GRCS

Mostrando itens por marcador: Dieese

O Boletim Emprego em Pauta, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de agosto, compila dados de mercado de trabalho disponíveis deste ano. No primeiro semestre, o desemprego cresceu e o rendimento despencou.

ibge fotos publicas 600
 

Para os trabalhadores brasileiros tem sido uma maratona enfrentar as condições do mercado de trabalho do  País. No primeiro  semestre, o desemprego cresceu e o rendimento despencou, como mostram os resultados das principais pesquisas e  o  Cadastro  Geral  de  Empregados  e  Desempregados (Caged), registro administrativo do Ministério do Trabalho que acompanha a movimentação do mercado de trabalho.

Segundo   Pesquisa   Nacional   por   Amostra   de Domicílio Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de janeiro a junhode 2016, o número de desocupados no País teve  acréscimo de  2,5  milhões  de  pessoas.

A  estimativa  é  que  o número  de  pessoas  sem  ocupação  no  Brasil  tenha  atingido 11,6 milhões, no segundo trimestre, o que corresponde a 3,2 milhões de pessoas a mais do que no mesmo período de 2015. Do total de desocupados, quase metade (1,5 milhão) trabalhava antes com carteira assinada.

Outro  dado  da  Pnadc  mostra queda  do rendimento real médio habitualmente recebido pelo trabalhador brasileiro de -1,5% no segundo trimestre e de - 1,3% no acumulado do ano.

A  Pesquisa  de  Emprego  e  Desemprego,  realizada  pelo  DIEESE,  Fundação  Seade  e demais  parceiros,  também  indica  crescimento contínuo do  desemprego em  2016.  Das  localidades pesquisadas,  o  desemprego  não  aumentou  somente  na  Região  Metropolitana  de  Porto  Alegre.  Nas demais,  DF e regiões  metropolitanas  de  São  Paulo,  Salvador  e  Fortaleza, o desemprego  não  apenas subiu, como o crescimento registrado foi superior ao do início do ano anterior.

Pelos resultados da pesquisa, fica clara a diferença entre as taxas das regiões. Em junho de 2016, a taxa variou de 24,8%, em Salvador, a 10,3%, em Porto Alegre, onde se verificou o menor patamar de desemprego. Também destaca-se, nos resultados do semestre, a estabilização da taxa de desemprego, nas regiões de Porto Alegre e Fortaleza.

A PED também confirma redução do rendimento médio real dos ocupados em todas as regiões metropolitanas pesquisadas, entre maio de 2015 e maio de 2016. A maior queda ocorreu em Salvador (-11,1%) e a menor em Fortaleza (-3,0%).

A divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho (MTb) de junho indica a queima de cerca de meio milhão de postos de trabalho formais no primeiro  semestre  deste  ano.  Além  desse  resultado  negativo,  a  rotatividade  dos  trabalhadores  tem contribuído para a redução dos salários, já que o salário médio de admissão tem sido bem inferior ao dos trabalhadores desligados.

Os resultados mostrados revelam que, no segundo trimestre de 2016, o valor médio do  salário  de  admissão  correspondeu  a  aproximadamente  87%  do  valor  médio  dos  salários  dos desligados. Os dados desfavoráveis refletem a profunda crise política e econômica que se arrasta no país. É quase um desafio olímpico para os trabalhadores, que encaram uma maratona cotidiana para sobreviver.

Inúmeros outros obstáculos devem ser enfrentados no próximo período, pois um conjunto de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários também estão ameaçados no momento. Para responder a esses desafios, as Centrais Sindicais lançaram um documento apontando as principais lutas a serem travadas.

Pelo emprego e pela garantia de direitos
Em  julho,  as  centrais  sindicais  CUT,  Força  Sindical,  UGT, CTB, NCST e CSB se  reuniram  em assembleia e divulgaram um documento em que destacam como principais desafios da atualidade enfrentar o aumento do desemprego com redução dos salários e combater o desmonte das políticas sociais, especialmente da Previdência e da Seguridade Social.

Entre as medidas propostas pelas entidades estão:
Fortalecer as negociações coletivas;
Combater a flexibilização das relações trabalhistas
Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais;
Promover o fortalecimento do mercado interno;
Promover   o   crescimento   econômico   através   da   ampliação   do   financiamento   para investimentos  públicos  e  privados  em  infraestrutura, da  redução  da  taxa de  juros  e  de políticas públicas que deem sustentação ao setor produtivo.

As Centrais realizam na terça-feira (16/8), uma manifestação nacional, unificada, em defesa do emprego e das garantias de direitos da classe trabalhadora.




Fonte: Dieese




O custo dos alimentos básicos aumentou no mês de julho em 22 das 27 capitais, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Entre janeiro e julho de 2016, todas as cidades acumularam alta.


