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O Conselho Internacional do Fórum Social Mundial (FSM) aprovou uma missão à Gaza logo após a realização da edição 2015 do megaevento na Tunísia, país que fica a cerca de 3.100 quilômetros da fronteira do Egito com a Palestina, na cidade de Rafah.  A notícia foi divulgada no segundo dia do Seminário FSM Rumo a Túnis, em Salvador (BA), na manhã de sexta-feira (23/1). O FSM da Tunísia ocorrerá entre 24 e 28 de março, na capital tunisiana.

Está marcada para segunda-feira (9/2), às 16h, a primeira reunião, na sede da CUT-SP, para discutir os detalhes da empreitada que, além de solidariedade, levará mantimentos para a população que sofre um bloqueio econômico desde 2007, quando o Hamas, partido vencedor das eleições parlamentares na Palestina, democraticamente, assumiu o poder na região. Israel e países aliados do ocidente querem fazer crer que o Hamas é responsável por atentados, classificando-o como grupo terrorista.

De acordo com militantes brasileiros, o melhor caminha até a Faixa de Gaza é pelo Egito, uma vez que o país já abriu suas fronteiras anteriormente para entidades que prestam ajuda humanitária. Aliás, esse é o único tipo de carregamento que é permitido passar pelas fronteiras, após uma vistoria minuciosa.

Por Israel é impossível, uma vez que há o confronto entre judeus sionistas e palestinos. Pelo mar o transporte também não é possível. Em 2010 e 2012, barcos que transportavam missões humanitárias ao território palestino foram atacados pela marinha israelense.

“Antes do bloqueio entravam 400 caminhões de alimentos em Gaza. Agora entram 64. Se não fossem os túneis, que Israel tanto condena, eles estariam em situação ainda pior”, denuncia a jornalista da Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada Soraya Misleh, integrante da Frente em Defesa do Povo Palestino.

A luta do povo daquela região por independência vem desde a década de 1940, quando os governos israelenses iniciaram desapropriações ilegais e um processo de limpeza étnica, expulsando dois terços das famílias palestinas de suas terras. Em julho e agosto de 2014 acabou ganhando uma repercussão maior graças a divulgação nas redes sociais de fotos de crianças mortas pelos bombardeios que mataram 2.200 pessoas, deixaram 11 mil feridos, 450 mil desabrigados, além de 26 escolas destruídas, hospitais e infra-estrutura danificada em diversas regiões de Gaza.

Inicialmente, integram a missão organizações brasileiras e membros do conselho internacional do FSM. Mas, Mohamad El Kadri, da Associação Islâmica de São Paulo, e também da Frente em Defesa do Povo Palestino, enfatiza a importância em convidar também políticos e representantes de governos para fortalecer a missão. “Algumas entidades já foram a Palestina mas os resultados não foram muito bons. Por isso queremos envolver militantes, políticos, representantes de governos para que possamos efetivar acordos com Gaza e obter resultados concretos, avanços políticos”, conta El Kadri.

De acordo com ele, atualmente as doações financeiras não chegam até lá. “Mas a ONU(Organização das Nações Unidas) já descontou a porcentagem que ela vai receber só para mobilizar esse dinheiro”, alertou.

Os militantes lembram que 80% da sobrevivência do povo palestino é garantida via ajuda internacional. Dados apontados por organizações internacionais, que atuam em defesa da causa, alertam que mais de 45% da população (de 1,7 milhão) estão desempregados, uma grande parte formada por jovens. Também há informações de que mulheres são impedidas de fazer pré-natal e terem seus filhos com dignidade e que metade das crianças sofrem de anemia e desnutrição.


“Além da cidade estar devastada após os bombardeios, muitos estão morrendo de frio. A população sofre neste momento um inverno rigoroso.  Dos 450 mil desabrigados por conta do genocídio de 2014, 100 mil ainda não conseguiram retornar pra suas casas. Falta saneamento básico e chegam a ficar 18 horas sem energia”, diz Misleh. “Com a missão, temos a oportunidade de dar visibilidade a tudo isso”, completa.

Soraya Misleh e Mohamad El kadri participaram da mesa “O sentido do Fórum Social Mundial hoje”, do Seminário FSM Rumo a Túnis, em Salvador (BA), na manhã de sexta-feira (23/1). “O fórum teve um papel importante para unir as lutas anticapitalistas. No caso palestino, a idéia de que não estamos sós foi muito significativa. E o fórum contribuiu para dar visibilidade a luta do povo palestino. A aprovação dessa missão traz de volta esse sentido original do FSM”, declara ela.



Deborah Moreira
Imprensa SEESP






Enquanto entidades brasileiras debatem qual o significado atual do Fórum Social Mundial para o País, na África, especialmente na região do Magreb-Machrek (países árabes), ele tem desempenhado um papel fundamental no fortalecimento dos movimentos sociais locais e, consequentemente, da participação população no processo de democratização daqueles países. É o que contaram representantes dos comitês locais da Tunísia e Marrocos na mesa “O sentido do Fórum Social Mundial hoje”, ocorrida no “Seminário FSM Rumo a Túnis”, em Salvador (BA), na manhã de sexta-feira (23/1).


