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Aumentar a competitividade brasileira com as fábricas inteligentes, que usam tecnologias físicas e digitais na produção, é um dos desafios imediatos do setor privado e tema do fórum "Indústria 4.0: A era da manufatura avançada", que acontece, na quarta-feira (19/07), das 8h às 13h, na capital paulista, na sede da organizadora do evento, a American Chamber of Commerce for Brazil (Amcham), na Rua da Paz, 1.431, Chácara Santo Antônio. 

O impacto que a informatização das fábricas traz à economia será debatido pelo diplomata e economista Marcos Troyjo, da Columbia University (EUA), e Rodrigo Damiano, diretor da PwC.  Troyjo detalha as competências mais recomendadas aos profissionais para adaptação ao novo cenário e Damiano aborda as vantagens competitivas do uso de tecnologias como sistemas ciber-físicos, internet das coisas, computação em nuvem e outras nas indústrias. 

Troyjo também modera o painel sobre a Indústria 4.0 no Brasil. Os painelistas são Márcio Girão, diretor de inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e Fernando Pimentel, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). 

As indústrias que adotam tecnologias digitais no Brasil participam do painel seguinte. Dividindo experiências e acertos no processo, estão Daniel da Rosa, CEO da Thyssenkrupp, Celso Luis Placeres, diretor de engenharia de manufatura da Volkswagen, Edouard Mekhalian, diretor-gerente da KUKA Roboter, e Marcio Mariano Jr., CEO da startup Forsee.

 

Comunicação SEESP
Informação da assessoria de imprensa do evento

 

 

 

 

 

O Encontro Nacional da Engenharia Civil (Enec), promovido pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), que acontece de 12 de julho até dia 14 próximo, na capital paulista, tem o mérito de reunir lideranças, dirigentes dos Conselhos Regional de Engenharia e Agronomia (Creas), conselheiros federais e profissionais de todo o País para discutir a importância da área para o desenvolvimento do País. Essa, inclusive, foi a tônica do discurso do presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e do SEESP, à abertura da atividade, que defendeu enfaticamente o protagonismo da engenharia brasileira para o crescimento sustentável do País. Nesse sentido, Murilo apontou como fundamental a retomada das mais de cinco mil obras paradas em todo o território nacional.


Fotos: Paula Bortolini
Murilo defende a retomada das obras paradas como uma das ações para aquecer o mercado de trabalho da engenharia.

Para fazer frente à difícil situação por que passa o Brasil, Murilo salientou, ainda, a importância do movimento Engenharia Unida como forma de reunir as diversas entidades ligadas à área no sentido de discutir e encaminhar propostas factíveis junto às representações institucionais, como governos e Legislativos.

Como observa o vice-presidente do SEESP, Celso Atienza, a engenharia civil é praticamente um “termômetro” da situação econômica de um país. “Por ser uma atividade preponderante ao desenvolvimento, ela é a primeira a sentir os reflexos de quando a economia não está bem. Mas, da mesma forma, ela reage rapidamente quando o cenário muda.” Por isso, Atienza endossa a defesa da retomada das obras paradas. E pontua: “A pior obra que existe é aquela que você não termina. Todos saem prejudicados, dos profissionais envolvidos diretamente com o serviço até a sociedade. A ação da FNE e dos nossos sindicatos é não apenas uma defesa corporativa de geração de empregos para o nosso profissional, também estamos vendo o lado da sociedade, que ganha com a obra totalmente realizada. Aí estamos falando de empreendimentos de infraestrutura, relacionados à mobilidade etc.”

Entre os temas em discussão no Enec estão a eficácia e eficiência na fiscalização do exercício profissional; o artigo 75 da Lei nº 5.194/66, da regulamentação da profissão; e a Resolução nº 1.091/2017, no tocante ao exercício da Engenharia Civil no Brasil – denúncias ético-disciplinares.

>> Confira toda a programação do evento aqui

 

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Com informações de Paula Bortolini

 

 

 

 

 

O Brasil possui cerca de 5 mil obras públicas paradas em empreendimentos de grande, médio e pequeno porte do governo federal. Se retomadas, ajudarão na geração de emprego e melhoria da infraestrutura. A avaliação foi feita pelo presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Pinheiro, nesta quinta-feira (29/6), durante o lançamento da Frente Parlamentar da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento na Câmara Legislativa do Distrito Federal.


Foto: Paula Bortolini
Mesa de criação da Frente na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

“A Frente Parlamentar da Engenharia é mais um passo na discussão da engenharia, em que profissionais da área tecnológica podem contribuir com ideias e propostas que ajudem o Parlamento e o Executivo a fazer do Brasil um país mais justo e com mais oportunidades”, disse ele. Murilo frisou: “Poderíamos começar dizendo que a coisa mais rápida a ser feita seria terminar as obras paradas. Para o engenheiro, essa é a obra mais cara.”

Engenharia
A Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento foi criada em novembro último no Congresso Nacional. Desde então, a iniciativa vem sendo lançada em diversos estados brasileiros. O objetivo é reforçar a importância da engenharia no debate nacional sobre as condições para a melhoria da infraestrutura, retomada das obras paradas e do crescimento.

A mobilização nacional feita pela Frente Parlamentar também visa sensibilizar o governo a retroceder nas mudanças feitas na política de conteúdo nacional para os próximos leilões à exploração e produção de petróleo e reverter a decisão da Petrobras, que retomou as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) com licitações sem participação brasileira. “Foram convidadas 30 empresas estrangeiras e nenhuma nacional. Enquanto isso, o País continua perdendo empregos”, disse o presidente da Frente Parlamentar Mista da Engenharia, deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL). Segundo ele, além do Distrito Federal, frentes estaduais já estão atuando no Acre, Alagoas e Bahia e essa mobilização chegará também a São Paulo e Paraná.

