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Difundiu-se a ideia de que, superada a crise política, a economia voltaria a crescer, devido à melhora no nível de confiança dos agentes econômicos. Esperava-se que a fada da confiança atuasse. Contudo, o trem da economia continua parado ou em marcha à ré. O motor das locomotivas permanece desligado e o freio-de-mão, puxado. Não há fada que mova o trem!


Foto: Arquivo de Francisco de Almeida Lopes/Blog História de Londrina

trem parado londrina

Já são seis trimestres em recessão e o terceiro e o quarto trimestre de 2016 também serão negativos, carregando muitos problemas para o ano que vem.

Quais são as locomotivas da economia? Para o empresariado produzir e investir, aumentando e melhorando a capacidade de produção, é necessário haver demanda, quer dizer, certeza de que o produto ou serviço encontrará comprador. A demanda tira a fada do mundo fantástico e a torna real e objetiva.

Quem garante a demanda? O mercado interno e/ou as exportações, ou seja, o mercado interno de outros países. E o mercado interno é formado pela capacidade de compra das famílias, em grande parte determinada pelo emprego, pelos salários e crédito. Há dois anos são destruídos em média 100 mil empregos por mês no Brasil e os salários vêm sendo arrochados. Já são mais de 12 milhões de desempregados ou quase 20 milhões, se incluído o desemprego pelo trabalho precário. O medo do desemprego reduz o consumo de quem ainda tem salário, os desempregados sofrem com o endividamento e os juros extorsivos. Ao travar o consumo das famílias, bloqueiam-se quase dois terços da demanda interna.

As empresas reduzem a produção e consomem menos insumos. Também deixam de investir para ampliar a capacidade de produção, não demandando novas máquinas, construção ou novas contratações. Sem giro dinâmico nas vendas, o lucro cai, os resultados se tornam negativos e a capacidade de sustentar os empregos e pagar empréstimos diminui. As empresas atrasam pagamentos, demitem e deixam de pagar os impostos e, como as famílias, são extorquidas pelos juros bancários.

Com queda da atividade econômica, geram-se menos impostos e quem deve não tem capacidade de pagá-los. A capacidade fiscal do Estado é comprometida. Os cortes de gastos e salários agravam a queda da demanda, pois o governo reduz o consumo, a renda dos servidores públicos e das famílias, além de diminuir a demanda para as empresas.

O mercado externo era o alento. A desvalorização cambial havia aberto a porta da exportação de manufaturados e dado melhores condições competitivas para as empresas nacionais concorrerem no País com os produtos importados. Vários setores industriais estavam lentamente ganhando tração. De maneira equivocada, a política macroeconômica novamente deixa o câmbio valorizar, fechando a pequena porta que se abria. Além disso, sobram vendedores em todos os países, à procura do mercado interno de outros, inclusive do nosso. Há poucos compradores.

Em 2016, o PIB deve cair em torno de -3,5%. Se em 2017 o crescimento for nulo, já será um resultado razoável. Desemprego aumentando em menor intensidade, salário em queda, empresas fechando e redução da receita fiscal. Nada que indique retomada da demanda interna, com a porta externa fechada.

A solução indicada pelo governo será: (a) colocar o País à venda – empresas privadas e públicas, ativos naturais e serviços públicos –, especialmente para o capital internacional, disposto a encontrar ativos baratos e com boa perspectiva de rentabilidade futura e; (b) fazer um brutal ajuste do tamanho do Estado.

Essa solução destruirá a capacidade do País de sustentar o desenvolvimento econômico soberano, condição para uma integração internacional virtuosa.

Tempos dificílimos nos esperam para 2017! Tempo ruim. Trem travado.


Artigo de Clemente Ganz Lúcio, sociólogo e diretor do Dieese







A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apresentou, nesta quinta-feira (15/09), o relatório "Um Olhar sobre a Educação 2016", em que aponta que os professores da rede pública do ensino fundamental e médio do Brasil têm uma remuneração menor que a metade da média salarial dos países membros da OCDE.

Em sua coluna na Rádio Brasil Atual, o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, afirma o Brasil perdeu a capacidade de valorizar a representação do professor. "Isso mostra que há distorção do nosso sistema. O relatório também mostra os professores brasileiros trabalham 42 semanas no Brasil, enquanto em outros países os docentes têm uma jornada de trabalho de 37 semanas anuais."

Clemente ressalta que além da má remuneração, os professores enfrentam problemas com a precária estrutura das escolas. "Além disso, há a péssima condição em muitas escolas, o que dificulta enfrentar os desafios de educar as crianças. Esse relatório também aponta que ainda temos um longo caminho a percorrer para termos uma educação adequada e coerente com o projeto em desenvolvimento no Brasil."

Por outro o lado, o estudo aponta que os docentes universitários no Brasil têm os salários equiparados à média dos países analisados pela OCDE. "O salário de um professor de universidade chega a ser mais alto do que de países desenvolvidos", aponta Clemente. Segundo o OCDE, a remuneração dos brasileiros é superior ao salário na Finlândia, Noruega e Suécia.

 

Comunicação SEESP
Informação da Rede Brasil Atual

 

 

 

 

 

 

 

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a julho de 2016, a população em idade de trabalhar no País é superior a 166 milhões de pessoas. Desse total, 102 milhões estão no mercado de trabalho – 90,5 milhões como ocupados e 11,8 milhões como desempregados.

No último ano, 1,5 milhão de pessoas entraram no mercado de trabalho (aumento de 1,5% a.a.), integrando o estoque de 11,8 milhões de desempregados, todos à espera de uma oportunidade ocupacional.

No último ano, o IBGE estima que o País eliminou 1,7 milhão de empregos, ou seja, fez o oposto do que era minimamente necessário para contratar quem chegou ao mercado de trabalho. Se de um lado chegaram 1,5 milhão de pessoas procurando emprego e outro 1,7 milhão foi demitido, o contingente de desempregados cresceu em 3,2 milhões, aumento impressionante de 37,4% em um ano.