Foto: Site do Governo do MSFeijao encarece cesta basica


São Paulo foi a capital com o maior custo para a cesta (R$ 475,27). O trabalhador paulistano que ganha salário mínimo teve de trabalhar 118 horas e 49 minutos para comprar os itens da cesta, tempo maior que em junho (117 horas e 16 minutos).

No mês passado, o custo da cesta em São Paulo comprometeu 58,70% do salário mínimo líquido (após os descontos previdenciários). Em junho, o percentual foi de 57,93%.

Em julho, houve predominância de alta no preço do leite, arroz, feijão, café em pó e da manteiga, conforme dados divulgados nesta quinta (4). A coordenadora de Pesquisa de Preços do Dieese, Patrícia Costa, comenta que – além do clima – a elevação dos preços refletem também distorções no modelo de produção baseado no agronegócio e na política cambial.

“Houve redução na área plantada de feijão, porque os produtores migraram para a soja com preços mais atrativos no mercado internacional. Por outro lado, o preço do pão explodiu com a alta do dólar, que encareceu a importação de trigo”, disse Patrícia à Agência Sindical.

Ela observa que o peso maior recai sobre os trabalhadores, para quem as despesas com alimentação tem maior impacto no conjunto da renda familiar. “O governo precisa adotar políticas no sentido de evitar que ocorram oscilações de preços nos alimentos com a magnitude as que estão ocorrendo”, pondera.

Renda
Segundo o Dieese, para acompanhar a alta no custo de vida, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.992,75, ou 4,54 vezes o mínimo de R$ 880,00.


Fonte: Agência Sindical/Dieese





Em convênio com o Ministério do Trabalho, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) editou o Anuário da Saúde do Trabalhador, que visa produzir novos conhecimentos sobre a relação entre o trabalho e o processo de adoecimento, a partir de estudos qualitativos e quantitativos e da análise de informações nacionais e internacionais.

O documento conta com três capítulos, além da introdução e do sumário. O primeiro apresenta um breve panorama sobre a população, por meio de dados gerais do Brasil e da utilização de variáveis como sexo, faixa etária, situação do domicílio (rural ou urbana), esperança de vida ao nascer, mortalidade e infraestrutura básica dos domicílios.

O segundo capítulo contempla a inserção das pessoas no mercado de trabalho e mostra as diferentes características do trabalhador, dos estabelecimentos e das grandes regiões do país em relação aos tipos de vulnerabilidade que cada local de trabalho apresenta. Traz ainda dados sobre desligamentos e afastamentos por acidentes e doenças relacionados ao trabalho. O terceiro capítulo contém informações sobre o escopo da política de promoção da saúde e prevenção de doenças, além de informações sobre negociação coletiva nos temas que dizem respeito à saúde dos trabalhadores. Esse capítulo conta também com indicadores internacionais de acidentes e doenças de trabalho.

Para tanto, foram utilizados os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), da Pesquisa Nacional de Saúde (2013) e da Coordenação de População e Indicadores Sociais (Copis), ambas vinculadas ao IBGE; da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), e do Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS), os dois do MTPS; do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), Sistema de Informações sobre Orçamento Público em Saúde (Siops), Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), todos do Ministério da Saúde (MS). Esta publicação traz também dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O objetivo da obra é ser uma fonte de informações para instituições, organizações sociais e governos, constituindo importante subsídio para a orientação e o desenho de políticas que contribuam para o contínuo avanço na melhoria das condições de saúde dos trabalhadores.

* Leia o Anuário aqui



Edição Rosângela Ribeiro Gil
Informação do Anuário








 

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) produziu, neste mês de julho, a Nota Técnica 160, sobre os impactos das mudanças demográficas na seguridade social e o ajuste fiscal. De forma bem sintética, demografia pode ser definida como o estudo de populações humanas. Já a seguridade social, conforme estabelecido no artigo 194 da Constituição Federal, compreende as ações voltadas para atender aos direitos referentes à saúde, à previdência e à assistência social. Quando se relaciona demografia à seguridade social ou, mais especificamente, quando se associam previdência social e fenômeno demográfico, normalmente se pensa no envelhecimento populacional. A força da associação entre previdência e envelhecimento populacional decorre da frequência e intensidade com que se defende a necessidade de reforma da Previdência em função dos impactos do envelhecimento sobre o orçamento do sistema previdenciário. A dinâmica demográfica, no entanto, traz impactos de diversas ordens para o sistema de proteção social, para as políticas públicas em geral e para a sociedade. Demografia é um vasto campo do saber, de caráter multidisciplinar, que apresenta outras relações com a seguridade social, para além apenas da questão do envelhecimento demográfico. Os dois argumentos principais para se defender a necessidade de reforma da Previdência referem-se ao envelhecimento populacional e à questão fiscal. Analisam-se, neste artigo, alguns fenômenos demográficos e fiscais inter-relacionados que geram impactos relevantes para a Seguridade e a sociedade.

