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A taxa mundial de desemprego deverá subir moderadamente de 5,7% para 5,8% em 2017, o que representa um aumento de 3,4 milhões de pessoas desempregadas, afirma o novo relatório lançado na quinta-feira (12/11) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), Perspectivas sociais e do emprego no mundo - Tendências de 2017 .

Em 2017, a OIT prevê que o número de pessoas desempregadas no mundo inteiro chegue a pouco mais de 201 milhões, com um aumento adicional de 2,7 milhões previsto para 2018, já que o ritmo de crescimento da força de trabalho supera o de criação de empregos.

"Estamos enfrentando um desafio duplo: reparar os danos causados pela crise econômica e social mundial e criar empregos/trabalhos de qualidade para as dezenas de milhões de pessoas que entram no mercado de trabalho a cada ano", afirmou o Diretor Geral da OIT, Guy Ryder.

"O crescimento econômico segue decepcionante e é menor do que o esperado, tanto em nível quanto em grau de inclusão. Isso delineia um quadro preocupante para a economia mundial e sua capacidade de criar empregos suficientes, muito menos empregos de qualidade. A persistência de altos níveis de formas vulneráveis de emprego, associadas a uma evidente falta de avanços na qualidade dos empregos – mesmo em países onde os números agregados estão melhorando – é alarmante. Temos de garantir que os ganhos do crescimento sejam compartilhados de forma inclusiva", acrescentou ele.

O relatório mostra que as formas vulneráveis de trabalho – como trabalhadores familiares não remunerados e trabalhadores por conta própria – devem constituir mais de 42% da ocupação total, ou seja, 1,4 bilhão de pessoas em todo o mundo em 2017.

"Na verdade, nos países emergentes quase um em cada dois trabalhadores se insere num emprego vulnerável e, nos países em desenvolvimento, mais de quatro em cada cinco trabalhadores", disse o Economista Sênior da OIT e principal autor do relatório, Steven Tobin.

Portanto, estima-se que o número de trabalhadores em trabalhos vulneráveis irá aumentar em 11 milhões a cada ano, com o Sul da Ásia e a África Subsaariana sendo as regiões mais afetadas.
Tendências regionais contrastantes

Os autores também alertam que os desafios do desemprego são particularmente graves na América Latina e no Caribe, onde as cicatrizes da recente recessão continuarão a ter um grande efeito em 2017, assim como na África Subsaariana, que registrou seu nível de crescimento mais baixo em duas décadas. Em ambas regiões se observa um forte aumento da população em idade de trabalhar.

Por outro lado, o desemprego deve diminuir em 2017 nos países desenvolvidos, reduzindo sua taxa de 6,3% para 6,2%. No entanto, o ritmo do progresso está desacelerando e há sinais de desemprego estrutural. Na Europa e na América do Norte, o desemprego de longa duração continua elevado em comparação com os níveis pré-crise e, no caso da Europa, continua aumentando apesar da queda das taxas de desemprego.
Déficits de trabalho decente alimentam o descontentamento social e o desejo de migrar

Outra tendência importante destacada no relatório é que a redução da pobreza dos trabalhadores está desacelerando, colocando em risco a perspectiva de erradicação da pobreza conforme estabelecido pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. O número de trabalhadores que ganham menos de US$ 3,10 por dia deve ter um aumento de mais de 5 milhões nos próximos dois anos nos países em desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o relatório adverte que a incerteza global e a falta de empregos e trabalhos decentes, entre outros fatores, alimentam o mal-estar social e a migração em muitas partes do mundo.

Entre 2009 e 2016, a proporção da população em idade de trabalhar que deseja migrar para o exterior aumentou em quase todas as regiões do mundo, com exceção do Sul da Ásia, do Sudeste Asiático e do Pacífico. O aumento mais importante ocorreu na América Latina e no Caribe e nos Estados Árabes.
Um chamado a favor da cooperação internacional

No que se refere às recomendações sobre políticas, os autores estimam que um esforço coordenado para oferecer estímulos fiscais e um aumento do investimento público que leve em conta o espaço fiscal de cada país, proporcionaria um impulso à economia global e reduziria o desemprego mundial em 2018 em cerca de 2 milhões, comparado às previsões iniciais.

