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Deborah Moreira*

Há um ano foi criada a Divisão de Arborização Urbana na Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) de São Paulo. De lá pra cá, um grupo de engenheiros agrônomos têm se debruçado sobre o Plano Municipal de Arborização Urbana, previsto no artigo 286 do Plano Diretor de 2014. Quem coordena o trabalho é a engenheira agrônoma Priscila Cerqueira, diretora da divisão. Ela e a Fernanda Soliga Voltam, também engenheira agrônoma que integra a divisão, conversaram com o Jornal do Engenheiro sobre as ações que vêm ocorrendo e o que está previsto até o final deste ano, quando se encerra a atual administração.

Entre as iniciativas, está um convênio firmado no final de 2019 com o Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), que vai coletar dados sobre quedas de árvores, avaliar as causas das quedas. Os resultados devem gerar um relatório, ainda sem data de divulgação, que contribuirá para prevenir quedas. "Esses dados vão ajudar a fazer um preventivo melhor", diz Priscila Cerqueira.

Confira a íntegra abaixo.

poda de arvore foto bia arruda internaExiste um departamento que cuida especificamente das árvores na cidade?

Priscila Cerqueira (PC): Até 1987 não havia uma lei. Foi somente após os altos índices de corte nas décadas de 60 e 70, com o desenvolvimento da construção civil, que percebeu-se a necessidade de preservar a vegetação arbórea. Hoje em dia, com a Lei 10.365/1987, tudo o que for referente a manutenção (manejo, poda, corte) precisa de autorização do poder público. Esse momento foi essencial para a carreira do engenheiro agrônomo, que ficou responsável, por lei, de autorizar o manejo. O subprefeito autoriza após ouvir o engenheiro agrônomo. Em 1993, a secretaria do Verde foi criada e é ela quem faz a gestão dos parques. Já a gestão da arborização nas calçadas, nas praças, é feita pelas subprefeituras.
Fernanda Voltam (FV): Foi criada uma gestão de arborização em 2019. Até então, só tinha o olhar da execução, para atender as demandas. Agora, está se pensando mais no planejamento. Por isso, começamos a desenvolver o Plano Municipal de Arborização Urbana, previsto no Plano Diretor. Quase 80% dos engenheiros agrônomos, florestais e biólogos estão colaborando com o estudo. De maio a até dezembro de 2019 era uma fase de diagnóstico, levantamento de todos os problemas: desde o licenciamento, fiscalização, manejo, até o plantio. Desde janeiro deste ano, estão sendo elaboradas as propostas. Além dos técnicos, também estamos consultando as concessionárias como Sabesp, Enel, Comgas, os viveiros, os fiscais da secretaria e das subprefeituras. A população também foi escutada a partir de um questionário disponível online (até 1º de março). Foram realizadas seis oficinas presenciais. Queremos saber quais as expectativas da população, se o que ela espera é o que estamos trabalhando no plano. A gente percebe que eles [população] não estão muito satisfeitos... porque também as árvores estão caindo... E percebemos que a população quer participar e tem muitas iniciativas da população, que acabam não consultando os nossos manuais, não levando em conta orientações importantes para evitar problemas futuros, como árvores de grande porte que prejudicam calçadas. Os manuais foram elaborados pela equipe técnica da prefeitura, que pensa a inserção das espécies novas em determinada área, levando em conta o todo, os projetos previstos para cada região da cidade.

Quando ficará pronto o Plano Municipal de Arborização Urbana?

PC: O Plano de Arborização Urbana é previsto no Plano Diretor, de 2014, e antes do lançamento dele, que será em junho deste ano, seu conjunto de propostas será colocado em consulta pública em maio.

Qual o principal problema das árvores de São Paulo?

PC: O maior problema das árvores são os fungos. Os cupins vêm depois. Os fungos aparecem por conta da umidade, ou alterações climáticas muito drásticas. Quando surgem são praticamente imperceptíveis porque é na parte interna. Quando aparece na parte externa é porque por dentro já está bem deteriorado. E quando essa madeira está bem apodrecida,  molinha, fofinha, o cupim vem consome tudo. Daí aparecem os ocos que causam as quedas.

FV: Mas existem diversas causas para os fungos. Eles podem vir pela copa e descer pelo tronco, que vai apodrecendo de cima para baixo. Ou, ainda, um oco embaixo do tronco pode ter sido causado por uma poda mau feita.

PC: Exato. E isso não ocorre de um dia para o outro. O tronco vai se deteriorando lentamente, por anos. Até que um dia de temporal, ela acaba caindo.

Tem outras causas observadas?

PC: Tem bastante Erva de Passarinho, por exemplo, que é uma planta parasita, que cresce sobre a árvore, internalizando suas raízes, que consome a seiva da árvore, o que leva a morte da espécie.  Com planejamento, é possível realizar podas que retiram essas pragas, que ficam geralmente na copa das árvores.

FV: O que percebemos com a prática do dia a dia, é que esse parasita ataca principalmente as exóticas. As regiões de árvores mais antigas é onde apresentam maiores quantidades, onde tem maior concentração e exóticas, como Higienópolis e Jardins, como nas Tipuanas.