O envelhecimento populacional e as políticas públicas A análise do tamanho e da composição (por sexo e grupos etários) de uma população humana específica e da evolução dela no tempo deve necessariamente considerar os fenômenos da fecundidade, mortalidade e das migrações. Ou seja, o tamanho e a composição de uma população e as mudanças que ocorrem com ela ao longo do tempo derivam de como os bebês nascem (com que intensidade e com qual proporção de sexos), como as pessoas vivas de cada sexo morrem (em que ritmo em cada idade) e se ocorre migração (para fora do território ou para o interior dele), também segundo idade e sexo. Estudos demográficos, no entanto, abrangem muitas outras dimensões resultantes das experiências das populações humanas, como questões referentes à educação, saúde, ao comportamento familiar e reprodutivo, às relações entre homens e mulheres, ao mercado de trabalho, às migrações, relações da população com o meio ambiente, entre outras.

O envelhecimento populacional corresponde ao processo de a população ficar mais envelhecida e pode ser definido como uma mudança na composição etária de uma população, decorrente do aumento da proporção dos segmentos mais idosos e da diminuição dos mais jovens. Ao contrário do que comumente se pensa, o envelhecimento populacional é deflagrado e intensificado por uma redução dos nascimentos de filhos por mulher1 e não pelo fato de as pessoas estarem vivendo por mais tempo, que corresponde ao envelhecimento individual. O processo do envelhecimento populacional é gerado pela queda da fecundidade (que diminui a proporção de bebês e crianças da população) e não pela extensão da longevidade. Num momento mais avançado do envelhecimento demográfico, em que as taxas de fecundidade já forem bem baixas e estiverem diminuindo mais lentamente, e quando a mortalidade entre crianças e jovens for residual, é possível que o envelhecimento populacional venha a ser impulsionado pela maior longevidade2 . Mas, até o presente, no Brasil, o envelhecimento populacional foi impulsionado principalmente pela queda da fecundidade.

Leia a Nota Técnica aqui.

 

 

 

Imprensa SEESP

 

 

 

 

 

 

 

As estatísticas sobre emprego e salários continuam a revelar a dramaticidade dos impactos da crise econômica sobre a vida de milhões de brasileiros. Altas taxas de desemprego, que cresceram em ritmo alucinante, aumento da informalidade e da precarização das condições de trabalho, queda dos salários e da massa salarial.

Segundo a PnadC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 11,4 milhões de pessoas estavam desempregadas em maio (taxa de desemprego de 11,2%). Há um ano, esse número era de 8,1 milhões desempregados. A crise econômica colocou na dramática situação de desocupados mais 3,3 milhões de pessoas. O desemprego cresceu porque postos de trabalho foram fechados (1,2 milhão) e mais 1,1, milhão de pessoas passaram a procurar trabalho e não encontraram.

O DIEESE pesquisa, além do desemprego aberto (aquele que inclui quem procura emprego de forma efetiva nos últimos 30 dias, sem realizar nenhum tipo de atividade nos sete dias anteriores àquele em que é entrevistado pelo levantamento); o desemprego pelo trabalho precário (que inclui os desempregados que fizeram algum tipo de bico) e o desemprego pelo desalento (quem precisa de emprego, mas desiste da procura por estar desestimulado, nos 30 dias anteriores ao da Pesquisa, mas buscou trabalho nos últimos 12 meses). Segundo a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), para a Região Metropolitana (RM) de São Paulo, a taxa de desemprego total foi de 17,6%; na RM Salvador, de 23,7%; no Distrito Federal, de 18,9%; na RM Fortaleza, de 12,9% e; na RM Porto Alegre, de 10,2%.

Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), registro administrativo mantido pelo Ministério do Trabalho, em maio, foram eliminados quase 73 mil postos de trabalho com carteira de trabalho assinada. Em um ano, foram fechados quase 1,8 milhão de postos formais de trabalho.

O assalariamento informal (sem carteira) manteve-se praticamente estável no último ano. Houve queda no trabalho autônomo ou por conta própria, ou seja, a crise também tem afetado aqueles que trabalham prestando serviços às empresas, às famílias ou em vias púbicas (camelôs).

Há queda no rendimento médio (-12,3 % na RM Salvador e -7,4% na RM São Paulo, segundo a PED). Com menos gente ocupada e com nos salários, também cai a massa salarial.

Destruindo os empregos, arrochando os salários, precarizando os postos de trabalho, a crise faz a economia atuar na contramão, ou seja, deixar de gerar bem-estar e qualidade de vida para todos. Ao mesmo tempo, ao enfraquecer o mercado interno de consumo, desestimula a produção e o investimento, ampliando ainda mais o ciclo recessivo da economia.