Foto: Deborah Moreira

mesa soraya


Fazer um fórum na Tunísia em 2013 foi algo natural diante do quadro sócio-político gerado pelos protestos ocorridos desde dezembro de 2010, que deflagraram a chamada Primavera Árabe. Na prática, significou a derrubada dos governos ditatoriais tunisiano e egípcio, mas ainda existem os partidos conservadores, de cunho religioso, corruptos e que exercem grande influência na política.

Agora, levar novamente o megaevento ao país – de 24 a 28 de março - é estratégico. Nos últimos quatro anos, apesar de alguns avanços, a situação econômica piorou muito no continente africano, que sente os impactos negativos da crise do capital no continente europeu. Desemprego crescente, principalmente entre os jovens, aumento do número de migrações, da violência – como os assassinatos em massa cometidos pelo grupo radical nigerianos Boko Haram -, das guerras, e a repressão aos movimentos sociais no Marrocos e Egito.

Segundo o marroquino Hamouda Soubhi, diretor executivo da Rede Marroquina das ONGS Européias e Mediterrâneas e co-fundador no Marrocos do Fórum das Alternativas do Sul, os grupos financiados pelos conglomerados que controlam o petróleo no Golfo Pérsico, “quer seja pelo Qatar, Arábia Saudita, quer seja por países europeus e americanos, continuam a agir contra a igualdade para as mulheres, contra qualquer forma de mudança”.

“Piorou muito a situação do imigrante subsaariano. O Mar Mediterrâneo se tornou um cemitério, milhares de pessoas morrem tentando atravessar para a Europa. O fórum é um espaço vital para os movimentos sociais, para a promoção dos direitos sociais, econômicos, ambientais, para encontrar alternativas ao neoliberalismo”, afirmou Soubhi.

Ele lembra que foi graças ao apoio de organizações sociais sólidas, de mulheres, de direitos humanos e sindicais estruturadas que os jovens na Tunísia e Egito saíram às ruas. E que foram essas novas mobilizações como occupys e indignados que geraram um contraponto ao poder dominante, e que só a unidade na ação é que poderá levar a novos avanços progressistas. O representante das entidades do Marrocos frisou a importância de fortalecer as lutas da região como a libertação da Palestina e dos saarauis, citando uma ação que existe desde 2006, chamada ‘Iniciativas para a paz no Saara Ocidental’, que envolve saarauis, tunisianos e pessoas da Mauritânia.

“Se não houver unificação das lutas não poderemos fazer isso. Venham para Tunis para trabalhar conosco em nossas aspirações, somos fracos mas somos fortes com nossas idéias”, exclamou.

Nova constituição
O antropólogo tunisiano Alaa Talbi, membro do Fórum Tunisiano de Direitos Econômicos e Sociais e um dos organizadores do comitê local do FSM Tunísia, elencou pontos positivos resultantes das mobilizações sociais, principalmente depois da crise que o país viveu em julho de 2013, quando foram assassinados o líder de um dos partidos de oposição, Mohammed Brahmi e, dias depois, oito militares.

Um saldo positivo concreto do FSM Tunísia de 2013 foi a mediação de integrantes do comitê de organização do evento na articulação por uma nova constituição, oriundos da central sindical Ação Central de Trabalhadores da Tunísia, da Liga Tunisiense para a Defesa dos Direitos Humanos e de uma organização de advogados (semelhante à OAB). “Eles construíram uma agenda política que conseguiu levar a formalização da nova constituição”, conta Talbi, que noticiou em primeira mão que quatro membros dessas organizações integram o novo governo – como ministros da Justiça, da Condição Feminina, da Cultura e das Relações com a Sociedade Civil - sendo duas mulheres e dois homens.

Foi em janeiro de 2014, após dois anos de debates, que o país ganhou uma nova constituição mais progressista, que tem o Islã como religião, mas estabelece a liberdade de crença e consciência. O texto constitucional institui a igualdade entre homens e mulheres, assim como a paridade de representação nas assembleias políticas, e a liberdade de expressão e de opinião, concede autonomia ao poder judiciário.

Outro avanço que ele chamou atenção foi a definição de que o povo é o detentor dos recursos naturais. A questão ambiental vem ganhando espaço nos debates e terá seu 1º Fórum Social Temático da Tunísia, no sábado (31/1) e domingo (1º de fevereiro).

“Estamos tentando construir e definir o papel dos movimentos sociais nestes últimos anos. Fazemos uma distinção entre os que são estruturados, administrados pelas centrais sindicais, e os espontâneos que não pararam em 2014. Mais de uma centena de movimentos na Tunísia estão passando da fase de contestação para a de proposição”, conta o antropólogo.

O representante tunisiano mencionou que a organizações da região têm consciência de que será preciso, muito em breve, aprofundar as mudanças sociais e econômicas. Essas questões vêm sendo tratadas de forma sistemática e acabaram resultando na primeira Assembleia dos Movimentos Sociais da Tunísia, ocorrida em 9 de janeiro, reunindo trabalhadores informais, mulheres operárias, principalmente do setor têxtil, e outros segmentos que se reuniram pela primeira vez.