Existe um levantamento nesse sentido sendo feito?

PC: A secretaria fechou um convênio há uns três meses com o IPT [Instituto de Pesquisa Tecnológica], que está coletando dados sobre quedas de árvores, tentando avaliar qual é o problema que causou a queda, o que pode contribuir para prevenir novas quedas no futuro. Se tinha fungo, cupim, se levantou raiz, qual a proporção da copa para o tronco, qual era a espécie. Dependendo do desenho da copa da árvore, que pode estar maior de um lado, pode causar a queda com ventos fortes. Ou ainda, devido ao grande volume de chuva, o solo fica tão encharcado que ela perde a sustentação entre o solo e a raiz. Também há casos da árvore cair num dia lindo de sol. O levantamento do IPT vai trazer muitas informações importantes para uma avaliação melhor sobre as condições das árvores.

Quando teremos essas informações?
Ainda não tem uma data porque acabou de começar e tem duração prevista de dois anos.

E na cidade é proibido usar produtos, como defensivos, para cuidar das espécies?
 
FV: Sim. Quando você passa um defensivo numa árvore, você precisa isolá-la. Imagina numa calçada onde passam animais, crianças, e elas acabam entrando em contato com o produto. E se chover acaba espalhando no chão. Também a forma como é aplicado, por pulverização, corre o risco do conteúdo chegar na casa de alguém, em um hospital. Então, por questão de segurança, a Anvisa determinou não usar.

E como resolver isso?

PC: O melhor tratamento é a prevenção. Desde o momento do plantio, dando condições adequadas para que ela se desenvolva, como espaço para as raízes crescerem. Evitar poda, porque a poda é um machucado, por onde podem entrar bactérias e fungos. Evitar as roçadeiras para cortar a grama porque tem um índice muito grande de machucados na base das árvores, onde tem muita umidade do solo.

capa manual de arborziacao internaO morador pode plantar na cidade?

FV: A lei não proíbe o morador de plantar. O que recomendamos é que a subprefeitura da região seja consultada previamente para checar se tem um planejamento para a região ou se passa alguma rede de serviço que pode ser danificada durante o plantio. A consulta pode ser na subprefeitura ou na secretaria do Verde.

Mas a população acaba tomando iniciativa por conta da espera por técnicos da prefeitura, que ainda é muito alta.

FV: Existem atualmente, nas calçadas e canteiros centrais, 652 mil árvores mapeadas [dados de 2015].  No plano que estamos desenvolvendo, a gente tem mapeado a demanda por poda e corte de árvores na cidade e a gente já entendeu qual é a dinâmica da fila. Não é que demora muito para atender, é o modelo de como, onde, o quê e quando fazemos a vistoria. A tomada de decisão é baseada na demanda. Então, se você não pedir para um técnico ir lá, pelo serviço de atendimento ao cidadão (Portal 156), ele não vai. E não é a maioria que pede. Então, num determinado dia existe uma programação para o serviço. Não tem um sistema inteligente que permita olhar todos os exemplares de uma única rua, com planejamento, sem precisar ficar atendendo demandas que geralmente são urgentes. A fila existe por conta dessa forma de trabalho, a fila é muita grande porque perdemos muito tempo no deslocamento, por destinos distantes uns dos outros.

O novo plano municipal pode contribuir para melhorar o atendimento?

FV: A ideia do planejamento é suprir esse atendimento, que é feito em duas etapas pelo menos. Uma para avaliar o que precisa ser feito. E outra para a execução. Então, o sistema planejado não é que ele vai só dar mais agilidade, ele vai otimizar tempo, uso do recurso humano e financeiro. O planejamento está considerando diversos critérios como avenidas que impactam mais na circulação de carros e pessoas, a vegetação mais antiga, onde caem mais árvores, os bairros que tem dificuldade para interditar o trânsito.

Vai permitir verificar onde precisa de mais áreas verdes? É a periferia que possui menos verde?

PC: Sim. É a periferia que possui menos áreas verdes. Existe outro plano em andamento que está analisando as áreas verdes da cidade, mapeamento a área da copa das árvores, que aí abrange tudo, calçadas, canteiros, praças e parques para detectar a área de cobertura na cidade. Com isso, será possível saber onde é preciso plantar mais árvores. O levantamento de 2015, só georreferenciou as árvores, onde estão. Agora, vai proporcionar saber o tamanho das copas e, com isso, a idade delas também. E esse levantamento deve sair ainda neste ano.

É possível plantar frutíferas na cidade?

FV: Não recomendamos o plantio nas calçadas porque elas caem e podem causar quedas ou atrair pessoas que sobem nas árvores se colocando em risco por conta da fiação elétrica. E também não sabemos qual a qualidade essas frutas, porque os solos da cidade são muito variados, não tem só solo natural, muito vêm de outros locais, e podem estar contaminados com metais pesados. O alto índice de poluição do ar acaba depositado na casca do fruto. Também tem a parte agronômica mesmo. Quando tem uma área de produção de fruto é preciso ter cuidado com adubação e preparação do solo. Também é preciso podar a árvore com uma frequência diferente.