Há sinais de que esta grave crise econômica e política pode ter vida longa. Com isso, pode haver ainda mais redução da demanda para a produção e aumento da capacidade ociosa das empresas. Levando em consideração que, quando há demanda, principalmente em cenário como este, as empresas tendem a usar o mecanismo de horas extras, a retomada do emprego torna-se uma possibilidade para um futuro longínquo.

Dos ocupados, 34,4 milhões são trabalhadores com Carteira de Trabalho assinada; 11,2 milhões, empregados no setor público (servidores públicos e militares); 10,2 milhões, assalariados sem Carteira de Trabalho assinada; 6,2 milhões, trabalhadores domésticos (95% mulheres e a maioria, negras); outros 22,6 milhões, trabalhadores autônomos ou por conta própria. Estimam-se em 3,8 milhões o número de empregadores e em 2,1 milhões os trabalhadores familiares.

O que se observa no último ano é a queda do contingente de assalariados sem Carteira (-3,9%) e do número de empregadores (-4,6%) e dos empregados no setor público (-2,1%). Cresce, do outro lado, em 2,4% o trabalho por conta própria e em 2,1% o emprego doméstico, trabalhos precários e informais.

Cerca de 11,6 milhões estão empregados no setor industrial, onde foi observada alta queda (-10,6%) no estoque de empregos em 2015 (-1,4 milhão de ocupações). Outro agrupamento de atividades que envolve serviços de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com 9,7 milhões de pessoas ocupadas, teve redução de -9,8% no emprego (-1,1 milhão de empregos fechados).

O rendimento médio dos ocupados está em R$ 1.985,00 por mês e caiu -3,0% no último ano. Enquanto o rendimento médio mensal dos assalariados com Carteira assinada é de R$ 1.900,00, os sem Carteira recebem 1.205,00 e os trabalhadores domésticos, R$ 805,00 por mês. Os empregados no setor público recebem mensalmente, em média, R$ 3.159,00, e os empregadores, R$ 4.939,00. O trabalhador por conta própria ganha R$ 1.506,00.

Quando o movimento circular destrutivo da atividade econômica ganha dinâmica, o desemprego gera queda da renda do trabalho, que provoca queda do consumo, que causa queda da demanda para as empresas, que diminui o nível de atividade, que leva a demissões e arrocho salarial. O movimento circular perverso se fortalece, ampliando a recessão. Desemprego e salários em queda provocam diminuição da massa de salários que, no último ano, caiu cerca de 4,0% (redução de R$ 183 bilhões para R$ 175 bilhões por mês).

O mercado interno e a força de trabalho coletiva são grandes ativos da economia brasileira, sempre desvalorizada e criticada pelos neoliberais. Exatamente o contrário do que eles pensam e propõem, para que a demanda desse mercado interno seja pujante, é preciso empregar os trabalhadores, que receberão salários que animarão o consumo que, por sua vez, gerará demanda. Na crise, o animador fundamental e estratégico para reverter esse círculo destrutivo é o gasto do setor público, em investimentos em infraestrutura econômica e social ou com serviços públicos, pois todos se tornam demanda na veia das empresas, que geram empregos, que aumentam ainda mais a demanda e fazem a economia voltar a crescer.

 

 

* Clemente Ganz Lúcio é sociólogo e diretor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Artigo publicado, originalmente, no site da Agência Sindical

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ideia defendida em 2014 pelo presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) ganhou, durante o atual governo interino, identidade própria na hierarquia governamental, com o objetivo de desenvolver uma política única de comércio exterior, em substituição às diversas políticas isoladas que, até então, cada ministério desempenhava, o que permitia muitos conflitos de interpretação e atuação. A partir do decreto nº 8.807, de 12/7/2016, a Camex passou diretamente para a esfera da presidência da República e sua secretaria administrativa para o Ministério das Relações Exteriores.


Foto: Arnaldo Alves/ ANPrParana-exporta-7-por-cento-mais-em-2016 fotos publicasPorto de Paranaguá, Paraná.


Há nessa medida um simbolismo, como a querer mostrar que é o próprio presidente da República quem, desde então, responde pela nova diretriz do comércio exterior, inclusive assumindo a responsabilidade pela aplicação das receitas oriundas das medidas de defesa comercial e a formulação da aplicação do sistema tributário. Além disso, o decreto fez a Camex assumir uma série de incumbências, inclusive algumas de fundo mais prático, que normalmente não deveriam depender de um órgão colegiado de ministros nem da presidência da República.

Obviamente, o que se espera da Camex é que estabeleça diretrizes sobre as negociações internacionais com vistas a acordos com outros países ou blocos, que prevejam, se não o livre comércio, pelo menos a redução de tarifas aduaneiras, a concessão de facilidades não tarifárias e a abertura de mercados. Tudo isso levará à ampliação das operações de importação e exportação, arrancando o Brasil do isolamento comercial em que está desde 1991, quando se tornou membro do Mercosul, e agravado nos últimos 13 anos, em razão de uma política equivocada que pretendia ainda ver o mundo como à época da Guerra Fria (1945-1991).

O resultado desse equívoco é que desde então o Brasil só assinou três acordos de livre-comércio – com Israel, Palestina e Egito, mas só o primeiro está em vigor –,  enquanto México e Chile, por exemplo, mantêm tratados comerciais com mais de 40 nações e blocos cada. Afinal, só com maior intercâmbio será possível melhorar a posição brasileira no ranking dos exportadores e ampliar sua participação no comércio exterior. Hoje, o que se prevê, até o final de 2016, é que essa participação fique abaixo do porcentual de 1,2% registrado em 2015, quando a corrente comercial  (importações/exportações) totalizou US$ 362 bilhões, inferior em 20% ao apurado em 2014.

A estimativa oficial para 2016 é que as exportações cheguem US$ 187 bilhões contra US$ 191 bilhões exportados em 2015. Em relação às importações, a expectativa é que atinjam US$ 158 bilhões, com uma queda de 9,5% em relação ao montante de US$ 173 bilhões importados no ano passado. Se a previsão se confirmar, pela primeira vez em mais de dez anos, essa participação ficará abaixo de 1%, ou seja, em torno 0,8% ou 0,7%. Será um retrocesso histórico.

