logo seesp ap 22

 

BannerAssocie se

DESENVOLVIMENTO - II Fórum da Amazônia percorre trajeto entre Peru e Brasil

Avalie este item
(0 votos)

Rita Casaro*

       Entre os dias 23 de maio e 5 de junho, a engenharia sul-americana empreendeu uma verdadeira aventura ao participar do II Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Sul-americana, promovido pela FNE (Federação Nacional dos Engenheiros) e pela ONG Engenheiros Solidários.
       O evento teve início em Lima, de onde os cerca de 80 engenheiros, brasileiros e peruanos, partiram de ônibus com destino a Mollendo, a 1.070km de distância, para a primeira visita técnica, feita ao Terminal Portuário de Matarani. Lá, o grupo participou de uma reunião com o gerente-geral Erick Hein Dupont. Segundo ele, a carga atual do porto é de 3 milhões de toneladas, devendo chegar a 13 milhões em 2030.
       No dia 25, a caravana seguiu com destino a Arequipa, por mais 126km, para abertura oficial da etapa peruana do encontro, que contou com a participação dos brasileiros Murilo Celso de Campos Pinheiro e Sebastião Fonseca, respectivamente presidentes da FNE e da Engenheiros Solidários, e dos peruanos Gustavo Saavedra, presidente da Associação dos Engenheiros do Peru, e Anibal Díaz Robles, gerente da Autoridade Regional de Arequipa, que saudou a presença dos visitantes: “Nós só temos a agradecer a todos vocês, porque o que vemos aqui nos mostra um tempo de esperança e oportunidades com relações mais justas e fraternas.”
       Na manhã seguinte, os participantes partiram em direção a Puno, localizada a 325km de distância e atingindo a altitude de 3.400m, onde conheceram a engenharia dos urus, que vivem às margens do Lago Titikaka em ilhas artificiais flutuantes que constroem com o caule da totora, uma espécie de junco, também utilizada para a fabricação de barcos.

Pela transoceânica
       A próxima etapa da viagem teve mais 392km até a cidade de Cusco, onde os participantes puderam observar a surpreendente engenharia da civilização inca e ponto do qual começou a trajetória rumo ao Acre pelos cerca de 780km na Rodovia Transoceânica. Praticamente pronta após três anos de obras e investimentos de U$ 560 milhões, a estrada liga o Acre ao Peru, consistindo ainda numa saída para o Pacífico às mercadorias brasileiras. Passando ainda pela cidade de Cobija, na fronteira entre Brasil e Bolívia, a caravana chegou em 1º de junho ao Seringal Cachoeira, na cidade de Xapuri, no Acre, onde ocorreu o debate sobre meio ambiente, com a participação do ex-deputado federal Marcos Afonso, do líder indígena Joaquim Yawanawá, do presidente do Instituto Peabiru, João Meireles, e do jornalista Antônio Alves.
       Próximo da reta final do evento, no dia 2, aconteceu em Rio Branco mais uma abertura solene. Durante a cerimônia, Sebastião Fonseca, presidente da ONG Engenheiros Solidários, comemorou o sucesso da empreitada e defendeu que os povos sul-americanos chamassem a si a responsabilidade pela Amazônia. “Vamos nós discutir e ver o que queremos para a região.”
       Em sua palestra, o presidente de honra do evento e ex-governador do Acre, Jorge Viana, comemorou a conclusão das obras da Rodovia Transoceânica. “A estrada tem um sentido de nos integrar, inclusive comercialmente, mas não é um corredor de soja, por ela serão transportados produtos de alto valor agregado”, afirmou, lembrando a impossibilidade do tráfego de veículos pesados pela via que contorna os Andes.
       Ao longo dos dias 3 e 4 de junho, aconteceu um ciclo intensivo de palestras que discutiram temas prementes para o desenvolvimento e a preservação da Amazônia sul-americana. Assim, entraram em pauta geração de energia, integração regional, ciência e tecnologia e produção sustentável. Entre os palestrantes, o coordenador do Conselho Tecnológico do SEESP, José Roberto Cardoso, o consultor do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, Marco Aurélio Cabral Pinto, Eduardo Hilsenrat, vice-presidente do Conselho Profissional de Engenharia Civil da Argentina, e José Covenas Lalupu, professor da Universidade Nacional Federico Villareal, do Peru.
       No dia 5 pela manhã, a caravana seguiu no último trecho, mais 550km rumo a Porto Velho, em Rondônia, onde se dividiu entre visitas às usinas hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira.

 

* Com a colaboração de Lamlid Nobre

 

 

Adicionar comentário

Receba o SEESP Notícias *

agenda