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Com seis décadas de existência, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) tem sido um parceiro constante do sindicalismo brasileiro. Em 2015, ajudou a formatar o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) e o movimento “Compromisso pelo Desenvolvimento”. Ao avaliar o ano de 2015, seu diretor-técnico Clemente Ganz Lúcio observa que “frente ao desemprego, a primeira reação do movimento sindical foi defensiva, buscando preservar postos de trabalho e evitar queda salarial dos que ficaram empregados”. Além das tarefas na base, o sindicalismo cobrou do governo medidas efetiva pró-emprego.


Foto: Dilvugação
Clemente Dieese 
Retomada do crescimento não pode esperar mais, diz Clemente

 

“O PPE vinha sendo proposto há tempos pelo Dieese. Foi uma iniciativa importante ante a ameaça ao emprego, mas ainda assim no campo defensivo”, diz. Segundo ele, insuficiente para enfrentar a crise, o que, em sua opinião, requer decisões políticas e medidas pontuais, distantes do ajuste fiscal.

Ainda no ano passado, o sindicalismo produziu várias ações propositivas e esse padrão deve prevalecer. “É muito importante o ‘Compromisso pelo Desenvolvimento’, que reúne centrais e entidades empresariais e também tem a nossa participação”, afirma Clemente. A retomada do crescimento é pra ontem. Para ele, “a extensão da crise agrava todos os problemas e tira eficácia mesmo de medidas propositivas, além do que pode estimular ações mais duras contra o trabalhador”.

Reformas
O Brasil não aproveitou o ciclo de crescimento nos governos Lula e Dilma para fazer as reformas rumo ao desenvolvimento. “A própria reforma tributária, com maior taxação dos ricos, não andou e aí acabaram prevalecendo políticas liberais de ajuste”, avalia o diretor-técnico do Dieese.

Para Clemente, 2016 exigirá permanente mobilização sindical e diálogo por parte do governo e no âmbito das instituições do Estado – ele vê com bons olhos o resgate do “Conselhão”. Ele diz: “espero uma postura que possa propiciar ao governo e à sociedade canais para um diálogo constante e consistente, o que não ocorreu até agora”.

 

 

Edição Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP
Com informação da Agência Sindical

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A construção de um país sério é também a construção das suas instituições. Povo forte, instituições sólidas. País fraco, instituições e entidades frágeis, descontinuadas e sem credibilidade.

Nesse sentido, o Dieese merece ser louvado e aplaudido. A instituição, criada em 22 de dezembro de 1955, por um grupo de Sindicatos, cresceu, se firmou, agregou excelência técnica, ampliou dimensão política, expandiu sua assessoria e fortaleceu a prestação de serviços.

Sinceramente, nenhum de nós imaginaria o Brasil moderno e, em particular, o sindicalismo nacional sem a companhia do Dieese. Aqui mesmo na Agência Sindical, o Dieese é presença constante, como base de informações, fonte de consulta e orientação para nossas publicações. Registro que Clemente Ganz Lúcio, seu qualificado diretor-ténico, é colunista deste Repórter Sindical.

Sábado (28), eu entrevistava Antonio Rogério Magri sobre os 60 anos da instituição. E ele, sempre muito perspicaz, fazia observações interessantes. O ex-ministro do Trabalho apontava a original engenharia interna do Dieese, que combina, de forma harmônica, direção técnica e direção política.

Para Magri, essa relação equilibrada e dinâmica contém uma das explicações para a longevidade e credibilidade do Dieese. Magri ressalta a conduta dos técnicos da entidade, que, em sua opinião, influem nas direções sindicais com a qualidade da assessoria, sem nunca querer dirigir diretorias.

Vale, a título de informação, navegar pelo site do Dieese e constatar a enorme quantidade de serviços prestados, sempre com qualidade e credibilidade. Ninguém ousaria duvidar do ICV Dieese. Tampouco contestar o valor do salário mínimo. Aliás, a expressão “salário mínimo do Dieese” já faz parte do vocabulário sindical e do mundo do trabalho.

Nesta semana, e até 22 de dezembro, a Agência Sindical vai tratar várias vezes do Dieese, que realiza importante Seminário Internacional quinta (3) e sexta (4). Vamos entrevistar sindicalistas, antigos dirigentes do Departamento e atuais integrantes, a fim de repercutir devidamente suas ações. Também pretendemos levantar programas de TV e vídeos que temos sobre e com gente do Dieese e replicar por meios dos nossos veículos.

Tomo, aqui, a liberdade de sugerir aos colegas da imprensa sindical que repercutam o Dieese daqui até o final do ano, levando para o conjunto das direções e para as próprias categorias representadas a real dimensão dessa instituição que o sindicalismo ousou criar, manter e bem utilizar ao encontro dos interesses maiores da classe trabalhadora e do Brasil.