“O fórum vai desempenhar um papel de extrema importância na consolidação da mobilização social, sobretudo, na próxima fase que denominamos como a descentralização do poder, nas eleições de associações locais previstas para outubro deste ano. E o poder político local dá um lugar muito importante a sociedade civil, não somente como mera observadora, mas com direito de voto”, concluiu, acrescentando: “A presença de vocês é um aporte real para o nosso processo de democratização na Tunísia e em toda África, para a aquisição de novas competências em justiça social, educação popular e educação ambiental.”

Brasil
A educadora Sheila Ceccon, do Instituto Paulo Freire, recuperou o histórico do processo brasileiro do FSM no último ano que resultou na realização do seminário em Salvador. Para ela, é importante que os debates que acontecerão em Túnis e nos próximos fóruns mundiais também ocorram em diferentes regiões, em fóruns descentralizados, temáticos, estaduais, latino-americanos, incluindo novos atores.

“Ficou muito claro para todos que estão discutindo que há um recrudescimento do capitalismo, mundialmente falando, desde que o FSM foi criado. É importante a sociedade civil do planeta dar uma resposta a isso. Então, foi consensual a importância em participar do fórum e planejar fóruns com formatos diferentes”, explicou.

As organizações do Brasil decidiram participar do FSM da Tunísia com quatro temas: mecanismos de construção da democracia participativa; enfrentamento ao racismo, xenofobia e reparações; sociedade civil planetária e pós-2015; e nos debates do Fórum Mundial de Mídia Livre.

A questão ambiental também foi uma tônica em sua fala: “É urgente que todos nós demos mais atenção às questões socioambientais. O fórum pode ser um espaço de enfrentamento da coisificação da vida. A gente vive hoje em um mundo onde comemos alimentos envenenados, veneno que é posto em nossa comida e parece que é visto como algo normal. Não há um enfrentamento, não há uma discussão nessa mídia, que não nos representa”.




Deborah Moreira
Imprensa SEESP






Enquanto entidades brasileiras debatem qual o significado atual do Fórum Social Mundial para o País, na África, especialmente na região do Magreb- Machrek (países árabes), ele tem desempenhado um papel fundamental no fortalecimento dos movimentos sociais locais e, consequentemente, da participação população no processo de democratização daqueles países. É o que contaram representantes dos comitês locais da Tunísia e Marrocos na mesa “O sentido do Fórum Social Mundial hoje”, ocorrida no “Seminário FSM Rumo a Túnis”, em Salvador (BA), na manhã de sexta-feira (23/1).

Fazer um fórum na Tunísia em 2013 foi algo natural diante do quadro sócio-político gerado pelos protestos ocorridos desde dezembro de 2010, que deflagrou a chamada Primavera Árabe. Na prática, significou a derrubada dos governos ditatoriais tunisiano e egípcio, mas ainda existem os partidos conservadores, de cunho religioso, corruptos e que exercem grande influência na política.

Agora, levar novamente o megaevento ao país – de 24 a 28 de março - é estratégico. Nos últimos quatro anos, apesar de alguns avanços, a situação econômica piorou muito no continente africano, que sente os impactos negativos da crise do capital no continente europeu. Desemprego crescente, principalmente entre os jovens, aumento do número de migrações, da violência – como os assassinatos em massa causados pelo grupo radical nigerianos Boko Haran -, das guerras, e a repressão aos movimentos sociais no Marrocos e Egito.

Segundo o marroquino Hamouda Soubhi, diretor executivo da Rede Marroquina das ONGS Européias e Mediterrâneas e co-fundador no Marrocos do Fórum das Alternativas do Sul, os grupos financiados pelos conglomerados que controlam o petróleo no Golfo Pérsico, “quer seja pelo Qatar, Arábia Saudita, quer seja por países europeus e americanos, continuam a agir contra a igualdade para as mulheres, contra qualquer forma de mudança”.

“Piorou muito a situação do imigrante subsaariano. O Mar Mediterrâneo se tornou um cemitério, milhares de pessoas morrem tentando atravessar para a Europa. O fórum é um espaço vital para os movimentos sociais, para a promoção dos direitos sociais, econômicos, ambientais, para encontrar alternativas ao neoliberalismo”, afirma Soubhi.

Ele lembra que foi graças ao apoio de organizações sociais sólidas de mulheres, de direitos humanos e sindicais estruturadas que os jovens na Tunísia e Egito saíram às ruas. E que foi todo essas novas mobilizações occupys e indignados que geraram um novo contraponto ao poder dominante e que só a unidade na ação é que poderá gerar novos avanços progressistas. O representante das entidades no Marrocos frisou a importância em fortalecer as lutas da região como a libertação da Palestina e dos saarauis, no Marrocos, citando uma ação que existe desde 2006, chamada ‘Iniciativas para a paz no Saara Ocidental’, que envolve saarauis, tunisianos e pessoas da Mauritânia.

“Se não houver unificação das lutas não poderemos fazer isso. Venham para Tunis para trabalhar conosco em nossas aspirações, somos fracos mas somos fortes com nossas idéias”, exclamou.

