siderúrgicos, inviabilizaria segmentos relevantes da indústria de transformação brasileira. Como o aço é insumo de várias cadeias produtivas, o aumento de suas tarifas de importação criaria um "guarda-chuva" para a elevação dos preços dos produtores locais, onerando os fabricantes de produtos finais.

O quadro atual tarifário já revela uma distorção, uma vez que a alíquota de importação do aço é de 12%, enquanto a de máquinas e equipamentos, por exemplo, que utilizam o aço como insumo de fabricação de seus produtos, é de cerca de 8%. Isso denota a necessidade de uma ampla reforma tarifária que favoreça a geração local de valor, ou seja, tributando mais os produtos finais do que seus insumos de produção.

Um conjunto de 14 associações e sindicatos da indústria publicou recentemente um alerta em forma de manifesto apontando os problemas decorrentes da elevação tarifária no aço.

Embora todos os setores devam contar com condições isonômicas de competitividade, além de instrumentos contra as práticas desleais de comércio, a elevação de tarifas, no caso, não representa uma solução.

Isso porque, além de desfocada da questão principal, que é a canibalização do mercado provocada pelo excedente mundial de oferta, adicionalmente geraria elevação de custos e perda de competitividade para setores igualmente relevantes para o País, como os fabricantes de máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos, automóveis, construção civil, entre outros.

A solução estrutural para o problema está em garantir condições de competitividade sistêmica para a indústria como um todo. Vale unir esforços na elaboração e na implementação de uma política industrial e comercial que leve em conta os desafios para reverter a desindustrialização em curso.

 

 

* Por Antonio Corrêa de Lacerda, professor-doutor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e consultor. Artigo publicado, originalmente, no jornal O Estado de São Paulo, em 8 de janeiro de 2016

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Falta um projeto para o País voltar a crescer. A afirmação foi feita pelo economista Antonio Corrêa de Lacerda, coordenador de Estudos Pós-graduados em Economia Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), durante o debate “Perspectivas para a economia brasileira -Como sair da crise e voltar a crescer”, que ocorreu na tarde de terça-feira (15/12), na sede do SEESP.


Foto: Beatriz Arruda/Imprensa SEESP
para siteNa mesa, da esquerda para a direita: Flávio Brízida, Celso Atienza, José Roberto Bernasconi, Roberto Luis Troster, Antonio Corrêa de Lacerda, Artur Araújo, Waldir Pereira Gomes


De acordo com Lacerda, o Brasil cometeu diversos erros que, somados, resultaram no atual cenário de crise, como adoção do rentismo (especulação financeira), elevação da taxa de juros, desvalorização da produção, após um longo processo de desindustrialização, o que resultou em uma desvalorização cambial. “Padecemos de um projeto estrutural, que é a falta de um projeto de nação, que nos oriente para onde vamos caminhar”, afirmou o professor da PUC-SP, premiado  em 2013 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), no Prêmio Personalidade Profissional em Economia.

Ele falou ainda sobre a cooptação de todo o sistema pelo rentismo desde o Banco Central, governo, até a mídia, que noticia apenas os mercados financeiros, limitando o debate.

O economista Roberto Luis Troster, coordenador do curso de Banking da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP), também falou do fenômeno da financeirização da economia e acrescentou que o País vive uma combinação de diversas crises que, segundo ele, é de “crescimento, fiscal, inflacionária, energética, da Petrobras, política, de crédito”.

O consultor sindical da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Artur Araújo, falou da necessidade de uma política econômica que detenha capacidade de expansão dos investimentos. “Quando produtividade não é o assunto principal, e rentismo é elemento dominante, do ponto de vista das resultantes sociais, uma economia que não persegue o crescimento econômico, indago: que tipo de resultado isso gera na vida das pessoas”, lamentou.

Também participaram da mesa o vice-presidente do SEESP, Celso Atienza, que lamentou a supervalorização das commodities e a escolha do país em não agregar valor aos produtos e lembrou da importância de haver projetos de engenharia com previsão dos riscos de segurança no trabalho e ambiental para que não haja novas perdas do patrimônio natural, como ocorreu em Bento Rodrigues, Mariana, Minas Gerais.

