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Mais da metade dos estudantes de engenharia abandonam o curso sem concluir, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Diante destes dados, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) reforça sua preocupação em garantir a oferta adequada de mão de obra qualificada para o mercado de trabalho. A entidade não recomenda a importação de estrangeiros para suprir a necessidade de profissionais, pois acredita que isso se limitaria a resolver o problema de forma paliativa e não deixaria nenhum legado ao país.

O Brasil forma cerca de 42 mil engenheiros por ano, segundo  o censo de 2011 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O dado é positivo em relação a 2006 quando graduavam-se apenas 30 mil por ano, mas ainda insuficiente. “Consideramos necessário chegarem ao mercado ao menos 60 mil engenheiros por ano, diante da perspectiva de recuperação da economia, apesar do atual quadro de baixo crescimento”, destaca o presidente da FNE, Murilo Campos Pinheiro.

Longe de ser um problema a se lamentar, a atual demanda por engenheiros é um desafio que a sociedade brasileira deve enfrentar com otimismo e determinação. É preciso recuperar esse prejuízo, lançando mão de todas as possibilidades: tanto requalificar os profissionais disponíveis, mas à margem do mercado, quanto garantir que mais jovens ingressem nos cursos voltados às áreas tecnológicas, assegurando a formação de qualidade.

De acordo com a pesquisa, a média daqueles que concluem a faculdade é de apenas 42,6%. Ao todo, 57,4% desistem no meio do curso.

O estudo foi feito com base nos dados do MEC (Ministério da Educação). A análise começou em 2007, ano em que ingressaram 105.101 pessoas em cursos de engenharia de instituições públicas e privadas, e comparou esse número ao de formandos de cinco anos depois, tempo de conclusão do curso.

De acordo com a CNI, nas instituições consideradas elite em engenharia, como o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e o IME (Instituto Militar de Engenharia) a evasão é menor, inferior a 5%.

Pensando nisso, a FNE apoia a criação do Instituto Superior de Inovação Tecnológica (Isitec), uma iniciativa do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), que deve receber a primeira turma de graduação, no curso de Engenharia de Inovação, em 2014. A proposta é graduar profissionais com sólida formação básica, educados numa cultura de inovação, aptos a buscar soluções aos desafios do setor produtivo para atuar nos mais diversos segmentos da economia.

Entre as novas medidas para recuperar a competitividade do setor, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) defende a redução do custo de energia elétrica, a extensão a mais setores da desoneração da folha de pagamento, a dinamização dos investimentos em aeroportos e a concessão à iniciativa privada das administrações dos portos. “Estamos esperando para agosto um novo pacote de medidas. É preciso dar incentivos para a indústria crescer”, afirma o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade.

O dirigente diz que as medidas do Plano Brasil Maior, somadas à redução dos juros e à liberação de recursos para investimentos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), devem ajudar a economia brasileira a se recuperar apenas em 2013.

“Não acreditamos em uma retomada no segundo semestre [deste ano] porque a indústria ainda está com estoques muito elevados, mas a tendência é que melhore. Para 2013,  prevemos um crescimento da economia em torno de 3% ou 4%. Todas essas medidas levam um tempo para surtir efeito, mas um bom resultado é que elas já estão aumentando o otimismo e revertendo a expectativa negativa dos empresários”, declarou Andrade.

As questões e as propostas de ampliação do Plano Brasil Maior foram discutidas na reunião do Fórum Nacional da Indústria, na última semana, e serão encaminhadas por Andrade ao governo federal na reunião do CNDI (Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial) marcada para o próximo dia 2 de agosto. O CNDI é o organismo responsável pela gestão do Plano Brasil Maior.

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa – SEESP
* Com informações da CNI



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