O antropólogo tunisiano Alla Talbi, membro do Fórum Tunisiano de Direitos Econômicos e Sociais e um dos organizadores do comitê local do FSM Tunísia, elencou pontos positivos  resultantes das mobilizações sociais, principalmente depois da crise que o país viveu em julho de 2013, quando foram assassinados o líder de um dos partidos de oposição,  Mohammed Brahmi e, dias depois, oito militares.

Um saldo positivo concreto do FSM Tunísia de 2013 foi a mediação de integrantes do comitê de organização do evento na articulação por uma nova constituição, oriundos da central sindical Ação Central de Trabalhadores da Tunísia, da Liga Tunisiense para a Defesa dos Direitos Humanos e de uma organização de advogados (semelhante à OAB). “Eles construíram uma agenda política que conseguiu levar a formalização da nova constituição”, conta Talbi, que noticiou em primeira mão que quatro membros dessas organizações integram o novo governo – como ministros da Justiça, da Condição Feminina, da Cultura e das Relações com a Sociedade Civil -  sendo duas mulheres e dois homens.

 Em janeiro de 2014, após dois anos de debates, o país ganhou uma nova constituição mais progressista, em que tem o islã como religião, mas estabelece a liberdade de crença e consciência. O texto constitucional institui a igualdade entre homens e mulheres, assim como a paridade de representação nas assembléias políticas, e a liberdade de expressão e de opinião, concede autonomia ao poder judiciário.

Outro avanço que ele chamou atenção foi a definição de que o povo é o detentor dos recursos naturais. A questão ambiental vem ganhando espaço nos debates e que terá  seu 1º Fórum Social Temático da Tunísia, no sábado (31/1) e domingo (1º de fevereiro).

“Estamos tentando construir e definir o papel dos movimentos sociais nesses últimos anos. Fazemos uma distinção entre os que são estruturados, administrados pelas centrais sindicais, e os espontâneos que não pararam em 2014. Mais de uma centena de movimentos na Tunísia estão passando da fase de contestação para a de proposição”, conta o atropólogo.

O representante tunisiano mencionou que a organizações da região têm consciência de que será preciso, muito em breve, aprofundar as mudanças sociais e econômicas. Essas questões vêm sendo tratada e forma sistemática que resultou na primeira Assembleia dos Movimentos Sociais da Tunísia, ocorrida em 9 de janeiro, que reuniu os trabalhadores informais, mulheres operárias, sobretudo no setor têxtil, e outros segmentos que se reuniram pela primeira vez.

“O fórum vai desempenhar um papel de extrema importância na consolidação da mobilização social, sobretudo, na próxima fase que denominamos a descentralização do poder e para as eleições de associações locais previstas para outubro deste ano. E o poder político local dá um lugar muito importante a sociedade civil, não somente como um mero observador, mas com direito de voto”, concluiu, acrescentando: “A presença de vocês é um aporte real para o nosso processo de democratização na Tunísia e em toda África, para a aquisição de novas competências em justiça social, educação popular e educação ambiental.”

Brasil
A visão sob o olhar das organizações brasileiras foi dada educadora Sheila Seccon, do Instituto Paulo Freire, que recuperou o histórico do processo brasileiro no último ano que resultou na realização do seminário em Salvador. Para ela, é importante que os debates que acontecem nos fóruns mundiais também ocorram em diferentes regiões, em fóruns descentralizados, temáticos, estaduais, latino-americanos, incluindo novos atores.

“Ficou muito claro para todos que estão discutindo que há um recrudescimento do capitalismo, mundialmente falando, desde que o FSM foi criado, e a importância da sociedade civil do planeta dar resposta a isso. Então, foi consensual a importância em participar do fórum e planejar fóruns com formatos diferentes”, explica.

As organizações do Brasil decidiram participar do FSM da Tunísia com quatro temas: mecanismos de construção da democracia Participativa; enfrentamento ao racismo, xenofobia e reparações;  Sociedade civil planetária e pós-2015; e nos debates do Fórum Mundial de Mídia Livre.

A questão ambiental também foi uma tônica em sua fala: “É urgente que todos nós darmos mais atenção às questões socioambientais. O fórum pode ser um espaço de enfrentamento da coisificação da vida. A gente vive hoje em um mundo onde comemos alimentos envenenados, é veneno que é posto em nossa comida e parece que é visto como algo normal. Não há um enfrentamento, não há uma discussão nessa mídia, que não nos representa”.

Em cada olhar uma experiência. Para viver o Fórum Social Mundial hoje é preciso resgatar o passado, unificar no que é possível e agregar o novo. Foi dessa forma que se colocou a mesa “Os Olhares sobre o Percurso Histórico do Fórum Social Mundial”, formada durante o Seminário FSM Rumo a Túnis, ocorrido entre quinta (22/1) e sábado (24). O Fórum Social Mundial (FSM) desencadeou processos paralelos e transversais a seu próprio eixo, enquanto esteve em ebulição nestas terras. Para os especialistas que formaram a mesa, todos integrantes do Conselho Internacional do FSM, o megaevento cria novas dinâmicas entre indivíduos e gera saltos de consciência na busca do coletivo.