No entanto, estes esforços deveriam ser acompanhados de uma cooperação internacional.

"Estimular o crescimento econômico de maneira equitativa e inclusiva requer uma abordagem política multifacetada que abarque as causas subjacentes desta estagnação secular, como a desigualdade de renda, e, ao mesmo tempo, considere as particularidades de cada país", concluiu Tobin.

 

* Leia o relatório na íntegra aqui

 

 

Comunicação SEESP
Notícia reproduzida do site da OIT Brasil

 

 

 

 

 

 

 

A realização em Lisboa, em junho, do primeiro fórum organizado pela União dos Exportadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) marcou o nascimento de um mercado comum que, apesar de todas as dificuldades que se apresentam para viabilizá-lo, surge como o terceiro maior bloco mundial a nível econômico, levando-se em conta o Produto Interno Bruto (PIB) de cada parceiro, a população e número de consumidores.  Basta ver que o bloco representa um PIB agregado superior a US$ 2,5 bilhões e mais de um milhão de empresas.

Além dos mercados internos, é de se levar em conta as diferentes regiões econômicas que estão associadas aos nove países-membros da CPLP (Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Timor-Leste), num total de 86 nações, o que equivale a um universo superior a 260 milhões de consumidores para um mercado potencial de 1,8 bilhão de habitantes, o que se traduz em número impensável de negócios.

Esse mercado já existia em potencial, mas faltava um organismo que pudesse viabilizar, estimular e promover esse intercâmbio. E, ao que parece, esse será o papel da União dos Exportadores e da Confederação Empresarial da CPLP, que nasceram depois da primeira reunião de chefes de Estado realizada, em 2014, em Díli, capital do Timor-Leste. Em função desses esforços, acaba de ser constituída oficialmente a União de Bancos, Seguradoras e Instituições Financeiras da CPLP (UBSIF-CPLP), que representa um passo decisivo para a cooperação financeira entre as nações do bloco.

Entre os países-membros da CPLP, Brasil e Portugal estão num estágio mais avançado de desenvolvimento, enquanto os países africanos e o Timor-Leste, se estão em fase embrionária, apresentam muitos recursos naturais e oferecem igualmente muitas oportunidades. Seja como for, o fato de se poder usar o português como o idioma nos negócios representa uma economia significativa nos custos, o que estimula a competitividade dos produtos.

É de se ressaltar que o fórum realizado em Lisboa permitiu que mais de 1.500 homens de negócios ali reunidos pudessem conhecer a situação empresarial de cada país, suas carências, seu sistema financeiro e jurídico e outras peculiaridades. Além disso, conheceram também os instrumentos que a CPLP criou para ajudá-los a fazer negócios, como, por exemplo, a marca CPLP, que conta com o portal Connect CPLP. Desde então, a marca CPLP começa a servir como um selo de qualidade reconhecido a nível mundial para produtos dos países-membros.

Existe também o Observatório da CPLP, que exibe os projetos de cada Estado-membro e as licitações que serão abertas. Dessa maneira, o sonho de José Aparecido de Oliveira (1929-2007), idealizador e fundador da CPLP à época em que comandava a Embaixada do Brasil em Lisboa entre 1992 e 1994, começa a se tornar realidade.

 

 

* por Milton Lourenço, presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o “não” da Grécia – e ao contrário do que se espera – só caberá uma saída à comunidade econômica europeia: admitir uma mega parcela de perda no estoque da dívida grega e refinanciar o restante indexado ao crescimento da produção local. Como?

Isto não poderia servir de estímulo para que países como a Espanha, Portugal, Itália, Irlanda e tantos outros que estão pendurados no caderninho de fiado da tróica, sigam o mesmo caminho?