José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de  Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), também compôs a mas, e fez uma avaliação negativa do contexto atual, citando as milhares de demissões ocorridas neste ano, que estima que possam chegar a 50 mil, só no setor, que congrega cerca de 30 mil pequenos, médios e grandes escritórios, reunindo quase 300 mil trabalhadores. Ele também falou da importância de existirem projetos e engenharia precisos.

“O que nós podemos fazer do ponto de vista político, institucional e prático. Quais as obras públicas serão pautadas? E os projetos, quantas terão projetos?”, indagou Bernasconi, referindo-se ao fato de muitas obras públicas não possuir projeto. ”Não tenho nenhuma dúvida em dizer que se houvesse projeto de engenharia, completo, nas contratações da Petrobras não haveria Lava-Jato. Aquilo (as obras) foi feito sem nenhum controle, a partir de contratação por carta-convite”, completou Bernasconi.

A mesa, mediada pelo diretor do SEESP, Flávio José Albergaria de Oliveira Brízida, foi composta também pelo economista Waldir Pereira Gomes, diretor da CNTU, que atribuiu os problemas atuais do país “a crise política”.


Deborah Moreira
Imprensa SEESP





Trabalhadores e empresários se unem para lançar um compromisso pela retomada do crescimento econômico. A elaboração de um documento de propostas das centrais sindicais e do setor produtivo, que demarque as bases de um “Compromisso Permanente pelo Desenvolvimento”, foi alinhavada, em reunião na segunda-feira (23/11), na sede do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) entre sindicalistas e representantes empresariais, na Capital paulista.

 

Foto: imagem captada do site da Agência Sindical
Centrais 23NOV2015 
Clemente Ganz, diretor técnico do Dieese, coordena o encontro 


A reunião teve dirigentes da CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central, CTB e CSB e representantes da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), Anfavea (Associação dos Fabricantes de Veículos), Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), Sindipeças (Sindicato da Industria de Componentes para Veículos), Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada). Também participaram integrantes do Clube de Engenharia, além do presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Celso de Campos Pinheiro.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), avalia que a reunião foi positiva. “Realizamos um encontro onde trabalhadores e empresários aprofundaram o debate sobre uma pauta que leve em conta o desenvolvimento do País e a geração de empregos”, afirma. O líder forcista lembra que as representações trabalhistas e empresariais serão ampliadas até o lançamento do documento comum dia 3 de dezembro.

Juruna ressalta que o “Compromisso Permanente pelo Desenvolvimento” será entregue à presidente Dilma Rousseff dia 9 de dezembro, durante reunião do Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda e Previdência Social, órgão tripartite coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República.

Segundo o secretário-geral da CSB, Alvaro Egea, o documento de propostas será formatado em reunião nesta quarta (25) com técnicos indicados pelas bancadas trabalhista e empresarial. “Ontem, fechamos as ideias gerais de um compromisso pelo desenvolvimento, que devolva a confiança necessária aos agentes econômicos e ao povo para a retomada do crescimento”, diz.

O sindicalista registra que o clima da reunião foi marcado pelo otimismo, “com todos os presentes apostando na capacidade do País de superar a recessão e construir uma agenda positiva”.

 

Imprensa SEESP
Com informação da Agência Sindical

 

 

 

 

 

 

 

 

Vou meter a colher na política. Mas precisamente nas fontes de financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais.

Dois fatos me movem. Primeiro, a decisão, correta, do Supremo, de acabar com as doações de empresas para candidatos e partidos. Segundo, levantamento do “Estadão Dados”, mostrando que, nas últimas eleições, 2/3 do que PMDB, PT e PSDB utilizaram vieram de doações empresariais.

Pasmem: o Partido dos Trabalhadores foi o que mais recebeu de empresas, ficando com 48% do total; PMDB pegou 27%; PSDB vem logo em seguida com 25%. Como pode um “partido dos trabalhadores” ser fartamente abastecido por doações de empresas, especialmente de grandes – como empreiteiras e bancos?