Para que o pais volte a gerar emprego, é necessário crescimento econômico sustentado por uma demanda oriunda do aumento da massa salarial (mais empregos com melhores salários), pelos investimentos público e privado (infraestrutura econômica, social e produtiva) e pela capacidade ampliada de importar e exportar, de maneira equilibrada.

O Brasil tem enorme potencial para crescer de maneira sustentável, construindo capacidade política para alavancar o investimento público e privado; desmontando a indexação rentista; combatendo o spread bancário; dando potência à política monetária; organizando uma política cambial de desenvolvimento industrial; destravando o setor de construção, petróleo e gás; animando o desenvolvimento industrial; mobilizando o setor de serviços e de turismo; agregando valor na produção agrícola e pecuária, entre tantas outras grandes oportunidades.



* Clemente Ganz Lúcio*, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

 

 

 

 

 

Os indicadores mais gerais de desempenho apontam, em 2016, para a deterioração geral do mercado de trabalho, com aumento do desemprego e queda nos rendimentos reais dos trabalhadores e trabalhadoras. Esse comportamento é resultante do processo recessivo em que se encontra a economia brasileira, também refletido no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1º de junho. Essa constatação está no Boletim Conjuntura, número 7, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), lançado recentemente.

O PIB teve variação negativa de 0,3% na comparação entre o primeiro trimestre de 2016 e o quarto trimestre de 2015. Foi o quinto trimestre seguido de contração. Na comparação com o mesmo período de 2015, a queda foi de 5,4% - oitava retração seguida nesse tipo de comparação.

Na comparação do primeiro trimestre de 2016 com os três meses iniciais de 2015, houve queda generalizada nos diversos setores da economia: a agropecuária teve retração de 3,7%; a indústria de transformação caiu 10,5%; a construção recuou 6,2%; a indústria extrativa mineral retraiu 9,6%; os serviços apresentaram contração de 3,7% e o comércio, de 10,7%.

Pelo quinto trimestre seguido, todos os componentes da demanda interna apresentaram resultados negativos. A despesa de consumo das famílias diminuiu 6,3%, resultado explicado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo do período. Já a formação bruta de capital fixo (taxa de investimento) caiu 17,5%, a oitava queda consecutiva, ficando em 16,9% do PIB no primeiro trimestre de 2016, abaixo do observado no mesmo período do ano anterior (19,5%).

As exportações de bens e serviços cresceram 13,0%, enquanto as importações de bens e serviços recuaram 21,7%, ambas influenciadas pela desvalorização cambial de 37% e pelo fraco desempenho da atividade econômica registrado nos primeiros três meses de 2016, na comparação com o mesmo período de 2015.

A recessão econômica em curso resulta de uma conjunção de fatores, de origem externa e interna, conforme indicado no Boletim de Conjuntura nº 6, de março de 2016.

Externamente, podem ser destacados o fraco desempenho das economias europeias e japonesa e a desaceleração observada na China. Tais eventos repercutem diretamente sobre o nível de comércio mundial, reduzindo os mercados para os produtos de exportação e, consequentemente, provocando queda no preço das commodities (produtos de pequena diferenciação e pouco processamento industrial, negociados amplamente no mercado internacional). Isso atinge duramente países com alta dependência da exportação desses produtos, como é o caso do Brasil (com a soja, o minério de ferro, o petróleo bruto etc.).

 

* Para ler o boletim, na íntegra, clique aqui



Imprensa SEESP
Informação do Dieese









 

Faz parte da utopia do movimento social e dos trabalhadores, do sonho que querem transformar em realidade, que a economia brasileira seja capaz de produzir bem-estar e qualidade de vida para todos. O desafio é saber produzir os bens e serviços, distribuindo-os com equidade, para atender às necessidades materiais e culturais de todos.

A economia capitalista se estruturou por meio do Estado moderno, de nação soberana que domina um território e faz, nesse espaço físico e político, uma produção econômica, gerando avanços no bem-estar e na qualidade de vida das pessoas.

A riqueza natural do território brasileiro é um ativo essencial. O conhecimento materializado no nível de educação geral da sociedade e na sua capacidade de transformá-lo em tecnologia, produtos e serviços, é a base para o desenvolvimento industrial ou produtivo. A capacidade de alocar parte da renda e riqueza gerada para o Estado prover serviços públicos e investimentos na infraestrutura garante a qualidade e quantidade da expansão produtiva e da proteção social.

Tudo isso requer, entre outras coisas, investimento e soberania. Investimento significa ampliar a capacidade produtiva física e cognitiva. Soberania é a capacidade de um povo investir em determinado território, dominando o conhecimento e o capital, se apropriando dos resultados e podendo, de forma autônoma, poupar e decidir reinvestir parte dos resultados alcançados. Soberania é a coluna vertebral de uma nação que sabe investir para promover o próprio destino.