Saúdo o Dieese pelos seus 60 anos, certo de que uma instituição com essa história, essa folha de serviços e esse compromisso faz bem ao sindicalismo, ao trabalhador e à Nação brasileira. Longa vida ao Dieese e que o sindicalismo, cada vez mais, saiba valorizar o conhecimento que organiza e a assessoria que não vende ilusões a ninguém.

 

 

* João Franzin é jornalista e diretor da Agência Sindical

 

 

 

 

 

 

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acaba de produzir a Nota Técnica nº 151, com 11 páginas, resgatando a história dos sindicatos e da mobilização sindical dos trabalhadores e como tudo isso significou ações e lutas fundamentais para a conquista de vários direitos trabalhistas, hoje garantidos a todos e todas.

Conforme o documento: “Os sindicatos são organizações de representação dos interesses dos trabalhadores, criadas para compensar o poder dos empregadores na relação contratual sempre desigual e reconhecidamente conflituosa entre capital e trabalho. Nascem na primeira metade do século XIX, como reação às precárias condições de trabalho e remuneração a que estão submetidos os trabalhadores no capitalismo.

Ao final do século XIX, os sindicatos obtiveram reconhecimento institucional nos principais países industrializados. Desde então, têm exercido papel fundamental na organização da classe trabalhadora para a luta por uma sociedade justa e democrática, pressionando pela ampliação dos limites dos direitos individuais e coletivos ainda hoje estreitos em muitos países, entre os quais o Brasil.

Um dos marcos do reconhecimento da importância das organizações sindicais ocorreu em 1919, logo após a 1ª Guerra Mundial, com a criação da Liga das Nações, entidade tripartite que deu origem à Organização Internacional do Trabalho (OIT). Nos documentos e convenções da OIT, são reconhecidos o direito de sindicalização, o direito de negociação coletiva e o direito de greve, instrumentos de afirmação dos interesses dos trabalhadores e do poder sindical. Também a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, reconhece esse direito fundamental no Artigo 23, que estabelece: “Toda pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses”.

São resultado da ação organizada dos trabalhadores importantes avanços sociais, entre os quais se destaca a redução gradual da jornada de trabalho, de um total de até 16 horas, no século XVIII, para as atuais 8 horas ou menos, na maioria dos países.

As experiências vividas pelos países nórdicos e da Europa Ocidental, onde se atingiu o patamar civilizatório mais desenvolvido no sistema capitalista, resultaram de lutas e negociações entre sindicatos, entidades representativas de empregadores e governos, evidenciando que uma dimensão indispensável da democracia é a existência de um Sistema de Relações de Trabalho democrático, tanto mais avançado e duradouro quando constituído por agentes legítimos e representativos.

No Brasil, os sindicatos são atores sociais que reivindicam e organizam a classe trabalhadora no contexto de uma democracia representativa e também participativa, como previsto na Constituição Federal de 1988.

Nas últimas décadas, o Movimento Sindical brasileiro, além da organização e defesa dos direitos da classe trabalhadora, tem exercido um importante papel na vida política nacional. Destaca-se sua atuação no combate à ditadura e na luta pela redemocratização do país, nas campanhas pela anistia, pelas eleições diretas para presidente da República e pela convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

A atuação dos sindicatos nos Comitês Pró-Participação Popular na Constituinte contribuiu decisivamente para que a Constituição de 1988 reservasse todo o Artigo 7º, com 34 incisos, aos direitos dos trabalhadores, ali reconhecidos como fundamentais.”

* Para ler o trabalho na íntegra clique aqui.




Imprensa SEESP









As centrais sindicais e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) vão iniciar um amplo movimento anticrise, pela retomada do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e pela volta do crescimento da economia. A primeira reunião acontece nesta segunda-feira (9/11), na sede do Dieese, na Capital paulista.

A Agência Sindical ouviu o dirigente metalúrgico Miguel Torres, presidente da Força Sindical. Ele vê uma combinação de fatos que agrava a crise e prejudica principalmente os trabalhadores. “Crise econômica, confusão política, Lava-Jato, juros altos – tudo junto”, relaciona.

Além dos sindicalistas e do Dieese, a ideia é agregar empresários e órgãos do governo. “Queremos entender esses acordos de leniência e propor que, sem prejuízo das investigações, as empresas não parem. O que não pode é paralisar cadeias produtivas inteiras, como construção pesada e petróleo e gás, porque isso está paralisando o Brasil”, defendeu o sindicalista.

Emprego
O foco principal do movimento será a preservação dos empregos com a retomada do crescimento. Mas há preocupação, também, com a desnacionalização da indústria. “Na construção pesada, por exemplo, as chinesas já estão chegando. E outros segmentos passam para controle estrangeiro. Isso empobrece a Nação”, alerta Torres.