A doação, avassaladora - bancos, empreiteiras, múltis, terceirizadas etc. - não explica tudo, mas revela muita coisa. Revela, principalmente, que a chamada política burguesa conseguiu também transformar o voto em mercadoria. Ora, se o dinheiro a rodo é tão importante para as campanhas é porque ele possibilita a conquista do voto. Ou seja, a compra pura e simples do voto.

Não se faz política com moralismo. Mas a imoralidade não pode ser a regra. Essa avalanche de dinheiro muda o centro de gravidade da política e compromete a representação do mandato. Em vez do debate de ideias e projetos, prevalece a marketagem-prostituta, e esta faz todos os gostos do cliente, como aqueles moças que rodam bolsa no turno da noite – desde que se pague.

No sindicalismo, há tempos se debate a participação dos dirigentes no processo eleitoral. A última eleição devastou a representação sindical na Câmara Deputados. Naturalmente, o poder econômico prefere patrocinar os alinhados a seus interesses. Ou, se não, patrocina sindicalista desde que seja manso, banque projetos contra o trabalho decente ou aceite ser ponta de lança de iniciativas antidemocráticas, que, no fundo, são lesivas à própria classe trabalhadora.

A mudança no padrão de financiamento político não resolverá os graves problemas nacionais. Mas ajudará a elevar o padrão do debate político, fazendo os partidos irem ao encontro de seus programas e princípios. Por outro lado, obrigará os partidos a ampliarem o quadro de filiados, bem como estimular a militância, recuperando seu papel, hoje esvaziado pela negociação por cima, a cargo de tesoureiros do partido, atravessadores e todo tipo de pilantra da política.

A decisão de Supremo, correta e republicana, não teve repercussão nos meios sindicais. A Agência Sindical ouviu Ricardo Patah, presidente da UGT, que apoiou a tomada de posição da Corte. Demos manchete em nosso site e no boletim Repórter Sindical. E foi só.


 

* João Franzin é jornalista e diretor da Agência Sindical









Discutir a universidade e os programas de formação dos trabalhadores universitários para que haja uma renovação profunda em sua formação; discutir seu caráter organizacional, enquanto categoria; e construir um programa de transformação da sociedade, em conjunto com atores que estão historicamente ligados às grandes demandas sociais. Esses foram alguns desafios colocados na mesa que discutiu a “Importância e desafios dos trabalhadores universitários no Mercosul”, na  tarde de quinta-feira (27/8), durante o II Seminário Internacional de Integração dos Trabalhadores Universitários, promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU). Coordenada pela vice-presidente da CNT, Gilda Almeida, a atividade ocorreu às 14h, no auditório do SEESP, na capital paulista.
 

Foto: Beatriz Arruda/Imprensa SEESPgambinaO economista Julio Gambina da Argentina

Os desafios foram elencados pelo argentino Julio Gambina, professor do Instituto de Estudos e Formação da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) e da Universidade Nacional de Rosário. Gambina, que é especialista em política mundial e dívida externa, atualmente é um dos colaboradores do governo de Evo Morales, presidente da Bolívia, país o qual o dirigente fez uma ampla defesa.

“Comparando proporcionalmente a população e seu território, a Bolívia é o país, em todo o mundo, que possui as mais altas reservas internacionais, mais do que a China, que tem 4 trilhões de dólares de reservas internacionais”, disse, enfatizando que a Bolívia é o país que mais vai crescer na América Latina.

Mas, para impactarem efetivamente na economia, as mudanças naquele país tiveram que ser também culturais. Ao modificar sua constituição, em 2009, incorporou-se a economia comunitária como forma de organização econômica daquele país. “É um governo de um indígena, com integrantes indígenas, que sentam para discutir política com os profissionais doutores de igual para igual. E se equivocam, erram, acertam, experimentam, mas constroem um governo do povo”, completou.

Em sua visão, para a construção de modelos de governos alternativos ao pensamento hegemônico do capital, é fundamental que os trabalhadores universitários consolidem uma organização classista para se somarem às trincheiras já cavadas por outros movimentos, como dos trabalhadores rurais que lutam pela soberania alimentar dos povos.