Foto: Reprodução do site da Agência Brasil
Grecia não
No dia 5 de julho último, os gregos rejeitaram as condições impostas pelos credores
internacionais para um novo resgate financeiro ao votarem Não
no referendo convocado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras

 

É o que, de fato, melhor poderia ocorrer para as finanças mundiais, ao contrário do que estão a deblaterar e agourar os colunistas e especialistas cevados pelo capital financeiro em todos o quadrantes do mundo, incluídos os analistas dos países emergentes (ou nem tanto).

O que a Crise de 29 não ensinou a tantos que pensaram evitá-la após 2008 fazendo o contrário do que fizeram as autoridades econômicas do século passado, é que quando se atinge um desequilíbrio muito grande entre as identidades da chamada equação fischeriana (a identidade clássica revisitada de MV=PT) (*) – seja lá qual for o refinamento teórico e conceitual que se possa estabelecer para quaisquer das componentes envolvidas nos dois lados dessa identidade –, não se recupera a produção (via o maior investimento) penalizando pelo ajuste de preços intermediários e finais os orçamentos de consumidores e de produtores nem se aumentando juros e tributos quando se está necessitando recuperar a produção.

As bolhas formadas do lado esquerdo da identidade (MV) – como foram as bolhas das emissões primárias e secundárias de ações em 29, na crise das empresas ponto.com em 1990 e na hemorragia das hipotecas e dos seguros em 2008 e, agora, a crise da dívida pública dos países com desajuste fiscais e previdenciário – só poderão ser esterilizadas com a recuperação progressiva dos componentes do lado direito da identidade (PT).

Nos anos 30, e ao contrário de hoje, havia maior equilíbrios fiscal nos países onde grassava a crise: era como se a crise fosse eminentemente “privada”. Assim, a poupança pública fiscal pôde ser transformada em gasto público corrente (e de investimento social), recuperando a demanda agregada para depois, recuperar a oferta agregada da economia (e se reequilibrado os termos da equação fischeriana).

Mas, por certo, não se aumentaram impostos ou juros reais para reequilibrar a equação (e, é claro, não se pode esquecer, do impulso que a oferta agregada teve com a emergência das despesas de guerra no período subsequente, entre outras causas, pela expansão da capacidade americana em substituir parcela importante da produção dos países europeus que estavam em pleno palco do conflito mundial de 39 a 45).

Hoje a dívida pública dos países europeus em desequilíbrio, tem por trás como detentores dos papéis das dividas públicas OU os governos com excedentes fiscais que compraram parcelas das dívidas dos países pertencentes ao Clube do Euro OU os seus bancos privados (ou que foram no todo ou em parte estatizados pelos Tesouros Europeu e Americano após a crise de 2008).

E o resultado dessas ações em termos da recuperação das economias e da reciclagem dos capitais públicos nos bancos e em empresas afetadas pela crise de 2008 ainda não foram totalmente recicladas: ou seja, é uma crise "privada" e "pública", ao mesmo tempo.

Ou, em termos agregados, ainda prevalece boa parte dos desajustes de emprego e renda nos principais países afetados pela crise e pelos efeitos da crise das hipotecas, embora se tenha crescimento errático e ainda não suficientemente sustentável das principais economias mundiais, seja nos EUA, na Europa ou mesmo fora do eixo desses dois grandes blocos econômicos, como é o caso mais evidente da China.

Não havendo nem poupança fiscal líquida para fazer políticas compensatórias de emprego e renda como no New Deal (de inspiração keynesiana) e nem poupança privada excedente que possa ser (via tributação) orientada para o mesmo fim, é preciso pensar em uma solução a termo para o reequilíbrio da identidade fischeriana.

