GRCS

Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estão desenvolvendo o protótipo de uma telha sustentável. Ela é feita, principalmente, com fibras naturais da Amazônia, como a malva e a juta, e com uma argamassa que inclui areia, resíduos de cerâmica e pouco cimento.

 

Foto: Divulgação Fapeam

foto ecotelhas 1



Essa composição, segundo o subcoordenador da pesquisa, o doutor em engenharia João de Almeida Melo Filho, dá mais resistência ao material e pode melhorar a sensação térmica nas residências localizadas nas regiões mais quentes do país. “Além de ter menos cimento em sua constituição, ela tem também areia, que se torna um material mais barato, além das fibras naturais. A matriz que utiliza o cimento é muito frágil e as fibras naturais é que vão dar a verdadeira resistência a esse material. O conjunto que a gente chama de "material compósito" vai produzir um material com maior resistência mecânica. E a gente já verificou que tem maior desempenho térmico devido ao uso de resíduos cerâmicos”, garantiu.

Para o pesquisador, a telha sustentável terá boa aceitação pelos consumidores porque, além de ser mais barata, será parecida com as disponíveis no mercado. João de Almeida acredita que a utilização das fibras naturais para a produção das ecotelhas também vai estimular o trabalho de produtores ribeirinhos. “A gente acredita que o fato de o cultivo dessas fibras ser feito, principalmente, por comunidades ribeirinhas, a utilização dessas fibras no desenvolvimento de um material de construção e a possibilidade de que seja usado em grande escala vai incentivar essas comunidades a produzir e aumentar sua renda.

O pesquisador informou que o protótipo da ecotelha deve ficar pronto em 12 meses. Após esse processo, ele disse que será necessário um patrocínio para adquirir o maquinário destinado à produção em larga escala. O projeto recebe o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A entidade concede R$ 50 mil, por meio do programa Sinapse da Inovação, para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras.


Fonte: Agência Brasil




Estão abertas as inscrições para o Seminário da Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, na capital paulista, que ocorre em 17 de setembro próximo. Promovido pela Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), o encontro reunirá poder público, empresas e terceiro setor para debater panorama atual, dificuldades e perspectivas da reciclagem no País, além de gestão e organização de toda a cadeia de reaproveitamento de resíduos da construção civil e demolição no Brasil.

 

seminario abrecon



A Abrecon aproveitará a ocasião para divulgar, ampliar e consolidar os avanços no segmento ocorridos nos últimos anos. Diversas personalidades mundiais na área estão confirmadas. O evento, que acontecerá no Centro de Convenções Milenium (Rua Dr. Bacelar, 1043), também terá a participação de usinas de reciclagem de resíduos da construção civil, aterros de inertes, Área de Transbordo e Triagem (ATTs), beneficiadores, industrias de blocos e tijolos, concreteiras e principais clientes e fornecedores do setor.

O SEESP, um dos apoiadores do seminário, estará presente nas discussões travadas durante todo o evento. Confira a programação do Seminário aqui

Inscrições e informações neste link.


Imprensa SEESP




Uma casa ecologicamente correta, que oferece maior conforto térmico e ainda é mais barata que uma construção tradicional em alvenaria. Esse foi o projeto Casa PET, que rendeu a conquista do 5º Prêmio Instituto 3M para Estudantes Universitários 2013 para uma equipe dez alunos da Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) de Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

 

Foto: divulgação/3Mcasa-de-garrafa-pet-fatec



A ideia, nascida em 2012, começou a ganhar forma quando o grupo de estudantes – monitorados por três professores – se inscreveu e venceu em 2013 a quinta edição do concurso com o projeto da Casa PET. “Fomos premiados e, com isso, ganhamos R$ 30 mil para transformar a proposta em realidade no prazo de um ano. Sem dúvida, um desafio ainda maior”, conta a estudante Adriana Roberta Mendonça.