Foto: Deborah Moreira
mesa olhares sobre o FSM
Mesa formada por, da esquerda para a direita, Salete Valesam; Rita Freire; Gilberto Leal, da Conen, como mediador; Hamouda Soubhi e Leonardo Vieira


Salete Valesam Camba, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) que iniciou sua fala refletindo a importância da Bahia em sediar este evento, com sua forte herança africana, lembrou que o Fórum foi criado para contrapor o Fórum Econômico de Davos incentivando novas práticas, como na educação.

“Para um outro mundo possível, uma nova educação é necessária. Foi um dos grandes debates que teve e que foi necessário para puxar para uma outra realidade a frente dessa temática dos direitos, que é o direito à educação, houve uma união da sociedade civil e governo para construir o Fórum Mundial de Educação”, recordou, citando os primeiros anos do evento, em Porto Alegre, já emendando com o FSM da Índia, em 2004, que foi um “contraponto a nós mesmos” permitindo a compreensão da vida a partir de outra cultura, outra lógica.

Para ela, “o nosso debate continua permanentemente o mesmo, porque ele ainda não se renovou”. Em sua visão, a educação precisa ser compreendida enquanto processo histórico de construção e transformação da sociedade.

E qual a comunicação que queremos? Rita Freire, da Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada, mencionou a experiência ocorrida entre os movimentos brasileiros e latino-americanos que vivenciaram as dificuldade em se cobrir um FSM com pouca ou nenhuma estrutura e, mesmo assim respeitar as diferenças que estavam postas. O respeito a diversidade é uma tônica do FSM daquele tempo, e os movimentos tomavam para si como bandeira de luta e resistência.

“Os comunicadores independentes começaram a se aproximar do processo para contribuir com essa resistência dos movimentos. E fazer essa resistência exigiu de nós criarmos outras formas de cobertura que acabaram gerando o conceito de comunicação compartilhada em que reunimos conhecimento, equipamentos e ideias. E isso foi se transformando em diversos projetos audiovisuais de cobertura”, disse Freire.

Exercitar o compartilhamento das informações levou os comunicadores ao campo mais político, do debate, da proposição de alternativas no Brasil e América Latina, o que culminou na formação de um fórum brasileiro de comunicação e, posteriormente, ao Fórum Mundial de Mídia Livre, que começou em 2009, em Belém.

Ainda em seu relato sobre o que viveu ao longo desses 15 anos de FSM, a cirandeira provocou os jovens presentes lembrando que os ares do fórum no início têm muito em comum com o que eles têm experimentado agora. “Estávamos ali num momento de esperança, de salto da consciência da importância nas ruas, que estava sendo dada pelos movimentos que tomaram Seattle (nos EUA) para acabar com as instâncias de governo, do mercado, como a OMC (Organização Mundial de Comércio), e estávamos na véspera da Rio+10, a gente sentia que tinha um protagonismo e que tinha que ocupar as ruas, como agora”, afirmou.

Sobre o recente atentado contra cartunistas do jornal francês Charlie Hebdo, Rita Freire enfatizou que a tragédia agora vem sendo usado para atacar novamente a diversidade - especificamente os muçulmanos - em uma cobertura midiática desproporcional. "Enquanto a mídia dá ampla visibilidade aos cartunistas assassinados, os profissionais da imprensa que cobrem guerras como na Palestina nem são notícia. Em 2014, foram 16 jornalistas mortos na região dos bombardeios contra Gaza e ninguém sabe seus nomes", lamentou.

O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o secretário de Relações Internacionais Leonardo Vieira, também reforçou a importância em abrigar os novos movimentos. “Temos o desafio de incluir os novos movimentos, que nem conseguimos nomear ainda, como os occupys, indignados”.

Vieira fez questão de falar dos significados que o FSM e seus pensadores deram aos acontecimentos, “como o neoliberalismo, que antes era (um tema) mais restrito ao meio acadêmico e acabou se popularizando por conta do fórum”. Muitos acadêmicos e lideranças tiveram a chance de expor aos participantes do evento os males desse sistema econômico capitalista. Também foi tirado o véu que escondia as transnacionais, “que estão por trás de todos os grandes problemas da sociedade”.


leonardo vieira cut
Hamouda Soubhi, no canto esquerdo; e Leonardo Vieira ao microfone


Para o secretário de relações internacionais da CUT, há um novo momento conjuntural no País que revelam muitos desafios locais para os movimentos sociais. “O último fórum na Tunísia foi um sucesso e mostra que há vitalidade no processo, mas também nos mostra que o Brasil tem uma responsabilidade em permanecer presente. É preciso buscar convergência entre os movimentos para que a gente unifique pelo que temos em comum”, completou.

“A África está assumindo essa bandeira”
Para se ter uma idéia do quanto a África hoje está inserida no processo do fórum, Hamouda Soubhi, diertor executivo da Rede Marroquina das ONGS Européias e Mediterrâneas e co-fundador no Marrocos do Fórum das Alternativas do Sul, recordou a quantidade de fóruns realizados no continente: 5 fóruns mundiais, 40 fóruns temáticos e 7 fóruns africanos.

