GRCS

11/03/2010

País deve investir em profissionais para novas tecnologias

Painéis para discutir a formação e capacitação de mão de obra necessária para enfrentar os desafios nos setores ligados à infraestrutura no país vão até junho

        O segundo painel promovido pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado, na segunda-feira, dia 8 de março, discutiu "A política de formação e capacitação de recursos humanos frente à política de desenvolvimento produtivo". O foco da reunião foi à assimetria do dinheiro gasto no Brasil com relação as diferentes áreas do conhecimento.
        Segundo o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Carlos Alberto Aragão, que participou do encontro, existem áreas estratégicas, como as das engenharias, bem como outras ligadas à energia, ao clima, à nanotecnologia, e outras áreas interdisciplinares ainda muito incipientes no país.
       Durante a reunião, Aragão afirmou que o CNPq está buscando investir mais nas áreas tecnológicas com a intenção de fortificá-las e melhorar o desempenho do Brasil, principalmente na área das engenharias, que segundo ele, ainda está engatinhando.
       "Apesar das áreas de engenharias terem crescido nos últimos anos, essa é uma área de graduação que anda a passos lentos. O Brasil forma anualmente cerca de 30 mil engenheiros, número bem abaixo do verificado em países como a Rússia (190 mil), Índia (220 mil) e China (650 mil). Embora o Brasil esteja em 13º lugar na produção de conhecimento global, à frente da Holanda e da Rússia, no caso da engenharia o país ocupa a 21ª posição".
      Durante o encontro, Aragão também mostrou preocupação com a enorme evasão nos cursos de engenharia, tanto é assim que as estatísticas demonstram que 60% dos alunos de engenharia das universidades públicas desistem do curso e 75% dos estudantes das privadas também saem antes do término.
       "Esses dados são preocupantes, ainda mais porque apenas 2 de cada 7 engenheiros acabam exercendo a profissão. Esse afunilamento dos cursos de engenharia começa cedo. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a cada 800 estudantes do ensino fundamental no país, apenas um opta por se formar em engenharia", disse Aragão.
       Para finalizar, Aragão afirmou que, neste ano, o CNPq irá focar no incentivo ao desenvolvimento de tecnologia de ponta nas empresas brasileiras, ou seja, tentará atrair mais o empresariado, com o intuito de oferecer recursos humanos altamente qualificados, tornando o setor privado mais competitivo no mercado externo. "Sabemos o quanto é necessário superar o fosso entre o conhecimento científico acadêmico e as atividades de inovação e agregação de tecnologia nas empresas", afirmou.
        Após a exposição de Aragão, o presidente da CI, senador Fernando Collor (PTB-AL), observou que o Brasil não pode mais perder a oportunidade de um crescimento consistente. "Não podemos mais dar prioridade a compras de tecnologia pronta. Precisamos dar oportunidade aos nossos pesquisadores. Temos ainda um número muito baixo de patentes brasileiras. Estamos no eixo secundário com um desempenho pior em relação às patentes depositadas nos Estados Unidos, sendo também superado nesse setor pela Rússia, Índia e China", disse.
       O painel também contou com a participação do Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Braga Arcuri, do deputado federal Alceni Guerra (DEM-PR) e do diretor-presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski.
       Segundo Reginaldo Arcuri, o Brasil tem que ser ainda mais competitivo e não apenas detentor de riquezas naturais com mão-de-obra eventualmente barata. "O Brasil precisa investir em inovação tecnológica, tendo em vista que o país voltou a ter demanda por trabalho qualificado em alguns setores, como engenharia, que chega a ser maior que a capacidade do país em formar esses profissionais".
       O presidente da ABDI registrou ainda que os operários são hoje "atores e partícipes" do processo de produção, com a utilização de máquinas complexas que demandam conhecimentos. "Só vamos efetivamente responder aos desafios que o resto do mundo nos propõe se tivermos gente capacitada tanto na pesquisa básica como na operação direta de máquinas", afirmou.

Painéis
      
A intenção do novo ciclo de debates organizado pela CI é discutir a formação e capacitação de mão de obra necessária para enfrentar os desafios nos setores ligados à infraestrutura no país. Os painéis seguem-se até 7 de junho, sempre às segundas-feiras, dentro da programação da Agenda Desafio 2009-2015.
       A programação está disponível em http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=99818

(Jornal da Ciência, com informações da Assessoria de Comunicação Social do CNPq e da Agência Senado)

 

 

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