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Opinião - Tecnologia, instrumento de soberania nacional

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    Nos anos 70, grande parte das indústrias multinacionais que hoje ainda atuam no Brasil iniciavam seus investimentos no nosso mercado, à época, de 90 milhões de consumidores. Chegavam trazendo tecnologia, num tempo em que nós vivíamos o chamado “milagre brasileiro”, com uma demanda crescente e uma inflação acentuada.
     Logo se acomodaram, face à inflação, com o estilo de reajustes de preços através de tabelas e outros artifícios de recomposição inflacionária. Poucas eram as indústrias nacionais que detinham a tecnologia das empresas estrangeiras na fabricação de máquinas e equipamentos, capazes de maior produtividade.
     A economia brasileira sempre foi direcionada às classes média e alta, que absorviam toda a produção dos bens de consumo. Assim, o nosso parque industrial era servil a esse segmento da população, posto que a imensa maioria desprovida de poder aquisitivo ficava fora do mercado e, por conseqüência, o operariado era golpeado pela modernização tecnológica, que reduzia de forma drástica a mão-de-obra pouco especializada.
     Hoje, ainda temos que, de qualquer forma, incluir as 45 milhões de pessoas, ou 11 milhões de famílias, que ainda não têm acesso aos bens de consumo mais elementares que norteiam os princípios de dignidade humana. Temos ainda 8 milhões de cidadãos que não possuem luz elétrica nas suas moradias. Isso nos leva à reflexão sobre o papel da tecnologia e até que ponto o seu emprego foi conivente com a exclusão, tendo em vista que foi utilizada como instrumento do capital.
     Não podemos entender avanço tecnológico se esse não estiver a serviço do progresso social. Esse deve ser o objetivo da implementação de inovações nos meios de produção, e não apenas a opção de menor custo e maior rentabilidade ao empresariado. Nesse esteio de pensamento, o corpo técnico brasileiro, na figura dos engenheiros, exerce papel de suma importância na elaboração de um pensamento que eu chamaria de técnico-social, na absorção das novas tecnologias e na implantação dessas numa política voltada ao desenvolvimento da indústria nacional em todas as áreas. Fernando Rizzolo é advogado criminalista, membro efetivo da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP (Ordem dos Advogados do Brasil, seção de São Paulo) e do Conselho Tecnológico do SEESP


Fernando Rizzolo

 

 

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