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09/03/2020

8M reúne milhares de mulheres pelo Brasil

Brasil de Fato*

 

Milhares de mulheres, em todo o Brasil, saíram às ruas durante no domingo (8/3) por igualdade de direitos e contra a violência. Os atos aconteceram em diversas cidades do País desde o início da manhã. Os principais temas foram o fim da violência contra a mulher, críticas ao governo Bolsonaro e a luta por direitos iguais. O assassinato da vereadora Marielle Franco, que completa dois anos no próximo dia 14 de março, também foi relembrado em diversas manifestações.

 

 

8M2020SP Elineudo Meira 2Manifestantes mantiveram ato de 8 de Março na Avenida Paulista, mesmo após forte chuva na capital. Foto: Elineudo Meira.

 

 

Em São Paulo, mesmo debaixo de chuva, 50 mil pessoas, de acordo com a organização, se reuniram na Avenida Paulista e seguiram em marcha pela região central da cidade.

 

Sob o mote “Mulheres contra Bolsonaro, por nossas vidas, democracia e direitos! Justiça para Marielles, Claudias e Dandaras”, a manifestação foi convocada por mais de 40 coletivos, movimentos sociais, partidos e sindicatos e juntou mulheres de todas as idades e diferentes histórias na mesma luta pelo direito à vida.

 

Algumas das bandeiras que as manifestantes levantavam diziam respeito ao combate à violência, à legalização do aborto e ao direito aos seus corpos. As mulheres que participaram do ato também criticaram a violência machista contida nas falas do presidente Bolsonaro.

 

“Não é possível que, em pleno século XXI, a gente volte a ter governos autoritários na América Latina. Então, as mulheres estão dando uma aula de luta pela democracia, por aquelas que vieram antes e pelas que virão", disse Simone Nascimento, jornalista e integrante do Movimento Negro Unificado.

 

A atividade começou com um piquenique agroecológico e apresentações culturais pelo lançamento da 5ª Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), no fim da manhã. Em seguida, a quantidade de pessoas começou a aumentar na concentração no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) para o ato unificado.

 

O protesto teve como principal alvo o governo de Jair Bolsonaro, com críticas à retirada de direitos, exemplificada pelo desmonte das legislações trabalhista e previdenciária, e ao autoritarismo. “Este ano a gente resolveu expressar que esse governo é quem dirige toda a agenda neoliberal, antidemocrática e conservadora, além de trazer temas caros para a luta das mulheres, como o combate à violência e a legalização do aborto”, disse Nalu Faria, da coordenação nacional da MMM.

 

8M2020SP Elineudo MeiraManifestantes apontam violência machista nas falas de Bolsonaro. Foto: Elineudo Meira.

 

 

Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, as atividades ocorreram no Parque Tom Jobim. Diferentes grupos e coletivos montaram uma programação que colocou em foco a luta feminina pela ocupação dos espaços de liderança e pelo fim da violência de gênero. Atividades como yoga, aula de defesa pessoal, dança circular, contação de histórias para mulheres, intervenção poética e oficina de cartazes e de bordado foram oferecidas ao público.

 

Além disso, durante todo o evento, os coletivos ofereceram tendas de apoio jurídico, médico e psicológico às mulheres. O ato contou também com uma exposição fotográfica sobre diversidade e a tenda da campanha "Não quero veneno no meu prato", sobre o elevado uso de agrotóxicos nos alimentos.

 

Desigualdade

A luta do 8 de março se faz ainda mais indispensável diante dos dados recentes sobre o aprofundamento das desigualdades relacionadas ao fator gênero.

 

Como destacou o portal do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a desigualdade de renda entre homens e mulheres no Brasil aumentou pela primeira vez em 23 anos, segundo o relatório “País estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras 2018”, divulgado em 26 de novembro de 2018 pela organização não governamental Oxfam.

 

As brasileiras ganhavam, em 2016, cerca de 72% do que os brasileiros. A proporção caiu para 70% em 2017, de acordo com dados das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílio contínuas (Pnad), realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que constam no relatório.

 

Na ocasião do lançamento do texto, matéria do portal Huffpost Brasil deu relevante destaque ao fato de que a redução da desigualdade no País, de modo geral, parou. Desde 2002, o índice de Gini da renda familiar per capita, medido pelas Pnads, tem sistematicamente caído de um ano para outro – o que não foi observado entre 2016 e 2017. Leia aqui a matéria completa.

 

8M2020SP Gui FrodoAto na Avenida Paulista. Foto: Gui Frodo.

 

 

 

Em diversos países, mulheres também saíram às ruas no 8 de março contra a violência e por direitos iguais. Veja aqui

 

 

 

 

 

 

* Com informações do Diap e Huffpost Brasil.

 

 

 

 

 

 

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