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16/06/2015

Rumo ao nono Congresso Nacional dos Engenheiros

Centenas de profissionais de todo o Brasil deverão se reunir na capital sul-mato-grossense, Campo Grande, de 5 a 7 de outubro próximo, para participar do IX Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse). Realizado a cada três anos, o encontro mais importante da FNE colocará em pauta o debate sobre desenvolvimento e a valorização profissional. “Neste momento, mais do que nunca, é necessário que os engenheiros mantenham a sua firme convicção de que não se pode abrir mão de medidas que levem ao crescimento econômico e ao desenvolvimento”, afirma o presidente da federação, Murilo Celso de Campos Pinheiro, referindo-se às dificuldades políticas e econômicas vividas pelo País, cenário bem diferente ao da realização do último congresso, em 2012, quando o Brasil vivia pujança em termos de investimentos em obras de infraestrutura e maior estabilidade institucional.


Foto: Divulgação
ParqueCampoGrande editada 
A capital sul-matro-grossense sediará a nona edição do congresso dos engenheiros, que colocará
em pauta o setor agropecuário, dificuldades enfrentadas pela indústria, mobilidade, energia e água 


Para ele, o ciclo positivo dos últimos dez anos, quando a retomada dos investimentos, conforme propunha o projeto Cresce Brasil – lançado pela entidade em 2006 –, propiciou o aumento do emprego e da renda e melhorou as condições de vida da população, demonstra qual o caminho a seguir, “e ainda resta muito a se fazer, como dar conta das inúmeras demandas da nossa infraestrutura urbana”. E conclama: “É preciso coragem para andar para frente, não retroceder e não abrir mão do que foi conquistado.”

Nesse sentido, o congresso dos engenheiros debaterá os desafios e as oportunidades do agronegócio e da indústria, levando em conta macroeconomia, política industrial, produtividade e inovação, logística e qualificação da mão de obra. “O nosso grande problema hoje, como já dito, é o recuo da indústria”, avalia Pinheiro, para quem um país como o Brasil precisa do setor forte e deve, para isso, lançar mão de suas vantagens estratégicas. Segundo ele, não há como a economia nacional se sustentar apenas com a venda de commodities, por maior que seja a importância do agronegócio nacional, e sustenta que, também nessa área, “em que somos bastante competitivos, é preciso pensar em valor agregado aos produtos”. Por isso, defende o desenvolvimento da cadeia produtiva agromineral, o que necessita de inovação. Os problemas de logística e transporte, que encarecem os nossos produtos, também estão na ordem do dia dos debates dos engenheiros, tendo como perspectiva, ressalta Pinheiro, repensar a matriz de transporte com maior utilização de hidrovias e ferrovias.    

A expectativa da realização do congresso em Mato Grosso do Sul, segundo o presidente do Senge-MS, Edson Shimabukuro, é a melhor possível. “Estamos trabalhando para realizar um grande Conse e recepcionar a todos com muita atenção. Para isso, contamos com o apoio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e do Mútua do estado, do governo estadual, da Prefeitura de Campo Grande, da Câmara Municipal, da  Assembleia Legislativa e também de empresas privadas”, informa.

Shimabukuro informa que o congresso contará com a participação dos mais renomados profissionais da engenharia e da política. “Serão discutidas formas e apresentados exemplos para o crescimento do País e, claro, da cidade de Campo Grande que segue a caminho de uma metrópole”, observa. Para ele, a cidade ganhará sensivelmente com os debates do IX Conse. Ao mesmo tempo, avalia Shimabukuro, o estado também contribuirá bastante com os debates, como em relação ao agronegócio, já que Mato Grosso do Sul tem, como carro-chefe de sua economia, o setor já bastante avançado tecnologicamente; e à mobilidade urbana, pois a cidade de Campo Grande, informa o sindicalista, tem um dos modelos mais significativos em todo o País. “Já no caso dos recursos naturais, temos o plano ecológico do Pantanal, que abrange a bacia do pantanal, formado pelos rios Paraguai e Paraná. Além de termos o maior aquífero guarani da América Latina. Temos trabalhos realizados com esses recursos naturais dos quais podem servir de exemplo para outras cidades, temos muito a somar para o nosso País.”

Valorização profissional
Sobre questões mais específicas, o IX Conse definirá estratégias de ação com relação à valorização profissional e da engenharia nacional. Pinheiro lembrou que a categoria amargou certo ostracismo durante a recessão da década de 1980 e voltou a ter relevância no País na fase da retomada do crescimento, a partir de 2003. “No entanto, a luta pela valorização profissional é uma bandeira constante, faz parte da atuação diária da FNE e de cada um dos sindicatos filiados”, ressaltou. Para tanto, as pautas essenciais da categoria, entre outras, destaca o dirigente, são o reconhecimento do engenheiro como trabalhador qualificado pela empresa, o cumprimento da lei do salário mínimo profissional (4.950-A/66) e a garantia de acesso à educação continuada. Outra bandeira importante é o da instituição da carreira de Estado, em todos os níveis de governo, para a categoria, cujo projeto aguarda votação do plenário do Senado.

Água, energia e mobilidade urbana
Ainda em sintonia com os assuntos mais relevantes ao País, o congresso dos engenheiros reunirá especialistas para tratar de recurso hídrico, energia e mobilidade urbana. “Queremos debater o quadro de fornecimento de dois insumos-chave, água e luz, do ponto de vista das demandas produtivas do País e evitar, ao máximo possível, uma postura que tem preponderado, principalmente na abordagem cotidiana dos meios de comunicação: o enfoque “individual”, do consumidor doméstico, do usuário “pessoa física”, esclarece. Para tanto, indica que as discussões devem levar em conta os aspectos estruturais das atividades de produção e distribuição de recursos hídricos e de energia elétrica e nos impactos que provocam no processo econômico brasileiro. Com relação à mobilidade urbana, estarão em pauta o direito ao transporte público de qualidade, o sistema metro-ferroviário e o projeto de BRT (sigla em inglês para transporte rápido por ônibus) em Campo Grande.

No último dia do congresso, a partir das 9h, será realizada assembleia e eleição da diretoria da FNE para o triênio 2016-2019.

 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Texto publicado no jornal Engenheiro, da FNE, edição 156, de maio de 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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