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Approach Comunicação

 

A série “Ciência para Todos” estreia no Canal Futura no dia 19/8, às 20h30, mostrando a importância das pesquisas científicas e seu impacto no dia a dia da sociedade. Realizada em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a série de documentários exibirá pesquisas financiadas pela FAPESP em diferentes áreas, acompanhando o trabalho dos pesquisadores e as pessoas diretamente impactadas pelos projetos.

 

Com o apoio da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, FAPESP e Fundação Roberto Marinho/Futura vão celebrar a estreia da série em um evento reunindo estudantes, professores e gestores da rede pública estadual de São Paulo, pesquisadores da FAPESP, convidados ligados à área de educação e autoridades locais. No evento haverá o lançamento do concurso cultural “Ciência para Todos”.

 

O evento de lançamento acontecerá na próxima quarta-feira, 14, na Escola Culto à Ciência, em Campinas (SP), e contará com um talk show com a participação do youtuber Iberê Thenório, apresentador do canal “Manual do Mundo”; da estudante Maria Pennachin, aluna do Ensino Médio da escola e criadora do biocanudo – um canudo biodegradável e comestível à base de inhame, que já foi premiado no Brasil e apresentado em feiras internacionais – ; e da estudante gaúcha Juliana Stradioto, vencedora do 29º Prêmio Jovem Cientista na categoria Ensino Médio, com a criação de um filme plástico biodegradável feito da casca de maracujá. Entre outros prêmios internacionais, Juliana ganhou também a oportunidade de dar nome a um asteroide.

 

Neste dia também será lançado um concurso cultural para estudantes do Ensino e Médio da rede pública estadual de São Paulo, que deverão documentar, em vídeo de até sete minutos, um problema da localidade onde vivem e o passo-a-passo do estudo ou intervenção para buscar soluções.

 

As cinco melhores produções vão ser exibidas no Canal Futura e os ganhadores vão visitar Centros de Pesquisa indicados pela FAPESP, onde vão apresentar seus trabalhos para cientistas e pesquisadores.

 

“O programa visa a fazer com que os estudantes vejam a ciência como parte da vida diária de todos os cidadãos, e não algo que interessa apenas aos cientistas. A melhor maneira de alcançar este objetivo é despertar a curiosidade e a criatividade dos estudantes em temas de natureza científica ou tecnológica”, diz Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.

 

Episódio de estreia vai mostrar tecnologia em telescópio

Em seu episódio de estreia, a série “Ciência para Todos” mostrará como o espectrógrafo do telescópio Subaru será um importante instrumento para novas descobertas no universo – afinal, mais de 90% do que compõe o universo ainda é desconhecido da ciência. Ao longo da temporada, serão tratados temas como depressão em idosos; o efeito das drogas anti-inflamatórias contra o Mal de Parkinson; o enfrentamento às desigualdades sociais; medicina de precisão com base em exames genéticos; o combate à dengue; e as novas tecnologias óticas, entre outros.

 

Os episódios da série também ficarão disponíveis em futuraplay.org.

 

 

Ciência para Todos

Série documental que visa a comunicar ao grande público como importantes pesquisas financiadas pela Fapesp impactam diretamente a sociedade.

Estreia: 19/8, segunda-feira, às 20h30

Horário: segunda-feira, 20h30

Também no futuraPlay.org

 

 

 

 

 

 

Maurício Antônio Lopes*

A ciência moderna cria oportunidades inéditas para que todos os cidadãos se envolvam na vida da sociedade. Um impacto evidente dos avanços científicos e tecnológicos mais recentes é a ampliação da conectividade. Ela empodera os cidadãos com informações e múltiplos ambientes de interação, criando mecanismos inovadores de participação, compartilhamento e construção de soluções para os problemas da sociedade. Há um grande esforço em curso para viabilizar, em todos os lugares, a banda larga da internet e ferramentas digitais que aumentem acesso a serviços e a canais de decisão, como forma de promover o engajamento cívico e a viabilização de um modelo de desenvolvimento mais participativo, abrangente e sistêmico.

O impacto do avanço científico e tecnológico é também evidente na economia e nos mercados. O modelo de desenvolvimento econômico fundamentado na revolução industrial e na economia do petróleo dá lugar a uma nova economia, centrada no conhecimento e nas múltiplas plataformas criadas pela tecnologia da informação, capazes de produzir e disseminar inovações com grande rapidez e eficiência. A riqueza das soluções criadas pela tecnologia da informação faz o mundo migrar para uma realidade de reconversões e rupturas mais rápidas que qualquer outro processo de mudança já vivido em toda a história humana. A tecnologia da informação já fez com que desaparecessem, desde o ano 2000, mais da metade das 500 maiores corporações do mundo, classificadas pela revista especializada Fortune.

