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País vai continuar a se expandir, apesar da crise mundial

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     A Nação vive um momento positivo, na ótica do economista, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e conselheiro do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Luiz Gonzaga Belluzzo. Mas, como indica nesta entrevista ao Jornal do Engenheiro, precisa responder adequadamente às intempéries e avançar na luta política e social e na sua industrialização.

Quais as perspectivas para a economia nacional em 2008?
     O ano de 2007 terminou muito bem, com a economia crescendo em torno de 5%. E entramos 2008 com uma série de questões a serem enfrentadas, uma delas é essa mudança de ritmo da inflação, fenômeno cuja duração não se sabe exatamente qual vai ser. Tem duas questões a serem tratadas de maneira separada, a primeira é que o Brasil, no longo prazo, está sendo beneficiado pela mudança na divisão internacional do trabalho, sobretudo pela presença da China, que tem uma dotação de recursos naturais diferente da brasileira, cuja oferta é muito diversificada. Mas o País precisa saber equilibrar isso com a manutenção de um projeto de avanço da sua industrialização. Do ponto de vista mais imediato, nunca tivemos condições tão boas para enfrentar a crise que está se delineando na economia internacional. Não significa que vamos escapar dos seus efeitos, até porque é sem precedentes a integração dos mercados financeiros, o Brasil procedeu a uma abertura importante da sua economia, portanto está mais suscetível a choques de oferta. O mais provável é que se tenha uma desaceleração mundial, a qual vai afetar os vários países em graus distintos. O Brasil está mais protegido, mas certamente não vai atra¬vessar essa crise incólume. A probabi¬lidade maior é que tenhamos uma redução na taxa de crescimento, mas pode não ser tão drástica como o que ocorreu outras vezes.

Aquelas projeções de crescimento indicadas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) então talvez não se confirmem?
     É preciso ver qual será o efeito da crise externa sobre o comportamento do crédito doméstico, elemento que puxou mais intensamente o crescimento. É claro que se a recessão for muito pesada, não vai fazer sentido manter as taxas de juros como estão, mas aí o Banco Central vai enfrentar nova dificuldade. O Brasil tem reservas altas, chegando em torno de R$ 190 bilhões, mas tem também aplicações de não-residentes que vão sofrer algum efeito se houver uma contração global do crédito. Isso pode ter impacto pelo lado financeiro sobre a taxa de câmbio e os juros, o que não é a situação mais agradável. Aí vai depender muito da capacidade de resposta da política econômica e da sensibilidade do Banco Central em perceber e avançar na tomada de certas medidas que protejam a economia contra eventual fuga de capitais.

O crescimento do País deve de fato ser transformado em desenvolvimento?
     Esse é um problema crônico no Brasil, freqüentemente tivemos surtos de cres¬cimento, mas a melhoria das condições de vida do povo foi pouca. Nesses últimos seis, sete anos começou a se desenvolver uma série de políticas que permitiram pelo menos impedir que boa parte da população ficasse submetida a condições de extrema pobreza. Esses elementos têm que ser considerados avanços, mas certamente temos que aprofundar e universalizar essas políticas sociais. Além disso, tem-se hostilidade muito grande a essas medidas porque decorrem da própria situação de desigualdade, com a resistência das classes superiores que não gostam de pagar imposto. Para que o crescimento acabe produzindo para a maioria uma situação melhor, é preciso avançar na luta política e social. Não vamos imaginar que isso vai nascer espontaneamente no Brasil, os europeus levaram duas guerras mundiais para conseguir superar essa resistência.

Como a não-prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e as medidas compensatórias anunciadas pelo Governo devem repercutir na economia brasileira?
     Eu não sobrestimaria tanto o aspecto tributário da não-prorrogação. A decisão de elevar imposto sobre o lucro líquido dos bancos está correta e o que vai causar ao crédito o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é quase nada.

Não deve afetar os projetos do PAC?
Não, não acho que seja uma catástrofe.

Por conta do crescimento da economia, já começa a se registrar uma falta de engenheiros...
     Pagamos um preço enorme pelos 25 anos de estagnação da economia e os erros cometidos na década de 70 que deram na crise da dívida externa. Como o investimento foi muito baixo no passado e a capacidade produtiva estava adequada àquela situação, quando começa a haver expansão econômica, começa a se apre¬sentar gargalos e pressões inflacionárias em alguns setores. Vai ter um período de ajustamento que será um pouco doloroso.

Com relação ao câmbio, quais as perspectivas?
     A política cambial, que está ligada à monetária, foi muito infeliz e provavelmente vai ser corrigida pela própria crise. Mas vamos ter que pagar um preço por essa desvalorização (do real em relação ao dólar) que vai colocar a indústria brasileira numa situação melhor.


