GRCS

Mostrando itens por marcador: EPL

Criada em agosto de 2012 com o objetivo de estruturar e qualificar - por meio de estudos e pesquisas -, o processo de planejamento integrado de logística no país (interligando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias), a Empresa de Planejamento e Logística – EPL saiu do zero para enfrentar inúmeros desafios entre os quais estão levantar os gargalos da infraestrutura e preparar um plano de 20 anos que mostre quais ações serão necessárias para ter uma logística eficiente.

Ao fazer uma retrospectiva do primeiro ano da EPL, Figueiredo diz que não teve tempo para sentir tédio até o momento. "Estamos em processo contínuo de trabalho, analisando a consistência dos projetos, montando uma hierarquia e preparando as fases de investimentos para buscar as soluções dos pontos críticos”, comenta.

Segundo ele, atualmente 95% da produção brasileira é escoada pelas rodovias (com exceção de minério). "Estamos ouvindo os embarcadores para ter informações sobre suas necessidades e o mesmo faremos em relação aos aeroportos para simular onde estão os gargalos e resolvê-los. Em valores, contrataremos R$ 420 bilhões até 2015. Em 2013 investiremos R$ 180 bilhões, em 2014 serão R$ 120 bilhões e em 2015 mais R$ 120 bilhões para resolver os problemas estruturais”.

NT Expo
Entre 5 e 7 de novembro próximo, acontece a NT Expo – Feira Negócios nos Trilhos (NT 2013), 16ª Feira Negócios nos Trilhos, que na edição 2013 terá como eventos paralelos a Rail Brazil Tech & Summit, ConstruRail, Rodadas de Negócios, Fórum UIC South América e Auditórios Comerciais - faz parte do portfólio de eventos de transportes da UBM Brazil. A 16ª Edição está com mais de 80% da área disponível para exposição comercializada, deve receber cerca de 9.500 visitantes e 200 expositores de 20 países. Uma realização da UBM Brazil.

A distribuição desse total e sua aplicação foram apresentadas pelo presidente da EPL (Empresa de Planejamento e Logística), Bernardo Figueiredo. Em entrevista ao Engenheiro, esse economista formado pela Universidade de Brasília destacou que a maior parte será investida em ferrovias. Ex-diretor da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), ele apontou a necessidade de participação da iniciativa privada e de planejamento das inversões, dado passivo de R$ 500 bilhões no setor. E foi categórico: “Precisamos modernizar a infraestrutura para dar ganho de escala à produção.”

O que está previsto em termos de investimentos em logística para os próximos anos?
Bernardo Figueiredo –
No Programa de Investimentos em Logística, anunciado em agosto de 2012, estão previstos R$ 240 bilhões de investimentos privados em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e com o projeto do TAV (Trem de Alta Velocidade) durante os anos de concessão. Após quase um ano, o governo está finalizando os estudos, com a realização de audiências públicas, para encaminhar ao TCU (Tribunal de Contas da União). Depois da liberação do tribunal, esses projetos serão licitados. A ideia é realizar todos os leilões de rodovias e ferrovias até dezembro de 2013. Em setembro, o governo vai licitar a primeira etapa do TAV. Portos e aeroportos (Galeão e Confins) também devem ser licitados este ano.

Qual o montante destinado a cada área?
Bernardo Figueiredo –
O Programa de Investimentos em Logística veio para ampliar a participação no volume de carga nas ferrovias, cujo investimento será de R$ 91,1 bilhões, sendo R$ 56 bilhões nos primeiros cinco anos. Serão construídos mais 10 mil quilômetros que vão integrar as rodovias, ferrovias e portos. Além disso, na duplicação de 7.500km de rodovias, serão R$ 42 bilhões, sendo R$ 23,6 bilhões nos primeiros cinco anos; na remodelação e arrendamento de 150 terminais portuários, estão estimados R$ 20,2 bilhões; nos TUPs (terminais de uso privado), R$ 30,6 bilhões; no Plano Nacional de Dragagem II, R$ 3,8 bilhões; nos aeroportos do Galeão (RJ) e Confins (MG), R$ 11,4 bilhões, e na primeira fase de modernização de 270 regionais, R$ 7,3 bilhões. Na etapa inicial do TAV Rio de Janeiro-São Paulo-Campinas, serão R$ 7,7 bilhões (preços de dezembro de 2008).

Por que há necessidade de concessões à iniciativa privada, quais os critérios e as garantias de atendimento do interesse público?
Bernardo Figueiredo –
É preciso planejar o crescimento da infraestrutura logística em longo prazo e investir pesadamente no setor para superar os gargalos hoje existentes. O Estado está investindo, mas não tem condições de, sozinho, cobrir o passivo estimado em R$ 500 bilhões. Por isso, são fundamentais os investimentos da iniciativa privada.

Como vão funcionar essas concessões?
Bernardo Figueiredo –
Em rodovias, o prazo será de 30 anos, a taxa de retorno do projeto será de 7,2% ao ano e a alavancada, 15%; em ferrovias, 35 anos, a taxa de projeto, 6,5%, com expectativa de revisão, e a alavancada, 16%; em portos, o prazo será de 25 anos, renovável uma única vez, e a taxa, 8,3%, podendo variar de acordo com a modelagem e ser revisada. Para esse último, o critério de licitação será maior movimentação com menor tarifa. Aos TUPs, cujo prazo também será de 25 anos, mas renováveis sucessivamente, o critério será autorização precedida de chamada pública e o fim da diferenciação entre carga própria e de terceiros. No Plano Nacional de Dragagem II, deve ser feito aprofundamento e manutenção do canal de acesso, bacia de evolução e berços. O contrato é de dez anos, em blocos. Para o Galeão e o Confins, será exigida experiência mínima do operador de 35 milhões de passageiros/ano. Sua participação mínima no consórcio será de 25% e da Infraero (Empresa Brasileira de Aeronáutica), 49%. O leilão terá como critério maior proposta econômica apresentada. Para aeroportos regionais, além dos 270 previstos na primeira fase de investimentos, a meta é fortalecer e estruturar a rede de 689 deles. A concessão administrativa será em parceria com estados e municípios. Ao TAV, cujo início da operação comercial deve se dar em julho de 2020, o prazo será de 40 anos (contrato de transferência de tecnologia). A EPL participará com 45% no capital da SPE (Sociedade de Propósito Específico). A tarifa teto será de R$ 200,00 (econômica Rio-São Paulo), com pagamento mínimo de R$ 70,31 por trem/km (preços de dezembro de 2008).

Para além do Programa de Investimentos em Logística, qual a necessidade para se alcançar o resultado esperado?
Bernardo Figueiredo –
São mais de 30 anos sem investimentos de peso na área, por isso o Brasil acumula um déficit de infraestrutura que estimamos em R$ 500 bilhões. Precisamos modernizar a infraestrutura para dar ganho de escala à produção. Hoje o Brasil não produz mais porque não tem infraestrutura. A EPL também está preparando uma Pesquisa de Origem e Destino de cargas e passageiros no País, que deverá ficar pronta em 2014 e possibilitará conhecer o mercado e essa movimentação. O governo quer fazer uma ação contínua para evitar as crises de logística. Os projetos não se esgotam nesse programa. Para isso, a EPL foi criada em agosto de 2012, com o objetivo de fazer um planejamento e realizar estudos para ampliar a integração dos modais e tornar o País mais competitivo. (Por Soraya Misleh)

 

Fonte: Jornal “Engenheiro”, da FNE, Edição 133/JUN/2013

agenda