 

Fonte: Agência Sindical








O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) elaborou, por solicitação da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) e União Geral dos Trabalhadores (UGT), cartilha sobre o Programa de Proteção do Emprego (PPE). Leia, a seguir, a introdução ao trabalho:



PPEIlustração da cartilha do Dieese
 

“O emprego é o principal patrimônio do trabalhador e gerar empregos é um dos principais objetivos da economia. Com os salários, os trabalhadores e suas famílias dinamizam a produção de bens e serviços, animam a demanda para as empresas e favorecem o crescimento econômico. O Estado, por sua vez, arrecada os impostos, faz os investimentos públicos e presta serviços públicos (saúde, educação, segurança, habitação, saneamento etc.) para toda a sociedade.”

As políticas públicas de emprego, trabalho e renda têm a missão de apoiar a promoção de empregos, especialmente pelo investimento em infraestrutura econômica e social, bem como proteger os postos de trabalho. No Brasil, temos um complexo e universal sistema de seguridade social que inclui a saúde, a assistência social e a previdência. No campo do trabalho, nosso sistema público não é prioritariamente focado na proteção do emprego. Se, de um lado, o seguro-desemprego, por exemplo, é um importante instrumento de proteção diante da demissão, é preciso ainda criar instrumentos que evitem ou impeçam o  desemprego. Políticas voltadas para reduzir a informalidade e a rotatividade são exigências para o desenvolvimento de um sistema público voltado efetivamente para proteger o emprego.

Com o apoio de diversas entidades sindicais e após muita negociação, o governo federal encaminhou ao Congresso a regulamentação de um instrumento de uso voluntário por parte das empresas, dos sindicatos e dos trabalhadores, para evitar as demissões em situações de crise. Esse instrumento é o PPE (Programa de Proteção do Emprego), que será apresentado nesta cartilha.

O PPE é um instrumento de defesa do emprego e pode ajudar a combater crises gerais da economia na medida em que preserva a renda do trabalho, o consumo das famílias, a receita do Estado e minimiza a depressão que abate o trabalhador, as empresas, as famílias e a sociedade.

O movimento sindical, que tem entre as bandeiras e lutas a superação de crises, como a que o Brasil enfrenta neste momento, entende, no entanto, que esse instrumento não é suficiente para transpor e vencer a conjuntura atual. O enfrentamento desse tipo de crise exige uma vigorosa atuação do Estado e do governo, com a implementação de políticas que promovam um movimento contrário à recessão e à queda do nível de atividade econômica. Para isso, é preciso uma política econômica de transição rápida, visando à retomada do crescimento, aumento do investimento público e privado, crédito com juros adequados e queda da taxa básica de juros, políticas de apoio ao desenvolvimento produtivo em todos os setores, uma política fiscal que sustente o investimento e a demanda. Por isso, é urgente uma mudança substantiva da atual política econômica para que o Brasil volte a crescer para sustentar as políticas distributivas que combatem as graves desigualdades do país.”

* Confira, aqui, a cartilha na íntegra



Imprensa SEESP









É responsabilidade constitucional do governo federal, dos governos estaduais e municipais a elaboração e o encaminhamento ao legislativo do planejamento estratégico governamental. O instrumento é o PPA (Plano Plurianual), agora enviado ao Congresso pelo governo federal, para o período de 2016 a 2019, no qual são definidos objetivos, diretrizes, programas, políticas e ações, bem como as fontes de financiamento e o orçamento que sustentarão o Plano.

O governo fez um amplo processo de consulta e participação social na elaboração do PPA, que já está no Congresso para apreciação pelos parlamentares na Câmara e Senado.

A visão de futuro do País que queremos – um país desenvolvido que promova bem-estar social e qualidade de vida para todos, em equilíbrio com o meio ambiente – exige caminhos que precisarão ser trilhados por meio de transformações econômicas, mudanças políticas e avanços sociais. O PPA 2016-2019 propõe quatro grandes caminhos, denominados eixos estratégicos, que são:

• Educação de qualidade, como caminho para a cidadania e o desenvolvimento social e econômico;

• Inclusão social e redução das desigualdades, com melhor distribuição de oportunidades e mais condições de acesso a bens e serviços públicos de qualidade;

• Ampliação da produtividade e da competitividade da economia, com fundamentos macroeconômicos sólidos, sustentabilidade e ênfase nos investimentos públicos e privados, especialmente em infraestrutura;

• Fortalecimento das instituições públicas, com participação e controle social, transparência e qualidade na gestão.

Esses grandes eixos mobilizadores devem reunir as forças sociais para promover grandes travessias, mudanças que alcem o Brasil à condição de país desenvolvido. Para isso, o PPA detalha inúmeras políticas, ações e objetivos a serem alcançados nos próximos quatro anos.