“É preciso lutar pela soberania alimentar e ouvir o movimento dos trabalhadores do campo. A soberania alimentar não deve somente ser dos agricultores ou dos sem-terra, mas também dos nutricionistas, médicos, farmacêuticos, engenheiros, que têm que desenvolver processos técnicos produtivos para que o agronegócio não seja subordinado ao modelo produtivo das transnacionais da alimentação”, salientou, acrescentando que a América Latina e o Mercosul têm recursos e potencial intelectual para desenvolver a soberania financeira.

Mais especificamente sobre a integração, tema que foi cercado a todo momento pelos palestrantes da mesa, tem que ser feita em torno do trabalho e dos trabalhadores, e não de governos ou dos capitais, dando conta que algumas barreiras já estão sendo superadas como o idioma e as distâncias.

“Elegemos a integração dos povos, a unidade das trabalhadoras e dos trabalhadores do Sul, pensando em uma América Latina para a América Latina, por uma integração geral por um outro mundo possível”, concluiu.


Quem também participou da mesa foi Leonardo Batalha Pereira, do departamento de Relações Internacionais da Central Sindical uruguaia PIT-CNT, diretor do Sindicato dos Bancários do Uruguai, uma entidade nacional daquele país, e coordenador do Encuentro Sindical Nuestra América. Ele substituiu Juan Castilho, atual diretor nacional do Trabalho, do Ministério do Trabalho do Uruguai, que por questões políticas em seu país não pode comparecer, mas enviou uma carta saudando o seminário e discorrendo sobre mudanças na universidade.

"Negar o papel dos movimentos sociais na Bolívia é negar o processo de transformação que viveu aquele país. Creio que nós trabalhadores somos os motores dos processos de transformação", disse Batalha.

Educação continuada
Como proposta de formação, a CNTU tem como bandeira a criação de um sistema de educação continuada como política de Estado. Concretamente, a proposta consiste em assegurar aos profissionais 12 dias, ao ano, sem prejuízo de remuneração, para dedicação à educação.

Esse é o tema central da quarta edição da revista Brasil Inteligente, que foi lançada no primeiro dia do evento, pelo presidente da Confederação, Murilo Pinheiro. A publicação está disponível na versão impressa e também online aqui.

 




Deborah Moreira
Imprensa SEESP

 

 

 

 

 

 





A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentou, nesta quinta (13/8), uma proposta para uma redução de 18% no valor adicional pago pela energia elétrica, indicado pela bandeira vermelha – mecanismo adotado nas contas de luz para informar ao consumidor se ele está pagando mais caro. A redução já havia sido sinalizada pela presidente Dilma Rousseff no dia 11, durante o lançamento do Programa de Investimento em Energia Elétrica (Piee).


Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
luz agencia brasil

 

Apresentada na audiência pública da agência, a proposta reduz o valor pago na cobrança extra, dos atuais R$ 5,50 por cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, para R$ 4,50. Essa redução representa para o consumidor uma redução média de 2% no valor final a ser pago.

A diminuição desses valores será possível devido ao desligamento de 21 usinas termelétricas que produziam cerca de 2 mil megawatts médios de energia a um Custo Unitário Variável maior que R$ 600 por megawatt-hora. Os desligamentos foram decididos no dia 5 de agosto pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, que solicitou então à Aneel um estudo que simulasse o impacto dos desligamentos dessas térmicas nas receitas das bandeiras tarifárias.

O estudo foi apresentado na audiência de hoje. Na sexta (14), começa o prazo para o recebimento de sugestões e questionamentos ao estudo apresentado. Está prevista nova audiência no dia 28, quando será tomada a decisão final. Os novos valores da bandeira vermelha deverão ser cobrados a partir de 1º de setembro.

O sistema de bandeiras tarifárias sinaliza aos consumidores os custos reais da geração de energia elétrica. As bandeiras funcionam como um sinal de trânsito. A bandeira verde significa custos baixos para gerar a energia, portanto, a tarifa não terá nenhum acréscimo naquele mês. A bandeira amarela indica que a tarifa terá acréscimo de R$ 2,50 para cada 100 kWh consumidos. A bandeira vermelha informa que o custo da geração naquele mês está mais alto. Ainda não há previsão sobre a mudança da bandeira vermelha para a amarela.

