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A Petrobras Transportes S.A. ou Transpetro, maior processadora brasileira de gás natural e líder em transporte e logística de combustível do país, como se apresenta em seu site, foi crida em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, numa tentativa de fatiar a Petrobrás para facilitar a venda da estatal.

Naquele momento, a mobilização de organizações sindicais como a CUT e a FUP (Federação Única dos Petroleiros) impediu a privatização da maior empresa do país em faturamento. Mas, se a vontade de uma parte da atual direção prevalecer, o que não ocorreu no governo tucano, pode acontecer agora.

No último dia 15, o diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro, anunciou a possível venda da subsidiária, ação que rendeu críticas dos trabalhadores. Coordenadora do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro) e secretária de Juventude da CUT-SP, Cibele Vieira, explica o papel estratégico que a Transpetro exerce para a cadeia do petróleo.

“Os dutos que levam o petróleo ou derivados aos terminais e refinarias para a distribuição final estão sob responsabilidade da Transpetro. Caso seja vendida, a Petrobrás ficaria refém de uma empresa privada para fazer algo que hoje está sob seu comando e não teria mais o controle sobre o preço da operação. A outra opção é transportar por caminhão, mas é muito perigoso e mais custoso”, explica Cibele.

De acordo com a dirigente, além de se livrar de um ativo importante, a negociação amplia a possibilidade de mais desempregados no setor de petróleo.

“A Transpetro tem hoje em torno de cinco mil concursados e 15 mil terceirizados, um quadro que já está sendo enxugado para ser mais ‘apresentável’ ao mercado. Também por isso, tentaram separar a negociação coletiva em 2015 da que fazemos com a Petrobrás para piorar os acordos. Porque precisarão de quem saiba operar o terminal e um acordo forte para os trabalhadores, como é o da Petrobrás, é considerado um ônus para a venda. Mas para nós não há diferença entre as companhias, são todos petroleiros”, define.

Momento péssimo
Secretário de Comunicação da CUT e dirigente com base no setor petroleiro, Roni Barbosa, afirma que a Central é contrária à venda de qualquer ativo. “Todo o setor do petróleo passa por um momento de crise, está em baixa e esse não é o momento de se desfazer de qualquer empresa. Especialmente aquelas que trazem bastante rentabilidade ao país.”

Balão de ensaio
Diretor do Sindipetro-SP e candidato a suplente na chapa dos trabalhadores ao conselho de administração da Petrobrás, Arthur ‘Bob’ Ragusa acredita que a declaração de Ivan Monteiro foi um balão de ensaio para sentir as reações do mercado e os grupos interessados na aquisição da subsidiária. E também para transformar a negociação em pauta no CA.

“Se esse assunto não estava no conselho e poderia ser rejeitado, após incitar esse debate, corremos o risco muito maior de ver a maioria dos conselheiros decidir pela venda”, definiu.

Da mesma forma que Cibele, Ragusa também acredita que a afirmação tem o objetivo de pressionar a negociação coletiva neste ano.

“Um dos patrocinadores na mudança do modelo de negociação, que sempre foi com o RH (recursos humanos) da Petrobrás, é o Ivan. No ano passado, tentaram limitar o número de dirigentes e tirar mais de 30 cláusulas do acordo coletivo, discutindo um aumento abaixo da inflação e redução de horas extras”, acrescentou, Ragusa.

Outros ativos
Além da Transpetro, o conselho da Petrobrás, que conta com um trabalhador entre nove indicados pelo governo federal e por acionistas minoritários, aprovou a venda e 25% da BR Distribuidora.

Apesar de não estar diretamente ligado ao sistema de produção, esse era o braço da companhia brasileira que poderia interferir no preço definido nos postos de combustível. Ao diminuir o preço na bomba, outros também seriam obrigados a rebaixar para não perder mercado.

O mesmo vale para a Gaspetro, onde a Petrobrás já era sócia minoritária. Neste caso, a questão é ainda mais delicada. A venda de 49% das ações por R$ 1,93 bilhão para o grupo Mitsui é questionada na justiça. Segundo os bancos JP Morgan e Brasil Plural, o valor deveria girar em torno de R$ 5,6 bilhões de reais.

Um levantamento da FUP apontou que, em 2014, a subsidiária obteve um lucro líquido de R$ 1,5 bilhão e, na média dos últimos quatro anos, seu lucro ficou em R$ 1,4 bilhão. Portanto, a abertura de 49% do capital pode levar à perda de R$ 750 milhões.

Além disso, uma ação civil pública impetrada pela FUP trata de conflito de interesses. Diretor-presidente da Vale, Murilo Ferreira foi nomeado para o conselho de administração da Petrobrás e passou a ocupar a presidência justamente quando surgiram as notícias de negócio com a Mitsui, empresa parceira da Vale em uma série de empreendimentos.

Correm notícias nos bastidores também que a Petrobrás teria o interesse de se desfazer das Fafens (Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados) e de sua parte na empresa petroquímica Braskem.

A CUT e as organizações de trabalhadores cobram da presidenta Dilma Rousseff uma resposta às afirmações de Ivan Monteiro sem que o debate tenha passado por instâncias deliberativas como a diretoria executiva e o conselho de administração (CA).

“Dentro da Petrobrás há setores entreguistas que tem muita vontade de repassar o que for possível para a iniciativa privada e alguns diretores se movimentam para isso como porta-vozes dessa estratégia. Alguma medida tem de ser tomada sobre a insubordinação desse diretor, o governo precisa demonstrar firmeza na defesa de um patrimônio que sempre classificou como estratégico para o Brasil. Sob pena de gerar espaço para outros gerentes que se acham donos da companhia que pertence a todos os brasileiros.

 

 

Fonte: CUT

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A União Internacional de Telecomunicações (UIT) destacou, no dia 19 último, que os países emergentes podem superar diversos desafios de desenvolvimento caso explorem a tecnologia conhecida como ‘internet das coisas’. Em 2015, mais de um bilhão de equipamentos automatizados foram encomendados. Segundo previsões da agência da ONU, esse ramo das tecnologias de comunicação e informação (TICs) deve gerar lucros de cerca de 1,7 trilhão de dólares, até 2019.

Em relatório elaborado com a empresa multinacional Cisco Systems, a agência das Nações Unidas identificou as razões pelas quais a ‘internet das coisas’ (ou IoT, na sigla em inglês) conserva um enorme potencial para o cumprimento da Agenda 2030 em economias em desenvolvimento.


Foto: Postscapes (cc)
Internet coisas 2 
Sensores usados nas plantas medem a quantidade de água, sol e temperatura 

 

O conceito de IoT diz respeito a um número crescente de aparelhos, desde computadores e smartphones até sensores e chips simples, que estão conectados à internet e são capazes de se comunicar com outros equipamentos, frequentemente sem a necessidade de uma intervenção humana. Essa conectividade já é extensivamente utilizada em sistemas de armazenamento, na gestão de frotas, no monitoramento ambiental e em muitos processos industriais. Até 2020, estima-se que 20 bilhões de aparelhos estarão conectados em alguma forma de rede.

Para a UIT, nações em desenvolvimento podem explorar a ‘internet das coisas’ na prestação de serviços básicos de saúde e educação, bem como em outras áreas, para melhorar a qualidade de vida das populações. Em sua pesquisa, a agência mostra como os aparelhos equipados com essa tecnologia já são comuns, baratos e facilmente substituíveis em mercados emergentes. Esses países também contam com a infraestrutura básica necessária para o funcionamento da IoT, como conexão com a internet.