Há uma questão central para a promoção do desenvolvimento econômico e social, que é aumentar a produtividade do trabalho e de toda a economia. Quatro vetores devem conduzir esse processo:

(a) O aumento do investimento público e privado, especialmente em infraestrutura econômica (estradas, portos, energia, aeroportos etc.), social (creche, escola etc.), urbana (habitação, saneamento, despoluição dos rios, mobilidade etc.) e produtiva (ampliar e modernizar plantas e processos de trabalho);

(b) Aumentar o investimento em educação (básica, profissional e universitária), com foco na qualidade do ensino;

(c) Incentivar e promover a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico, a inovação no chão das empresas, além da difusão entre os setores, dentro de cada setor e entre as empresas e organizações;

(d) Modernizar o Estado, realizando reformas institucionais que simplifiquem e promovam a progressividade tributária, desburocratizem e agilizem a administração pública e as obrigações das empresas e do cidadão, aperfeiçoem a regulação dos mercados, entre outros.

O desafio é aumentar a efetividade de cada uma dessas diretrizes. Para isso, pode concorrer a participação social, propondo medidas, cobrando a implantação das ações e mensurando os resultados. É fundamental também criar compromissos entre os atores sociais com as mudanças, com o debate público e com as difíceis escolhas que esses desafios exigirão.

 

* Clemente Ganz Lúcio é diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

 

 

 

 

 

 

Estima-se em mais de 200 milhões o número de pessoas que estão desempregadas no mundo, resultado que inclui os mais de 30 milhões de trabalhadores desocupados depois da crise de 2008. Tratam-se de estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no estudo “Perspectivas Sociais e do Emprego no Mundo” (www.ilo.org).

Para atender aos que começam a buscar uma ocupação, entre eles os jovens que atingem a idade adulta, ou responder à maior participação das mulheres no mercado de trabalho, a economia mundial precisa criar mais de 40 milhões de postos por ano. Trata-se de um enorme desafio, porque isso requer sustentar uma taxa de crescimento econômico que amplie a capacidade produtiva global (mais empregos com maior produtividade) para atender a demanda de consumo dos mais de 7 bilhões de habitantes do planeta.

Para que isso ocorra é preciso que a dinâmica do consumo das pessoas, das empresas e dos governos amplie a demanda da produção de bens e serviços. No caso da maioria das pessoas em idade adulta, a capacidade de consumo é majoritariamente decorrente dos empregos e do poder de compra dos salários ou dos benefícios da aposentadoria. Quando os postos de trabalho são fechados e os salários são arrochados, as pessoas e famílias perdem capacidade de consumo, o que rebate diretamente sobre a demanda, reduzindo o nível de atividade das empresas e gerando ociosidade da capacidade instalada das plantas empresariais, o que gera ondas de demissões e alimenta um dramático ciclo recessivo. Da mesma maneira, por exemplo, a queda do consumo faz cair a receita do Estado, que arrecada menos impostos e reduz a capacidade de gastos correntes com as políticas públicas de investimentos. A OIT estima que o desemprego, o arrocho dos salários, os empregos precários e a informalidade retiram da economia uma demanda potencial equivalente a US$ 3,7 trilhões, perda correspondente a 2% do consumo global e de 1,2% da produção mundial.

Além do desemprego, observa-se que ocorrem mudanças profundas nas relações de trabalho, com o crescimento dos empregos em tempo parcial, das ocupações precárias e da informalidade. Há um movimento mundial que amplia a insegurança e a precarização no mundo do trabalho. Em boa parte dos 90 países pesquisados pela OIT, cerca de 75% dos trabalhadores estão ocupados em empregos precários, em tempo parcial, sem contrato de trabalho e na informalidade.

Nessa dinâmica, há aumento da desigualdade e crescimento da pobreza. Contraditoriamente, a educação e o conhecimento científico se ampliam e transformam-se em novas tecnologias e inovação, que aumentam a produtividade e esta não para de crescer, na contramão dos salários, que não param de cair. A desigualdade cresce em um mundo de abundância!

Entendemos que o objetivo da política econômica é gerar empregos para produzir os bens e serviços para promover o bem-estar, a qualidade de vida e a sustentabilidade ambiental. Essa é uma forma de conceber a economia, sentido este sempre em disputa na sociedade.

O desafio para os trabalhadores é, de maneira insistente e indelegável, recolocar o trabalho na centralidade da política econômica, tarefa que requer muita luta e capacidade de disputa no campo da economia política. No Brasil, nossa tarefa é construir uma rápida transição para o crescimento econômico baseado na combinação entre o investimento e o incremento e a repartição da produtividade, ampliando, por meio do emprego, a melhor distribuição de renda, a inclusão social e econômica e o mercado interno de consumo. Sem dúvida, não há mágica. Somente muito trabalho para gerar renda e riqueza e muita força política e disposição de luta para criar regras que distribuam os resultados de maneira justa e igualitária.