Neste momento em que a ciência abre uma infinidade de novas possibilidades, governos, legisladores e empresas são desafiados a agir com rapidez para alinhar suas decisões à realidade emergente. Líderes e pensadores do desenvolvimento econômico estão sendo pressionados a formular regras e a modelar incentivos que preparem o setor produtivo para um novo paradigma de crescimento e progresso. Essas circunstâncias indicam que, no mundo dominado pelo conhecimento e pela tecnologia, o talento será o componente mais valioso e também o mais caro para se formar e se reter e, portanto, políticas e incentivos destinados à formação e retenção de talentos para a nova economia se tornarão, possivelmente, os componentes mais críticos para definir o sucesso ou o fracasso das nações.

A economia do conhecimento também nos oferece um caminho novo para o enfrentamento dos principais desafios do nosso tempo, que são interconectados e dependentes de soluções sistêmicas. Mudanças climáticas que ultrapassam os limites físicos das nações; economias excessivamente carbonizadas e dependentes de recursos naturais não renováveis; mercados interdependentes e dinâmicos; mudanças demográficas que produzem uma sociedade mais urbana, mais idosa, mais educada e mais exigente; ampliação do pluralismo e da diversidade — perpassando geografia, cultura, governança, etc., são alguns exemplos de desafios que retratam a complexidade à frente.

A boa notícia é que a forte convergência entre diversos ramos da ciência está nos ajudando a construir uma nova compreensão do mundo e, com isso, nos provendo de conhecimentos e inovações para a superação de desafios antes intratáveis. A rápida queda das barreiras entre as ciências naturais — como a física, a química e a biologia — dá origem a novas vertentes de conhecimento, que possibilitam uma compreensão integrada e sistêmica do mundo natural. Genômica, big data, internet das coisas, automação avançada, análise preditiva, computação cognitiva e inteligência artificial são exemplos de novas vertentes das ciências naturais que nos permitirão responder a muitos desafios complexos.

A grande questão é que igual progresso ainda não alcançou a maioria das ciências sociais. Enquanto o desenvolvimento tecnológico avança em ritmo exponencial, a política, a economia, o direito e, principalmente, a educação seguem em ritmo linear, pouco focados no alcance das soluções sistêmicas que o mundo tanto carece. É preocupante, por exemplo, que grande número de países não consiga organizar um processo de desenvolvimento harmônico e distribuído, que alcance, capacite e empodere as comunidades, onde a vida das nações, de fato, pulsa. Esta realidade é evidente no Brasil, país em que regiões, estados e municípios operam segundo processos desconectados e assimétricos, o que torna mínimas as perspectivas de avanço na nova economia do conhecimento e do desenvolvimento sistêmico que o futuro exige.

É, pois, fundamental que esta discussão ganhe espaço na formulação de planos, projetos e metas para o país, em preparativo para as eleições de 2018. Este é o momento ideal para inovar, discutindo a importância do planejamento sistêmico, do talento, da ciência e da tecnologia para a construção de um paradigma de desenvolvimento capaz de fazer do Brasil um vencedor na economia emergente, que será marcada pela complexidade e pelo conhecimento.

 


* Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

 



Da Unesp Agência de Notícias

Ocorreu, domingo, dia 8 de outubro, a partir das 15h, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, a 3ª Marcha pela Ciência, movimento que vem reunindo cientistas e pesquisadores do estado de São Paulo para reivindicar mais visibilidade e credibilidade à ciência.

Esses eventos têm por objetivo protestar contra atual situação de desmonte da estrutura pública de Ciência e Tecnologia, que envolve universidades e institutos de pesquisa, como se pode verificar pelos cortes orçamentários na área previstos pelo Governo Federal para 2018 e pelos já realizados pelo governo estadual paulista em 2017.

Num momento em que o País busca mais qualidade e visibilidade internacional para a pesquisa e a inovação nela produzida, é imprescindível que se mantenha uma estrutura adequada de investimentos públicos para evitar uma perda irrecuperável a pequeno, médio e longo prazo. 

>> Mais informações podem ser obtidas à página da Marcha pela Ciência no Facebook.

 

Embrapa*

O município de Garanhuns (PE) recebeu a degustação dos primeiros vinhos elaborados a partir de uvas colhidas em área experimental do agreste pernambucano. O evento é parte do projeto realizado por pesquisadores e professores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Semiárido, do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com o objetivo de avaliar o comportamento agronômico, a qualidade da uva e implementar o processamento de vinhos em regiões que o tipo de produção não é tradicional.

A atividade reuniu cerca de 70 pessoas na Chácara Vale das Colinas, para degustação inicial. As garrafas que iam sendo esvaziadas eram, na expressão do bioquímico Milson Maurício de Macedo, um anúncio de “harmonizar” Garanhuns e uma nova possibilidade de desenvolvimento econômico e social.

Foram testadas dez variedades de uvas europeias, e, em pouco mais de três anos de pesquisa no campo, foi possível identificar as que melhor se adaptam às condições de solo e clima do local. Entre elas estão três brancas: Muscat Petit Grain, Sauvignon Blanc e Viognier; e três tintas: Malbec, Cabernet Sauvignon e Syrah.

As uvas das variedades selecionadas foram cultivadas e colhidas no Campo Experimental do IPA, em Brejão, na microrregião de Garanhuns. Depois, foram levadas para vinificação no Laboratório de Enologia da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), utilizando o método tradicional para vinhos jovens e em escala experimental.

