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Durante dois dias, entre 12 e 13 de novembro último, mais de duas mil pessoas participaram do EcoSP, Encontro Ambiental de São Paulo, realizado pelo SEESP e pela FNE (Federação Nacional dos Engenheiros), na Capital paulista. O evento debateu reciclagem de alimentos, controle biológico de pragas e gerenciamento de águas contaminadas. O programa de televisão do sindicato, o JE na TV, desta semana, trará cobertura sobre o encontro. 

A entrevista especial é com o físico Luiz Carlos Baldicero Molion, diretor do Departamento de Clima da Universidade Federal de Alagoas, que abordará o tema mudanças climáticas, até onde a questão é um mito ou realidade. 

O JE vai ao ar, na Capital paulista, sempre às terças-feiras, às 19h, nos canais 9 (NET), 72 (TVA) e 186 (TVA Digital), ou, no mesmo dia e horário, pela internet neste link. O programa também é transmitido para 48 cidades de todo o Estado em dias e horários diversos. Confira aqui a grade já disponível. 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa - SEESP



 

O segundo e último dia do VI EcoSP (Encontro Ambiental de São Paulo), nesta terça-feira (13/11), trouxe ao debate os temas “Reciclagem de alimentos: compostagem” e “Controle biológico de pragas”, respectivamente com o permacultor Cláudio Vinícius Spínola de Andrade e o engenheiro agrônomo Alexandre de Sene Pinto. A mesa, realizada no período da tarde, teve a coordenação do vice-presidente do SEESP, Laerte Mathias de Oliveira. O evento, realizado no Complexo Parque Anhembi, na Capital paulista, foi uma promoção conjunta do SEESP e FNE (Federação Nacional dos Engenheiros).

* Aqui as fotos deste debate

Andrade, que também é da ONG Morada da Floresta, tentou desmistificar o processo de reciclagem de resíduos orgânicos, apresentando-o como uma ação simples que pode ser desenvolvida no espaço urbano, dentro de casas e apartamentos. Ele diagnostica um distanciamento do homem da natureza, o que causou o esgotamento dos recursos naturais, a contaminação das águas e da atmosfera, a extinção de espécies, a poluição e a crescente produção de resíduos. “Por mais que a sociedade avance em consciência ambiental, assim mesmo continuamos destruindo o planeta”, adverte, e questiona: “Qual o futuro que queremos e qual o legado que estamos deixando para as próximas gerações?”.

Visão cíclica
Ele critica a postura do homem como se a natureza existisse para servi-lo, “não nos vemos como parte dela”. Por isso, argumenta que é necessária a mudança de hábitos urgente, entre eles, de consumo, de alimentação, de gestão de resíduos e recursos naturais. “É mais barato cuidar para não poluir o rio do que fazer a sua despoluição e ter uma alimentação mais saudável ao invés de cuidar de uma doença depois, como o câncer.” E cita que a Prefeitura de São Paulo gasta R$ 2 milhões por dia para coletar, transportar e destinar os resíduos sólidos produzidos na cidade. Por isso, defende a prática da compostagem urbana, processo natural de decomposição da matéria orgânica, que transforma o lixo em adubo, evitando o acúmulo desses dejetos em aterros sanitários, cuja vida útil é de 20 anos e depois são mais 50 anos de monitoramento devido à contaminação do solo e do lençol freático por causa do chorume tóxico e da atmosfera em razão do gás metano.

Andrade acredita que o descarte do lixo, como é feito hoje, se deve a uma visão linear que a sociedade tem da sua produção. “Precisamos ter a visão cíclica, o da transformação”, observando que os benefícios ambientais são imensos, como: produção de adubos naturais, incentivo ao plantio urbano, menos consumo de combustíveis fósseis. E descreve a cidade ideal, onde o vento e a luz solar são aproveitados e os terrenos são utilizados para plantios.

Para ele, a compostagem doméstica é a sustentabilidade começando em casa e reivindica a implantação dessa prática em locais disponíveis no perímetro urbano, como em terrenos da prefeitura, da Sabesp, da Eletropaulo, além dos particulares.