Vocês têm contato com a população que planta?

PC: Estamos fazendo o levantamento dos coletivos que plantam árvores para que eles se aproximem mais da gente e continuem plantando adequadamente, respeitando os manuais.
Pretendemos construir um plano em conjunto com a população.

Serviços:

Baixe os manuais de Arborização e de Poda neste link

Poda de árvore ou denúncia de poda ou remoção não autorizados pode ser feito pelo Portal da Prefeitura: https://sp156.prefeitura.sp.gov.br/

*Esta entrevista é complemento da matéria "Preservação de áreas verdes na capital em risco" da edição 537 do Jornal do Engenheiro

** Leia também complemento da matéria do JE 537 "Pesquisa demonstra aumento do interesse por áreas verdes nas cidades".


Fotos: De cima para baixo, poda de árvore realizada por equipe terceirizada da Subprefeitura da Mooca/Beatriz Arruda; capa do Manual de Arborização da cidade.



Deborah Moreira*


Parque Ibirapuera foto rafael neddermeyer internaO engajamento da população por mais áreas verdes, nos grandes centros urbanos, vem crescendo. Uma pesquisa realizada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), que observou parques urbanos nas principais capitais do País, entre 2000 e 2017, identificou 244 novas áreas.

São Paulo, que possuía 40 parques em 2000, em 2017 ganhou 76 novos locais; Vitória eram quatro e ganhou sete; Recife nove e ganhou mais cinco; Belo Horizonte possuía 29 e ganhou 33; Goiânia que possuía somente três e contabilizava em 2017 outros 39 espaços verdes.

A pesquisa de doutorado “Parques Urbanos no Brasil 2000 a 2017”, da arquiteta Francine Sakata, constatou que o ambiente do parque urbano brasileiro do século 21 ganhou características e significados diferentes das dos séculos 19 e 20, principalmente em relação ao uso e distribuição pelo espaço urbano.

“Jardins urbanos que se destinavam à fruição das elites no século 19 e das massas no século 20 apresentam-se, entre 2000 e 2015, como figura híbrida, relacionada à preservação ambiental e ao lazer, mas não necessariamente a ambos”, diz um trecho do estudo.

Entre os novos espaços estão os parques lineares, que tanto se apresentam em forma de conjuntos de pequenos espaços livres articulados por curso d´água, como de projetos de grande envergadura que articulam uma sequência de parques no território urbano. O estudo conclui que o conjunto de parques demonstra que houve mudança na percepção do valor dessas áreas pela sociedade brasileira.

“É muito importante esse aumento de conscientização sobre a importância das áreas verdes, para o meio ambiente e uso do espaço. Esses novos parques foram inaugurados porque a população reconhece isso hoje como algo importante”, afirmou o arquiteto e urbanista Fabio Mariz Gonçalves, professor do Departamento de Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de São Paulo (USP), especialista em Paisagem Urbana, que orientou a pesquisa.

Gonçalves citou um dado curioso sobre o Ibirapuera para ilustrar a mudança no padrão de comportamento: “Quando o Ibirapuera foi inaugurado, não houve nenhuma matéria que falasse sobre a área verde do parque, todas falavam das marquises, dos prédios, da arquitetura do Oscar Niemayer, equipamentos públicos. A mudança a gente percebe com a inauguração do Auditório do Ibirapuera, na década de 1990, quando houve uma mobilização para que a área gramada fosse preservada”.

Um exemplo de disputa imobiliária, que começou no século 20, é a do terreno no entorno do Teatro Oficina Uzyna Uzona, no bairro da Bela Vista, na capital paulista, onde o Grupo Silvio Santos pretendia construir três prédios de até 100 metros de altura que prejudicariam a construção do teatro, tombado desde 2010 pelo patrimônio histórico. Em 2017, um Projeto de Lei (805) foi elaborado pelo vereador Gilberto Natalini (PV) para a criação do Parque Municipal do Bixiga. No dia 12 de fevereiro último, o PL foi aprovado em segunda votação, dando fim a disputa. Aguarda sanção do prefeito.


Parque Augusta
Outra disputa tão antiga quanto ocorre desde 2000: o Parque Augusta. Idealizado pela advogada Célia Marcondes, paulistana moradora da região da Bela Vista, na década de 1980, quando passava de ônibus elétrico em frente ao terreno fechado já com a ideia: “Daria um ótimo parque”.

Ela conta que, nos anos 2000, com a criação da Associação de Moradores de Cerqueira César, ela começou a coletar assinaturas, no Clube Inglês, próximo ao terreno, em um abaixo-assinado para o local se tornar um parque.