Quando o Brasil vende a base produtiva, infraestrutura ou riqueza natural para empresas estrangeiras, abre mão da soberania de investir e decidir sobre o presente e futuro. O lucro aqui produzido será enviado para o local de origem do capital, a tecnologia não será transferida e a força econômica de induzir a estratégia de investimento estará subordinada a outros interesses.

Vale tratar de um belo exemplo da semana. Janus Capital Group é uma gestora americana com quase US$ 200 bilhões em fundos. Petrobras, Itaú Unibanco, Iochpe-Maxion, Suzano e Marfing fazem parte da carteira de investimentos no Brasil. Janus Raghoonundon, analista da empresa, concedeu entrevista para jornal Valor, de 11 de junho. Sobre a Petrobras, disparou: “Realmente acredito que a companhia tem um valor intrínseco e está barata relativamente a seus ativos. Existe muito potencial para a Petrobras para um investidor de longo prazo”.

Avançando sobre as escolhas do País, soltou: “O Brasil tem que decidir se pretende aceitar grandes quantidades de companhias estrangeiras controlando ativos-chave de infraestrutura. E, claro, essas companhias estrangeiras vão ter que ser compensadas pelo risco que vão tomar”.

As condições complementares e essenciais são destacadas no início da entrevista. A estabilidade política de um novo governo que – assim espera ele – encaminhará as reformas é que dará estabilidade. Não querem ver as reformas rejeitadas. E quais são? Adivinhem? Janus com a palavra: “Vamos monitorar a aprovação de todas, como a da previdência e dos benefícios trabalhistas”.

A impressão é que os brasileiros não dão conta de que o País é uma das maiores economias do planeta, com uma inigualável base natural, robusta estrutura produtiva e enorme mercado interno. Pode ser um grande negócio para o mundo, vendendo os ativos e transferindo a soberania para empresas estrangeiras. Um projeto mais do que medíocre, mas em construção.

 

* Clemente Ganz Lúcio, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

 

 

 

 

 

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acaba de lançar a Nota Técnica 159 onde avalia os impactos da recessão econômica e do ajuste fiscal sobre o mercado de trabalho no Brasil. O estudo analisa a evolução dos principais indicadores do mercado de trabalho brasileiro no período recente, com foco no desempenho apresentado a partir do último ano, quando o processo recessivo se aprofunda no País. Com o novo quadro, o governo federal implementa políticas econômicas com o objetivo de promover um ajuste fiscal do setor público e estabilizar o nível de preços da economia.

Entre os anos 2004 e 2014, o mercado de trabalho brasileiro apresentou uma melhora generalizada de seus principais indicadores: a taxa de desemprego diminuiu substancialmente; a qualidade do emprego foi ampliada, com o aumento expressivo dos vínculos empregatícios com carteira de trabalho assinada e, em menor medida, do emprego público; e o rendimento médio real do trabalho se elevou, acompanhado de uma melhora do seu perfil distributivo.

Estes resultados, em um primeiro momento, foram tributários de um cenário externo especialmente favorável, que se estendeu até meados de 2008, dado pelo maior crescimento da economia mundial – China à frente – e pela elevação da demanda e dos preços das commodities no mercado internacional (como minério de ferro, soja, petróleo etc.), impulsionando o crescimento econômico local.

Em um segundo momento, porém, o eixo do dinamismo econômico deslocou-se para o mercado interno, resultado da adoção de políticas de estímulos à demanda, como a valorização do salário mínimo, a ampliação do crédito – em um contexto de redefinição do papel dos bancos públicos –, a maior abrangência das políticas de transferência de renda e a elevação do investimento público. A título ilustrativo, entre 2004 e 2010, não obstante o contágio da crise internacional no final de 2008, a taxa média de crescimento do PIB brasileiro foi de 4,5%, contra apenas 1,6% no período 1998-2003.

A partir de 2011, no entanto, os ambientes interno e externo se deterioraram,substancialmente, minando o ritmo que o desempenho econômico vinha mantendo até então. De um lado, houve uma intensificação da crise internacional, que diminuiu o crescimento da economia mundial – e também dos países emergentes –, provocou uma queda da demanda e dos preços das commodities e piorou as expectativas dos empresários, temerosos quanto aos impactos da crise na Europa sobre a economia mundial.

 

* Confira a Nota Técnica na íntegra clicando aqui.





Edição Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP
A partir da Nota Técnica








 

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza, em conjunto com várias centrais sindicais, o seminário “Enfrentando o desemprego – desafios da luta sindical”, no dia 24 de maio próximo, das 9h às 17h30, no auditório da Escola Dieese de Ciências do Trabalho, no Centro de São Paulo (Rua Aurora, 957, próximo ao Metrô República).

O objetivo da atividade é aprofundar a análise sobre a situação atual do desemprego no País, identificando as principais características e tendências do problema, além de mapear políticas e programas para enfrentá-lo.

As inscrições são gratuitas e a programação contará com mesas de diagnóstico e de propostas. Confira todas as informações aqui.