* por Clemente Ganz Lúcio, sociólogo, diretor-técnico do Dieese e membro do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social)










O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) promove, nos dias 18 e 19 de junho, às 9h, em São Paulo, o seminário internacional Saúde, trabalho e ação sindical. As inscrições devem ser feitas até o dia 15 próximo, pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. As apresentações internacionais serão traduzidas simultaneamente. Será fornecido certificado de participação.

A entidade também lançou, em maio último, um estudo com pesquisa inédita elaborada pelo Dieese, com o objetivo de analisar o conteúdo das cláusulas negociadas e das reivindicações de greves que abordam o tema saúde do trabalhador.

O Dieese realiza assessoria, pesquisa e formação sobre saúde do trabalhador desde 2008, por demanda da direção sindical, o que resultou em processo sistemático de incorporação do tema às atividades realizadas pela entidade.

Em 2010, o Fórum Nacional das Centrais Sindicais sobre Saúde do Trabalhador (FNCSST) se formou a partir da pesquisa-formação realizada pelo Dieese.

A produção e a realização desse conjunto de atividades levaram a entidade a criar o programa “Saúde, Trabalho e Ação Sindical”. Para a construção desse programa foi necessário definir a maneira como o Dieese iria abordar a temática da saúde do trabalhador. Isto é, a partir de qual concepção de saúde? De qual compreensão da relação entre saúde e doença? De qual olhar para a relação entre trabalho e saúde? Como contribuir para a ação sindical nos mais diversos espaços de atuação? Quais as informações necessárias?

Ao final, a principal ideia resultante dessa construção é que a possibilidade de a ação sindical intervir, efetivamente, nos determinantes do adoecimento está relacionada, diretamente, à sua capacidade em intervir no trabalho, ou seja, na organização do local de trabalho. Mas, o que significa intervir no trabalho? Significa agir em relação às suas diversas dimensões: condições organizacionais e físicas do trabalho; situações de trabalho; relações de trabalho; formas de gestão; ambiente de trabalho, entre outros.

* Leia o estudo, na íntegra, aqui.




Edição Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP
Com informação do Dieese

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em sua análise conjuntural, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) informa que, após atribulados 100 dias, 2015 parece começar a se definir pela estagnação econômica e pela continuidade da instabilidade política. O ajuste fiscal proposto pelo governo federal provavelmente será aprovado no Congresso com algumas modificações, mas não haverá alteração na essência. As medidas contidas no ajuste têm como objetivos reduzir a dívida pública bruta federal, diminuir o déficit externo e conduzir a inflação para o centro da meta, em 2016.

Em seu boletim, a entidade observa que “sabe-se que para estabilizar e reduzir a dívida pública é preciso, além de cortar gastos, aumentar as receitas, a fim de gerar poupança (superávit primário), necessária para fazer frente às despesas com os juros da dívida que, por sua vez, aumentam com a elevação da taxa básica de juros (taxa Selic), utilizada para conter a inflação. Quando o governo corta gastos, os investimentos públicos são reduzidos, fazendo com que os investimentos totais na economia encolham e o crescimento seja comprometido, tendo como consequências imediatas o desemprego e a queda da arrecadação de tributos”.

E explica: “Aqui há dois movimentos que tendem a aprofundar a crise: queda de arrecadação e desemprego. Do lado da receita, o ajuste caminhou na direção de aumentar alíquotas de alguns tributos (IOF, Cide e IRPF) e contribuições sociais (PIS/Cofins).”

Já do ponto de vista estritamente contábil, prossegue na análise, a equação estaria resolvida, pois tanto os cortes de gastos (nas políticas públicas e nos investimentos) como os aumentos de receitas (impostos e contribuições) gerariam sobras de caixa (poupança pública) suficientes para um superávit primário que manteria a dívida pública sob controle. Ocorre que a política monetária posta em prática colide com as medidas de política fiscal adotadas. Isto é, a sobra de caixa, obtida com a redução de gastos e aumento de receitas, não é suficiente para fazer frente ao aumento das despesas financeiras derivadas do aumento da taxa de juros que incide sobre a dívida pública. A cada ponto percentual de aumento da taxa Selic, o gasto com a rolagem da dívida aumenta em cerca de R$ 20 bilhões.  Confira a íntegra da análise aqui.

 


 

Imprensa SEESP
Fonte: Dieese







Temos pela frente um tempo de adversidades, em que o movimento sindical deve unir forças para lutar pela retomada do crescimento com geração de emprego e aumento dos salários.

Depois de uma década, o desemprego volta a atormentar a vida dos trabalhadores. Sem crescimento econômico, não há geração de emprego. O Brasil, a sétima maior economia do mundo, enfrenta dificuldades para sustentar o crescimento por meio do aumento dos investimentos, do incremento geral da produtividade e da agregação de valor na produção de bens e serviços.