A agência da ONU calcula que a conectividade móvel alcança quase todas as pessoas residentes em países em desenvolvimento. A cobertura 2G já atingiu o índice de 95% e níveis cada vez maiores têm sido registrado para a conexão 3G, cuja penetração é estimada em 89% para moradores de áreas urbanas. A UIT ressaltou ainda que a ‘internet das coisas’ não necessita de uma estrutura tão complexa como a existente em nações desenvolvidas para funcionar em economias emergentes.

De fato, aparelhos dotados da IoT já têm sido usados nesses países, mesmo em áreas remotas e pouco habitáveis, contribuindo para operações em zonas externas, onde as condições climáticas são instáveis. A agência da ONU destacou também a facilidade de instalação e manutenção dos equipamentos, bem como sua adaptabilidade a contextos em que o fornecimento de energia elétrica está comprometido. Segundo a UIT, muitos desses aparelhos funcionam com fontes alternativas de energia, como a solar.

 

 

Fonte: ONU

 

 

 

 

 

 

O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos provocou, nesta quarta-feira (20/01), a plateia e os palestrantes convidados para o debate Globalização: desigualdade e a crise civilizatória, no Fórum Social Temático, em Porto Alegre (RS), a refletir sobre o papel do evento para a construção, de fato, de um novo modelo de desenvolvimento.


Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Boaventura Forum 
Boaventura provocou o público falando que o Fórum Social Mundial precisa discutir o seu papel
 

“O Fórum Social Mundial não toma posição política. Qual é a tragédia disso? Cultivamos o consenso, mas esvaziamos o fórum. Quem é que vai correr o risco de uma viagem cada vez mais cara para diferentes partes do mundo para vir apenas discutir, pois não se toma posição”, questionou Boaventura, sob aplausos do público.

O Fórum Social Temático é uma preparação para a etapa mundial do evento, que ocorrerá em Montreal, no Canadá. Este ano, o Fórum Social Mundial, criado em 2001 para se contrapor ao Fórum Econômico Mundial de Davos, celebra 15 anos.

“Quando pensávamos o fórum a ideia era que havia uma globalização hegemônica e que havia uma globalização contra-hegemônica, os movimentos, as organizações”, relembrou o sociólogo. Segundo ele, o Fórum Social Mundial foi importante para impulsionar articulações continentais e intercontinentais, como a Marcha Mundial de Mulheres, a Via Campesina e a Articulação Indígena Intercontinental.

Boaventura avalia, no entanto, que o fórum não conseguiu mobilizar lutas conjuntas. “Por que não foi possível, através da globalização alternativa, contornar a agressividade do capital financeiro, que agora até parece mais arrogante do que nunca?”, questionou.


Forum 2016 2Grande público acompanha debates do FSM


Para o sociólogo, participante histórico do FSM, as novas gerações têm o desafio de pensar um novo modelo para o evento, criado sob o lema de que “um outro mundo é possível”.

“Pode continuar assim como tem sido, mas criemos uma estrutura paralela próxima, que nos permita de alguma maneira tomar posições”, defendeu.

Causas históricas
Para Maren Mantovani, do movimento Stop to Wall, o Fórum Social Mundial pode ser um espaço de criar consensos, e questão palestina é um exemplo disso. “Este é um tema que mostrou uma continuidade incrível desde a constituição do Estado de Israel, com a expulsão do povo palestino, desde 1948. A partir de então, cada dia mais terras são roubadas, a água e a vida desse povo. Está colonizando a terra. Mas, apesar de tudo, temos a continuidade da luta de um povo”, disse. Mantovani convocou os participantes do fórum a assinar um abaixo-assinado pelo embargo militar a Israel.

Durante o debate, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Rio Grande do Sul, Claudir Nespolo, diz que é preciso separar aqueles que são “inimigos” do fórum e os que são críticos do evento. Ele citou como exemplos dos consensos e avanços possibilitados pelo Fórum Social Mundial a chegada ao poder de governos progressistas na América Latina e o enfraquecimento da proposta de criação da Área de Livre Comércio para as Américas (Alca). “O legado do fórum foi extraordinário, mas agora não estamos nos nossos melhores momentos, justamente por conta da pauta, que é coordenada desde o pensamento econômico de Davos”, avaliou.

O presidente da CUT gaúcha destacou posições conjuntas que a entidade apresentará na Assembleia dos Movimentos Sociais, no sábado (23), como a taxação das grandes fortunas e a análise da dívida dos países.

Também participaram do debate a sindicalista Ruth Coelho; as representantes da Aliança Internacional de Habitantes, a argentina Cristina Reynold; e do Centro Brasileiro de Solidariedade Aos Povos e Luta Pela Paz, Socorro Gomes; e o jornalista austríaco Leo Gabriel.

O Fórum Social Temático vai até o próximo sábado (23). A programação completa está no site do evento.

Confira aqui mais fotos do FSM.

 

 

Fonte: Por Camila Maciel, enviada especial da Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

Na quinta-feira (3/12), as Centrais Sindicais, sindicatos e entidades do setor produtivo realizam em São Paulo (SP) um ato para apresentar um documento que propõe uma nova agenda para a retomada do crescimento com o objetivo de sensibilizar governo, empresários, instituições e sociedade civil para a causa. O SEESP, juntamente com a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), soma seus esforços nessa frente pelo desenvolvimento nacional.

 

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A ação do movimento se apoia em quatro propostas fundamentais: retomada do crescimento econômico e do desenvolvimento social; geração de empregos; destrave dos investimentos em infraestrutura (como o PAC, por exemplo), dos investimentos da Petrobras, recuperação da capacidade produtiva e operacional dos setores da Construção e Naval e a preservação e fortalecimento da capacidade de engenharia nacional.

O texto “Compromisso pelo desenvolvimento” enfatiza a necessidade "superar os atuais entraves aos investimentos em infraestrutura, destravar a capacidade do Estado para exercer suas funções, incrementar a produtividade, gerar empregos  de  qualidade,  aumentar  a renda  média,  garantir  educação  de  qualidade, fortalecer a democracia e suas instituições, corrigir e reorientar a política econômica e o regime fiscal".

No dia 9 de dezembro, o documento será entregue à presidente Dilma Roussef. Um dia antes, o Rio de Janeiro sediará um ato de lançamento do material, reunindo trabalhadores de vários estados do Brasil.

Outro assunto apontado no documento é a investigação da operação lava-jato, que deve prosseguir sem paralisar as operações das empresas referenciais para a economia brasileira, como a Petrobras. São pelo menos 29 empresas nessa situação, o que tem gerado demissões em massa.

Adilson Araújo, presidente da CTB, destaca que o compromisso nacional é sair do olho do furacão. "Não existe outra solução que não seja a retomada das grandes obras do PAC e do Pré-sal, e a Petrobras retomando os investimentos no país”, afirmou o sindicalista.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna) reforçou a disposição do sindicalismo de ampliar o debate sobre os rumos da economia do País “para além da pauta do que acontece em Brasília”.

"Queremos criar um ambiente para debater a economia e a realidade que afeta diretamente o povo, quebrando a lógica de juros altos e desemprego. O objetivo é continuar buscando um debate amplo, que inclua os empresários e outros setores sociais", afirmou Juruna.