De acordo com a pesquisadora responsável pela vinificação, Aline Telles Biasoto Marques, os resultados mostraram que os vinhos elaborados a partir das uvas da região possuem potencial para a produção em escala comercial. “Eles se enquadraram dentro dos limites da legislação brasileira para vinho fino seco em todos os parâmetros avaliados: teor alcóolico, teor de açúcares, acidez total e volátil e dióxido de enxofre total”, afirma.

Também foram realizadas análises sensoriais pela equipe da Escola do Vinho, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF Sertão-PE). Somadas à opinião das pessoas que participaram da degustação, elas mostraram que os vinhos de Garanhuns são bastante promissores.

“Os tintos se mostraram fiéis às características varietais e exaltaram a personalidade de vinhos tintos jovens”, avalia a enóloga e professora Ana Paula André Barros, do IF Sertão (PE). “Os brancos, por sua vez, são marcantes como varietais e apresentaram sensações visuais, olfativas e gustativas que podem indicar uma tipicidade do terroir do local”. Terroir, como ela explica, seria a expressão da harmonia entre a cultivar (uva), o solo, o clima e a ação do homem (manejo).

Para a Embrapa, a boa qualidade da bebida apresentada serve como indicador do potencial da região para a produção de vinhos finos, vocação que está sendo desenvolvida com o auxílio do trabalho científico.


Foto: Embrapa

Vinho Pernambuco
Pesquisa e ciência possibilitou o cultivo de uva no agreste pernambucano.

 

 

 

 

 

*Informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

 

 

 

 

 

 

Rita Casaro*

A Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) levou para a programação da 74ª Semana Oficial da Engenharia e Agronomia (Soea), realizada em Belém, entre 8 e 11 de agosto, o debate técnico sobre recursos hídricos e agricultura sustentável. A mesa-redonda promovida pela federação aconteceu no dia 10, e contou com a participação de Edson Eiji Matsura, professor titular da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estatual de Campinas (Feagri/Unicamp), e Rui Machado, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa). A condução dos trabalhos ficou por conta do vice-presidente da FNE, atual presidente em exercício, Carlos Bastos Abraham, que destacou a relevância do tema para a economia brasileira. “A queda na economia poderia ser da ordem de 10% ao ano, se não fosse pelo agronegócio”, apontou.

“Nós trabalhamos com oferta, gestão e demanda. E então utiliza-se o recurso hídrico na produção de alimentos. Essa é a estrutura básica”, resumiu Matsura, dando início à sua exposição. Na avaliação do pesquisador, a quantificação e qualificação dos recursos hídricos é fundamental para que se assegure uma agricultura sustentável, “que signifique verdadeiramente ganhos sociais, econômicos e ambientais para as futuras gerações com prazo indeterminado de vencimento”.


Foto: Lucas Queiroz/FNE
Atividade reuniu especialistas durante evento em Belém.

O professor da Unicamp destacou a diversidade regional existente no Brasil – que possui área irrigada de 6 milhões de hectares e 72 milhões de hectares de área plantada – no que diz respeito ao recurso hídrico considerado o mais relevante, ou seja, o advindo das precipitações. Entre a abundância de 2.850mm ao ano na região Norte e a escassez de 550 mm nas porções mais secas do Nordeste, a média nacional fica em 1.797mm, segundo dados apurados entre 1961 e 1990.

Conforme Matsura, outro dado importante entre as diversas estatísticas disponíveis aos estudiosos e profissionais do setor, é a relação entre retirada, consumo e retorno. Um bom exemplo, citou, está na região hidrográfica do Paraná, onde se retiram 479m3/s, consomem-se 189m3/s e se devolvem 290m3/s. Segundo o professor, contribui fortemente para esse uso racional a conservação do solo. Informação também importante para se dimensionar projetos, levando em conta a disponibilidade de recursos hídricos, é a vazão de retirada determinada por litros por segundo por hectare.

Matsura abordou ainda a pegada hídrica, que possibilita o que ele classifica com “um novo olhar para o planejamento e dimensionamento dos recursos hídricos nos sistemas de produção de alimentos”. Determinando o volume total de água consumido direta e indiretamente no processo de produção de bens e serviços, a ferramenta se divide em pegadas hídricas cinza (quantidade de água necessária para diluir os poluentes descartados em corpos d’água, até o nível dos padrões naturais ou outros aplicáveis ao caso), azul (água retirada de corpos d’água de superfície ou subterrâneos, que é evaporada, incorporada nos produtos ou que não retorna ao corpo do qual foi retirada) e verde (água de chuvas consumidas nas atividades agrícolas, envolvendo a acumulação no solo, a evapotranspiração e a incorporação em produtos removidos pelas colheitas). Seguindo, por exemplo, a pegada hídrica do boi, conclui-se que são consumidos 17 mil litros de água para se produzir um quilo de carne.