 


Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Site:www.fiorde.com.br

O Boletim Emprego em Pauta, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de agosto, compila dados de mercado de trabalho disponíveis deste ano. No primeiro semestre, o desemprego cresceu e o rendimento despencou.

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Para os trabalhadores brasileiros tem sido uma maratona enfrentar as condições do mercado de trabalho do  País. No primeiro  semestre, o desemprego cresceu e o rendimento despencou, como mostram os resultados das principais pesquisas e  o  Cadastro  Geral  de  Empregados  e  Desempregados (Caged), registro administrativo do Ministério do Trabalho que acompanha a movimentação do mercado de trabalho.

Segundo   Pesquisa   Nacional   por   Amostra   de Domicílio Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de janeiro a junhode 2016, o número de desocupados no País teve  acréscimo de  2,5  milhões  de  pessoas.

A  estimativa  é  que  o número  de  pessoas  sem  ocupação  no  Brasil  tenha  atingido 11,6 milhões, no segundo trimestre, o que corresponde a 3,2 milhões de pessoas a mais do que no mesmo período de 2015. Do total de desocupados, quase metade (1,5 milhão) trabalhava antes com carteira assinada.

Outro  dado  da  Pnadc  mostra queda  do rendimento real médio habitualmente recebido pelo trabalhador brasileiro de -1,5% no segundo trimestre e de - 1,3% no acumulado do ano.

A  Pesquisa  de  Emprego  e  Desemprego,  realizada  pelo  DIEESE,  Fundação  Seade  e demais  parceiros,  também  indica  crescimento contínuo do  desemprego em  2016.  Das  localidades pesquisadas,  o  desemprego  não  aumentou  somente  na  Região  Metropolitana  de  Porto  Alegre.  Nas demais,  DF e regiões  metropolitanas  de  São  Paulo,  Salvador  e  Fortaleza, o desemprego  não  apenas subiu, como o crescimento registrado foi superior ao do início do ano anterior.

Pelos resultados da pesquisa, fica clara a diferença entre as taxas das regiões. Em junho de 2016, a taxa variou de 24,8%, em Salvador, a 10,3%, em Porto Alegre, onde se verificou o menor patamar de desemprego. Também destaca-se, nos resultados do semestre, a estabilização da taxa de desemprego, nas regiões de Porto Alegre e Fortaleza.

A PED também confirma redução do rendimento médio real dos ocupados em todas as regiões metropolitanas pesquisadas, entre maio de 2015 e maio de 2016. A maior queda ocorreu em Salvador (-11,1%) e a menor em Fortaleza (-3,0%).

A divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho (MTb) de junho indica a queima de cerca de meio milhão de postos de trabalho formais no primeiro  semestre  deste  ano.  Além  desse  resultado  negativo,  a  rotatividade  dos  trabalhadores  tem contribuído para a redução dos salários, já que o salário médio de admissão tem sido bem inferior ao dos trabalhadores desligados.

Os resultados mostrados revelam que, no segundo trimestre de 2016, o valor médio do  salário  de  admissão  correspondeu  a  aproximadamente  87%  do  valor  médio  dos  salários  dos desligados. Os dados desfavoráveis refletem a profunda crise política e econômica que se arrasta no país. É quase um desafio olímpico para os trabalhadores, que encaram uma maratona cotidiana para sobreviver.

Inúmeros outros obstáculos devem ser enfrentados no próximo período, pois um conjunto de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários também estão ameaçados no momento. Para responder a esses desafios, as Centrais Sindicais lançaram um documento apontando as principais lutas a serem travadas.

Pelo emprego e pela garantia de direitos
Em  julho,  as  centrais  sindicais  CUT,  Força  Sindical,  UGT, CTB, NCST e CSB se  reuniram  em assembleia e divulgaram um documento em que destacam como principais desafios da atualidade enfrentar o aumento do desemprego com redução dos salários e combater o desmonte das políticas sociais, especialmente da Previdência e da Seguridade Social.

Entre as medidas propostas pelas entidades estão:
Fortalecer as negociações coletivas;
Combater a flexibilização das relações trabalhistas
Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais;
Promover o fortalecimento do mercado interno;
Promover   o   crescimento   econômico   através   da   ampliação   do   financiamento   para investimentos  públicos  e  privados  em  infraestrutura, da  redução  da  taxa de  juros  e  de políticas públicas que deem sustentação ao setor produtivo.

As Centrais realizam na terça-feira (16/8), uma manifestação nacional, unificada, em defesa do emprego e das garantias de direitos da classe trabalhadora.




Fonte: Dieese




O custo dos alimentos básicos aumentou no mês de julho em 22 das 27 capitais, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Entre janeiro e julho de 2016, todas as cidades acumularam alta.


Foto: Site do Governo do MSFeijao encarece cesta basica


São Paulo foi a capital com o maior custo para a cesta (R$ 475,27). O trabalhador paulistano que ganha salário mínimo teve de trabalhar 118 horas e 49 minutos para comprar os itens da cesta, tempo maior que em junho (117 horas e 16 minutos).

No mês passado, o custo da cesta em São Paulo comprometeu 58,70% do salário mínimo líquido (após os descontos previdenciários). Em junho, o percentual foi de 57,93%.

Em julho, houve predominância de alta no preço do leite, arroz, feijão, café em pó e da manteiga, conforme dados divulgados nesta quinta (4). A coordenadora de Pesquisa de Preços do Dieese, Patrícia Costa, comenta que – além do clima – a elevação dos preços refletem também distorções no modelo de produção baseado no agronegócio e na política cambial.

“Houve redução na área plantada de feijão, porque os produtores migraram para a soja com preços mais atrativos no mercado internacional. Por outro lado, o preço do pão explodiu com a alta do dólar, que encareceu a importação de trigo”, disse Patrícia à Agência Sindical.

Ela observa que o peso maior recai sobre os trabalhadores, para quem as despesas com alimentação tem maior impacto no conjunto da renda familiar. “O governo precisa adotar políticas no sentido de evitar que ocorram oscilações de preços nos alimentos com a magnitude as que estão ocorrendo”, pondera.

