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17/07/2017

Opinião - Fadas e lutas!

Clemente Ganz Lúcio*

O primeiro semestre de 2017 já é passado e a fada da confiança, essa criação do mercado, fugiu ou nem apareceu. Sem o mágico pó deste ser alado, empresários e governo tupiniquins não foram encantados para tomar a decisão de investir para que o País retomasse o crescimento, com geração de emprego.

Ao longo de 2015 e 2016, o atalho parlamentar para afastar a presidente da República justificava-se, como remédio custoso e amargo, para mobilizar a fada da confiança que encantaria o mercado para transformar a dinâmica econômica do País.

Um ano de mandato tampão e o que o governo entrega para a nação é uma inflação girando na casa dos 3% ao ano, louvada como resultado da robustez da política econômica, e o crescimento trimestral de 1% do PIB, puxado pela safra agrícola, que, no segundo trimestre, já acabou.

A inflação baixa é um sintoma de uma economia que se encontra na UTI. Recessão, à beira da depressão, derruba qualquer inflação. As mais altas taxas de juros do planeta alimentam os fáceis e vultosos lucros do mercado financeiro e as fadas jogam a economia no abismo. O resultado concreto é que o País convive com os menores níveis de investimentos públicos e privados das últimas décadas; famílias e empresas endividadas e arrochadas pelos juros escorchantes; desemprego de 14 milhões de pessoas, aumento da informalidade, precarização e arrocho salarial; queda de -9% do PIB per capita; receita fiscal descendo a ladeira e grave crise das contas públicas; empresas fechando; ativos econômicos à venda por “preço de banana”. Nesse cenário, daqui a pouco, o governo comemorará deflação!

A crise política só se agrava com novas revelações da extensão da corrupção que, há décadas, delapida o erário. Há um imbróglio político considerável que empurra a economia para o pântano. Agora vem o novo argumento, daqueles acostumados com atalhos, de que a economia está se descolando da política e que é preciso alimentar a confiança com as reformas, para dar tração ao crescimento. O atalho tomado em 2016 conduz o desenvolvimento do País para o abismo.

Temos que olhar para frente e construir o futuro, motivo pelo qual, já dizia Marx, o sentido da vida é a luta! Garantir que as eleições façam a renovação de governos e parlamentos, com mandatários qualificados para o diálogo social e preparados para articular acordos em torno de um projeto de desenvolvimento nacional, será um enorme desafio. Um novo governo que assuma com grande apoio no Congresso, que tome decisões céleres e corretas, na perspectiva da retomada do crescimento, da arrumação da economia, do Estado e do governo, ao longo de 2019. A economia respondendo com a confiança do investimento, que é oriunda da visão concreta de formação de demanda futura, de decisões e inciativas corajosas em termos de política econômica e industrial. O investimento público puxando com força a retomada. Nesse breve quadro de tarefas e desafios, se cumpridos à risca, poderemos torcer para que 2020 venha a ser um ano de retomada. Até lá, resistir, resistir, resistir e lutar para viabilizar e sustentar uma longa e dura transição.

A resistência exige impedir que o governo destrua, desmobilize e venda os ativos essenciais para conduzir a estratégia de desenvolvimento do País, bloqueando as múltiplas iniciativas que tentam descaracterizar as instituições que sustentam a formação de capacidade produtiva nacional.

Lá na frente, haverá uma longa luta para a reconstrução dessas capacidades institucionais e para a reversão de decisões desastrosas, evidentemente, se a escolha das urnas apontar nessa direção e, portanto, for efetivamente portadora de legitimidade para reconstruir um projeto de desenvolvimento nacional. Essa é e será uma disputa central para os trabalhadores, da qual a luta deve ser a fada do encantamento!

 


Clemente Ganz Lúcio, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)

 

 

 

 

 

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