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17/04/2012

Jurandir Fernandes: "O metrô de São Paulo não está em colapso"

Reproduzimos, a seguir, trechos de entrevista do secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, ao site Mobilize Brasil: 

Quais as causas das recentes panes no metrô paulistano e nos trens da CPTM? Qual o grau de gravidade delas, na avaliação da Secretaria de Transportes Metropolitanos?

Jurandir Fernandes – É preciso separar: acidentes e panes. Tivemos dois acidentes em dois meses seguidos, o que nos deixou bem preocupados. O primeiro com duas pessoas, outro com 50 feridos, não graves. Dois casos - um de madrugada e outro às dez da manhã - foram de atropelamentos, envolvendo funcionários, caso muito raro de acontecer. Este da manhã foi com dois funcionários de 34 anos de casa. É norma da empresa “jamais caminhar sobre os trilhos”, mas era onde eles estavam.

Outro foi com três funcionários de uma empresa estrangeira (Espanha), que faziam testes de trem. Trabalho terminado, caminhavam nos trilhos, em direção ao local onde deixaram o carro estacionado; um trem colheu-os de trás. Temos imagens que mostram o instante que o trem chega apitando; mas devem ter pensado que era o trem que viam à frente, e não um de trás, e não se afastaram a tempo.

Não há registro de outro caso de funcionário atropelado, nestes dez anos em que atuo na Secretaria. Devo dizer que, mesmo sendo grave, o caso não tem relação com problemas técnicos. As câmeras internas e o CCO (Centro de Controle Operacional) têm registros que indicam falha humana. Outros acidentes menores, mas que tiveram impacto na mídia, foram analisados profundamente e também não vimos falha de equipamento. 

E as panes? Várias ocorrências envolvendo funcionários e passageiros, na mesma época, já faz com que a sociedade esteja acendendo “a luz vermelha”.  As pessoas pensam: o que está acontecendo afinal? Há risco à segurança dos passageiros?

Jurandir Fernandes – Quando se fala “a sociedade”, é preciso ver que o usuário é impactado pela forma como recebe a informação. O tratamento dado pela mídia induz a opinião pública a pensar que algo catastrófico esteja acontecendo... O importante é apresentar as informações filtradas por algo mais científico, com estatísticas, por exemplo. Então, veja: são 42 mil viagens por semana no sistema de trens e metrô de São Paulo; ou, cerca de 7.200 viagens por dia. Quando acontece alguma coisa no trem, recebo on-line a informação no meu celular. Agora mesmo, por exemplo, posso ver que a linha 1 entrou às 10h32 em lentidão; e que às 10h34 já está normal. Então, não se pode considerar “pane”, porque há uma classificação para pane, e que não permite chamar de pane dois minutos de trem parado. 

Mas, secretário, falhas maiores têm ocorrido... A linha 4 Amarela, por exemplo. De 2010 para cá, segundo informação da Folha de S. Paulo, foram sete panes. E é uma linha nova!

Jurandir Fernandes – Sim, mas o que significa falar “sete panes” em termos estatísticos? É muito ou pouco? Porque panes ocorrem, mesmo em linhas novas. Insisto: tragam cientistas, estatísticos, físicos, gente que possa analisar com maior precisão as ocorrências. Quanto à linha Amarela, quero dizer que toda “infância” de uma tecnologia, de um sistema, tem mesmo problemas, aliás, é quando eles mais acontecem, nesse início de operação. Volto a afirmar: não temos falhas de trens todo dia. Alguns números: em todo o sistema, metrô e CPTM, são 42.000 viagens de trem por semana. E, neste ano, tivemos 22 falhas. O cálculo é o seguinte: em três meses, ou doze semanas, temos algo em torno de 500 mil viagens. Então, o que representa 22 eventos no universo de 500 mil? 

Pode-se dizer que a superlotação do metrô paulistano é um fator que provoca as falhas e panes? Quais as causas desses problemas?Jurandir Fernandes – Como disse, são mais de 7 mil viagens de trens por dia, somando metrô e CPTM. Só no metrô são 4.600 viagens por dia. Mas, mais uma vez, não está havendo pane nos trens todo dia, não é verdade e não se sustenta. O que é pane? Pane é quando se verifica duas vezes o intervalo médio entre trens parado. Como o intervalo médio entre trens no metrô paulistano é de 2,5 minutos, o CoMet considera pane o trem ficar mais de 5 minutos parado, não menos do que isso. Em termos de ocorrências, o que temos é “uma pane a cada 26 milhões de passageiros transportados”, ou, uma pane a cada 30 mil viagens. Isto é estatística.


Imprensa - SEESP
* Mobilize Brasil


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