Renda
Segundo o Dieese, para acompanhar a alta no custo de vida, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.992,75, ou 4,54 vezes o mínimo de R$ 880,00.


Fonte: Agência Sindical/Dieese





Há um aspecto perverso no decantado ajuste fiscal proposto para a sociedade: ele está subordinado a uma lógica política que o levará, endogenamente, a um retumbante fracasso.

Este apoio político é condição para aprovação das medidas propostas no Legislativo.

Mas é um “apoio político” que blinda o setor público em detrimento do setor privado, que paga a conta do ajuste pela via do desemprego e da perda de empregos de melhor qualidade; e da recessão de quase todos os setores, com o aumento da informalidade.

Fixar limites de evolução de gastos públicos com base em inflação passada e contingenciar crescimento de despesas de pessoal e previdenciária como salvaguardas de gestão aos esforços ora em negociação é uma piada de mau gosto que nem a Velhinha de Taubaté (ou de Tietê) ousaria acreditar. Pincipalmente se este ajuste (sic) cria uma bomba relógio que irá explodir no primeiro ano de mandato dos novos prefeitos e no ano de eleições para os governos estaduais e para a presidência da república...

A verdade é que a gestão pública faliu antes mesmo de 2015: desde a maturação do Plano Real que o Poder Público parece ter se contentado em manter um acompanhamento quantitativo da evolução fiscal do país – afora intervenções pontuais irrecorríveis – ao invés de ter executado uma política de ajuste fiscal efetiva, por meio de uma autoridade fiscal permanente, com poder de realmente exigir as contrapartidas que a LRF em toda a sua extensão exigia.

Isto mostra uma faceta recorrente da gestão pública no País: os instrumentos e ferramentas existem e não faltam pessoas capazes de operá-los.
Pior: quando se arromba a porta, rapidamente se apõe a tranca. Antes foi com a LRF; agora, são as ações de compliance e as práticas de governança...

Mas, há outras saídas?

Algumas, aliás, estão embutidas nas propostas para criar excedentes fiscais não permanentes como o são a Venda de Dívidas dos entes federados, a repatriação de recursos não declarados do exterior, além das concessões e concessões sob PPP.

No caso das propalada “venda de dívidas ativas” é preciso que se perceba que ao cogitar essa hipótese, o Executivo criou uma “moeda” que poderia usar entre os próprios entes federados.

A par de dívidas que se sabem “impagáveis” (como as de empresas falidas ou já extintas), seria interessante que o Executivo fizesse um “cruzamento operacional” destas haveres.

Perceberia, por exemplo, que muitos “devedores” da dívida ativa federal, são também devedores das dívidas ativas dos principais estados e municípios.

Se esta “dívida ativa” é uma “moeda”, porque não aceitar que se faça uma certificação do que vale ou não a pena e se aceita que os entes federados que não a União, utilizem parte dessas “moedas” – de trás para a frente, ou seja, de 2030 para 2015 – para liquidar o saldo devedor da LRF?
Até porque, a União poderia colocar este montante no Cadin e impedir que os devedores tenham acesso a créditos públicos ou à participação em licitações (inclusive as de concessões e concessões sob PPP).

Como contrapartida, só admitiria que os limites de endividamento abertos com a dação da dívida ativa pudessem ser utilizados para a esterilização dos gastos previdenciários e de investimento real, sendo vedado o seu uso em pagamento de despesas de pessoal.

Outro ponto diz respeito aos recursos não declarados que se pretende trazer do exterior, ou aos recursos que se pretende obter com as outorgas diretas indiretas das concessões sob a égide da Lei Federal 8.987 (inclusive daquelas que viriam do pré-sal): ao invés de se usar esses recursos em gastos correntes, eles deveriam constituir um fundo fiscal de contingência (ver BLOGCONPPP de 24 de novembro, 12 de maio e 30 de janeiro de 2015).

Apenas os rendimentos desses recursos poderiam securitizar aportes futuros do Fundo Previdenciário resultante da conversão entre o “novo” e o “velho” sistema previdenciário que urge reformar no País.

Ou seja, é usar o conceito dos Fundos de Endowment (criados pelo Imperador Marco Aurélio em 176 DC e aperfeiçoados pela avó do Rei Henrique VIII em 1550), onde se usa apenas a parcela dos rendimentos de Fundos de Investimento, para perenizar os benefícios esperados dos ativos formados por eles.

Com certeza, os rendimentos equivalem a mais do que o montante dos impostos como CPMF e CIDE juntos: sem os efeitos deletérios destes sobre a economia, todavia...

Por fim, cabe considerar a possibilidade de “trocar” fluxos do estoque a vencer da dívida pública interna, por fluxos securitizados dos Direitos Emergentes de Concessões (DEC) embutidos nos contratos de concessões e de concessões sob PPP no portfólio de Projetos de Investimento que o Governo Interino pretende oferecer o mercado nacional e internacional, em seu Programa de Investimentos.

Pelo valor ao par, poderiam ser trocados ativos sem lastro e sem qualquer certificação de grau de investimentos das principais agências internacionais (como o são hoje em dia os títulos da dívida pública interna), por fluxos securitizados (e ate sobre-colateralizados pelos Fundos Garantidores como no caso das PPP) dos projetos de investimento de concessão.

Estes fluxos poderiam ser negociados nas Bolsas de Futuros do país e do exterior: são recursos não financeiros (diferentes daqueles que por juros reais de debenturista ou por juros subsidiados pelo tesouro nacional com alto custo de oportunidade fiscal) são hoje utilizados para (equivocadamente) financiar projetos de investimentos em áreas concessionáveis.

Outra alternativa, é que os projetos de concessão (com ou sem PPP) sejam sempre licitados sob a forma de fundos de investimentos: assim, notadamente para entes federados com limites de endividamento onerados, a captação via Fundos se faz independente da pessoa jurídica dos estados e munícipios. E ao final das concessões seus ativos são revertidos ao Poder Concedente sem gerar onerações iniciais que inviabilizariam a participação de capitais privados sob os conceitos das operações de concessões e de concessões sob PPP.

