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09/06/2010

Salto de crescimento

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       O crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano, estimulado pelo consumo das famílias e pelos investimentos, pode ter chegado a uma taxa anualizada próxima a 14%, sobre o último trimestre de 2009, segundo levantamento feito ontem pelo Valor com economistas de várias instituições.
       A estimativa mais elevada foi feita pelo banco Credit Suisse Brasil, prevendo um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4% de janeiro a março sobre os três meses anteriores, já livre de efeitos sazonais.
       Para o ano, as previsões chegaram a 8%, um número considerado unanimemente insustentável dadas as limitações da economia brasileira. Hoje o IBGE divulga os números oficiais do PIB no período.
       Para Mônica Baumgarten de Bolle, economista-sócia da consultoria Galanto, o país não tem condições de crescer a uma taxa superior a 5% ao ano, de forma sustentável, por conta de gargalos de infraestrutura, baixo estoque de mão-de-obra qualificada e baixo nível de poupança doméstica.
       "Se o Brasil insistir em crescer acima de 5% vai afastar-se da meta de inflação de 4,5%, o que já está ocorrendo, e pode gerar um efeito perverso nas expectativas dos investidores. O aquecimento excessivo da demanda pode deteriorar as contas externas", afirmou.
       A economista estima que o país vai crescer 7% este ano. Na ponta, em relação ao último trimestre de 2009, ela acredita que o número virá entre 2,5% e 3% - o que representa uma taxa anualizada entre 10% e 12%.
       Ao contrário de outros macroeconomistas, a sócia da Galanto não vê sinais de desaceleração da economia e considera que a redução da produção industrial em abril foi uma mera acomodação com o fim dos incentivos fiscais ao consumo. Ela avalia que o país vai crescer menos em 2011 e terá que fazer ajustes nas áreas fiscais e monetária para enfrentar um cenário externo mais hostil.
       O ex-diretor do Banco Central (BC) Carlos Thadeu de Freitas, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), considera que após março houve efetivamente uma desaceleração da atividade provocada pelo "esgotamento" das medidas fiscais de estímulo ao consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis e eletrodomésticos.
       Freitas avalia que o crescimento do PIB foi de 3% sobre o trimestre anterior e de 10% sobre o mesmo período do ano passado, mas acredita que no total de 2010 a produção do país crescerá de 6% a 7%. E considera que, nas condições atuais, o PIB brasileiro não pode crescer de forma contínua a taxas superiores a 4% ou 5% sem provocar desequilíbrios na taxa de inflação e nas contas externas do país.
       Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, vê o chamado "PIB potencial" (limite de crescimento contínuo e saudável) na faixa de 4,5% a 5% e ressalta que esses números já significam expressivo avanço sobre os 2,5% de alguns anos atrás.
       Para superar os limites? No longo prazo, mais qualificação da mão de obra. No curto prazo, gastos públicos menores e melhores (mais investimentos e menos custeio), permitindo um ajuste mais suave da política monetária, de modo a não prejudicar os investimentos privados.
        O economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, disse que prefere não trabalhar com o conceito de PIB potencial, mas concorda que há limites ao crescimento acelerado que vão das pressões inflacionárias ao aumento do déficit nas contas externas, passando pelas pressões por aumento salariais geradas pela escassez de mão-de-obra qualificada.
       O pesquisador Leonardo Carvalho, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tem uma visão diferente, embora concorde que os "modelos" indicam que o Brasil poderia crescer de 4,5% a 5,5% sem fortes pressões inflacionárias ou de balanço de pagamentos.
        Mas ele ressalta que, "olhando mais qualitativamente", é possível observar fenômenos que podem estar interferindo positivamente nesses limites, como o crescimento contínuo, exceto na crise, dos investimentos acima do PIB e o aumento da eficiência tecnológica, agregando competitividade à produção do País.

 

Chico Santos e Vera Saavedra Durão, Valor Econômico
www.cntu.org.br

 

 

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