“Quando fui ao legislativo e procurei por vereadores foi que tive contato com o histórico oficial do terreno, que já previa em documentos anteriores uma servidão de passagem e Decretos de Utilidade Pública, como um determinado por Jânio Quadro, no final dos anos 80. Desde 2004, o bosque e os muros remanescentes do Colégio Des Oiseaux, são tombados pelo Compresp [Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo]”, recordou Marcondes.

parque augusta organizacao internaNo total, a área de 24 metros quadrados abriga cerca de 700 árvores nativas da Mata Atlântica e há ruínas do antigo Colégio Des Oiseaux, que ocupou a área durante sessenta anos, até o final da década de 1960, oferecendo ensino às meninas da alta sociedade paulistana. “Também defendemos a preservação das arcadas encontradas sob o muro frontal do terreno. Há indícios delas terem servido como pontilhão em obra de canalização de rio”, explicou Marcondes.

Em 2013, após pressão do movimento em prol da construção do parque, o então prefeito Fernando Haddad, sancionou a lei que cria o Parque Augusta.  Em 2015, um grupo de cerca de 300 militantes que ocupavam o terreno e faziam atividades autogestionadas para manter o parque, incluindo um festival de música e arte, foi retirado do local pela tropa de choque, atendendo a uma reintegração de posse das construtoras Setin e Cyrela, que pretendiam construir três edifícios no local.

Em agosto de 2018, foi firmado um acordo entre Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) e as construtoras que receberam cartas de Troca de Direito de Construir (TDC), moeda imobiliárias que permite construir em outras áreas o equivalente ao que estava autorizado a construir no terreno da rua Augusta. Ainda pelo acordo, que contou com mediação do Ministério Público, as construtoras tiveram que indenizar o município em cerca de R$ 10 milhões pelo fechamento do parque e danos ambientais no terreno.

O valor pago pelas construtoras terreno foi de R$ 64,1 milhões. No entanto, elas alegam ter gasto R$ 110 milhões, incluindo IPTU custos de manutenção como segurança e limpeza, além das multas. Com o acordo firmado já no governo João Doria, em 2018, elas receberão no total, em crédito imobiliário, R$ 205 milhões.  

Segundo a PMSP, ficou decidido em reunião realizada no dia 7 de janeiro último que as obras do parque serão acompanhadas pelo Centro de Arqueologia do Departamento do Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura (DPH-SMC) para atender a legislação federal vigente de arqueologia.

Em janeiro deste ano, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pediu a paralisação das obras de construção do parque, alegando a existência de vestígios de populações indígenas na área. “Não sei de onde surgiu essa alegação. Não é de nenhum grupo que defende o parque”, disse Célia Marcondes.

O Parque Augusta tem previsão de entrega em julho de 2020. Na primeira etapa do projeto estão contempladas as intervenções relativas ao restauro do Portal e Casa do Bosque. Depois, algumas árvores mortas ou que não são possíveis de recuperação, serão retiradas. Para garantir a permeabilidade do solo em 90,18%, como prevê o projeto para atender à Legislação, os passeios receberão acabamento com pisos drenantes, passeios com terra batida ou com pedriscos.

O urbanista Fabio Gonçalves é crítico em relação ao desfecho do episódio. Para ele, a luta do parque Augusta é resultado do que ele chama de efeito Nimby – abreviação da expressão em inglês “Not In My Back Yard” que significa “Não no meu jardim”.

“Todo mundo quer a feira livre no seu bairro, a delegacia, a creche, a escola, mas não quer na sua rua, na frente da sua casa. Ninguém quer uma árvore na frente de casa porque faz muita sujeita. E o quê ocorreu com o Parque Augusta foi isso: os moradores não queriam aquele conjunto de prédios grandes, tampando a visão. É um terreno caríssimo e muito valioso para a prefeitura arcar com isso. Com o dinheiro que foi gasto daria pra construir uma área 20 vezes maior em uma região mais periférica, carente de área verde e de lazer”, opinou.

Mais recentemente, uma nova disputa se desenha no bairro do Jaraguá. Um grupo de índios ocupou um terreno próximo da comunidade Terra Indígena do Jaraguá para impedir que mais árvores viessem abaixo. A construtora Tenda já havia aberto um clarão no bosque. Em protesto, o povo Guarani Mbya decidiu então realizar uma manifestação, em caráter de cerimonial fúnebre no local onde se pretende construir o condomínio Jaraguá-Carinás, com cinco torres e 396 apartamentos, para cerca de 800 moradores, a oito metros da aldeia Tekoa Ytu. Esta é única das seis aldeias da região que está na fase final do processo de demarcação da terra indígena.

Até meados de fevereiro, a PMSP suspendeu a obra temporariamente. Já o Ministério Público Federal (MPF), que recebeu uma comissão de indígenas, aguardava todas as partes envolvidas se apresentarem. A Defensoria Pública da União também está alerta colhendo provas e elementos para caso seja preciso procurar a via judiciária.