Os indicadores de mercado de trabalho indicam crescimento expressivo da taxa de desemprego, comparada com os mesmos meses de anos anteriores.

Na Região Metropolitana de São Paulo, o desemprego aumentou pelo terceiro mês consecutivo, passando de 11,4%, em março, para 12,4%, em abril. No mesmo mês de 2014, a taxa foi de 11,6%. Outro dado preocupante é a queda dos rendimentos médios dos ocupados: -1,8%, entre fevereiro e março. Entre março de 2014 e 2015, a redução foi de -8,7%.

Ao mesmo tempo em que há queda nos ganhos médios dos trabalhadores, ocorre ainda redução na massa de rendimentos, de 8,7%, para ocupados e de 8,1% para assalariados – resultado da combinação da diminuição de rendimentos e do aumento do desemprego.

O quadro também apresenta dados negativos no caso do Caged, registro administrativo do MTE, que apresentou um resultado negativo que indicou o fechamento de quase 100 mil postos de trabalho formais em abril e queda dos rendimentos.

Esse movimento tende a se agravar ao longo do ano. A expectativa é de uma “tempestade perfeita”, em que ajuste fiscal, pressão inflacionária, política monetária restritiva, falta de água no Sul e, sobretudo, no Sudeste, e excesso no Norte e em alguns estados do Nordeste, Operação Lava Jato, entre outros, contribuem para queda no nível de atividade econômica e uma recessão que pode chegar a um PIB negativo de 2% neste ano e baixíssimo crescimento em 2016.

Nesse cenário, as medidas de ajuste fiscal alteram as regras de acesso ao sistema de proteção, especialmente no que se refere à situação de desemprego. Ainda não há um instrumento adequado para garantir o emprego e evitar demissões, em situações adversas.

Diante do infortúnio de desemprego, que sempre atinge primeiro os trabalhadores que ocupam cargos que exigem menor nível de especialização (assistentes, ajudantes, auxiliares, serventes), os mais jovens, milhares deixarão de ter acesso ao sistema de proteção que o seguro-desemprego propicia ou terão reduzido ou impedido o direito à renda oferecida pelo abono salarial.

No momento em que o trabalhador mais precisa de proteção social do Estado e a economia mais necessita de renda preservada pelo emprego, o País escolhe caminhos e faz mudanças que agravam problemas.

O cenário de recessão, desemprego e queda dos salários coloca constrangimentos reais aos processos negociais. Sem dúvida, o movimento sindical deverá encarar com prioridade a preservação dos empregos, pleiteando a adoção de medidas que visem preservá-los. Temos pela frente um tempo de adversidades, em que o movimento sindical deve unir forças para lutar pela retomada do crescimento com geração de emprego e aumento dos salários.

 

 

* por Clemente Ganz Lúcio, sociólogo, diretor técnico do Dieese e membro do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social)








A reportagem do JE na TV desta semana aborda um dos pontos do levantamento feito pelo Dieese, sobre o Perfil Ocupacional dos Profissionais de Engenharia, o da engenheira. De acordo com o órgão, houve uma expansão do emprego para a categoria acima da média nacional. Em termos relativos, a presença feminina superou a masculina: 128% e 77%, respectivamente.

Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho, em 2003, no Brasil, as engenheiras eram 16,8% do mercado e recebiam 70% do salário pago aos homens; em 2013, passaram para 20,6% e a diferença na remuneração caiu para 21%.

No entanto, ainda falta muito para alcançar a igualdade de gênero. Em uma análise mais qualitativa, verificou-se que as mulheres ainda não ocupam cargos de chefia.

Confira a íntegra do estudo do Dieese aqui

Assista a íntegra da reportagem:






Imprensa SEESP






O Jornal do Engenheiro (JE) na TV traz, esta semana, uma entrevista especial e esclarecedora com o técnico do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese), Clemente Ganz Lúcio. Segundo ele, a agenda pós-eleição é recuperar a capacidade de investimento do Estado. Ganz observou que, ao contrário do que ocorreu na Europa onde os governos implantaram políticas econômicas ortodoxas, cujos resultados foram desemprego, arrocho salarial e perda de direitos, o Brasil fez o caminho oposto, apostando numa política expansionista que significou o aquecimento do mercado interno, gerando emprego, salário e crédito.


Foto: Reprodução do JE na TV
Dieese JEnaTVClemente Ganz Lúcio, à direita, fala sobre os avanços e os desafios da economia do País
 

Para ele, o desafio do novo governo, tendo à frente a presidente Dilma Rousseff, é o planejamento e articulação de uma política industrial mais ousada e conferindo um olhar mais especial as micro e pequenas empresas. Essas, informa, são responsáveis, no País, por 60% dos empregos formais e 40% da massa salarial gerada pelo trabalho assalariado.