Lessa lembrou que a frente é o fórum adequado para a discussão sobre os temas de conteúdo nacional, sobre a importância de se ter uma carreira de Estado para o engenheiro e o combate ao exercício ilegal da profissão.

Distrito Federal
Na Capital Federal, a presidente da Frente Parlamentar é a deputada distrital Celina Leão (PPS). Ela disse que aproveitará a iniciativa para discutir projetos do Distrito Federal que tratam da lei de uso e ocupação do solo e do tombamento de Brasília. Observou ainda que a crise econômica afetou a construção civil e isso provocou o fechamento de 40 mil postos de trabalho na cidade, o que deve ser objeto de debates e propostas para reverter esse quadro.

 

De Luciana Otoni - Assessoria de Imprensa FNE
Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

É preciso que o Congresso Nacional compreenda a mensagem que vem sendo emitida pelos trabalhadores brasileiros, que são a imensa maioria da população: é tempo de parar a tramitação das reformas trabalhista e da Previdência. A greve geral de 28 de abril e a marcha a Brasília de 24 de maio, ambas manifestações vitoriosas, deram esse sinal claro, que deve ser assimilado pelos parlamentares. Equivocadas e injustas, tais proposições hoje, em meio a tamanha crise política, tornam-se também absurdas. Não é aceitável que se siga com a tramitação do Projeto de Lei da Câmara 38/17 e da Proposta de Emenda à Constituição 287/16, como se nada estivesse se passando no Brasil.

Não há justificativa para tamanha pressa ao tratar de questões tão relevantes.  É necessário que o País volte à normalidade para que mudanças dessa monta, que atingem direitos históricos de um contingente de 100 milhões de pessoas e ameaçam minar a nossa já frágil proteção social, possam ser discutidas.

Os defensores de tais ideias devem se submeter ao real e efetivo debate público; não basta promover audiências meramente protocolares que em nada interferem na decisão das casas de leis. A sociedade precisa de informação clara e isenta, não de propaganda, para formar sua opinião e se posicionar.

Ao argumento do lendário déficit da Previdência contrapõe-se a demonstração de inúmeros especialistas que negam a existência de rombo. Por que não permitir aos brasileiros acesso amplo a tais informações para que possam julgar por si próprios?  Aos que afirmam que o fim dos direitos trabalhistas gerará empregos, muitos respondem que a precarização enfraquecerá ainda mais a economia. Essa discussão precisa ser feita.

Nossa convicção é que se a opinião pública tiver acesso ao debate honesto e informado, o que é essencial a uma democracia de fato, a sociedade brasileira repudiará veementemente a ideia de retroceder em seus direitos. Em vez disso, optará por coletivamente buscar a saída da crise econômica que já flagela 14,5 milhões de cidadãos com o desemprego.

Ainda, entenderá que o caminho para tanto é garantir investimentos na infraestrutura nacional e estimular a produção; retomar obras paralisadas; buscar inovação para aumentar a produtividade e ter uma indústria competitiva; e valorizar a engenharia. Perceberá que é preciso também brecar a desnacionalização da economia que vem sendo posta em prática com medidas como a redução da exigência de contratação de conteúdo local pelas empresas petroleiras no Brasil.

Está mais que na hora de reencontrarmos o rumo do desenvolvimento. E isso exige abandonar as reformas erradas e desnecessárias e voltar a crescer.

 

Eng. Murilo Pinheiro
Presidente do SEESP

 

 

 

 

 

A edição deste mês de junho do jornal da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Engenheiro, traz em matéria de capa o debate que continua sobre a exigência de contratação de produtos fabricados no Brasil pelas empresas que participarem dos próximos leilões para exploração de petróleo e gás. Reduzido por decisão do governo em fevereiro último, o chamado conteúdo local é essencial para assegurar a participação da engenharia e da indústria nacionais da cadeia produtiva do setor.

Ainda na pauta, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 38/2017, que propõe a reforma trabalhista e, entre outros pontos, determina a prevalência do negociado sobre o legislado, minando as garantias legais da mão de obra.

O VIII Encontro Ambiental de São Paulo (EcoSP), realizado em 27 e 28 de abril último, abordou, entre outros temas, a tragédia de Mariana, ocorrida em 2015. Até hoje, as consequências do desastre causado pela Samarco são sentidas pela população da região. 

Em entrevista, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira fala sobre as propostas do novo-desenvolvimentismo para que o Brasil saia da crise e volte a crescer. Segundo ele, são necessários, prioritariamente, taxa de câmbio competitiva, superávit em conta corrente e juros baixos.

As inúmeras e incríveis possibilidades do grafeno estão em C & T. Dono da maior reserva mundial de grafita, mineral do qual se extrai a nanopelícula, o Brasil inaugurou seu primeiro laboratório voltado à pesquisa do material em 2016. E mais as atividades e inciativas nos sindicatos em todo o Brasil.

>> Boa leitura!

 

Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (FCAV/Unesp), em Jaboticabal (SP), vai instalar ainda este ano uma incubadora de empresas de tecnologia voltadas ao agronegócio, a InovaJab. Segundo informações da instituição, o projeto depende apenas de adequações de um prédio. A partir daí, a incubadora terá capacidade de receber até dez empresas.

A InovaJab oferecerá oportunidades para alunos, ex-alunos e professores da faculdade interessados em criar uma empresa no ramo do agronegócio. “Em um primeiro momento, a incubadora será direcionada para os alunos e professores, para que eles possam se desenvolver utilizando a estrutura e a parceria com a faculdade, até conseguirem criar uma independência e, assim, se estabelecerem na cidade ou região”, informou o diretor da FCAV/Unesp, Pedro Luís da Costa Aguiar Alves.

A instituição de ensino firmará ainda parceria com a Prefeitura Municipal de Jaboticabal, que oferecerá a manutenção do imóvel, mas, segundo Alves, pretende criar vínculos também com outras instituições da cidade, como a Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec), escolas e outras faculdades locais.

