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Com o objetivo de desenvolver estudos e pesquisas na área de engenharia de transportes e melhorar a infraestrutura logística no Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Transportes local e a Universidade Estácio de Sá firmaram parceria. O Protocolo de Intenções prevê colaboração mútua em relação aos planos Estratégico de Logística e Cargas (Pelc 2045) e Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) do estado.
 

Em meio à crise do Governo do Rio, o secretário de Transportes, Rodrigo Vieira, explica que o momento é de planejamento. Para ele, posteriormente, pode ser possível colocar em prática uma carteira de projetos voltados para mobilidade urbana. "O Pelc e o PDTU vão nos ajudar a traçar linhas de desenvolvimento futuro na infraestrutura do estado. A partir dessas linhas-mestras, será possível detalhar as potencialidades, a fim de atrair a iniciativa privada para, lado a lado com o estado, desenvolver soluções viáveis para o transporte de passageiros e de cargas, seja em formato de concessão ou parceria público-privada", diz. A ideia do convênio surgiu da necessidade de debater soluções para o enfrentamento da crise.

 

Outras parcerias
O convênio foi firmado com o curso de Economia da Estácio de Sá, por dois anos. Há vagas para participação de alunos de outras graduações. A intenção é identificar boas práticas e situações inovadoras que possam ser adaptadas e aplicadas no Rio para melhorar o sistema de mobilidade e logística. O reitor da universidade, Ronaldo Mota, demonstrou interesse em repetir a parceria em outras áreas. Na sua ótica, a instituição e a sociedade têm muito a ganhar. "A Estácio de Sá visa colaborar com o setor público e enriquecer seu conhecimento", valoriza ele.

 

Comunicação SEESP
Notícia publicada originalmente no DCI Online

 

 

 

 

 

1) Que ironia: No dia do acendimento da tocha olímpica (iniciando seu caminho para o RJ); da morte de Tiradentes (líder e mártir da independência brasileira) e aniversário da inauguração de Brasília (orgulho da engenharia nacional), uma ressaca destrói parte da recém-inaugurada “Ciclovia Tim Maia”.

2) Causas estão sendo apuradas. Mas, além do pontual, do individual, será que questões sistêmicas não estão a afetar a engenharia nacional?

3) Essa reflexão/discussão precisa ser trazida à mesa. Alguns até já ensaiam. CONFEA, CREAs e entidades representativas de profissionais e empresas do setor não podem estar alheios. Aliás, melhor se, de forma estruturada, a capitaneassem.


Foto: Beatriz Arruda/Imprensa SEESPFrederico Bussinger beatriz arruda
Frederico Bussinger durante evento na sede do SEESP


“Uma imagem vale mais que mil palavras”
[Confúcio]

Dentro de algumas semanas, quando forem concluídos os respectivos laudos técnicos, será possível saber as causas (normalmente nunca é uma, isoladamente!) da queda de um trecho de cerca de 50m da recém-inaugurada (17/JAN/2016) “Ciclovia Tim Maia” no Rio de Janeiro (a Cidade-Olímpica): 3,9 km de extensão, ligando o Leblon a São Conrado. E, além disso, se teria sido possível evitar aquelas mortes, mesmo ante a consumação da tragédia.

Incidental e ironicamente ela ocorreu no dia em que foi acesa a tocha na Grécia; da morte de Tiradentes (líder e mártir da independência brasileira) e aniversário da inauguração de Brasília (orgulho da engenharia nacional)!

Inicialmente, como recomendam as normas e protocolos, não se pode descartar nenhuma hipótese: concepção; projeto; materiais; execução; fiscalização, operação, etc. Todavia, ante as primeiras evidências, especialistas do CREA-RJ, Clube de Engenharia, UFRJ e COPPE, dentre outros, não se furtaram a indicar a causa mais provável: o projeto.

Também, pela apuração da imprensa, já vai sendo aclarado que inexistiam planos de contingências. E que, tanto a natureza (ressaca prevista) como a própria obra, em si (trincas), haviam dado seus alertas a tempo. Neste caso, intrigantemente (vale uma reflexão, em si!), por uma instituição não integrante do mundo da engenharia: o TCM do RJ, em relatório 9 meses antes (JUL/2015)!