Segundo o secretário-geral da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Alvaro Egea, o consenso entre trabalhadores e empresários é que o País precisa de medidas emergenciais, pró-retomada do crescimento econômico. “Serão medidas capazes de lançar uma mensagem positiva, que se contraponha ao pessimismo disseminado diariamente”, comentou.

O movimento deverá atuar ainda como um fórum com ampla participação do movimento sindical e promovendo a interlocução com o empresariado e também potencializando o diálogo com a sociedade.

Abaixo, a íntegra do documento, que ainda está recebendo adesões:

Compromisso pelo desenvolvimento

O Brasil é muito maior que a crise, porém, diante do agravamento da situação econômica e dos impactos sociais decorrentes, são urgentes ações propositivas por parte dos que estão preocupados com o emprego, a produção e o bem-estar de milhões de brasileiros.  Não é possível aceitar passivamente as projeções de um 2016 perdido, visto que 2015 já está na conta da recessão e do desemprego crescente.

As brasileiras e os brasileiros querem construir um país com desenvolvimento econômico, social e ambiental, soberano, republicano e democrático.
Afirmamos o compromisso com o Brasil e as gerações presentes e futuras para avançar no fortalecimento do nosso sistema econômico produtivo, das condições e das relações de trabalho. Por isso, reunimos forças para propor mudanças emergenciais que revertam as expectativas que ameaçam o presente e o futuro do país.

Superar os atuais entraves aos investimentos em infraestrutura, destravar a capacidade do Estado para exercer suas funções, incrementar a produtividade, gerar empregos de qualidade, aumentar a renda média, garantir educação de qualidade, fortalecer a democracia e suas instituições, corrigir e reorientar a política econômica e o regime fiscal para o crescimento são alguns dos desafios estruturais do nosso desenvolvimento. O combate ininterrupto à pobreza, à desigualdade, à corrupção e à ineficiência deve ser institucionalmente fortalecido.

É imprescindível mobilizar a vontade coletiva para viabilizar um modelo de desenvolvimento com valorização da produção e do trabalho. Para isso é preciso promover mudanças, sobretudo no sentido de priorizar o setor produtivo e não o capital especulativo.

O Compromisso pelo Desenvolvimento é um esforço na direção de um entendimento propositivo entre trabalhadores e empregadores, que busca articular forças com o objetivo de Construir a mais rápida transição para a retomada do crescimento e do desenvolvimento econômico e social no médio e longo prazo, com sustentabilidade ambiental.

Para tanto, o Compromisso pelo Desenvolvimento demanda o encaminhamento imediato, em espaços de negociação tripartite, inclusive no Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda e Previdência Social, da seguinte agenda:

•    Retomar rapidamente o investimento público e privado em infraestrutura produtiva, social e urbana, ampliando os instrumentos para financiá-la, bem como criando ambiente regulatório que garanta segurança jurídica;
•    Retomar e ampliar os investimentos no setor de energia, como petróleo, gás e fontes alternativas, em especial na Petrobras;
•    Destravar o setor de construção, por meio de instrumentos institucionais adequados, inclusive acordos de leniência, entre outros, que garantam a penalização dos responsáveis e a segurança jurídica das empresas, com a manutenção dos empregos;
•    Criar condições para o aumento da produção e das exportações da indústria de transformação;
•    Priorizar a adoção de políticas de incentivo e sustentabilidade do setor produtivo (agricultura, indústria, comércio e serviços), de adensamento das cadeias produtivas e de reindustrialização do país;
•    Ampliar, em condições emergenciais, o financiamento de capital de giro para as empresas, com contrapartidas sociais e ambientais;
•    Adotar políticas de fortalecimento do mercado interno para incremento dos níveis de consumo, de emprego, renda e direitos sociais.


São Paulo, 3 de dezembro de 2015


CSB - Central dos Sindicatos Brasileiros

CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

CUT - Central Única dos Trabalhadores

Força Sindical

NCST - Nova Central Sindical de Trabalhadores

UGT - União Geral dos Trabalhadores

Abit - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção

Abrinq - Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos

Clube de Engenharia

Federação Nacional dos Engenheiros (FNE)

Instituto Ethos

Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP)



Imprensa SEESP
Com informações da Agência Sindical e CTB




Pesquisa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) investiga a relação entre instituições e empreendedorismo, de acordo com o nível de desenvolvimento do país. O objetivo do estudo da pesquisadora Caroline Raiz Moron, descrito em sua dissertação de mestrado, foi esclarecer como as características institucionais formais e informais dos países afetam o ingresso e a sobrevivência de empreendedores em diferentes mercados. A análise de casos de empresas brasileiras que abriram operações no exterior mostra que nos países mais desenvolvidos o essencial para o empreendedor é cumprir as regras formais, enquanto nos menos desenvolvidos é mais importante possuir contatos e conhecer o contexto local.

Ao iniciar suas pesquisas sobre empreendedorismo, a então mestranda Caroline Raiz Moron encontrou uma literatura muito focada no que ocorre nos países desenvolvidos, e pouca informação sobre a atividade empreendedora nos países em desenvolvimento. A primeira etapa da pesquisa consistiu em um estudo bibliométrico, buscando nas bases de dados, localizando tudo o que existia a partir de palavras-chave relacionadas à instituições e empreededorismo.

Na segunda etapa, empírica — “para ver o que acontece no mundo real” —, foi feito um teste que, segundo a pesquisadora, é “simples, mas ajuda a ver bastante coisa”, para ver se o empreendedorismo é diferente nos países desenvolvidos em relação aos países não desenvolvidos. “Percebemos que os números encontrados na base Global Enterpreneurship Monitor (GEM), que é a base mais importante em empreendedorismo, realmente mostram que há diferenças entre o empreendedorismo praticado nos dois grupos de países”, afirma Caroline.

Na pesquisa, os países desenvolvidos eram aqueles que apresentam IDH muito elevado, e os restantes entravam no grupo de não desenvolvidos. “Havia uma diferença estatística significativa em todas as análises desses dois grupos”.

Regras e contatos
A partir daí, a pesquisadora selecionou dois estudos de caso para delinear essas diferenças: de uma empresa brasileira que instalou suas operações em um país menos desenvolvido que o do Brasil, e de uma empresa que saiu do Brasil em direção a um país com nível de desenvolvimento superior.

A primeira foi o Grupo Pinesso, atuante no ramo de produção de algodão e que resolveu expandir seus negócios para o Sudão, a convite do governo local, que financiou o projeto. O segundo caso trata da Rede de Churrascarias Brasileira, que decidiu ampliar os negócios nos Estados Unidos, porque na época (início do Plano Real) o dólar estava em baixa em relação ao real. Mas, como os administradores não possuíam contato para favorecer a empreitada no local, financiaram o projeto inteiramente.

Dois fatores apareceram como mais relevantes na comparação dos casos: para empreender em países não desenvolvidos, é importante que se tenha contatos e conheça o contexto local; para empreender em países mais desenvolvidos, as regras locais devem ser estudadas, mas contatos não são tão cruciais.