Privatização
Para manter os parques, a atual gestão alega falta de recursos e de equipes. Para atender a demanda, anunciou a concessão à iniciativa privada, até o final deste ano, quando se encerra o mandato, a administração de 11 dos 107 parques municipais. As áreas estão divididas em cinco lotes. Um deles já foi entregue que inclui o Ibirapuera mais cinco parques: Jacinto Alberto e Jardim Felicidade, em Pirituba; Tenente Brigadeiro Faria Lima, na Vila Maria; Lajeado em Guanazes; Eucaliptos, no Campo Limpo.

parque trianon foto rita casaro 2O Lajeado e o Tenente Brigadeiro Faria Lima foram os dois primeiros que mudaram a gestão em 20 de janeiro. O Ibirapuera e Eucaliptos serão assumidos integralmente pela concessionária a partir de julho. Segundo a coordenadora de Gestão de Parques e Biodiversidade da SVMA, os serviços dentro do parque que poderão gerar receitas para as concessionárias são alimentação, estacionamento, eventos, atendimento ao usuário, entre outros. Neste primeiro semestre haverão mais quatro lotes de parques: Trianon e Mario Covas, na Paulista; Chuvisco, na Água Espraiada; Jardim da Luz; e Chácara do Jóquei.

A iniciativa é criticada pelo urbanista Fabio Gonçalves, que lembra que em nenhum país os parques dão lucro à iniciativa privada, uma vez que não é permitida a cobrança de ingresso. Além disso, segundo ele, a conta não fecha em relação aos serviços que serão oferecidos. Será muito baixo o retorno financeiro. Para ele, concessões como, por exemplo, do Parque do Ibirapuera, que atualmente é o mais democrático, em sua visão, vão gerar receitas indiretas, como a valorização de imóveis no entorno.

"Atualmente, diversos grupos de todas as classes sociais convivem no Parque do Ibirapuera. Agora, uma gestão privada, vai querer algum retorno, e não é financeiro diretamente. É um retorno com base no marketing, como ocorre no Parque do Povo, gerido por um shopping próximo que tem interesse em estar ao lado de uma área verde. O Parque Burle Marx, que também tem uma gestão privada desde sua inauguração, fica ao lado de apartamentos de alto padrão do Panamby, não permite que ele seja aberto a todos. Nos folders de lançamento dos prédios ao redor, inclusive, estava anunciado: 'Parque Burle Marx, naturalmente seu'", comenta Gonçalves, se referindo ao fato de o Burle Marx ser de difícil acesso - não tem estacionamento, não passa linha de ônibus e não tem calçada até a entrada do parque.

"Deveríamos nos preocupar em manter os poucos parques que existem mais inclusivos e democráticos. O Ibirapuera hoje em dia reúne uma diversidade de público. A privatização não vai nesse sentido. Todas as experiências desse tipo tendem a ter uma gestão mais seletiva nas atividades permitidas e provavelmente, com isso, no perfil do público”, completa.

Arborização
Existem atualmente 652 mil árvores nas calçadas e canteiros da cidade, segundo levantamento realizado em 2015, número insuficiente, segundo Fabio Mariz. O coeficiente de área verde por habitante é de 15,94 m2/hab, maior que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 12 m². "O problema é o desequilíbrio no atendimento e o acesso a essas áreas. Onde estão esses metros quadrados de área verde, se são acessíveis. O maior parque de são Paulo é o parque da Cantareira, que não é fácil de chegar, é um dos parques menos utilizáveis da cidade", detalha. Essa configuração atual, além de não ser inclusiva, causa problemas ambientais como as chamadas ilhas de calor, que trazem desconforto térmico e, segundo estudos, ocorrência de chuvas mais fortes.

A solução é focar no plantio de árvores para “diminuir a temperatura, com mais sombras, e reter as águas das chuvas”. Além disso, ele observa que em diversas gestões foram elaborados planos para as áreas verdes da cidade. No entanto, em nenhuma delas houve a execução dos planos. "Dizer que a cidade não tem planejamento não diz muito sobre o problema. A cidade tem planos, o que falta é executá-los".

Um exemplo citado por ele acontece em cidades francesas, onde no plantio de uma espécie já tem sua data de remoção definida, bem como a destinação correta da madeira, por entender que uma árvore não pode envelhecer e morrer no espaço público urbano por demandar manutenção. "As árvores já são plantadas na idade adulta, com copa formada, e duram cerca de 30 anos, em média. Depois desse tempo, elas estão propensas a terem mais fungos, quedas de galhos, podem provocar problemas na fiação elétrica. Não é pecado cortar árvore, o pecado é não gerir adequadamente".

*Complemento da matéria "Preservação de áreas verdes na capital em risco" da edição 537 do Jornal do Engenheiro

** Leia também a entrevista com as engenheiras agrônomas da Prefeitura neste link.

 
Fotos: De cima para baixo Parque do Ibirapuera/Rafael Neddermeyer-Fotos Públicas; Área interna do terreno na rua Augusta, durante ocupação de movimentos pela criação do parque; Parque Trianon/Rita Casaro-Comunicação SEESP.


Da Agência Fapesp*
Por Maria Fernanda Ziegler

A urbanização e a consequente redução de áreas verdes nas cidades podem ser consideradas uma verdadeira festa para mosquitos vetores de doenças, como o Aedes aegypti (dengue) e o Culex quinquefasciatus (filariose linfática).