Com o troféu na mão e o dinheiro na conta, a equipe colocou a mão na massa. Em outubro de 2013, os alunos iniciaram a construção de uma casa de 24m² – incluindo uma sacada – no campus da Fatec de Presidente Prudente, com o uso de 4 mil garrafas PET preenchidas com areia lavada e solo cimento (uma mistura de terra com 10% de cimento), que substituíram os tijolos desde as fundações até o teto. A estrutura da edificação, como as colunas de sustentação, é a mesma de uma residência de alvenaria. “Da maneira como foi feita, a obra fica tão resistente quanto as casas comuns”, explica a professora Camila Pires Cremasco Gabriel, da Unesp de Tupã, uma das coordenadoras do projeto.

Além da reciclagem das embalagens PET, outro grande benefício do projeto implementado pelos estudantes é a economia. Enquanto uma obra com as mesmas medidas erguida com tijolos gasta 10 sacos de cimento, a Casa PET só precisa de quatro. Contabilizando a mão de obra, material e acabamento (pintura, instalações elétrica e hidráulica) o custo foi de R$ 15 mil, ou seja, 30% a menos do que seria gasto em um projeto igual com uso dos materiais tradicionais.

“O projeto Casa PET é de fundamental importância, pois prova que uma construção ecologicamente correta feita de embalagens PET é uma alternativa econômica viável e que pode ser utilizada por pessoas de baixa renda”, avalia Camila.


As vantagens não param ai. Além da economia, a estimativa é que os cômodos que substituem tijolos por garrafas PET sejam 20% mais frescos. Isso porque as paredes são bem mais espessas: 35 cm de largura, enquanto as convencionais têm, em média, 13 cm. “Com a obra concluída e entregue, o grupo de estudantes começa agora a fase de medições de temperatura dentro da residência, com o objetivo de comprovar esta tese. Esse trabalho deverá ser concluído no segundo semestre de 2015”, completa Camila.

Desde sua criação, o Prêmio Instituto 3M para Estudantes Universitários já ajudou a tirar do papel várias ideias inovadoras. Uma delas, por exemplo, é o Projeto Bambu, desenvolvido por alunos da Unesp de Bauru, com o objetivo de capacitar agricultores da cadeia produtiva do bambu a gerarem renda por meio da produção de artesanato. A 6º edição do concurso ocorrerá no primeiro semestre de 2015 para estudantes universitários de todo o país.

Fonte: Ciclo Vivo




A sustentabilidade na construção civil é tema cada vez mais presente no mercado brasileiro. O Brasil é o quarto país no ranking da certificação verde em edifícios, o Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), da norte-americana Green Building Council. Entre 2012 e 2013, o número de empreendimentos comerciais quase dobrou (de 79 para 150). De olho nesse mercado, o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo Seesp, com o apoio da FNE, inicia neste semestre o curso de extensão “Construção civil e sustentabilidade”.

Com previsão de início em 15 de abril, a grade curricular está dividida em oito módulos, com 60 horas cada, sendo sete deles obrigatórios. “É possível optar por seis módulos e mais um que é o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Os módulos são independentes e compactos”, explica o coordenador do programa, Alexandre Amato Sanches Nóbile.

Ele revela que o conteúdo das aulas foi planejado com base na realidade brasileira – em que ainda há poucas construções sustentáveis, apesar do crescimento –, mas também abordará experiências internacionais. Em sua avaliação, ainda falta conscientização. “Pensamos nesse curso para levar a cultura da sustentabilidade ao setor. A construção civil pode contribuir para melhorar a vida das pessoas. Esse aquecimento fora do normal que tivemos no verão passado poderia ter sido menos sentido nas residências, por exemplo, com projetos que ventilam e iluminam o ambiente sem que o sol incida diretamente”, completa o coordenador, que lembra que existem ainda poucas disciplinas que abordam gestão ambiental na graduação e que as especializações são em número reduzido.