“O fórum é algo muito importante para o continente africano. O primeiro conselho internacional se encontrou em Dakar, em 2001, e a partir daí os movimentos sociais africanos se integraram”, mencionou Hamouda Soubhi, lembrando que mesmo não tendo condições de participarem de todos os fóruns, os africanos formaram várias redes – como saúde, educação, a questão das mulheres – o que permitiu “quebrar as clausuras”. Seja no Senegal, no Mali, Egito, Marrocos ou Tunísia, os encontros têm acontecido e gerado algumas mudanças.

“Estamos em marcha e queremos mostrar ao mundo que somos capazes de colocar pra fora as ditaduras, de mudar seus governos, de colocar uma frigideira no lugar de seus assentos para que eles não voltem a sentar. É preciso acreditar nessa mudança. Eu gostaria que o próximo fórum social mundial fosse aqui (em Salvador). Assim teremos seis fóruns sociais africanos”, exclamou Soubhi.


Deborah Moreira
Imprensa SEESP





Ativistas da comunicação lançaram, no Brasil, a consulta online da Carta Mundial de Mídia Livre, que já recebeu contribuições de países como França, Itália, Marrocos, Tunísia, Egito, Jordânia, Palestina, Senegal, Argélia, entre outros. O objetivo é criar um documento que reúna atribuições, perfil e pontos de luta em comum das mídias livres e seus direitos.

Também se espera que o processo de construção conjunta da carta aproxime as organizações e a sociedade mobilizada em torno do direito à comunicação.

O lançamento foi realizado durante o Seminário Fórum Social Mundial FSM Rumo a Túnis, que ocorreu entre quinta (22/1) e sábado (24), na Bilbioteca Pública dos Barris, em Salvador (BA), que reuniu entidades e organizações não governamentais de diversas partes do Brasil.

Origem
A carta foi proposta durante o 3º Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML), na capital tunisiana, que ocorreu paralelamente ao Fórum Social Mundial da Tunísia, em 2013. No ano seguinte, foi apresentado o primeiro rascunho do texto, durante o Seminário Internacional do FMML, ocorrido em janeiro, na capital gaúcha, onde foram dadas as primeiras contribuições. Depois, novas sugestões de textos foram feitas em outros três seminários internacionais – em Túnis, Paris e Marrakech.


Participaram dos seminários ativistas de organizações como Amarc Internacional; Ponte Per, da Itália; Instituto Panos da África Ocidental, do Senegal; Ejoussour, do Marrocos; Coredem, da Argentina; Ritimo, da França; Ciranda, Rede Mulher e Mídia, Idec, Mídia Ninja e Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, no Brasil.


A consulta online conta com o apoio de ativistas do software livre e foi inspirada na ferramenta de participação social virtual utilizada nos encontros NetMundial e ArenaNet Mundial, realizados no País, em 2014. A plataforma de consulta online é baseada no sistema noosfero, desenvolvido pelo Colivre, coletivo digital de Salvador que, juntamente com a Ciranda e a Quijaua, desenvolveram-na.

Em fevereiro deste ano, será formado um grupo de trabalho para sistematizar as recentes contribuições e preparar uma nova versão da carta. E, mais uma vez, o texto será apresentado e debatido durante o 4º Fórum Mundial de Mídia Livre, onde se encerrará o processo.

O texto já está disponível em quatro idiomas: português, espanhol, francês e inglês. Atualmente, está sendo traduzido para o árabe.

A plataforma para o recebimento de contribuições pode ser acessada por este link http://charte.fmml.net/fmml/blog/1-apresentacao.



Deborah Moreira
Imprensa SEESP





Pelo menos 600 pessoas acompanharam o “Seminário Fórum Social Mundial Rumo a Túnis”, que ocorre desde quinta-feira (22/1), em Salvador (BA), e vai até este sábado (24), na Biblioteca Pública dos Barris, no bairro de mesmo nome, região central. Os números são do Comitê Baiano do FSM, sendo 200 participações presenciais e outras 400 pela transmissão ao vivo, via internet. 


Fotos: Deborah Moreira
mesa inicial BCerca de 200 integrantes de organizações sociais presentes na abertura do evento, em Salvador


Na manhã deste sábado, uma mesa só de mulheres foi formada para relatar uma sistematização do que foi debatido nos dois primeiros dias. Entre as propostas, está a de retomar a articulação dos movimentos sociais em torno do FSM no Brasil, independente dos eventos internacionais.

Durante a tarde, seis grupos de trabalho foram formados para debater as questões mais específicas como democratização da comunicação, proposto pelo Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML), o qual a comunicação do SEESP integra. Outro grupo criado foi o Direito à Cidade, proposto por movimentos urbanos presentes como o Movimento Passe Livre (MPL).

Primeiro dia
A abertura do primeiro dia, bem como dos demais, foi uma apresentação cultural. O grupo de hip hop local Nova Saga empolgou os participantes com suas letras que remetem às questões sociais e raciais.