“Para ir a um país desenvolvido é fundamental que o empreendedor conheça as regras formais e cumpra todas elas. Em em país menos desenvolvido, o vital é conhecer as pessoas e ser aceito naquele meio. Dificilmente um empreendedor que não tenha incentivos ou conheça os caminhos vai conseguir fazer um negócio de sucesso em países pouco desenvolvidos”, afirma a pesquisadora. O estudo de Caroline foi desenvolvido como dissertação de mestrado, defendida em 24 de setembro na FEA, e orientada pela professora Maria Sylvia Macchione Saes.


 

Fonte: Agência USP de Notícias








As centrais sindicais e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) vão iniciar um amplo movimento anticrise, pela retomada do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e pela volta do crescimento da economia. A primeira reunião acontece nesta segunda-feira (9/11), na sede do Dieese, na Capital paulista.

A Agência Sindical ouviu o dirigente metalúrgico Miguel Torres, presidente da Força Sindical. Ele vê uma combinação de fatos que agrava a crise e prejudica principalmente os trabalhadores. “Crise econômica, confusão política, Lava-Jato, juros altos – tudo junto”, relaciona.

Além dos sindicalistas e do Dieese, a ideia é agregar empresários e órgãos do governo. “Queremos entender esses acordos de leniência e propor que, sem prejuízo das investigações, as empresas não parem. O que não pode é paralisar cadeias produtivas inteiras, como construção pesada e petróleo e gás, porque isso está paralisando o Brasil”, defendeu o sindicalista.

Emprego
O foco principal do movimento será a preservação dos empregos com a retomada do crescimento. Mas há preocupação, também, com a desnacionalização da indústria. “Na construção pesada, por exemplo, as chinesas já estão chegando. E outros segmentos passam para controle estrangeiro. Isso empobrece a Nação”, alerta Torres.


 

Fonte: Agência Sindical








Acontece no dia 22 deste mês, uma quinta-feira, o Dia da Engenharia Brasil-Alemanha (DDEA), das 10h30 às 20h00, no Centro Universitário Senac – Santo Amaro, São Paulo. Promovido pela VDI-Brasil, o evento tem como objetivo evidenciar a contribuição da indústria alemã para o progresso econômico e tecnológico brasileiro e será realizado a partir deste ano em novo formato.

 

dia da engenharia br-alemanha red



Em sua sua abertura, contará com a presença de Wolfram Anders, presidente da Câmara Brasil-Alemanha São Paulo e CFO da Robert Bosch Ltda, e de Wilson Bricio, Presidente da VDI-Brasil e da ZF América do Sul. Será composto por dois Keynote Speakers que falarão sobre: “O diferencial competitivo da engenharia alemã” (Ralph Appel, Diretor Executivo da VDI Alemanha) e “Os desafios da engenharia no Brasil” (Pedro Wongtschowski, Presidente do Conselho de Administração da EMBRAPII).

Em seguida, haverá três painéis de debate, que abordarão os assuntos mais atuais das diversas áreas da Engenharia: “Os desafios do Engenheiro ante a Indústria 4.0”, “O Engenheiro na Inovação e Produtividade” e “O Engenheiro na Gestão”.

Destes painéis participarão importantes nomes: Jefferson Oliveira Gomes, Diretor Presidente do SENAI SC; Bento Koike, Co-Fundador da Tecsis; Celso Placeres, Diretor da Engenharia de Manufatura da Volkswagen; Edouard Mekhalian, Diretor Geral da KUKA Roboter; Gerhard Ett, Chefe do Laboratório de Engenharia Térmica do IPT; João Fernando Gomes de Oliveira, Vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências e Professor Titular da USP; Livaldo Aguiar dos Santos, Ex-presidente das Indústrias Romi; Paulo Mól, Superintendente da IEL Nacional; Theo van der Loo, Presidente da Bayer S/A; Weber Porto, Presidente da Evonik; Wolfgang Hänle, COO da Mercedes-Benz; Frank Sowade, Presidente da SAE Brasil; Besaliel Botelho, Presidente da Robert Bosch Ltda.; Ladislau Martin Neto, Diretor Executivo de Pesquisa e Desenvolvimento EMBRAPA; José Rizzo Hahn, CEO da Pollux Automation; Pablo Roberto Fava, Diretor Geral de Automação da Siemens Brasil; Ricardo Simões Abreu, Vice-presidente de Tecnologia da MAHLE Metal Leve; Paulo Braga, Jornalista e Editor da Revista Automotive Business; Dr. Gunnar Gödecke, Diretor Geral de P&D da Vulkan Group; Ingo Plöger, Presidente da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional Ltda.; Axel Werner, Sócio da Kienbaum, entre outros.

O encontro que aconteceu pela primeira vez em 2009, e tem como público alvo engenheiros, empresários, presidentes e diretores de grandes empresas, representantes de associações e entidades de classe, políticos, acadêmicos, imprensa e demais interessados na Engenharia, abriu as portas da Engenharia para assuntos factuais e de suma importância para empresas e profissionais que querem caminhar alinhados à modernidade e às novas tendências e tecnologias. Em 2014, abordou o tema “Energia 2030: Tendências e tecnologias do amanhã”.

Antes de cada painel haverá um pitch de universitários, no qual estes irão compartilhar seus pontos de vista sobre o tema em questão, frente à executivos renomados de empresas brasileiras e alemãs.

A Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha entregará este ano o “Prêmio VDI-Brasil”. Será uma premiação concedida anualmente, cujo o objetivo é reconhecer engenheiros, dos diversos setores, por uma vida dedicada a contribuições para o desenvolvimento do país. A entrega da primeira edição do prêmio ocorrerá durante um coquetel logo após o encerramento da 7a edição do Dia da Engenharia Brasil-Alemanha.

Nesta ocasião, também será entregue o “Prêmio Embaixador VDI-Brasil”, uma homenagem ao profissional que contribuiu para o crescimento da associação nos últimos anos.

Mais informações no site oficial www.ddea.com.br

Fonte: DDEA




Acontece na cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, de 5 a 7 de outubro, o IX Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse), promovido pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). O evento é a atividade mais importante da entidade e ocorre a cada três anos, cumprindo importantes questões estatutárias da organização sindical da categoria.

Porém, é também uma oportunidade para o debate sobre o País, envolvendo a sociedade como um todo. Por isso mesmo, o congresso tem uma programação que busca possibilitar o diagnóstico dos nossos problemas em áreas consideradas chave para o desenvolvimento. 

Terá destaque um amplo debate sobre a política econômica e a situação da indústria e do agronegócio, as dificuldades para os avanços nesses setores e quais seriam os caminhos a serem seguidos para superá-las. Para travar essa discussão, contaremos com especialistas e representantes do setor produtivo.

Na mesma dinâmica, entrarão em pauta ainda os desafios a serem superados em água e energia, incluindo o debate sobre como fica o petróleo no Brasil após as turbulências envolvendo a Petrobras. A mobilidade urbana é mais um tema de destaque, pois configura-se hoje em tarefa de monta para as médias e grandes cidades, onde a falta de transporte coletivo adequado tem gerado prejuízos econômicos e para a saúde da população. 

Por fim, abordaremos a necessidade de valorização da engenharia nacional para que se obtenha êxito em todas essas frentes de trabalho essenciais à expansão econômica e ao bem-estar das pessoas. 

Ao propor essa discussão no atual cenário de crise, queremos deixar claro que os engenheiros brasileiros têm como meta central continuar a contribuir para o desenvolvimento do País. É nossa convicção que é preciso manter a mobilização pela retomada da atividade produtiva, pois não podemos mergulhar na recessão e no desemprego. E essa deve ser a luta da Engenharia Unida em todo o Brasil.