Custo-benefício
Hamilton de França Leite Jr., diretor de sustentabilidade do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) e da Casoi Desenvolvimento Imobiliário, avalia que o País está bem posicionado nos empreendimentos comerciais verdes. Na classificação da certificadora Green Building Council, só perde para Estados Unidos, Emirados Árabes e China. Já nos residenciais, o Brasil está bem atrás. Até meados de 2013, só possuía um certificado.

“Ainda falta demanda por esses empreen­dimentos, por pura falta de informação. No País, não há indicativos sobre o quanto se economiza com água e energia, por exemplo. Temos muitos dados do exterior. Também há poucos dados sobre os benefícios da construção sustentável. Tudo isso, somado à falta de conscientização sobre as mudanças climáticas”, ponderou Leite, que será um dos professores do curso no Isitec.

De acordo com o diretor de sustentabilidade, muitos dos empreendedores justificam que o fator financeiro é decisivo para não optar por edificações ambientalmente responsáveis. Em 2013, o representante do Secovi-SP fez um mestrado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) sobre os aspectos econômicos relacionados à construção sustentável. Após ouvir 800 profissionais que atuam em incorporadoras, concluiu que o grupo que adotou essa prática teve adicional no custo de 1,6% a 8,6%. Já a percepção de incorporadoras sem experiência nesse tipo de construção é que esse ágio pode variar de 3,5% a 17,6%. Ou seja, mais que o dobro do relatado por quem viveu a experiência. “Falta percepção real dos custos. Alguns itens têm custo adicional, como a madeira certificada. Mas, ao utilizá-los, os benefícios são dez vezes superiores. Vai ter menos gasto com água, com energia e uma produtividade maior. Além de menos problemas de saúde e melhor qualidade de vida”, explica.

Canteiro mais limpo
Quem também atesta a escolha por projetos sustentáveis é Mariana Roquette, gerente e sócia da Bakuara, uma consultoria especializada em gestão de resíduos, que auxilia incorporadoras em busca da certificação verde. Além de planejar a gestão dos materiais, de monitorar o dia a dia da obra, a consultoria também vem dando workshops sobre resíduos e materiais.

“A sustentabilidade deve se tornar uma palavra obsoleta com o tempo. Nós, que temos essa preocupação, esperamos que seja incorporada de forma sistêmica no trabalho. Infelizmente quem nos contrata busca a certificação por uma questão empresarial, e não de consciência ambiental”, declara Roquette, que dará aulas no programa de extensão do Isitec sobre a organização do canteiro de obras.

O engenheiro Bráulio Cesar Bosso Querubim, da JHSF Incorporações, atua como assistente em uma obra particular residencial de alto padrão, que busca o selo verde da Fundação Vanzolini, o Aqua. “Fizemos o plano de gerenciamento de resíduos com uma consultoria terceirizada e foi essencial na escolha e uso dos materiais. Os gastos com mão de obra foram menores, e o canteiro de obras fica mais organizado, mais limpo”, conta ele, que pagou cerca de R$ 3.500,00 ao mês pelo trabalho de gestão de resíduos. Mesmo sem ainda ter feito o cálculo total dos gastos da obra, que deve terminar em junho deste ano, Querubim já afirma que valeu a pena.

Serviço
Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec)
Programa de extensão “Construção civil e sustentabilidade”
A partir de 15 de abril, na sede do instituto em São Paulo, com duas turmas: segundas e quartas e terças e quintas-feiras, sempre das 19h às 22h35. São oito módulos de 60 horas cada.
Valor: R$ 2.300,00 cada módulo. Pagamento parcelado. Descontos de 20 a 70% por mérito e de 30% para algumas entidades.
Mais informações e inscrições pelo telefone (11) 3254-6878, e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou no site www.isitec.org.br

(Por Deborah Moreira)

 

Fonte: Jornal Engenheiro, Edição 143/ABR/2014
Para ler a versão em PDF na íntegra clique aqui










agenda