Além disso, mesmo sem invocar exemplos estrangeiros (como a “Atlantic Ocean Road”, em condições tão ou mais severas, no Mar do Norte), e como uma Espada de Dâmocles ou a impávida Esfinge, a foto frontal da tragédia, que percorreu o mundo (inevitável, pois associada aos Jogos Olímpicos que a cidade sediará dentro de poucos meses), maculando a reputação/imagem da engenharia brasileira, é um misto de roteiro de investigação e de acusação: por que a ciclovia, recém inaugurada, não resistiu; enquanto que o velho viaduto sobre a “Gruta da Imprensa” lá permanece enfrentando as ressacas dos últimos 100 anos? (Como registrou o Presidente do, também centenário, Clube de Engenharia do RJ, Pedro Celestino Pereira Filho).

Infelizmente esse não é caso isolado!

É verdade que o País tem importantes núcleos de excelência em engenharia. Aliás, são eles os responsáveis pelo fato do Brasil integrar um seleto grupo de 15 países que, regularmente, exportam serviços de engenharia (projetos, obras, gerenciamento, etc); e que, na América Latina, seja exemplo único.

Mas, a par deles, há inúmeros exemplos, distribuídos por quase todos os setores da engenharia e regiões do País, que destoam desses padrões; e da própria história da engenharia brasileira: escavações de túneis que “não se encontram”; aeroporto inaugurado sem estrada de acesso; parque eólico pronto sem linha de transmissão; porto sem ferrovia, ferrovia sem porto; frota nova de trens entregue (e ociosa) por falta de via permanente e/ou capacidade energética; acesso de navio a terminal portuário turístico de passageiros impedida por falta de calado aéreo de ponte (construídos quase simultaneamente), re-trabalhos, obras paralisadas (muitas por mais de uma vez!), extensão de prazos e aumento de custos; etc. etc.

Para muitos profissionais há, até, a sensação de que, em alguns casos, “andamos para trás”! “Já fomos melhores”!

As causas e as responsabilidades do acidente/tragédia da ciclovia dentro de poucas semanas serão conhecidas. Mas, além do pontual, do individual, será que questões sistêmicas não estão a afetar a engenharia nacional?

Qualificação dos profissionais? Ética? Haveria correlação entre a corrupção, que vai sendo revelada (envolvendo algumas empresas do setor) e a própria engenharia? Se identificadas, seriam decorrentes da queda no padrão dos cursos? Mudança na forma de contratação de planos, projetos e obras (com destaque para a introdução do RDC )? Primado da marquetagem no processo decisório brasileiro (principalmente governamental)? Esvaziamento das áreas técnicas nas empresas estatais?

A valorização do profissional, tão cara e bandeira das entidades, depende e será tão mais exitosa quando mais respeitada for a engenharia brasileira: Pouco adiantará seguirmos brandindo o orgulho do seu histórico de sucessos (que é amplo!); que “somos mais de 1 milhão de profissionais”; que “mais de 70% do PIB envolve engenheiros e profissionais do sistema” (como também, pessoalmente, já repeti inúmeras vezes!); que “a engenharia e engenheiros têm participação decisiva no processo decisório em países desenvolvidos”; etc; etc.

Cada acidente desse tipo, além de ser um golpe às vítimas, especificamente; e, no caso, ao querido Rio de Janeiro e às Olimpíadas, é mais um golpe à engenharia nacional; visto que “a profissão realiza-se pelo cumprimento responsável e competente dos compromissos profissionais, munindo-se de técnicas adequadas, assegurando os resultados propostos e a qualidade satisfatória nos serviços e produtos, e observando a segurança nos seus procedimentos” (Art. 8º, IV do “Código de Ética Profissional”, em consonância com a lei regulamentadora da profissão - Lei nº 5.194/66).

Essa reflexão/discussão é inadiável! Precisa ser trazida à mesa nesse momento de passar o Brasil à limpo!

