GRCS

25/02/2021

Ricardo Galvão ganha prêmio internacional de liberdade científica

Observatório do Clima*

 

Exonerado e perseguido por Bolsonaro, Galvão recebe distinção da American Association for the Advancement of Science, que é concedida a cientistas que demostram liberdade científica em circunstâncias desafiadoras.

 

Mais de um ano após ser exonerado do cargo de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) durante o governo Bolsonaro por ter alertado sobre o aumento do desmatamento na Amazônia, o professor titular da USP (Universidade de São Paulo) Ricardo Galvão foi anunciado vencedor do prêmio 2021 de Liberdade e Responsabilidade Científica da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).

 

Ricardo GalvãoRicardo Galvão, Personalidade da Tecnologia do SEESP em 2019.
Foto: Beatriz Arruda.
O prêmio homenageia cientistas que demonstraram liberdade científica e/ou responsabilidade em circunstâncias particularmente desafiadoras, às vezes pondo em risco sua segurança profissional ou física. Quando o presidente Jair Bolsonaro atacou a legitimidade de dados do Inpe que mostravam o aumento dramático no desmatamento na Amazônia, Galvão defendeu os números:

 

“O professor Galvão defendeu a ciência sólida em face da hostilidade”, disse Jessica Wyndham, diretora do Programa de Responsabilidade Científica, Direitos Humanos e Direito da AAAS. “Ele agiu para proteger o bem-estar do povo brasileiro e da imensa maravilha natural que é a floresta amazônica, um patrimônio mundial.”

 

Galvão entrou no Inpe em 1970 e cumpriria mandato até 2020. Em julho de 2019, no entanto, ele começou a ser atacado pelo presidente, que o acusou de mentir e estar “a serviço de alguma organização não governamental”, após o Inpe ter publicado um relatório mostrando que houve um aumento de 88% no desmatamento na Amazônia em comparação com o ano anterior. O relatório citou uma possível ligação entre a eleição de Bolsonaro e o aumento pronunciado da degradação da terra.

 

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) tem reputação internacional como líder no uso de satélites para detectar extração ilegal de madeira e queimadas em florestas tropicais. O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER) da agência pode detectar o desmatamento ilegal com rapidez suficiente para dar às autoridades policiais a chance de pará-lo.

 

Desde sua saída do INPE, o professor não para de se pronunciar contra o que considera a hostilidade de Bolsonaro em relação à ciência. Um artigo da revista científica Nature o nomeou uma das “dez pessoas mais influentes na ciência em 2019”.

 

No mesmo ano, foi também escolhido pelo Conselho Tecnológico do SEESP como Personalidade da Tecnologia na categoria Amazônia e Meio Ambiente.

 

Em resposta ao anúncio do prêmio internacional, Galvão publicou um texto de agradecimento: “Estou profundamente grato à American Association for the Advancement of Science por me conceder o Prêmio de Liberdade Científica e Responsabilidade. Como latino-americano, receber este prêmio é bastante significativo não só para mim, mas também para muitos outros companheiros cientistas que, em diversas ocasiões, reagiram bravamente a políticas negacionistas de poderosos líderes político em relação à preservação da floresta amazônica. Muito obrigado”.

 

A cerimônia de premiação, que ocorre desde 1980, foi realizada em 10 de fevereiro de forma virtual durante a 187ª Reunião Anual da AAAS.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Texto original publicado no portal Observatório do Clima em 8/2/2021.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Comentários   

# Parabéns!Rosângela Ribeiro Gi 25-02-2021 17:07
O professor titular da USP (Universidade de São Paulo) Ricardo Galvão foi anunciado vencedor do prêmio 2021 de Liberdade e Responsabilidad e Científica da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS). Que notícia! Um reconhecimento que chega a todo o povo brasileiro, sem dúvida nenhuma. Orgulho.

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