Mais do nunca, continua viva a bandeira do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado em 2006 pela FNE. Nesta edição do Conse, precisamos reafirmar princípios básicos dessa iniciativa que seguem válidos: não há solução sem crescimento econômico. Também é improvável que ajustes fiscais de caráter regressivo, que tornem ainda mais difícil a vida das pessoas, ajudem-nos a superar a crise. O setor público deve, sem dúvida alguma, lançar mão de medidas que melhorem a qualidade do seu gasto, evitem desperdícios e, sobretudo, desvios, mas isso não significa minar a nossa já frágil proteção social. 

Fica aqui o nosso convite para que todos participem desse debate conosco, que se intensificará durante o nosso congresso, mas que é nossa bandeira de luta permanente.

 

Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente

 

 

 

* Editorial publicado, originalmente, no Jornal do Engenheiro, Edição 483 - 1º a 15 de outubro de 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É responsabilidade constitucional do governo federal, dos governos estaduais e municipais a elaboração e o encaminhamento ao legislativo do planejamento estratégico governamental. O instrumento é o PPA (Plano Plurianual), agora enviado ao Congresso pelo governo federal, para o período de 2016 a 2019, no qual são definidos objetivos, diretrizes, programas, políticas e ações, bem como as fontes de financiamento e o orçamento que sustentarão o Plano.

O governo fez um amplo processo de consulta e participação social na elaboração do PPA, que já está no Congresso para apreciação pelos parlamentares na Câmara e Senado.

A visão de futuro do País que queremos – um país desenvolvido que promova bem-estar social e qualidade de vida para todos, em equilíbrio com o meio ambiente – exige caminhos que precisarão ser trilhados por meio de transformações econômicas, mudanças políticas e avanços sociais. O PPA 2016-2019 propõe quatro grandes caminhos, denominados eixos estratégicos, que são:

• Educação de qualidade, como caminho para a cidadania e o desenvolvimento social e econômico;

• Inclusão social e redução das desigualdades, com melhor distribuição de oportunidades e mais condições de acesso a bens e serviços públicos de qualidade;

• Ampliação da produtividade e da competitividade da economia, com fundamentos macroeconômicos sólidos, sustentabilidade e ênfase nos investimentos públicos e privados, especialmente em infraestrutura;

• Fortalecimento das instituições públicas, com participação e controle social, transparência e qualidade na gestão.

Esses grandes eixos mobilizadores devem reunir as forças sociais para promover grandes travessias, mudanças que alcem o Brasil à condição de país desenvolvido. Para isso, o PPA detalha inúmeras políticas, ações e objetivos a serem alcançados nos próximos quatro anos.

Há uma questão central para a promoção do desenvolvimento econômico e social, que é aumentar a produtividade do trabalho e de toda a economia. Quatro vetores devem conduzir esse processo:

(a) O aumento do investimento público e privado, especialmente em infraestrutura econômica (estradas, portos, energia, aeroportos etc.), social (creche, escola etc.), urbana (habitação, saneamento, despoluição dos rios, mobilidade etc.) e produtiva (ampliar e modernizar plantas e processos de trabalho);

(b) Aumentar o investimento em educação (básica, profissional e universitária), com foco na qualidade do ensino;

(c) Incentivar e promover a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico, a inovação no chão das empresas, além da difusão entre os setores, dentro de cada setor e entre as empresas e organizações;

(d) Modernizar o Estado, realizando reformas institucionais que simplifiquem e promovam a progressividade tributária, desburocratizem e agilizem a administração pública e as obrigações das empresas e do cidadão, aperfeiçoem a regulação dos mercados, entre outros.

O desafio é aumentar a efetividade de cada uma dessas diretrizes. Para isso, pode concorrer a participação social, propondo medidas, cobrando a implantação das ações e mensurando os resultados. É fundamental também criar compromissos entre os atores sociais com as mudanças, com o debate público e com as difíceis escolhas que esses desafios exigirão.

 

* Clemente Ganz Lúcio é diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

 

 

 

 

 

 

Diante do contexto político e econômico do país, sindicatos divulgam nota pública, dirigida ao governo, em que cobra "compromisso com o País, com a democracia e com a necessária afirmação de um projeto de desenvolvimento nacional ancorado na produção, em uma indústria forte, um setor de serviços dinâmico, um comércio vigoroso, uma agricultura pujante e em um Estado indutor e coordenador das estratégias de crescimento econômico e de desenvolvimento social". Confira abaixo a íntegra.


Foto: Brasil de Fato

ato em sao paulo 600Ato de quinta-feira (20/8) em São Paulo, que reuniu cerca de 75 mil pessoas de sindicatos e organizações da sociedade civil, com críticas à política econômica do governo

 



Chamado ao diálogo pela democracia, por crescimento econômico, inclusão social e desenvolvimento nacional

O Brasil já deu mostras de que é um país capaz de promover equidade, bem-estar social e qualidade de vida para todos. Por isto, precisamos retomar rapidamente o investimento e a atividade produtiva para aumentar as oportunidades, o emprego, melhorar a distribuição da renda e as políticas sociais.

Tais desafios exigem, das forças vivas da sociedade brasileira, um claro posicionamento em defesa da democracia, do calendário eleitoral, do pleno funcionamento dos Poderes da República, da estabilidade institucional e dos fundamentos constitucionais como condição para a rápida e sustentada transição para o crescimento econômico.

Mais do que isto, é necessário desmontar o cenário político em que prevalecem os intentos desestabilizadores, que têm sido utilizados como o condão para a aplicação de uma política econômica recessiva e orientada ao retrocesso político-institucional.

Assim sendo, reafirmamos que qualquer projeto de desenvolvimento nacional deve ser cimentado pelo fortalecimento das instituições e da democracia, sem descuidar do combate à corrupção, e tem que guiar-se pela superação das graves desigualdades econômicas, sociais e regionais, promovendo:

• Combate à inflação;

• Juros baixos;

• Aumento do investimento público e privado em infraestrutura econômica e social;

• Defesa do emprego e do poder de compra dos trabalhadores;

• Política cambial que incentive a atividade produtiva, especialmente a industrial;

• Investimentos na qualidade da educação;

• Ciência, tecnologia e inovação para agregar valor à produção de bens e serviços;

• Fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas;

• Consolidação do mercado interno de consumo de massa;

• Fortalecimento e estímulo da participação competitiva do Brasil;

• Modernização das instituições, das leis e do Estado.

O momento exige diálogo, compromisso com o País, com a democracia e com a necessária afirmação de um projeto de desenvolvimento nacional ancorado na produção, em uma indústria forte, um setor de serviços dinâmico, um comércio vigoroso, uma agricultura pujante e em um Estado indutor e coordenador das estratégias de crescimento econômico e de desenvolvimento social.

Por isto, os sindicatos abaixo assinados declaram-se dispostos, e conclamam os demais segmentos da sociedade civil organizada, a restabelecer as pontes para o necessário diálogo visando a construção de compromissos e acordos para fortalecer a democracia, o crescimento econômico e o desenvolvimento nacional.

São Paulo, 14 de agosto de 2015.

Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes – Miguel Eduardo Torres, presidente

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – Rafael Marques, presidente

Sindicato dos Comerciários de São Paulo – Ricardo Patah, presidente

Sindicato dos Empregados em Hotéis de São Paulo – Francisco Calazans Lacerda, presidente

Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo – Rene Vicente dos Santos, presidente

Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo – Antonio Neto, presidente

Sindicato dos Bancários de São Paulo – Juvandia Moreira Leite, presidenta

Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo – Antonio de Sousa Ramalho, presidente

Federação dos Empregados do Comércio do Estado de São Paulo – Luiz Carlos Motta, presidente

Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo – Osvaldo da Silva Bezerra, coordenador-geral

Sindicato dos Telefônicos de São Paulo – Almir Munhoz, presidente

Sindicato dos Empregados em Edifícios de São Paulo – Paulo Ferrari, presidente


Fonte: Diap




Como profissão do desenvolvimento por excelência, em uma economia estagnada como a atual, a engenharia começa a perder postos de trabalho. Retomar os investimentos produtivos, reduzir a taxa de juros, garantir a valorização profissional e combater a desindustrialização estão entre as demandas apontadas há tempos pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) em seu projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” para reverter esse quadro.

Após o boom verificado a partir de 2007, com a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e ampliação de investimentos em infraestrutura, o País enfrenta cenário de desaceleração. Como consequência, a categoria revive a perda de empregos – constante durante os anos 1980 e 1990. Em alta até pouco tempo, agora sente com mais intensidade os efeitos da crise que assola o Brasil e o mundo. Segundo José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a previsão é de que o PIB em 2015 fique dois pontos negativo. Sinal de que o Brasil caminhava para recessão foi dado já em 2014, quando a economia praticamente não cresceu. “O que podemos inferir é aumento de desemprego em todos os setores e de forma mais acentuada na indústria. A construção civil vem perdendo muitos postos, assim como os segmentos ligados a infraestrutura, resultado da crise econômica e política em âmbito nacional”, observa. Diante desse panorama, projetos foram concluídos ou suspensos, por problemas com contratos, e não há novos. Ele apresenta os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Emprego e Trabalho, que demonstram a piora na conjuntura econômica: até junho de 2015, o número de demitidos superou o de admitidos no mercado de trabalho em 111.200; no semestre, foram menos 345.417 empregos; e em 12 meses, 601.924. Setores que empregam muitos engenheiros tiveram perda significativa. “Na construção civil, o saldo negativo foi de 24.131 em junho, 134.494 entre esse mês e janeiro, e em 12 meses, 329.288. Já na indústria de transformação, foram 64.228, 162.387 e 375.998 nos períodos respectivos.”

Os efeitos da crise sobre a categoria são constatados pelo Departamento Jurídico do SEESP. Na comparação entre 2014 e 2015 (de janeiro a junho), o número de homologações cresceu mais de 50% (confira quadro). “As áreas que mais demitiram foram construção civil e engenharia consultiva, em decorrência de contratos suspensos e falta de investimento. Não há projetos em andamento”, explica a advogada Karen Blanco.

Outro setor do sindicato que serve de termômetro é o de Oportunidades e Desenvolvimento Profissional. Segundo os dados apurados, houve aumento de 26% nos atendimentos realizados pessoalmente no primeiro semestre deste ano e de 28%, por telefone. “A visão de mercado que o engenheiro nos traz é de que teve uma grande queda nas vagas voltadas às áreas de engenharia civil, indústria e petróleo e gás. As poucas vagas disponíveis têm salários abaixo do que ganhavam e com grande número de candidatos. O tempo de recolocação aumentou para seis meses a um ano, ou mais”, aponta análise do setor. 

Desafios à retomada
Embora o Brasil se insira num contexto de crise global, com queda nos preços de commodities que afetam também os países exportadores, o cenário adverso não é apenas consequência do que ocorre no mundo; reflete opções equivocadas em relação à macroeconomia. Em 2014, a FNE já alertava em seu “Cresce Brasil” a necessidade de fazer frente a novos desafios para conter entraves ao desenvolvimento nacional sustentável. No documento, indicava a premência de se combater a desindustrialização precoce, adensando cadeias produtivas. Intitulado “O desafio de reindustrializar o Brasil”, seminário realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), na sede do SEESP, na Capital, no dia 29 de junho último, evidenciou que as recomendações não foram seguidas. Conforme um dos palestrantes, o economista Antonio Corrêa de Lacerda, coordenador do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), reverter essa situação passa por reduzir a taxa de juros, ter uma política industrial de Estado e investir em logística e infraestrutura (confira reportagem na edição 478 do Jornal do Engenheiro).

Além disso, a FNE tem lutado pela aprovação de projeto que institua a carreira de Estado para engenheiros, importante instrumento à geração de empregos no setor público, com remuneração justa e valorização profissional.

Garantir as medidas adequadas é fundamental para abreviar o impacto das crises política e econômica. De acordo com Silvestre, a previsão é que o País ainda atravesse turbulência em 2016, com “crescimento do PIB não muito diferente de zero” A aposta, conforme o economista do Dieese, é de que a economia comece a se recuperar somente no segundo semestre do próximo ano e haja melhora a partir de 2017, a depender da volta dos investimentos e de mudanças na política econômica.




Soraya Misleh
Imprensa SEESP
Matéria, originalmente, publicada  no Jornal do Engenheiro, nº 479, de 1º a 15 de agosto de 2015










 

Um aspecto essencial do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” é a ênfase dada à importância da ciência, tecnologia e inovação na busca de um projeto de crescimento para o País. O tema, que faz parte da proposta da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) desde o seu lançamento, inicialmente não constava do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) proposto pelo governo. A falha foi corrigida após ter sido apontada pela nossa federação e C, T & I entraram na agenda da expansão econômica. Passados nove anos do lançamento do “Cresce Brasil” e oito de vigência do PAC, o País experimentou um ciclo positivo de expansão de investimentos, geração de emprego e aumento da renda do trabalhador, mas se vê hoje novamente diante de uma crise econômica – agravada pelas turbulências políticas –, para a qual ainda não se vislumbra saída.


Foto: Beatriz Arruda
Murilo editorial editada 600
 Murilo Pinheiro: Até agora, as altas taxas de juros não serviram para reduzir a inflação,
e o ajuste fiscal vem se mostrando inútil diante do aumento do serviço da dívida


Nós, os engenheiros brasileiros, que temos entre nossas bandeiras essenciais o desenvolvimento nacional, vimos defendendo que o enfrentamento da situação não se dê de forma a desestimular a produção. Não nos parece que a velha e surrada fórmula de buscar agradar ao mercado financeiro vá nos garantir a superação das dificuldades. Até agora, as altas taxas de juros não serviram para reduzir a inflação, e o ajuste fiscal vem se mostrando inútil diante do aumento do serviço da dívida.
 

Pelo contrário, é preciso agir para assegurar a sustentação da economia real do País e, principalmente, o emprego dos brasileiros. Isso era verdade em 2006, quando ousamos afirmar que seria possível alcançar um incremento do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 6% ao ano, e continua valendo hoje, apesar das dificuldades internas e do grave cenário global. 
 

Na mesma lógica, é essencial que mantenhamos na nossa pauta a importância de se investir em C, T & I, pois é necessário não só recuperar a indústria brasileira, que sofre um precoce encolhimento, como torná-la competitiva.
 