No caso da bolha da dívida pública – da Grécia e no Brasil se considerada a situação fiscal do país como um todo – que soa diferente das bolhas das emissões privadas de ações e da emissão privada de hipotecas e de apólices de securitização sem lastro –, o MV aumenta com o aumento real de juros e o maior giro da dívida pública para compensar a retração da arrecadação, já que a base real da economia (PT) se deprime, recorrentemente, pelos juros maiores e pelo aumento da tributação corretiva para financiar os déficits do setor público.

Ou seja, mais juros reais e mais tributação contraem, cada qual ao seu tempo, a identidade em sua contrapartida de lastro real (PT).Os investimentos só retornarão se puder se transformar parte da dívida pública em direitos emergentes de concessão (quando há ativos a concessionar ou há espaço para investimentos para realizar investimentos para retrofitar, redimensionar a maior ou por melhor tecnologia o acervo de investimentos em infraestrutura econômica ou social de um país, aí incluído o refinanciamento do estoque da atividade previdenciária assim como o da “nova” base de financiamento previdenciária a se estabelecer nos países em dificuldades) ou em direitos fiscais emergentes, assim entendidos os ônus fiscais incidentes sobre a produção e os serviços de um país.

Ou seja, em direitos a abater, no longo prazo, os ônus fiscais de toda a ordem que incidem sobre a produção futura de bens e serviços de uma economia.

Tal como se fará necessário para atrair investimentos diretos para as concessões demandadas pela economia brasileira (emissão direta de capital estrangeiro via a subscrição de capital de novas empresas, ou via compra ou associação com empresas existentes, e através de parte de capital via criação de cotas de fundos de investimento para aplicação no acervo de projetos que geram direitos emergentes de concessão).

(*) MV=PT (Identidade que indica o equilíbrio entre o mercado monetário e o mercado produtivo)



* Por Saulo Krichanã, diretor-geral do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec)










A crise financeira iniciada em 2008 expulsou do mercado de trabalho 62 milhões de pessoas no mundo e, hoje, 202 milhões de pessoas estão desempregadas, o equivalente a um Brasil inteiro. Enquanto isso, uma elite composta por apenas 85 indivíduos controla o equivalente à renda de 3,5 bilhões de pessoas no mundo. A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 21/01/2014.

Dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela entidade Oxfam, na última semana, revelam o impacto social da crise de 2008. Meia década depois do colapso dos mercados, os ricos estão mais ricos e a luta contra a pobreza sofreu forte abalo. Hoje, 1% da população mundial tem metade da riqueza global.

Os levantamentos foram publicados na véspera do Fórum Econômico Mundial, que começa amanhã em Davos. Pela primeira vez nos mais de 40 anos da entidade, os organizadores reconhecem a desigualdade como o maior risco para o planeta.

Para a OIT e a Oxfam, a crise mundial gerou uma concentração de renda inédita no mundo rico nos últimos 70 anos e fez o número de desempregados bater recorde. O que mais preocupa as entidades é que a recuperação da economia não está sendo seguida por uma geração de postos de trabalho e a previsão é de que, em 2018, 215 milhões de pessoas não terão emprego. "A crise é muito séria e o número de desempregados continua a subir", disse Guy Ryder, diretor-geral da OIT. "Precisamos repensar todas as políticas. A crise não vai acabar até que as pessoas voltem a trabalhar."

Em 2013, mais 5 milhões perderam o emprego, principalmente na Ásia. Desde 2008, um volume extra de 32 milhões de pessoas busca trabalho, sem sucesso. Mas outras 30 milhões de pessoas simplesmente abandonaram o mercado de trabalho e desistiram de procurar empregos. Só em 2013, foram 23 milhões. "Essas são taxas inaceitáveis", disse Ryder. Hoje, a taxa de desemprego global é de 6%. Por enquanto, não há sinal de queda do desemprego na Europa, enquanto outras regiões começaram a registrar aumento.

Jovens
Outra preocupação da OIT é com o fato de que 13,1% dos jovens do mundo continuam sem emprego - 74,5 milhões de pessoas. Apenas em 2013, 1 milhão de jovens perderam seus trabalhos. Mesmo entre os empregados, a situação nem sempre é adequada. Segundo a OIT, 375 milhões de pessoas ganham menos de US$ 1,25 por dia. Outros 839 milhões ganham menos de US$ 2.