 


* Por Saulo Krichanã Rodrigues é economista, diretor geral do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec) e editor do Blogconpp

 

 

 

 

 

 

 

Faz parte da utopia do movimento social e dos trabalhadores, do sonho que querem transformar em realidade, que a economia brasileira seja capaz de produzir bem-estar e qualidade de vida para todos. O desafio é saber produzir os bens e serviços, distribuindo-os com equidade, para atender às necessidades materiais e culturais de todos.

A economia capitalista se estruturou por meio do Estado moderno, de nação soberana que domina um território e faz, nesse espaço físico e político, uma produção econômica, gerando avanços no bem-estar e na qualidade de vida das pessoas.

A riqueza natural do território brasileiro é um ativo essencial. O conhecimento materializado no nível de educação geral da sociedade e na sua capacidade de transformá-lo em tecnologia, produtos e serviços, é a base para o desenvolvimento industrial ou produtivo. A capacidade de alocar parte da renda e riqueza gerada para o Estado prover serviços públicos e investimentos na infraestrutura garante a qualidade e quantidade da expansão produtiva e da proteção social.

Tudo isso requer, entre outras coisas, investimento e soberania. Investimento significa ampliar a capacidade produtiva física e cognitiva. Soberania é a capacidade de um povo investir em determinado território, dominando o conhecimento e o capital, se apropriando dos resultados e podendo, de forma autônoma, poupar e decidir reinvestir parte dos resultados alcançados. Soberania é a coluna vertebral de uma nação que sabe investir para promover o próprio destino.

Quando o Brasil vende a base produtiva, infraestrutura ou riqueza natural para empresas estrangeiras, abre mão da soberania de investir e decidir sobre o presente e futuro. O lucro aqui produzido será enviado para o local de origem do capital, a tecnologia não será transferida e a força econômica de induzir a estratégia de investimento estará subordinada a outros interesses.

Vale tratar de um belo exemplo da semana. Janus Capital Group é uma gestora americana com quase US$ 200 bilhões em fundos. Petrobras, Itaú Unibanco, Iochpe-Maxion, Suzano e Marfing fazem parte da carteira de investimentos no Brasil. Janus Raghoonundon, analista da empresa, concedeu entrevista para jornal Valor, de 11 de junho. Sobre a Petrobras, disparou: “Realmente acredito que a companhia tem um valor intrínseco e está barata relativamente a seus ativos. Existe muito potencial para a Petrobras para um investidor de longo prazo”.

Avançando sobre as escolhas do País, soltou: “O Brasil tem que decidir se pretende aceitar grandes quantidades de companhias estrangeiras controlando ativos-chave de infraestrutura. E, claro, essas companhias estrangeiras vão ter que ser compensadas pelo risco que vão tomar”.

As condições complementares e essenciais são destacadas no início da entrevista. A estabilidade política de um novo governo que – assim espera ele – encaminhará as reformas é que dará estabilidade. Não querem ver as reformas rejeitadas. E quais são? Adivinhem? Janus com a palavra: “Vamos monitorar a aprovação de todas, como a da previdência e dos benefícios trabalhistas”.

A impressão é que os brasileiros não dão conta de que o País é uma das maiores economias do planeta, com uma inigualável base natural, robusta estrutura produtiva e enorme mercado interno. Pode ser um grande negócio para o mundo, vendendo os ativos e transferindo a soberania para empresas estrangeiras. Um projeto mais do que medíocre, mas em construção.

 

* Clemente Ganz Lúcio, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

 

 

 

 

 

A cidade de São José dos Campos (SP) exportou US$ 596,7 milhões em produtos nos dois primeiros meses deste ano, o que corresponde a um aumento de 12,5% em relação ao mesmo período de 2015 e alcançou a terceira posição do ranking dos principais municípios exportadores do país, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. O município ocupava o quinto lugar do ranking em fevereiro do ano passado. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

As exportações de fevereiro totalizaram US$ 346 milhões, enquanto as importações chegaram a US$ 223,6 milhões. No acumulado do ano, o saldo da balança comercial ficou positivo em US$ 149,6 milhões. No mesmo período de 2015, o saldo era negativo em US$ 10,3 milhões.


Foto: Antonio Basílio/PMSJC
SaoJose Embraer 
A Embraer é a maior exportadora de São José dos Campos.
 

Mais de 61% das exportações de 2016, essencialmente aviões e equipamentos aeronáuticos, foram para os Estados Unidos, uma redução de 9,1% com relação ao ano passado. Ao contrário, os envios para a China, praticamente inexistentes nos dois primeiros meses de 2015, representaram 7,8% do total registrado este ano.

São José exportou mais de US$ 4,7 bilhões em produtos no ano passado e chegou ao quarto lugar do ranking dos principais municípios exportadores do país, sua melhor posição desde 2009.

 

 

Fonte: Prefeitura Municipal de São José dos Campos

 

 

 

 

 

 

 

Neste mês de março, o engenheiro Murilo Celso de Campos Pinheiro dá início a um novo mandato à frente da FNE. A gestão 2016-2019 começa oficialmente em 16 de março; a posse solene ocorre dia 28, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Reeleito presidente da federação durante o IX Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse), realizado em outubro último, ele vislumbra desafios significativos para a entidade neste ano de crise econômica, baixo investimento e empregos ameaçados. Enfrentar essa situação de modo a defender os interesses da categoria e a volta do desenvolvimento estarão, portanto, na agenda da federação de forma prioritária. Para que se vire o jogo e o País volte a crescer, o dirigente defende uma articulação da engenharia unida.  Nesta entrevista, Pinheiro fala também sobre trabalho da FNE, o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” e o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec).