Já a mesa de abertura foi formada por Jussara Santana, da Associação Cultural Espiral do Reggae e da Coordenação Nacional das Entidades Negras (Conen), e do Coletivo Baiano do FSM; Damien Azard, da Abong e membro do Conselho Internacional do FSM; Alaa Talbi, diretor executivo do Fórum Tunisiano dos Direitos Econômicos e Sociais e um dos principais organizadores dos comites locais daquela região; Fabricio Prado, chefe de relações internacionais da Secretaria Geral da Presidência da República, e Martiniano Costa, chefe de gabinete da Secretaria de Relações Institucionais do Governo do Estado da Bahia.

Jussara Santana lembrou da carta de principios do FSM, lançada em 2001, que “é algo sempre importante a ser lido” e relido, destacando um dos 14 itens: “O Fórum Social Mundial é um espaço plural e diversificado, não confessional, não governamental e não partidário, que articula de forma descentralizada, em rede, entidades e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo”, diz o item 8 do documento.

Nas palavras de Santana, “o fórum tem o poder de agregar para nos fortalecer, porque um mundo melhor depende muito mais de mim e de você do que de um universo que conspira".

Damien Hazard, da Abong, também lembrou do inicio do processo citando a frase tema do evento. “Um outro mundo é possivel. É disso que estamos falando. O FSM nasceu com essa afirmaçao e para ser um contraponto a Davos”.

Além da mudanca geográfica do evento, hoje se consolidando na região do Magreb-Machrek, no norte da África, o mundo também mudou. “E ai vem a grande pergunta: o Fórum ainda é capaz de mudar o mundo? Essa é uma das grandes questões que precisamos responder", salientou Hazard.


mesa inicial red


Após fazer um breve resgate histórico do panorama político dos últimos anos, em que temos uma sucessão de governos progressistas, não houve mudança no sistema econômico capitalista - que impôe regras de austeridade econômica, com redução nos invesimentos sociais como vemos neste momento as medidas tomadas pelo novo governo Dilma de cortar conquistas trabalhistas históricas como o seguro-desemprego– Damien relacionou outras questões que devem ser feitas e respondidas pelos presentes: quais as relações que devemos estabelecer com os governos? Como devem ser as relações entre nós? Como articular as diversas lutas e atuações dos movimentos? O que nos une? Como reforçar o diálogo com os novos movimentos?

Alaa Talbi também fez um breve relato sobre o contexto atual de democratização da Tunísia desde 2010, quando um comerciante tunisiano ateou fogo ao próprio corpo e acabou gerando uma onda de protestos no país. Nações vizinhas também tiveram protestos semelhantes, como no Egito. O movimento, conhecido por Primavera Árabe, derrubou o ditador tunisiano Zine el Abidine Ben Ali, no poder há 23 anos. No ano passado, a população pode escolher a partir do voto direto um novo presidente, novo parlamento e uma nova constituição.

De acordo com o coordenador do FSM da tunisia, das mais de 1.700 organizações já inscritas no FSM da Tunísia (que acontecerá de 24 a 28 de março), somente 3% delas são de brasileiros. Por isso, ele fez um pedido aos presentes para que os mesmos paricipem do FSM em seu país porque “os movimentos tunesinos precisam da experiência obtida pelos brasileiros.”

No seminário em Salvador, ainda não há um balanço do comitê organizador do fórum sobre a quantidade de organizações reunidas, mas, de acordo com Hazard, o número pode chegar a 100 entidades presentes. "Com certeza posso afirmar que o Brasil está bem representado. Há tanto os movimentos mais conhecidos do Fórum como algumas centrais e movimento negro, mas também organizações recém criadas, de base, do interior do país, de pessoas com deficiência, de povos tradicionais e mais urbanas, como o MPL", afirmou.

Serviço:
Para saber como participar, acesse a página do evento:
www.fsm2015.org
Inscrições de propostas de atividades (apenas por organizações) podem ser feitas no link http://registration.fsm2015.org/?q=es até o dia 30 de janeiro.
Nas redes sociais é possível acompanhar as postagens do processo preparatório na página Brasil Rumo ao FSM 2015.

 

Deborah Moreira
Imprensa SEESP

 

 

 



Começa nesta quinta-feira (22/1), às 13h30, o “Seminário Internacional FSM Rumo a Túnis”, no Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, em Salvador. O evento é preparatório para o Fórum Social Mundial (FSM), que neste ano ocorrerá novamente na capital tunisiana, entre os dias 24 e 28 de março. Já o Seminário na capital soteropolitana ocorre até o sábado (24/1), cuja cobertura será feita de forma compartilhada entre diversas entidades, como o SEESP - que estará presente nas atividades.

Durante o encontro, organizado pelo Coletivo Bahia FSM, serão discutidas estratégias do FSM, a participação brasileira e as atividades em construção, dando sequência ao processo brasileiro de discussões sobre os rumos do FSM no País. De acordo com os organizadores, será o momento de conectar as agendas brasileiras, fortalecer atividades de interesse comum, bem como estabelecer critérios, facilitar e apoiar a formação e participação da delegação brasileira. Será também um momento de reflexão sobre o processo FSM e seus rumos no Brasil.

