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Da Agência Sindical

Nesses tempos de reforma trabalhista neoliberal, é bom prestar atenção no que ocorreu na Nissan, no Estado do Mississippi, Estados Unidos. Apesar de ampla campanha para garantir direitos sindicais, apoiada pelo sindicalismo internacional e, internamente, por diversas organizações e figuras como Bernie Sanders e o ator Danny Glover, a eleição na planta em Canton, para criar o sindicato local sofreu duro revés. O resultado foi de 63% contra a formação da entidade da categoria e 34% a favor – foram 2.244 contra 1.307, em um total de 3.700 votantes.

O United Auto Workers (UAW), sindicato do setor automotivo nos EUA, denunciou que a votação foi influenciada por forte campanha antissindical e racista que a Nissan realiza há anos a fim de impedir a organização e sindicalização dos trabalhadores.

A Agência Sindical entrevistou o metalúrgico Paulo Roberto dos Santos Pissinini, diretor do sindicato dos metalúrgicos da Grande Curitiba, que acompanhou a eleição como representante da confederação da categoria (CNTM). Ele confirma a forte pressão da empresa, que incluiu ameaça de demissões e fechamento de plantas, caso os trabalhadores votassem a favor da criação do sindicato local.

Pressão - Pissinini conta: “Nos últimos dias, a Nissan foi muito agressiva na campanha contra o Sindicato. A pressão ultrapassou os limites da fábrica, com agentes da empresa visitando as casas dos trabalhadores e, também, com grande atuação na mídia. Foi um terrorismo brutal.” Outro meio de pressão foi o fato da empresa liberar a compra de veículos top de sua linha, a 50 dólares ao mês, para quem votasse contra.

A intensa propaganda não foi só dentro da fábrica. Também se converteu em publicidade antissindical na televisão, em jornais e em spots nas rádio. Autoridades locais se somaram à campanha patronal contra os direitos trabalhistas. O próprio governador Phil Bryant, do Partido Republicano, acusou os sindicatos de prejudicar a indústria automotiva em Detroit.

Exploração - Segundo Paulo Pissinini, a principal preocupação dos trabalhadores ao buscar a organização sindical está “no auxílio-saúde e nos fundos de previdência, devido à falta de políticas sociais públicas nos Estados Unidos”. Ele comenta: “O regime de trabalho é por meio de contrato direto, com grande parte das contratações de forma terceirizada ou temporária e enorme defasagem salarial entre os trabalhadores.”

A fábrica da Nissan em Canton emprega 6.400 operários, mas 2.700 são temporários e não puderam participar da eleição. Ainda que não tivessem direito a voto, eles constituíam o principal setor favorável à sindicalização, devido às suas condições de trabalho, salários mais baixos, maior jornada e constante instabilidade no trabalho.

Luta - O dirigente metalúrgico brasileiro denuncia: “Esses trabalhadores estão submetidos a forte pressão por horas extras, maior risco de acidentes e, como não há uma lei de proteção trabalhista, o assédio moral é muito grande e persistente.” “O que os companheiros buscam com o sindicato é obter os benefícios que os sindicalizados possuem nas empresas”, acrescenta.

O UAW fez graves denúncias da Nissan, entre as quais negar acesso ao corpo eleitoral dentro da planta, criar um sistema de qualificação entre os empregados de acordo com seu nível de apoio à criação do Sindicato, além de espionar suas atividades sindicais.

Pissinini critica: “Nos EUA, os trabalhadores estão lutando para conquistar uma condição que, no Brasil, até hoje tinha garantia legal. Nossa luta aqui é pra que não nos imponham uma legislação semelhante à norte-americana.”

 

 

A Comissão da Verdade do Rio Grande do Sul, com o apoio declarado da Comissão da Verdade de São Paulo, quer pedir ajuda aos Estados Unidos para que colaborem nas investigações através dos depoimentos dos agentes norte-americanos que atuaram na Operação Condor, de repressão a opositores dos regimes ditatoriais da América do Sul. Na manhã desta terça-feira, João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart (1919-1976), depôs na comissão Vladmir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo. Durante sua exposição, afirmou que espera que o Ministério Público brasileiro “tenha a autonomia e a soberania necessária para abrir uma ação cautelar que permita realizar a oitiva de agentes norte-americanos” que atuaram no país durante a ditadura militar (1964-1985). A solicitação de ajuda aos EUA, através do governo brasileiro, será feita depois que saírem os resultados da exumação, “algo que pode demorar entre seis meses e um ano”.

O presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, o médico e vereador Gilberto Natalini, apoia a ideia de Goulart Filho. “Tudo se encaixa. O regime foi eliminando de 75 em diante todos aqueles que viriam a atrapalhar o processo de abertura”, assegura. Para legitimar o pedido, João Vicente citou como exemplo o juiz Baltasar Garzón, que pediu ao governo argentino informações sobre o desaparecimento de espanhóis durante a ditadura no país sul-americano e do Chile, que solicitou esclarecimentos sobre a morte de seu ex-presidente Eduardo Frei Montalva, em 1982, por suspeitas de envenenamento.

Em relação à morte de Jango, os depoimentos citam o serviço de inteligência norte-americano, a CIA, além do chefe do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, o delegado Sérgio Fleury. Mas, segundo indicou Natalini, eles podem ter relação com muitos outros assassinatos.

Hoje, a família de João Goulart aguarda os resultados da exumação do corpo do ex-presidente, deposto pelo golpe militar de 1964. O procedimento está sendo feito no exterior porque “o Brasil não tem a tecnologia necessária para examinar os ossos em busca de uma das 35 mil substâncias que podem comprovar que houve envenenamento”, disse João Vicente. Em seu depoimento, ele lembrou do testemunho do uruguaio Mario Neira, que contou à Polícia Federal em 2006 que o ex-presidente teria sido envenenado com uma troca de comprimidos, tomados diariamente por problemas no coração. Neira teria trabalhado para a ditadura uruguaia.


 

Fonte: El País - Brasil









MauroLourencodentroO fato de o acordo comercial entre Estados Unidos e Chile, por enquanto, não ter impulsionado o comércio entre os dois países parece ter servido de consolo para o governo brasileiro, que procura justificar assim a sua inércia na área, já que, desde 1991, assinou tratados apenas com Israel, Palestina e Egito, dos quais apenas o primeiro está em vigor. Acrescente-se a isso os tratados de preferências tarifárias firmados com Índia e África do Sul.

Para justificar tão pífia inserção no mercado internacional, o governo brasileiro costuma argumentar que estava apostando na conclusão da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que pretendia derrubar barreiras ao comércio global, principalmente na área agrícola, mas que redundou em rotundo fracasso. Em razão disso, o que se vê hoje é os países apostando num processo regional. Segundo dados da OMC, até 2013, 543 acordos bilaterais ou regionais foram assinados e pelo menos 354 estão em vigor. Desses, pelo menos a metade foi estabelecida de 2003 para cá, em função do malogro das negociações da Rodada Doha.

Enquanto isso, o Brasil não participa de nenhum dos blocos em formação, limitando seus esforços ao Mercosul, que do ponto de vista institucional está paralisado e em retrocesso em termos econômicos, já que as trocas entre seus países-membros representam apenas 12% do total, depois de ter alcançado 17%. Já outros países da América Latina preferem passar ao largo do Mercosul: o Chile assinou acordos de livre-comércio com 21 países, o México com 13, o Peru com 12 e a Colômbia com 11, incluindo Estados Unidos e União Europeia.

É verdade que Chile, Peru e Colômbia são nações que dependem basicamente da venda de commodities, não dispondo de parque industrial desenvolvido nem de produtos de alto conteúdo tecnológico, o que facilita a assinatura de acordos. Já o Brasil, que enfrenta um problema de falta de competitividade de seus produtos manufaturados, ainda luta para preservar o seu parque industrial. E precisa avaliar bem as conseqüências de qualquer acordo de livre-comércio. Mas, em números absolutos, aparentemente, os acordos têm produzido melhores efeitos nas economias de Chile, Peru e Colômbia, que cresceram respectivamente 5%, 6% e 4,3%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá subir 1%, se tanto, em 2013.

Para o Brasil, um acordo multilateral parece ser mais adequado, pois inclui a discussão sobre subsídios agrícolas. Por isso, seria recomendável a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia, depois de 11 anos de negociações infrutíferas. Até porque Estados Unidos e União Europeia estão para criar a chamada Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, que será a maior zona de comércio do mundo, representando metade do produto mundial e 30% do comércio planetário. Em outras palavras: quem quiser exportar para esse novo bloco terá de se sujeitar aos seus padrões.

