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Aproveitar as hidrovias na Baixada Santista

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       Rios e cursos d´água na região são subutilizados ou desconsiderados e devem ser usados para a conexão com o porto de Santos e o consequente desenvolvimento de toda a baixada. Essa é a concepção de José Antonio Marques Almeida, o Jama, e vai ao encontro de se pensar a gestão das regiões metropolitanas de forma integrada, como propõe o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” – lançado em 2006 pela Federação Nacional dos Engenheiros, com a adesão do SEESP e demais sindicatos filiados a ela.
      Ex-vereador de Santos, diretor adjunto desse sindicato e engenheiro da Codesp (Autoridade Portuária do Porto de Santos), ele apresentou a proposta de aproveitar a rede hidroviária local – com extensão de 200km – inicialmente para o transporte de cargas. “A idéia é primeiro estender o sítio do porto aos municípios da região metropolitana no sentido de integrar os que têm projetos de desenvolvimento e aquecer a economia local”, explica Jama. Segundo o engenheiro, existem diversos cursos d´água e rios, como o Branco, que permitem a entrada de barcas e barcaças. “E agora a Codesp vai incluir no seu plano de expansão essa perspectiva de criar uma rede hidroviária ligando seis municípios da baixada – São Vicente, Bertioga, Praia Grande, além de Santos, Cubatão e Guarujá, os três que já têm interface com o porto.” Conforme o idealizador da proposta, na etapa inaugural ficariam de fora apenas Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe, os quais, contudo, receberiam benefícios indiretos dessa iniciativa. “Com o desenvolvimento que será fomentado na baixada, serão também contemplados.”
      Entre as possibilidades ainda, a de aproveitamento dos cursos fluviais nas zonas rurais de Santos. “E Guarujá tem um projeto de desenvolvimento numa zona industrial com interface também com o canal de Bertioga. Esse canal pode ser utilizado mediante uma retificação e uniformização do seu curso d´água para tráfego portuário.”
      Jama avalia ser esse o maior projeto regional do gênero, após a implantação do porto de Santos. No empreendimento proposto, os terminais seriam o que ele denomina de zonas de atividade logística. “Fariam parte da rede de produção do porto.” Ali seriam implantadas, por exemplo, fábricas não-poluentes, indústrias, montadoras de veículos. E o desembarque dos contêineres poderia se dar diretamente em seus pátios ou em terminais específicos. “Seria um porto-indústria.” Na sua ótica, o transporte de passageiros viria a posteriori, uma “consequência inevitável ante a possibilidade de despertar (aqueles rios e cursos d´água) para a navegação”.

Investimentos e benefícios
      Para que essa proposta saia do papel, ainda deve haver um longo caminho a percorrer. O primeiro passo já vem sendo dado: a contratação de um especialista da USP (Universidade de São Paulo) para realização de estudo de projeto de implantação. A projeção de investimentos diretos e indiretos já foi feita. De acordo com Jama, a estimativa é de que sejam necessários US$ 10 bilhões em dez anos, verba que se destinaria não apenas ao projeto de engenharia da via e de navegação, mas abarcaria toda a estrutura a ser refeita, reforma de pontes da Via Anchieta, da Rodovia Imigrantes, de ferrovia, implantação de indústrias, restaurantes. Um dos caminhos é buscar recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e estaduais. “Da Codesp, não só tem ânimo, como também está dispondo toda a sua competência para a viabilidade do projeto. Os municípios da região, juntamente com a Agem (Agência Metropolitana de Desenvolvimento da Baixada Santista), também estão envolvidos nessa discussão, assim como estão sendo abrangidos os políticos locais”, enfatiza o engenheiro. Na sua concepção, com isso, deve se assegurar “um novo paradigma para a região”.
      Entre os resultados com a implantação, a geração estimada de 45 mil empregos na região. E a arrecadação de US$ 1 milhão por ano de impostos, com a atração de 20 milhões de cargas no período. “Além do desenvolvimento regional, isso vai aumentar o fluxo do porto de Santos, o que possibilita refletir na necessidade de modernizar seus equipamentos e torná-lo ainda mais eficiente.” Segundo destaca a Agem em seu site, esse movimenta atualmente, “em seus 13 quilômetros de cais, 72 milhões de toneladas entre carga geral, líquidos e sólidos a granel”. Ainda conforme a agência, é a principal porta de entrada e saída de produtos do País. “Dos 3,2 milhões de contêineres movimentados anualmente nos portos brasileiros, 1,2 milhão passa pelo cais santista.”

A região metropolitana da Baixada Santista
       Segundo dados da Agem (Agência Metropolitana da Baixada Santista), a Região Metropolitana da Baixada Santista é a terceira maior do Estado em termos populacionais, reunindo aproximadamente 1,6 milhão de habitantes. Não obstante, seus nove municípios ocupam menos de 1% do território paulista, uma área total de 2.373km2. Seu PIB (Produto Interno Bruto) é da ordem de R$ 18,5 bilhões, sendo, portanto, responsável por 3,7% da riqueza estadual. Os postos de trabalho ocupados, conforme levantamento da Rais (Relação Anual de Informações) divulgado no site da agência, perfazem 266 mil. Se a previsão de geração de empregos com a proposta de utilização da rede hidroviária local se confirmar, o aumento será, portanto, de quase 20%.


Soraya Misleh

 

 

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