MERCADO

     “Foi um vendaval atípico, de mais de 120km/h, que arrancou mais de 30 árvores, desligou vários circuitos e fez grandes estragos. Um temporal de grandes proporções, mas em 24h estava tudo restabelecido.” A descrição é relativa a minitornado que atingiu o distrito de Barão Geraldo, em Campinas, no mês de novembro último. Feita pelo engenheiro-líder da região Sudeste da CPFL Paulista (Companhia Paulista de Força e Luz), Luiz Carlos Moreira Junior, exemplifica o trabalho feito por profissionais da área que atuam na empresa para conter os estragos na rede elétrica causados nessas situações.
     Enquanto a maioria da população tenta se proteger frente a tais ocorrências, engenheiros e técnicos trabalham duro, literalmente debaixo de chuvas fortes, raios e trovões, para garantir a energia ou sua volta o mais rápido possível. Em média, segundo Moreira, o sistema precisa estar funcionando normalmente na área urbana em 70 minutos, conforme regulado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
     De modo a assegurar o cumprimento dessa determinação, o engenheiro-líder tem que coordenar todo o trabalho de campo e fazer a gestão adequada. Para que as equipes não sejam pegas de surpresa, a CPFL atua em parceria com o Cepagri (Centro de Estudo e Pesquisa em Agri¬cultura) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o que permite receber as informações sobre as mu¬danças climáticas. O próximo passo é atuar nos temporais. Daí, afirma Moreira, “temos que primeiro avaliar sua extensão, para saber quais recursos vamos precisar envidar para poder resolver. Para isso, a gente contata o Centro de Operação, que controla todas as emergências, e também percorre a cidade para ver se houve árvores arrancadas, quais os trechos mais atingidos. Com base nisso, aciona as equi¬pes através dos técnicos-líderes, que repassam as informações aos eletricistas e qual a estratégia a ser utilizada, de¬pendendo da ocorrência”. Assim, podem ser mobilizadas somente equipes próprias como também as de apoio, as quais ficam em outras áreas da empresa. “Nas grandes contingências trabalhamos em conjunto, então também se envolve o engenheiro-líder da transmissão, da distribuição, e cada um comanda uma parte da ope¬ração”, destaca Moreira. Ao todo, são seis profissionais da categoria, os quais coordenam o trabalho de cerca de 150 técnicos e eletricistas, de acordo com ele. A sua seção é a maior, porque pega, além de Itapira, a região de Campinas, com seus perto de 1 milhão de habitantes. Jun¬tas, abrangem em torno de 1.500km de rede dos aproximadamente 2.800km no total. “No meu caso, são 210 pessoas (na equipe)”, atesta. Apenas na cidade prin¬cipal, revela Moreira, “são mais ou menos 4 mil atendimentos por mês”. Mas esse número pode dobrar ou mesmo triplicar e quadruplicar em épocas de maior inci¬dência de chuvas. “Já tivemos casos de haver um tornado e, num só dia, ter 700 eventos.” Para esses períodos, a CPFL co¬loca em ação o Plano Verão, com reforço nas equipes, estoque de materiais e logística.

Ação e tecnologia
     Uma das alternativas utilizadas para que os cidadãos não fiquem no escuro por muito tempo é o seccionamento do circuito. “Para isso, é necessário recalcular e refazer a configuração da rede, transferindo a carga. Vamos imaginar que no meio de um temporal caíram três postes num determinado circuito. Eu o corto e só fica sem energia a parte que foi danificada”, explica o engenheiro-líder da CPFL. Daí, como ilustra ele, dos cerca de 5.500 consumidores atendidos pela empresa, deixa-se apenas 200, 300 sem luz, à espera de reparos por parte das empreiteiras.
     A companhia faz ainda trabalho preventivo, como a poda de árvores que podem representar risco ou causar a interrupção de energia em caso de queda. “Além disso, investimos em tecnologia nova. Por exemplo, construímos rede agora em que o cabo é protegido.”
     O sistema pode também ser desligado por segurança, como no caso de ser atingido por descargas atmosféricas. O objetivo, informa Moreira, é impedir que haja sobretensão. “Aí tem pára-raios na rede que recebem a descarga, atenuam-na e então o sistema religa automaticamente. Tem casos mais graves, em que cai um raio numa cruzeta, estoura o poste e chega a romper o cabo, que cai. O sistema de proteção indica que tem um vazamento de corrente e desliga o condutor.” Mas ele alerta: “Não significa que o cabo no chão está desenergizado. A população deve considerar sempre que está ligado e acionar a CPFL para que tome as providências. Daí, enviamos equipe ao local para que faça o reparo.”


Soraya Misleh

 

 

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