O programa traz uma matéria sobre o processo seletivo em andamento do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec) para a primeira turma do curso de Engenharia de Inovação, cujas aulas começam em fevereiro de 2015. Já o quadro “No Ponto”, o presidente do SEESP, Murilo Celso de Campos Pinheiro, ressalta a importância de o País ter passado por mais um processo democrático, culminando, no dia 26 último, com a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Segundo o dirigente, Dilma precisa enfrentar a desindustrialização com firmeza e garantir que o Brasil ofereça mais oportunidades de trabalho a todos, lutando por uma sociedade mais justa.

Confira essas e outras atrações no JE na TV que é exibido às segundas-feiras, às 19h30, na Capital paulista, nos canais 9 (NET), 72 (TVA) e 186 (TVA Digital) ou pela internet  no mesmo dia e horário neste link. O programa é transmitido para mais 40 municípios paulistas e de outros estados conforme grade variada, confira aqui.


 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP










O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) assinaram, em início de outubro, parceria que pretende transformar os dados do governo para a área do trabalho, emprego e renda em subsídios para a formulação e avaliação de políticas públicas. O projeto tem nove eixos de atuação e integra o plano de modernização do MTE, envolvendo as secretarias nacionais de Políticas Públicas de Emprego (SPPE), de Economia Solidária (Senaes) e de Relações do Trabalho (SRT).

Segundo o ministro Manoel Dias, o trabalho vai contribuir para avaliação mais profunda das políticas públicas em andamento e apontar caminhos para os investimentos do governo nos próximos anos. “O Dieese vai trabalhar as informações que possuímos e nos apresentar indicadores e novos caminhos para novas ações”, explicou. Todo o cronograma do trabalho e as áreas de inserção foram debatidos e construídos em conjunto entre as secretarias do MTE e os técnicos do departamento.

Entre os nove eixos de atuação da parceria estão a produção de estudos e pesquisas sobre o mercado de trabalho e as políticas públicas de emprego, trabalho e renda e a construção e disseminação do Anuário do Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda e do Anuário dos Trabalhadores. Será implantado o Sistema de Informações Geográficas do Observatório do Trabalho Nacional (SIG-OT) e composta a análise do Perfil das Relações de Trabalho no Brasil.

Com o trabalho do Dieese e das secretarias do MTE será implantado também o Observatório Nacional da Economia Solidária e Cooperativismo e a Rede Nacional de Observatórios do Trabalho. Outras ações serão o fortalecimento da gestão do conhecimento do Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda e a divulgação, monitoramento e articulação das ações do convênio.

“O objetivo central da iniciativa é avançar no processo de criação de capacidade estatal para a gestão de políticas públicas, não só porque a sociedade brasileira cada vez mais demanda este compromisso, mas também porque o cenário atual, do ponto de vista dos indicadores do mercado de trabalho, permitem avançar em agendas voltadas à populações vulneráveis, reafirmando nosso compromisso com a geração de mais e melhores vagas de emprego”, acrescentou o ministro.


 

Fonte: Ascom MTE








Será lançada nesta terça-feira (5/8), às 15h, no auditório do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com o apoio da Fundação Friedrich Ebert (FES), a publicação "Rotatividade Setorial: dados e diretrizes para a ação sindical”.

A obra é resultado de uma série de seminários promovidos com entidades sindicais de trabalhadores bancários, da construção, do ramo metalúrgico, do comércio, de alojamento e alimentação e dos químicos. Os setores estudados recebem análise individual sobre a referente rotatividade, abordando também alternativas de enfrentamento.

Serviço
Rotatividade Setorial: Dados e Diretrizes para Ação Sindical
Data: 05/08/2014
Horário: 15h
Local: Rua Aurora, 957, Centro – SP



Imprensa SEESP







Considero que referenciar no padrão Fifa o imaginário da utopia da qualidade dos bens e serviços públicos que se busca no presente é subverter o sentido da transformação e dar-lhe um significado oposto. Trata-se de um atraso e de um equívoco!

Muitos lutam e trabalham para promover bem estar, qualidade de vida, melhor viver e sustentabilidade ambiental para todos. A igualdade é o sentido da direção para as transformações requeridas, cujo significado se materializa na justa distribuição da renda e da riqueza gerada pelo trabalho de todos. Há muito para ser feito e é muito bom que a sociedade manifeste o desejo de mudança. Aliás, não há avanço no sentido da igualdade sem luta social, sem uma sociedade civil determinada a cobrar de suas instituições a promoção concreta do significado da justa distribuição da renda e da riqueza.