 

Publicado por Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Informação da Unesp Agência de Notícias (UnAN)

 

 

 

O secretário Nacional de Relações do Trabalho, Carlos Cavalcante de Lacerda, participou, na manhã desta terça-feira (16/5), em Brasília, de encontro com dirigentes da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU). Na ocasião, ele destacou a relevante contribuição dessas entidades ao debate sobre a retomada do crescimento econômico. “Sobre as obras inacabadas, o governo deveria ouvir engenheiros”, exemplificou. Nesse sentido, o secretário enfatizou também a necessidade de um projeto de desenvolvimento e geração de emprego no País, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.


Fotos: Edgar Marra
Encontro foi prestigiado por dirigentes da FNE e da CNTU de todo o País.

Lacerda, que tem origem no movimento sindical dos metalúrgicos do Amazonas, aproveitou a oportunidade para afirmar a disposição de atuar de forma ampla na Secretaria. “Atendemos todo mundo, independentemente de central. Lá, eu não abri as portas, eu tirei as portas”, garantiu. Ele também manifestou preocupação com o aprimoramento da estrutura do Ministério do Trabalho e Previdência Social, que, ao longo das últimas décadas, vem perdendo relevância no conjunto do governo.

Para o secretário, é essencial ainda o fortalecimento do movimento sindical e a manutenção de fontes de custeio para as entidades que representam os trabalhadores, daí ser fundamental ampliar o debate sobre esses temas, hoje em discussão no Congresso.

Ao final, o presidente da FNE e da CNTU, Murilo Pinheiro, saudou o trabalho que vem sendo desenvolvido na Secretaria por Lacerda: “É um trabalho sério e é importante que continue.” Também participou do encontro o coordenador-geral de Registro Sindical da Secretaria, Leonardo Cabral Dias.

 

Rita Casaro
Comunicação FNE

 

 

 

Aproximadamente três meses após a diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ter divulgado nova política operacional da instituição, que trouxe apreensão aos seus trabalhadores e a especialistas por restringir e suprimir o apoio a programas setoriais, veio golpe certeiro: em 31 de março último, o Banco Central e o Ministério da Fazenda anunciaram extinção da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e sua substituição pela Taxa de Longo Prazo (TLP) – criada pela Medida Provisória 777, de 26 de abril – nos contratos a partir de 1º de janeiro de 2018.

Para o vice-presidente da Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES), Arthur Koblitz, a proposta ameaça o papel da instituição de fomentar o investimento em projetos ao País. “Enquanto países desenvolvidos como a Alemanha contam com bancos de desenvolvimento com apoio subsidiado, estamos abrindo mão disso. O resultado será a redução ainda maior da capacidade do Estado brasileiro de conduzir qualquer estratégia de desenvolvimento.”

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
João Sicsú: "Justificativa é de que a nova regra serve à modernização, mas na realidade representa volta ao passsado."

Professor-doutor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Sicsú explica: “A TJLP (definida pelo Conselho Monetário Nacional), usada como taxa de referência para empréstimos do BNDES, é relativamente baixa e atrativa para investimentos industrial e em obras de infraestrutura.” Já a TLP, conforme ele, não deve no longo prazo ser determinada pelo governo, mas por leilões específicos de títulos da dívida pública, já que a ideia é que em cinco anos se iguale a esses. Com isso, incorporam-se riscos, oscilando conforme a conjuntura, dependente das tensões do mercado. “Em momentos desfavoráveis, tende a ser mais alta, justamente quando é necessário que seja mais baixa. O BNDES terá taxa de juros pró-cíclica, volátil e sempre mais alta do que a TJLP. Hoje, essa está em 7% e a TLP estaria entre 11,5% e 12%. O BNDES vem se assemelhando a um banco privado, com taxas de juros elevadas, empréstimos pouco atrativos para atividades de longa maturação”, enfatiza. Na sua avaliação, desse modo, o banco perde sua função de financiar o desenvolvimento brasileiro, ou seja, a construção de metrôs, ferrovias, hidroelétricas, máquinas, equipamentos.

O projeto em implantação, segundo Koblitz, não é novo. “Foi gerado na Casa das Garças (instituto privado de estudos de política econômica) há mais de dez anos, circulou desde então nos gabinetes do Banco Central e do Ministério da Fazenda, mas sempre foi contestado pelo BNDES. Parece que finalmente conseguiram emplacar uma diretoria no banco que topa esse projeto. Implementada essa proposta, a instituição estará seriamente amarrada para ter uma atuação efetiva.”

Descapitalização
Além dessa medida, outra também tem preocupado os trabalhadores do BNDES, segundo o vice-presidente da associação que os representa: o esvaziamento dos ativos do banco com novas rodadas de devolução de aportes do Tesouro. “O BNDES está ficando descapitalizado. No ano passado, recebeu R$ 86 bilhões e foi obrigado a devolver R$ 100 bilhões”, completa Sicsú. “Nossa presidente (do banco) parece obcecada por questões fiscais. Em primeiro lugar, essa não deveria ser a principal preocupação da diretoria. Em segundo, discordamos que os argumentos de custo fiscal procedam. O verdadeiro vilão é o nível da taxa de juros fixada pelo Banco Central. Restringir e desmantelar o BNDES, que tem sido o único instrumento em defesa do desenvolvimento, da indústria, sem nada ser colocado em seu lugar além de fé no mercado, é uma aventura em que o governo brasileiro parece determinado a embarcar”, salienta Koblitz.