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP







O balanço das negociações salariais de 2015, realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apresentou resultados de reajustes iguais ou abaixo da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Neste cenário, ao qual se soma a crise política, qual a perspectiva para os trabalhadores em 2016? Sobre esse quadro, o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, falou ao Engenheiro. Ele acredita na preservação do emprego como agenda essencial e ressalta a importância do documento “Compromisso pelo Desenvolvimento”, assinado por entidades sindicais e representantes do empresariado.

Com o atual cenário político e econômico, que afeta bastante as pautas do mundo do trabalho, o que deve nortear a luta dos trabalhadores?
Clemente Ganz Lúcio - As restrições econômicas geram severas dificuldades para sustentar e promover direitos, para aumentar salários e preservar empregos. Isso torna a agenda da retomada do crescimento fundamental, e é importante que o trabalhador tenha a preo­cupação se o seu sindicato está atuando nesse sentido. Frente ao contexto presente, de restrição, as empresas tendem a diminuir os postos de trabalho. E isso tem que ser evitado. O trabalhador deve atuar, com os sindicatos, para a proteção do emprego, que tem efeito de preservar também o mercado interno e parte da nossa dinâmica econômica. Se não há emprego, diminui a capacidade de compra e, consequentemente, a receita do Estado, prejudicando ainda mais a economia. Então a proteção do emprego é um fator importante para o trabalhador, para a empresa e para o próprio governo, sendo esta a luta inicial e prioritária para o momento.

O Dieese obteve resultados de reajustes negativos no ano de 2015, que se igualaram ou ficaram inferiores à variação do INPC/IBGE. Qual a previsão para este ano?
Clemente Ganz Lúcio - Este ano também será adverso, pois a atividade econômica ainda está se estruturando de forma recessiva, ou seja, vem diminuindo nos primeiros meses. Mesmo assim, creio que qualquer que seja o desfecho dessa crise política, é possível uma maior estabilidade. Evidente que nós temos que lutar para que a saída seja de convergência do ponto de vista de reunir capacidades para uma retomada da atividade governamental orientando o desenvolvimento. Se isso acontecer, poderemos ter um desempenho um pouco melhor no segundo semestre. Em 2015, tínhamos um cenário de inflação alta que resultou em um número menor de aumentos salariais, diminuiu também as negociações que conseguiram repor a inflação e mesmo os que conseguiram algum tipo de aumento, foi de 1%. Para 2016, no entanto, a tendência da inflação é declinante. A condição é melhor para o trabalhador e para as empresas. É preciso equilíbrio nas negociações para superar a adversidade, que será o desemprego. O momento agora é de olhar para a retomada do crescimento, de preservar os empregos e, evidentemente, de preservar o máximo dos direitos, mostrando o quanto tudo isso contribui para o fortalecimento do mercado interno. E o fato de ser ano eleitoral pode até ajudar, pois os governos municipais tentam concluir um conjunto de obras e investimentos, além da atividade eleitoral gerar uma demanda no setor de serviços, contribuindo ao mercado de trabalho.

Como os sindicatos podem se preparar para negociar bem em um ano com essas adversidades?
Clemente Ganz Lúcio - É preciso construir uma estratégia de negociação assentada numa boa leitura da realidade, em um bom entendimento de qual é o anseio da categoria e em uma conjunção desses dois movimentos. E a partir desse debate, trilhar o caminho das campanhas salariais. Um contexto de adversidade exige do sindicato uma capacidade de negociação muito mais sofisticada para combinar, diante das restrições, a preservação do direito que a categoria considera importante e a evolução daqueles que já estavam em negociações anteriores.

Em entrevista recente, o senhor disse que o sindicalismo deve ser proativo. O “Compromisso pelo Desenvolvimento” pode ser considerado um exemplo disso?
Clemente Ganz Lúcio - Sim, o “Compromisso pelo Desenvolvimento” é um exemplo de proatividade que os sindicatos devem ter. É um documento que se originou da iniciativa do movimento sindical em conjunto com o setor empresarial, visando retomar e sustentar o crescimento. O documento foi apresentado ao governo e surgiram propostas como o programa “Brasil mais Produtivo”, que dá subsídios a 3 mil indústrias de pequeno e médio porte até o fim de 2017, para que a produtividade dessas aumente em pelo menos 20%. O “Compromisso pelo Desenvolvimento” é uma microexperiência bem-sucedida de que é possível um nível de entendimento entre trabalhadores e empresários e esses, em conjunto, tentem construir com os governantes estratégias para conduzir planos voltados ao crescimento e desenvolvimento do País.