Inovação e segurança alimentar
Machado, da Embrapa, enfatizou a necessidade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento para garantir a sustentabilidade da Machado, da Embrapa: tecnologia é caminho para sustentabilidade. Os avanços tecnológicos no setor, apontou, foram os principais responsáveis pelo aumento da produtividade no Brasil, que saltou de 57,9 milhões de toneladas de grãos por hectare, em 1991, para 141,6 milhões, em 2010. Na safra 2015/2016, a produção foi 188,10 milhões de toneladas de grãos e de 26 milhões de toneladas de carne. Em 2014, produziram-se 38,9 milhões de toneladas de frutas e 35,2 bilhões de litros de leite.

Para além do crescimento da produção, afirmou Machado, outro desafio da inovação tecnológica no setor é a preservação ambiental. O objetivo é reduzir tanto o consumo de recursos naturais, já que a agricultura é responsável globalmente por 70% do uso de água, quanto as emissões de poluentes. Para o pesquisador da Embrapa, crescimento e sustentabilidade não são conceitos antagonistas, mas complementares, sendo possível “aliar prosperidade econômica com melhoria ambiental e social”. Entre as medidas para se alcançar esse objetivo, ele listou o melhoramento genético e a biotecnologia; sistemas de produção integrados; plantio direto; aumento da eficiência dos sistemas irrigados; e máquinas e equipamentos que utilizem menos água, menos energia e poupem o esforço humano.

 

* Texto publicado, originalmente, no site da FNE

 

 

 

 

 

À mesa-redonda que abriu o seminário “Inovação, segurança alimentar e logística”, no dia 4 de agosto último, no SEESP, o pesquisador Paulo Estevão Cruvinel, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA); e Luiz Antonio Pinazza, consultor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), abordaram o tema “Produção e cadeia de valor”.


Fotos: Beatriz Arruda
Primeira mesa do seminário abordou a cadeia de valor e a produção do campo.
Ao microfone o coordenador do painel e do projeto "Cresce Brasil", Fernando Palmezan.

Iniciando a apresentação, Cruvinel citou o pensador italiano Giordano Bruno, do século XVII, para quem a única certeza que existe é a mudança. “Por isso, precisamos planejar as mudanças que nos levem a uma sociedade mais agregada e com mais qualidade de vida”, ensinou. Esse é o paradigma que ele usa para pensar a agricultura cujo desafio é a “expansão da demanda mundial por alimentos impulsionada pelo crescimento populacional e pela inserção de novos consumidores na economia de mercado”.

De acordo com o pesquisador da Embrapa, a Organização das Nações Unidas (ONU) indica que, em 2023, poderemos ter uma população mundial em torno de oito bilhões de habitantes, desses, 60% estarão em cidades. Em países em desenvolvimento, esse percentual sobe para 80%. A partir desse cenário, Cruvinel indica que o setor precisa, cada vez mais, trabalhar com dois conceitos básicos inseridos na cadeia de valor – que engloba infraestrutura, gerenciamento de recursos humanos, desenvolvimento de tecnologias e compras e aquisição de insumos: segurança alimentar e do alimento. “Ao mesmo tempo em que temos de fazer com que os alimentos cheguem a todas as pessoas no mundo, precisamos garantir um produto de qualidade e que traga benefícios à vida”, expôs.

Outra questão se apresenta como desafio nesse horizonte, o da assimetria do crescimento populacional. “A maior parte desse aumento é esperado na África Subsaariana e na Ásia. Áreas de baixa renda com níveis relativamente baixos de produtividade agrícola”, explicou Cruvinel (foto à esq.). Associado a isso, prosseguiu ele, tem a questão “das mudanças climáticas e os estresses térmicos e hídricos que tendem a se intensificar nos trópicos e o aumento da pressão para a “descarbonização” das economias”. Ele informou que a International Food Policy Research Institute (IFPRI) – entidade criada em 1975 e com sede nos Estados Unidos –, no estudo “Segurança alimentar em um mundo em crescente processo de escassez de recursos naturais”, de 2014, apresenta um conjunto de 11 tecnologias indicadas para aumento de produtividade. Entre essas estão o plantio direto; o gerenciamento integrado de fertilidade do solo; a agricultura de precisão, ou seja, o fornecimento de insumos agrícolas assistidos por GPS (em inglês global positioning system), além de práticas de gestão de tecnologia simples que visem controlar todos os parâmetros do campo, desde o fornecimento de insumos ao espaçamento de plantas e ao nível da água. Fazem parte desse conjunto, também, a agricultura orgânica; a coleta de água; a irrigação por gotejamento e por aspersão; as variedades com tolerância ao calor e à seca; eficiência do uso de nitrogênio; e proteção de culturas.