Em palestra na Escola Naval de Guerra, no Rio de Janeiro, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que o novo cenário econômico e climático permite a redução das tarifas de energia no curto prazo. "A partir de agora, estamos entrando em ciclo de queda de tarifa, vamos ter uma redução estimada entre 15% e 20 % na bandeira vermelha e inaugurando um ciclo de baixa", afirmou.

Fonte: Agência Brasil




Com vasto mercado consumidor, o Mercosul é hoje o principal destino das exportações de produtos brasileiros de alto valor agregado. E, apesar de algumas divergências entre os seus parceiros e as dificuldades encontradas para a formalização de acordos de livre-comércio com outros blocos ou países, o Mercosul, com 24 anos de atuação, não só é uma iniciativa consolidada como fundamental para o comércio exterior. Basta ver que, hoje, 87% das exportações brasileiras para o bloco são compostas de produtos industrializados, manufaturados e semi-manufaturados.

Se não tivesse havido em 1991 um esforço conjunto para a assinatura do Tratado de Assunção entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, o País hoje estaria em maiores dificuldades, diante do atual neocolonialismo em que as nações desenvolvidas procuram só comprar commodities, vendendo em troca produtos manufaturados aos países emergentes e subdesenvolvidos.

O êxito do Mercosul pode ser medido também pela adesão da Venezuela como país-membro e de Chile, Peru, Colômbia e Equador como estados-associados. Além disso, estão em fase de conclusão o processo de adesão da Bolívia e em fase inicial o da entrada de Suriname e Guiana como associados. O bloco hoje representa 70% da população da América do Sul e agrega uma população de 270 milhões de pessoas

É de se lembrar que, em 1991, o comércio do Brasil com os demais países do Mercosul alcançou o total de US$ 4,5 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Desse total, US$ 2,3 bilhões foram em exportações e US$ 2,2 em importações. Em 2010, o movimento comercial saltou para US$ 39,2 bilhões – dos quais US$ 22,6 bilhões em exportações e US$ 16,6 bilhões em importações.

Nos dias de hoje, comparado com o resto do mundo, o mercado sul-americano aparece em primeiro lugar no ranking de exportações brasileiras de manufaturados. Segundo dados do MDIC, em 2014, o bloco importou 24,1% dos produtos brasileiros, à frente de União Europeia (17,6%), Estados Unidos (1,7,2%), América Latina (15,3%) – excetuando-se os países do Mercosul –, Ásia (9,2%), África (5,1%) e Oriente Médio (3,2%). Os demais países e blocos somaram 8,3%.

Em outras palavras: entre 1991 e 2013, as transações entre os países-membros foram multiplicadas em mais de 12 vezes, chegando a US$ 59,4 bilhões. Em 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) do bloco chegou a R$ 3,1 bilhões, ficando atrás apenas de Estados Unidos, China, Japão e Alemanha. Com isso, está claro o papel do Mercosul como indutor da integração e crescimento da região, assumindo uma posição estratégica no tabuleiro da geopolítica mundial, que o Brasil isoladamente não conseguiria ou precisaria de mais tempo para conseguir.


* Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)









Estima-se em mais de 200 milhões o número de pessoas que estão desempregadas no mundo, resultado que inclui os mais de 30 milhões de trabalhadores desocupados depois da crise de 2008. Tratam-se de estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no estudo “Perspectivas Sociais e do Emprego no Mundo” (www.ilo.org).

Para atender aos que começam a buscar uma ocupação, entre eles os jovens que atingem a idade adulta, ou responder à maior participação das mulheres no mercado de trabalho, a economia mundial precisa criar mais de 40 milhões de postos por ano. Trata-se de um enorme desafio, porque isso requer sustentar uma taxa de crescimento econômico que amplie a capacidade produtiva global (mais empregos com maior produtividade) para atender a demanda de consumo dos mais de 7 bilhões de habitantes do planeta.