As transformações históricas são construídas no presente contínuo do aqui e agora que se sucede, especialmente porque na luta já se deve anunciar e promover o conteúdo e a forma do novo que se quer promover. Esse novo conteúdo se expressa, por exemplo, nas práticas que investem para reunir forças sociais para mudar; no modo democrático como ocorrem os debates e os convencimentos expressos em acordos, deliberações ou escolhas pelo voto; na qualidade das ideias e do imaginário que antecipa o futuro querido e que faz da utopia uma força que nos mobiliza para construir a transformação.

A sociedade, no Brasil, mais uma vez acordou para as mazelas do país e passou a manifestar o desejo de mudança. Ótimo! Faz um ano que, para manifestar o significado do que se quer como qualidade do serviço e dos bens públicos, cunhou-se o bordão “eu quero padrão Fifa!”.

Considero que referenciar no padrão Fifa o imaginário da utopia da qualidade dos bens e serviços públicos que se busca no presente é subverter o sentido da transformação e dar-lhe um significado oposto. Trata-se de um atraso e de um equívoco!

Padrão Fifa significa uma institucionalidade marcada pelos meandros do poder dos grandes interesses financeiros e corporações, de conexões e ganhos ilícitos, de corrupção do privado e do público, algumas das mazelas já largamente denunciadas.

Padrão Fifa significa a ingerência sobre a soberania de estados e nações, com regras que violam a cultura, preceitos, regras, valores de diferentes sociedades. O interesse econômico subverte um encontro encantador entre nações por meio da prática de um esporte mágico que é o futebol, subvertendo a soberana oportunidade de um povo mostrar aos outros o seu jeito de ser feliz e de lutar, mesmo com suas contradições e mazelas.

Padrão Fifa significa transformar esse espaço de encontro, os estádios, em um espaço segregador e elitizado. Uma estética contrária ao encontro, cadeirinhas “bem comportadas”, destroem a nossa cultura de curtir a mágica do futebol em pé, na galera! Arena, esse infeliz nome, recupera a ideia da guerra, do sangue que corre pelas garras dos leões, da diversão oriunda do sofrimento e humilhação do outro.

Padrão Fifa significa excluir, pelos preços exorbitantes dos ingressos das “arenas”, a galera que sempre lotou os estádios. A alegria de ir ao estádio foi transformada em um negócio que exclui a maioria, mais uma vez colocados para fora de um espaço que era seu! Padrão Fifa significa exclusão.

Padrão Fifa significa colocar para fora dos estádios, e no seu entorno, todos aqueles que faziam do picolé, da pipoca, da água, do amendoim, da bandeira, o seu trabalho à serviço do lazer e da confraternização, do sofrimento e da alegria.

Padrão Fifa significa concordar com a mercantilização do futebol como máquina de fazer dinheiro – ou de lavá-lo – na qual elenco, comissão técnica e os times viram máquinas do marketing de consumo a serviço da desigualdade. É recorrente o salário de todos os jogadores de um time ser menor que o salário de um dos jogadores do time adversário. O ganho mensal de um craque é maior que o salário de toda uma vida de um trabalhador. Padrão Fifa é desigualdade sem fim!

Padrão Fifa significa construir uma estética nos estádios desconectadas da cultura e das condições econômicas da nossa sociedade, um padrão que não permite o acesso à todos, que não é passível de universalização, que não nos leva ao encontro do outro. Padrão Fifa elimina o valor das nossas diferenças para promover a iniquidade da desigualdade.

Seríamos mais felizes com o futebol sem o padrão Fifa!

Não quero esse padrão nem para escola, nem para a saúde, nem para o transporte coletivo, nem para nada! Quero um padrão que seja a nossa cara, que nos permita ter qualidade para todos, sem ser suntuoso e, muito menos, segregador. Quero um padrão que traga o sentido da igualdade e da qualidade como um valor manifesto substantivamente nos bens e serviços públicos.

Quero um padrão de bem público que nos leve ao encontro, que favoreça nosso relacionamento e que nos permita sermos diferentes – não desiguais - e, com os outros, felizes. Quero um padrão que nos faça criativos para superar nossas iniquidades. Quero um padrão que faça de cada criatura um criador, pelo que é, pelo que pode oferecer ao outro e ao país. Quero a descoberta, renovada a cada dia, de que a alegria é o contentamento compartilhado com o outro e que cada espaço deve ser construído com essa intencionalidade.

No padrão Fifa o outro não existe e sem ele não há alegria! Não quero o padrão Fifa! Usar esse bordão é destruir a minha (ou a nossa!) utopia!

Vou me divertir com a Copa. Vou torcer pelo Brasil, vou torcer pelo bom futebol, vou curtir o espetáculo e o encanto desse campeonato. Vou esquecer e ignorar a Fifa.

Depois, vou continuar lutando para avançar no legado da Copa!


* por Clemente Ganz Lúcio, sociólogo, diretor técnico do Dieese, membro do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social)












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