Toda sistematização para otimizar a produtividade no campo não pode “perder de vista, em nenhum momento, a dimensão da sustentabilidade”, asseverou Cruvinel. E continuou: “Estamos falando de demandas crescentes por alimentos e de recursos finitos.” Aqui, explicou, entra o Fator Total de Produtividade (TFP) – associação dos resultados alcançados pela agricultura e a utilização dos insumos de entrada, como terra, serviços, fertilizantes, máquina – que aumenta quando os resultados crescem mantendo os mesmos percentuais de insumos utilizados. Segundo dados internacionais, indicados por Cruvinel, a “produtividade global de fatores agrícolas (TFP) deve crescer da taxa atual de 1,40 %, para uma taxa média de pelo menos 1,75 % ao ano, para dobrar a produção agrícola, até 2050”.

Nesse sentido, o pesquisador apontou as regiões em condições de aumentar a produção. O Brasil é o que melhor apresenta área disponível para a agricultura com mais de 400 milhões de hectares (ha) – hoje a agropecuária nacional ocupa pouco mais de 50 milhões de ha. Um quadro que mudou radicalmente, segundo ele, em pouco mais de 40 anos. “Saímos de uma realidade de total insegurança alimentar, com dependência extrema da importação, para uma ascensão mundial que levou em conta políticas públicas, criação de instituições de pesquisa, inovação, competitividade, sustentabilidade e intensificação.” E elogiou: “A nossa agricultura é baseada em ciência, conhecimento e informação.” Algumas das contribuições dessas pesquisas, exemplificou, estão na “fertilidade construída”, transformar solos ácidos e pobres para o cultivo de soja, como é o caso do Cerrado; ou a fixação biológica no nitrogênio.

A sustentabilidade da agricultura brasileira, de acordo com Cruvinel, também está no uso intensivo de matriz energética limpa. “Somos o melhor no mundo na utilização de energias renováveis, com 47,3%; sendo que no restante do mundo esse índice é de apenas 18,6%.”

Agricultura 4.0
O Brasil, assim como outros países, informou Cruvinel, caminha para a “agricultura 4.0”. Traçando uma linha do tempo com as “forças de influência” no meio rural, ele discorreu sobre quatro grandes “marcos”: “Em 1782, e durante 200 anos, tivemos a introdução da produção mecânica movida à água e vapor; em 1913, ganhou-se a mobilidade com a industrialização; em 1954, tivemos a automação eletrônica; e vivemos, a partir de 2015, o momento com a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e a automação inteligente, baseada em sistemas de produção ciber-físicos.” A era das tecnologias da informação está presente no campo brasileiro, hoje, com o uso de drones (veículos aéreos não tripulados) para mapeamento e análise da cobertura vegetal e outras características, banco de dados espacial, sensores, controle e automação avançadas entre outras ações.

Apesar do bom desempenho da agricultura brasileira, o pesquisador da Embrapa disse que o País, assim mesmo precisa ser rápido em ações e políticas públicas que intensifiquem uma maior integração entre governos, universidades e instituições de pesquisas e o setor produtivo. Nesse sentido, ele salientou a necessidade de se pensar em alternativas realmente sustentáveis, como, por exemplo, a “verticalização da agricultura para reduzir o crescimento horizontal por novas áreas de cultivo”. “Está aí um bom desafio para a pesquisa e a engenharia.”

Andar em grupo
Luiz Antonio Pinazza (foto à dir.), consultor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), iniciou sua prelação citando ditado africano que diz que “quando a gente quer acertar a gente anda em grupo”, referindo-se sobre o acerto da FNE de criar o movimento “Engenharia Unida”. Na sequência, falou sobre o merecido reconhecimento, por parte da sociedade brasileira, dos avanços alcançados pela agricultura do País. O que fez mudar e melhorar o conceito de segurança alimentar, passando da mera quantidade – produzir mais arroz, trigo e milho, por exemplo – para a questão nutricional, onde o foco é o bem-estar, a saúde e a qualidade de vida, “em tudo isso precisamos de muita pesquisa, conhecimento, tecnologia e inovação”. Ele lembrou que produtos como o café e o açúcar, originários de outras regiões do mundo, foram tropicalizados. “O que exigiu muita tecnologia e inovação.”

Ele não tem dúvida de que o País será a segurança alimentar do mundo, “vale dizer que isso significa paz”, observou. “Não é uma questão de ser otimista ou pessimista, mas temos uma projeção espetacular no mundo. O Brasil começa a ter protagonismo no cenário agrícola internacional. De quem depende, nesse sentido, a China e a Índia? Da nossa produção.” Aliado a isso, temos a nosso favor as boas práticas agrícolas, assegurou Pinazza, como a utilização de energia renovável no campo. “O que vale dizer garantir a vida das gerações futuras”, preocupa-se.

Todavia, se o Brasil surpreende o mundo com a produção de cerca de 250 milhões de toneladas de grãos, como observou, por outro lado o País sofre por questões de logística, como de locais para armazenamento da produção e de infraestrutura eficiente e eficaz para o escoamento das safras. Esses são os gargalos, do ponto de vista de Pinazza, que precisam ser resolvidos o quanto antes. “Assim como temos de identificar as nossas oportunidades, e é o que estamos fazendo com muita pesquisa e ciência, precisamos fazer o mesmo com a parte logística”, defendeu.