Mais adaptados às áreas urbanas, eles são beneficiados pelo declínio da população de outras espécies de mosquitos. No município de São Paulo, essa relação não é diferente. Foi o que comprovou um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo no âmbito do programa Biota-Fapesp.

Com a colaboração do Centro de Controle de Zoonoses e do Departamento de Parques e Áreas Verdes do município, foram coletados 37.972 espécimes da família Culicidae, que compreende espécies conhecidas popularmente como pernilongos. As análises posteriores realizadas em laboratório mostraram que eles pertenciam a 73 espécies e 14 gêneros diversos.

Embora a coleta – feita em nove parques municipais monitorados pelo estudo – indique uma rica diversidade de espécies na cidade, o estudo mostrou que existe um problema quanto à distribuição e composição dessas espécies nas áreas verdes do município.

Entre os resultados divulgados em artigo na Scientific Reports está a constatação de uma tendência à redução de espécies de mosquitos. Com isso, vetores de patógenos que causam doenças em humanos acabam sendo beneficiados adaptativamente.

Dos insetos coletados no estudo, 68% pertenciam a cinco espécies: Culex nigripalpus, Aedes albopictus, Cx. quinquefasciatus, Ae. fluviatilis e Ae. scapularis. Outras espécies de vetores – Cx. declarator, Ae. aegypti, Cx. chidesteri, Limatus durhami e Cx. lygrus – também foram encontradas com maior frequência nos parques urbanos.

“Existe uma relação entre o tamanho das áreas verdes e a diversidade das espécies. As áreas verdes menores tendem a possuir um subconjunto das espécies encontradas em áreas verdes maiores, havendo uma tendência para que a fauna de mosquitos nas áreas menores seja formada principalmente por vetores”, disse um dos autores do estudo, Antônio Ralph Medeiros-Sousa, doutorando na Faculdade de Saúde Pública da USP com bolsa da Fapesp.

De acordo com Medeiros-Sousa, em cenários de fragmentação e redução das áreas verdes, mosquitos vetores são beneficiados com a extinção de espécies mais silvestres. “Eles são mais adaptados ao meio urbano e, com a redução progressiva das áreas verdes, as espécies mais silvestres vão desaparecendo e as mais urbanas, justamente as mais competentes para a veiculação de patógenos, de certa forma dominam o território”, explica.

O estudo também mostrou que há uma grande variação na riqueza de espécies entre os parques monitorados. Foram coletadas 16 espécies no parque do Ibirapuera, com 1,58 km2 de área, enquanto no Parque Anhanguera (9,5 km2) foram encontradas 47 espécies. Como esperado, os fragmentos menores de área verde são mais suscetíveis a distúrbios ambientais, que afetam principalmente a permanência de espécies de baixa abundância.

“É bastante expressivo coletar quase 50 espécies de mosquitos dentro de uma área verde inserida em uma cidade. Não esperávamos esse número. Foi uma surpresa, mesmo sabendo que algumas regiões, como o próprio parque Anhanguera, teriam uma diversidade mais elevada, justamente por causa de sua área”, disse Medeiros-Sousa.

Mesmo com a comprovação da maior concentração de mosquitos vetores – sete dos oito mais comuns são vetores de patógenos em humanos –, os pesquisadores destacam não ser possível afirmar que há um maior risco de transmissão de patógenos, mas apenas uma maior possibilidade de contatos entre mosquitos vetores e humanos. “Não quer dizer que vai ter doença. Existe outra parte determinante para a doença que é a presença do patógeno, como o vírus da dengue, Zika ou febre amarela. O estudo mostra que há um desequilíbrio, com menor diversidade de espécies em áreas menores e menos preservadas”, esclarece outro autor do estudo, Mauro Marrelli, professor associado da Faculdade de Saúde Pública da USP e orientador de Medeiros-Sousa.

Segundo os autores, os dados reunidos pelo estudo destacam a necessidade de outros trabalhos que busquem entender como a perda de espécies pode afetar o risco de doenças infecciosas em áreas urbanas.

Ilhas verdes
A relação entre área e diversidade é explicada pela Teoria do Equilíbrio da Biogeografia de Ilhas, formulada nos anos 1960 pelos ecólogos norte-americanos Robert MacArthur e Edward Osborne Wilson. De acordo com a teoria, a riqueza de espécies em ilhas representaria um equilíbrio dinâmico entre taxas de imigração e extinção, que são afetadas pelo tamanho e grau de isolamento da ilha. Essa mesma teoria pode ser aplicada a parques e áreas verdes urbanas, pois formam territórios isolados [ilhas] pela urbanização.