Murilo 030316 editadaNeste mês de março, tem início uma nova gestão da FNE. Quais os planos para essa nova etapa à frente da entidade?
Murilo Pinheiro –
O plano é dar continuidade ao projeto que vem sendo desenvolvido pela nossa federação, dando conta dos novos desafios que se apresentam, especialmente diante da crise econômica que vivemos. Há cerca de uma década, a FNE vem atuando de forma a consolidar uma rede de representação, mobilização e debate nacional entre os seus 18 sindicatos filiados, aos quais estão ligados cerca de 500 mil profissionais. Isso fortaleceu a nossa entidade nacionalmente e também ampliou a capacidade de ação dos sindicatos nos estados. Têm sido travadas lutas fundamentais em defesa dos engenheiros e outros profissionais representados pelas entidades e vitórias importantes estão sendo conquistadas. Na pauta, continua o trabalho para que o salário mínimo da categoria, conforme a Lei 4.950-A/66, seja respeitado. Também seguimos na mobilização para a aprovação da carreira pública de Estado para os engenheiros, o que significará valorização profissional, mas também um salto na capacidade de as administrações públicas darem conta de  suas demandas em termos de planejamento, elaboração de projetos, execução de obras e fiscalização.

O “Cresce Brasil”, lançado em 2006, continua na pauta da entidade?
Pinheiro –
Sem dúvida alguma. O projeto “Cresce Brasil” (www.crescebrasil.org.br), além de ser nossa senha para o debate sobre desenvolvimento e nosso instrumento de mobilização nesse campo, também é um propulsor da nossa ação em defesa dos engenheiros. Lançado há dez anos, ele vem sendo constantemente atualizado e tem focado os temas que a FNE considera prementes em cada momento. Neste ano, faremos uma edição “Cidades”, que nos ajudará a travar a discussão sobre as condições de vida da população nos municípios e o desenvolvimento local. Como sempre, nossa proposta é partir de um diagnóstico dos problemas e apresentar sugestões de soluções factíveis. Entre os temas em pauta, estão habitação, transporte e mobilidade, saneamento ambiental, internet e iluminação públicas.

Qual a importância do Isitec nessa luta pelo desenvolvimento?
Pinheiro
– O Isitec é um dos mais valiosos resultados dos debates do projeto “Cresce Brasil”, que sempre teve entre seus temas a necessidade de formar engenheiros de qualidade. Essa discussão que existia no âmbito da FNE foi abraçada pelo Seesp, que decidiu criar uma instituição de ensino superior que fosse referência no País. A graduação em Engenharia de Inovação teve início no ano passado e, em fevereiro último, aconteceu a aula inaugural da segunda turma. O projeto tem sido um sucesso e estamos convictos de que, em alguns anos, chegarão ao mercado profissionais não só aptos a ter carreiras de sucesso, mas a contribuir verdadeiramente para o nosso desenvolvimento e para a melhoria da vida da população. Os meninos e meninas que estudam no Isitec, num curso de cinco anos em período integral, estão recebendo uma sólida formação, que vai além das matérias técnicas e inclui linguagens e empreendedorismo, entre outros conteú­dos essenciais. Serão multiespecialistas capazes de atuar em qualquer segmento de forma inovadora.

O momento, do ponto de vista da economia nacional e do mercado de trabalho da categoria, é mais preocupante que quando do início do mandato anterior, em 2013. Que desafios que se colocam?
Pinheiro –
O desafio do momento é não permitir que o Brasil retroceda à situação que vivemos nos anos 1980 e 1990, quando se notabilizou o engenheiro que virou suco. Após um longo período de estagnação, o Brasil voltou a ter expansão econômica e a vida do povo melhorou, especialmente a partir de 2007.  Nessa fase, a engenharia voltou a ter protagonismo graças aos investimentos públicos e privados que foram feitos. O mote principal do nosso projeto “Cresce Brasil” era a necessidade de haver crescimento econômico para que os engenheiros tivessem vez. Isso se demonstrou totalmente verdadeiro. Entre 2003 e 2013, houve incremento de 87,4% no emprego formal do engenheiro em todo o País. Com a crise econômica que vem se instalando no Brasil, esse cenário já é outro e desde 2014 há saldo negativo no balanço admissões/demissões na engenharia. O grande desafio é mudar esse rumo. Deve haver investimentos, e o governo é o grande responsável por isso. Uma política de corte de gastos e aumento de juros não nos trará bom resultado.  Portanto, é essa a luta que a FNE tem diante de si.

Nesse contexto entra a ideia da Engenharia Unida?
Pinheiro –
Sim! A FNE está totalmente comprometida com a luta pela valorização da categoria, a defesa de seus direitos e o desenvolvimento nacional. Mas sabemos que as dificuldades de monta da atualidade exigem uma coesão poderosa de forças da área tecnológica para ajudar a empurrar o País na direção correta e inserir as nossas profissões devidamente no debate público. Trata-se, portanto, de unir os profissionais e as entidades que os representam, as empresas e escolas de engenharia em torno dessa bandeira.  Juntos, tenho certeza que superaremos as dificuldades do momento. Podemos e devemos dar essa contribuição à sociedade brasileira.


 

Rita Casaro
Entrevista publicada, originalmente, no jornal Engenheiro, da FNE, edição 166, de março de 2016








O prazo para entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoas Física 2016 (IRPF) começa nesta terça-feira (1º/03). As fontes pagadoras estão obrigadas a entregar o comprovante de rendimento aos trabalhadores até esta segunda-feira (29). O programa gerador da declaração para ser usado no computador foi liberado no site da Receita Federal no dia 25. A data limite para entrega das declarações é 29 de abril.

Entre os que devem declarar, estão os contribuintes, pessoas físicas, que receberam em 2015 acima de R$ 28.123,91 em rendimentos tributáveis. Também deve declarar o IRPF quem recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados, exclusivamente na fonte acima de R$ 40 mil em 2015; quem obteve, em qualquer mês do ano passado, ganho de capital na venda de bens ou fez operações no mercado de ações; quem tem patrimônio individual acima de R$ 300 mil; e proprietários rurais que obtiveram receita bruta acima de R$ 140.619,55.

Quem perder o prazo está sujeito à multa de 1% do imposto devido por mês de atraso ou de R$ 165,74, prevalecendo o maior valor. A multa máxima equivale a 20%.

Na terça-feira, a Receita envia o aplicativo do imposto de renda para dispositivos móveis (tablets e smartphones) na versão Android para a Google Play, loja virtual da empresa. De acordo com a Receita, a versão iOS já foi enviada para Apple e aguarda autorização da empresa.