Neste cenário, como fica o trabalho do Dieese?
Clemente Ganz Lúcio - Intensifica o nosso trabalho para produzirmos diagnósticos fazendo a observação do comportamento da realidade e transformando esse comportamento em números como taxa de desemprego, aumentos salariais, entre outros. Além de fazer uma leitura da realidade, o desafio que é colocado ao Dieese pelo movimento sindical é de atuar, como foi no caso do “Compromisso”, ajudando a elaborar propostas. Gerar desenvolvimento significa fazer com que o crescimento econômico crie bem-estar social, que as pessoas tenham qualidade de vida e equilíbrio ambiental. É para isso que realizamos as pesquisas. Esse é um desafio não somente do Dieese e dos sindicatos, mas de todos os trabalhadores. 

 

 

Por Jéssica Silva e Fábio Pereira. Entrevista publicada, originalmente, no jornal Engenheiro, da FNE, Edição 168, de maio de 2016

 

 

 

 

 

 

 

Acontece na quarta-feira (6/4) a "12ª Jornada Nacional de Debates - Desafios da negociação coletiva em cenário de crise". O evento é promovido pelo Dieese, juntamente com as centrais sindicais, em São Paulo e será transmitido ao vivo pela internet, permitindo a participação simultânea de dirigentes sindicais de todo o País.

 

jornada de debates 600 larg


A 12ª Jornada será realizada no auditório da Escola Dieese de Ciências do Trabalho. Para participar presencialmente, é necessário confirmar presença até esta segunda-feira (4/4).

O link da transmissão estará disponível no dia do evento, no site http://www.dieese.org.br/



Fonte: Boletim Dieese





A recessão poderá ser longa se a prioridade não for a retomada do crescimento. As consequências serão ainda mais desastrosas, comprometendo mais uma vez o potencial de desenvolvimento da sociedade brasileira. Os principais fatores que sustentam o crescimento econômico do País e a capacidade de transformá-lo em desenvolvimento social estão em nossas mãos.

No “Compromisso pelo Desenvolvimento”, as Centrais Sindicais (CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB) e associações e entidades sindicais de representação dos empregadores (CNI, Anfavea, Fenabrave, Abimaq, Abiquim, Abit, Instituto Ethos, Sinaenco, Anfir, entre tantas outras) firmaram acordo cuja prioridade são medidas para promover o crescimento da economia brasileira.

É urgente retomar o investimento público e privado em infraestrutura produtiva, social e urbana, concluir e retomar obras, avançar nos projetos elaborados e investir em novos. A flexibilidade fiscal (déficit) é necessária para o aporte direcionado de recursos púbicos para o investimento, com o BNDES fortalecido e um ambiente regulatório equilibrado e com segurança jurídica.

Além do investimento em grandes obras e na construção habitacional, deve-se aportar recursos de liberação rápida para obras de contratação célere, que gerem muita ocupação, como, por exemplo, saneamento, limpeza urbana, calçamento. O setor da construção contrata muita gente e mobiliza extensa cadeia produtiva. Por isso, é fundamental destravar o setor de construção.

Da mesma forma, é estratégico retomar e ampliar os investimentos no setor de energia, como petróleo, gás e fontes alternativas. Essa inciativa repercute no setor de construção, industrial e naval.

Também é necessário mobilizar o desenvolvimento produtivo (agricultura, indústria, comércio e serviços) para investimentos de adensamento das cadeias produtivas e de reindustrialização do País. O Compromisso deve criar espaços setoriais e locais para debates e formular propostas de desenvolvimento produtivo.

A estratégia de desenvolvimento produtivo deve considerar uma política cambial que favoreça as empresas competitivas, para que reocupem espaços na agenda exportadora, bem como possam fazer a substituição de importados.

As Olimpíadas e o câmbio criam uma oportunidade única para avançar na estruturação da política de desenvolvimento do turismo que, distribuído em todo o território nacional e a partir de grande potencial natural, é um grande empregador e arrecadador de divisas.

Para gerar capacidade de resistência diante da crise, são necessários, em condições emergenciais, financiamento de capital de giro para as empresas, renegociação de dívidas das famílias, bem como crédito para o investimento privado e o consumo.

Os desafios são enormes, mas o Brasil tem plenas condições de ser protagonista do próprio desenvolvimento econômico e social. Tem capacidade produtiva reunida na força dos empresários e dos trabalhadores, um grande estoque de capital produtivo e muito recurso natural. Nossas mazelas são oportunidades para investimentos, para uma produção que cria riqueza e renda para superar a pobreza e a desigualdade.

O Brasil pode muito se houver compromisso que crie projetos e tome inciativas. O diálogo é o melhor caminho para fortalecer compromissos e um grande instrumento para promover transformações.

 

* Clemente Ganz Lúcio é diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

 

 

 

 

 

 

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou, no dia 18 de março último, o Boletim de Conjuntura, número 6. O trabalho analisa a situação econômica do País e o cenário externo e aponta quais são as expectativas para o futuro.