A atividade teve a coordenação de Fernando Palmezan, do projeto “Cresce Brasil”, que, ao final, observou que o próximo passo é “fazer com que todos os brasileiros tenham acesso aos alimentos” produzidos pelo País.


Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

O preconceito enfrentado pelas mulheres no campo da ciência foi abordado na mesa-redonda Mulheres e sociedade, realizada no âmbito da 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que começou dia 16 último e termina no dia 22 próximo, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Quatro pesquisadoras brasileiras debateram o tema e expuseram as dificuldades enfrentadas pelas mulheres cientistas para se impor no mercado de trabalho.

Estela Maria Motta Aquino, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), iniciou sua fala destacando que é preciso celebrar as conquistas das mulheres ao longo dos anos, mas sem esquecer que ainda falta muito para que se possa falar em equidade de gênero no campo da ciência. “Precisamos aliar resistência e articulação para buscarmos novas conquistas. Ainda temos um caminho longo para trilharmos nos centros de pesquisas e laboratórios”, disse.

Para a professora Alice Rangel de Paiva Abreu, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os estudos de gêneros na ciência são importantes porque fazem referência aos direitos das mulheres, que ainda estão longe de se equiparar aos dos homens. “Há razões científicas e econômicas para se estudar gênero e ciência. Metade da nossa população é formada por mulheres, então é um número muito grande de pessoas que precisam estar envolvidas na ciência”, explicou.


Fotos: Raíssa César/UFMG
Alice Rangel de Paiva Abreu destacou importância de estudos sobre gênero e ciência.


Ela acrescentou que os estudos nesse campo avançaram muito nos últimos 20 anos e que a diversidade dos papeis que podem ser desempenhados pelas mulheres cientistas precisa ser levado em conta por quem realiza pesquisas sobre o assunto. O Brasil, apesar de ainda ser desigual na questão do gênero, é um dos três países onde os portadores da titulação de doutor são, em sua maioria, mulheres. Devido a isso, uma perspectiva de gênero é essencial para entender os complexos processos sociais que levam homens e mulheres a ocuparem diferentes espaços no campo científico.

“Temos mais mulheres doutoras porque, quando as mulheres têm oportunidade, elas se dedicam e acabam se destacando. A ciência com mais mulheres é uma ciência melhor. A diversidade e a pluralidade, não só de gêneros, mas também de raça, trazem bons resultados e isso já foi amplamente comprovado”, disse.

Destacar histórias de sucesso
A professora Marcia Cristina Bernardes Barbosa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), apresentou dados que comprovam que homens são maioria nos laboratórios e centros de pesquisa, exemplificando a informação com sua experiência pessoal: a professora é a única mulher de um conselho diretor da Academia Brasileira de Ciências, se declara feminista e atua para quebrar os estereótipos que envolvem a imagem da mulher cientista.


Marcia Cristina Bernardes usou dados para mostrar desigualdade no campo científico.

“Dados da Academia Brasileira de Ciências mostram que há muitas mulheres na graduação, mas esse número diminui à medida que aumenta a titulação. Os estereótipos da mulher cientista atrapalham meninas a se interessar pelo campo da pesquisa. Precisamos resgatar histórias de grandes mulheres pesquisadoras porque isso serve de exemplo e nos ajuda na busca por posições de destaque.”

A ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Eleonora Menicucci de Oliveira, ressaltou as conquistas das mulheres nos anos do governo da ex-presidenta Dilma Rousseff. Para ela, a conjuntura política precisa ser considerada quando se estuda a desigualdade de gênero na ciência.

“O empoderamento das mulheres nos governos neoliberais é uma falácia. Eu descobri o feminismo na época da ditadura, quando fui torturada e fiquei presa por três anos. Toda essa experiência me fez ver a importância de lutar para que as mulheres conquistem seu espaço”, concluiu.

 

Notícia do site da UFMG
Comunicação SEESP

 

 

 

 

A relação do homem com o meio ambiente foi abordada em duas conferências realizadas na manhã de quarta-feira última (19/07), na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A professora do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e vice-presidente da SBPC, Vanderlan Bolzani, afirmou na conferência Bioprospecção da flora brasileira, conservação e uso sustentável da biodiversidade que os ambientes tropicais são pouco estudados.

Com grande biodiversidade de espécies, o País vem perdendo oportunidades de produzir medicamentos e produtos éticos, do ponto de vista científico e ecológico. Ela frisou ainda que a exploração desse potencial pode ser feita de modo a não prejudicar a natureza.

Com relação à Amazônia, a preocupação é manter um desenvolvimento sustentável que equilibre o progresso e a proteção à natureza, destacou o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Luiz Renato de França, na conferência A Amazônia e a sociedade brasileira.

 

Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Comunicação SEESP

 

 

 

 

Está chegando a décima terceira edição do Winter Challenge, um dos maiores eventos mundiais do segmento de robótica, que acontece de 6 a 9 de julho no Instituto Mauá de Tecnologia, no Campus de São Caetano do Sul.