A previsão é que ela esteja disponível nos primeiros dias de março. A versão online da declaração, que estará disponível no Centro Virtual de Atendimento (eCAC) para usuários com certificado digital, é prevista também a ser disponibilizada no começo do mês.

Cerca de 28,5 milhões de contribuintes deverão enviar à Receita Federal a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física em 2016. A estimativa é do supervisor nacional do Imposto de Renda, Joaquim Adir. O número representa crescimento de 2,1% em relação aos 27,9 milhões de documentos entregues no ano passado. 

 

 

Fonte: Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

Se o Brasil não precisa se preocupar muito com o futuro do seu agronegócio, pois, ainda que tenha havido declínio nos preços internacionais das commodities, a demanda chinesa afigura-se como inesgotável, é absolutamente necessário ao País abrir mercados para os seus produtos manufaturados e buscar uma nova relação com o mundo. Isso ficou claro depois que a presidente Dilma Rousseff, em seu segundo mandato, admitiu, de maneira implícita, que em sua política comercial anterior que misturava ideologia com comércio residiu boa parte do fracasso de seu primeiro governo, gerando uma “herança maldita” para si mesma.

É de se reconhecer que esse mea-culpa presidencial já deu bons resultados, pois, em 2015, a participação dos manufaturados no volume total das exportações subiu de 35,5%, em 2014, para 38,1%, alcançando o patamar de 2013 (38,4%), embora ainda distante daquele registrado em 2007 (55%). E que, para 2016, espera-se um superávit superior a US$ 35 bilhões. Mas é preciso mais.

Por isso, espera-se com ansiedade a desconstrução da rivalidade entre Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela) e Aliança do Pacífico (México, Peru, Colômbia e Chile) que marcou a atuação dos últimos governos de Brasil e Argentina, apesar da má-vontade do governo venezuelano, que insiste em manter a velha postura. Da parte do Brasil, já houve avanços significativos com a formalização de vários acordos de investimentos com Colômbia, México e Chile. E o novo governo argentino parece seguir no mesmo sentido.

Agora, o que se aguarda é que a troca de ofertas do acordo entre Mercosul e União Europeia ocorra mesmo no primeiro semestre de 2016, formalizando um acordo cujas negociações começaram ao final da década de 1990 e, desde então, avançaram de maneira inconsistente. Isso pode significar a liberalização de pelo menos 90% dos produtos que podem ser trocados pelos dois blocos. Mas, aparentemente, desta vez, é a União Europeia que está sem pressa para fechar o acordo, preferindo consumar primeiro tratados com os EUA, Índia e Japão, nessa ordem.

Sabe-se ainda que o Brasil está negociando acordos com o Canadá e a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Por tudo isso, há razões para um moderado otimismo, já que o câmbio vem favorecendo as exportações de manufaturados. Nada contra a exportação de cereais, celulose e outras commodities, mas o fundamental é vender produtos com valor agregado, pois só assim será possível enfrentar a redução da demanda doméstica e o agravamento da crise, evitando o fechamento de indústrias e criando mais empregos.



* por Milton Lourenço, presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)

 

 

 

 

 

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), Murilo Celso de Campos Pinheiro, participou de reunião de confederações, na manhã de terça-feira (2/02), em Brasília. O debate, sediado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), teve em pauta a defesa do desenvolvimento e contou com a presença de diversos dirigentes sindicais, além do analista político Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Entre as reivindicações comuns estão: correção da tabela do Imposto de Renda, redução das altas taxas de juros, equilíbrio das contas públicas e geração de emprego e renda.


Foto: Paula Bortolini
CNTU CNTM 02FEV2016 
CNTU e outras confederações reunidas, em Brasília, discutiram propostas
para a retomada do crescimento econômico do País 


Miguel Torres, presidente da CNTM, observa que a crise só será superada com a retomada da economia, com a valorização da indústria nacional, o aquecimento do consumo e respeito aos direitos adquiridos pelos trabalhadores.

Para Toninho, a iniciativa da CNTM foi bastante oportuna. "A organização das categorias é fundamental para o enfrentamento no Congresso Nacional das propostas dos setores que atuam politicamente pela retirada de direitos e flexibilização da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]."


 

Imprensa SEESP
Com informações da CNTM





A Petrobras Transportes S.A. ou Transpetro, maior processadora brasileira de gás natural e líder em transporte e logística de combustível do país, como se apresenta em seu site, foi crida em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, numa tentativa de fatiar a Petrobrás para facilitar a venda da estatal.

Naquele momento, a mobilização de organizações sindicais como a CUT e a FUP (Federação Única dos Petroleiros) impediu a privatização da maior empresa do país em faturamento. Mas, se a vontade de uma parte da atual direção prevalecer, o que não ocorreu no governo tucano, pode acontecer agora.

No último dia 15, o diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro, anunciou a possível venda da subsidiária, ação que rendeu críticas dos trabalhadores. Coordenadora do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro) e secretária de Juventude da CUT-SP, Cibele Vieira, explica o papel estratégico que a Transpetro exerce para a cadeia do petróleo.

“Os dutos que levam o petróleo ou derivados aos terminais e refinarias para a distribuição final estão sob responsabilidade da Transpetro. Caso seja vendida, a Petrobrás ficaria refém de uma empresa privada para fazer algo que hoje está sob seu comando e não teria mais o controle sobre o preço da operação. A outra opção é transportar por caminhão, mas é muito perigoso e mais custoso”, explica Cibele.

De acordo com a dirigente, além de se livrar de um ativo importante, a negociação amplia a possibilidade de mais desempregados no setor de petróleo.

“A Transpetro tem hoje em torno de cinco mil concursados e 15 mil terceirizados, um quadro que já está sendo enxugado para ser mais ‘apresentável’ ao mercado. Também por isso, tentaram separar a negociação coletiva em 2015 da que fazemos com a Petrobrás para piorar os acordos. Porque precisarão de quem saiba operar o terminal e um acordo forte para os trabalhadores, como é o da Petrobrás, é considerado um ônus para a venda. Mas para nós não há diferença entre as companhias, são todos petroleiros”, define.