Nossa convicção quanto a isso traduz-se de forma concreta na criação do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), que tem como entidade mantenedora o SEESP, e deu início neste ano ao primeiro curso de graduação em Engenharia de Inovação. A meta é, lançando mão de uma proposta de aprendizagem avançada, formar profissionais multiespecialistas que, independentemente da área em que atuem, estejam aptos a inovar, seja como empregados ou à frente de empreendimentos próprios. O esforço de pesquisa e desenvolvimento feito nas universidades segue sendo essencial e precisa ser ampliado. No entanto, é importante também que essa dinâmica esteja presente de forma decisiva nas empresas, inclusive nas micro e pequenas. Esse é o caminho para se produzir mais e melhor e aumentar a lucratividade.
 

Nesse pacote está incluída a necessidade de se qualificar e valorizar a mão de obra, bem ao contrário do que defendem alguns, para quem o caminho da lucratividade é a precarização. 
 

Portanto, é impreterível também que haja um sistema estabelecido de educação continuada aos profissionais. Uma proposta interessante nesse sentido (http://goo.gl/boLJ60) foi elaborada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), entidade que também congrega os engenheiros brasileiros e atua fortemente pela construção de um país desenvolvido, justo e soberano.



 

Por Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente do SEESP









BeluzzodentroA expansão dos investimentos das empresas de países centrais para periféricos nos últimos 30 anos provocou uma polarização sem precedentes na economia global em que, de um lado, há hoje um conjunto de nações, como as do Leste Asiático, que se beneficiaram desse fluxo de capital e se tornaram industrializadas. No outro extremo restou outro grupo, formado por países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os da União Europeia, além de emergentes, a exemplo do Brasil, que passam atualmente por um processo de desindustrialização.

Para sobreviver a essas mudanças na dinâmica da economia global, os países da América Latina precisam se integrar economicamente. E esse processo pode – e deve – ser liderado pelo Brasil.

A avaliação foi feita por Luiz Gonzaga Belluzzo (foto), professor do Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Faculdade de Campinas (Facamp), durante o The Fourth Latin American Advanced Programme on Rethinking Macro and Development Economics (Laporde), realizado nos dias 7 a 11 de janeiro na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

De acordo com Belluzzo, a reconfiguração da economia global observada hoje - na qual alguns países, como a China, conseguiram obter saltos econômicos e passaram a concentrar a produção manufatureira mundial - não tem paralelo na História.

Isso porque, diferentemente do que ocorreu no século 19, quando países como por exemplo os Estados Unidos e a Alemanha emergiram como potências industriais de forma isolada e mudaram os rumos da economia mundial, o que se assiste atualmente na Ásia é à formação inédita de uma economia regional com alto grau de integração na produção manufatureira.

“A economia asiática se transformou em um polo manufatureiro de grande produtividade e integração em que alguns países, como a China, produzem peças e componentes de bens de consumo, e outros, como o Japão, são fornecedores de bens de capital - o que é espantoso e não tem precedentes históricos. Ainda há 2,6 bilhões de pessoas na região que estão disponíveis para serem incorporados [como mão de obra] a esse sistema produtivo”, ressaltou Belluzzo, que é membro do Conselho Superior da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A China já exporta mais bens de consumo, como vestuário, para os Estados Unidos, Canadá e México do que os 27 países que formam a União Europeia. E, além de produzir e exportar produtos de menor valor agregado, o país asiático avança para áreas de tecnologia mais avançada, como maquinários elétricos e componentes e equipamentos de informática.

Por meio de mecanismos de absorção de tecnologias, a China também já atraiu boa parte dos sistemas de pesquisa e desenvolvimento que estavam ligados a grandes empresas europeias e norte-americanas.

“Se esse movimento de graduação tecnológica e integração regional continuar no atual ritmo na Ásia, provavelmente haverá uma tremenda polarização da produção manufatureira global pelos países da região, que é insuportável do ponto de vista do desenvolvimento de outras nações, inclusive das desenvolvidas”, afirmou Belluzzo.

Para enfrentar o avanço da economia regional asiática, que começa a desenvolver instituições monetárias e financeiras próprias, segundo Belluzzo, os países da América Latina devem se integrar economicamente.

Isso porque, de acordo com ele, os países da região não têm escala de produção para sobreviver isoladamente como uma economia industrial moderna.

“O único país na América Latina que reúne os requisitos para enfrentar o avanço dos asiáticos com aumento de escala de produção é o Brasil. Mas o Brasil também não irá sobreviver sem avançar na integração com os outros países da América Latina. Em função disso e por ser a economia que tem mais condições na região, terá que liderar esse processo”, disse Belluzzo.

Segundo o professor, com o Mercosul foi possível avançar na questão da integração comercial dos países da América do Sul. Mas, a fim de ampliar esse projeto para a América Latina, é preciso se pensar na criação de instituições financeiras, como um banco, para apoiar projetos de investimento nos países da região e auxiliá-los a caminhar na direção de um espaço econômico único, a exemplo do que se constrói na Ásia.

“A integração econômica da América Latina é inevitável para os países da região sobreviverem ao surgimento do espaço econômico que surgiu na Ásia a partir de um novo movimento competitivo”, afirmou Belluzzo.

“Hoje, não há mais competitividade entre os países. São sistemas empresariais e produtivos que competem. Por isso, os países têm que adotar políticas de defesa de suas economias nacionais, que são muito diferentes daquelas que prevaleciam no passado”, destacou Bellluzzo, que foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1985 a 1987) e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (1988 a 1990).

Origens do fenômeno
De acordo com Beluzzo, essa nova forma de funcionamento da economia global, com o deslocamento dos investimentos produtivos dos países centrais para os periféricos, foi iniciada na década de 1980 e se acentuou na seguinte. O movimento coincide com mudanças que ocorreram nas políticas econômicas dos países desenvolvidos.

A partir da década de 1990, em função de mudanças no regime de política econômica dos Estados Unidos, a conta de capital americana (que registra as transações de fundos, empréstimos e transferências do país) começou a se tornar superavitária (positiva).

Em contrapartida, sua conta corrente – que registra as entradas e saídas relacionadas ao comércio de bens e serviços e pagamentos de transferências, como o financiamento das empresas para realização de investimento externo – passou a ser sistematicamente deficitária (negativa).

Já a conta corrente chinesa, que até o início dos anos de 1990 oscilava entre pequenos déficits e pequenos superávits, a partir de dessa época começou a ficar claramente superavitária.

“Isso bate exatamente com o movimento de capitais americanos para o exterior. Nessa época, houve um grande deslocamento de empresas americanas para a China”, explicou Belluzzo.

Desde então, segundo o economista, intensificou-se o investimento de empresas tanto norte-americanas como europeias na Ásia – sobretudo na China. Como consequência desse fenômeno, a economia dos países de origem desses investimentos e dos que concorrem com a China, como o Brasil, passam hoje por um processo de desindustrialização.

“Claramente, assim como a economia americana, a europeia e a brasileira estão se desindustrializando. O Brasil está perdendo elos importantes da cadeia industrial, como o setor de bens de capital, que está encolhendo”, disse Belluzzo.

Entretanto, na opinião do economista, o país não está condenado a sofrer uma desindustrialização devastadora. “O Brasil tem uma possibilidade muito grande de desenvolver certos setores que estão ligados, por exemplo, à exploração do pré-sal, e exercer o protagonismo na integração da América Latina”, destacou.