Aliás, alguns até já ensaiam. CONFEA, CREAs e entidades representativas de profissionais e empresas do setor não podem estar alheios. E, antes que se cogite de “chamar o síndico” (relembrando o inesquecível Tim Maia; que deu nome à Ciclovia), seria melhor se, de forma estruturada, elas capitaneassem tais reflexões/discussão.

A 73ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia – SOEA, que ocorrerá no Paraná no final de agosto próximo, é uma excelente oportunidade para tanto. Aliás, bem sintônica com seu tema central: “Engenharia a favor do Brasil – Mudanças e Oportunidades”.



* Frederico Bussinger, engenheiro, consultor técnico e ex-secretário Municipal dos Transportes de SP. Foi presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), de 1988 a 1993. Artigo publicado, originalmente, no site Portogente

 

 






A simples redistribuição dos royalties do petróleo entre todos os municípios e estados do país não é garantia de desenvolvimento. É preciso leis que garantam a correta aplicação dos recursos para que os resultados beneficiem toda a população, disse o diretor do Instituto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Luiz Pinguelli Rosa.

Nesta sexta-feira (30/11) termina o prazo de 15 dias para que a presidenta Dilma Rousseff se pronuncie se vai vetar o texto de forma total ou parcial, ou ainda sancionar o projeto sem mudanças. Ele considera justo distribuir os recursos entre todos, embora defenda que é preciso garantir reparações sociais e ambientais aos estados produtores. Pinguelli reconheceu que pouco está sendo debatido sobre a qualidade dos investimentos trazidos com os royalties ou a participação especial que os municípios com instalações petrolíferas têm direito a receber. Lembrou que muitos aplicaram mal os recursos.

"A crítica é correta, só que ela nada muda quanto à justiça ou à injustiça de distribuir os royalties. Porque nada indica que esses [outros] municípios vão fazer o uso correto dos recursos. Aí é uma questão de política. Seria o caso de fixar em lei no que se pode gastar os royalties. Educação, saúde, desenvolvimento tecnológico e proteção ao meio ambiente devem ter prioridade", acrescentou o diretor.

Em muitos municípios do norte fluminense, na área da Bacia de Campos, onde se concentra a extração, o contraste é nítido. Embora o petróleo tenha garantido receitas milionárias para essas prefeituras, também provocou o inchaço das periferias, com pessoas em busca de trabalho, porém sem qualificação, o que gerou inúmeras favelas.

“Acho que tanto nos municípios dos estados produtores, quanto nos outros, isso pode ocorrer. Alguns municípios do norte fluminense usaram melhor os recursos, outros não. Faltou definição legal sobre o destino dos royalties. Ficou a critério de cada prefeitura”, disse Pinguelli.

O reitor da Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense), Silvério de Paiva Freitas, demonstrou preocupação com o futuro da região diante de mudanças na divisão dos recursos do petróleo. Só o município de Campos dos Goytacazes, onde está a universidade, arrecadou em 2011 cerca de R$ 1 bilhão em royalties. Segundo dados da prefeitura de Campos, com uma eventual mudança na lei, o orçamento municipal encolheria quase 60%.

“É uma preocupação muito grande para todos. Porque onde se explora o petróleo também se geram os passivos, como o do ambiente. E ainda se cria uma série de questões sociais referentes à ilusão de riqueza: muitas pessoas vêm atrás disso, mas nem todas conseguem”, explicou o reitor.

Segundo ele, o dinheiro do petróleo deve ser investido com o objetivo de preparar a sociedade para o dia em que não houver mais petróleo na região. “A partir do momento em que se corta essa expectativa, com certeza há um cenário que cria muita pressão e preocupação em toda a sociedade.”

A Uenf está na 15ª posição entre as melhores universidades do país, na avaliação do Ministério da Educação, com 3,6 mil alunos de graduação e 2 mil de pós-graduação. Se houver corte nos royalties, projetos que estavam prontos para serem iniciados em 2013 serão adiados, incluindo a expansão da Uenf para a região noroeste, considerada a mais pobre do estado.


Imprensa – SEESP
Informação da Agência Brasil



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