No caso dos mosquitos, que têm curto período de vida e se deslocam por curtas distâncias – ignorando eventuais casos de dispersão mecânica, quando o inseto é deslocado ao entrar em um carro, por exemplo –, a extinção teria um impacto ainda maior no equilíbrio das espécies. “Mostramos que o modelo da Teoria da Biogeografia de Ilhas também se aplica no município de São Paulo. Notamos também que quanto menores forem as áreas verdes, a tendência é haver uma maior similaridade de espécies, já que as espécies mais bem adaptadas ao ambiente urbano tendem a ser selecionadas. Em nosso estudo, vimos que quase 70% dos mosquitos são de apenas cinco espécies. Isso sim é um problema”, disse Marrelli.

Os mosquitos formam um grupo muito diverso, com mais de 3,5 mil espécies conhecidas. Portanto, estudos sobre a diversidade de mosquitos em espaços verdes urbanos são úteis tanto para elucidar processos que conduzem os padrões de diversidade nos ecossistemas urbanos como para entender o papel da biodiversidade na redução ou aumento do risco de transmissão de patógenos.

No trabalho, a equipe de pesquisadores realizou coletas mensais, entre 2011 e 2013, em nove parques municipais de São Paulo: Alfredo Volpi, Anhanguera, Burle Marx, Chico Mendes, Ibirapuera, Piqueri, Previdência, Santo Dias, Shangrilá.

 

* Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

 

A partir da análise da gestão de áreas verdes na cidade de São Paulo, no período de 2002 a 2013, a bióloga Amanda Carbone constatou que existe uma falha no processo de planejamento das áreas verdes públicas e privadas da cidade como parques, áreas ajardinadas, canteiros, sítios urbanos.


Foto: Prefeitura Municipal de São Paulo
Verdes SP 
Bióloga afirma que não houve uma visão sistêmica para enxergar as demandas territoriais da cidade 


No período analisado, Amanda observou que houve avanços em relação a criação de novas áreas, além do aumento no número de parques, mas foram iniciativas um tanto oportunistas. “Não houve uma visão sistêmica para enxergar as demandas territoriais da cidade, nem planejamento para determinar essas áreas verdes”, explica a pesquisadora.

Esses dados estão na dissertação de mestrado Gestão de áreas verdes no Município de São Paulo, SP – Brasil: ganhos e limites, apresentada em abril de 2014 por Amanda na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. O objetivo do trabalho foi analisar a gestão de áreas verdes da cidade e seu avanço em direção à sustentabilidade, identificando ganhos, limites e potencialidades que influenciam na melhoria da oferta dessas áreas. A pesquisa envolveu tanto o estudo da criação de novas áreas verdes como o da proteção das áreas que já existem no município, e não contemplou a arborização urbana.

Amanda, que atualmente é pesquisadora do Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) em Mudanças Climáticas (Incline), realizou levantamento bibliográfico, análise documental (de documentos mais específicos, como atas de reuniões de comitês de mudança do clima da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, entre outras), além de entrevistas com pessoas da própria gestão municipal, pesquisadores e outras pessoas da sociedade civil envolvidas com o tema.

Após as entrevistas, a bióloga analisou o conteúdo de todo o material e se viu diante de um modelo que serviu para contextualizar, de modo abrangente, as áreas verdes da cidade de São Paulo, e que envolveu instrumentos legais, econômicos, administrativos e institucionais sobre a questão.

De acordo com a pesquisadora, a criação de novas áreas verdes se sobressaiu em relação à manutenção das áreas verdes existentes. “Também observamos carência de incentivos para os proprietários de áreas verdes particulares. Uma sugestão seria a criação de novos incentivos fiscais para que a pessoa possa continuar mantendo a área verde”, sugere. “O atual Plano Diretor Estratégico de São Paulo, aprovado em 2014, prevê o instrumento de pagamento por serviços ambientais, que ainda necessitará de regulamentação”, completa.

Descontinuidade de projetos entre as gestões
Outro aspecto observado foi a descontinuidade entre as gestões: algumas questões acabaram se perdendo com as mudanças de gestão ao longo do período analisado. “Porém, constatamos que o município de São Paulo tem vários instrumentos de gestão para as áreas verdes, como leis, Plano Diretor, Secretaria do Verde e Meio Ambiente, entre outros. Trata-se de uma estrutura legal e institucional muito mais avançada quando comparada a outros municípios”, pondera.

Sobre as compensações ambientais — quando as construtoras, por exemplo, retiraram uma área verde e compensam essa supressão de vegetação em outro local —, Amanda observa que esse outro local é, muitas vezes, um bairro distante. “Neste caso, o plantio de uma área verde não pode ser comparado a uma área verde já estabelecida, que muitas vezes leva anos para amadurecer”, conta.

Outra constatação foi que a distribuição de área verdes na cidade de São Paulo é bastante heterogênea: há áreas com muita carência de verde, enquanto outras há mais vegetação. E onde existe, há má distribuição. “As regiões norte e sul da cidade concentram os grandes maciço de áreas verdes”, diz.

Para Amanda, como esta pesquisa ficou restrita a um recorte do tempo, é imprescindível que novos estudos sobre o tema sejam realizados, para permitir um acompanhamento das ações do poder público. “Saber como ocorre a gestão de áreas verdes é o primeiro passo para apontar caminhos que favoreçam a transformação do território urbano para um local ambientalmente mais saudável, com melhor qualidade do ar, menos enchentes, ar mais fresco e mais lazer para a população”, finaliza.