Para Sicsú, a instituição perde sua função de fomentar a retomada do crescimento econômico. Consequentemente, como ressalta o professor da UFRJ, a atratividade para empréstimos não mais estará no Brasil. “Isso amplia a vulnerabilidade do País, exposto a variações cambiais. A justificativa é de que a nova regra serve à modernização, mas na realidade representa volta ao passado”, alerta. E denuncia: “Temer emitiu um decreto pouco divulgado que permite a multinacionais o acesso à garantia de empréstimos de bancos públicos se forem investir em setores de alto interesse nacional, ampliando sua abrangência. Turismo, comércio, saúde, educação, têxtil, tudo se enquadra.” Ou seja, enquanto se impede acesso a linhas de crédito para projetos de interesse do País, facilita-se a desnacionalização da economia oferecendo-se dinheiro às empresas estrangeiras. Sicsú aponta que as mudanças no BNDES são parte de um modelo de política econômica que visa favorecer o sistema financeiro privado e o rentismo.

Parar o rolo compressor
O professor aposta na mobilização e conscientização da sociedade para reverter tais decisões. É o que propugna a AFBNDES. “Defendemos primeiro que cessem as devoluções de recursos ao Tesouro Nacional. Em segundo lugar, que a TJLP não seja extinta, mas colocada num patamar que a torne um estímulo realmente efetivo para influenciar decisões de investimento e contribuir à retomada do crescimento. Finalmente, que a atuação do BNDES nessa retomada seja marcada por uma revisão num aspecto fundamental: é preciso estipular de forma mais clara contrapartidas ao apoio do banco”, detalha Koblitz, para quem a prioridade é “resistir ao rolo compressor representado pelo atual governo”. Ele conclui: “Precisamos de um projeto nacional.”

Tal síntese vai ao encontro de bandeira levantada pela FNE, por meio de seu projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. A receita consta dessa iniciativa, como destaca seu coordenador, Fernando Palmezan Neto: ter mais presença do Estado, que deve ser o indutor do desenvolvimento, não menos. “Não contar com um banco público de investimento, como o BNDES, num momento como este, é uma decisão muito equivocada, péssima à engenharia, tomada sem ouvir quem entende do assunto. É miopia política ou má-fé”, frisa. E finaliza: “Seguiremos lutando para fazer com que quem detém o poder decisório entenda que isso não tira o País da crise, só a aprofunda.”

 

Soraya Misleh
Matéria publicada no jornal Engenheiro, da FNE, Edição 180, de maio de 2017

 

 

 

 

 

 

Idealizado pelo economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, documento propõe "alternativa viável e responsável ao país" e a reconstrução de um centro político em condições de unir o país em torno de um projeto

“A desigualdade volta a aumentar, após um período de ascensão dos mais pobres. A sociedade se divide e se radicaliza, abrindo espaço para o ódio e o preconceito”, afirma o manifesto do Projeto Brasil Nação, idealizado pelo economista Luiz Carlos Bresser-Pereira. O documento busca expor uma “alternativa viável e responsável para o país”.

Bresser-Pereira chama a sociedade a se unir em torno de uma ideia de solidariedade nacional frente a “uma crise sem precedentes”, aliada a um “retrocesso com apoio de uma coalizão de classes financeiro-rentista que estimula o país a incorrer em déficits em conta corrente, facilitando assim, de um lado, a apreciação cambial de longo prazo e a perda de competitividade de nossas empresas, e, de outro, a ocupação de nosso mercado interno pelas multinacionais”.

Assinam o documento nomes de diferentes áreas, como o embaixador e ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, o escritor Raduan Nassar, o compositor e escritor Chico Buarque, o cineasta Kleber Mendonça Filho, a cartunista Laerte Coutinho, o jurista Fábio Konder Comparato, a filosofa Márcia Tiburi, o médico Alexandre Padilha, a psicanalista Maria Rita Kehl, e a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, entre outros.

O texto classifica como pilares da ideia a autonomia nacional, a democracia, a liberdade individual, o desenvolvimento econômico, a diminuição da desigualdade, a segurança e a proteção do ambiente.

Em relação às políticas públicas de caráter econômico, o manifesto apresenta cinco pontos: “Regra fiscal que permita a atuação contracíclica do gasto público, e assegure prioridade à educação e à saúde; taxa básica de juros em nível mais baixo, compatível com o praticado por economias de estatura e grau de desenvolvimento semelhantes aos do Brasil; superávit em conta corrente do balanço de pagamentos que é necessário para que a taxa de câmbio seja competitiva; retomada do investimento público em nível capaz de estimular a economia e garantir investimento rentável para empresários e salários que reflitam uma política de redução da desigualdade; reforma tributária que torne os impostos progressivos”.

As medidas anticíclicas desenvolvimentistas, de acordo com o projeto, “levam ao desenvolvimento econômico com estabilidade de preços, estabilidade financeira e diminuição da desigualdade”, a fim de “ajudar a refundar a nação brasileira, unir os brasileiros em torno das ideias de nação e desenvolvimento”.

>> Leia a íntegra do Manifesto do Projeto Brasil Nação

 

Comunicação SEESP
Reprodução de notícia Rádio Brasil Atual

 

 

 

 

A reunião da diretoria do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Goiás (Senge-GO), na segunda-feira (24/4), em Goiânia, contou com a presença do presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Pinheiro.  

O presidente da entidade goiana, Gerson Tertuliano, aproveitou a oportunidade para destacar a importância da participação do Senge nas lutas nacionais encampadas pela FNE. Tal  engajamento, reforçou  Murilo, é fundamental para a federação e deve ser mantido e ampliado para que sejam vitoriosas as batalhas pela retomada do crescimento e geração de empregos e pelo protagonismo da engenharia nacional.

Nesse sentido, Murilo lembrou a relevância do movimento “Engenharia Unida”, que sintetiza tais objetivos, agregando o conjunto dos profissionais no País, e da Frente Parlamentar da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional. Ainda na pauta, a necessidade premente de impedir a aprovação das reformas da Previdência e trabalhista, que prejudicarão os trabalhadores de um modo geral, inclusive os engenheiros.  