Controle biológico x agrotóxicos
Na segunda parte do debate, o engenheiro agrônomo Alexandre Sene de Pinto, da empresa Bug – Agentes Biológicos, discorreu sobre o benefício da utilização do controle biológico de pragas na agricultura. Para explicar o surgimento das pragas, ele resgatou o homem das cavernas, que sai delas apenas por um motivo, para começar a agricultura e a pecuária. É quando o homem, ensina, percebe que pode passar de extrativista para explorador de fontes que até então eram inesgotáveis para ele. Isso o leva a juntar espécies de plantas diferentes e animais, “a partir desse instante o homem altera todo o ambiente e cria um novo problema, os organismos que vão se beneficiar desse acúmulo de matéria, as pragas”. Elas são organismos dentro do ambiente da cultura capazes de reduzir a produção ou qualidade de um alimento.

É aí que entra o controle biológico que surgiu no Brasil e no mundo por idealismo, destaca o agrônomo, observando, no entanto, que o processo é ainda muito massacrado. A primeira experiência nesse sentido foi na China, no século III dC (depois de Cristo). “Mas estamos numa fase muito boa atualmente”, explicando que se antes o fenômeno natural de regulação de plantas e animais baseava-se muito no empirismo, hoje tem a ciência como aliada e propulsora de novas tecnologias e métodos.

Outro exemplo bem-sucedido, um marco do controle biológico no mundo, se deu, em 1888, nos Estados Unidos, com a importação de joaninhas (insetos coleópteros da família Coccinellidae) da Austrália para a Califórnia, que salvou a plantação de citros da região.

No entanto, o período negativo para o controle biológico de pragas se deu a partir da década de 1940, junto com a Segunda Guerra Mundial, onde produtos químicos foram utilizados para matar piolhos dos soldados que estavam no front. O método foi transportado para a lavoura, mas não tardou em causar efeitos nocivos, já a partir de 1950, com a resistência dos insetos aos inseticidas, o aparecimento de novas pragas e o ressurgimento de outras, desequilíbrios biológicos, efeitos prejudiciais ao homem e resíduos nos alimentos, água e solo.

A polêmica que envolve a utilização de defensivos agrícolas ou biológicos tende a se acirrar. Pinto explica: “A crise dos alimentos tem vários aspectos, as perdas na produção por causa de fatores climáticos, que fogem ao nosso controle, e o aumento da população, especialmente as da China, Índia e Brasil. A China, nos últimos cinco anos, elevou o consumo de carne de 20 quilos por pessoa ao ano para 50. Esse acréscimo significa aumentar milho, soja e outros vegetais que vão alimentar os animais. Ou seja, além da carne, a gente precisa aumentar, e muito, a produção de alimentos no campo.”

O homem, para ele, corre contra o tempo para desenvolver tecnologias que já deveriam ter sido criadas lá atrás. Mas acredita que o Brasil terá um papel fundamental nesse novo cenário, porque o país tem a maior área agrícola do planeta, utilizando atualmente apenas 17% dela, ocupa as três primeiras posições na produção das principais culturas, exceto a de trigo, e tem condições de avançar muito mais. Aliado a tudo isso, a sua produção científica, entre 1998 e 2002, teve um incremento de 54%, enquanto no resto do mundo foi de 9%. “E somos líderes em tecnologia de país que tem cultura tropical”, informa.

Mesmo com toda essa produção agrícola, que deve aumentar ainda mais nas próximas décadas no território brasileiro, Pinto defende a utilização dos agroquímicos apenas em último caso e a adoção do MIP (Manejo Integrado de Pragas), que é o controle biológico com predadores e parasitóides. Hoje o país é o maior consumidor mundial de agrotóxico, passando os Estados Unidos. Em 40 anos, o consumo cresceu 700% e a área agrícola, 78%. E alerta, ainda, que o alimento com a maior concentração de resíduos desses defensivos não é mais o morango. “Foram encontrados 91% de resíduo acima do permitido no pimentão.”


* Veja aqui a apresentação de Cláudio Vinícius Spínola de Andrade - Compostagem
* Veja aqui a apresentação de Alexandre de Sene Pinto - Controle biológico de pragas

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa – SEESP



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