A economia brasileira teve, no geral, um desempenho negativo em 2015, o que impôs dificuldades e perdas para a população trabalhadora. Diante do atual cenário nacional e internacional, o que se pode esperar para 2016?

O ano de 2015 terminou com a economia brasileira tendo um desempenho negativo, conforme indicam quase todos os dados econômicos divulgados. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB teve retração de 3,8% em 2015 na comparação com o ano anterior e os investimentos reduziram-se em 14,1%; a Pesquisa Industrial Mensal mostrou que a produção industrial brasileira caiu 8,3% em 2015, voltando ao nível de janeiro de 2009, em plena fase aguda da crise internacional; as vendas no varejo ampliado (que inclui comércio de automotores e material de construção) encolheram 8,6%; o volume de serviços diminuiu 3,6%; e a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas alcançou 6,9% em dezembro, em comparação com 4,3% em dezembro de 2014. Além disso, a inflação anual acelerou: o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou uma alta de 10,67% em 2015 (em contraste com 6,41% no ano anterior) e o INPC, que capta a inflação de famílias de renda menor, variou 11,28% (contra 6,23% em 2014).

 

* Confira, na íntegra, o boletim conjuntural do Dieese aqui.



Imprensa SEESP

 

 

 

 

 

 

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acaba de publicar a Nota Técnica nº 154, cujo ponto de partida é a ideia de que os formuladores de política econômica devem buscar três objetivos simultâneos: crescimento econômico sustentável; estabilidade de preços e distribuição de renda.

A estabilidade de preços joga papel fundamental nessa equação, pois, sem ela, as outras duas metas podem ficar comprometidas. No longo prazo, sem estabilidade nos preços, o crescimento será interrompido pela própria desorganização do mercado, imposta pelo processo inflacionário, ou por medidas corretivas de iniciativa do governo, tomadas para estancar o descontrole de preços.

A distribuição de renda fica prejudicada desde o início, pois em cenários de inflação crescente, a disputa entre os agentes pela preservação das respectivas parcelas de riqueza (estoque) e renda (fluxo), aprofunda a tendência de concentração e exacerba o conflito distributivo entre setores produtivos e entre classes sociais.

Nesse sentido, a inflação irá prejudicar segmentos econômicos localizados em estruturas de mercado mais competitivas, onde se encontram as micro, pequenas e médias empresas, enquanto as grandes, que operam em estruturas de oligopólios, ou mesmo monopólios, e exercem grande poder sobre o mercado, têm maior possibilidade de preservar seus lucros, seja por impor os preços de seus produtos/serviços ao consumidor, seja pela facilidade de obter crédito mais em conta, ou ainda pela possibilidade obter ganhos extraordinários no mercado financeiro.

Em cenários de alta inflação, os conflitos de classes aumentam, uma vez que o trabalhador assalariado é, em última instância, o mais prejudicado pela alta dos preços. A queda do poder de compra dos salários, corroídos pela desvalorização do dinheiro, implica a redução da qualidade de vida dos assalariados. Com possibilidade de recompor o valor real de seu ganho apenas uma vez ao ano, na data-base, o trabalhador assiste, impotente, a inflação impor-lhe, ao longo desse intervalo, perda de renda que o faz distanciar-se, cada vez mais, das classes mais abastadas, daquelas que conseguem se proteger da desvalorização da moeda e que, não raras vezes, até se beneficiam com isso.

Por outro lado, o objetivo de estabilizar preços, embora fundamental, não pode ser considerado como um fim em si mesmo, pois não há sentido na política econômica se a estabilização não for concebida como condição necessária para a promoção do crescimento e da distribuição da renda. A experiência mais recente de estabilização no Brasil, o Plano Real (1994), deixou isso muito claro. Obteve-se a estabilidade, com o recuo rápido dos níveis de preços, mas não se logrou o crescimento econômico e, tampouco, melhor distribuição da riqueza produzida.

Leia a Nota Técnica na íntegra aqui.


 

Fonte: Dieese









Em 15 de fevereiro, serão iniciadas as aulas dos cursos de pós-graduação e de extensão em Economia e Trabalho, da Escola Dieese [Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos] de Ciências do Trabalho. As aulas são presenciais e ministradas as segundas e quartas-feiras, no período noturno, em São Paulo.

Nos cursos, os alunos serão capacitados a analisar tendências e problemas centrais do mundo do trabalho e as relações de emprego na sociedade contemporânea. As aulas discutem o papel das políticas públicas relacionadas aos campos do emprego e da renda, da educação, da saúde do trabalhador e das condições de vida, capacitando para o desenvolvimento de atividades profissionais com foco em diferentes dimensões das relações de trabalho.

Quem se interessar pelos cursos, pode se candidatar às últimas vagas remanescentes até 5 de fevereiro. As inscrições devem ser feitas pelo site da escola da instituição, clicando aqui.


 

Fonte: Dieese Comunica 163









agenda