Para que isso ocorra é preciso que a dinâmica do consumo das pessoas, das empresas e dos governos amplie a demanda da produção de bens e serviços. No caso da maioria das pessoas em idade adulta, a capacidade de consumo é majoritariamente decorrente dos empregos e do poder de compra dos salários ou dos benefícios da aposentadoria. Quando os postos de trabalho são fechados e os salários são arrochados, as pessoas e famílias perdem capacidade de consumo, o que rebate diretamente sobre a demanda, reduzindo o nível de atividade das empresas e gerando ociosidade da capacidade instalada das plantas empresariais, o que gera ondas de demissões e alimenta um dramático ciclo recessivo. Da mesma maneira, por exemplo, a queda do consumo faz cair a receita do Estado, que arrecada menos impostos e reduz a capacidade de gastos correntes com as políticas públicas de investimentos. A OIT estima que o desemprego, o arrocho dos salários, os empregos precários e a informalidade retiram da economia uma demanda potencial equivalente a US$ 3,7 trilhões, perda correspondente a 2% do consumo global e de 1,2% da produção mundial.

Além do desemprego, observa-se que ocorrem mudanças profundas nas relações de trabalho, com o crescimento dos empregos em tempo parcial, das ocupações precárias e da informalidade. Há um movimento mundial que amplia a insegurança e a precarização no mundo do trabalho. Em boa parte dos 90 países pesquisados pela OIT, cerca de 75% dos trabalhadores estão ocupados em empregos precários, em tempo parcial, sem contrato de trabalho e na informalidade.

Nessa dinâmica, há aumento da desigualdade e crescimento da pobreza. Contraditoriamente, a educação e o conhecimento científico se ampliam e transformam-se em novas tecnologias e inovação, que aumentam a produtividade e esta não para de crescer, na contramão dos salários, que não param de cair. A desigualdade cresce em um mundo de abundância!

Entendemos que o objetivo da política econômica é gerar empregos para produzir os bens e serviços para promover o bem-estar, a qualidade de vida e a sustentabilidade ambiental. Essa é uma forma de conceber a economia, sentido este sempre em disputa na sociedade.

O desafio para os trabalhadores é, de maneira insistente e indelegável, recolocar o trabalho na centralidade da política econômica, tarefa que requer muita luta e capacidade de disputa no campo da economia política. No Brasil, nossa tarefa é construir uma rápida transição para o crescimento econômico baseado na combinação entre o investimento e o incremento e a repartição da produtividade, ampliando, por meio do emprego, a melhor distribuição de renda, a inclusão social e econômica e o mercado interno de consumo. Sem dúvida, não há mágica. Somente muito trabalho para gerar renda e riqueza e muita força política e disposição de luta para criar regras que distribuam os resultados de maneira justa e igualitária.



* por Clemente Ganz Lúcio, sociólogo, diretor-técnico do Dieese e membro do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social)










João Guilherme MAI2015 editadaDas muitas interrogações sobre a economia brasileira na atual conjuntura, uma das que mais me intriga é a renitência da inflação. 

Todas as medições efetuadas revelam um índice inflacionário superior ao centro da meta de 4,5%. Embora não seja um indicador de estouro da inflação e dependa de fatores sazonais e específicos, a renitência do índice é preocupante devido ao tratamento que o Banco Central tem dado à moeda: juros em alta crescente (a maior taxa Selic dos anos recentes) e as correlatas quedas no crescimento, no crédito e no consumo, e o aumento do desemprego. 

É o tiro de canhão para matar passarinho, mas o pássaro tem resistido enquanto tudo ao seu redor se desmorona. 

Durante alguns anos o rumo da economia brasileira destoou do rumo de algumas grandes economias mundiais pelo fato de que enfrentamos a crise com mais desenvolvimento, mais emprego e mais salário em conjunturas favoráveis ao movimento sindical, sem restrições e cortes.

Agora, igualmente, estamos na contramão do mundo no que se refere a juros e inflação. Enquanto as grandes economias têm juros básicos quase nulos e a inflação é baixa (em alguns casos chega haver deflação), aqui no Brasil persiste a contradição de juros altos e inflação renitente. 

Alguns especialistas já advertem para o exagero da política monetária em curso e os preços administrados (por exemplo, o reajuste de mais de 13% nos planos de saúde) começam a ser vistos como “carregadores” de inflação, ao lado dos ganhos salariais. 