O evento promove uma competição entre robôs e conta com a participação de equipes de todo Brasil e de outros países, como EUA, França e México. Além disso, faz parte do calendário de competições de robótica da RoboCore, empresa organizadora de competições, desenvolvedora de soluções na área. Para esta edição, já são mais de mil competidores confirmados e cerca de 400 robôs.

A equipe do próprio instituto, a Kimauánisso Robotics Team, estará presente no evento nas categorias Combate, Sumô, Trekking, Seguidor de Linha e Hockey, com a coordenação do professor Anderson Harayashiki Moreira.

“(...) para nossos alunos participar de um evento como o Winter Challenge é uma ótima oportunidade de aprendizagem. Eles conseguem desenvolver ainda mais a prática já aplicada em sala de aula, além da interação e troca de experiências com outras equipes não só do Brasil, como também de outros lugares do mundo”, comenta Moreira.

 

https://www.youtube.com/watch?v=j3iu0GXIr8o

 

 

Mais informações, clique aqui.

 

 

Publicado por Jéssica Silva
Comunicação SEESP
Com informações de Imprensa do Instituto Mauá de Tecnologia

 

 

 

 

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No próximo dia 23 de agosto acontece o segundo seminário do ciclo “Ciência que elas fazem”, uma iniciativa do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos. O ciclo tem como principal objetivo divulgar o trabalho que mulheres da ciência estão realizando ou já realizaram, apresentando a trajetória de cada uma.

O próximo encontro tem como tema “Lógica e pensamento crítico”, e conta com a palestra de Itala Loffredo D’Ottaviano, professora da Universidade Estadual de Campinas e a primeira mulher latino-americana eleita para a Académie Internationale de Philosophie des Sciences.

O ciclo de seminários foi idealizado a partir de uma parceria entre a professora Thaís Jordão, do ICMC, e duas estudantes: Juliana Gimenez, mestranda em Matemática no ICMC, e Jacqueline Lopes, graduanda em Física no Instituto de Física de São Carlos (IFSC). “A ideia surgiu de um crescente movimento da sociedade em busca de divulgar o trabalho das mulheres e suas histórias, em particular a trajetória de cientistas e de suas pesquisas. Muitos desses relatos são pouco conhecidos até em âmbito acadêmico”, explica Jordão.

As organizadoras ressaltam que graduandas, mestrandas, doutorandas e pesquisadoras que atuam no campo da matemática e da física, bem como em áreas correlatas, são bem-vindas a apresentar seus trabalhos no ciclo de seminários. Elas poderão falar sobre as pesquisas que realizam ou abordar a evolução e a contribuição do trabalho de outras pesquisadoras. Para participar, basta entrar em contato por meio do site: http://elascientistas.icmc.usp.br.

A primeira palestra do ciclo foi realizada em 21 de junho, pela aluna do último ano do Bacharelado em Física Computacional no IFSC Natália Palivanas. Ela apresentou a astrônoma Vera Rubin, primeira mulher a trabalhar no maior telescópio de seu tempo.

“Muitas vezes e por todos os lados, garotas são desencorajadas a fazer ciência desde sua infância ou têm seus trabalhos acadêmicos negligenciados. Dar a chance às próprias garotas de mostrarem o que fazem, ou falarem de outras cientistas que representam algo para elas, não é apenas uma fonte de inspiração para outras mulheres que gostariam de estar na ciência, mas também um processo de autovalorização das próprias cientistas”, diz Palivanas.

Os seminários ocorrerão mensalmente, às quartas-feiras, durante a terceira ou quarta semana de cada mês, das 13 às 13h45, sempre no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (USP São Carlos). Em julho, não haverá palestra devido o recesso escolar.

 

 

Publicado por Jéssica Silva
Comunicação SEESP
Com informações de Jornal da USP / Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC

 

 

 

 

Adilson Roberto Gonçalves*

Fãs dirão que a saga de ficção não foi idealizada para contextualizar fatos científicos ou promover a ciência. Em contraposição a outros filmes e séries de sucesso, Star Wars não é aquela que prima por ser baseada na ciência, mas alguns fatos e situações podem ser inferidos e aproveitados, antes mesmo que houvesse, ao menos aqui no sul da América, rótulos como geek, nerd e outros.

Predominam os aspectos sociais de conflito filho-pai, ditadura-democracia, fé-evidências, adolescente-adulto, que são norteadores dos enredos, com marcante inspiração shekespeareana. No âmbito das humanidades, é nítido o paralelo com a realidade, por meio da perda do relato histórico, uma vez que guerras e sistemas de governo parecem esquecidos, com surpresas sobre fatos e acontecimentos, uma vez que não deve ter havido documentação ou ela foi perdida.

Há, no entanto, espaço para a questão científica.

A inteligência artificial é apresentada no filme desde o início, contrapondo a confiança em uma unidade R2-D2 com as características quase humanas e de falta de sensibilidade de C-3PO.

As viagens espaciais de longa distância são tidas como corriqueiras a velocidades acima da velocidade da luz. Apesar dessa impossibilidade, o efeito especial da forma de mudança do espaço é semelhante ao que modernamente se especula como “buracos de minhoca”, ainda que no plano puramente teórico.