Aprimorar a fiscalização
Recursos tecnológicos para a fiscalização em pauta. Foto: Paula BortoliniEntrou em debate a necessidade de avanços no Sistema Confea/Creas de forma a garantir que os Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia possam cumprir suas tarefas a contento, assegurando fiscalização eficaz do exercício profissional, da educação na engenharia e das atribuições. Para Murilo, é essencial ainda que sejam garantidas as condições para que os profissionais da área tecnológicas exerçam suas atividades de forma séria e independente.

Também participaram da discussão o coordenador do projeto "Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento", Fernando Palmezan Neto, e os diretores do Senge Goiás, Wanderlino Teixeira de Carvalho, Cláudio Azevedo, Ana Maria de Deus, José Martins de Oliveira, João Batista Tibiriçá, Caio de Gusmão, e o representante do Núcleo Jovem Engenheiro do sindicato, Áquila Levindo.                      

Os projetos de melhorias na atuação do Sistema Confea/Creas continuaram em pauta na visita feita ao presidente do Crea Goiás, Francisco de Almeida. Ele aproveitou a oportunidade para apresentar a Murilo e aos dirigentes do Senge Goiás que o acompanharam projeto inovador para aprimorar a fiscalização, garantindo maior agilidade e segurança aos processos. 

Na sequência, Murilo participou ainda da abertura da plenária do Crea-G0 e voltou a destacar a importância dos profissionais do Estado para o sucesso do movimento Engenharia Unida.

 

Comunicação FNE

 

 

 

 

A crise que não sai nos jornais foi tema de debate realizado na sexta-feira (31/3), na sede do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé, em São Paulo. Participando do evento, o senador Roberto Requião (PMDB/PR) apontou esforço dos meios de comunicação para mostrarem um quadro mais positivo que o real. Para ele, contudo, o esforço é em vão: "A realidade entra pelas portas e janelas de nossas casas."

Segundo o parlamentar, o programa do governo de Michel Temer baseia-se na regressão e caminha para atirar o País de volta à economia agroindustrial, de produção de commodities. "A ponte para o futuro é uma agenda de funcionários de bancos que se dizem economistas. Acaba com a soberania nacional e o Estado social", criticou. "A história mostra que não dá para enfrentar recessão só com a cartilha dos bancos e do rentismo", criticou.


Foto: Beatriz Arruda
Murilo Pinheiro e senador Roberto Requião alertam sobre perigos da desvalorização da indústria brasileira.

Golpe na indústria nacional
O desmonte da indústria nacional foi abordado no debate pelo presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Pinheiro, que apontou as dificuldades do setor. "Para cada empresa grande, há cerca de 50 a 100 empresas menores que são afetadas pela crise", enumera. Murilo calcula na casa dos 50 mil o número de desempregados na área desde 2015. "Depois da Lava Jato, da discussão da Petrobras, as empresas de engenharia que exportavam tecnologia, trabalhavam em muitos países, praticamente acabaram. A corrupção tem que ser punida, não as empresas”, salientou, em tom crítico ao modus operandi da Operação Lava Jato.

Murilo afirmou ainda que a redução em 50% da exigência de contratação de conteúdo local pelas empresas participantes dos leilões de petróleo e gás trará mais desemprego e deve eliminar cinco mil postos de engenheiros entre os mais qualificados. Na prática, ressaltou a liderança, a alteração implementada pelo governo, exclui a indústria nacional dos negócios que serão gerados pelas petroleiras, já que é possível obedecer os novos requisitos apenas com o setor de serviços, sem que se compre um parafuso fabricado no Brasil. 

Representante da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mario Bernardini, fez coro à crítica. "Dois setores saíram extremamente empoderados a partir do impeachment: o Judiciário e os banqueiros". Para ele, essa 'turma' vem causando sérios estragos. A forma como a Lava Jato investiga e pune as empreiteiras, por exemplo, já reduziu cerca de 300 mil empregos, salientou Bernardini.

Assim como Requião, que classificou a reforma previdenciária como a entrega da Seguridade Social à banca privatista nacional e internacional, Murilo também alertou para os danos que o ataque à aposentadoria e a reforma trabalhista devem causar. "Terceirização e as reformas trabalhista e da Previdência devem agravar ainda mais a crise não só para os engenheiros, mas para todas as categorias de trabalhadores."

Terrorismo midiático, um velho expediente
Professora da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretária municipal de Planejamento de São Paulo, Leda Paulani criticou o método do terrorismo econômico empregado pela mídia para atingir seus objetivos. De acordo com ela, desde a primeira eleição de Lula, em 2002, os meios de comunicação passaram a atuar como ferramenta de pressão. "No caso de Lula vencer, o ambiente criado ajudaria a forçar o presidente a adotar uma agenda conservadora, da política macroeconômica. Foi o que aconteceu", pontuou.

Em 2014, explicou Paulani, a economia nacional sofreu abalos do impacto da crise mundial e o modelo adotado pelos governos Lula e Dilma começou a se esgotar "Um crescimento puxado apenas pelo consumo, e esse assentado no crédito, tem pouca autonomia", frisou a economista. Com esse cenário, os setores conservadores 'deram de barato' que venceriam as eleições, mas perderam novamente. "A partir daí, o terrorismo econômico da mídia se intensifica", afirmou. 

 

Comunicação FNE
A partir de texto de Felipe Bianchi - Barão de Itararé

 

 

 

A destruição da indústria naval brasileira, que começou com a operação Lava Jato em 2014, abriu seu segundo capítulo em fevereiro, quando o governo anunciou mudanças na exigência de conteúdo local para contratações de equipamentos pela indústria de petróleo. Os novos métodos, que reduzem de 65% para 25% o percentual de conteúdo local das plataformas, por exemplo, e em cerca de 50%, em média, o conteúdo de outras instalações provocaram reação no Congresso Nacional, com desdobramentos esta semana.