E é sobre estes que se exerce a pressão maior e que se faz sentir nas negociações salariais em curso. Grandes categorias, como os trabalhadores da construção civil de São Paulo, que vinham acumulando ganhos reais na última década, conseguiram apenas a reposição da inflação, sem ganhos reais; outras, nem mesmo isto. 

Fica claro que o tiro de canhão visa matar, muito mais que o passarinho, os ganhos salariais, a começar pelos ganhos reais do salário mínimo. 

Nessa conjuntura, apesar das muitas interrogações e da campanha antissindical que a mídia alimenta, o bom senso e o instinto de classe devem predominar e fazer com que as direções do movimento sindical se unam, sem politiquices, em defesa dos interesses comuns dos trabalhadores.

 

* por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical

 

Após o corte de cerca de R$ 70 bi feito pelo governo federal nos investimentos sociais sob o argumento de que a medida é necessária para que o País atravesse a crise econômica com menos dificuldade. Diante do cenário, a reforma tributária nunca foi tão debatida. Veja o que o Sindicato dos Economistas de São Paulo (Sindecon-SP) propõe sobre o tema.

"Em primeiro lugar é preciso demonstrar a injustiça social que há no País. Depois, propomos diminuir a carga indireta e aumentar a carga tributária direta. Em outros países como Alemanha, Inglaterra e França já fazem isso", explica Odilon Guedes, presidente do Sindecon-SP.

Os economistas paulistas defendem que o Imposto de Renda seja isento para uma faixa maior de contribuintes que ganham até R$ 3 mil e que os que têm salários mais altos tenham maiores descontos. Além disso, defendem maior taxação sobre heranças.


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Imprensa SEESP






O que ficou demonstrado, no último dia 15, com as imensas manifestações, é que o governo precisa reajustar o reajuste econômico pretendido ou, o que é melhor, abandonar de vez a estratégia seguida até aqui para um qualquer reajuste.

As ruas no domingo, em todo o Brasil, mais especialmente em São Paulo, foram tomadas pelas famílias e pelas multidões que desfilavam e que, em geral, deveriam apoiar o reajuste pretendido. Ao mesmo tempo em que a imensa maioria dos brasileiros que ficaram em casa é dos que sofrerão com o reajuste proposto e aplicado.

Portanto, é preciso abandonar o reajuste, dar um cavalo de pau no cavalo de pau e reconhecer, se há necessidade de um reajuste, que é fundamental garantir emprego, salário, direitos e desenvolvimento econômico, mesmo que uma desmoralizada agência de risco ou uma classe média desnorteada apontem o polegar para baixo. Por que não, por exemplo, corrigir a tabela do imposto de renda em 15% ou até mais?

As manifestações que emparedaram o PT e desnortearam os partidos de oposição continham tudo o que a nata da sociedade (como em um copo de leite gordo) agrega: individualismo, antipartidarismo, anticorrupção, moralismo, anticomunismo (como metonímia do antipetismo, sem guerra fria), antigoverno, e criatividade jocosa ou agressiva. Por ora e aos olhos de todo mundo, o verde e amarelo do novo dia 15 de março (democratização de 1985) engolfou o vermelho do equivocado novo dia 13 de março (comício das reformas de 1964).

Como se não bastasse dois ministros conseguiram fazer que as manifestações, que se dispersavam na hora do ângelus fossem retomadas às oito horas da noite.

É preciso, como dizemos em Minas Gerais, curar o queijo, deixando que o soro e a umidade o abandonem. Um pouco de tempo de reflexão sensata, autocrítica e de novo empenho de governar para todos, com discussão, com alianças e com medidas acertadas e queridas pela esmagadora maioria dos brasileiros.


* por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical









Uma das maiores tarefas da sociedade brasileira e dos governos é combater a desindustrialização.

A participação da indústria no conjunto da produção nacional é um dos indicadores positivos de crescimento que, junto com o aumento do emprego formal e ganhos reais de salários, transforma-se em desenvolvimento.

A produtividade – de todos os fatores – é a medida do avanço no cumprimento dessa tarefa. A batalha da produtividade é travada pelo setor produtivista da economia contra o setor rentista que, desde o ministro Malan, convive com a desindustrialização e a acalenta, afrontando governos, industriais, trabalhadores e toda a sociedade.