O fã sempre quer algo mais de seus filmes prediletos e Star Wars foi até pouco tempo atrás líder nas citações do site moviemistakes.com, que lista os erros de filmes, mostrando não a crítica e, sim, a atenção maior que o filme possui. A cena do stormtrooper chocando-se com o teto da porta metálica foi o mais curtido e as edições em DVD realçaram o som da batida.

Star Wars pode também ser instrutiva por aquilo de equivocado que o filme apresenta, como as explosões sonoras no espaço que, apesar da forte crítica, foram amplamente utilizadas como exemplo da necessidade de meio material para a propagação de ondas de som. No filme, diferentes seres convivem e diferentes linguagens podem ser facilmente entendidas, sendo a cena da cantina em Mos Eisley a mais típica dessa improvável interlocução. Somente no final de 2016, com o filme “A chegada”, é que o assunto de comunicação intergaláctica passou a ser explorado de forma aprofundada e competente em filmes de ficção científica.

Assim, Star Wars, além de ótimo entretenimento, é uma porta para se deslumbrar com a ciência e também para descobrir o que a ciência não é.

 

 



Adilson Roberto Gonçalves é doutor em Química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), livre-docente pela Universidade São Paulo (USP) e pesquisador do Instituto de Pesquisa em Bioenergia da Universidade Estadual Paulista em Rio Claro (Unesp - Rio Claro).

 

 

 

 

02/05/2017

Engenheiro XXI

Qualificação

Festival de divulgação científica no Brasil

Nas noites de 15, 16 e 17 de maio próximo, será realizado em 22 cidades brasileiras o Pint of Science, festival internacional de divulgação científica. O objetivo, segundo os promotores do evento, é mostrar que a atividade é muito divertida. Cientistas e pesquisadores sairão dos seus laboratórios e, durante o período, vão falar sobre o trabalho que desenvolvem e como ele impacta a vida das pessoas. O evento nasceu na Inglaterra em 2013. Chegou ao Brasil em 2015, quando o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP) realizou o evento em São Carlos, colocando o País no mapa do evento.

Entre as cidades que participarão da iniciativa desta vez, dez são paulistas: Araraquara, Botucatu, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São Caetano do Sul, São Paulo, São Carlos e Sorocaba. Além disso, o festival será realizado nos seguintes municípios localizados nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do País: Belo Horizonte (MG), Blumenau (SC), Brasília (DF), Curitiba (PR), Dourados (MS), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Teresina (PI).

A participação é gratuita. Como não são realizadas inscrições ou reservas antecipadas, recomenda-se que as pessoas cheguem antes para garantir seu lugar. Confira a programação completa no site www.pintofscience.com.br.
 

Uma nova revolução industrial

“O desenvolvimento, a incorporação e a aplicação de recentes inovações tecnológicas têm provocado mudanças sociais e econômicas. Essas mudanças, em acelerada expansão, alcançaram uma escala e escopo significativos, de modo que diversos estudos técnicos sugerem que estaríamos iniciando uma quarta revolução industrial. A indústria 4.0 consiste em uma indústria sob novas configurações, moldada por essa quarta revolução industrial.” Essa é a apresentação que o vice-presidente da Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha (VDI-Brasil), Mauricio Muramoto, faz, tomando como base boletins nacionais e internacionais sobre as transformações atuais no setor manufatureiro. Nesta entrevista, ele fala sobre o País e os profissionais da área técnica frente ao novo cenário.

Como está o Brasil com relação a essa nova configuração da manufatura?

De forma global está muito atrasado. Temos observado uma grande dispersão quanto ao estágio de desenvolvimento. Falta uma política de Estado que, à semelhança de outros países, deveria estabelecer as diretrizes básicas para um bom desenvolvimento da indústria 4.0. 

Qual a relação entre essa indústria e o engenheiro?

Estamos falando de tecnologias de elevado conteúdo de novos conhecimentos de engenharia, estamos falando do “engenheiro 4.0”. Segundo o World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial), 65% das crianças que estão ingressando no ensino fundamental não se ocuparão das profissões que hoje conhecemos, tamanha a mudança que o mundo vivenciará nas próximas décadas. 

Como o nosso profissional deve se preparar para essa nova fase?

Teremos muito mais trabalhos colaborativos, equipes interdisciplinares, valorização das competências soft (pessoais e não técnicas). Empregos formais como os da atualidade tendem a se escassear, trabalhos rotineiros serão substituídos por robôs pelo avanço acelerado da inteligência artificial, um mundo fascinante e ao mesmo tempo atemorizante. 

Como outros países estão lidando com o tema?

Todos os países que compõem o bloco dos “desenvolvidos” estão com políticas de fomento para essa indústria. O “jargão” indústria 4.0 foi estabelecido pela Alemanha; nos Estados Unidos é mais conhecido como “manufatura avançada”, ou seja, cada país tem adotado uma terminologia, mas versa sobre as mesmas tecnologias que propiciarão o avanço para a quarta revolução industrial.

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