 

Fonte: Agência USP de Notícias







Existe um movimento na capital paulista que vem crescendo nos últimos meses, o da proteção às áreas verdes. Com o lema: "Chega de Prédios! Mais Verde!" diversos coletivos e oganizações da socidade civil sairão em passeata na terça-feira (13/5), às 17h, pelas ruas do Centro. A concentração será no Teatro Municipal. Esse será o terceiro ato organizado pelo movimento, que tem como uma de suas bandeiras de luta a reabertura do Parque Augusta, na região central, fechado desde o dia 24 de dezembro de 2013.

Foto: Parque Augusta divulgação
parque augusta primeiro ato
Primeiro Ato em Defesa dos Parques, ocorrido em 31 de março deste ano 

Apesar de o prefeito Fernando Haddad (PT) ter sancionado, em 23 de dezembro do ano passado, o Projeto de Lei 245/06, que estabelece a criação do Parque Augusta em sua área total de 25 mil m² - no quarteirão entre as ruas Augusta, Caio Prado e Marquês de Paranaguá, na Consolação -, a área foi fechada no dia seguinte. E desde então, todo o processo de organização e melhorias que estava sendo realizado no local foi interrompido. A prefeitura alega não ter recursos para adquirir o imóvel, avaliado em cerca de R$ 55 milhões.  

Segundo a organização do ato, divulgado nas redes sociais, outra área verde que não sai do papel é o Parque Chácara do Jockey, vetado no início de 2014. O movimento também alerta para o fato de o Parque Burle Marx ser emparedado por mais torres que estão sendo construídos em seu entorno.

Histórico

As incorporadoras Setin e Cyrela anunciaram, em novembro deste ano, que planejavam construir na área. As empresas apresentaram à prefeitura um projeto de construção de duas torres - uma residencial e outra comercial - que ocupariam cerca de 20% do terreno - o restante seria uma área aberta ao público. Os ativistas temem que as construtoras transformem a área em um parque privado, permanecendo somente uma parte do tempo aberta. Existe uma cláusula pétria no contrato de compra e venda dos terrenos (são dois) de que o lugar deve ser mantido uma área de servidão de passagem permanentemente.

O espaço chegou a ser tombado pela prefeitura e foi declarado, em 2008, como sendo de utilidade pública pelo então prefeito Gilberto Kassab. Em agosto passado, porém, o decreto acabou vencendo sem que a prefeitura pudesse concluir o processo de desapropriação. A Secretaria do Verde alegou falta de verba. O movimento que luta para manter a área verde preservada (com Mata Atlântica nativa) quer oficializar autogestão na organização do parque, que acontecia até seu fechamento.

 

Mais ifnormações na página do Parque Augusta.


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Com informações do Facebook








 

Há algum tempo temos levantado a questão da importância da preservação e manutenção das áreas verdes nos grandes centros. Este, inclusive, foi o tema do último Relatório Global de Jardinagem divulgado pela Husqvarna, que revelou que espaços verdes valorizam as paisagens urbanas e podem ser determinantes na escolha de ruas, bairros e cidades para se viver ou fazer uma visita turística.

Mais que beleza e bem-estar, as árvores efetivamente possuem um papel fundamental em nossa vida. Atuam no combate à poluição, contribuindo para melhorar a qualidade do ar respirado, reduzem o calor e a incidência direta de raios solares, além de serem importantes para a retenção das águas das chuvas, reduzindo a ocorrência de enchentes.

No entanto, para usufruirmos de todos esses benefícios da melhor maneira e para que a paisagem seja realmente valorizada, as árvores precisam ser bem cuidadas. Durante o XVI Congresso Brasileiro de Arborização Urbana, uma parceria da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) com a International Society of Arboriculture (ISA), realizado recentemente em Minas Gerais, a arborização urbana foi o principal tema em discussão por especialistas e profissionais do segmento.

No encontro, foram avaliadas, entre outros fatores, as melhores técnicas de escalada e poda, visando à preservação da vida das árvores e todo o entorno em que estão localizadas, como a fiação de rede elétrica, postes, residências etc, bem como a segurança dos trabalhadores. Em nossa palestra, destacamos a valorização da poda correta e as soluções em equipamentos disponíveis para atividades de manejo de árvores, como poda de galhos mortos e podas de limpeza. Existem podadores, sopradores e motosserras que produzem resultados muito mais efetivos no processo.

Avaliações frequentes por especialistas e a manutenção das árvores com equipamentos corretos são extremamente importantes e devem ocorrer não apenas no verão, época de chuvas fortes e quando aumentam os registros de quedas, mas durante o ano todo de maneira preventiva, seja em áreas públicas ou privadas. Temos que saber cuidar das árvores para que elas continuem cuidando de nossa paisagem e de nossa saúde.

* por Graziela Lourensoni é gerente de Marketing e Produtos para a América Latina da Husqvarna


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