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Tecnologia – Brasil a um voo de distância do mercado internacional espacial

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Contagem regressiva para lançar o Amazônia-1, primeiro satélite de alta complexidade projetado, integrado, testado e operado totalmente pelo País, para a observação da Terra. A previsão é meados de 2020. Estabilizado em três eixos, esse permite um controle total da orientação do equipamento, possibilitando girar a câmera para qualquer direção no espaço. Pesa 640 quilos, terá órbita polar (que passa próximo aos polos do planeta) e sincronizada com o movimento do sol, com inclinação de 98,45 graus, a 750 quilômetros de distância do globo terrestre.


O que significa que, ao cruzar o Equador, do Norte para o Sul, sempre será o mesmo horário, nesse caso, às 10h30. Do Sul para o Norte, será 22h30 na outra extremidade.


Órbitas desse tipo levam cerca de 100 minutos para dar uma volta na Terra. Já para completar o imageamento total da superfície do planeta, levará cinco dias. Ou, em caso de emergência, menos. “É possível fazer com que o satélite olhe para os lados, o que diminui a revisita (tempo de cobertura total do planeta) para três dias. Isso pode ser feito, com alguma perda de qualidade da imagem”, revela Adenilson Roberto da Silva, coordenador do Programa de Satélites Baseados na Plataforma Multimissão, responsável pelo desenvolvimento do Amazônia-1 no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo ele, a bordo do satélite haverá câmeras que alcançarão qualquer ponto da Terra. O ideal é que o imageamento seja feito de forma que a condição de iluminação não mude, para fins de comparação.


A Missão Amazônia da Agência Espacial Brasileira, que teve início em 2002, ganhou esse nome em 2008 e tem dois objetivos principais. Primeiro, fornecer diversas aplicações, entre elas ao monitoramento do desmatamento em áreas de preservação, como na Amazônia; de regiões costeiras, como em desastres ambientais nos oceanos; de reservatórios de água; e supervisão de safras para a agricultura. Segundo, fomentar a indústria espacial brasileira. Além do que será lançado em meados de 2020, outros dois satélites estão previstos: Amazônia-1B e Amazônia-2. O acesso às imagens será gratuito, como já ocorre com outros satélites que o Brasil utiliza.


Pelas características do Amazônia-1, será utilizado no Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, segundo Luis Eduar­do Pinheiro Maurano, tecnologista do Inpe que trabalha na Divisão de Processamento de Imagens do Programa de Desmatamento da Amazônia e demais Biomas Brasileiros: “O Inpe já possui um sistema reconhecido mundialmente. Com o Amazônia-1, será ampliada a capacidade de revisita de uma mesma área, o que reforçará o sistema de detecção de desmatamentos”, enfatiza.

 

Fomento à economia

A opção por fomentar a indústria nacional proporcionará a validação da qualificação realizada em solo de todos os produtos desenvolvidos, muitos inéditos no País, como uma espécie de certificado. Nesse mercado é essencial possuir herança de voo.


Um dos produtos nacionais que podem ser comercializados futuramente é o subsistema de propulsão que vai corrigir a órbita do satélite: “Existem forças como moléculas de oxigênio e gases atmosféricos que podem freá-lo. Então, ele começa a cair e baixar a altitude. Com isso, começa a voar mais rápido. Daí, não passará mais no horário programado das 10h30, mas mais cedo. Então, de tempos em tempos, é preciso corrigir a altura dele.”


Do orçamento total de cerca de R$ 330 milhões investido na construção do Amazônia-1, 70% foram aplicados na indústria nacional. “Calculo por cima que o País vai se inserir num seleto grupo de menos de 20 países que são capazes de projetar, construir, fabricar, testar, integrar, lançar e operar um satélite dessa complexidade”, comemora Silva. Ele faz questão de mencionar que, em relação à arquitetura e soluções de sistemas, “não devemos nada” aos similares que existem atualmente. Não obstante, reconhece que investir em um produto nacional aumentou o tempo de fabricação, tendo em vista “todas as dificuldades” enfrentadas para o desenvolvimento de ciência e tecnologia no País. No total, 70 engenheiros do Inpe atuaram no Amazônia-1, que terá quatro anos de vida útil.


Outro objetivo com seu lançamento é validar a Plataforma Multimissão, módulo de serviço que compõe parte do satélite, integralmente criada pelos engenheiros do Inpe. Desde 2002, eles desenvolvem essa base, que poderá ser usada em diferentes missões. Isso resultará em economia de tempo e dinheiro, uma vez que os testes de qualificação só precisarão ser feitos uma vez.  A outra parte é o módulo de carga útil, em que vão as câmeras fotográficas.


A qualificação para voo é uma das fases mais custosas e vai desde a qualificação estrutural, onde são realizados testes para que ele suporte acelerações e forças durante o lançamento; passando pela térmica, uma vez que enfrentará variações de temperaturas de mais 85 graus celsius positivo a 85 negativo; pela funcional, quando um satélite idêntico ao que vai voar é montado para validar a interface dos sistemas; até os testes de Interferência Eletromagnética (IEM) e de Compatibilidade Eletromagnética (EMC).

 

Por Deborah Moreira

 

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