Depois de comissão geral para debater o tema, realizada na Câmara dos Deputados na quinta-feira (30/03), parlamentares prometem a criação de mais uma frente parlamentar em defesa da indústria naval do país esta semana. Na quarta-feira (5/04), devem realizar audiência com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para discutir o assunto. As novas regras de conteúdo local estão previstas para vigorar em setembro, na 14ª rodada de licitações de blocos para exploração de petróleo e gás natural, e novembro, em nova rodada de leilões de blocos no pré-sal.

Parlamentares e membros de frentes parlamentares que têm afinidade com o tema conteúdo local e entidades como Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval (Sinaval) tentam unir interesses comuns para deter a derrocada da indústria brasileira.

“A direção da Petrobras está fazendo um desserviço ao país e à própria Petrobras. Quer a revisão das exigências de conteúdo local até para a produção na área de Libra, o que é um absurdo. O ataque ao conteúdo local parte principalmente dos interesses das grandes petroleiras mundiais, que querem vir ao Brasil trazer sua cadeia de fornecedores junto e exportar o emprego brasileiro para eles”, protesta o deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA), organizador da comissão geral.

Segundo ele, o principal objetivo da mobilização é evitar que o País volte a ser mero exportador de commodities. “É isso que a cabeça estreita da direção da Petrobras e do governo querem. Nós já vivemos isso no ciclo do ouro e da cana de açúcar.”

Desemprego e tristeza
Em qualquer lugar do País onde a indústria naval ressurgiu na última década e meia, a promessa de desenvolvimento deu lugar ao desemprego e à tristeza. O polo naval de São José do Norte (RS), por exemplo, que já teve 20 mil trabalhadores, hoje tem apenas três mil.

O estaleiro do Paraguaçu, no Recôncavo Baiano, que em março de 2014 chegou a ter quase oito mil trabalhadores e estava se tornando orgulho da indústria naval do Nordeste, hoje é um imenso canteiro de obras abandonado.

“Infelizmente, o governo Temer tem se especializado na lógica de exportar empregos. Seja na linha de gestão na atuação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), seja nas compras ou exigências feitas nos leilões para exploração de petróleo e nas compras da Petrobras, o conteúdo local tem sido abandonado. Estamos vivendo uma crise enorme na indústria naval”, diz Henrique Fontana. Ele lança nesta terça-feira (4) a Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Naval Brasileira, às 17h30, na Câmara, “para unificar as diferentes frentes e defendermos a indústria nacional e o conteúdo local”.

Na semana passada, o presidente da Abimaq, João Carlos Marchesan, chamou de “burra” a decisão do governo de reduzir os percentuais de conteúdo local no setor de petróleo. “A decisão é burra em relação à indústria brasileira, mas atende perfeitamente aos interesses das grandes companhias mundiais de petróleo”, declarou à revista CartaCapital.

Presente à comissão geral na Câmara na semana passada, o representante da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Artur Araújo, falou da gravidade da eliminação do conteúdo local em curso.

“Esse sinal que foi dado pelo governo e pela Petrobras, o que é mais grave, terá um custo para o país de cinco mil engenheiros dos mais capacitados. Isso não significa só cinco mil pessoas ou famílias. O que se perde violentamente é a capacidade de pensar. Se dispersa conhecimento, se desmonta equipes, em nome de abrir, de forma irresponsável, o setor para o mercado externo”, disse Araújo, segundo a Agência Câmara.

 

Comunicação SEESP
Reprodução de matéria do portal Rede Brasil Atual

 

 

 

 

 

Representantes da sociedade civil, de entidades sindicais, universidades e empresas, com diferentes visões políticas, produziram um manifesto em defesa da democracia. O documento expõe 10 pontos necessários para superar a crise diante do grave momento da história do Brasil. O grupo denuncia que há uma imposição de um programa de ruptura do pacto social brasileiro implementado por um governo transitório, ao qual lhe falta norte, tempo e popularidade.
 
Entre as necessidades propostas estão: assegurar que as eleições de 2018 ocorram, sem qualquer mudança no regime político; implementar políticas de reindustrialização do Brasil; parar o retrocesso nos direitos sociais e trabalhistas, mudando a base da política econômica, até agora alinhada ao mercado financeiro rentista; reverter o cenário de juros exorbitantes, cambio apreciado e o desmonte da Petrobrás e do BNDES, ambos indutores do desenvolvimento; reposicionar a taxa de câmbio de modo que possa contribuir para gerar empregos; garantir a aposentadoria para todos os trabalhadores brasileiros; manter juros e taxa de cambio em patamares que produzam competitividade; reverter o rebaixamento do investimento público; resguardar o papel dos bancos públicos no que diz respeito a investimentos e geração de empregos;
 

Está claro o propósito da atual política econômica, de estabelecer para o Brasil nas próximas décadas o rumo da subserviência ao estrangeiro, da exclusão social, do desprezo à cidadania e à democracia, em contraposição ao Brasil que almejamos, democrático, soberano, economicamente desenvolvido e socialmente inclusivo.

Leia a íntegra a seguir:

A urgência de um novo projeto de nação:

Por um país democrático, soberano, economicamente desenvolvido e socialmente inclusivo

Reunidos na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, nós, cidadãos das mais diversas visões políticas, representantes de instituições da sociedade civil e de entidades sindicais e empresariais, unificados pela preocupação comum em relação aos destinos do país em momento tão grave de sua história, externamos nossos pontos de vista sobre alguns dos temas mais urgentes da atual conjuntura.

Desde abril último, presenciamos a imposição de um programa de ruptura do pacto social brasileiro, estabelecido pela Constituição de 1988. Por mais que tentem aprová-lo a toque de caixa no Congresso Nacional, salta aos olhos que tal programa não fez parte de qualquer candidatura vitoriosa nas eleições de 2014: nem para o Poder Executivo, nem para o Poder Legislativo. Sendo um governo transitório, falta-lhe, pois, norte, tempo e popularidade para implementar as mudanças de fato exigidas pelo país.