Momento péssimo
Secretário de Comunicação da CUT e dirigente com base no setor petroleiro, Roni Barbosa, afirma que a Central é contrária à venda de qualquer ativo. “Todo o setor do petróleo passa por um momento de crise, está em baixa e esse não é o momento de se desfazer de qualquer empresa. Especialmente aquelas que trazem bastante rentabilidade ao país.”

Balão de ensaio
Diretor do Sindipetro-SP e candidato a suplente na chapa dos trabalhadores ao conselho de administração da Petrobrás, Arthur ‘Bob’ Ragusa acredita que a declaração de Ivan Monteiro foi um balão de ensaio para sentir as reações do mercado e os grupos interessados na aquisição da subsidiária. E também para transformar a negociação em pauta no CA.

“Se esse assunto não estava no conselho e poderia ser rejeitado, após incitar esse debate, corremos o risco muito maior de ver a maioria dos conselheiros decidir pela venda”, definiu.

Da mesma forma que Cibele, Ragusa também acredita que a afirmação tem o objetivo de pressionar a negociação coletiva neste ano.

“Um dos patrocinadores na mudança do modelo de negociação, que sempre foi com o RH (recursos humanos) da Petrobrás, é o Ivan. No ano passado, tentaram limitar o número de dirigentes e tirar mais de 30 cláusulas do acordo coletivo, discutindo um aumento abaixo da inflação e redução de horas extras”, acrescentou, Ragusa.

Outros ativos
Além da Transpetro, o conselho da Petrobrás, que conta com um trabalhador entre nove indicados pelo governo federal e por acionistas minoritários, aprovou a venda e 25% da BR Distribuidora.

Apesar de não estar diretamente ligado ao sistema de produção, esse era o braço da companhia brasileira que poderia interferir no preço definido nos postos de combustível. Ao diminuir o preço na bomba, outros também seriam obrigados a rebaixar para não perder mercado.

O mesmo vale para a Gaspetro, onde a Petrobrás já era sócia minoritária. Neste caso, a questão é ainda mais delicada. A venda de 49% das ações por R$ 1,93 bilhão para o grupo Mitsui é questionada na justiça. Segundo os bancos JP Morgan e Brasil Plural, o valor deveria girar em torno de R$ 5,6 bilhões de reais.

Um levantamento da FUP apontou que, em 2014, a subsidiária obteve um lucro líquido de R$ 1,5 bilhão e, na média dos últimos quatro anos, seu lucro ficou em R$ 1,4 bilhão. Portanto, a abertura de 49% do capital pode levar à perda de R$ 750 milhões.

Além disso, uma ação civil pública impetrada pela FUP trata de conflito de interesses. Diretor-presidente da Vale, Murilo Ferreira foi nomeado para o conselho de administração da Petrobrás e passou a ocupar a presidência justamente quando surgiram as notícias de negócio com a Mitsui, empresa parceira da Vale em uma série de empreendimentos.

Correm notícias nos bastidores também que a Petrobrás teria o interesse de se desfazer das Fafens (Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados) e de sua parte na empresa petroquímica Braskem.

A CUT e as organizações de trabalhadores cobram da presidenta Dilma Rousseff uma resposta às afirmações de Ivan Monteiro sem que o debate tenha passado por instâncias deliberativas como a diretoria executiva e o conselho de administração (CA).

“Dentro da Petrobrás há setores entreguistas que tem muita vontade de repassar o que for possível para a iniciativa privada e alguns diretores se movimentam para isso como porta-vozes dessa estratégia. Alguma medida tem de ser tomada sobre a insubordinação desse diretor, o governo precisa demonstrar firmeza na defesa de um patrimônio que sempre classificou como estratégico para o Brasil. Sob pena de gerar espaço para outros gerentes que se acham donos da companhia que pertence a todos os brasileiros.

 

 

Fonte: CUT

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As centrais sindicais CUT, Força, UGT, Nova Central, CTB, CSB e CGTB realizaram, no dia 19 último, em frente ao Banco Central, em São Paulo, ato contra os juros altos. A manifestação unitária mostrou o descontentamento geral do sindicalismo com a política econômica do governo. 

O centro das falas foi combater o juro alto, retomar o investimento público e sanear a Petrobras. “Já temos os juros mais altos do mundo e a inflação não cai. Ao contrário, o juro alto torna a vida mais cara e faz a inflação subir”, diz Canindé Pegado, secretário-geral da UGT. Para Miguel Torres, presidente da CNTM-Força, “o remédio do juro alto está matando o paciente”. E sugere: “O próximo protesto deve ser em frente à Anvisa”.

Desemprego - Para os sindicalistas, uma das consequências dos juros extorsivos é mais desemprego. Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, afirma: “Podemos chegar ao final do ano com desemprego de 15%. Antes, as indústrias demitiam. Agora, estão fechando”.

Várias falas destacaram a importância da unidade das Centrais, mas também de uma ação articulada com o setor produtivo. Para Wagner Gomes, secretário-geral da CTB, “o empresariado do setor produtivo precisa reagir contra as altas nos juros e o encarecimento do crédito”. Ele diz: “Sem dinheiro e com o crédito caro, a pessoa não compra e isso gera um efeito negativo em toda a cadeia produtiva”.

Serviços
Lineu Mazano, presidente da Federação dos Sindicatos de Servidores Públicos no Estado de SP (UGT), lembra que o pagamento da dívida retira dinheiro dos serviços públicos. “E serviço público de má qualidade é outra pena que o governo impõe ao cidadão”, ressalta.

Os sindicalistas deixaram claro que o ato de hoje foi um evento de dirigentes. Sérgio Nobre, secretário-geral da CUT, ao mencionar que o setor automotivo está 50% parado, conclamou o movimento sindical a reforçar sua unidade e ampliar os protestos. “Temos de mostrar forças, porque, se não, o governo vai continuar ouvindo apenas os banqueiros”, ele alerta.

 

 

Fonte: Agência Sindical

 

 

 

 

 

 

 

 

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