As atividades contarão com a presença de representantes brasileiros do Conselho Internacional, além de integrantes dos comitês organizadores tunisianos e magrebino do FSM 2015 e do grupo de trabalho do Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML).

Uma das atividades pretende também debater a organização do FMML, que ocorrerá em paralelo ao FSM.

Com mais de uma década de existência, o FSM continua sendo um lugar de encontro das vozes que reivindicam Outro Mundo Possível, articulam resistências e constroem alternativas. É um processo em discussão e recriação do qual as organizações brasileiras têm se empenhado em participar, mesmo na distante região do Magreb-Mashreq, na África.

Fazem parte da organização Abong, Apalba, Aspiral do Reggae, Cecup, Cemarab, Ciranda, CTB, CocasS, Conen, CUT, Flacso, Germen, Grupo de Teatro Dudu Odara, Grupo Tortura Nunca Mais, Fedim, Instituto Palmares, IPF, Movimento Paulo Jackson, Nova Saga, Núcleo Cultural Níger Okan, Rede de Alimentação de Economia Solidária, Sindae, Unegro, Vida Brasil.

As inscrições para o FSM podem ser feitas até o final deste mês, na página http://registration.fsm2015.org


Imprensa SEESP
Com informações da Ciranda






Como as políticas sociais, a ciência e a tecnologia influenciam a soberania dos povos foi o tema de debate proposto pela CNTU durante o Fórum Social Mundial 2013, que aconteceu em Tunes, na Tunísia, até o dia 30 de março. A atividade, que foi coordenada pela vice-presidente da confederação, Gilda Almeida, aconteceu na quinta-feira (28/03), em parceria com a Fenafar (Federação Nacional dos Farmacêuticos) e a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).

O secretário de Políticas Sociais da central, Carlos Rogério Nunes, abriu a discussão chamando a atenção para o debate que vem sendo travado pelos trabalhadores brasileiros sobre o desenvolvimento. Atuando em conjunto, lembrou ele, o movimento sindical defende uma plataforma aprovada em 2010 numa grande conferência, que leva em conta políticas públicas, mas principalmente a valorização do salário mínimo, o que automaticamente incrementa as aposentadorias.

* Veja imagens da atividade

Nunes destacou ainda o esforço feito pelo movimento sindical brasileiro na luta contra a desindustrialização, que gerou medidas para favorecer esse setor da economia. “No entanto, o governo atendeu principalmente os empresários. Precisa ouvir os trabalhadores, daí a marcha realizada em 6 de março”, afirmou.

Avanços
José Araújo, do Conselho Nacional de Assistência Social, abordou os avanços registrados nessa área nos últimos dez anos. “Hoje, é um direito do cidadão e um dever do Estado, deixou de ser vista como caridade”, salientou. Entre as conquistas, apontou a criação do Suas (Sistema Único de Assistência Social).

Segundo ele, hoje no Brasil está se consolidando um modelo sustentável de assistência social. “Diferentemente do que houve nos países escandinavos, estamos construindo um sistema que vai se aguentar”, frisou. Assim como Nunes, da CTB, Araújo aponta o incremento da remuneração básica como um dos principais ganhos contabilizados. “Temos um mínimo de mais de US$ 300,00. É uma valorização sem paralelo no mundo.”

Além disso, informou ele, a estrutura de atendimento também se aprimorou, com a implantação de 10 mil CRAS (Centros de Referências de Assistência Social) no País. O orçamento da área, disse, também foi ampliado e, em 2013, terá R$ 64 bilhões, que devem saltar para R$ 70 bilhões em 2014. Ainda conforme Araújo, outro ponto importante é a participação popular por meio dos conselhos municipais paritários, que contam com representantes do governo e da sociedade civil.

Ciência e tecnologia
Fechando as exposições, o presidente da CNTU, Murilo Pinheiro, falou sobre as bandeiras de luta da entidade, que incluem o desenvolvimento sustentável com distribuição de renda. Na busca dessa meta, apontou, é fundamental que os povos tenham acesso à ciência e à tecnologia. “Os avanços nessa área devem servir à humanidade, não a grandes corporações”, salientou.

Pinheiro lembrou também a importância da inovação e da qualificação da mão de obra para a inserção das nações na economia global. Tais aspectos, pontuou, é fundamental para que o Brasil supere a desindustrialização que vem ocorrendo no País e garanta o seu desenvolvimento.  É nesse contexto, afirmou Pinheiro, que a CNTU defende a implantação de um Sistema Nacional de Educação Continuada, que garanta atualização aos trabalhadores de formação universitária, assegurando a sua valorização e possibilidade de contribuir com a superação dos desafios que o País ainda enfrenta.

Participação
A discussão realizada em Túnis contou ainda com a participação dos representantes da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Cícero Pereira, e da Força Sindical, João Peres Fuentes, que compuseram a mesa. Também participaram do debate outras lideranças do movimento sindical e do movimento feminista, além de estudantes, professores e profissionais da assistência social.

 


Imprensa - SEESP
Por Rita Casaro - Comunicação CNTU 




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