No início de novembro, dois importantes eventos atrairão a atenção de todo o mundo. Neste dia 6, os eleitores americanos decidirão se o presidente Barack Obama continuará ou não no posto nos próximos quatro anos ou se o país voltará a ser comandado pelo Partido Republicano de Mitt Romney. No dia 8, começa o 18 º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês, que deverá ratificar a escolha de Xi Jinping como Secretário Geral do Partido e novo presidente do país, que iniciará seu mandato em março do ano que vem.

Nos Estados Unidos, o que estará em jogo é o caminho a ser escolhido para manter o poderio americano. A diferença entre os programas de Obama e Romney é bastante grande. Para Obama, não é mais possível o país bancar o papel de Xerife do mundo. As condições financeiras do país impedem tal conduta. E acredita que a manutenção do poderio americano depende do fortalecimento da economia interna e dos investimentos em infraestrutura e educação. A prioridade é a redução do déficit e da dívida pública e principalmente dos níveis de desemprego. Já para Romney, a manutenção do papel de xerife mundial é condição para a recuperação da economia americana. Ele crê que os gastos militares servem de motor para a economia, desde que o Estado reduza seus gastos sociais. Menos Estado no campo social e mais presença militar internacional são bandeiras defendidas pelo candidato republicano.

As dificuldades enfrentadas por Obama ao longo dos últimos quatro anos, fruto da herança perversa da crise financeira de 2008, corroeram parte de sua popularidade. A lenta recuperação da economia americana nos últimos meses foi suficiente para estancar esta corrosão, mas não para trazer de volta toda a confiança que a população depositava no presidente. Mesmo assim, é provável que seja reeleito. O discurso de Romney, embora motivador, parece um pouco extemporâneo para os pobres, os jovens, os latinos e os negros americanos. A classe média liberal também contesta a relação custo-benefício da manutenção do poderio militar americano.

Na China, embora o ritmo de crescimento da economia tenha desacelerado, ele ainda continua alto para os padrões internacionais. Enquanto as economias americana e europeia devem fechar o ano com crescimento de 2% e 0% respectivamente, a economia chinesa deve crescer em torno de 8%. O crescimento chinês, que seria um sonho para outros países, pode se tornar um pesadelo para o país asiático. O novo governo chinês terá dificuldades para atender as gigantescas demandas de sua população. O aumento da desigualdade entre os pobres e ricos, a enorme burocracia interna, a carência de insumos energéticos e de alimentos, somados aos desejos de liberdade típicos da classe média ocidental e as denúncias de corrupção no governo, tornam difícil encontrar uma equação que possa satisfazer a todos.

O modelo de sucesso iniciado na década de 1990 por Deng Xiaopeng, que garantiu duas décadas de alto crescimento econômico, quadruplicou a renda per capita e estendeu a segurança social no país, parece estar se esgotando. Modelo econômico baseado na industrialização voltada para a exportação, manutenção de câmbio fixo em relação ao dólar, agregado ao modelo político centralizado já não consegue repetir os êxitos do passado. 

O equacionamento dos problemas da China e dos Estados Unidos está interligado. As duas principais economias do mundo precisam de mudanças, e estas devem estar conjugadas. A menor dependência do mercado americano em relação às importações e a maior atenção do governo chinês ao mercado interno precisam ser implantados de forma gradual, progressiva e sobretudo concatenadas.

Assim como não é mais possível aos Estados Unidos continuar como xerife do mundo, também não é mais possível a China continuar como a fábrica do mundo. Da superação dessas condições depende o crescimento da economia global. Para o Brasil, especialmente, o sucesso dos dois principais países do planeta tornou-se condição para o seu próprio sucesso. 

* Alcides Leite é economista e professor da Trevisan Escola de Negócios


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