 

Imprensa – SEESP
Por Elton Alisson da Agência Fapesp



AmericaLatinaInternoIniciativas de desenvolvimento nas Américas são quase sempre acompanhadas de situações de violência. A informação está no relatório inédito Transformando Dor em Esperança - Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos nas Américas, divulgado nesta sexta-feira (7/12) pela ONG Anistia Internacional.

O documento analisa 300 casos acompanhados pela organização entre janeiro de 2010 e setembro de 2012, em 13 países: Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Peru, República Dominicana e Venezuela. Entre eles, são detalhados 57 casos de pessoas mortas ou ameaçadas, sendo que cinco foram registrados no Brasil.

Os casos brasileiros citados no relatório são o do presidente da Associação Homens e Mulheres do Mar (Ahomar), Alexandre Anderson, que defende a pesca artesanal e luta contra o impacto ambiental e social causado pela instalação de um complexo petroquímico na região da Baía de Guanabara; o da juíza Patrícia Acioli, responsável por julgar casos de violência policial em São Gonçalo (RJ), assassinada em 2011; o da professora Laísa Santos Sampaio, integrante do Grupo de Trabalhadoras Artesanais Extrativistas, que já teve 20 pessoas assassinadas, todas envolvidas na luta contra a extração ilegal de madeira; o de Josimar Macário dos Santos, ameaçado por investigar a morte do irmão, supostamente morto com um tiro na nuca por policiais em 2009; e o das comunidades quilombolas e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Maranhão, que lutam pelo reconhecimento oficial e pela obtenção do direito sobre terras tradicionais.

De acordo com o diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil, Atila Roque, na maioria dos casos analisados, a violência contra os ativistas está relacionada a grandes iniciativas de desenvolvimento.

“É impressionante você verificar que, na região, várias iniciativas de desenvolvimento, projetos, programas de expansão da área agrícola ou de infraestrutura, vêm acompanhados, em quase todos os casos, de forte componente de violência e de violação de direitos de defensores dos direitos humanos.”

O relatório aponta que a maioria dos casos envolve disputa de terra ou outro recurso natural, inclusive com a ocorrência de luta armada. Ativistas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), migrantes, jornalistas, blogueiros, sindicalistas e pessoas que lutam contra a impunidade são as principais vítimas de ameaça e perseguição.

Ameaças de morte, assassinatos, sequestros e desaparecimentos forçados são as principais formas de violência sofrida pelos defensores dos direitos humanos. Mulheres representam um terço dos casos analisados, sendo que são frequentes também estupros e ameaças sexuais. Entre os 300 casos acompanhados pela Anistia Internacional, em apenas quatro o culpado foi punido.

“É muito chocante você perceber como, na região, muitas vezes o que há de mais moderno pode combinar com o que há de mais atrasado. Você pode ter empreendimentos usando tecnologia de ponta, usando marcos tecnológicos do século 21 com métodos de controle e repressão social do século 19”, critica Roque.

O diretor destaca, entretanto, que os ativistas conquistaram vitórias em áreas como a defesa da legislação indígena e quilombola e das florestas. “Se não fossem as lutas, não teríamos o que temos hoje, mas não significa que os defensores não estejam ameaçados.”

Segundo o relatório, “o aparato do Estado segue incapaz de incorporar em seus mecanismos o que é recomendado pela legislação internacional que trata do tema dos defensores dos direitos humanos”. Para a Anistia Internacional, há um despreparo dos Estados no sentido de garantir a atuação dessas pessoas e quando elas são vítimas de violência dos mais diferentes graus.

Para Roque, a sociedade e o Estado precisam assumir a responsabilidade da preservação da integridade e das condições de trabalho dessas pessoas, que estão exercendo uma função pública de defesa dos direitos universais.

A ONG sugere que os governos reconheçam publicamente a legitimidade dos defensores dos direitos humanos, invistam em formas de acabar com a violência contra eles e investiguem as denúncias de ameaças. Também propõe que as autoridades reconheçam e criem espaços para manifestações pacíficas e ações públicas, impeçam acusações criminais contra os defensores que sejam motivadas por seu trabalho e incluam nas ações a questão de gênero, levando em conta as necessidades específicas das mulheres.

Junto com o relatório, a Anistia Internacional lança a campanha Escreva por Direitos, que vai até 16 de dezembro, para o envio de cartas a autoridades pedindo providências para a proteção de defensores de direitos humanos que correm risco e vivem sob ameaças.

A iniciativa é promovida todos os anos, com a escolha de casos específicos. Em 2012, dos seis casos escolhidos para a mobilização mundial, dois são de brasileiros: o de Alexandre Anderson e o de Nilcilene Miguel de Lima, presidente de uma associação de extrativistas do Amazonas que foi espancada e teve a casa incendiada, sendo forçada a fugir de sua terra.

A ONG lembra que no início de dezembro são celebrados o Dia Internacional dos Defensores de Direitos Humanos (9) e o Dia Internacional dos Direitos Humanos (10). O relatório Transformando Dor em Esperança - Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos nas Américas está disponível no site http://anistia.org.br/.

 

Imprensa – SEESP
Informação da Agência Brasil



Relatório divulgado nesta terça-feira (27/11) pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) indica que a economia brasileira fechará o ano com um crescimento de, no máximo, 1,5%. É o menor percentual entre os países que compõem o bloco Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A maior previsão de crescimento é a da China, 7,5%. Depois vêm a Índia (4,4%), a Rússia (3,4%) e a África do Sul (2,6%).

Pelas projeções para o próximo ano e 2104, a China e a Índia continuarão na liderança, registrando crescimento superior a 6,5%. O Brasil, segundo as estimativas, deverá crescer 4% no ano que vem e 4,1% em 2014. As economias da Rússia e da África do Sul terão expansão de 3% a 4%. Detalhes sobre o estudo podem ser obtidos na página da OCDE.

No capítulo sobre o Brasil, a organização informa que a economia registra melhorias, mas abaixo da tendência geral de crescimento. Segundo o relatório, há indicadores de confiança e projeções de queda no desemprego. O estudo diz ainda que a inflação diminuiu e se estabilizou. Mas alerta sobre a necessidade de mais investimentos nas exportações.

Em relação à economia global, o relatório diz que a projeção é “uma recuperação hesitante e desigual”, nos próximos dois anos. A OCDE recomenda que as autoridades assumam uma “política decisiva” para combater os efeitos da crise econômica internacional e evitar riscos de recessão.

"A economia mundial está longe de estar fora de perigo", disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría. “Os governos devem agir decisivamente, usando todas as ferramentas à disposição para retomar a confiança e impulsionar o crescimento e a geração de emprego, nos Estados Unidos, na Europa e em outros lugares ", acrescentou ele.

O documento alerta sobre a fragilidade da economia norte-americana, enfraquecida pela recessão e sob efeito da crise global. Também informa que a geração de emprego no mundo está em baixa, registrando cerca de 50 milhões de pessoas desempregadas nos países pesquisados pela OCDE.

A orientação da entidade é para que as autoridades estimulem a abertura de vagas de trabalho. Para os pesquisadores, a tendência é que a crise na zona do euro (17 países que adotam a moeda única) deve permanecer, apesar das medidas de austeridade adotadas por vários governos da região.

 

Imprensa – SEESP
Informação da Agência Brasil



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