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08/03/2021

SPTRANS é case de sucesso como herdeira da CMTC

Edilson Reis

 

Sou engenheiro há 43 anos. Foram dois anos dedicados a uma empresa de manutenção de máquinas, 15 à engenharia de manutenção e de materiais da gloriosa CMTC e 26 à SPTRANS, onde consolidei minha carreira na área de transporte e mobilidade.

 

Como funcionário, gostaria de parabenizar a SPTRANS pelo seu vigésimo sexto aniversário, desejar vida longa a essa importante instituição, cumprimentar todos os seus trabalhadores e, principalmente, as trabalhadoras em comemoração ao Dia Internacional da mulher. Também, desejar uma gestão auspiciosa ao Presidente Valdemar, funcionário de carreira.

 

Pela sintonia com a empresa e por fazer parte do seu principal ativo: recursos humanos, faço alguns comentários sobre o processo de consolidação da SPTRANS como sucessora de sucesso da CMTC.

 

Em 1995, época da transição das atividades operacionais da CMTC para o setor privado e criação da SPTRANS, participei do processo de discussão para estruturação da nova empresa e definição de suas novas atribuições, com foco na regulação do sistema de transporte de passageiros da cidade de São Paulo.

 

À época, fui designado como responsável pela Superintendência de Engenharia e Tecnologia e recebi da Diretoria Executiva da empresa a missão de estruturar a área de engenharia para cumprir o papel de um centro de desenvolvimento de tecnologias com ênfase na modernização dos ônibus e busca de novas fontes de energia de tração.

 

Ato contínuo à criação da empresa e consoante às prioridades da diretoria, priorizamos alguns projetos a serem desenvolvidos, entre os quais, destaco:

 

- Projeto VLP, atual Expresso Tiradentes, objeto de recente artigo de opinião, de autoria do Engenheiro Francisco Christovam, publicado no Jornal do Engenheiro. Com o desenvolvimento desse projeto, criamos uma referência de sistema de transporte de média capacidade de transporte.

 

- Modernização do sistema de cobrança embarcada, conhecido como "Bilhete Único", que considero o maior programa de inclusão social, pelas possibilidades técnicas do projeto de instituir integrações tarifárias, temporais e operacionais e adoção de políticas públicas de gratuidades. Esse projeto destacou-se como um importante programa de inserção social, pelo impacto na redução dos custos tanto de locomoção do cidadão quanto do vale-transporte para o empregador. Observo que antes do BU, o requisito principal para contratação de empregado, como forma de minimizar o custo, era o candidato morar perto do emprego. Com o BU, equalizamos e minimizamos o custo da locomoção do trabalhador.

 

- Uso do gás metano como energia de tração e o desenvolvimento de motores ciclo otto para uso desse combustível transitório à eletromobilidade. Esse projeto foi viabilizado por meio de convênio de cooperação técnica firmado entre SPTRANS, Comgás, Petrobras e Daimler Chrysler (MBB).

 

- Consolidação do papel da engenharia veicular da SPTRANS, pela referência nacional das Especificações Técnicas Veiculares na padronização da frota.

Nessa fase, iniciamos os testes de adequação da operação dos veículos biarticulados no sistema de transporte.

 

A especificação técnica veicular contemplava, principalmente, itens de segurança e de desempenho operacional, entre eles, relação potência/peso para adequação do veículo às características do leito carroçável. Destaco a colaboração das empresas Transkuba e Grupo Ruas que foram parceiras nos testes de adequação e ajustes dos veículos biarticulados.

 

- Criação do Atende. Esse sistema surgiu como proposta da área de Planejamento de Transporte da SPTRANS, para se contrapor à uma lei autorizativa, que determinava a obrigatoriedade de um veículo adaptado para transporte de PPD para cada uma das 1.300 linhas da cidade. Coube à área de Engenharia elaborar a especificação técnica de um veículo e criação de um layout interno composto por vários assentos tipo "cockpit" para dar segurança no transporte das crianças com elevado nível de deficiência motora e intelectual. Esse projeto obteve alcances social e humanitário, fatores determinantes para envolvimento e comprometimento dos empresários do sistema com os objetivos do projeto.

 

- Revitalização do Sistema Trólebus, que previa na reforma e modernização tecnológica da frota do sistema e elaboração de especificações técnicas para aquisição de 111 trólebus novos, pelas três empresas operadoras.

 

- Programa de Construção de Novos Corredores e Terminais de Integração, para atender o principal requisito objetivo de um sistema de transporte, a delimitação das faixas exclusivas para os ônibus.

 

E, por fim, pela competência técnica da nossa área de engenharia, atendemos uma demanda da Secretaria de Estado da Segurança Pública, gestão do Governador Mário Covas, para colaborarmos com o programa de desativação do Complexo Penitenciário do Carandiru, desenvolvendo projeto para adaptação de duas aeronaves Búfalo da FAB e 20 ônibus da frota da extinta CMTC, para transporte e transferência dos presos do Carandiru para outras penitenciárias localizadas no interior do Estado.  O projeto de adaptação das aeronaves e dos ônibus, a logística, a segurança e o êxito da operação fizeram tanto sucesso que foi tema de uma matéria no programa “Fantástico”, da TV Globo.

 

Esses foram alguns projetos de relevância que certamente contribuíram para consolidação da estrutura da SPTRANS como sucessora da atividade de reguladora que era exercida pela CMTC. A empresa cumpre de forma exemplar o seu papel, é referência nacional e internacional como modelo de gestão de sistemas de mobilidade urbana

 

Parabéns, SPTRANS, pelos 26 anos de contribuição com a mobilidade urbana da cidade!

 

 

 

 

 

 

 

 

edilson reis foto boneco 

 *Edilson Reis é diretor do SEESP e membro do Conselho Assessor de Transporte e Mobilidade da entidade. É também especialista em gestão de projetos, sistemas de qualidade, desenvolvimento de novas tecnologias veiculares e manutenção industrial.

 

 

 

 

 

 

 

 

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