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Cresce Brasil – Seminário defende engenharia de manutenção para evitar tragédias

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Jéssica Silva*

 

O SEESP promoveu o debate “Pontes, viadutos, barragens e a conservação das cidades – Engenharia de manutenção para garantir segurança e qualidade de vida”, no dia 16 de abril último, em sua sede, na Capital. À abertura, Murilo Pinheiro, presidente do sindicato, ressaltou a importância da discussão técnica para evitar acidentes e tragédias e “resgatar o protagonismo da engenharia brasileira”.

A partir da realização do evento, será produzida uma nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, iniciativa da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), com a adesão do SEESP, atualizada desde 2006. Entre as propostas que devem compor o documento, como destacou Murilo, está a criação de uma Secretaria de Engenharia de Manutenção, nos âmbitos nacional, estadual e municipal. “Com isso, teremos um cronograma de fiscalização, teremos periodicidade de manutenção e histórico das inspeções realizadas”, explicou.

Paulo Guimarães, presidente da Mútua, frisou a importância de leis que criem órgãos técnicos especializados. Participaram ainda da abertura a coordenadora do Núcleo Jovem Engenheiro do SEESP, Marcellie Dessimoni; o secretário municipal de Infraestrutura e Obras de São Paulo, Vitor Aly; o subsecretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado, Gláucio Attorre Penna; os vereadores de São Paulo Gilberto Natalini (PV), Eliseu Gabriel (PSB), RicardoTeixeira (Pros), Mario Covas Neto (Podemos) e Caio Miranda Carneiro (PSB), bem como de Piracicaba Pedro Motoitiro Kawai (PSDB); os vice-presidentes da Associação Brasileira de Pontes e Estruturas, Gilson Marchesini, e da FNE, Antonio Florentino de Souza Filho.

 

Segurança e conservação

A situação das obras de arte em todo o País foi o tema de Ciro Araújo, chefe da Seção de Engenharia de Estruturas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Ele expôs o modelo de inspeção utilizado e fotos que ilustraram o péssimo estado de conservação dessas estruturas. “Para postergar o tempo de vida útil de uma obra é importante aumentar a periodicidade das manutenções, e não deixar acumular, o que encarece”, propugnou.

A falta de manutenção em obras urbanas em capitais brasileiras tem culminado em várias patologias, como aponta estudo feito a partir de 2005 pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco). A análise foi apresentada pelo presidente da Regional São Paulo da entidade, Fernando Mentone.

Nas edificações urbanas também há ausência de engenharia de manutenção, de acordo com Maurício Marcelli, diretor-presidente da empresa de perícia técnica Critério Experts. Ele apresentou casos de vícios ocultos, como ferrugem em peças e mau planejamento. “Se a gente não fizer manutenção preventiva adequada e, depois, corretiva, teremos comprometimento da segurança, do conforto e até depreciação do valor”, salientou. 

Para Alex Abiko, professor titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) em Gestão urbana e habitacional, isso prejudica a conservação dos municípios. A falha na zeladoria também se dá, segundo ele, por ausência de planejamento. A solução, acredita, são as smart cities, “onde se utilizam softwares e equipamentos para melhorar a qualidade das cidades (...) e garantir sua sustentabilidade”.

Já Paulo Afonso de Cerqueira Luz, professor de Engenharia Geotécnica da Universidade Presbiteriana Mackenzie, falou da segurança das barragens. Ele alertou que o alteamento a montante, modelo das construções que se romperam em Mariana e Brumadinho (MG), é o mais econômico e o de maior risco. Segundo ele, a comunidade geotécnica está propondo um novo protocolo de verificação de segurança das barragens de rejeitos.

No setor elétrico, por sua vez, como a atividade das usinas depende inteiramente das barragens, a fiscalização é mais rígida – e a segurança é de “total responsabilidade” do proprietário do empreendimento, explicou Cláudio Paiva de Paula, especialista em regulação e fiscalização em recursos públicos da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp).

Consenso indicado durante o seminário é de que faltam recursos para manutenções eficazes. Na análise de Artur Araújo, consultor da FNE, o problema não é exclusivo do Brasil. “Geralmente se preserva uma margem de investimento para obra nova, e a manutenção cai nas rubricas de custeio de governos do mundo inteiro”, frisou. Isso também acontece, segundo ele, no setor privado, que “corta manutenções para mostrar lucro aos acionistas”. E concluiu: “Temos que trazer a discussão do que realmente custa mais.” Completou ainda: “Porém, sem engenheiros, sem equipes técnicas tudo isso é abstrato.”

 

*Colaborou Deborah Moreira

 

Cobertura completa neste site.

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