GRCS

27/06/2017

Opinião - Nova façanha do diabinho da mão furada

João Guilherme Vargas Netto*

Uma das poucas iniciativas do governo Temer em benefício direto dos trabalhadores (eu ia dizendo a única, mas passe a condescendência) foi a liberação dos saques das contas inativas do FGTS.

De acordo com balanços publicados pela imprensa, quase 30 milhões de trabalhadores foram beneficiados (ou ainda o serão) recuperando para suas despesas pessoais cerca de R$ 44 bilhões que estavam parados, rendendo juros ridículos.

Esse montante desempenha um papel não negligenciável no enfrentamento da crise pelos trabalhadores, recheando o colchão social de amortecimento da recessão.

Aí chega o diabinho da mão furada e dá ao governo mais uma de suas ideias mirabolantes, de amigo da onça. E qual foi ela?

Os técnicos do Ministério da Fazenda (sob o comando do mercado e ouvintes do diabinho) propõem e o ministro (que já se acha meio presidente da República porque Temer é apenas meio presidente) se apressa em divulgar que os recursos do FGTS devidos aos trabalhadores em caso de demissão sem justa causa não serão liberados, mas sim pagos parceladamente. E o que é pior, essas parcelas compensariam o não pagamento do seguro-desemprego aos que, demitidos, têm esse direito.

Pela ideia estapafúrdia do diabinho, cuja insensibilidade social se iguala à dos burocratas da Fazenda, a medida é queda e coice nos trabalhadores: sem FGTS, sem seguro-desemprego. Dupla tamancada.

A coisa é tão estúpida e com efeitos tão daninhos que o próprio senador Serra (que não pode ser acusado de amiguinho) insurgiu-se publicamente contra a iniciativa e desautorizou o desatino, classificando-o de “aberração”.

O diabinho da mão furada ficou todo sorridente e, entrevistado, limitou-se a dizer que, com sua ideia aceita e implementada, os eventuais ganhos do governo e da sociedade com a liberação do saque das contas inativas serão mais que neutralizados pelo arrasa-quarteirão dessas novas medidas de tunga aos trabalhadores.

“Dei o meu conselho, quem me escutou que vá para o diabo”, declarou.

 


João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical

 

 

 

 

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