1 Impõe-se defender a democracia e, sobretudo, as eleições de 2018, para impedir quaisquer formas de perseguição política, cerceamento da liberdade de opinião. Afirmamos, também, ser inaceitável qualquer mudança no regime político e no sistema de governo, que não passe pelo crivo das urnas.

2 A empresa nacional, a reindustrialização do Brasil e o investimento em ciência e tecnologia devem ser defendidos por qualquer governo comprometido com o desenvolvimento nacional.

3 A política econômica vigente, de interesse exclusivo do mercado financeiro rentista, nacional e internacional, é responsável pela escalada do desemprego. Leva angústia e desespero a milhões de pessoas, e coloca em risco a estabilidade social. Neste quadro, é insensato propor reformas que têm como objetivo suprimir direitos sociais e trabalhistas conquistados há décadas. Elas não reformam a casa dos brasileiros. Derrubam seus alicerces.

4 Juros exorbitantes, câmbio apreciado, fragilização deliberada da Petrobrás, justamente quando a companhia descobriu a maior reserva de petróleo do planeta dos últimos 30 anos, abandono da política de conteúdo local que possibilitou a industrialização acelerada do país a partir dos anos 50 do século passado, desconstrução do BNDES, essencial como indutor do desenvolvimento, tudo isso configura um cenário que, se não for revertido, nos remeterá ao passado​.

5 A terceirização, se irrestrita e ilimitada, poderá representar a eliminação de direitos trabalhistas para a parcela mais vulnerável da população brasileira e o rebaixamento dos padrões de civilização e justiça do nosso pacto social.

6 ​As mudanças na previdência não podem inviabilizar a aposentadoria de parte substancial da população brasileira e destruir a solidariedade entre gerações, classes sociais e regiões do país.

7 ​Ao invés de encarecer o crédito público direcionado para o investimento, excedendo em muito os padrões internacionais que asseguram a integração global competitiva, é preciso trazer a taxa de juros básica para patamares minimamente compatíveis com a média internacional e com a rentabilidade da atividade produtiva e de projetos de infraestrutura, sem o que será difícil e caro evitar a valorização cambial do Real.

8 Sem taxa de câmbio competitiva, nossa desindustrialização será aprofundada. O real sobrevalorizado inviabiliza investimentos nacionais de longo-prazo e intensifica a transferência de empregos para o exterior.

9 ​O rebaixamento do investimento público deve ser revertido. As exigências de conteúdo tecnológico local e nacional, em função de seu potencial indutor do investimento privado local, devem ser mantidas.

10 ​Os bancos públicos têm um papel importante no financiamento do investimento privado e na geração de empregos, papel esse que não pode ser prejudicado pela eliminação ou grande encarecimento de suas fontes de recursos, aumentando juros e inviabilizando inversões de maiores risco, prazo e conteúdo tecnológico.

Está claro o propósito da atual política econômica, de estabelecer para o Brasil nas próximas décadas o rumo da subserviência ao estrangeiro, da exclusão social, do desprezo à cidadania e à democracia, em contraposição ao Brasil que almejamos, democrático, soberano, economicamente desenvolvido e socialmente inclusivo.

Nossa democracia não pode ser atropelada por um processo demasiadamente atabalhoado de mudanças nos estatutos legais que regulam nosso pacto social, retirando direitos fundamentais. A pressa é inimiga da legitimidade porque visa bloquear o debate público e, particularmente, tolher a participação dos maiores afetados por essas reformas.

​Vivemos um momento delicadíssimo. Nosso país, uma das 10 maiores economias do mundo, não pode se apequenar. Urge resistir ao desmonte em curso, do Estado, da economia e da política. É este o nosso compromisso.

São Paulo, 22 de março de 2017

Aldo Fornazieri (Cientista Político, FESPSP).

Angelo Del Vecchio (Sociólogo).

Antonio Correa de Lacerda (Economista, PUC-SP)

Artur Araujo (Consultor da Federação Nacional dos Engenheiros).

Cesar Prata (Vice-Presidente da ABIMAQ).

Clemente Ganz Lucio (Diretor Técnico do DIEESE).

Clovis Francisco Nascimento Filho (Senge-RJ, Fisenge).

Ennio Candoti (Físico, ex-presidente da SBPC e atual Diretor do Museu da Amazônia).

Franklin Martins (Jornalista, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social).

Gastão Wagner de Souza Campos (Medicina, Unicamp, presidente da Abrasco).

Gilberto Bercovici (Direito, USP).

Guilherme Estrella (Geólogo, ex-Diretor da Petrobrás).

Hélio Campos Mello (Jornalista, Revista Brasileiros).

João Antonio Moraes (Federação Única dos Petroleiros-FUP).

João Guilherme Vargas Netto (Consultor Sindical).

Ladislau Dowbor (Economista, PUC-SP).

Lais da Costa Manso (Socióloga)

Luiz Carlos Bresser-Pereira (Ex-Ministro da Fazenda, FGV).

Manuel Domingos Neto (Universidade Federal Ceará).

Márcio Pochmann (Economista, UNICAMP).

Mario Scheffer (FMUSP e Vice-Presidente da ABRASCO).

Murilo Celso de Campos Pinheiro (Presidente do Seesp e do FNE).

Olimpio Alves dos Santos (Senge-RJ e Fisenge).

Otavio Velho (Antropólogo, UFRJ).

Pedro Celestino Pereira (Presidente do Clube de Engenharia-RJ).

Pedro Paulo Zahluth Bastos (Economista, UNICAMP).

Roberto Amaral (ex-Ministro da Ciência e Tecnologia).

Rodrigo de Morais (Sindicato dos Metalúrgicos de SP).

Samuel Pinheiro Guimarães (Diplomata, Ex-Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos).

