GRCS

03/04/2014

O bom negócio da construção sustentável


A sustentabilidade na construção civil é tema cada vez mais presente no mercado brasileiro. O Brasil é o quarto país no ranking da certificação verde em edifícios, o Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), da norte-americana Green Building Council. Entre 2012 e 2013, o número de empreendimentos comerciais quase dobrou (de 79 para 150). De olho nesse mercado, o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo Seesp, com o apoio da FNE, inicia neste semestre o curso de extensão “Construção civil e sustentabilidade”.

Com previsão de início em 15 de abril, a grade curricular está dividida em oito módulos, com 60 horas cada, sendo sete deles obrigatórios. “É possível optar por seis módulos e mais um que é o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Os módulos são independentes e compactos”, explica o coordenador do programa, Alexandre Amato Sanches Nóbile.

Ele revela que o conteúdo das aulas foi planejado com base na realidade brasileira – em que ainda há poucas construções sustentáveis, apesar do crescimento –, mas também abordará experiências internacionais. Em sua avaliação, ainda falta conscientização. “Pensamos nesse curso para levar a cultura da sustentabilidade ao setor. A construção civil pode contribuir para melhorar a vida das pessoas. Esse aquecimento fora do normal que tivemos no verão passado poderia ter sido menos sentido nas residências, por exemplo, com projetos que ventilam e iluminam o ambiente sem que o sol incida diretamente”, completa o coordenador, que lembra que existem ainda poucas disciplinas que abordam gestão ambiental na graduação e que as especializações são em número reduzido.

Custo-benefício
Hamilton de França Leite Jr., diretor de sustentabilidade do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) e da Casoi Desenvolvimento Imobiliário, avalia que o País está bem posicionado nos empreendimentos comerciais verdes. Na classificação da certificadora Green Building Council, só perde para Estados Unidos, Emirados Árabes e China. Já nos residenciais, o Brasil está bem atrás. Até meados de 2013, só possuía um certificado.

“Ainda falta demanda por esses empreen­dimentos, por pura falta de informação. No País, não há indicativos sobre o quanto se economiza com água e energia, por exemplo. Temos muitos dados do exterior. Também há poucos dados sobre os benefícios da construção sustentável. Tudo isso, somado à falta de conscientização sobre as mudanças climáticas”, ponderou Leite, que será um dos professores do curso no Isitec.

De acordo com o diretor de sustentabilidade, muitos dos empreendedores justificam que o fator financeiro é decisivo para não optar por edificações ambientalmente responsáveis. Em 2013, o representante do Secovi-SP fez um mestrado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) sobre os aspectos econômicos relacionados à construção sustentável. Após ouvir 800 profissionais que atuam em incorporadoras, concluiu que o grupo que adotou essa prática teve adicional no custo de 1,6% a 8,6%. Já a percepção de incorporadoras sem experiência nesse tipo de construção é que esse ágio pode variar de 3,5% a 17,6%. Ou seja, mais que o dobro do relatado por quem viveu a experiência. “Falta percepção real dos custos. Alguns itens têm custo adicional, como a madeira certificada. Mas, ao utilizá-los, os benefícios são dez vezes superiores. Vai ter menos gasto com água, com energia e uma produtividade maior. Além de menos problemas de saúde e melhor qualidade de vida”, explica.

Canteiro mais limpo
Quem também atesta a escolha por projetos sustentáveis é Mariana Roquette, gerente e sócia da Bakuara, uma consultoria especializada em gestão de resíduos, que auxilia incorporadoras em busca da certificação verde. Além de planejar a gestão dos materiais, de monitorar o dia a dia da obra, a consultoria também vem dando workshops sobre resíduos e materiais.

“A sustentabilidade deve se tornar uma palavra obsoleta com o tempo. Nós, que temos essa preocupação, esperamos que seja incorporada de forma sistêmica no trabalho. Infelizmente quem nos contrata busca a certificação por uma questão empresarial, e não de consciência ambiental”, declara Roquette, que dará aulas no programa de extensão do Isitec sobre a organização do canteiro de obras.

O engenheiro Bráulio Cesar Bosso Querubim, da JHSF Incorporações, atua como assistente em uma obra particular residencial de alto padrão, que busca o selo verde da Fundação Vanzolini, o Aqua. “Fizemos o plano de gerenciamento de resíduos com uma consultoria terceirizada e foi essencial na escolha e uso dos materiais. Os gastos com mão de obra foram menores, e o canteiro de obras fica mais organizado, mais limpo”, conta ele, que pagou cerca de R$ 3.500,00 ao mês pelo trabalho de gestão de resíduos. Mesmo sem ainda ter feito o cálculo total dos gastos da obra, que deve terminar em junho deste ano, Querubim já afirma que valeu a pena.

Serviço
Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec)
Programa de extensão “Construção civil e sustentabilidade”
A partir de 15 de abril, na sede do instituto em São Paulo, com duas turmas: segundas e quartas e terças e quintas-feiras, sempre das 19h às 22h35. São oito módulos de 60 horas cada.
Valor: R$ 2.300,00 cada módulo. Pagamento parcelado. Descontos de 20 a 70% por mérito e de 30% para algumas entidades.
Mais informações e inscrições pelo telefone (11) 3254-6878, e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou no site www.isitec.org.br

(Por Deborah Moreira)

 

Fonte: Jornal Engenheiro, Edição 143/ABR/2014
Para ler a versão em PDF na íntegra clique aqui










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