O pacto produtivista, baseado no tripé governo, industriais e trabalhadores, deve ser o eixo central na luta pelo desenvolvimento. No passado recente, em maio de 2011, foram afirmadas estas posições em particular pela FIESP, os sindicatos de metalúrgicos de São Paulo e de São Bernardo e as centrais sindicais. Mas, nacionalmente, existe um grave problema a ser enfrentado para a continuidade da luta.

Refiro-me às posições da CNI (Confederação Nacional da Indústria) com seus famosos 101 pontos e, em especial, ao artigo de seu presidente Robson de Andrade, publicado na Folha de S. Paulo de domingo.

Em vez de afirmar a dificuldade da tarefa e a urgência de um verdadeiro pacto para a produção, transfere a maior parte da responsabilidade ao governo (ao mesmo tempo em que exige menos impostos) e praticamente exclui os trabalhadores porque “propõe modernizar a legislação trabalhista”, o que quer dizer, para todo bom entendedor, menos salários e menos direitos. É o samba do industrial doido, como diria, Stanislaw Ponte Preta.

Embora reivindique crédito fácil e barato, no documento da CNI não aparecem as palavras “juros” e “juros altos”, um esquecimento que pode ser atribuído ao peso do rentismo entre os próprios industriais e à alienação do presidente Robson.

Se a CNI não rever seu posicionamento estratégico, a luta contra a desindustrialização será ainda mais difícil.


* por João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical










Depois de ficar por quase 12 anos tratando ingenuamente os Estados Unidos como o grande Satã do Norte, como se vivêssemos ainda ao tempo da Guerra Fria (1945-1991), o governo brasileiro parece que decidiu reabrir os canais de negociação com o governo norte-americano, enviando a Washington representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O que se espera é que dessas conversações preliminares possa nascer algum grande acordo de livre-comércio, que inclua o cambaleante Mercosul.

Foram 12 anos perdidos com a aposta equivocada na chamada Rodada Doha, que defendia a Organização Mundial do Comércio (OMC), com sede em Genebra, como o grande órgão gestor de negociações multilaterais. O fracasso da Rodada Doha atingiu em cheio o Brasil e deixou claro que o mundo caminha para acordos regionais ou de grandes blocos, enquanto a OMC acabou reduzida a mero órgão consultivo ou, no máximo, um tribunal de pequenas causas. Diante disso, a presença de um brasileiro à frente da direção-geral da OMC também perdeu importância, ainda que o organismo mantenha alguma representatividade.

Assim, só resta ao Brasil sair em busca do tempo perdido porque, nesse longo período, o mundo mudou. Na América Latina, por exemplo, enquanto o Mercosul continua preso aos humores da política externa argentina e o seu protecionismo acendrado, México, Chile, Colômbia e Peru partiram para negociações com os Estados Unidos e União Europeia e formaram a Aliança do Pacífico. Já o Mercosul preferiu acolher um vizinho problemático, a Venezuela, que só trouxe mais dissensões ao bloco. Na verdade, o Mercosul deveria ter atraído para o seu lado México, Chile, Colômbia e Peru.

Com o fracasso das negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que se deveu basicamente ao comportamento do governo brasileiro, os Estados Unidos procuraram outros caminhos, negociando a Parceria Transpacífica (TPP) com as economias asiáticas, com exceção da China, e a Parceria Transatlântica (TTIP) com a União Europeia, que ainda estão em andamento.

Se esses acordos forem fechados, o Brasil e o Mercosul ficarão a reboque das grandes decisões comerciais no mundo, reduzidos a cumprir o que vier de cima, sem direito a dar sugestões ou reivindicar tratamento preferencial. É verdade que o Brasil procurou uma alternativa com os Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul), anunciando o propósito de realizar o comércio entre eles com suas próprias moedas como meio de pagamento.

Imagina-se que maior comércio dentro dos Brics protegerá as economias desses países de ciclos de depressão no mundo ocidental. Mas não se pode depender apenas dos Brics. Em comércio, a melhor política sempre foi o pragmatismo responsável.


* por Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)









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