Saturnino Braga (Presidente do Centro Internacional Celso Furtado).

Ubiratan de Paula Santos (Médico e Conselheiro da FESPSP).

William Nozaki (Cientista Político, Coordenador da Cátedra Celso Furtado FESPSP).

 

 

Publicado por Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Por Maria Carolina Trevisan, na revista Brasileiros

 

 

 

 

 

A Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) reforçou nesta quinta-feira (30/3), na Câmara dos Deputados, em Brasília, seu posicionamento contrário à política de conteúdo nacional definida pelo governo federal. Na oportunidade, a entidade voltou a defender que o governo reveja as regras a fim de auxiliar a retomada da produção industrial e geração de empregos.


Foto: Paulo Negreiros

Artur conteudo local
Artur Araújo reafirmou posição da FNE, no Congresso, em defesa do conteúdo nacional.

A resistência da FNE, que representa 500 mil engenheiros em todo o País, e de vários sindicatos, associações patronais e ligadas aos trabalhadores em relação à nova política foi expressa durante reunião da comissão geral realizada no plenário da Câmara Federal para debater as novas regras de conteúdo local para petróleo e gás

A federação foi representada pelo consultor Artur Araújo que expôs, na tribuna do plenário da Casa, a perda da oportunidade de novo ciclo de desenvolvimento e risco de demissão maciça de engenheiros e de trabalhadores. "Ou o governo modifica essa política e retoma os percentuais anteriores de conteúdo local ou o País abandonará uma rota de desenvolvimento do valor agregado" afirmou. 

Em fevereiro último, o governo federal definiu essa nova política, reduzindo os percentuais mínimos exigidos para contratação nacional em licitações. Foi definido que para a área marítima (atividade que concentra a exploração e produção de petróleo no Brasil) o mínimo será de 25% à construção de poços e de 18% na atividade de exploração.

A FNE vem ressaltando que esses percentuais são baixos e que a mudança prejudicará o setor industrial nacional, impedindo os fabricantes brasileiros de se tornarem fornecedores nos segmentos de petróleo e gás e naval – decisão que é vista como retrocesso nas áreas da engenharia, tecnologia e inovação.

A federação destaca que essa definição vai na contramão de contexto que requer a retomada da atividade industrial e estímulos à geração de vagas após dois anos de grave recessão. "A estimativa da FNE é que essa política custará, em nossa categoria, 5 mil empregos. Estamos falando de 5 mil empregos dos mais qualificados, 5 mil fontes de conhecimento", enfatizou Araújo.

O alerta sobre o risco de demissão foi feito ainda por outras entidades representativas da classe trabalhadora, a exemplo dos petroleiros, metalúrgicos e trabalhadores da indústria naval. Representantes do setor produtivo também firmaram posição contrária à nova política de conteúdo local na reunião da comissão geral.

O presidente executivo da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, disse que a recente medida do governo federal levará à dispensa de mais de 1 milhão de trabalhadores. "Demitiremos em vez de gerar trabalho, e poderíamos estar gerando mais de 1,5 milhão de empregos", disse. Ele informou que nos últimos anos o setor industrial fez investimentos de US$ 60 bilhões para se preparar para a ampliação do setor de indústria e gás. “Isso será perdido.”

Deputados de vários partidos subiram à tribuna do plenário durante a reunião para lamentar a decisão do governo de reduzir os níveis mínimos de conteúdo local. Esses novos níveis serão parâmetros para a 14ª rodada de licitação de campos de petróleo e gás prevista para setembro e para o leilão de blocos do pré-sal em novembro.

Audiência
Ao presidir a comissão geral, o deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA) disse que representantes de sete frentes parlamentares pedirão audiência aos presidentes da Câmara e do Senado para negociar um encontro com Michel Temer. “Vamos articular essa reunião conjunta para levar representantes do setor produtivo e dos trabalhadores a uma reunião com o Presidente da República a fim de tentarmos mudar as regras.” Os deputados Henrique Fontana (PT-RS), Luiz Sérgio (PT-RJ) e Soraya Santos (PMDB-RJ) também criticaram a nova política de conteúdo nacional.

A comissão geral que debateu as regras de conteúdo nacional para os segmentos de petróleo e gás reuniu parlamentares das sete frentes parlamentares citadas por Magalhães, entre as quais a Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento, criada com o apoio da FNE.

 

Luciana Otoni - Assessoria de Imprensa da FNE

 

 

 

 

 

 

 

Allen Habert*

Nesta quarta-feira, 15 de março, haverá a maior mobilização cívica e cidadã dos últimos tempos em cada uma das capitais e cidades deste continente Brasil.É a história dando um salto.

1) Esta jornada histórica e unitária vai derrotar e enterrar a proposta perversa de contrarreforma e desmonte da Previdência Social e dos direitos trabalhistas no Congresso Nacional. Vai simbolizar uma etapa singular na luta democrática.

2) Os prefeitos e câmaras de vereadores de todas as 5.670 cidades, as associações comerciais e industriais, os trabalhadores urbanos e rurais, o movimento sindical, os profissionais universitários, os movimentos sociais, dos jovens, das mulheres e dos idosos iniciam um processo irreversível de empoderamento social.

3) Cada um de nós tem um papel a cumprir onde estiver. Isso vai valer a pena, preparando o espírito de nosso povo para a grande batalha do emprego e do desenvolvimento.

4) Vamos às ruas com os corações guerreiros e a mentes lúcidas nos unir por essa grande campanha da soberania social.

Vamos ganhar e avançar.

Vai ser um movimento pacífico e emocionante. A contra-informação da mídia nao vai pegar. Não serão milhões, serão milhares espalhados. Os trabalhadores mais atentos e o povão (mais lentamente) já sacaram. 

 


Allen Habert é diretor do SEESP e diretor de Articulação Nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU)

 

 

 

 

 

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