Ao mesmo tempo, os EUA articulam com Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Peru e Vietnã o Trans Pacific Partnership (TPP), um bloco que deverá estar constituído até 2014, alcançando 40% da economia mundial. Quer dizer, será cada vez mais difícil participar do comércio mundial fora de um grande bloco.

* por Mauro Lourenço Dias, engenheiro eletrônico, vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP, e professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

 




No início de novembro, dois importantes eventos atrairão a atenção de todo o mundo. Neste dia 6, os eleitores americanos decidirão se o presidente Barack Obama continuará ou não no posto nos próximos quatro anos ou se o país voltará a ser comandado pelo Partido Republicano de Mitt Romney. No dia 8, começa o 18 º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês, que deverá ratificar a escolha de Xi Jinping como Secretário Geral do Partido e novo presidente do país, que iniciará seu mandato em março do ano que vem.

Nos Estados Unidos, o que estará em jogo é o caminho a ser escolhido para manter o poderio americano. A diferença entre os programas de Obama e Romney é bastante grande. Para Obama, não é mais possível o país bancar o papel de Xerife do mundo. As condições financeiras do país impedem tal conduta. E acredita que a manutenção do poderio americano depende do fortalecimento da economia interna e dos investimentos em infraestrutura e educação. A prioridade é a redução do déficit e da dívida pública e principalmente dos níveis de desemprego. Já para Romney, a manutenção do papel de xerife mundial é condição para a recuperação da economia americana. Ele crê que os gastos militares servem de motor para a economia, desde que o Estado reduza seus gastos sociais. Menos Estado no campo social e mais presença militar internacional são bandeiras defendidas pelo candidato republicano.

As dificuldades enfrentadas por Obama ao longo dos últimos quatro anos, fruto da herança perversa da crise financeira de 2008, corroeram parte de sua popularidade. A lenta recuperação da economia americana nos últimos meses foi suficiente para estancar esta corrosão, mas não para trazer de volta toda a confiança que a população depositava no presidente. Mesmo assim, é provável que seja reeleito. O discurso de Romney, embora motivador, parece um pouco extemporâneo para os pobres, os jovens, os latinos e os negros americanos. A classe média liberal também contesta a relação custo-benefício da manutenção do poderio militar americano.

Na China, embora o ritmo de crescimento da economia tenha desacelerado, ele ainda continua alto para os padrões internacionais. Enquanto as economias americana e europeia devem fechar o ano com crescimento de 2% e 0% respectivamente, a economia chinesa deve crescer em torno de 8%. O crescimento chinês, que seria um sonho para outros países, pode se tornar um pesadelo para o país asiático. O novo governo chinês terá dificuldades para atender as gigantescas demandas de sua população. O aumento da desigualdade entre os pobres e ricos, a enorme burocracia interna, a carência de insumos energéticos e de alimentos, somados aos desejos de liberdade típicos da classe média ocidental e as denúncias de corrupção no governo, tornam difícil encontrar uma equação que possa satisfazer a todos.

O modelo de sucesso iniciado na década de 1990 por Deng Xiaopeng, que garantiu duas décadas de alto crescimento econômico, quadruplicou a renda per capita e estendeu a segurança social no país, parece estar se esgotando. Modelo econômico baseado na industrialização voltada para a exportação, manutenção de câmbio fixo em relação ao dólar, agregado ao modelo político centralizado já não consegue repetir os êxitos do passado. 

O equacionamento dos problemas da China e dos Estados Unidos está interligado. As duas principais economias do mundo precisam de mudanças, e estas devem estar conjugadas. A menor dependência do mercado americano em relação às importações e a maior atenção do governo chinês ao mercado interno precisam ser implantados de forma gradual, progressiva e sobretudo concatenadas.

Assim como não é mais possível aos Estados Unidos continuar como xerife do mundo, também não é mais possível a China continuar como a fábrica do mundo. Da superação dessas condições depende o crescimento da economia global. Para o Brasil, especialmente, o sucesso dos dois principais países do planeta tornou-se condição para o seu próprio sucesso. 

* Alcides Leite é economista e professor da Trevisan Escola de Negócios


Imprensa - SEESP




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